Episódio 2: Capitão John Roxton
(Capítulo quatro)
A selva
Roxton caminhava pela selva com as maçãs em suas mãos e o rifle preso no ombro. Ele realmente não poderia explicar por que alguém levaria um rifle quando uma pistola poderia ser muito mais conveniente. Andava em ziguezague em torno das árvores onde ele e Marguerite haviam estado anteriormente. Parou por um momento e, em seguida, ouviu os gritos que Marguerite tinha notado antes. Começou a andar mais e mais na direção com um sorriso malicioso no rosto.
Entrou dentro de uma pequena caverna, olhando para trás para se certificar de que não estava sendo seguido. Depois que chegou ao buraco gigante que ele havia coberto tão bem com sujeira e terra para torná-lo imperceptível, podia ouvir os gritos abafados ainda mais alto. Ele se abaixou e tirou uma pequena placa, e expô o homem sujo lá embaixo. Quando a luz solar penetrou seu rosto, Lord John Roxton estremeceu e não conseguia distinguir quem falava com ele.
"Oh, é bom ver que ainda está vivo" o antepassado de Roxton disse ao olhar para o verdadeiro John Roxton que estava amarrado e amordaçado no fundo do pequeno buraco, grande o suficiente para impedir sua fuga, já que não podia mexer as mãos ou os pés.
"Humm..." foi a resposta abafada de John, coberto da cabeça aos pés com folhas e vestindo roupas que um pirata usaria.
"Entenda, seus gritos realmente não vão adiantar nada" o ancestral de Roxton observou que o caçador estava como o havia deixado alguns dias antes. "Tudo o que você vai fazer é atrair a atenção das pessoas erradas."
"Humm..." veio mais uma reclamação abafada de John enquanto ele lutava para se livrar das cordas. O ancestral de Roxton saltou para dentro do buraco e olhou para o caçador.
"Aqui, uma maçã" ele deixou uma maçã no colo de John. "Agora, se você parar de gritar, vou desamarrar sua boca." John, sentindo o vazio em seu estômago, resolveu que naquele momento, não tinha outra escolha. O suposto Roxton desamarrou o tecido ao redor da boca de John e ele começou a tomar grandes goles de ar. "Veja, não é tão ruim."
"Onde estão meus amigos?" Perguntou John muito fraco e desanimado.
"Oh, não se preocupe. Eles estão bem. E sem saber que há algo diferente." Ouvindo isto, John ficou um pouco triste e se atrapalhou com a maçã, mas lentamente, começou a comê-la. "Especialmente Marguerite." John rapidamente olhou para seu ancestral.
"Eu Juro, se você..." John começou a dizer com a raiva e a irritação já o inundando. Ele foi rapidamente interrompido pelo pano que voltou a cobrir sua boca.
"Acho que é minha hora de partir" o antepassado de Roxton disse ao terminar de reforçar os nós que o prendiam. "Sabe, nunca fui um grande caçador, mas acho que foi porque nunca tinha encontrado a presa certa." John, muito irritado, tentou lutar e gritar, chutando seu ancestral com as pernas amarradas. Ele saiu do buraco e começou a cobri-lo outra vez, deixando John na escuridão.
A casa da árvore
"George, você pode achar que estou louca, mas eu juro, não é o John que está conosco" declarou Marguerite.
"Marguerite, quem mais poderia ser?" Challenger perguntou cético.
"O Capitão John Roxton" Marguerite respondeu enraivecida. "E John provavelmente ainda está lá fora em algum lugar, enquanto o outro está desfilando conosco." Percebendo a hesitação de Challenger em acreditar, ela continuou. "Você notou como ele estava agindo diferente ultimamente? Dormindo até mais tarde, irritando-se com bobagens, e na noite passada, estava olhando um livro sobre piratas. Quando é que John se interessou por piratas?"
"Mesmo assim, Marguerite" Challenger respondeu. "É difícil julgar o homem só por essas coisas. Ele pode apenas estar cansado."
