CAP 11 – Retorno a Hogwarts

A noite havia caído em Godric's Hollow. Lá fora, uma suave briza movia as folhas gentilmente, e nuvens encobriam o pedaço de lua que aparecia no céu. Lá dentro, Harry Potter mais uma vez junto da janela do andar superior, sua face pressionada contra o vidro frio, esperando. O relógio que ele consultava marcava 11:52.

O som da porta de seu quarto abrindo e fechando chegou aos seus ouvidos. Ele se virou para ver Leila atravessando o quarto.

-Bem, está feito. – ela disse, parecendo satisfeita.

-O que está feito?

-Eu coloquei um Feitiço Silenciador no quarto de mamãe e papai. Eles não vão ouvir nada.

-Você o quê?

Ela se afundou na cama.

-Ninguém vai saber. O Ministério vai achar que é apenas mamãe ou papai lançando o feitiço.

-Mas você não tem dezessete anos...

-E? Eu não tenho dado a mínima pra isso há anos. – ela sorriu para a expressão chocada de Harry. – Ah, não seja um bebê. Você já fez isso antes também.

Harry baixou sua cabeça, pensando no acidente com tia Guida, e, mais recentemente, o feitiço Specularis que ele havia feito em seu primeiro dia de férias de verão.

Repentinamente Leila bateu na própria testa.

-Oh droga...

-O quê?

Ela sorriu tristemente para ele.

-Eu estou sempre esquecendo que você não é meu irmão. Quero dizer – ela disse apressadamente quando Harry ergueu as sobrancelhas – você é, claro, mas é diferente. Eu não sei se você alguma vez já fez mágica fora da escola.

-Para o registro, eu já fiz. – em outro momento Harry teria elaborado a resposta, mas essa noite ele apenas se voltou para a janela.

Ela bocejou e se esticou sobre a cama.

-Eu tenho certeza que eu não vou dormir um minuto essa noite, pensando sobre você e o tio Remo na Câmara...

-Eu te falei – Harry disse impaciente. – Pela última vez, não é perigoso! O basilisco...

-... não pode vir a menos que Voldemort o chame. Eu sei, eu sei. – Leila suspirou, então rolou sobre seu estômago, apoiando o queixo sobre os cotovelos. – Eu queria ir com vocês.

-Acredite, você não quer ir aonde nós iremos. – Harry disse categoricamente. – Você deveria agradecer às suas estrelas da sorte que Lúcio Malfoy não tenha escorregado o diário no seu caldeirão. Você poderia estar em Azkaban bem agora.

Leila ficou em silêncio por um minuto, então ela falou:

-Você tem que resgatá-la, não tem?

Harry olhou pela janela, pensativo.

-Eu não poderia viver comigo mesmo se eu não tentasse. – ele disse suavemente.

Os número brilhantes vermelhos do relógio marcaram 12:00.

-Meia-noite. – Leila anunciou. – Então onde está...

Em resposta, Harry apontou. Leila puxou a si mesma da cama e olhou pela janela. Sobre o topo das casas, um ponto negro estava ficando maior e maior. Harry abriu as duas lâminas da janela, e um momento depois Remo Lupin voou por ela e aterrissou sem som algum no chão.

-Pelos deuses, que vôo – ele disse, desmontando a vassoura e alisando as roupas e o cabelo eriçados pelo vento. – Oi, Harry. Leila! O quê... Harry, o que ela está fazendo aqui?

-Ela sabe. – Harry disse. – Não se preocupe, ela não vai contar.

-Mas... Você acha que contar a ela foi uma boa idéia? – perguntou Lupin ceticamente.

-Eu tenho certeza – Harry disse firmemente. – Ela tem sido de grande ajuda.

-Eu não sei...

-Vocês poderiam por favor parar de falar de mim como se eu não estivesse aqui? – Leila levantou-se. – Honestamente, se vocês querem ficar aqui discutindo o resto da noite, à vontade. Mas vocês não têm muitas horas para ficar fora antes do amanhecer. Eu digo, se Harry não estiver de volta eu posso sempre vir com uma história sobre ele saindo para dar uns pegas na Cho Chang em algum lugar...

Harry lançou a ela um olhar, mas Lupin estava assentindo.

