By Dumpliing,
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Notas Iniciais:
Agradeço os comentários mas desta vez tenho algo em especial a dizer.
Todo este capítulo foi possível pela sinceridade da minha querida Sweet, pois me perdi um pouco e ela disse tudo o que achava. E isso vale um Mundo para mim. E este cap está enorme graças a ela!
Obrigada amorinha querida. Beijo*
Cheguei à sala onde se encontrava a mulher… e ali estava ela… sem reacção, como nunca a havia visto. Não evitei que lágrimas caíssem ao vê-la assim.
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Silêncio do Olhar
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Capítulo 11 – Mais que um sentimento.
*Darien*
Somos apenas um pouco de vento nesta grande tempestade.
E nela nos enrolamos aos poucos, assombrados pela escuridão, pelo medo…
E do medo seguimos em frente, sem nos importar com acontecimentos, apenas com o futuro que muitas vezes chega mais cedo do que o esperado.
Deitada, sem jeito, sem toque no olhar profundo do azul céu v.
Guerreei contra as lágrimas que teimavam em querer sair e acabei por não conseguir contê-las mais.
Sem dúvida… eu podia deixá-la ficar com aquele homem, sim. E tentava aceitar isso todos os dias desde a última vez que passei os braços nos seus ombros, num caloroso e profundo abraço. Tentava aceitar… tentava esquecer.
Mas ao analisar tudo percebi que não se tratava de apenas uma queda - que lhe causara um traumatismo craniano, lesões cervicais e algumas lesões localizadas nas pernas, algumas nódoas negras, uma mais visível na coxa e um outro corte superficial na face – estes não fariam ferimentos tão profundos que se podiam perceber como marcas de cinto ou mesmo do lábio cortado e o olho negro. Tudo denunciava algo que eu jamais imaginava.
Afinal, de um médico de renome, casado com a mulher mais maravilhosa do Universo, com tudo o que tem e pode ter para ser feliz, é apenas um animal asqueroso. Para além da bebida o fazer trair a Serena, ainda descarregava nela raiva sem sentido. E tudo isto me fazia pensar…
Era frágil nas mãos adormecidas pelo seu corpo, que mesmo dormindo tremiam. Pensei ser de medo. Uma sailor que nada temia anteriormente… que lutava com todas as armas possíveis e sempre com o coração ao alto das emoções. Julguei-me então inútil… por ter acreditado num homem que não conhecia ao dizer-me que ela havia ido embora e que não queria saber de mim, aquando se lembrara. E esse é um erro humano. Só por ser médico, ter um diploma nas mãos e acabado um curso superior, não quer dizer que seja honesto. Erro humano…sim. Estamos habituados a julgar os outros pelas habilitações académicas e não as humanas. Se um médico mente… E eu creditei nele confiança pelo emprego igual ao meu, ou que eu na altura estava nos términos. Mas lá ensinam-nos também a ser humanos, a ele não, pelos vistos.
No dia em que a olhei pensei que era com ela que iria passar o resto da minha vida. Vida essa que lhe cedia sem pensar duas vezes.
Olhei as suas costas, que estavam em pior estado, e depois observei cada parte do seu corpo.
A mulher que jurei amar para sempre, encontro-a no pior estado possível, que um homem possa provocar a uma mulher indefesa.
Perdeu as forças que tinha e a alegria de viver no olhar que eu não via, debaixo das pálpebras que eu olhava a cada segundo para ver se finalmente revelavam o que eu queria… o brilho da alegria de viver que mais ninguém possuía senão ela… Impressionante que, mesmo depois de tudo o que houvera na vida dela, ela andava para a frente sem ligar ao que diziam. Despistada, preguiçosa, comilona e sem falsos sorrisos, era a Serena que eu conhecia. Mas que não me parecia depois de anos.
Depois de todo o "para sempre" nas suas palavras, pensei sempre o que viria a seguir. Imaginei logo dar-lhe o melhor, casar com ela, ter filhos com ela. E no final… só veio a solidão e a falta da mulher que me preenchia por completo.
Fiquei ali horas a contemplá-la e quando acordei foi por um toque de uma mão no meu ombro.
- Darien. – Abri os olhos lentamente. – Acorda… rápido!
