A claridade do dia acordou Kagome. A sensação dos lençóis de cetim contra seu corpo lhe trouxe á memória as palavras de Inu Yasha ao dizer que a queria e a sensação das mãos dele em seu corpo. Suspirou. Nada a preparara para as sensações maravilhosas que Inu Yasha lhe despertara. O que havia naquele homem, para transformá-la em argila, para moldá-la como lhe agradasse?
Não entendia a atitude de seu pai. Inu Yasha fora, pelo menos em parte, o responsável pela morte de Souta. Era o mesmo homem que tentava enganá-la com falsas promessas para se apossar da herança que seu irmão lhe deixou.
Lançando as cobertas para o lado, alcançou o roupão e o vestiu. O som de algo caindo no chão a fez olhar para o anel ao pé da cama. Ao apanhá-lo, Kagome notou que era masculino. Em uma das metades havia um falcão em pleno vôo, e na outra ,as palavras em latim Fides et Justitia: Fidelidade e Justiça.
Lembrava vagamente de Inu Yasha ter deslizado algo em seu dedo, um pouco depois de ela ter adormecido. Girando o anel na mão, Kagome leu os dizeres na parte de dentro:
Lorde Inu Yasha George Taisho Sumpter, 3 de setembro de 1805.
Sua mãe tinha razão. Ele era um nobre inglês, e seu sobrenome era Sumpter, não Taisho. O que tentava esconder? O homem não era apenas mentiroso, mas também um sedutor. Encantou seu irmão e seus pais. A magia das mãos dele a seduziu.
Kagome caminhou para as janelas da varanda, olhando o bonito dia lá fora. Foi em direção ao armário e procurou algo para usar. Quem ele pensava ser pra lhe dizer o que vestir, e quem ela podia e não podia ver? Mostraria àquele arrogante quem estava no comando. E começaria com Houjo e James Bowie. Enviaria uma mensagem a cada um deles, dizendo que seriam bem-vindos á Casa de Higurashi se desejassem visitá-la. E veria o que o sr. Taisho tinha a dizer sobre isso. Noivado! Ah!
-#Sei que se zangou ontem, filha, mas seu pai e Inu Yasha conversaram sobre esse noivado antes de sua viagem a Spanish Oaks.
-#Por que, mamãe, não fui consultada? Você se casou com papai porque o amava. Por que não me permitem o mesmo privilégio?
A voz de dom Rafael ecoou na sala de café da manhã.
-#Inu Yasha Taisho e um homem honrado, e vê-la casada com ele foi o último desejo do seu irmão. Sempre lhe fiz as vontades, mas não desta vez, Kagome Angélica. Inu Yasha protegerá aquilo que será seu, se algo acontecer comigo.
Kagome se levantou para protestar:
-#Papai...
Ele fez um gesto ordenando que se sentasse.
-#Ouça, filha. Eu não estou bem, e preciso ter certeza de que deixarei você e sua mãe bem protegidas.
Kaguya se aproximou do marido e o abraçou.
-# Não fale assim, Rafael.
Dom Rafael puxou a esposa para o lado e contemplou a filha.
-#Não cometa o erro de desprezá-lo, Kagome Angélica. Você será feliz com ele, garanto.
Kagome abaixou os olhos.
-#Nunca se sabe, papai...Pode ser que ele mude de idéia e rompa o compromisso. Onde o exaltado sr. Taisho se encontra esta manhã?
-#Inu Yasha retornou a Spanish Oaks, na noite passada. Julgávamos que tivesse lhe contado, quando a acompanhou ao quarto. Ele enviou a carroça com as provisões na frente e precisava alcançá-la.
O coração de Kagome disparou de ódio. Ele partiu. Sem uma palavra, provando que a noite passada nada significou...
Nos dez dias que se passaram após a partida de Inu Yasha, Kagome entreteve um cavalheiro diferente a cada dia. Pretendia provar seu ponto de vista, até mesmo se fosse com Kaede sentada com ela na sala, bordando, e com seus pais presentes. O único proplema de Kagome era descobrir como deixar Inu Yasha saber dos acontecimentos. Seus pais permitiram as visitas dos cavalheiros, com tanto que cada um deles entendesse que ela era comprometida.
