Jogos do Amor

Capítulo XI

- Eles estão chegando na base. Estão chegando na base, na base! Vamos, Toji! - Gritei.

Toji se inclinava para trás e dava tudo o que podia. Todos os outros jogadores do nosso jogo do meio-dia eram imaginários.

- Fora! Cuidado Ken Griffey Júnior. - Eu disse. - Nós temos um jogador de primeira linha bem aqui.

O rosto de Toji brilhava. Todo o dinheiro que eu havia gastado com aquela pequena luva de canhoto tinha valido a pena. Depois de conversar com Miroku e Anna sobre a situação, comprei a luva e levei Toji para lançar algumas bolas no campo durante o intervalo de almoço da segunda-feira. Esperava aumentar a confiança dele, encorajando-o a explorar os seus talentos. Isso tornaria todo o resto mais simples para ele.

Jogamos intensamente por trinta e cinco minutos. Olhei para o céu que ficava cada vez mais escuro, e acenei para ele. O vento estava aumentando e havia apenas um pedacinho de azul à esquerda.

- Por favor - implorou Toji -, mais uma bola.

Lancei a bola e o observei correr ao longo do campo. Era rápido como um gato. Nunca tinha visto uma criança com tanta agilidade.

- Por favor, tia Kagome, só mais uma bola. - Ele me pediu novamente.

Eu balancei a cabeça.

- Prometi ao chefão que você iria almoçar.

Ele permaneceu no meio do campo por um momento, as pernas curtas plantadas firmemente no chão, esmurrando a luva com o punho - o primeiro sinal de resistência que eu havia visto em Toji.

- Vamos, menino. Vai começar a chover.

Ele veio andando relutante. Abri a sacola com os sanduíches, e os guardanapos começaram a voar na nossa frente. Toji se sentou perto de mim na arquibancada, devorando o pão até que sobrasse apenas a casca. Ele a colocava de lado e pegava outro sanduíche.

- Sabe, Toji, pode ser mais fácil comer se você tirar a luva.

Ele me olhou, os olhos escuros procurando os meus para saber se eu estava falando sério, então, sorriu e continuou com a luva.

- Como é que você não fica irritada comigo quando eu faço alguma trapalhada? - Ele perguntou com a boca cheia.

- Irritada? Por que eu ficaria? - Repliquei. - Eu me atrapalho o tempo todo. Ninguém quer, mas todo mundo se atrapalha.

- Kahuko não. - Disse Toji firmemente.

- Quem é Kahuko?

- O namorado. - Falou.

- Da sua mãe?

Toji fez que sim com a cabeça.

- Você gosta do Kahuko? - Perguntei.

Toji desviou o olhar.

- Ahã.

Não acreditei nele.

- Ele mora com vocês?

- Às vezes. Onde é que você mora? Você tem um quintal?

- A uns seis quilômetros daqui. Tenho, eu tenho um quintal.

- Você mora perto do tio Inuyasha? - Ele quis saber.

- O tio Inuyasha mora perto do clube de golfe, onde nós vamos nadar.

Ele lambeu a pasta de amendoim de seus dedos.

- Eu queria poder morar com o tio Inuyasha.

- Você gostaria de poder jogar golfe? - Brinquei com ele.

- Ele é legal. - Toji disse casualmente.

Concordei e fiquei desejando que nós não tivéssemos que conversar muito sobre Inuyasha. Já tinha pensado muito nele no dia anterior e tentei evitá-lo naquela manhã. E Toji havia me proporcionado uma boa desculpa para não almoçar com ele e Anna.

- Ele diz coisas legais.

- É mesmo. - Concordei de novo.

- Às vezes, ele toca violão pra gente. E conta histórias, várias histórias sobre mágicas. Eu acho que ele acredita nisso. Acho mesmo. Você acredita?

- Costumava acreditar. - Disse, enfiando o meu sanduíche de volta na sacola.

- Você não está com fome? - Perguntou.

