Chapter 11 - Favores.
O moreno ainda não havia acordado. Dean estava confuso e não sabia o que fazer. Sam não parecia estar bem o suficiente para voltar para casa, e seus pais não suportariam a ideia de ter um rapaz bêbado no quarto do único filho.
Dean ainda podia ouvir o ronco alto e pesado de seu pai, enquanto estava sentado na cama encarando o gigante que dormia como uma criança ao seu lado. O loiro suspirou e pegou o livro que estava em sua cômoda, junto com seu celular e os fones de ouvido. Colocou sua playlist para tocar e começou a ler o seu enorme livro sobre a Segunda Guerra Mundial.
Era incrível como música e uns bons livros conseguiam fazer Warner se esquecer de tudo e todos. Não havia mais nada quando ele estava lendo sobre algo que lhe interessava. Eram notáveis os pequenos sorrisos que escapavam em seus grossos lábios enquanto estava com os olhos grudados nas páginas amareladas do livro de biblioteca. Ele se entregava de uma maneira que não é descritível em palavras.
Sam revirou-se na cama, virando para Dean, ainda totalmente apagado. O loiro riu da expressão boba que o moreno tinha no rosto enquanto dormia, ele deveria estar tendo um ótimo sonho. Voltou a ler o seu livro, prendendo-se uma vez mais ao assunto.
–- *** -
Dean ouviu um barulho vindo da cozinha... Sua mãe estava acordada. O que significava que seu pai logo estaria também. O loiro desligou sua música e fechou o livro, colocando-os de volta na cômoda. Arrumou o cobertor sobre o corpo enorme de Sam, penteou os cabelos e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.
Ele desceu as escadas. Suas mãos estavam trêmulas. Ele já sabia o que viria a seguir, e não seria coisa boa.
– Bom dia, mãe – Dean disse com uma voz culpada. A mulher não olhou para ele e continuou fritando algo na frigideira.
– Onde você foi na noite passada, Dean? – Sua voz era áspera e surtiu o mesmo efeito de um tapa na cara do loiro.
A repulsa na voz da mãe era algo novo para ele. Digo, ele já estava acostumado com a falta de carinho e afeto, as palavras grossas e estúpidas, mas nunca esperava ouvir sua mãe com esse tom de voz. Aquilo machucava mais do que qualquer outra coisa.
– Fui a uma festa – Ele respondeu com a voz trêmula.
– Com quem, posso saber? – Ela manteve o mesmo tom em sua voz, ainda sem se virar para seu filho.
– Com o Sam, mãe –Ele mentiu, mas isso já lhe daria um álibi para o fato de o moreno estar de ressaca em seu quarto.
– Você não deveria ter saído daquele jeito, Dean. Você sabe como seu pai fica – A voz da mulher falhou um pouco, mas ela limpou a garganta e continuou – Onde foi essa festa?
– Foi perto da praia. Mãe, a senhora está bem? – Dean percebeu a falha na voz firme da mãe.
– Estou.
– Estou encrencado?
– Muito. Mas não por minha parte. Eu não ligo de você ir para festas com seus amigos, menos quando está em semana de provas, é claro. Mas me prometa uma coisa, ok? – A voz de Ellen estava mais suave, quase doce.
– Claro, qualquer coisa – O loiro estava surpreso.
– Não saia mais daquele jeito quando seu pai estiver em casa – Ela se virou para o garoto e Dean levou uma mão à boca, segurando um grito de espanto.
Ellen estava com os lábios inchados e vermelhos, com um corte escuro no canto de seu lábio inferior. O rosto vermelho, onde se encontrava claras marcas de dedos e um enorme galo em sua testa. Estava horrível.
– Mãe? Ai meu Deus, a senhora está bem? – Dean correu até ela, pegando um pano úmido que estava em cima do balcão e pressionando na testa da mulher.
– Estou bem. Para, Dean – Ela se esquivava do pano, jogando-o longe por fim.
– O que aconteceu? – Os olhos grandes e verdes do garoto estavam grudados nos dela, brilhando enquanto esperavam impacientemente por uma resposta.
– Nada que eu não possa lidar – Ela tentou um sorriso para consolar o filho, mas não era muito boa nisso – Agora... Tem mais alguma coisa que eu precise saber?
– Na verdade, tem sim...
– O que foi? – Ela bufou, esperando.
– O Sam ficou bêbado e está desmaiado na minha cama.