Naquela tarde, Houjo e James vieram vê-la. Kagome servia o chá quando seu pai e Bankotsu entraram na sala e se sentaram.
Após trocar algumas palavras educadas com os dois rapazes, seu pai dirigiu-se a ela:
-#Um de nossos vaqueiros acaba de chegar de Spanish Oaks. Inu Yasha não foi mais visto desde que partiu, na noite da festa.
Kagome arregalou os olhos, assustada.
-#Você o viu na manhã seguinte após a festa?- dom Rafael perguntou ao jovem fidalgo.
-#Não, señor.- Houjo fitou Kagome, e então de novo seu pai. - Eu ficaria honrado em partir com seus homens para procurá-lo.
Dom Rafael olhou para Bankotsu, que disse:
-#Partiremos dentro de uma hora, señor Houjo.
James Bowie também ofereceu seus préstimos, e em seguida os dois cavalheiros saíram para se preparar para a viagem.
Kagome falou com o pai:
-#Irei também.
-#Não, Kagome! É muito perigoso. Pode haver índios.
-#A escolha é sua, papai. Ou o senhor pede a Bankotsu para preparar minha carroça e Rojo, ou fugirei na primeira oportunidade.
-#Você os retardará, filha.
Ela balançou a cabeça.
-#De qualquer modo, se eles precisarem procurar pelo rastro dele, a viagem será lenta.
Dom Rafael sorriu para sua desafiante filha.
-#Pensei que você não se importava com Inu Yasha.
-#E não me importo! É em Spanish Oaks que estou interessada.- Ela se virou e correu para o quarto.
Com os homens espalhados a procura de qualquer sinal de Inu Yasha, os dias prosseguiam tediosos, e as noites, longas. Inu Yasha não podia estar morto. Kagome rejeitava a idéia de estar apaixonada por ele, mas não queria que ele estivesse morrido.
Encontraram o lugar onde Inu Yasha poderia ter acampado, e os homens acharam sinais de comanches. Os vaqueiros procuraram pistas em cada centímetro da vegetação rasteira por pelo menos um quilômetro, até avistarem rastros dos pôneis indígenas e do garanhão de Inu Yasha.
A comitiva de vaqueiros e Kagome foram para Spanish Oaks conseguir ajuda extra. Os vaqueiros colocaram sua carroça na colina, perto dos muros de uma fazenda.
A casa parecia pequena em comparação á Casa de Higurashi, mas bem construída. Ela caminhou em torno da residencia e deleitou-se ao avistar um jardim.
O filho do jardineiro da Casa de Higurashi se aproximou dela com o chapéu na mão.
-#É só um começo, patroa, mas eu trouxe algumas mudas de tudo o que está plantado em seu jardim, na Casa de Higurashi.
Kagome se agachou para examinar uma roseira quando ouviu uma voz profunda soar atrás dela:
-#Não tive muito sucesso tentando convencer os homens de que o jardim era para mim. Desde o início eles sabiam que seria seu.
Ela cambaleou. Inu Yasha a alcançou e a segurou pelo cotovelo.
-#Pensamos que você estivesse...não conseguimos encontrar nenhum sinal seu, só do cavalo. Os índios...
Inu Yasha estreitou-a em seus braços, amparando seu corpo trêmulo.
-#Tratei da perna quebrada de um dos guerreiros comanches, que ficou muito agradecido. Depois que lhe mostrei como caminhar como uma muleta e disse por quanto tempo precisaria manter a pena imóvel, eles finalmente me deixaram ir. Cheguei aqui esta manhã. Pretendia lhe enviar uma mensagem ainda hoje, Angel.
Inu Yasha ergueu-lhe o queixo e roçou os lábios nos dela.
-#Ficou preocupada comigo?
Kagome se desvencilhou, não querendo cair de novo na magia daquelas mãos, daquela boca, daqueles olhos âmbares.