- Acho que não. Comi um monte de brownies no fim de semana. - Contei a ele.

- É? Tem algum aqui? - Ele enfiou a mão dentro da sacola de papel.

- Só biscoitos.

- Tá bom. - O garoto sorriu e levantou seu braço de repente, apontando com a sacola ainda em suas mãos. - Ei, olha lá o tio Inuyasha.

Olhei rapidamente sobre o meu ombro.

- Quem é? - Perguntou Toji. - Quem é aquela garota com ele?

- Uma amiga do tio Inuyasha. O nome dela é Kikyou.

Por que eu não disse que era uma amiga minha também? Toji e eu observamos os dois percorrerem o caminho que circundava o campo. Não tinha certeza se haviam nos visto. Provavelmente estavam muito concentrados um com o outro.

- Ela é namorada dele?

- Parece que sim. - Disse.

- Ei, tio Inu...

- Shhh! Não o chame. O tio Inuyasha está conversando com a amiga dele.

"E se ele beijasse a amiga dele?", pensei. Seria bom para Inuyasha se as crianças da segunda série parassem de fazer desenhos da monitora maluca e começassem a desenhá-lo ao lado de uma bela mulher. Kikyou e Inuyasha desapareceram atrás de uma árvore - "Meu Deus, eles gastam bastante tempo atrás de árvores e arbustos", pensei -, mas o caminho realmente seguia naquela direção para se chegar ao prédio em que Kikyou tinha aulas de dança. Alguns minutos depois, Inuyasha reapareceu, sem a Kikyou, andando sozinho em nossa direção.

- Ei, tio Inuyasha! Ei, olha aqui! Olha o que a tia Kagome me deu.

Toji correu para encontrá-lo. Eu fiquei onde estava. O rosto de Inuyasha se iluminou com um grande sorriso. Ele se curvou para falar com Toji e examinar a luva. Ela não cabia na mão de Inuyasha, mas ele a prendeu com os dedos e fingiu que estava agarrando uma bola. Toji o imitava. Então Inuyasha olhou para cima como se estivesse tentando pegar uma bola bem alta. Ele começou a esticar os braços, dizendo:

- Eu peguei! Eu peguei! Eu peguei! Eu não peguei...

Toji caiu na grama de tanto rir. Inuyasha o puxou do chão, então colocou a mão sobre o ombro do garoto. Senti uma ponta de inveja: queria ser alguém que pudesse rir com Inuyasha, alguém que ele quisesse alcançar e tocar carinhosamente. Foi como ter visto ele junto da Anna, aquele ciúme idiota que senti quando vi a intimidade com que se tratavam.

- Se segura, Kagome. - Eu murmurei para mim mesma.

Inuyasha colocou a luva na cabeça de Toji, então olhou para mim, sorrindo. Olhei rapidamente para ele com um sorrisinho, me levantei e comecei a pegar as coisas do almoço.

- Oi, Kagome.

- Oi, Inuyasha.

- Parece que vocês dois andaram se divertindo.

- É mesmo. - Disse, evitando olhá-lo de frente. - Toji é um astro. Espero que ele se lembre da gente quando ficar famoso.

Toji sorriu.

- Como está a Kikyou? - Perguntei.

- Kikyou?

- Sua namorada. - Disse Toji.

Inuyasha deu uma piscada.

- Ah, certo. Sentimos sua falta durante o almoço.

"Com certeza", eu pensei e olhei para o céu. A chuva chegaria tarde demais.

- Acho que você já deve saber que saí com ela no fim de semana. - Continuou Inuyasha.

"E saiu, e saiu de novo e saiu mais uma vez", eu pensei.

- Ahã. A mãe dela me contou. - Disse. Começamos a andar juntos para o centro acadêmico. - Isso é ótimo. Realmente ótimo.

- Como foi o seu final de semana? - Perguntou Inuyasha.

- Ah, foi ótimo também.

- Ela comeu um monte de brownies. - Entregou Toji.

