Autora: Blanxe

Beta: Andréia Kennen

Par: Sasuke + Naruto

Gênero: Yaoi, Universo Alternativo, Amizade,Romance, Angst...


Between Sun & Moon

Décimo Primeiro Capítulo – Who Loves The Sun.


— Sasuke… Você precisa me ajudar.

Os olhos de Sasuke se arregalaram, seu coração parou por um segundo e se recuperou no instante seguinte em um ritmo acelerado. Naruto estava bem à sua frente. O garoto maldito que parecia estar lhe pregando peça atrás de peça estava a um palmo de distância de si. E, enquanto sua mente imaginava mil e uma maneiras de castigá-lo por tudo o que o fazia passar, seu corpo se movia e seus dedos agarravam fortemente os cabelos da nuca do loiro e sua boca cobria com desespero a dele.

Sasuke tinha tanto para gritar e xingar, tanto para dizer e tantas respostas a exigir, entretanto, só beijou Naruto. Beijou-o como se fosse capaz de passar tudo o que sentia, toda frustração, dor e tristeza naquele ato; como se aquele beijo preenchesse as lacunas de qualquer dúvida que o outro tivesse sobre seus sentimentos.

Naruto correspondeu com um entusiasmo mais comedido, como alguém que estivesse afoito, mas, ao mesmo tempo, quisesse sentir… sentir cada movimento de seus lábios, cada carícia da língua de Sasuke na dele.

Quando interromperam o beijo em busca de regularizarem as respirações, Sasuke encostou a testa no ombro de Naruto e o abraçou. Ficaram assim por tempo indeterminado, até Naruto roçar suavemente o lado do rosto nos cabelos negros e sussurrar:

— Você se parece com ele.

Ainda em meio ao frenesi, Sasuke ficou confuso.

— Ele?

— Sai.

Sasuke estagnou como se um balde de gelo houvesse sido jogado sobre sua cabeça, embora seu interior queimasse como ácido. Porém, quando tentou se afastar, Naruto não permitiu, mantendo-o firme em seu abraço.

— Eu sinto falta… — Naruto lamuriou.

Com a sensação de que o peito ia se rasgar, Sasuke engoliu em seco o contraste de emoções que experimentava em segundos. A paixão intensa sendo demolida por meras palavras, uma confissão que arrastava sua pretensão de ter a afeição correspondida.

— Eu sinto falta de como nós éramos antes… — Naruto continuou e Sasuke pode dolorosamente identificar tristeza no timbre melancólico dele. — antes de tudo acontecer.

O que Naruto pretendia lhe dizendo aquilo justamente quando haviam acabado de se beijar tão intensamente? Quando pensara que…?

— Por que não pede ao maldito Sai pra te ajudar? — amargurado, indagou.

— Acha mesmo que eu poderia pedir a ele que fizesse isso? — Naruto replicou e, ainda que não o encarasse, Sasuke imaginou um sorriso pesaroso no rosto do mais novo.

— Mas pode pedir pra mim, não pode?! — Sasuke rebateu, irritado, tentando se desvencilhar do abraço que agora parecia sufocá-lo. — Eu sou somente o seu meio pra conseguir o que quer!

— O único meio que tenho, Teme. — Naruto confirmou, decepcionando mais o moreno. — Eu não tenho mais ninguém, só você, Sasuke. — afastou-se o suficiente apenas para segurar o rosto do Uchiha com ambas as mãos e olhá-lo diretamente nos olhos. — Eu só tenho você.

Impulsionado pela raiva que Naruto gerara em si ao confirmar que para ele era meramente uma forma de se livrar de sua consciência pesada, Sasuke o olhou duramente e retorquiu com desdém:

— Talvez eu o ajude mesmo. Talvez eu o mate pra me libertar de uma vez dessa tormenta em que você me meteu desde que nos conhecemos.

As mãos de Naruto deslizaram, deixando no rosto de Sasuke um rastro frio. Um sorriso suave moldou os cantos da boca do loiro e a franja loira encobriu os olhos azuis. Por um momento, Sasuke se arrependeu.

— Por favor, Sasuke. — Naruto deu um passo para trás, ainda de cabeça baixa e sua imagem borrou como se o rapaz não passasse de espectro.

Sasuke piscou, sentindo algo terrível: como se um buraco tivesse se formado em seu âmago.