-#Não, não fiquei preocupada com você. Vim conferir como esta indo a construção da casa. O material da cozinha chegou?
Inu Yasha observou-a caminhar nervosamente para a cozinha.
-#Sim. Você se incomodaria de cozinhar para mim?
Ela o fitou, zangada.
-#Não sei cozinhar!
Inu Yasha a pegou pelo braço e a conduziu em direção a um ainda não terminado depósito.
-#Então acho que você terá que se conformar com a comida de Cookie. - Pôs o chapéu na cabeça.- A propósito, por que Houjo, e James estão entre seus vaqueiros?
Kagome empinou o queixo e sorriu.
-#Eles vieram a meu convite. Desde que você partiu, ambos têm me feito companhia.
Pela expressão de Inu Yasha, ficou óbvio que a notícia não o Agradara. Mas ele nada comentou. Em vez disso, levantou sua não e a examinou.
-#Onde está seu anel?
-#Você quer dizer o seu anel, lorde Sumpter? - Kagome usava o anel secretamente preso dentro da blusa, mas por nada no mundo admitira isso.
-#Por que os trouxe? Para me provocar ciúme?
-#Não seja ridículo. Houjo pelo menos não me largaria sozinha na primeira oportunidade.
Inu Yasha a abraçou.
-#Eu a deixei porque, se tivesse ficado, acabaria tomado liberdades com você que um homem honrado não tomaria antes do casamento. Não me esqueci da suavidade de sua pele, ou do doce gosto de seu corpo. Como pôde pensar que parti porque queria?
-#Por favor, me solte, Inu Yasha.- Kagome abaixou a cabeça, enquanto o alívio a inundava.- Como pode me humilhar dessa maneira?
Diante da angústia dela, Inu Yasha a soltou.
-#Humilhar? Não quero humilhá-la. Desde que a deixei não penso em outra coisa além de nossos momentos juntos. E você respondeu como todo homem sonha que sua mulher responda ao seu toque.
Ela afastou-se.
-#Não sou sua mulher, e jamais serei!
A risada dele a seguiu enquanto ela caminhava apressada para junto de seus vaqueiros.
-#Oh, sim, você será, Angel. Nem mesmo o céu, ou o inferno poderão evitar isso. E se eu tiver que enviar Jim Bowie, ou Houjo Seguin, a um desses lugares para provar isso, é o que farei.
Kagome se serviu da comida que Cookie preparou. Inu Yasha sorriu quando a viu sentada entre Bankotsu e um dos vaqueiros. Após servir-se, ele se aproximou do grupo, parou na frente do vaqueiro e lá ficou, de pé, aguardando até que o homem se afastasse.
Jim Bowie se aproximou.
-#Como é que você ainda conserva o escalpo, Taisho?
-#Não sei. Eles são as criaturas mais ferozes com quem já entrei em contato. Mas de algum modo, depois de estar com os índios, precisei mudar de opinião. Você devia vê-los montar.- Olhou para Bankotsu por sobre a cabeça de Kagome.- Com todo respeito a seus vaqueiros, mas os comanches são escriveis. Conseguem cavalgar pendurados nos lados dos cavalos e você pode jurar que não há ninguém ali.
Bankotsu o desafiou:
-#Nós nunca lhe mostramos o que realmente podemos fazer, patron. Algum dia lhe faremos uma exibição de nossos talentos.
Kagome pensou em se afastar furtivamente enquanto os homens conversavam. Assim, levantou-se, de mansinho, mas todos os presentes se levantaram também. Ela os fez tornar a seus lugares com um gesto de mão.
-#Fiquem aí, cavalheiros. Vou me retirar. Foi um longo dia.
Jim Bowie e Houjo Seguin permaneceram de pé, assim como Inu Yasha, que olhou de um para o outro.
-#Vou acompanhar minha noiva á carroça, senhores.
Os dois tornaram a se sentar.
Kagome lançou um olhar zangado a Inu Yasha.
-#Não se incomode, señor. Meus vaqueiros estão por perto, e providenciarão tudo o que eu precisar.
Inu Yasha arqueou um sobrancelha escura.