Inuyasha riu.

- Ovos Mexidos gosta de brownies?

- Não, eu gosto. - Respondi secamente.

Inuyasha inclinou-se um pouco para a frente, como se tentasse ler o meu rosto. Tentou fazer com que eu o olhasse de volta, tentou fazer que nossos olhares se cruzassem.

- Se a gente não se apressar - falei -, vamos ficar encharcados.

"Por favor, chova, por favor, comece a chover agora", pensei. Alguém devia estar me escutando. Um relâmpago tomou o céu. Agarrei a mão de Toji. Ele gritava como um porquinho, e nós corremos para o centro acadêmico. Toji e eu não paramos até chegarmos perto das crianças que saíam da lanchonete. Keitarô puxou o meu cabelo molhado. Mutsumi quis saber por onde eu tinha andado. Estava feliz por estar entre as crianças, que não paravam de rir e conversar. E, além disso, eu me sentia aliviada por elas estarem aglomeradas ao meu redor, protegendo-me dos olhares questionadores de Inuyasha.


À noite ainda continuava chovendo. Era possível ouvir as gotas no telhado e o barulho de uma velha calha solta que não parava de sacudir. Sango e eu estávamos sentadas no sofá assistindo a um dos seriados de TV mais idiotas que eu já vi. "É assim que vamos terminar", pensei, "Sango e eu, duas irmãs solteiras vivendo juntas, assistindo a seriados estúpidos, cuidando do Camarada".

- Devo assar uns brownies? - Perguntou Sango.

- Não. - Acho que eu tinha voltado a suspirar.

- E aí, o que é que o Kouga disse quando você falou que estaria ocupada no sábado à noite? – Sango quis saber.

Ele havia ligado logo após o jantar, e ela ouvira a conversa até o momento em que eu peguei o telefone sem fio e entrei dentro do guarda-roupa. Mas eu fiz aquilo apenas para irritá-la. No fundo, não ligava se ela soubesse alguma coisa sobre Kouga.

- Ele perguntou sobre o domingo.

- E você falou? - Disse, querendo que eu continuasse.

- Que estava ocupada. - E ele?

Apanhei o controle remoto e comecei a trocar de canal.

- "Que tal segunda-feira?". Mas ele precisa dormir cedo, lá pelas dez horas.

- Sabe, Kouga não deve ser esperto o suficiente para entender uma indireta. - Minha irmã disse, colocando a mão sobre a minha.

- Não diga! - Falei, "zapeando" ainda mais rápido. - Bem... Eu acabei falando que não estava a fim de sair com ele.

- Ele ficou destruído?

- Perguntou se eu gostaria de vê-lo numa competição que está para acontecer.

Ela chegou a se engasgar e tive de rir um pouco.

- Ah, Kag... - Disse ela.

- Ah, San. - Nós não usávamos esses apelidos há muito tempo.

- E você contou ao Inuyasha que você e o Belo Adormecido não estão mais juntos?

- Por que eu deveria contar isso ao Inuyasha? - Perguntei, ácida. Estávamos de volta ao seriado estúpido. Olhava furiosa para os atores. - Pensei que estivesse acompanhando tudo o que está acontecendo, Sango. Já deveria saber que ele está saindo com a Kikyou.

- Eu sei. Mas isso nunca foi um motivo para ela parar, não é?

Levantei do sofá. Talvez eu realmente precisasse de chocolate.

- Não, porque o cara sempre estava interessado nela. Mas Inuyasha não está interessado em mim. - Minha voz tremeu. - Sorte da Kikyou.

Sango se levantou para me seguir, então afundou o corpo de novo no sofá.

- Tá tudo bem? - Perguntei.

- Tá, com certeza. - Ela me dispensou com a mão.

Ela não estava com uma cor boa desde que eu voltara para casa.

- Você está com uma cara estranha. O que há de errado?

- Como vou saber? - Ela balançou os ombros. - Eu não controlo mais o meu corpo. Parece que ele está possuído.

