Olááá!
Antes de mais nada gostaria de pedir desculpas pela demora... mas realmente não está dando para fazer as coisas rapidamente ultimamente. Minha carga horária de trabalha aumentou... estou trabalhando de 7:00 às 18:00 com um intervalo de duas horas entre 12:00 e 14:00, que uso para comer e resolver tudo o que tem de ser resolvido, e como se não bastasse ainda estou estudando de 18:30 às 22:30. Nem nos sábados tenho descanso... Vida social para que???? Conclusão... chego em casa só o pó. Ultimamente tenho estado tão cansada que até olhar para minha cama dá sono. ¬¬'
Por isso não estou conseguindo me dedicar loucamente as minhas fics... mas prometo que farei de tudo para postá-las o mais rápido que meu pouco horário e cansaço permirtir.
Gostaria de agredecer às reviews de: Lady Aredhel Anarion / Sarah / Srta. Ka / Lari-chan / Maryperola16 / Pitty Souza / HP / Nami-chan Vampire
Obrigada a vocês e a todos que lêm não apenas LM mas todas as minhas fics. ^-^
Beijokas e Boa leitura e até o próximo capítulo *Provavelmente postarei MDP antes* :P
Não se esqueçam de comentar! ^.^
Abraços.
Telly Black.
Lady Mine
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\Capítulo Onze\
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Assim que terminou de arrumar os lençóis da cama, Kaede voltou os olhos para Kagome. Havia lhe sido um trabalho árduo e difícil levantar a menina para que ela se arrumasse para ir ao colégio, mas o conseguira. Entretanto, embora tivesse levantado, tomado um banho e se vestido, a menina parecia ainda estar ausente. Sentada na cadeira do closet, diante do espelho, ela encarava a própria imagem com estranha atenção, ignorando o fato de seus cabelos ainda estarem molhados e embaraçados. Antigamente, apesar de todo o problema que era levantá-la - principalmente nos dias frios - depois que ela se encontrava de pé, ela se arrumava rapidamente e ia para o colégio com um sorriso no rosto.
Aquela menina, não era nenhum pouco parecida com a Kagome de antes. E isso a preocupava. Aquela situação toda a estava prejudicando e corroendo por dentro. Kagome não estava pondo para fora tudo o que sentia, e prender as coisas em seu interior, não era bom para nenhuma pessoa. Especialmente para ela.
Ao sentir Kaede tocar seu ombro e tirar a escova de cabelos de sua mão, Kagome sentiu-se ser arrancada de seus devaneios. Piscando e inalando profundamente para manter-se calma, deixou que a velha Senhora penteasse seus cabelos, uma vez que nem sequer possuía coragem e força para aquilo. Sentia-se fraca e suas entranhas se contorciam pelo nervosismo que sentia. Afinal, não se sentia preparada para enfrentar a escola ainda.
# Vai se atrasar. - repetiu, Kaede.
# Não me importo. - Kagome rebateu em tom morto, abaixando a cabeça para poder encarar suas mãos e os pés.
Mordendo o lábio, voltou a encarar sua imagem no espelho. Tinha certeza de que todos lá estavam sabendo da história forjada por Inu no Taisho, com o consentimento dela e de seu pai, para evitar que problemas ainda maiores acontecessem. E tinha certeza de que algumas pessoas iriam adorar fazer piadas a respeito disto. Nunca ligara para esse tipo de coisa anteriormente - afinal de contas muitos ali gostavam de se achar superior a ela - mas seu estado espiritual dizia que talvez não fosse capaz de se segurar caso alguém lhe dissesse algo degradante. Temia sua reação quanto aquilo.
Não importava se usasse aquela calça comprima e aquela blusa que não marcava as curvas de sua cintura, ou qualquer outra roupa para evitar que a gravidez fosse notada. Todos a notariam por já saberem a verdade contada pela imprensa.
Assim que Kaede terminou de pentear seus cabelos, Kagome se levantou e caminhou lentamente até seu quarto. Apenas para não dar, à velha Senhora, a chance de prendê-la sentada na cadeira, enquanto a avaliava, como era seu costume. Respirou profundamente e imediatamente calçou as luvas de seda que estavam sobre a mesa do computador.