-#Tem certeza, señorita?
Kagome corou um pouco e deixou o local.
Após meia hora, Inu Yasha se aproximou da carroça bem iluminada. Um dos caubóis deu um passo em sua direção.
A señorita avisou que não quer ser perturbada, señor.
Inu Yasha ajeitou a pele de urso preta que trazia no braço.
-# Não vou perturbá-la. Quero apenas...
-#Por favor, entenda, señor Taisho – outra voz soou atrás dele.- Nossa primeira lealdade é para com a señorita.
-#Eu aprecio isso, homem. Mas a noite está fria, e esfriará mais ainda. Só quero ter certeza de que ela estará bem aquecida.
Com um leve aceno, Bankotsu dispensou o vaqueiro.
-#Vá, patron. Aguardarei aqui fora.
Quando Inu Yasha adentrou o veículo. O cheiro de lilases impregnou-lhe os sentidos. Na luz lânguida, Kagome dormia, deitada de costas e com o cabelo escuro espalhado pelo travesseiro. Preso a uma fita de veludo, viu seu anel aninhado no vale entre seus seios.
-#Pequena ardilosa, jamais admitirá que está usando o anel.-
Estendeu a mão e acariciou seu rosto.- Passaremos alguns anos
interessantes juntos; pelo menos cinqüenta.
E Inu Yasha
a cobriu com a pele macia que
trouxera.
Na manhã seguinte, ao acordar, Kagome não podia se lembrar de quando dormira tão bem em uma carroça. Sentou-se na cama e afastou as cobertas. Então tocou a pele macia, e não precisou tentar adivinhar de onde viera, e como fora parar ali.
Pegou a pele e foi para a parte traseira do veículo, com a intensão de jogá-la para fora, mas suspirou quando o ar frio a atingiu.
-#Tolice. Eu estaria apenas me castigando.
Ao caminhar para o acampamento, o som de risadas e o trovejar de casacos de cavalos atraíram Kagome ao curral.
Os homens de Bankotsu apresentavam um show para os vaqueiros. Ela prendeu o fôlego ao avistar Inu Yasha montando o garanhão preto e cavalgando em direção a um sombreiro no chão. Ele praticamente pendurou-se no lado do cavalo e inclinou-se para pegar o chapéu sob os gritos de todos.
Bankotsu se aproximou.
-#Ele é muito bom, señorita. Os homens dizem que monta como se fosse um deles. A admiração dos vaqueiros pelo patron aumentou desde que ele chegou daquele acampamento indígena com aquelas calças e as botas, e enrolado naquela pele de urso. Dizem que a comerciou com a esposa de um dos chefes indígenas, que ficou com tudo dele, inclusive o saco de dormir, a camisa e o chapéu em troca da pele de urso. - Bankotsu sorriu.- O patron contou que a índia também queria suas botas, mas ele se recusou; depois queria a calça e em seguida sua arma de fogo.
Kagome balançou a cabeça.
-#Como o Inu Yasha saiu vivo daquela aldeia?
Bankotsu deu os ombros.
-#Os comanches tem seu próprio código de honra. O sr. Taisho ajudou um dos chefes, e em troca o deixaram viver.
Os olhos âmbares de Inu Yasha encontraram os de Kagome, e ele foi naquela direção. Ao notá-lo se aproximar cavalgando, ela se virou e caminhou de volta a carroça. Mas, antes de percorrer metade do trajeto, Inu Yasha a alcançou e puxou-a para a sela do cavalo.
-#Bom dia, Angel! Dormiu bem aquecida? Depois do nosso casamento você não precisará de pele alguma para se aquecer. Eu farei isso.- Inu Yasha a segurou com mais força contra sí quando ela tentou se soltar.
-#Solte-me, seu atrevido! Eu agradeço, mas a pele de urso bastará.- Kagome notou que eles se distanciavam bastante do acampamento.- Leve-me de volta, Inu Yasha. O que eles pensarão?
O Som da risada de Inu Yasha vibrou ao redor dela.
-# Que quero passar algum tempo a sós com minha noiva, antes de ela retornar a casa paterna.