-Você está certa. Harry, você tem sua vassoura?

Harry a retirou do armário, e rapidamente colocou a capa da invisibilidade e o Mapa do Maroto nos bolsos quando Leila começou a discursar.

-Não voem muito baixo para não deixar os trouxas verem vocês. Não entrem na Câmara a menos que vocês não tenham outra escolha, e por favor, sejam cuidadosos!

-Sim, mãe. – Harry murmurou quando ele estava pronto para montar sua vassoura.

-Fiquem nas nuvens – ela continuou – vocês têm sorte que hoje não é lua cheia.

-Por mais de uma razão – Lupin murmurou surdamente enquanto ele e Harry saíam e disparavam dentro da noite.

O vento rugia junto aos ouvidos de Harry. Lá embaixo ele podia ver os postes de luz iluminando minúsculas casas e ruas. Ele estava seguindo Lupin de perto, que parecia estar voando a noroeste. Eles voaram mais alto e entraram na cobertura das nuvens.

O ar da noite estava frio, mas não gelado, perfeitas condições para voar. Lupin estava gritando alguma coisa para ele, mas sob o ruflar do vento e das vestes ele não podia ouvir nada. Então Lupin começou a descer.

-O que você está fazendo? – Harry gritou, mas suas palavras se perderam no vento. Harry apontou sua vassoura para baixo e seguiu Lupin. Depois de alguns minutos, eles desceram em uma ruela que parecia ser de uma pequena cidade. Postes de luz esverdeada revelavam lojas e bares de aparência suja.

-Onde nós estamos… o que nós estamos... – Harry ofegou.

-Por aqui, Harry – Lupin disse, caminhando em direção a um bar particularmente sujo com uma placa onde se lia "O Dragão Negro". – Você não esperava que nós voássemos todo o caminho para Hogwarts, esperava?

-Eu...

-Nós vamos viajar de Pó de Flú até o Cabeça de Javali e de lá nós poderemos voar ou caminhar até Hogwarts. Me siga.

Harry assentiu, e Lupin o guiou para dentro do pub. Ele estava vazio, exceto por uma velha bruxa atrás do bar, limpando copos. Ela olhou para Lupin e estreitou os olhos.

-O que você está fazendo aqui? – ela rosnou, batendo o copo na prateleira abaixo.

-Nós apenas precisamos usar a lareira, é tudo.

-Vão, então. – ela disparou. – Deixem-me sozinha. Da última vez que você veio aqui, eu tive oficiais do Ministério revirando o lugar por semanas. Você é um homem procurado, Remo Lupin.

Lupin suspirou.

-Como se eu não soubesse, Verity. Como eu disse, nós nos iremos em um momento.

Ele se voltou para Harry.

-Eu vou mandar você primeiro, acho. Você sabe como usar Pó de Flú, não sabe?

Harry assentiu, e encheu a mão com o pó que estava dentro de um vaso de flor perto da lareira. Jogando o pó nas chamas, ele gritou "Cabeça de Javali!" e sentiu a si mesmo sendo lançado longe. Ele estava girando intensamente. Lareiras piscavam do outro lado... então ele estava voando, caindo pesadamente no chão de madeira do Cabeça de Javali. Harry afastou a fuligem dos seus olhos, e olhou em volta. O Cabeça de Javali, diferentemente do Dragão Negro, estava cheio de gente. A maioria dos clientes não havia percebido sua chegada, embora o homem do bar estivesse observando-o sutilmente do canto. Harry ergueu-se, sentindo-se inconfortável, e ajuntou sua Cleansweep de onde ela havia caído. Um momento depois, Lupin saiu, batendo a fuligem de suas roupas, e disse:

-Atrás de mim, Harry.

Eles saíram discretamente, então montaram suas vassouras. Harry assistiu o castelo chegar cada vez mais perto, e lembrou-se dolorosamente de outra noite, nem há um mês atrás, quando ele e Dumbledore haviam voado esse mesmo trajeto, iluminados pela luz da Marca Negra pairando sobre a Torre de Astronomia.

Lupin aterrissou em frente aos degraus de Hogwarts. Puxando sua varinha, ele exclamou "Expecto Patronum" e um castor prateado surgiu e desapareceu em frente às portas da frente.