# Está sentindo algo, menina? - Kaede questionou, preocupada. Os olhos conhecedores e acostumados com cada uma das ações da menina, captando sua ansiedade enquanto calçava as luvas.
# Não! - apressou-se em responder, virando-se para olhar Kaede nos olhos. - É apenas a ansiedade de volta às aulas e nada mais. - sorriu da melhor forma que era capaz de fazer naquele momento.
Antes que Kaede pudesse dizer algo, abandonou o quarto levando consigo a bolsa com todo o material que necessitava. O motorista já se encontrava na entrada da mansão, a aguardando, e tão logo a viu e saudou de forma respeitosa, guiou-a para o carro: Uma Mercedes - pode perceber - que havia sido lançada ainda àquele ano, da cor prateada, e que apenas alguém com muitas posses seria capaz de conseguir.
Assim que sentiu o carro avançar silenciosamente, deitou a cabeça no encosto do banco e fechou os olhos. Mal conseguira dormir àquela noite. Pesadelos invadiam sua mente todas as vezes que ela ficava vulnerável e perdeu as contas de quantas vezes tivera de levantar da cama para ir ao banheiro colocar para fora tudo o que tinha em seu estômago. E nem ao menos sabia como fora capaz de tomar café da manhã sem passar mal.
# Milady está sentindo algo?
A voz do motorista a arrancou de seus devaneios, e piscando como se necessitasse daquilo para voltar totalmente a realidade, voltou os olhos para ele, notando que o Youkai podia vê-la através do retrovisor.
Sorriu, tentando lhe passar a idéia de que estava bem, e ao ver que ele passara a prestar atenção unicamente no transito, virou o rosto para olhar para fora. A mansão era obviamente um tanto quanto distante do colégio. Percebeu. De sua casa, ou melhor - lembrou-se com tristeza que aquela não era mais sua casa - da casa de seus pais, até a escola, normalmente só se demorava dez minutos de carro e quando não tinham problemas no trânsito.
Não sabia dizer se aquilo era algo bom ou ruim. Quanto mais demorasse, mais poderia adiar o momento de ter de ver os colegas de classe. Entretanto, a demora a fazia sentir a necessidade de gritar para que o motorista voltasse; para que ele a levasse de volta para casa e nunca mais a tirasse de lá.
Franziu o cenho. O que mais lhe incomodava era a expectativa e espera pela reação de Sango - sua melhor amiga desde o jardim de infância. Seu celular registrara mais de vinte ligações da jovem, depois que a notícia de seu casamento com Sesshoumaru havia saído nos noticiários e jornais. Ligações que ela não retornara. E tinha certeza de que Sango poderia lhe jogar reclamações por isso: não apenas por não ter ligado de volta para ela, mas por ter se casado com um homem que ela namorava escondido há bastante tempo, e não ter lhe avisado nada.
O carro parou, e enquanto erguia a cabeça para ver onde estava sentiu um incomodo em seu ventre. E inconscientemente levou suas mãos ao local. Estranhamente, sabia que aquilo era seu filho reclamando da ansiedade que ele era incapaz de compreender. Respirando profundamente, tentou se acalmar. Sabia que sentimentos intensos poderiam prejudicar uma gravidez, e não queria que o bebê sofresse com isso. Afinal, ele não era culpado por nada o que lhe acontecera.
O pátio da escola - como era de costume - estava lotado de alunos de todas as séries conversando animadamente enquanto esperavam dar a hora que tivessem de se trancar na sala de aula para enfrentarem horas de estudo e concentração. E pode notar que a atenção de alguns deles se voltaram imediatamente para o carro onde ela estava. Obviamente almejando saber quem é que se encontrava no interior daquele veículo caro com vidros escuros.
# Kami! - ela murmurou, encostando-se a poltrona desejando que ela fosse capaz de lhe fazer desaparecer.
# Lady Takahashi? - O motorista se virou para ela, parecendo verdadeiramente preocupado. Afinal, ele deveria acreditar que seu patrão fosse arrancar-lhe a cabeça algo acontecesse com ela. - Está sentindo mal? A Senhora realmente está pálida.