-#O que o faz pensar que retornarei?
Inu Yasha a fez virar-se para fitá-lo enquanto se aproximavam de algumas árvores que cercavam um pequeno lago.
-#Não conseguirei afastar minhas mãos de você se ficar.- Ele baixou a cabeça e a beijou com toda a paixão de um homem saudoso de sua mulher. Quando os dedos dela se enterraram nos seu cabelos, abraçou-a mais forte.- Você também sentiu saudade de mim, meu anjo apaixonado.
Kagome protestou e se contorceu até que ele a soltou. Os dois apearam.
-# Se o que diz e verdade, não teria me deixado depois de...
-#Tentei protegê-la da paixão que eu não conseguia mais controlar. Você não estava pronta para ser minha mulher.
-#Quantas mulheres você já teve?
Ele suspirou.
-#Estive noivo uma vez, e julguei que ela acalentasse os mesmos sonhos e desejos que eu, embora não existisse nenhuma grande paixão entre nós. Quando decidi vir para o Novo mundo, minha noiva se recusou a me acompanhar. Eu me senti traído, mas agora agradeço a Deus por ela não ter vindo. E se estivesse casado quando a conheci, Angel? Como poderia enfrenta a vida sem você?- Puxou-a suavemente, segurando-a contra o peito largo.
-#Por que decidiu deixar a Inglaterra?
Kagome sentiu a tensão crescer nele, então o lorde começou a relaxar.
-#Você deve ter lido as palavras gravadas no meu anel, e sabe meu nome inteiro, mas quando nos casarmos será a sra. Taisho. Desse modo, nem você nem nossos filhos terão de pagar por nada que aconteceu no meu passado.
Ela o encarou.
-#Que pecado você poderia ter cometido, que o fez partir deixando sua família, a qual tanto diz amar?
Inu Yasha tirou o chapéu, e seu cabelo ondulado caiu casualmente na sua testa.
-#Minha mãe é filha ilegítima de Sua Majestade, o rei George IV da Inglaterra. Mas foi criada na casa do rei como sua filha amada e nunca sentiu nenhum estigma por não ser legítima. Quando ela e meu pai se conheceram e se apaixonaram, o rei fez de papai um marquês, em benefício da filha. As terras da família de meu pai e o dote de mamãe fizeram de todos, nós gente muito rica. Meus pais deixaram a corte e vivem até hoje no Castelo de Sumpter. Foi lá que meu irmão mais velho, Sesshoumaru, minha irmã, Georgianna, e eu nascemos. Tivemos uma vida muito feliz e rodeados de amor, como você, Angel.
-#Então, o que houve de tão sério o fez desistir de tudo e vir para a América?
Os olhos âmbares de Inu Yasha escureceram.
-#Eu matei o único filho e herdeiro do duque de Cornwall.
Kagome afastou-se.
-#Não entendo. Por que você fugiu após matar um homem?
-#Aconteceu em um duelo.- Inu yasha a viu tremer. Tirou o casaco e a envolveu nele.
-#O que fez para ele o desafiar em um duelo? O duque não pertence á família real?
-#Ele é meu primo distante. - Inu Yasha suspirou. Não sabia se ela acreditaria.- Não sei de nenhum modo mais fácil de dizer isso depois de tudo o que Onigumo a fez passar. O bastardo estuprou minha irmã depois que ela o rejeitou, certa noite, no nosso jardim.
Kagome empalideceu. Inu Yasha segurou seus ombros.
-#Nunca falei sobre isso com ninguém, mas você tem o direito de saber. Ao ver o que ele fez com Georgianna, eu não permitiria que ninguém, além de mim, duelasse com o filho do duque. No dia seguinte, ao amanhecer, eu o encontrei, com meu irmão agindo como meu padrinho.
Inu Yasha endireitou o corpo.
-#O covarde atirou antes do tempo. Tenho uma cicatriz nas costas deixada por seu tiro. Seu padrinho puxou uma arma e disse que atiraria nele, se não esperasse a contagem para disparar. Quando isso aconteceu, o meu tiro atravessou seu coração.
