― Isso que é vida — Lily murmurou, ajeitando o corpo na banheira. Os dois estavam bebendo champanhe. James tinha pedido mais uma garrafa e, como da outra vez, o serviço de quarto havia sido excepcionalmente rápido. O ambiente luxuoso do banheiro, todo revestido de mármore negro, era ao mesmo tempo bonito e decadente. Lily lembrou-se de que nunca tinha estado em uma banheira com James antes, nem mesmo antes de se casar. Era adorável. Relaxante e ao mesmo tempo excitante. Apenas os pés dos dois se tocavam naquele momento, e eles não podiam ver muito o corpo um do outro. Mas saber que estavam nus por baixo daquela espuma era bem estimulante.

— Eu devia fazer isso mais vezes — James comentou.

— Fazer o que mais vezes? — ela perguntou, seus olhos verdes brilhando muito.

— Arrumar alguém para cuidar das crianças à noite, e então levá-la a algum lugar privado e romântico para fazermos amor até amanhecer.

— Promessas, promessas. São dez horas, e você só fez amor comigo uma vez.

— Querida esposa, comecei a fazer amor com você no momento em que telefonei pela manhã e pedi que não usasse lingerie. Você ficou excitada o dia todo, signora Potter. Por que não admite isso?

— E quanto a você, signor Potter? — ela provocou, recusando-se a admitir qualquer coisa. — Também ficou excitado o dia inteiro pensando nessas coisas?

— Eu deliberadamente me distraí, entregando-me ao trabalho. Mas mesmo assim tive que tomar um banho gelado antes de apanhá-la. Não queria decepcioná-la. Não em nosso aniversário.

Ela sorriu suavemente.

— Você nunca me desaponta, James.

— Verdade? E o que me diz de todos os orgasmos que fingiu no ano passado?

Lily encolheu os ombros.

— Eu apenas não estava disposta. Não sei por quê... cansaço, talvez. Acho que o próprio Mel Gibson não teria me excitado naquelas noites.

— Creio que não me esforcei muito — James murmurou. — E tenho a impressão de que você estava mais descontente do que cansada. Andei sendo um marido egoísta e insensível, Lily, e sinto muito por isso. Mas as coisas serão melhores de agora em diante.

Um suspiro satisfeito escapou dos lábios de Lily. Se aquela noite era um indicativo, o futuro prometia muito.

— Ora, acabou! — ele reclamou, retirando a garrafa de champanhe do balde e encarando-a com um brilho malicioso em seus olhos . — Devo pedir outra garrafa antes de começarmos o próximo round?

— Humm... não, a menos que esteja querendo fazer sexo com uma mulher adormecida.

— Céus! Claro que não. Nesse caso, vou pedir um bule de café para você. Não tenho intenção alguma de deixá-la dormir, tigresa. A noite ainda é uma criança, e você está incrivelmente desejável, sentada nesta banheira com os cabelos despenteados e esse colar de rubi em seu pescoço delicioso.

— Santo Deus! — ela exclamou, só percebendo naquele momento que usava o colar. Apressada, deixou de lado a taça e levou as mãos úmidas ao pescoço.

— Não, não tire — James protestou. — Você está linda. Além disso, um pouco de sabão e água não podem estragar uma jóia legítima.

— Verdade? Você tem certeza? Oh... então tudo bem. Acho que você está certo. — Ela tocou com reverência na jóia. — Nunca possuí algo tão bonito antes, nem tão caro. Eu adorei, James. Foi o presente de aniversário perfeito.

— Sim, eu achei que seria — ele concordou, olhando-a de forma quente e amorosa. — E dá-lo a você nesta noite funcionou muito bem.

Ela estava voltando a ajeitar o corpo quando um pensamento sombrio lhe ocorreu. James não era o tipo de homem que se esquecesse de qualquer coisa. Sua memória era excepcional. Então por que ele não tinha dado o colar antes? Será que aquilo tinha algo a ver com Francesca?

O estômago dela revirou-se por causa da idéia desagradável.

— James... — ela disse, possuída por uma súbita determinação de encontrar mais respostas sobre o relacionamento do marido com Francesca. Teria ele realmente superado aquela paixão? E o que ele pensava da mulher agora que Jeremy estava morto? Ainda a odiava? Ou será que sentia piedade?

