Desculpem-me se houver algum erro.

Capítulo 9

Aquele era o segundo funeral a que Edward comparecia em uma semana, só que daquela vez ele não estava sentado na primeira fileira. A honra duvidosa coubera à filha de Emmett, ao marido dela e aos filhos deles. Os três adolescentes haviam passado várias férias com o avô e, com certeza, guardariam a sabedoria das palavras de Emmett no fundo de seus corações. Edward observou a família sair, assim que a cerimônia terminou.

Ninguém mais estivera na montanha desde a noite da nevasca. A neve continuara a cair e a área, no momento, ainda era de grande risco.

— Logo — respondera ele em voz baixa quando a filha de Emmett lhe perguntara quando poderiam voltar a subir até a estação de esqui. — Assim que for seguro novamente, nós subiremos. Sei que é uma prioridade trazer as coisas de Emmett de lá.

Havia muitas prioridades naqueles dias exigindo a atenção dele.

— Meus pêsames. — Eram palavras que ofereciam pouco conforto, mas não havia outras. — Vamos sentir muita falta de Emmett. Silverlake não será a mesma sem ele.

Mais palavras, e nenhuma delas era o bastante...

Isabella e Esme Swan também estavam no funeral. Isabella, gloriosa em um vestido discreto e um elegante casaco negro. Altiva. Inacessível.

De tirar o fôlego.

Edward conseguiu evitá-la. Conseguiu não ficar encarando-a demais. Sabia que não deveria fazer o que estava pensando em fazer. Antes de qualquer coisa, porque não tinha tempo para isso.

Fora uma semana de trabalho duro, e havia mais pela frente. A confiança na empresa sofrerá um baque com a morte de Carlisle e com o que acontecera em Silverlake. Portanto, havia boas razões para ele não ir atrás de Isabella Swan.

Edward nem sempre era honesto com seus sentimentos e isso, às vezes, o envergonhava. Ele nutria sentimentos conflituosos pelos pais. E, desde adolescente, também não conseguia definir bem o que sentia por uma ruiva magrinha, com olhos muito grandes e uma mancha em sua reputação da qual jamais se livraria.

Agora percebia que, por trás do mito de Isabella Swan, a ladra de namorados alheios, havia uma mulher corajosa e forte que praticamente o carregara montanha acima e evitara que ele congelasse até a morte. Uma mulher com problemas, inseguranças e vulnerabilidades que tinha o poder de fazer com que ele, Edward, se sentisse grosseiro porque sabia que tivera responsabilidade em parte dos problemas de Isabella.

Edward ficou onde estava enquanto Isabella murmurava alguma coisa para a mãe e caminhava na direção dele com uma graciosidade que não ficara evidente na montanha. Roupas diferentes. Sapatos diferentes.

Ainda assim, Edward não conseguia entender como conseguira confundi-la com um rapaz.

Os machucados de Isabella não estavam mais visíveis, talvez por causa da maquiagem, e um sorriso leve curvava os lábios cheios e sedutores. Edward não esquecera. Nem da boca, nem do resto. E desejava muito ter esquecido.

— Minha mãe disse que você viria — murmurou Isabella. — Eu não tinha tanta certeza.

— Mas deveria ter.

— Foi uma bela cerimônia — disse ela, como se a conversa amena pudesse diminuir a força do comentário anterior, que o magoara profundamente.

— Sim.

— Vamos nos reunir no bar depois do enterro. Não se sinta pressionado para se juntar a nós, mas está convidado — continuou Isabella.

— Você finalmente vai me pagar aquele drinque, Ruiva?

— Essa é uma péssima ideia.

— Então as pessoas continuam falando.

— Talvez você devesse ouvi-las.

— Eu ouço. Foi você que veio até mim, Ruiva. Também não fui eu que sugeri que você não teria respeito o bastante por Emmett a ponto de ser capaz de não vir ao funeral dele. Não fiz nada.

Ele falou com raiva, e, Isabella ficou surpresa.

— Desculpe-me — disse ela, ruborizando. — Pela bobagem a respeito de você não vir ao funeral de Emmett. Eu sabia que alguém estaria aqui para representar a família Cullen. Talvez eu soubesse, sim, o tempo todo, que seria você. — Ela suspirou. — Talvez eu simplesmente não quisesse que você viesse.

— Está me magoando, Ruiva. De novo.

Isabella franziu o cenho e afastou o olhar.