Kagome deslizou as mãos para a cintura de Inu Yasha e o abraçou forte.
-#E sua irmã?
-#Georgianna retornou sua vida após minha partida para o Texas, mas nunca superou a humilhação, nem o sofrimento.
Inu Yasha acariciou a pele sedosa do rosto de Kagome.
-#Sinto muito, Inu Yasha. Eu não tinha o direito de fazê-lo reviver esse horror. Perdoe-me.- E o beijou suavemente.
O toque suave das mãos dela e o beijo macio agiram como o calor do sol agia em um botão de rosa. Kagome estava tão bela que ele se emocionou.
-# Talvez, no futuro, nós possamos viajar para a Inglaterra. Eu gostaria de conhecer sua família.- Kagome se deu conta de que, pela primeira vez, admitia a possibilidade de eles virem a se casar.
-#Não posso voltar, nunca mais. O duque colocou minha cabeça a prêmio.
Kagome o estreitou junto a si, deixando o casaco deslizar para o chão. E o beijou da mesma maneira como ele costumava fazer. Inu Yasha deslizou as mãos pelos lados de seu corpo e suavemente acariciou a curva dos seios.
-#Por Deus, Angel, você está me matando.
Kagome balançou a cabeça.
-#Não sei o que acontece comigo quando você me toca. É como se suas mãos fossem mágicas, atiçando um fogo que me percorre. Não entendo isso.
-#Sua paixão está despertando, e não deve sentir vergonha disso. Você me inflama como se eu foce um adolescente com sua primeira mulher.- Ele a puxou contra si.- Não sei por quanto tempo mais conseguirei esperar. Tem de voltar á fazenda de seus pais, ou não serei responsável pelo que acontecer.
-#Quer que eu vá embora, Inu Yasha?
-#Não, Angel. Quero que fique, mas nós dois sabemos que você precisa ir.
-#Nem por uma noite, só uma, eu posso ficar?
-#Você tem certeza?
-#Não tenho mais certeza de nada, e isso desde que você me beijou pela primeira vez. A vida é tão encerta. A perda de Souta e o que houve com sua irmã prova isso.
Ele pôs o braço ao redor de seus ombros e a conduziu para o cavalo. Colocou-a na sela e acomodou-se atrás dela.
-#Um dos homens que veio de Waterloo para trabalhar comigo trouxe a esposa junto. Ela costuma cozinhar para mim. Pedirei que prepare nosso jantar.
Kagome se recostou no peito dele.
-#Por que não se muda para a casa? Não está terminada, mas é onde durmo. Direi para os homens aquecerem água para seu banho.
Ela o fitou.
-#Bankotsu não gostará da idéia. O que pretende dizer a ele?
-#Não se preocupe, eu me entenderei com Bankotsu. Arrume suas coisas.
Kagome foi para a carroça e observou Inu Yasha se afastar. Perdera a cabeça? Praticamente implorou para que ele fosse para a cama com ela. Não havia dúvida de que o queria, mas isso não significava pular para seu leito como uma qualquer. Não estava segura quanto a se achar pronta para isso. E se ele tirasse sua inocência e foce embora? Tolice. Havia Spanish Oaks para predê-lo ali.
Kagome juntou seus pertences e se preparou para mudar para a hacienda. O que ela diria á sua mãe, e a seu pai? Santa Maria, o que contaria ao padre Santiago?
Os vaqueiros levaram as coisas de Kagome para a fazenda, e Inu Yasha a apresentou formalmente á sra. Schaefer como sendo sua noiva. Ele foi muito cortês, mas parecia distante de kagome, sobretudo depois do que eles partilharam. Estaria lamentando a decisão que tomou de convidá-la para ficar?
Inu Yasha aguardou enquanto a sra. Schaefer comentava com Kagome como ela gostava de cozinhar naquela cozinha tão grande. A senhora ergueu seu avental branquíssimo e esfregou as mãos nele.
-#Tudo é tão novo, a cozinha é tão bem equipada que ás vezes me confundo. Mas terei prazer em cozinhar enquanto estiver aqui, senhorita.