Mandei um pulo depois do seu grito.
- Sim Andrew… que foi agora?
- Darien… estás lixado. – Parecia-me nervoso enquanto coçava freneticamente o pescoço.
- Mas porquê?
- Está ali o marido da Serena… nada feliz. Eu disse ter sido eu a cuidar dela porque ele disse que se sonhava que tinha sido o filho da… tu sabes, a tratá-la que o ia matar… E tu sabes a quem ele se refere!
- Andrew… - Sorri com desafio, era o que esperava mesmo, a sua chegada. – Fui eu que tratei dela, e eu não tenho medo dele. Manda-o entrar.
- Darien, tu sabes que…
Mas nem terminou o que ia dizer. O Seiya entrou disparado na sala, com a face vermelha, acompanhado pelo que percebi que o homem que a havia trazido, era outro seu irmão.
Fingia em frente ao irmão e ao Andrew ser simpático mas o seu ar era arrogante.
- Ora, obrigado por cuidar da minha esposa Dr. Chiba, mas já tratei de tudo para a transferir eu mesmo para o hospital onde trabalho.
- Tem então os papéis da transferência presumo…? – Perguntei enquanto ele sorria sarcasticamente.
- Dr. Chiba, somos colegas não precisamos de burocracias.
Sorri como ele antes havia sorrido e continuei.
- Então mas foi o Dr. Kou que disse ter tudo tratado… não posso fazer nada sem o saber.
Tirou então o sorriso da cara, o irmão dele falava ao telemóvel, não ouvia a conversa, no entanto o Seiya pediu-lhe para se retirar a fim de conversar comigo sobre a mulher, o que ele fez de imediato, seguido por Andrew.
Arrogantemente, tal como ele, comecei a desafiá-lo.
- Já agora, se tem de enviar os papéis da transferência aconselho-o a enviar também um certificado em como pode bater violentamente na sua mulher.
Sorriu também em desafio, sentando-se na ponta da secretária do quarto, pegou num pisa-papéis, começou a balançá-lo de uma mão para a outra. Parou um pouco, continuando a olhar o objecto como se fosse um troféu e falou.
- Sabe Chiba… eu realmente odeio que interfiram na minha vida pessoal – sorriu de lado – desde que me lembro que sou assim… acha normal? Quando era mais novo, usava um tratamento especial com quem se metia comigo – olhou de novo para o pisa-papéis – por acaso não quer experimentar, quer?
Limitei-me a olhá-lo sério, estava no meu local de trabalho e bem mais do que isso, pensei que ele depois se vingaria na Serena.
Arrepiei-me só com a sua voz, parecendo sério e ao mesmo tempo despreocupado com o que dizia.
- O seu problema – continuou – é que enquanto só a pode comer com os olhos… eu posso com tudo, noites e dias com ela, e é disso que se rói de inveja.
Continuei no silêncio, sem querer colocar tudo em risco, e pouco depois ele pousou o pisa-papéis e moveu-se para perto da cama.
- Depois envio os papéis então. – Aproximou-se mais da cama de Serena e começou a retirá-la dali. – Envio por alguém do pessoal, não se preocupe Dr., gosto de deixar tudo esclarecido.
Então pegou nela ao colo enquanto eu apenas podia olhar. Aquele era marido dela, que se fizesse algo, podia ser pior para ela… e sentia-me novamente inútil.
Mas não era cobardia, era simplesmente o sentimento de revolta a apoderar-se de mim. Não queria colocar em risco a Serena… ela não merecia passar por tudo de novo.
À medida que se retirava, o meu coração batia mais forte. Deixava-a nas mãos do lobo. Sentei-me no cadeirão enquanto olhava a porta por onde ele a acabara de levar.
- Darien… Darien. – Andrew entrou de novo, acordando-me dos meus pensamentos. Olhei-o então. – Tens de ir para casa, ainda não paraste um segundo, e tiveste sempre de volta da Serena desde que ela chegou. Como sabes, não nasci ontem.
- Ele bate-lhe. – Disse por fim. Precisava de falar com alguém.
- O quê Darien?