Lily também gostaria de perguntar o quê, exatamente, ele estivera fazendo no apartamento dela naquele dia. Mas não ousava fazer isso. Seria o mesmo que admitir que o seguira. Depois disso, seria forçada a explicar que a mãe dele tinha dito muito mais do que ela admitira ter ouvido...

— Sim, qual é o problema? — James indagou.

Lily engoliu em seco.

— Você disse que não haveria mais segredos entre nós.

— S-sim? — Subitamente ele parecia hesitante.

A coragem abandonou Lily. Por que estragar aquela noite maravilhosa? O que mais podia querer daquele homem? Ele tinha dito que a amava, apenas ela, sempre ela... O que mais poderia ser dito?

— Lily? O que quer saber? — James insistiu. — Vamos lá... Não pode voltar atrás agora.

Ela podia, e era o que pretendia fazer. Só precisava pensar em algo razoável para dizer.

— Por que nunca me perguntou sobre os namorados que tive antes de você? — ela improvisou.

As sobrancelhas de James arquearam-se, e então ele riu.

— Optei por ficar agradavelmente ignorante sobre esse assunto. Além disso, não tinha certeza de que teria tempo o bastante em minha vida para ouvir todas as histórias.

— Oh! Você... — Lily empertigou o corpo, inclinando-se para a frente. — Sabe que não foram tantas histórias assim! E também sabe que nenhuma delas significou nada... até eu o encontrar.

— Ótimo — ele murmurou, estendendo os braços e puxando-a para si.

Ao ser colocada no colo do marido, ela notou que James estava extremamente excitado.

— Oh, você é um animal!

O sorriso dele era malicioso.

— Querida, você nem imagina quanto.

— Vamos ver quem aguenta mais dessa vez — ela desafiou, soltando os cabelos e deixando-os cair como uma cascata ruiva sobre os próprios ombros.

James a observava fascinado. Alguns instantes depois, porém, ele voltou a sorrir.

— O perdedor faz o café? — sugeriu suavemente.

Lily ignorou a ironia. Daquela vez James iria ter uma grande surpresa. Ela estava por cima. Podia controlar toda a situação.

Além disso, já tivera três orgasmos contra apenas um dele. De maneira alguma iria se apressar dessa vez! Oh, sim. Sem dúvida sairia vitoriosa daquela aposta.


— Você parece positivamente radiante! — Foram as primeiras palavras de sua mãe no dia seguinte, depois que James saiu para o trabalho. — Quer um pouco de café?

Lily gemeu.

— Céus, não. Chega de café. Acho que já estou correndo o risco de sofrer uma overdose de cafeína!

— Como foi ontem à noite? Será que posso perguntar? James certamente parecia muito feliz quando vocês chegaram.

— Aquele homem! Será que ele nunca dorme? E será que ele nunca perde uma aposta?

Lisa olhou intrigada para a filha.

— Isso quer dizer que tudo correu bem, eu suponho... Para James, pelo menos.

— Para mim também. Não vou ser hipócrita e dizer que não gostei. Estou apenas exausta.

— Gostaria de me sentir exausta um dia desses pelo mesmo motivo! — Lisa exclamou.

Lily teve que rir.

— As crianças causaram algum problema?

— Nenhum.

— Tem certeza?

— Positivamente. Os dois foram verdadeiros anjos. E agora, você ainda tem um pouco de energia para ir comigo fazer compras? Pode ser sincera.

— Por que não? Por mais cansada que esteja, não vou mesmo conseguir dormir depois de tomar tanto café. Posso descansar um pouco à tarde quando voltarmos e as crianças estiverem dormindo.

Lily esforçou-se para se mostrar animada nas horas seguintes, era muito bom ver a felicidade novamente no rosto da mãe. Apesar de experiente, Lisa mais parecia uma menina ao escolher as roupas. Ela não queria correr nenhum risco de desagradar Matthew no primeiro encontro dos dois, aquilo era muito óbvio.

— Você entende muito de moda — Lisa comentou mais tarde, enquanto as duas tomavam um lanche já de volta à casa de Lily. — Não fico espantada por James tê-la convidado para seu novo empreendimento. Acho que você será brilhante! Podem dizer que eu estou exagerando, afinal de contas, você é minha filha. Mas eu sinceramente sempre achei que você era muito inteligente. Foi por isso que fiquei maluca quando desistiu da faculdade de Direito para trabalhar como uma mera recepcionista de hotel.

