Capítulo 11

Depois do choque inicial de ver a marca negra pairando em cima da Toca e do horrível reconhecimento do fato de que Gina estava nas mãos de Comensais da Morte perigosos e sedentos de vingança, a família Weasley – juntamente a Harry Hermione e Snape – começaram a planejar uma forma de salvá-la. Todos estavam desolados, pois reduziram a proteção da Toca, baixando a guarda após a morte de Voldemort; sobretudo o sr. e a sra. Weasley não paravam de se recriminar acerca deste fato.

- Eu achei que estávamos seguros, isso é culpa nossa Arthur! – Molly choramingou, mais uma vez. – Diminuímos os feitiços que protegiam a Toca, para facilitar as visitas através da rede de flu, muitos parentes vieram quando souberam da morte do nosso Fred...

E a bondosa senhora pareceu duplamente arrasada, pela morte de seu filho e pelo sequestro da caçula.

- Não a culpa disso é minha! Ela foi sequestrada por minha causa... – Harry colocou em palavras a sua dor.

- Não acho que isso faça tanto sentido. – argumentou Gui Weasley. – Gina e Harry só voltaram a ficar juntos há alguns dias, ele passou todo o último ano longe dela.

- Sim, Arry estava com Rony e Hermione. – Fleur apoiou o argumento do marido.

- Faria muito mais sentido de houvesse uma tentativa de sequestro de um dos dois. – Arthur Weasley ponderou. – Eles sabem que Harry viajou com Rony e Hermione para buscar as Horcruxes. Os comensais da morte os sequestraram juntos e os levaram para a mansão Malfoy.

Snape parecia muito desconfortável na cadeira. Ele sabia que Hermione sempre fora um alvo para os comensais da morte, devido a sua relação com o Eleito. Se agora os comensais estavam na ativa, mesmo após a morte do Lorde das Trevas, e estavam sequestrando pessoas próximas a Potter, certamente Hermione era uma possível vítima. Ele teria que pensar em uma maneira de protege-la melhor até que a maioria dos comensais fosse capturado pelo Ministério da Magia.

- Eu sei porque Gina foi sequestrada. – Hermione falou, interrompendo os pensamentos de Severo e chamando a atenção de todos os presentes. – Eu vim pra cá hoje, porque Gina me enviou uma carta pedindo que eu viesse. Ela parecia muito desesperada, então vim imediatamente.

Todos a olhavam ansiosos.

- Gina está grávida. – Hermione Granger disse de uma vez. – O que os comensais da morte querem não é Gina e sim o filho do Harry, o filho do Eleito.

- Grávida? – perguntou Harry muito baixo, quase em um sussurro. Os olhos verdes arregalados olhavam pra sua melhor amiga, como se esperassem que ela desmentisse.

- Como ela pode estar grávida? – Rony perguntou mais alto, com uma expressão abobada.

- Adivinhe, espertalhão! – comentou Jorge, com seu humor sagaz, com a voz baixa para que os pais não ouvissem.

E de repente, todos no cômodo olhavam para Harry Potter, que não parecia ter coragem para encarar mais ninguém. Ele apenas murmurou:

- Então É culpa minha!

- Não é sua culpa, Harry. – Arthur Weasley assentiu. – Bom, pelo menos não o sequestro.

Todos entenderam que ele concedera que o sequestro de Gina não tinha sido culpa de Harry, mas que ele acreditava que o rapaz (bem como sua filha, é claro) tinham culpa em alguma coisa. A postura do sr. Weasley era bem óbvia e justificável. Que pai iria querer que a filha engravidasse antes mesmo de terminar a escola?

- Leia para nós o bilhete. – Molly Weasley se voltou para Hermione. – Talvez dê alguma pista de onde ela possa estar.

Hermione pegou o bilhete que estava dobrado em seu bolso direito. Ela leu em voz alta, enquanto todos no cômodo a olhavam atenciosamente.

- Ora, nós não iríamos matá-la. Muito menos Rony. – Sra. Weasley ponderou indignada. Ron fez um ruído estranho. – Com certeza é um pouco cedo pra isso. – Seus olhos de censura se voltaram para Harry. – Mas nós vamos dar um jeito, nossa família sempre deu um jeito.

- Nós teremos muito tempo pra discutir isso mais tarde. E pode acreditar que nós vamos, Harry Potter. – disse o sr. Weasley, muito sério. – Agora é hora de salvar Gina. Fico muito feliz que esteja aqui Snape, o que acha que aconteceu?

Todos voltaram os olhos para Severo Snape. O homem ponderou durante alguns segundos, então um brilho sagaz se iluminou em seus astutos olhos negros.

- Os Comensais só podem ter sabido através desta medibruxa que fez o teste de gravidez na srta. Weasley, pois certamente não souberam por Hermione e ninguém mais tinha conhecimento desse fato. – Snape começou. – Existe uma mulher que trabalha nesta função no St. Mungus e que é bastante ligada aos Malfoy. Tenho certeza que ela avisaria Lucio de algo assim.

- Malfoy. – Sr. Weasley e Rony murmuraram ao mesmo tempo, com um desgosto idêntico estampado no rosto.