Franzi as sobrancelhas e abracei o meu corpo. Sentia como se o meu coração estivesse possuído. "Primeiro, alguém rouba o seu coração", eu pensei, "então tudo começa a escorregar de suas mão".

- Quer alguma coisa da cozinha?

- O que você for comer está bom para mim. - Ela respondeu.

Eu voltei com um pacote de biscoito e leite. O rosto de Sango estava com uns dois por cento de sua cor habitual.

- Vamos ver um vídeo. - Sugeri e abri a porta de vidro do armário.

- O que você quer ver? - Eu sei, minha disposição estava incrível. Eu estava realmente preocupada com ela.

- Nosso amor de ontem.

- O quê? - Esse filme fazia parte da coleção dos meus pais e era um melodrama horrível. - Por quê?

- Assim a gente pode chorar e sentir pena de outra pessoa - Sango sugeriu.

- Mas eu odeio esse filme. Odeio a personagem da Barbara Streisand. Ela tem um cabelo seco, é incrivelmente teimosa. E se apaixona perdidamente pelo cara errado.

- É, bem... - Minha irmã deu de ombros.

Fiquei surpresa que ela tenha se segurado para não fazer um comentário maldoso do tipo: "Olhe-se no espelho, Kagome". Devia estar se sentindo muito mal. Coloquei a fita no videocassete e fui pegar os lenços de papel.

Já estávamos na metade do filme, quando Sango se curvou para a frente e apertou o botão para desligar o vídeo.

- Acho que preciso dar uma ida ao banheiro. - Ela ficou em pé, imóvel por um instante.

- Sango?

- Estou bem.

Quando olhei para a parte de trás do vestido dela, um arrepio gelado tomou conta do meu corpo. Havia uma grande mancha vermelha nele. Sango virou o pescoço para ver o que era.

- Ai - disse e sentou de volta no sofá -, o que a gente faz agora? - Parecia que ela estava prestes a desmaiar.

- Ligamos pro corpo de bombeiros?

Ela franziu a testa.

- Brincadeira. - Murmurei e corri para o telefone.


N/A: Oi gente boa!!!

Não morri! Ainda... xD

Olhem, eu tenho milhões e milhões de desculpas para dar a todas vocês, mas não quero que percam seu tempo com tanta baboseira de uma vez só... Eu achava que teria férias e tudo ficaria tranquilo, mas me enganei profundamente... Então, sinto muito por mais um big atraso! Prometo recompensar vocês algum dia! Hehe

De qualquer forma, as coisas vão começar a sair do controle agora... Espero que se preparem... ADORO problemas e encrencas!! Hahahaha... Espero que se divirtam também!

E quero agradecer as pessoas que me adicionaram em milhares de coisas do site e um agradecimento mais que especial a Natsumi Takashi, sayurichaan, Aricele, Kagome Juh, krol-chan (Obrigada por acompanhar a fic!! Me desculpe pela demora! Mas meus horários são meio complexos... E a Kikyou é ridícula! Só a Kagome pra ser tão estúpida assim... Mas eu a adoro desse jeito... Fazer o quê... HAUhuahuHUAHuha... Espero que continue gostando!!! Beijinhos!!), Jhennie Lee, Vitória-chan, Lilermen, carolshuxa, Thali-chan (Obrigada!! Me desculpe a demora... É a vida corrida da atualidade... hehehe... Mas espero que continue gostando da história!! Beijinhos...) e bruna-yasha por terem parado um tempinho pra me mandar algumas palavrinhas que fazem meu dia mais feliz! Valeu mesmo!!

Acho que vocês já sabem, mas só pra reforçar, eu respondo a todas as reviews por e-mail e quando não tenho o contato respondo por aqui. Caso eu demore para responder, mesmo com o capítulo postado, sinto muito, mas aí é minha Internet que deu problema! xD

Obrigada mais uma vez a todas!! Espero que continuem gostando!!

Beijinhos...