# Foi só uma tontura. - garantiu, sorrindo fracamente. - São coisas da gravidez. Já me acostumei com isso. Não se preocupe. - voltou a olhar para o pátio da escola, mas o motorista tornou a lhe chamar atenção. - O que? - não entendera o que ele dissera.
# Gostaria de saber se quer que eu lhe acompanhe até a porta da escola, Milady. - ele repetiu. - Há repórteres aqui. - explicou-se, ao ver que ela não compreendera a razão de seu questionamento.
# Repórteres? - sua voz saiu falha, enquanto olhava ao redor em busca de alguém com câmeras e filmadoras.
# Posso sentir o cheiro deles, Milady. Dos equipamentos que eles usam e da ansiedade deles em ver e se aproximar de Milady. - respondeu. - Eles estavam diante do prédio do trabalho de Lord Sesshoumaru. E devem ter imaginado que a Senhora iria estar aqui hoje. Almejam falar com a Senhora.
Kagome estremeceu. Era fato que era conhecida e sua família vivia sendo alvo de repórteres e tudo mais, por serem da antiga realeza Miko. Mas jamais havia sido assediada como imaginava que seria. Repórteres nunca haviam estado em sua escola antes. E muito menos se escondiam para pegá-la de surpresa em busca de uma entrevista. Mas já deveria ter imaginado que algo como aquilo iria acontecer. A união entre a família Higurashi e Takahashi era uma noticia bombástica e importante para a sociedade. Aliás, também se tratava da concretização da harmonia entre Youkais e Humanos.
E ela, a mulher que, para eles, conseguira domar Sesshoumaru Takahashi - Youkai impiedoso e calculista - e ainda carregava um filho dele em seu ventre, era a única que ainda não havia sido vista e ainda não tinha dado sua versão para a imprensa. Inu no Taisho e seu pai fizeram questão de mantê-la no escuro. E até conseguiram manter os indomáveis membros da mídia longe da Mansão em Nara e da mansão ali em Tóquio, para que ela ficasse em paz e na calma. Mas eles não haviam conseguido ter o mesmo sucesso ali na escola dela. Assim que descesse do carro iriam atacá-la sem piedade.
# Lord Sesshoumaru me alertou sobre essa possibilidade e ordenou-me que mantivesse os enxeridos o mais longe possível de Milady.
"Por temer que ela dissesse a verdade sobre tudo acontecera? Ou por outra coisa?" pegou-se pensando. Mas ela não colocaria tudo a perder. Revelar que Sesshoumaru a violentara não iria apenas trazer problemas para o Youkai, mas também arruinaria tudo o que sua família e a família de Inu no Taisho fizera, para provar que Humanos e Youkais podiam sim viver juntos e na paz. E ainda destruiria o casamento de Inuyasha e Kikyou.
# Acho que seria bom. - Kagome sussurrou, sem desviar os olhos do pátio. - Acho que posso acabar surtando se eles voarem para cima de mim, como os vejo fazendo na televisão.
O motorista sorriu, e retirando a chave da ignição saltou para fora do carro. Velozmente ele deu a volta na Mercedes e abriu a porta esticando a mão para que ela pudesse se apoiar nele para sair do veículo. E foi o que Kagome o fez, respirando profundamente para acalmar-se e evitar que acabasse por desmaiar. Apertando firmemente a mão do Youkai entre as suas, observou todos os olhares se voltarem para ela enquanto repórteres e mais repórteres surgiam de lugares inusitados e se aproximavam dela, batendo fotos e estendendo os microfones gritando suas perguntas.
Abaixando a cabeça, incomodada com os gritos e os flashes, Kagome se deixou ser arrastada pelo Youkai Leopardo, tentando resistir ao impulso de começar a gritar com todos eles, e os mandar tomar conta da própria vida. Os mandar deixá-la em paz.
Perguntas como "Quando foi que você e Sesshoumaru decidiram iniciar o relacionamento? Como você se sente por ser a mulher do grande Sesshoumaru Takahashi? Estava em seus planos acabar engravidando dele? E sua irmã? Como ela se sente sobre você ter se casado antes dela? Afinal, a união era para ser concretizada pelo casamento dela e não o seu." escapavam dos lábios ansiosos, lhe deixando tonta, e a todo minuto agradeceu pelo Youkai Leopardo estar ali junto a ela.