- Ela tem marcas de cinto por todo o corpo bem como o lábio rebentado e o olho negro. – Levantei-me então da cadeira, deparando-o. – Não reparaste sequer?
- Não Darien. E tu sabes como é a Serena, podes estar a exagerar por uma marca simples que tenhas visto.
- Achas que sou idiota Andrew?
- Não Darien, és só o melhor doutor do Japão que se está a deixar levar pelas emoções. Esquece-a de uma vez!
Olhei-o, depois de parecer não crer em mim, e virei-lhe costas. Despindo a bata, fui para casa pensar no que realmente poderia fazer.
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*Serena*
Lembrei-me de o ver, antes de acordar novamente em casa.
Estava perto de mim, falando com Seiya que parecia picá-lo, mas fingi dormir. Seria melhor assim… ficar no silêncio antes que pudesse ser pior em frente a todos do hospital. E ele tinha acabado de falar de mim como se eu fosse um objecto sexual… Mas não estaria o Darien também a provocá-lo com toda a raiva do passado?
Sentei-me lentamente na cama, aconchegando-me na almofada com dores enormes. A cabeça doía, sentia as costas a estalar e os cortes que elas tinham… do que tinha acontecido.
Continuava a tentar entender porque continuaria eu com ele. Porque não tinha dinheiro nem emprego? Porque antes de ele aparecer eu não tinha ninguém? Ou… porque ele me havia dito que se eu o deixasse, ele viria atrás de mim?
Ouvi a torneira na casa de banho deixar de correr, olhando para a porta, vi-o sair com a toalha enrolada na cintura e olhou-me, sorrindo.
- Amor… acordaste – chegou então mais perto de mim e beijou-me. – Como te sentes?
- Um pouco zonza. – Forcei um sorriso. - Mas estou bem, obrigada por teres cuidado de mim.
- Tonta, achas mesmo que precisas de agradecer isso? Eu tomei conta de ti aqui em casa, achei o melhor. Tens fome?
- Tenho, mas deixa que já vou fazer qualquer coisa. – Fingi novamente um sorriso, tentando levantar-me da cama, cai de imediato, sentindo as pernas fracas. – Eu estou bem…
Veio logo em meu auxílio, beijando-me a face ternamente.
- Eu disse… - Colocou-me de novo na cama. – Eu venho já, vou buscar alguma coisa para comeres, também estás fraca…
Ao voltar, trazia um tabuleiro cheio e ainda com uma rosa vermelha. Sorri pois parecia que nada se tinha passado na noite anterior… ele era assim, num momento era horrível, noutro era a pessoa mais amorosa do mundo. E isso fazia-me sentir confusa em relação a ele.
O meu estômago parecia aos poucos ficar cheio, da tanta fome que eu tinha.
Sentia, no entanto, o coração vazio. Ele sempre balançava por causa de atitudes do Seiya de "Amo-te" e "Deixa-me em paz".
Olhava-me a cada instante, observando-me a comer. Quando parei, tirou-me o tabuleiro após perguntar-me se tinha gostado.
Vi-o descer as escadas e tentei arranjar a coragem que necessitava para lhe fazer uma pergunta, depois de muito tempo a pensar se havia ou não de fazê-la. Mergulhei a cabeça na almofada e esperei ouvir os passos dele pela escada depois de o ouvir despedir-se dos irmãos, seria a sua última noite ali.
Deitou-se ao meu lado sorrindo para mim, com um livro na mão direita, a sua mão esquerda afagava-me os cabelos. Vi-o muito concentrado, mas não podia resistir mais, e tive de o interromper.
- Seiya. – Movia-me até me sentir cómoda na almofada. – Preciso de falar algo contigo…
- Sim amor, diz.
- Eu queria-te perguntar… se achas, bem, eu pelo menos queria…
- Escusas de estar tão nervosa. Fala de uma vez.
- Bem… Como sabes, em Cambridge, antes de casarmos fiz aquele curso… lembras?
- Sim amor. Queres continuá-lo é isso?
- Bem… - Continuava nervosa, gaguejava um pouco. – Sabes que eu adoro crianças… e eu adorava aplicar o meu curso num Jardim Escola e, depois de tudo se visse que gostava, queria continuar e ir tirar Educação Infantil… mas claro, se não me permitires… tudo bem…
- Sentes falta de dinheiro? – Olhou-me um pouco sério. – Sabes que nunca nos faltou nada, se é por isso não precisas.