Kagome estendeu a mão para tocar no braço da sorridente senhora.
-#Por fafor me chame de Kagome.
Inu Yasha a conduziu á sala de jantar. A mesa de mogno brilhante com cadeiras combinando e os assentos cobertos com tecido adamascado foram posicionadas no centro do aposento. Ela correu os dedos pelo tampo, em seguida pelo assento de uma das cadeiras e sorriu em aprovação.
-#Os móveis são de muito bom gosto, Inu Yasha. Gostei de tudo o que vi.
-#Penso em transformar estas duas salas em sala de jantar para a família e sala de estar. Todas as janela se abrirão para a varanda, de onde teremos visão do pátio e do jardim além dele.- Inu Yasha esfregou a mão na nuca e depois a colocou no bolço traseiro da calça.- O restante da casa nós completaremos juntos. Tenho em mente uma ampla residência, de dois andares com um hall de entrada.
As mãos dele ondularam no ar, indicando o lado oposto do aposento.
-#A escada ficará aqui. Vou precisar de uma biblioteca e de um estúdio aqui embaixo.- Riu com pesar.- Meus livros ainda estão dentro dos engradados, compartilhando do celeiro com os animais.
Ela assentiu, cheia de expectativa, e Inu Yasha continuou:
-#Também precisaremos de uma sala de jantar formal e uma sala de estar. Na Europa vi grandes salas onde a parede desliza formando um amplo salão de baile.- Ergueu o queixo dela e sorriu antes de roçar seus lábios nos de Kagome. Uma sensação prazerosa percorreu-lhe o corpo, fazendo-o estremecer.- Se não gostou de meus projetos, diga, e trabalharemos em outros.
Os olhos dela eram de um azul claro magnífico, e Kagome não se movera desde que ele a beijou.
-#Eu gostaria de uma saleta de leitura próxima à... suite principal.
Ele assentiu.
-#Com lareira e janelas se abrindo para a varanda?
-#Sim- ela respondeu, com ar sonhador.
Inu Yasha deu um passo atrás.
-#Se eu não mantiver as mãos longe de você, correremos o sério risco de chocar a sra. Schaefer.
Kagome corou e virou-se para a longa fila de janelas.
-#O que há detrás dessas portas?
Ele fez um gesto extenso para as pesadas portas duplas.
-#Veja por si mesma.
Em frente à fila de janelas posicionava-se a maior cama de casal que ela já vira.
-#Santa Maria! Onde você comprou?
Inu Yasha deu risada.
-#Mandei fazer por encomenda, em Nova Orleans, há algum tempo, junto com os demais móveis. Enviei o pedido com o capitão que trouxe o rebanho para Porto Lavarca. Felizmente, o celeiro estava pronto quando a encomenda chegou.- Olhou para Kagome como se lembrasse de algo.- Gostaria que você escrevesse tudo o que deseja para fazer deste o seu quarto. Os homens estão trazendo suas esposas com eles para ajudar a aprontar suas casas de madeira. Todas se prontificaram a ajudar com a costura e a cozinha aqui na casa principal. A sra. Schaefer está começando a trabalhar nas cortinas.
Os olhos âmbares de Inu Yasha prenderam os dela quando ele diminuiu o tom de voz:
-#Eu sabia que iria querer trancar o mundo lá fora quando você estivesse aqui, por isso pedi à sra. Schaefer que desse prioridade às cortinas.- Ansioso, perguntou.- E então? Dá para o começo? Sei que não chega aos pés da casa de seus pais, mas me dê apenas um tempo.
Kagome se virou para ele, sem fôlego.
-#Ficará maravilhosa.
A Expressão dela lhe dizia que poderia tê-la, ali, e o corpo dele enrijeceu dolorosamente.
-#Angel, preciso sair daqui. A sra. Schaefer está na cozinha, e Suikotsu logo virá me procurar.
Inu Yasha atravessou o aposento e tomou-a nos braços antes de sair, pressionando-a contra seu corpo flamejante de paixão. Tocou as curvas tentadoras, em todos os lugares que pôde alcançar.