– Você só pode estar brincando comigo.
– Não estou, desculpe.
– Tudo bem... Só tenha certeza de que ele esteja fora daqui, ou que pareça bem para quando seu pai acordar – Ela passou a mão pelos cabelos. Parecia estressada.
– Sim, senhora – O loiro respondeu e voltou ao quarto, para ver como Sam estava.
O moreno ainda dormia, mas quando Dean fechou a porta do quarto, o Winchester acordou. Não parecia saber onde estava.
– Você está bem, Sam? – Warner perguntou preocupado, vendo que o moreno parecia um pouco enjoado.
– Não muito. Onde eu estou?
– No meu quarto... – Dean sentou-se na cama e colocou a mãe levemente sobre a testa do moreno, vendo se estava quente – Você não se lembra de nada, não é?
– Não – O moreno apenas encarava o simpático rapaz de cabelos loiros e óculos que escondiam seus belos olhos verdes. O loiro agora sorria de leve para o moreno, lançando-lhe um olhar preocupado e solidário. Sam perdeu-se por um momento no sorriso do loiro, tentando decifrá-lo. Não conseguiu – Quero dizer, eu tenho algumas memórias, mas não podem ser reais, não é? Não podem...
– Não sei se as suas lembranças são as mesmas que as minhas, mas não importa. Está tudo bem – O sorriso de Dean aumentou significativamente e ele piscou para Sam, levantando-se da cama e andou até guarda-roupa.
– Por que está sendo tão legal comigo, Dean? – O Winchester estava confuso, e encarava as costas do loiro que pegava algo em seu guarda-roupa.
– Não é grande coisa – Warner pegou uma camiseta cinza e jogou para Sam. O sorriso grande do loiro, agora se transformou em um sorriso envergonhado e pensativo.
– Está bem, tanto faz então.
– É, claro... Tanto faz. É o seguinte, Sam. Eu estou realmente encrencado e preciso da sua ajuda.
– O que foi, Warner?
– Eu preciso que você tome um banho, coloque uma roupa limpa e pareça apresentável. Vamos descer e você vai tomar o café da manhã como se estivesse comendo com a rainha da Inglaterra, entendeu?
– Mas por que, Dean? – O Winchester o olhou nos olhos, tentando decifrá-lo, mas era quase impossível.
– Olha... As coisas aqui em casa não são bem definidas pela palavra "estável" e muito menos pela palavra "confortável", ok? Não sei como explicar, mas eu realmente não tenho um lar. E quando você descer, pode ficar um tanto chocado com o clima, mas preciso que você aja naturalmente e que diga que veio aqui para me entregar alguns materiais – Dean suspirou olhando nos olhos verde-azulados do moreno – E se você fizer isso por mim, eu vou ficar realmente agradecido.
– Dean, eu... – Sam não sabia o que responder, mas não se deixou abalar pelo que o loiro lhe disse – Por que eu faria isso?
– Porque eu salvei a sua pele ontem, Sam! - Dean não gritava, mas seu tom de voz estava alterado e seriamente áspero – Eu venho aturando os seus abusos desde que eu consigo me lembrar. Você, acima de todos, é o mais estúpido comigo e o que eu faço? Eu te ajudo, não é? Eu pego você bêbado na praia, quase caindo de cara na areia e te levo para a minha casa que é de longe o pior lugar que eu poderia ter te levado, porque eu vou me ferrar tanto por causa disso, e tudo isso porque eu não queria que você se encrencasse. Eu te protegi, Sam! O mínimo que você poderia fazer é não agir como um completo idiota pela primeira vez na sua vida.
– Ok, me desculpe – Sam sentia-se culpado. Por que ele sempre fazia isso? Por que ele sempre tinha que mostrar que era o macho Alfa? Que droga Sam.
O moreno encarava os olhos intensamente verdes do loiro, que demonstravam o desespero que ele sentia naquela hora. O Winchester se levantou e andou até a porta do banheiro.
– Pode me emprestar uma toalha, por favor, Dean?
– Claro – O loiro estranhou a educação, mas sorriu para ele – No armário do banheiro, embaixo da pia, tem uma toalha verde. Pode usá-la.
– Obrigado e... Talvez alguma roupa? – Sam tentou sorrir envergonhado. Dean riu e andou até as gavetas de sua cômoda, lançando uma calça e uma cueca boxer ao moreno.
– Valeu.
Continua...