- Não Seiya. – Baixei o tom de voz. – Só que me queria sentir ocupada, estou sempre aqui em casa…
- Então tudo bem. Recupera e depois vemos isso.
Tirei-me da posição de deitada para sentada como ele demasiado rápido, o que me fez sentir uma dor intensa
- A sério? - Sorri, abraçando-o. – Obrigada amor.
- Mas Sere, tem umas condições… - Fechou o livro, retirou os óculos de descanso e colocou-me a mão na face, acariciando-a. – Assim que saíres, vens logo para casa. Não quero que nada de mau te aconteça.
- Claro Seiya. Obrigada, Obrigada, Obrigada! – Abracei-o, enchendo-lhe a face de beijos.
Afinal, estas mudanças de atitude eram mesmo assim, só tinha de as aceitar de cabeça firme, todo o casal tem dias melhores que outros. E o meu casamento assim o era também, com altos e baixos.
No dia seguinte, pela manhã, despedimo-nos do Yaten e do Taiki que regressavam a Inglaterra.
Esperei então que, talvez, assim que os irmãos partissem, ele mudasse de atitude novamente… Mas isso não aconteceu.
Acompanhou a minha recuperação sempre bem junto a mim, com o maior dos cuidados e dos mimos que podia dar-me enquanto não trabalhava.
Tudo isso me fazia esquecer que anteriormente ele me havia tratado tão mal… e o medo de que isso pudesse voltar foi menor que o amor que ele me fornecia.
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E os dias foram passando, e assim que recuperei, comecei a minha busca de emprego. Seiya sempre me acompanhava mas, num dia não pode, mas me encorajou a ir na mesma.
Assim fui, pelas ruas de Tóquio sozinha, procurando primeiro um café onde pudesse tomar o pequeno-almoço.
Ao entrar num, pareceu-me haver 4 raparigas a olhar para mim numa mesa de um canto, mas ignorei.
Fiz o meu pedido, sentei-me longe e de costas daquelas 4, e ao sair, dei um encontrão em alguém.
- Me desculpe por favor… não estava a… - Aqueles olhos… - …ver.
Era Darien Chiba de novo, que se ria sem eu entender, parecia-me estar a gozar comigo o que me deixou chateada. Apanhei a mala e pedi-lhe desculpa novamente mas ele continuava a rir.
- Desculpa… porque ris tanto? Estás a gozar comigo?
- Claro que não Rena… - Ajeitou-me o cabelo para trás da orelha. – Só me estou a lembrar… os anos passam e tu não mudaste nem um pouco.
Senti-me confusa e o meu coração batia mais forte junto a ele. Coloquei a mão no coração, sentindo que ele me via.
- Vou dar amanhã uma festa de aniversário, achas que o teu marido te deixaria vir se dissesses ser de uma amiga?
- Ah… Obrigada… e parabéns… Mas não… nem amigas tenho cá, não posso inventar desculpas. – Baixei a cabeça em tom melancólico, seria agradável ver conhecidos dele que, provavelmente, seriam meus também… do passado.
- Bem… tudo bem. – Sorriu e aproximou-se, senti o meu coração apertar. Beijou-me e senti o coração ainda mais apertado. Levando os dedos aos lábios, não sabia que sentimento era este.
Então ele sorriu ainda mais que anteriormente e, parecendo adivinhar os meus pensamentos, disse:
- É mais do que um sentimento Rena. – E entrou no café, deixando-me confusa. Parada na rua.
Lembrei-me então do compromisso comigo mesma em partir em busca de emprego e assim continuei.
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Cheguei a casa às 8 da noite, depois de ir a 2 jardins-de-infância que tinha apenas conseguido alcançar. Tentei outros 3, mas eram 6 da tarde e, estranhamente, já tinham fechado.
Entrei no quarto e o Seiya estava a vestir-se, de cabelo solto e molhado, beijei-lhe o pescoço por trás.
- Chegaste um pouco tarde.