— Tem conseguido dormir bem? — perguntou Edward em um tom severo. — Parece cansada.

— Você também parece. — Mas ela não o encarou quando falou.

— Muita coisa para fazer.

— Sim. Ouvi dizer que encontrou trabalho para todos os empregados de Silverlake. Foi fantástico de sua parte.

— Você não vai atribuir um motivo oculto para eu ter feito isso?

— Não — disse ela, baixinho, e os olhos deles se encontraram. Edward sentiu a respiração presa no peito. — Não vou fazer isso. Quanto à falta de sono, não poderia culpar o trabalho, já que não estou fazendo quase nada. Mas venho tendo pesadelos com a queda.

— Na gôndola?

— Sim.

— Isabella, me pergunte com o que eu tenho sonhado. Pergunte-me para onde eu vou quando fecho meus olhos à noite.

— Não sei se quero saber — disse ela.

Desconfiada. E com razão, já que vinha provocando um caos dentro dele. Edward se aproximou mais, e seus lábios roçaram os cabelos sobre a testa dela.

— Obrigado pelo convite para ir até o bar. Eu gostaria de ir, sim. Obrigado também por vir falar comigo, mesmo que tenha sido por mera educação. E, só para sua informação, quando fecho meus olhos à noite penso em lábios gulosos, em uma pele sedosa e em uma paixão como eu nunca senti antes. Pergunte-me para onde eu vou todas as noites, Ruiva.

Os olhos castanhos o encararam, arregalados e com uma expressão surpresa. E a boca era feita para ser beijada. Muitas vezes.

— Para onde? — sussurrou Isabella, em um murmúrio que era quase uma súplica e que só serviu para aumentar o calor que corria nas veias de Edward.

— Vou até você.

~~x~~

— Os drinques são por conta da casa — disse Isabella, umas duas horas mais tarde, enquanto servia o uísque que restava em sua bandeja para um Edward Cullen perigosamente atraente. — Não sou eu que estou pagando.

— Obrigado por esclarecer — comentou-o, com a sombra de um sorriso nos olhos. A atmosfera no bar era alegre, apesar do luto. Alguém levara um antigo álbum de fotos, em que Emmett aparecia várias vezes. Para cada fotografia havia uma história e, para cada história, um brinde.

Encorajada pelo ambiente familiar, Isabella deixou o olhar se fixar nos lábios de Edward, curvados em um sorriso charmoso. Não era de admirar que as mulheres se jogassem em cima dele, aceitando qualquer migalha que lhes fosse oferecida. Edward tinha dinheiro e sabia como despertar o desejo de uma mulher.

Santo Deus, ele sabia tocar uma mulher como ninguém.

— Você estava dizendo...? — murmurou ele. Isabella sentiu o rosto quente e afastou os olhos dos lábios dele.

— Não, eu estava pensando — corrigiu ela. — No que você disse antes — continuou Isabella com cautela. — Acho que talvez tenham sido apenas as circunstâncias na montanha que tomaram o que fizemos tão... Extraordinário. Afinal, acabáramos de escapar da morte...

— E uma teoria válida — murmurou ele. — Você se incomoda de testarmos sua veracidade?

— Sim, me incomodo.

— Por quê? Tudo o que peço é um beijo.

— Acontece que já ouvi essa frase antes — disse Isabella, e encerrou a conversa, se afastando para pegar mais bebidas.

Quando ela olhou para trás, viu que Edward Cullen a observava. E estava sorrindo.

— Edward Cullen está aqui para brindar a Emmett, ou por sua causa? — perguntou Esme durante um momento de calmaria atrás do balcão.

— Para brindar — disse Isabella. — Mas vamos presumir que ele estivesse aqui por minha causa. Como faço para me livrar dele?

— Já tentou ignorá-lo?

— Ele é irritante demais para que eu consiga fazer isso. Esme ergueu as sobrancelhas.

— E verdade — resmungou Isabella.

— Já tentou fugir?

— Você costuma me dizer para não fugir.

— Depende da ameaça — murmurou Esme.

— Também já tentei afastá-lo, mas não está funcionando... Ao que parece, Edward Cullen gosto de ser insultado.

— Duvido — comentou Esme, secamente. — Não, o que ele gosta é de você estar se fazendo de difícil.

— Mas eu sou difícil — retrucou Isabella irritada.

Esme estendeu uma bandeja vazia à filha para que ela enchesse e acenou com a cabeça na direção da multidão que enchia o bar.