— Naruto? — chamou, dando um passo à frente e olhando ao redor de um jeito frenético; olhando a escuridão que engolia as árvores, o parque, vindo em sua direção. — Naruto?! Isso não tem a mínima graça, seu idiota!

E enquanto aquele negror chegava para engoli-lo por inteiro, sentiu novamente os braços de Naruto ao seu redor, o abraçando e murmurando em seu ouvido como um eco longínquo:

— Eu só tenho você.

oOo

Sasuke acordou sobressaltado e ainda com a sensação de quem prendia a respiração. Respirando pesadamente notou que estava no quarto do hospital psiquiátrico. Levantou a cabeça com a impressão de que cochilara quando a recostara ali no leito.

Fitou a cabeceira e encontrou Naruto aninhado no travesseiro, em posição fetal, dormindo.

Os acontecimentos do sonho retornaram bruscamente à mente de Sasuke, que internamente se assustou com a constatação de que tudo parecia fazer mais sentido agora.

Queria acordar o loiro e obrigá-lo a falar consigo, mas quando se moveu, percebeu, enfim, que sua mão estava presa.

Presa à mão de Naruto.

Olhou com fascínio como o loiro a segurava contra o peito, os dedos entrelaçados aos seus, enquanto dormia indiferente ao impacto que causava com aquele gesto.

Sasuke nunca fora o tipo romântico e piegas que se sensibilizava com atitudes emotivas, mas… era Naruto segurando a sua mão; era o calor do loiro que sentia; era o bater do coração dele que retumbava num ritmo constante e que podia identificar por aquela proximidade.

Parecia um tolo, mas voltou a encostar a cabeça na cama, desta vez, virada para direção da cabeceira. E assim ficou: sério, contido, com os olhos negros serenos, fitando o loiro dormir e acariciando com o polegar a lateral do dorso da mão que segurava a sua.

— Como você faz isso, Naruto? — Sasuke perguntou, desolado. — Como?

Ele se sentia numa corda bamba, instável, prestes a despencar a qualquer momento, mas desejando alcançar o final da linha sobre a qual andava. Queria chegar até Naruto, mas agora temia ter de fazer o caminho contrário, ter de voltar para o ponto de partida, porque Naruto estava muito mais longe de seu alcance do que inicialmente imaginara.

Naruto estava preso em dor, em culpa, em uma escuridão sufocante de sentimentos incompletos. Sentiu o nariz arder e a garganta queimar, enquanto via a imagem do loiro tremular entre as lágrimas que inundavam seus olhos. Estava dentro dele aquela sensação de vazio, mas não lhe pertencia.

O vazio era de Naruto. Aquele vão — o buraco que sentira em seu âmago — era Naruto: o que ele sentia e pelo que sofria. E, diante dessa comprovação, Sasuke viu que seus desejos pareceram tão mesquinhos quando Naruto confessou a falta que Sai fazia. Percebeu a tolice de seus ciúmes. Naruto não era seu, mas também não pertencia a Sai porque não existia nada em Naruto além do vazio e das lembranças do que um dia vivera com o namorado. Lembranças que nada significavam: eram meros pedaços de uma felicidade que havia se esvaído cedo demais.

Olhou para o loiro com uma nova determinação embutida em seus orbes negros e apertou sua mão. Afastou-se, perdendo o contato com Naruto, ficando com a sensação dos dedos dele ao escorregarem por sua palma. Fungou, esfregando furiosamente os olhos com o braço livre e buscou por suas muletas, posicionando-as para se levantar, fazendo a cadeira ranger ruidosamente ao empurrá-la para trás com o movimento súbito.

A passos lentos e apoiados nas muletas, Sasuke deixou o hospital.

oOo

Em meio ao jantar, Sasuke remexia o prato de comida e recebia olhares de estranhamento de seu irmão mais velho. Estava pensativo, tão concentrado que o vinco entre suas sobrancelhas escuras aparecia proeminente sem que ele notasse. As variantes de seus pensamentos o deixavam tenso, embora já houvesse silenciosamente decidido o que fazer.

Levou uma porção da comida até a boca e mastigou como se a refeição não tivesse gosto algum. Foi um esforço falho de tentar aparentar uma normalidade que estava mais fora do seu alcance do que jamais estivera desde que fora retirado do coma.