- Bem, desculpa, mas como fui de transportes públicos… ia apanhar um mais cedo e acabei por me atrasar e…
- Calma Serena. – Virou-se sorrindo, beijando-me a testa. – Eu acredito em ti, não precisas de te atrapalhar a explicar…
- Sim mas sinto-me nessa obrigação… Seiya… - Peguei-lhe a mão e ele olhou bem nos meus olhos. – Ainda vais trabalhar?
- Vou amor, tenho de ir ter com o director do hospital, penso que me quer mudar de unidade. É uma boa novidade, não achas?
- Claro amor… boa sorte então. – Beijei-o e fui para perto da cama, começando a despir-me. Senti as suas mãos frias na minha cintura. – Seiya, tens as mãos a gelar.
- Sabes o que dizem. – Voltou-me rápido para ele e sorriu. – Mãos frias coração quente… bem quente, junto a ti.
E começou a retirar-me a roupa e a deitar-me carinhosamente na cama, beijando-me o corpo, sentia a sua respiração acelerada no meu pescoço… Entregando-me por inteira a ele.
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*Darien*
Sentia-me na angústia de não saber o que fazer. Só pensava nela… naqueles lábios de novo. Despi a bata e despedi-me de todo o pessoal do hospital como todos os dias fazia, mas com um "amanhã tenha um dia feliz" por parte deles… Era 2 de Agosto, véspera de um dia que, supostamente, havia de ser um dia feliz… mas não era verdadeiramente.
24 Anos… só os sentia com o peso de não ter realizado sonho nenhum.
Todos desapareciam ao longo do tempo. Caminhava ao longo do corredor da saída e senti duas mãos pegarem-me nos pés e outras duas nas mãos.
Não me surpreendi. Eram os bons amigos que eu tinha mas que não conseguiam, de todo, guardar um segredo. Então soube logo os planos de me levarem num "rapto" para um bar de strip que em nada eu apreciava.
- Isto é um assalto Dr. Chiba! Esteja caladinho e pare de rir!
- Se realmente fosse um assalto – ri, desatando as mãos – os ladrões saberiam fazer nós de jeito, digo eu… não sei.
- Opá. – O Kunzite falava alto enquanto conduzia. – Quem foi o otário que lhe contou?
Logo as outras 4 vozes diziam "eu não!" e, não querendo ser um desmancha-prazeres, como sempre, continuei mesmo a rir, de olhos vendados.
- Vá, atem lá as mãos de novo então.
Chegados ao local, pegaram-me novamente e depois deitaram-me num sofá e tiraram-me a venda.
- Planos para hoje Darien: primeiro vamos ver estas belas mulheres dançar, ao mesmo tempo vamos bebendo uns copinhos e depois…
- OLÁ! – Fomos interrompidos pela voz de uma mulher que, ao olhá-la, logo me assustei com a maquilhagem exagerada e a roupa diminuída. – O que vão desejar?
Logo após fazermos os nossos pedidos, duas mulheres dirigiram-se à nossa mesa começando a dançar bem em cima de nós.
Uma delas, deitou-se em cima de mim, continuando com gestos de dança enquanto eles se riam e aplaudiam. Para mim não tinha nada de interesse. Eu apenas olhava para uma mulher desde que a conhecera. Tentei apaixonar-me, mas nunca consegui, parecia um feitiço.
Enquanto a mulher dançava sussurrava ao meu ouvido se eu não estava interessado e eu simplesmente não respondia. Apesar de não ter respondido, ela continuava. E aos poucos desistiu, virando-se para Andrew.
A noite continuava e de repente começaram-me a dar os parabéns ao que eu agradecia e sorria. Era já meia-noite e eu nem me tinha apercebido.
Depois de um pouco de festejo, levantei-me para ir à casa de banho e, ao voltar a sentar-me, os olhos dos meus 5 amigos pareciam não se aperceber da minha presença, apenas olhavam numa direcção que eu não conseguia entender.
- O que se passa? – O Andrew acordou após a minha pergunta.
- Ah… nada Darien… nada. Vamos lá, ainda não bebeste nada, temos de pedir mais.
- Há gajos com sorte… - ouvi um homem comentar ao passar, olhando na mesma direcção que os outros 4.