— Aí está o desafio.

— Minha mãe acha que se eu simplesmente ignorá-lo, você irá embora — disse Isabella a Edward quando o encontrou novamente sozinho.

— Ela pode estar certa — disse ele em um tom simpático. — Tente.

Isabella se afastou carrancuda e o ouviu dar uma risada.

Na próxima vez em que os dois se falaram, foi ele quem começou a conversa.

— Meu advogado não teve retomo a respeito daqueles documentos que eu lhe dei — falou ele.

— Isso é porque eles ainda estão pousados sobre o balcão da cozinha do bar.

— Por quê?

— Eu não sabia sobre aquelas propriedades — respondeu Isabella com firmeza. — E não as quero.

— Isso é o que está dizendo — retrucou-o. — Mas se realmente for verdade, ainda precisa decidir o que vai fazer com elas.

— Não posso simplesmente recusá-las e você fica com as terras?

Edward deu um sorrisinho.

— Sinto muito, mas não é assim que funciona. Arrume um advogado, Isabella. Esse é o melhor conselho que posso lhe dar.

— Sua mãe deve estar... — interrompeu Isabella de repente.

— A palavra que está procurando é humilhada — disse Edward. — Alice está enraivecida. E eu simplesmente quero os documentos longe da minha responsabilidade.

— Não está ressentido?

— Estou muito, ressentido — retrucou-o. — Principalmente porque meu querido pai esperou até estar morto para tomar público o quanto estimava sua mãe. E deixou a meu cargo lidar com as consequências.

— O que mais ele lhe deixou? — perguntou Isabella em voz baixa. — Carlisle não se esqueceria de você. Ele tinha tanto orgulho de você.

— Eu detenho 40 por cento das ações da empresa. Era o que eu queria. Alice também controla uma quantidade significativa, embora não se saiba se era isso o que ela queria. Minha mãe sempre foi acionista da empresa. Agora ela tem um percentual maior. A verdade é que havia muito para dividir e Carlisle providenciou para que todos tivessem o bastante. Mas alguns de nós precisamos trabalhar mais do que os outros para manter o patrimônio.

— Quanto vai custar para reabrir Silverlake? — perguntou Isabella, hesitante. Edward passou a mão pela testa, como se ainda fosse um menino que não estava conseguindo pensar direito.

— Muito — murmurou ele. — Estou cuidando disso.

— Talvez seja melhor esquecer um pouco tudo isso pelo resto da noite — falou Isabella. — Quer outro drinque?

— Não. Quero...

—... Comer alguma coisa? Sue está terminando de preparar a comida.

— Quero sair daqui — disse Edward, a voz baixa e rouca. — Com você. E antes que volte a repetir que não é uma boa ideia, deixe-me dizer que sei disso.

— Então por que...?

— Talvez eu tenha a esperança de que assim conseguirei tirá-la da minha cabeça.

— E se não funcionar?

— Então vai tudo para o inferno. — Ele parecia exausto. Impaciente. E muito, muito atraente. —Você vem, ou não?

Talvez tenha sido a honestidade brutal das palavras dele ou a percepção de todo o fogo que corria sob a calma aparente.

— Está certo. — Isabella torcia as mãos, nervosa. Edward percebeu o gesto, mas não fez nenhum comentário. Apenas observou. E esperou. — Dê-me mais uma hora aqui, para servir a comida e encontrar alguém para ficar no meu lugar. Então pegarei meu casaco.

O carro de Edward era uma maravilha da engenharia automotiva, com o interior absolutamente luxuoso. Isabella se acomodou no banco de couro e afastou a própria realidade da mente. Ela nem sequer tinha um carro.

— Aonde vamos?

— Para a minha casa.

— Podemos tomar sorvete?

— Se quiser.

Sorvete? Acho que vai ter bem mais do que sorvete.

Respondendo os reviews:

Patylayne: Também achei essa Alice muito fútil. Infelizmente, não terá Jasper. Essa história é focada mais no Edward e Bella. Beijos.

Guest: Obrigada por comentar! Beijos.

Cheiva: Oi flor! Fico feliz que tenha voltada a acompanhar minhas adaptações e também fico feliz por estar gostando. Beijos.

Duda Maciel: Kkkkkkkkkk pensei a mesma coisa quando ela apareceu. Se eu fizer capítulos maiores, a história acaba rápido demais. Beijos.

Até terça-feira.