Em questão do que ela achou ser minutos, sentiu seus pés voltarem a tocar o chão e abriu os olhos para se descobrir parada diante de porta que levava para a diretoria. Olhou ao redor, notando que o corredor estava vazio - afinal de contas eram poucos aqueles que gostavam de atravessar aquele corredor. - e suspirou tremulamente, aliviada.
# Obrigada. - anunciou alisando as roupas apenas para não deixar a mão tremer. - Como se chama mesmo?
# Aishu, Milady. - ele respondeu, sorrindo como se sentisse orgulho por ela ter lhe perguntado seu nome. - Vou indo agora, Milady. - pegou sua mão e beijou-lhe as costas das mãos com respeito, antes de sair e deixá-la sozinha. Uma atitude que a pegou de surpresa.
Sabia que era esposa de Sesshoumaru e esperava um filho dele, mas imaginava que seus criados Youkais seriam que nem ele: frios. A respeitariam, mas deixariam evidente o desagrado por terem de servir uma Humana. Aishu era algo extremamente diferente do que imaginava, e agradeceu mentalmente por isso, enquanto se perguntava se ele sempre servira a Sesshoumaru ou se ele viera a mando de Inu no Taisho.
Respirou profundamente e avançou lentamente pelo corredor em direção a sua sala de aula. Não havia ouvido o sinal tocar informando o inicio das aulas, mas quanto mais tempo passasse escondida, sentia que pior seria: Todos já deveriam saber que ela já se encontrava ali.
# Kagome?
Seus passos congelaram assim que virou no corredor e ouviu uma voz conhecida. Apertando a alça da bolsa com força, ergueu a cabeça e virou o rosto para encarar Sango. A morena vinha rapidamente em sua direção, sendo seguida pelo namorado de dois anos, Miroku; e a namorada do irmão mais velho dela, Rin.
Sorriu forçadamente para a amiga de infância, e sobressaltou-se quando ela a agarrou em um abraço forte.
# Kikyou me contou tudo. - Sango disse em um sussurro. - Eu já sei de absolutamente tudo. - explicou-se, deixando claro que sabia de toda a verdade. E antes que pudesse perceber, tinha lágrimas nos olhos. - Hei! - Sango a censurou, rompendo o abraço e segurando-a pelos ombros. - Não quero que chore. Kikyou disse que você fez muito isso ultimamente e vai lhe fazer mal.
Kagome piscou por repetidas vezes antes de passar as mãos sob os olhos e respirar para se acalmar. Era bom saber que teria o apoio de Sango e que não necessitaria relembrar de tudo ao ter de contar para ela como se dera a decisão daquele casamento relâmpago. E tão logo Sango se afastou dela, sentiu Rin lhe abraçar.
# Sango me contou. - disse sorrindo, assim que se afastou de Kagome. - Kikyou pediu para que mantivesse segredo, porque não era para ninguém saber, mas... - Rin olhou para Sango.
# Ela estava comigo quando Kikyou ligou para mim. - Sango completou, segurando a mão de Kagome. - E foi meio que impossível não mostrar minha indignação por tudo isso. - olhou para Miroku. - Ele também estava do meu lado... e meio que escutou a conversa.
# Não sabe como fiquei chocado por saber disso, e logo depois ver todas as noticias no jornal. - Miroku disse. - Mas eu tenho que lhe dizer, minha querida amiga. Você está bem melhor do que eu imaginava. Devo lhe dizer, inclusive, que está ainda mais bonita que a última vez que lhe vi. Ai! - ele gritou de dor, e olhou para Sango enquanto alisava o braço. - Por que me beliscou?
# Tenha mais tato, seu estúpido. - Sango mandou. - Perdoe ele, Kagome. Sabe como meu namorado é meio estúpido vez ou outra.
Kagome sorriu, mostrando não se preocupar. Conhecia Miroku perfeitamente bem e sabia o que ele fazia ou não tentando ajudar uma pessoa a se animar. Mesmo, que, como Sango gostava de dizer, ele não tivesse tato nenhum para fazê-lo, Miroku era capaz de animar e aliviar o clima em qualquer ambiente.