A conversa dos homens que trabalhavam do lado de fora o despertou. Então se afastou.
Kagome cambaleou. Tinha os olhos vítreos de paixão ao estender a mão para Inu Yasha.
:
-# Inu Yasha...- sussurrou.
-#Não, Angel. Tenho medo de machucá-la se permanecer aqui.- E saiu pela porta, caminhando apressado.- Os homens trarão água quente para seu banho.
A sala de repente ficou muito quente, e Kagome abriu a porta para a varanda inacabada. Deliciou-se com a brisa fresca e o aroma das sempre-vivas. Sua mente começou a clarear enquanto contemplava os homens trabalhando. Observou quando Inu Yasha apanhou o machado e começou a partir madeira. Uma das coisas que a atraíram nele era sua vontade de fazer o que precisava ser feito.
-#Está muito frio, senhorita. É melhor fechar a porta. Pode adoecer- a sra. Schaefer avisou.- Trouxeram a água quente para o seu banho. Já viu o tamanho da banheira? Como a senhorita é pequena, deve ter muito cuidado para não se afogar.
Kagome observou os vaqueiros transportarem as tinas com água quente para o quarto de banho adjacente. Eles acenaram com a cabeça, respeitosos, e a deixaram a sós.
A sra. Schaefer a chamou do banheiro.
-# Deixe-me mostrar como funciona o aparelho, e a deixarei.
Na combinação de quarto de banho e de vestir ela deparou com uma banheira grande o bastante para Inu Yasha deitar dentro dela. A enorme banheira de porcelana branca posicionava-se em uma parte elevada do piso. Mesmo após ver a cama gigantesca, o tamanho da banheira a impressionou. Em uma parede havia prateleira com roupas, chapéus, sapatos e botas.
A sra. Schaefer interrompeu seus pensamentos:
-#Puxe a corda se precisar de mais água.- Derramou os sais de banho.- Imagino que talco lilás seja seu. O sr. Inu Yasha o trouxe de Waterloo, quando foi compra suprimentos.- Após enxugar as mãos no avental, a sra. Schaefer pegou as toalhas.- Bem, eu a deixarei agora, a menos que precise de mim.
-#Obrigada. Sra. Schaefer. Chamarei se precisar...
Kagome colocou as roupas na cadeira e entrou na banheira.
Após relaxar alguns minutos na água morna ela lavou o cabelo e tomou banho.
Havia um espelho de parede, grande, com moldura de mogno. Sobre a mesinha ao lado, vários artigos de toilete masculino como navalha, escova de dente e escova de cabelo. Nas estante oposta, o recipiente grande com talco de lilás e, ela não pôde ver muito bem da banheira, o que parecia ser um pente e uma escova prateados.
Curiosa, saiu da água. Enrolou o cabelo na toalha menor, e a grande, ao redor de si. Pegou a escova prateada e viu gravada as iniciais K.A.T. Sob um falcão em pleno vôo. Ao lado, um espelho de mão com gravações iguais a da escova. Inu Yasha estaria tão seguro de que ela seria sua esposa?
Vestiu um roupão felpudo, pegou uma toalha seca e foi para perto da lareira para secar o cabelo. Inu Yasha Taisho era um mistério, no entanto, ela se comprometeu- não com palavras talves- a ir pra cama com ele. Aquela seria sua noite de núpcias.
Bocejando, escovou o cabelo e se deitou na cama gigantesca. Era estranho deitar na cama onde Inu Yasha normalmente dormia. O cheiro limpo dos lençóis a fez fechar os olhos. Com o pente e a escova na mão, adormeceu.
Eu sei que tinha prometido postar ontem más e que não
deu, tive que ar uma faxina geral aqui em casa, que não e pequena,
daí complicou e muito, más ta qui mais um pedaço, a finc tá quase
acabando mais dois cap e já era, e já engato outra história...
Próximo cap teremos cenas
calhientes, a finc vai pega fogo de tanto desejo!!
Vo responde
as reviews no próximo...
Beijão pra todas...
