3 Janeiro de 2003

Kurt estava em casa de Mercedes, afinal ela o havia convidado para acabarem o trabalho de casa. Chegaram lá ainda eram três da tarde, e depois da Sra. Jones lhes preparar leite e oreos, foram os dois para o quarto de Mercedes brincar com a casa da Barbie que eles os dois tinham passado a ultima semana a decorar.

Kurt tinha trazido de casa John, o seu action man acompanhado pelo Max, o cão dele, e todos os seus Power Rangers para fazerem companhia às Barbies de Mercedes. Estavam a montar o casamento do Power Ranger azul e da Barbie dentista, quando entra Sra Jones no quarto a chorar amarrada ao telefone. Mercedes foi a correr abraçar a sua mãe, enquanto Kurt se sentava junto da casa agarrado aos seus joelhos. Elizabeth andava agora de cadeira de rodas desde novembro depois de ter perdido o control das suas pernas enquanto descia as escadas. Os médicos tinham dito a Kurt que tomasse conta da mãe e que não a fizesse fazer esforços desnecessarios. E desde ai ele deixara de abraçar a sua mãe, os ossos dela estavam demasiado fracos, e tinha medo de os partir sem querer, de magoar a mãe.

"...Estás zangado comigo? - dizia Elizabeth sempre que reparava que o seu filho a queria abraçar e por alguma razão não o fazia

Kurt naqueles momentos ficava sem palavras pois o medo de dizer algo que se fosse arrepender a seguir era demasiado grande. Não queria que a sua mãe pensasse que a estava a evitar, ou que tinha vergonha dela ou até que estava zangado com ela, o que não poderia estar mais longe da verdade. Nessas ocasiões acabava por colocar uma manta sobre os joelhos da mãe e cantava levemente ou assobiava melodias de bailados mais simples. Sabia que a sua mãe era grande adepta de bailados, pelo menos antes da sua doença agravar-se. Agora passava os dias perto da janela a ver os carros e as pessoas a passar. Outros dias Kurt via-a em volta do seu pequeno armario pegando nas suas roupas e dobrando-as uma vez atrás de outra para passar o tempo, ou lendo algum clássico literário. A familia apenas estava toda reunida quando Burt a pegava ao colo para a levar para a cozinha para jantarem juntos, e nesses momentos era visivil todas as mudanças que ela sofrera ao longo dos anos devido à doença. Ela raramente se referia aos nomes do marido e do filho e quando o tinha de fazer era bastante comum os trocar, mas Kurt não associara isso à perda de memória da mãe mas ao stress

Nunca percebera o quanto a doença da mãe a tinha afectado até à um mês quando a tentou surpreender durante a tarde e trazer um bolo e ela aterrorizada lhe perguntara quem ele era. Nos olhos dela era possivel ver que não se tratava de uma partida, ela genuinamente não reconhecia o filho. Não conseguindo levantar-se tentou levar a cadeira até à pequena mesa de cabeçeira e pegara no telefone ligando para o marido.

-Mamã, sou eu, o teu filho Kurt."

A mãe de mercedes dera o telefone a Kurt que petrificara ao ouvir a voz do pai. Era possivel notar que estava preocupado e a esforçar-se para falar sem chorar. Conseguia ouvir alguém a falar com o seu pai pedindo-lhe para ter calma. Kurt começava a ficar mais preocupado, que acontecera com a mãe dele, as lagrimas ameaçavam cair -lhe do rosto à medida que o pai falava, ele já devia estar à espera que acontecesse mais cedo ou mais tarde depois do pai lhe contar tudo sobre a doença de Elizabeth. Ao ouvir as ultimas palavras que o pai lhe dissera o telefone caíra-lhe das mãos, e depressa Mercedes e Mrs Jones o abraçaram. Para ele o mundo tinha desabado, a sua mãe acabara de morrer.