-Minerva estará aqui em alguns minutos. – Lupin disse, parecendo satisfeito. – Harry, é melhor você colocar sua capa de invisibilidade agora. Não se revele a menos que nós não encontremos o diário no castelo e sejamos forçados a entrar na Câmara. E então apenas quando eu disser.

Harry retirou a capa do bolso e a colocou sobre os ombros.

-Um castor? – ele perguntou, incrédulo. – Seu patrono é um castor?

Lupin sorriu fracamente.

-Eu não te contei o que um patrono realmente é, Harry?

-Não.

-A definição técnica é o a forma corpórea dos pensamentos positivos do executor. Mais praticamente, o patrono é uma de duas coisas: um animal com o qual o executor sente uma conexão especial porque ele gosta daquele animal, ou um animal que ele vê como um protetor, tendo o executor percebido isso ou não. Seu patrono é um cervo, porque você sente proteção e orientação quando você pensa em seu pai, cuja forma animaga era... é... – Lupin corrigiu-se – …um cervo. Quanto ao meu patrono, você acha que eu sinto algum tipo de proteção quando penso em um lobo?

-Não. – disse Harry, avermelhando embaraçado. Ele ficou contente pela escuridão esconder seus sentimentos.

Lupin sorriu novamente.

-Não se preocupe, isso acontece o tempo todo. Pessoas pensando que o meu patrono deveria ser um lobo, isso. Mas eu me sinto muito melhor com castores. Eles são silenciosos, inteligentes e leais.

-Professor? Digo, Remo? – Harry perguntou. Velhos hábitos morrem com dificuldade, ele pensou com remorso.

-Sim?

-Posso perguntar uma coisa? – Lupin assentiu, então Harry continuou. – Qual foi o feitiço que você usou quando me mandou a mensagem durante o encontro. Eu ouvi você dizer "Não diga nada. Eu vou cuidar disso. Pettigrew não vai descobrir sobre as Horcruxes." O que aconteceu?

-Um feitiço simples, mas não significativo o suficiente para ser ensinado em Feitiços. – Luín disse. – O encantamento é Messilenti, mas é não-verbal. Você deve focar na mensagem que você quer enviar, a pessoa que deve recebê-la, e o encantamento ao mesmo tempo, e se você tiver sucesso, o destinatário ouvirá sua voz claramente repetindo a mensagem. – Ele pausou e escutou, então disse – Eu ouço alguém se aproximando.

Um momento mais tarde e as portas do castelo abriram, e Minerva McGonagall apareceu, em uma camisola e chinelos de dormir.

-Pelo paraíso, Remo! O que você está fazendo aqui a essa hora da noite?

-É bom ver você também, Minerva – disse Lupin calmamente, entrando no castelo deixando um bom espaço para Harry escorregar para dentro antes dele fechar a porta. – Lumus – Lupin disse, e a luz de sua varinha juntou-se à de McGonagall lançando estranhas sombras nas paredes e no teto do hall de entrada.

McGonagall apenas olhou para ele.

-Vá adiante, me faça a pergunta secreta – Lupin encorajou. – É claro, se eu fosse um Comensal da Morte eu não seria capaz de passar pelos terrenos, mas é uma boa idéia apenas para precauções de segurança. Ou eu deveria perguntar algo a você primeiro?

McGonagall parecia ser sacudida de seu transe.

-Se você insiste, Remo. Por qual razão eu lhe dei sua primeira detenção no seu primeiro ano?

Remo não piscou um olho.

-Por fuçar na biblioteca por horas e tentar ler alguns dos livros proibidos. Mas – ele adicionou – Tiago e Sirius me obrigaram.

A mulher bufou, e Harry teve que se morder para segurar o riso em sua garganta.

-A quem você deu uma detenção no nosso quinto ano na aula de Transfiguração quando Tiago fez desaparecer a cadeira antes de você sentar?

O rosto de Minerva McGonagall adquiriu um tom vermelho brilhante.

-Remo! Realmente, eu pedi desculpas por aquele incidente!

-Apenas responda a questão.

-Eu dei a detenção a você, porque eu tinha certeza que você era o único Maroto que poderia fazer desaparecer um objeto daquele tamanho naquela época. Você deveria se sentir honrado!