"Isso não é tudo" declarou Marguerite. "Quando eu estava limpando o braço dele hoje, notei que ele não tem a cicatriz no ombro esquerdo onde foi baleado e eu tive que cauterizar. Era como se nada tivesse penetrado sua pele."
"Bem, supondo que você esteja certa, Marguerite" Challenger disse em um tom que parecia estar quase começando a acreditar nela. "Como vamos provar se não sabemos onde o Roxton verdadeiro está?"
"Oh, meu Deus" Marguerite de repente lembrou de quando pensou ter ouvido gritos naquele mesmo dia. "Hoje nós estávamos na selva, e eu ouvi alguns gritos abafados. Quando fui ver o que era, ele me interrompeu, dizendo que não era nada e nós voltamos para cá. Só podia ser o John!"
"Então é melhor ir procurar" disse Challenger. Os dois começaram a pegar suprimentos quando ouviram o elevador subindo. Ambos, de repente, congelaram, incertos sobre quem poderia ser. Mas quando o elevador parou, grandes sorrisos cruzaram seus rostos: eram Verônica e Malone. Mas os sorrisos desapareceram ao notarem as feições da dupla.
"O que houve?" Marguerite perguntou quando os dois sentaram à mesa, sem dizer uma palavra.
"Descobrimos algo na Vila Zanga" Verônica respondeu com todos sentados ao redor da mesa. Finn, que descansava da saída com Challenger, rapidamente se juntou a eles. Verônica e Malone trataram de contar sobre a mulher gritando e a menção das Protetoras por Assai.
"Depois de contar a ela sobre minha mãe e meu papel como protetora, ela nos levou para conversar com os guerreiros" Verônica continuou. "Eles mencionaram algo sobre as protetoras estarem começando a desaparecer, porque a terceira linhagem estava comprometida".
"A terceira linhagem?" Challenger rapidamente perguntou.
"Sim" respondeu Verônica.
"Aparentemente" Malone começou a dizer "uma terceira linhagem foi preservada para ajudar as protetoras contra a linhagem do mal, mas eles não nos disseram de onde vem. Todos disseram que começou a desaparecer e que o mal estava se espalhando pelo platô".
"Mal" Marguerite falou lembrando que seu amado John ainda estava lá fora, em algum lugar, talvez até com seu cruel ancestral. "Challenger, temos que ir agora!"
"Por que, o que está acontecendo?" Finn perguntou ao ver Challenger e Marguerite juntando suprimentos. Challenger parou por um momento.
"Nós acreditamos que salvamos e trouxemos para cá o ancestral de Roxton" Challenger respondeu.
"Seu ancestral?" Malone perguntou.
"Sim, e acreditamos que sabemos onde o verdadeiro Roxton pode estar" ele respondeu e continuou a andar e falar ao mesmo tempo. "Marguerite e eu vamos procurá-lo, mas precisamos que vocês três façam uma coisa..." Ele disse rapidamente que o plano era deter o ancestral de Roxton e distraí-lo. Eles deveriam ficar na casa da árvore e colocar o plano em ação enquanto ele e Marguerite teriam tempo suficiente para rastrear o Roxton verdadeiro. Marguerite pegou algumas coisas e guardou-as na mochila. Carregou sua pistola e colocou-a no coldre.
"Pronto?" perguntou a Challenger.
"Tudo pronto" respondeu carregando um cantil de água, ataduras e alguns mais suprimentos de emergência em sua mochila. "Lembre-se, não o assustem" disse voltando-se para os três que ficariam na casa da árvore. "Nós precisamos dele aqui quando voltarmos."
"Não se preocupe" Verônica respondeu.
"Têm certeza que não querem que eu vá com vocês?" Malone perguntou.
"Não, acho que estaremos bem" respondeu Challenger. "Além disso, elas podem precisar de você aqui para ajudar a contê-lo."
"Oh, eu não acho que teremos nenhum problema" observou Finn, Challenger e Marguerite a olharam divertidos.
"Vamos" Marguerite e Challenger entraram no elevador e rapidamente partiram em busca de Roxton.