# Tudo bem, Sango. - falou com sinceridade. - Eu realmente estou me sentindo bem. - deu de ombros. - Ao menos em vista do que muitas mulheres em minha condição se sentem. - fez uma careta. - Mas não quero falar sobre isso. - anunciou antes que Sango ou Rin começassem a falar alguma coisa maldizendo Sesshoumaru. - Tudo, de certa forma está resolvido, e tenho de continuar com minha vida.
# Sabe que se precisar de qualquer coisa, pode contar comigo, não sabe? - Sango questionou preocupada, sem soltar a mão dela.
# Como poderia não saber? - rebateu, sorrindo ainda mais para ela.
Houve um breve momento de silêncio e os três se sobressaltaram ao som do estridente sinal, que informava o inicio das aulas, sobre suas cabeças.
# Bem... Vamos a guerra! - Rin anunciou, capturando um dos braços de Kagome, e juntamente a Sango, escoltando-a até a aula.
Miroku ia imediatamente atrás delas, caminhando displicentemente com as mãos cruzadas sobre a cabeça, tendo plena noção - pelo tempo que as conhecia e que convivia naquele meio – de que suas idéias e opiniões não eram almejadas naquele momento de garotas.
E enquanto era escoltada, passando pelos corredores em direção ao pátio onde teriam aula de Educação Física, notou os olhares daqueles por quem passava. Uns se inclinavam para o lado sussurrando alguma coisa para o seu companheiro, vez ou outra sacudindo a cabeça em negação, sem deixar de observá-la. Outros viravam o rosto e a ignoravam. E outros tantos, a encaravam de cima a baixo antes de lhe sorrirem de forma debochada. Mas ela não se importou. Ali, naquele momento, percebeu que já tinha tudo o que necessitava.
# Quer saber? - Rin começou. - Não teve muita coisa nesses dias que esteve fora. - ela fez uma careta. - As aulas estão cada vez mais chatas. O professor de educação física cismou que temos de aprender badmington. Eu acho que poderíamos ficar sem isso.
# Só porque você tem sérios problemas com a raquete. - riu Sango, observando Rin ficar vermelha. - Ela se acertou com ela e ainda deixou ela escapar da mão direto na cabeça do professor. A classe inteira riu, e é claro: o professor pediu para que Rin se sentasse e descansasse um pouco.
# Foi realmente engraçado. - Miroku comentou em seu lugar. - Por um momento achei que o Nakamura-san fosse arrancar sua cabeça ou lhe fazer em pedacinhos. - deu de ombros. - Mas tirando esse fato inédito, de Rin não ser boa em alguma coisa, você não perdeu nada. - deu ênfase.
Kagome sorriu, imaginando a amiga na situação descrita. Rin era boa em tudo que fazia. Não gostava de tirar notas baixas e sempre se destacava. Do grupo deles, era a que mais se destacava, além de ser uma bela jovem. E deixando de ouvir a conversa das duas amigas, Kagome olhou para frente.
O ginásio estava barulhento - com aquele mesmo burburinho típico desses tipos de lugares - mas assim que ela entrou junto aos três amigos, houve silêncio. Aos poucos, todos os rostos foram se voltando para ela, e o jogo de futebol americano dos meninos, foi sendo interrompido. E o fato de o professor não estar presente ainda, a fez perceber que todos se aproveitariam disto para alfinetá-la.
# Higurashi!
Franziu o cenho ao ouvir a voz falsamente doce chamar seu sobrenome. Voz esta que pertencia a Tsubaki, aquela que sempre gostava de tentar pisá-la e humilhá-la de todas as formas possíveis, e de maneiras que ainda eram capazes de surpreendê-la. E enquanto ela se aproximava acompanhada de suas três ditas amigas, lhe sorrindo de forma desagradável, Kagome soube que, desta vez ela iria se utilizar de sua gravidez.
# Ou seria melhor lhe chamar de Lady Takahashi? - fez uma reverencia debochada.
Kagome se livrou dos braços de Sango e Rin, observando os outros alunos se aproximarem apenas o suficiente para ouvir a conversa. Algo que, Kagome notou não ser muito difícil, uma vez que Tsubaki estava aos gritos.