— Itachi? — chamou e o som de sua voz soou fraco, mas distintamente determinado.

— O quê? — Itachi o motivou, esperando que o caçula viesse lhe confidenciar o que o aborrecia, sem precisar pressioná-lo.

— Eu não tenho conseguido dormir direito.

Sem desviar o olhar do prato, Sasuke pode sentir o peso dos olhos preocupados de Itachi sobre si. Era injusto o que faria, principalmente levando em consideração o que o mais velho vinha passando desde que perdera os pais e tivera que enfrentar o estado comatoso que deixara Sasuke internado por tanto tempo. Itachi conversava com os médicos que haviam sido responsáveis pelo tratamento do mais novo e estava sempre atento as oscilações de humor dele. Até mencionara marcar algumas consultas com um psicólogo para que Sasuke exteriorizasse fatos sobre o acidente e a recente obsessão que desenvolvera por visitar o motivo de toda a desgraça em sua família. No fundo, Itachi não sabia ao certo se Sasuke poderia desenvolver uma depressão silenciosa ou uma psicose destrutiva por Naruto Uzumaki.

— As dores nas pernas estão piorando? — quis parecer casual e encontrar um motivo palpável para a insônia que o irmão alegava.

Sasuke negou.

— Não. Só estou com dificuldade para dormir.

— Posso passar no consultório do seu médico amanhã e pegar uma nova receita do remédio.

— Obrigado. — Sasuke assentiu e novamente forçou a comida para a boca.

Itachi passou mais alguns segundos observando Sasuke e resolveu questioná-lo:

— Está tudo bem, Sasuke?

— Estou cansado. — ofereceu um sorriso que expressava exatamente o que acabara de atestar. — Só isso.

Itachi deu o assunto por encerrado quando Sasuke lhe perguntou sobre o trabalho e quando sairia sua próxima coleção. Um assunto foi engajando em outro; falaram sobre o futuro, sobre os meios de Sasuke conseguir o diploma e ingressar numa instituição de ensino superior, seguir com uma carreira, retomar o tempo perdido… Assim diminuiu o estranhar do mais velho, exatamente como Sasuke pretendia que fosse.

oOo

Sasuke chegou mais tarde aquele dia à clínica. Perdera a hora em pensamentos truncados, em meio à insônia que o abatera durante as noites que se seguiram. Itachi havia lhe trazido o remédio e, apesar de ter aberto o frasco, o conteúdo continuava intocado. Não queria dormir, pois precisava pensar em seus atos. Suas decisões não eram as mais fáceis de serem levadas adiante.

Mas, aquela manhã seria crucial.

Ia em direção à entrada da clínica sem pressa, após o taxi tê-lo deixado na esquina, apoiando-se nas muletas com cuidado. E, por estar fora do horário, por estar atrasado, pôde ver aquele que talvez chamasse de seu rival se houvesse alguém realmente para ser rivalizado, afinal, ele sequer tinha condições de disputar as afeições de Naruto no estado em que o loiro se encontrava.

Sai estava saindo do hospital. A postura impessoal quase fazia parecer que não se conheciam e o rosto sempre voltado para o chão indicava um desinteresse palpável.

Mas essa impressão foi quebrada quando ele parou em frente à entrada das portas envidraçadas da clínica. Sasuke, sem saber o porquê, parou também. Não estava perto o suficiente para que o notasse, também não estava longe o bastante para não perceber que Sai parecia murmurar algo para si mesmo, sorrindo.

Aquele sorriso que dava ganas de arrebentar o rosto dele. Era um rosto de porcelana com um esgar forçado nos cantos dos lábios. Podia arrebentá-lo todinho e com a ajuda de uma das muletas não seria tão difícil.

Deteve seus pensamentos ao notar que estavam se inclinando para um lado homicida seu que sequer conhecia. Mas era praticamente automático pensar em matar Sai todas as vezes que imaginava que ele era o motivo de Naruto não ser seu. Pelo menos queria se convencer disso. Se não fosse por Sai, a mãe de Naruto continuaria viva; se não fosse por Sai, seus pais não teriam morrido; se não fosse por Sai, Naruto poderia se apaixonar por Sasuke. Entretanto, se essa cadeia de acontecimentos não ocorresse, Sasuke jamais teria conhecido Naruto.

