A semana seguinte as atingiu como um grande choque de realidade. Logo elas se viram no hotel, separadas, e um momento a sós se tornou algo impossível. Estavam o tempo todo cercadas por amigos e produtores e técnicos. Uma distancia se instaurou, mas era uma distancia calma, porque, mesmo que não pudessem conversar ou ter um momento intimo ou nada.. Lea realmente segurou a mão de Dianna no fim do show. Foi uma surpresa pra loira, que, por não achar aquilo possível, simplesmente ignorou o pequeno acordo. Aliais, ela se esforçava pra ignorar todo o fim de semana que passaram juntas, pois sabia que certamente não ia conseguir se concentrar na turnê, e na postura que elas certamente deveriam ter perante todos ali, se continuasse a se lembrar do jeito como o corpo da amiga se moldava ao seu, dos pequenos beijos carinhosos trocados, dos beijos inflamados e dos toques.. É, aquela não era a hora de pensar naquilo. Mas foi exatamente o que veio na cabeça de Dianna, quando ela sentiu pela primeira vez a mão de Lea buscando a sua, durante o solo de Amber, no fim do show.
Dianna ficou surpresa, sim. E encantada. Até porque, Lea repetiu o gesto em cada uma das apresentações que fizeram. E mesmo que no final já fosse algo que estava previsto pra acontecer, Dianna sempre sentia o coração acelerar naqueles segundos em que Lea saia do personagem e cantava pra ela, como na ultima noite em que dormiram juntas. E, Dianna não saberia disso ainda, mas mesmo um ano depois, na segunda turnê, onde tudo seria mais difícil e a história delas seria ainda mais complicada, não importasse se o próprio Ryan viesse pedir pro gesto não ser repetido, Lea continuaria segurando a mão dela. Mesmo sabendo que ela levaria repetidas broncas dos produtores por aquilo, mesmo respeitando o fato de que a família da loira estava na platéia e, Deus, naquela altura Lea saberia o quão a relação de Mary com a sexualidade da filha poderia ser difícil, mesmo as vezes elas acabassem de ter uma briga minutos antes de subir no palco, e que as vezes o gesto falhasse.. Lea nunca vacilou em demonstrar pra Dianna, no fim de cada show, que ela estava ali, que ela continuava ali e que ela sempre estaria ali.
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Uma coisa que Dianna sempre admirou em Lea é que ela sempre fazia o que bem entendesse. Nunca se curvava a regras que ela não queria obedecer e se achasse algo injusto, lutaria contra. No fim daquele dia de gravações, então, Lea estava ali, assistindo a gravação da ultima cena do dia, de Dianna e Cory. O elenco estava indo embora aos poucos, e, quando Ryan perguntou se Lea não ia embora, ela respondeu com convicção que iria esperar Dianna pra irem pra casa juntas. Ryan só esfregou o rosto, sabendo que não dava pra lutar contra aquilo.
Quando, vinte minutos depois, a cena finalmente saiu, Dianna foi até Lea, que segurou sua mão, não soltando até chegarem ao carro.
- Você vai se ofender se eu perguntar se você assistiu a cena e fez isso tudo por minha causa ou se foi só pra provocar? – Dianna deu um sorriso inseguro.
- Foi.. bom, os dois. Você veio comigo, eu era a sua carona de volta, ué.. preferia que tivessem que te levar em casa e vissem aonde você tá morando?
- Certo.. mas, não foi só isso, foi?
- Não. Foi também pra mandar a mensagem de que... se isso chegar a algum lugar, eles não vão poder se meter. Nós já temos problemas demais sem ter que lidar com mais isso.
- Mas, Le, eles tem razão em certo ponto.. você sabe disso..
- Exatamente porque eu sei disso, eles não precisam nos tratar como duas adolescentes inconseqüentes. Honestamente, Dianna, você tem alguma pretensão de tornar isso público?
- Nem pensar.
- Pois é. Nem eu. Porque eu tenho a consciência de que isso ia arruinar tanta coisa.. então, putz, porque eles não deixam a gente lidar com isso da forma que nós acharmos melhor? Que saco.
- Você devia falar isso com o Ryan, sabe? Tipo.. a gente devia..
- Ah, pode apostar que chances não vão faltar, de agora em diante...
Dianna mal percebeu, mas elas já estavam estacionando em casa, e ainda haviam muitas coisas a serem ditas... Ela colocou a mão sobre o joelho de Lea, a mantendo sentada, estudando a amiga com os olhos.
- Vai ser assim, então? A gente vai simplesmente.. começar a tratar isso como um relacionamento, agora?
- Vamos com calma, tá, Di? A gente vai subir.. vamos comer alguma coisa, assistir algum filme ou seriado juntas no sofá.. podemos ficar até tarde conversando, coisa que a gente não faz a muito tempo e que eu sinto saudade.. E depois.. você vai pro seu quarto, eu vou pro meu.. e, por enquanto, vai ser só isso. Mas não quer dizer que não seja um relacionamento..
- Qual a diferença daquilo que a gente teve, então, Lea?
- A diferença.. não sei.. acho que.. quando você for pro seu quarto hoje eu vou te abraçar e dizer que te amo, e você vai saber que esse amor não é um amor de amiga.. e que quando eu encostar meus pés nos seus durante o jantar ou no sofá, vai ser porque eu quero você por perto, e obviamente não é como amizade... E se eu me aproximar de você, vai ser porque eu preciso de você por perto – a voz de Lea falhou, e as duas perceberam o quão próximas de chorar estavam. – E isso é tudo que eu posso te oferecer no momento. Ok?
- Okay, Le.. – soltou o cinto de segurança e puxou Lea para um abraço demorado. – O que você vai querer assistir hoje? – ela mudou de assunto, rapidamente.
- Hmm.. Você tá atualizada em Vampire Diares?
- Não! Perdi uma semana e ai acabei largando pra lá..
- Eu gravei todos os episódios. Maratona?
- Tá, maratona! – Dianna abriu um grande sorriso pra Lea, antes de saírem do carro, novamente unindo as mãos.
N/A: capitulo pequenininho só pra fazer uma pequena homenagem a tooodos os momentos achele de mãos dadas na tour! *-*
Já estou escrevendo o capitulo seguinte, acho que até amanhã saí. Aguardem. =*