Tentei perceber então.
Ao olhar surpreendi-me das figuras… e da pessoa em questão. Todos o olhavam e comentavam entre si. Levantei-me pronto para tomar uma atitude, mas o Andrew impediu-me.
- Ele já tem idade para saber o que faz.
- Mas não tem para saber o que está a fazer à Serena! – Era o Seiya, aquela besta de novo, que sorria e tocava uma dançarina que não desgrudava dele.
Depois de um pouco de tempo, já estava mais calmo, vi-o levantar-se cambaleando, apoiando-se na mulher, sussurrando-lhe algo ao ouvido.
Estava então decidido a segui-los. Pedindo licença ao Andrew para se desviar, peguei as chaves do carro onde me tinham trazido e logo todos reclamaram.
- Onde julgas que vais Darien?!
- Nem tentes impedir-me Andrew! – E continuei a segui-lo atravessando a porta com fúria, vendo-o andar apoiado naquela mulher, enquanto o Andrew me seguia.
- Darien, anda para dentro já!
- Não mãezinha. – Entrei no carro, ligando-o e olhando o carro onde a mulher tinha entrado com ele. – Divirtam-se vocês.
Continuei a segui-los e pararam mesmo em frente a casa do Seiya, bêbedo, não devia estar consciente que a mulher dele estava em casa. Parei o carro mesmo na sua frente e saí.
Pouco tempo depois, vi a mulher voltar e partir batendo com os sapatos fortemente no chão.
Comecei a ouvir gritos dentro da casa e queria agir, mas vi gente ainda na varanda das suas casas.
Uma mulher de certa idade aproximou-se de nós.
- O senhor é novo aqui na rua? Bem… não se admire com isto, vá-se habituando e não ligue… é assim todos os dias. Pobre moça… tão educada e simpática e foi casar com um homem assim.
- E vocês não chamam sequer a polícia?! Isto é demais! – Senti-me nervoso, sabia que o portão estava aberto pois aquela mulher havia acabado de sair, decidi que havia de entrar.
- Nós já o fizemos umas três vezes, porque há dias que nem se pode dormir, mas quando eles chegam… não entendo, ele deve-lhes dar a volta pelo facto de ser médico e eles vão-se embora de novo. Depois continuam na mesma. – Não respondi à senhora e continuei a olhar para aquela casa, a senhora despediu-se e fiz o mesmo.
Ouvia os gritos mais intensos dentro de casa, e decidi avançar.
Bem mais perto escutava os gritos e gemidos de dor da Serena, que quase não se podiam perceber pela voz austera de Seiya.
Abrindo-a de novo, agitou-a pelos ombros e viu-me ali perto a aproximar deles, e gritou:
- QUERES ESTA CABRA? É TODA TUA! – Empurrou-a para cima de mim, deixando-a nos meus braços. – É A TUA PROSTITUTA, ISSO É O QUE ELA É REALMENTE!
Entrou dentro de casa, não fechando a porta, eu pegava nela que se agarrava à minha camisa a tremer.
- NÃO É O QUE QUERES? – Atirou lingerie dela pelo jardim relvado. – É DISSO QUE ELA GOSTA, PORQUE DE RESTO É UMA INÚTIL!
Estava bêbedo e perdido nas palavras, sem noção do que realmente tinha feito. Fechou a porta com toda a raiva que parecia ter, ou que a bebida o fazia sentir.
Sentando-a na minha perna, sangrava da cabeça e quase não abria os olhos manchados de lágrimas e ainda inchados.
- Eu vou-te levar daqui Serena.
- O quê? Da-Darien… eu não posso… - gaguejava à medida que tentava falar. - por favor, vai embora…
- Eu não te posso deixar aqui neste estado. Não digas nada… estás muito fraca.
A tremer de frio, desviei-lhe o cabelo da testa, que tapava uma enorme ferida de onde escorria sangue.
Peguei-a de novo ao colo.
- Nã-não Dare…
E desmaiou nos meus braços. E eu Continuei ali, a segurá-la pelos quadris, fazendo-a encostar a sua cabeça no meu ombro, e mesmo ela desmaiada, tentei mostrar que sempre estaria ali.
Continua.