Com a mãe de Naruto viva, Naruto provavelmente estaria seguro, escondendo sua homossexualidade. Os pais de Sasuke não teriam sofrido o acidente e Sasuke não teria entrado em coma e continuaria dentro de seu cotidiano, sem imaginar que Naruto existia.

Sasuke sentia o peito doer só de pensar em Naruto como uma presença inexistente em sua vida. Para o melhor ou para o pior, ele preferia ter conhecido Naruto em qualquer circunstância do que ser privado de tudo que o ele lhe apresentara: aquele sentimento tórrido e facilmente inflamável, que embora o fizesse sofrer, agora, dera significado a sua existência.

Voltou de seus pensamentos ao ver o outro moreno virar-se e seguir pela calçada contrária.

Como se seus olhos pudessem lançar adagas, Sasuke fitou as costas de Sai com desdém e continuou seu caminho.

Entrou na clínica e parou na recepção para se identificar e pegar o crachá de visitante. Em um movimento, apoiou uma das muletas contra a parede do balcão alto e levou a mão ao bolso do casaco negro, apertando o frasco, só para ter a certeza de que ainda estava lá.

— Aqui está. — a mulher que era jovem e sempre lhe sorria mais cordialmente do que para os outros, lhe estendeu o objeto plastificado, o qual Sasuke prendeu habilmente à lapela de seu casaco.

Sem ser recíproco ao sorriso, deixou a área apoiado em suas muletas.

Como sempre, esperou longos e tediosos minutos pelo elevador de metal escovado. Sua consciência parecia disposta a entrar em conflito quanto mais se aproximava de seu encontro com o loiro que tão inusitadamente passara a fazer parte de sua vida.

O que faria se, realmente, desse continuidade ao que pretendia fazer naquele dia?

Como se sentiria depois?

Começava a ser quase impossível se livrar dos questionamentos e da sensação de arrependimento que pesava em seu bolso como uma tonelada quando na verdade não passava de um simples frasco com comprimidos.

Já subindo para o andar da clínica onde Naruto encontrava-se internado, quis criar situações em que o loiro pelo menos conversaria consigo, longe daquele ambiente ilusório em que suas essências se encontravam.

Queria que Naruto o olhasse nos olhos, de verdade.

Queria ser o suficiente para que ele quisesse ficar.

Afastando a melancolia e os desejos que desconfiava serem impossíveis de concretizar, ele saiu no andar certo e seus olhos se arregalaram um pouco.

Havia um vai e vem de pessoas no corredor e ele deixou o cubículo vendo que se tratavam dos enfermeiros e alguns internos curiosos.

Continuou caminhando normalmente, até que percebeu que alguns dos enfermeiros tentavam afastar os internos, dando ordens aos outros profissionais para que os levassem para seus quartos. Aquilo parecia diferente de qualquer rotina, pois havia uma gravidade pesada nos semblantes e um nervosismo palpável nas vozes mais firmes e nos cochichos mais brandos.

Seu cenho franziu ao ver que o entra e sai, a contenção, vinha da porta conhecida, pela qual sempre entrava e passava horas ao lado da pessoa por quem se apaixonara.

Em seu peito, o coração acelerou, assim como seus passos. A dor em suas pernas resultante do esforço de apressar-se não o incomodou, pois sua mente estava focada demais em vencer o distanciamento entre ele e o quarto.

Porém, um dos enfermeiros o deteve, interpondo-se a sua frente com um olhar severo e decidido.

— Não pode continuar. — ele falou — As visitas estão suspensas nessa ala.

— O que está acontecendo? — indagou com crescente preocupação, sem desviar os olhos da porta.

— Não há nada acontecendo. Por favor, siga para…

— Eu não…! — iria argumentar quando Kakashi, acompanhado de outro médico a quem Sasuke não conhecia, passou por eles.

Realmente, não havia dúvidas de que algo extremamente errado ocorria com Naruto.

— Doutor Hatake! — chamou alto suficiente para que o homem de cabelos grisalhos parasse e se voltasse para trás.

Houve um breve instante em que Sasuke reconheceu uma nuance de piedade nos olhos escuros daquele homem, causando um apertar involuntário em seu peito.

— Volte pra casa, Sasuke. — foi tudo o que ele lhe ordenou antes de apressar-se e desaparecer no quarto de Naruto.