# Quem te viu e quem te vê, hein Kagome? - sorriu, colocando as mãos na cintura. - Quem poderia imaginar que um dia, a santinha Higurashi, aquela que se julgava a melhor de todas, acabaria sendo primeira página e notícia de telejornal? E ainda por cima grávida de um filho do Lord Youkai Sesshoumaru. - fez sons estalados com a língua em desaprovação. - Tá certo que é Sesshoumaru, mas você foi bastante tolinha em engravidar dele. Oh! - ela cobriu os lábios com as mãos, como se tivesse descoberto alguma atrocidade. - Ou apenas fez isso para dar o golpe nele? Se for isso você é uma vadia mesmo, hein Kagome. Nem mesmo eu seria capaz de fazer isso.
Sango avançou um passo, almejando começar uma briga com Tsubaki. Mas Kagome colocou o braço diante dela a impedindo de avançar. Não temia pela amiga, afinal Sango era conhecida por seu gênio violento; ela podia perfeitamente acabar com Tsubaki, como havia feito uma vez quando a vira dar em cima de Miroku. Entretanto, não queria que Sango tomasse suas dores. Se quisesse ter sua vida normal, teria de erguer a cabeça e enfrentar Tsubaki com dignidade. Como sempre fazia.
# Deixe disso, Tsubaki. Você não vai conseguir. - virou de costas para ela.
E não mentira, ao mesmo tempo em que descobria já possuir todo o apoio que necessitava, viu-se descobrindo que a única pessoa capaz de afetá-la era Sesshoumaru. - E ele o fazia de todas as formas.
# Mesmo? - Tsubaki riu cinicamente, antes de olhar para trás conferindo quem estava prestando ou não atenção nelas. - Acho que não... - continuou, aumentando o tom de voz a cada passo que ela se afastava. - Eu quem era a vadia. Todo esse tempo veio me criticando... mas você vale menos que eu, Kagome. - deu um passo à frente. - Ao menos eu mostro quem eu sou na verdade. Não fico me escondendo atrás de uma máscara. Não sou sonsa. Em pensar que por todo esse tempo tem sido vadia de Sesshoumaru. Por que fez isso? Uma espécie de vingança por Inuyasha não ter querido você?
Kagome parou, e um sorriso surgiu nos lábios de Tsubaki, enquanto sussurros e 'oh!' ecoavam pela quadra.
# O que Inuyasha está achando de você agora? - continuou, e Kagome fechou o punho com força. As imagens de Inuyasha na noite em que o recusara, voltando a sua mente enquanto seu coração se despedaçava. - Tenho certeza de que ele crê que você é apenas uma vadia. Que você nunca gostou dele verdadeiramente... Que é apenas gostava do dinheiro. Que assim que teve a oportunidade escolheu aquele quem tinha mais poderes.
"É a mim que você ama, mulher... e não aquele Hibrido." Ouviu a voz de Sesshoumaru sussurrar em seu ouvido e sentiu-se estremecer.
# Eu tive minha oportunidade com ele... - sussurrou para si mesma, lembrando-se de como se negara a ser esposa de Inuyasha. - E eu disse não.
# Você não é mulher para Inuyasha! E duvido muito que seja mulher para Sesshoumaru.
# E você acha que você seria? - Kagome rebateu, girando no mesmo lugar.
Um gesto do qual se arrependeu logo em seguida. Sentiu o mundo ao seu redor girar e teria caído se Miroku não houvesse a segurado discretamente. Piscou e lhe sorriu agradecida, antes de se afastar dele. E voltou a andar em direção a Tsubaki. A expressão dela deixando-a irritada. Não agüentava as piadas de Tsubaki, nunca as suportara.
# Deixe disso, Tsubaki. Mude a fita, pois essa frustração por ter perdido Inuyasha para minha irmã está começando a ficar sem graça. - Tsubaki fechou a cara ao ouvir aquilo. - Se você é incapaz de conseguir alguém assim não venha me alfinetar porque eu consegui.
Ninguém ali sabia absolutamente nada sobre sua vida. Todos acreditavam em algo que não existia, então ela o assim faria. Diante deles afogar-se-ia na ilusão de seu falso conto de fada. Agiria como se houvesse almejado aquilo.