— Mãe, você está sendo esnobe outra vez. Atender o público também é uma ocupação nobre, que exige muito talento e tato, pelo menos quando se quer fazer as coisas corretamente. Harry! Pelo amor de Deus, pare de atormentar o pobre Teco e vá brincar no jardim. Leve Emma com você.

— Mas eu não quero ir — o menino resmungou.

— Faça como eu disse — ela pronunciou com firmeza. — Ou vai ter que ficar no quarto até seu pai voltar para casa!

Diante daquela ameaça de punição, os olhos de Harry estreitaram-se.

Lily imaginou que o filho estava considerando cuidadosamente os prós e contras, tentando decidir se obedecia ou não.

— Vamos lá, Emma — ele finalmente murmurou, segurando na mão da irmã. — Mamãe está de mau humor. — Em seguida ele suspirou como um velho e saiu. Lily meneou a cabeça.

— Algumas vezes acho que Harry é esperto demais para sua idade.

— Ele é um amor. Mas vai dar muito trabalho quando crescer. As garotas provavelmente irão caçá-lo como loucas! — Lisa riu.

— Pode apostar. Tenho o mesmo problema com o pai dele. Você precisava ver como a recepcionista se insinuou para ele ontem à noite no hotel...

— Como você fez há cinco anos? — Lisa brincou.

— Sim... bem... Aquilo foi diferente.

— Como assim?

— Ele não era um homem casado então. As garotas solteiras não têm nenhum respeito por homens casados hoje em dia. Isso me fez lembrar de uma coisa, mãe. Seu... hã... quase namorado...

— Matthew?

— Sim. Matthew, ele não é casado, é?

— Não. É divorciado como eu.

— Quantas vezes?

— Não perguntei.

— Achei que faria isso.

— Não, Lily, não farei isso. Vou aceitá-lo como ele é. E tenho esperança de que ele agirá da mesma maneira comigo.

— Mas, mãe, algumas vezes o passado é importante.

— Você está se referindo ao caso de James e Francesca? Santo Deus, garota, não me diga que ainda está preocupada com aquilo!

— Eu... bem... sim, um pouco.

— Então pare com isso. Agora mesmo! James a ama. Devia tê-lo ouvido falar comigo no telefone ontem, querendo saber o que mais poderia fazer para deixá-la feliz. Aquele homem não olharia para outra mulher de jeito algum.

Lily inspirou profundamente, deixando o ar sair devagar.

— Acho que você está certa.

— Eu sei que estou.

— Certamente mudou sua opinião sobre James.

— Uma mulher inteligente pode mudar de idéia sempre que quiser, não concorda?

— Talvez, mas isso não acontece com frequência em seu caso. Eu só ficarei mais surpresa se me disser que pretende se casar de novo.

— Está indo longe demais. Posso querer um relacionamento e um pouco de bom sexo... Mas casamento? De jeito nenhum. Não para mim. Já não sou tão tola.

— Como eu, é o que está querendo dizer.

— Claro que não. Mas tenho que ser honesta, Lily. Não se encontra um homem como James com muita facilidade.

Lily não sabia ao certo se gostava que sua mãe elogiasse tanto James. Ele não era perfeito. Definitivamente. E quase ficou contente por vê-lo meio desarrumado ao chegar em casa naquela noite. Seria irritante demais estar casada com um super-homem,

— Não sei como consegui trabalhar hoje — James disse ao entrar. — Tive de ver Vince de novo, como eu havia prometido a ele, mas tanto meu corpo quanto meu cérebro se negavam a funcionar. No final, concordamos em nos encontrar novamente no fim de semana. Eu o convidei para jantar no sábado. Tudo bem para você?

— Tudo perfeito — ela concordou de imediato.

Lily foi para a cama naquela noite com bons pressentimentos. Sua mãe estava certa. Era tolice continuar se preocupando com Francesca. Era ela, Lily, que James amava. Francesca representava o passado, não o presente...


Olá gente! Consegui uma pequena folguinha e não resisti, vim aqui postar :) A relação no casamento está melhorando e os bons reflexos estão atingindo até mesmo a irascível Lisa. Ma será sempre um mar de rosas? Muito obrigada Joana Patricia, Ninha Souma e Marcela por comentar e por me desejarem sorte nos estudos, muito obrigada de coração :*