Foi difícil de engolir aquela ordem. Como regia a sua personalidade, sua primeira intenção foi demandar respostas, precisava delas mais do que nunca, mas pela expressão fechada do enfermeiro que detinha sua passagem soube que nenhum ataque de demandas iria ajudá-lo a passar ou conseguir informações.

Controlando seu ímpeto, deu meia volta rumo ao elevador.

Vários cenários surgiam em sua mente. Perguntava-se se Naruto teria acordado, mostrado algum sinal de estar emergindo da prisão de seu subconsciente…

Não poderia deixar a clínica sem uma resposta!

Por isso, pela primeira vez desde que começara a frequentar a clínica, sorriu para aquela moça na recepção. Não se importava em estar tentando manipulá-la para conseguir a informação que queria: para ele os fins sempre justificavam os meios — nesse caso, mais do que nunca.

— Já terminou de visitar seu amigo? — ela lhe perguntou quando lhe devolveu o crachá.

— Infelizmente não me deixaram vê-lo — Sasuke respondeu expressando preocupação e frustração tão reais que visivelmente sensibilizaram a atendente — Está uma confusão lá em cima e ninguém me disse nada.

— Pode ter sido alguma crise. — a mulher de cabelos róseos tentou acalentá-lo — Geralmente os pacientes entram em alguns rompantes, dependendo do quadro em que se encontram. Não deve ser nada grave.

Sasuke realmente não acreditava que fosse isso, ou estivesse sendo otimista demais.

— Meu amigo está em um estado que acho difícil dele ter criado alguma confusão. Ele não responde aos médicos, passa o dia desenhando… — contou atribulado — Gostaria de pelo menos saber o que está acontecendo lá em cima. Eles estão isolando os pacientes e os médicos estão se concentrando no quarto do meu amigo.

— Não fique assim, Sasuke. — ela o consolou, sobrepondo a mão clara e delicada sobre a dele em um gesto de simpatia o qual o Uchiha repudiou, mas nada fez para evitar na atual circunstância. — Eu vou tentar descobrir pra você qual o problema.

Sasuke sorriu, agradecido. Coisa que não fazia facilmente. Mas apesar de tudo, estava realmente aliviado por pelo menos alguém tentar lhe esclarecer o que ocorria com Naruto.

A moça de olhos verdes se afastou, pedindo a uma outra atendente que assumisse o balcão. Ela sumiu por uma sala interna à recepção e Sasuke pegou-se mais uma vez em uma longa e enervante espera.

Se a atendente não lhe ajudasse, tinha certeza de que ligaria imediatamente para o pai de Naruto. A clínica avisaria a ele primeiro e, mesmo não tendo tanta intimidade com o homem, sabia que ele lhe contaria sobre aquela confusão.

A atendente retornou, saindo do isolamento do balcão e o guiando gentilmente pelo braço para um canto mais reservado do corredor.

— Sasuke, eu não deveria lhe passar esse tipo de informação, pois é restrita à família, e nem mesmo a família do seu amigo foi avisada ainda, mas…

O timbre baixo e mórbido da mulher lhe lembrou as séries de dramas hospitalares que passavam em variedades na TV a cabo e isso trouxe um gelo pesado ao seu estômago.

— O que aconteceu?

— Falei com uma enfermeira do andar e ninguém soube informar direito. — ela contou — Ainda não sabem bem como aconteceu…

— Ele saiu da catatonia? — chutou a sua maior esperança.

— Seu amigo está sendo transferido para a ala hospitalar. — ela lhe revelou consternada.

— Naruto piorou? — Sasuke sugestionou, atordoado.

— Eles acham que foi uma tentativa de suicídio.

A incompreensão o abateu fortemente, bem como um pânico inesperado. Era como se o mundo houvesse dado um giro de 360 graus e ele não pudesse fazer coisa alguma além de não permitir que a realidade lhe puxasse pelos pés.

oOo

Continua...


Notas da Blanxe: Depois de tanto tempo sem atualizar, aqui está, finalmente, um novo capítulo da Between Sun & Moon! Peço desculpas pela demora e por não ter respondido as reviews do último capítulo! Acabei ficando enrolada com o final da faculdade e somente agora pude sentar e rever tudo o que acabei deixando de lado. Espero que não fiquem chateados e que gostem desta atualização! Obrigada a todos que vem me cobrando e que não esqueceram das minhas fics!