# Não conte vitória ainda Kagome... casamentos como esse seu não dura muito.
# Ao contrário... são os que realmente duram. - deu um passo a frente, sem acreditar no que estava falando. - Youkais casam para a vida inteira, por isso apenas se casam quando encontram seu verdadeiro companheiro, Tsubaki. E se você prestasse o mínimo de atenção nas aulas saberia disso.
# Eu sei disso, queridinha. - Tsubaki disse com deboche, fingindo não se importar com as palavras dela. - Assim como sei que a gravidez de um Hanyou... é três vezes mais complicada que a de um humano normal. - sorriu, novamente a olhando de cima a baixo com desprezo. - Seu casamento não durará muito. - umedeceu o lábio com a língua. - Quem sabe eu não tenha chances quando você morrer no parto? Afinal, - ela abriu os braços. - todos nós aqui sabemos que você é fraca. Se mulheres fortes morrem... Por que você não morreria também?
Kagome sentiu o sangue sumir de seu corpo ao ouvir aquelas palavras, e ao ver o sorriso nos lábios de Tsubaki soube que ela havia conseguido exatamente o que queria. Comprimiu os lábios e piscou com força tentando evitar a vontade de chorar. Tsubaki sabia que a havia ferido, mas não ia se permitir derramar uma lágrima sequer diante dela.
# Ora sua... - Sango deu um passo a frente, almejando acabar com ela, entretanto, como se houvesse sentido o inicio do problema, o professou atravessou as portas do ginásio gritando e querendo saber o que estava se passando. - Sorte sua. - sussurrou parando a milímetros de Tsubaki. - Mas não vai escapar na próxima.
Tsubaki riu e se afastou juntamente a suas amigas, ao mesmo tempo em que o resto do grupo se dispersava e voltava a fazer o que faziam antes de Kagome aparecer. E fazendo uma careta, prometendo a si mesma que acabaria com a raça dela quando estivessem sozinhas e longe dos olhos dos professores, Sango se virou para Kagome. A moça estava extremamente pálida e parecia que estava preste a desmaiar, sendo sustentada apenas por Miroku e Rin que estavam ao seu lado segurando seus braços.
# Kagome?
Mas Kagome não a estava ouvindo. O que Tsubaki havia dito era verdade, por causa da energia que um Hanyou emanava sempre existia a possibilidade de a mãe morrer durante o parto. Especialmente e principalmente no parto do primeiro filho do casal.
Piscou e sentiu seu corpo ser sentado contra vontade. Talvez Sesshoumaru estivesse apostando nisto. Talvez estivesse tranqüilo com relação aquilo por saber que ela tinha cinqüenta por cento de chances de não sobreviver. E assim ele estaria livre para arrumar outra mulher. A Companheira Youkai que ele tanto queria para dar a luz a seu herdeiro Youkai.
# Não dê ouvidos a ela. - Rin disse, alisando os braços de Kagome. - Ela queria ter essa vida que ela acredita que você tem.
# Kagome? - a voz masculina fez Sango, Rin e Miroku voltarem os olhos para o professor que se aproximava. - O que houve?
# Ela não está se sentindo bem. - Sango anunciou com raiva, olhando para Tsubaki por rápidos segundos, antes de voltar os olhos para a amiga.
# O que você está sentindo, Kagome? – o professor questionou enquanto pegava seu braço para medir a pulsação antes de se abaixar diante dela e tocar seu rosto para que ela o olhasse.
Ela piscou fortemente e abaixou a cabeça. Sabia que o professor Nakamura estava ali lhe fazendo perguntas, mas seu estado lhe proibia de compreender o que ele dizia, ou de falar qualquer coisa sobre o que sentia. A dor que sentia em seu ventre lhe deixou totalmente imobilizada e estava sendo extremamente difícil manter os olhos abertos.
# Leve ela para a enfermaria, Miroku. – o professor ordenou, antes de ajudar a colocá-la de pé. – Sango e Rin, vão para lá… vamos começar a aula. E… - ele aumentou o tom de voz ao perceber que elas iriam contestar sua decisão. – Não reclamem.
As duas moças lançaram um último olhar a Kagome, e obedeceram as ordens do professor, correndo para junto do resto da classe. E Miroku, segurando Kagome firmemente pela cintura e com o braço dela sobre seu ombro, rumou lentamente para a enfermaria.