-Eu não estava me sentindo honrado quando eu tive que esfregar o chão do Salão com minhas mãos e joelhos. – Lupin falou suavemente.

-Chega de lembranças – McGonagall disse severamente. – O que você quer?

-Uma olhada pelo castelo. – Lupin disse. – Eu acredito que há uma Horcrux dentro dessas paredes. Eu iria vir durante o dia, mas eu estou certo de que estou sendo seguido esses dias por oficiais do Ministério.

-Você acredita que Lorde Voldemort tem uma horcrux aqui? – McGonagall disse incredulamente.

-Eu estou otimista. Você vai me deixar dar uma olhada?

-Eu suponho – ela disse duvidosamente – Eu não acho que você vá encontrar um pedaço da alma de Voldemort aqui.

-Uma olhada é tudo o que eu peço.

Durante a hora seguinte, Harry seguiu Lupin e McGonagall pelo castelo enquanto eles procuravam nas salas de aula, na torre da Grifinória, e qualquer lugar mais onde Gina Weasley poderia ter escondido um diário. Em cada sala, Lupin usou um feitiço Revealato para procurar por traços de magia negra, e o feitiço Accio para convocar o diário. A cada vez que os dois falhavam em produzir resultados, Harry ficava mais e mais convencido de que o diário estava ou na Câmara, ou nas mãos de um Comensal da Morte, bem agora. E McGonagall se tornava crescentemente irritada quando Lupin recusava a lhe contar exatamente pelo que ele estava procurando.

-Realmente Remo – ela reclamou quando eles pulavam a quatrigésima nona escada aquela noite. – Eu estou quase convencida a voltar para a cama e deixar você procurando sozinho! – Mas ela não fez isso. Harry teve o estranho palpite de que pura curiosidade mantinha McGonagall incapaz de cumprir sua ameaça.

Finalmente eles chegaram ao banheiro das garotas do segundo andar. Ao invés de utilizar os feitiços de costume, Lupin ergueu sua varinha para iluminar o aposento, e virou-se para encarar McGonagall.

-Me desculpe, Minerva, mas eu não tenho sido completamente honesto com você.

A face dela empalideceu.

-O que você quer dizer?

-Bem, eu vim aqui para procurar a Horcrux, mas eu tinha certeza que ela não estava na escola. Eu tinha que checar, no entanto, antes de olhar neste próximo lugar.

-Este é o banheiro feminino...

-E é também a entrada da Câmara Secreta.

McGonagall andou dois passos para trás e se segurou com força em uma das pias para se apoiar.

-Remo! Você não pode estar falando sério!

-Eu estou completamente sério, Minerva – Lupin disse calmamente. – Minhas fontes me disseram que isso é verdade. Você já encontrou a Murta Que Geme?

-Algumas vezes – McGonagall disse, olhando suspeitosamente para ele sobre seus óculos.

-Ela é o fantasma da mesma Murta que morreu anos atrás quando a Câmara foi aberta pela primeira vez. Este banheiro é o lar dela. Foi aqui que ela morreu, e aqui é também a entrada para a Câmara. Infelizmente, há apenas um jeito de abri-la – falando a língua das cobras. O que me leva a outro detalhe sobre o qual não tenho sido honesto.

McGonagall endireitou-se.

-Tudo bem, Remo. Vamos ver. Mostre seu amigo.

-Meu... amigo? – Lupin hesitou.

-Eu posso ser velha, mas não sou cega e surda. Eu vi a segunda vassoura nos terrenos. Eu ouvi alguém se bater naquelas classes na Masmorra de Poções. – Harry fez uma careta. – Então mostre-o.

Lupin deu um suspiro resignado.

-Com uma condição, Minerva.

-Fale.

-Você não irá contar a ninguém que o viu aqui hoje. A nenhuma alma.

Ela deu a ele um longo olhar, então assentiu com a cabeça.

-De acordo.

Harry puxou a capa de invisibilidade.

Oi galera! Viram? As traduções estão vindo mais rápido. xD

Obrigado pelas reviews... agora me falta coragem para traduzir as reviews para a autora original. xD

Vou tentar lançar o próximo para o Natal.

Se não der tempo... FELIZ NATAL!!!

No próximo capítulo... "A Câmara Secreta"