- Tenho certeza que desde que bem recompensada financeiramente, essa mulher permitiria que Lúcio ou outro comensal utilizasse, na surdina, a lareira do hospital para chegar aqui via rede de flu. A lareira do St. Mungus tem acesso relativamente fácil às casas bruxas cujos feitiços de proteção mais eficazes estão inativos, a finalidade original é propiciar aos medibruxos uma maior agilidade para socorrer seus pacientes. - Snape explicou. – Acredito que a srta. Weasley não esteja na Mansão Malfoy, que nesse momento é um local muito bem vigiado pelo ministério, e Lúcio não correria o risco de ir até lá, podendo ser preso. Lúcio está foragido, assim como outros. Mas acho que sei onde ele se esconde e posso ir até lá.

As mãos de Hermione voaram para o braço dele, como se tentassem segurá-lo. Ela não queria que ele partisse em uma missão como aquela, não suportaria perde-lo após o fim da Guerra.

- Se você vai, eu vou também! – Hermione o olhou intensidade.

- Nem pensar. – o homem negou, imediatamente, com a voz ríspida de terror ao imaginar Hermione a mercê de comensais da morte.

- Eu sou uma bruxa talentosa. – ela disse, deixando qualquer modéstia de lado. – Eu me recuso a ser tratada como uma mocinha em perigo, Severo, eu posso protege-lo.

Severo Snape encarou a jovem, completamente encantado. É claro que ela era uma excelente bruxa, ele se inflamava de orgulho de estar com uma mulher forte e inteligente como Hermione. O seu coração se aqueceu de uma maneira que ele achou ser impossível, ao ouvir a moça dizer que iria protege-lo. Severo nunca havia sido protegido antes, por ninguém. Ele se encheu de ternura, acariciando docemente o rosto de Hermione. A moça beijou um de seus dedos.

De repente, todos olhavam atordoados para o casal. Com a notícia do sequestro e da gravidez de Gina, ninguém prestara realmente atenção em Severo Snape e Hermione Granger. Agora todos os presentes olhavam para a cena completamente pasmos. Estava evidente que eles estavam juntos.

- Hermione vai, então. – ele consentiu. Tirando a todos do torpor de observar o casal.

- Eu também vou. – disseram Jorge, Rony e Harry.

- De jeito nenhum. – Molly Weasley disse para os três.

- Mas Hermione vai... – reclamou Rony.

- Na verdade, um grupo menor pode permitir que entremos mais sorrateiramente no esconderijo. – Severo Snape ponderou – não podemos ir em mais do que dois ou três. Além disso, é melhor que Potter não vá; Lúcio vai enfiar uma faca na barriga da srta. Weasley assim que o vir. O que ele quer é vingança.

- Eu non compreende. – Fleur começou a falar. – Can certeza Arry non planejou este filhe. Gine está grávide há pouco tempe. Por que Lucio pense que interromper a gravidez tan inicial de Gine vai atingir Arry?

- Porque um comensal da morte, ainda mais um inteligente e perspicaz como Lúcio Malfoy, sabe que eu não tenho família. Sabe que meus únicos parentes vivos são trouxas que me odeiam. – Harry falava baixo, mas a voz estava nítida. Ele olhava para baixo sem encarar ninguém. – Sabe que eu agarraria com todas as minhas forças a possibilidade de ter um filho, de ter alguém com o meu sangue que eu ame e que possa me amar também. Tudo que eu sempre quis foi uma família.

Todos olharam para Harry Potter. Pela primeira vez Severo Snape sentiu uma real empatia pelo garoto. Ele também era só, não tinha família. Todas as crianças que crescem sozinhas, rejeitadas pelos pais ou familiares, sonha em construir uma família amorosa.

- Ah Harry. – disse sra. Weasley, o rosto cheio de lágrimas, abraçando o menino que sobreviveu – Você faz parte da nossa família, agora mais do que nunca. Nada vai acontecer a Gina ou ao bebê. Hermione e o professor Snape vão salvá-la.

- Eu vou com vocês. – disse Arthur Weasley, se voltando para Hermione e Severo.

O casal assentiu e os três partiram imediatamente, se despedindo da família Weasley e de Harry Potter. Os que ficaram, permaneceram todos juntos na cozinha da Toca, esperando o regresso de Hermione, Snape, Arthur e Gina. Em meio ao nervosismo relativo ao resgate da caçula da família Weasley, os presentes não deixaram de comentar o quão surpreendidos ficaram ao ver Hermione e Severo Snape agirem daquela forma um com o outro.

- Eles estão juntos? – Rony questionou, para ninguém em especial. Todos sabiam a quem ele se referia. – Quer dizer, como um casal?

- Foi o que pareceu, não é? – Harry respondeu, mas parecia assombrado.

- Nunca vi aquele homem agir daquela forma. – Molly ponderou. – A maneira como ele acariciou o rosto dela...

- Parecia até outra pessoa. – concordou Gui Weasley.

- Ela o enfrentou, disse que iria junto com ele resgatar Gina. Ela disse que iria proteger ele, proteger Severo Snape. – Rony disse, como se dissesse que um peixinho dourado protegeria um tubarão.

- E ele permitiu. – Jorge continuou. – nem a colocou em detenção.

- Ele non é um pouco velhe pra ela? – Fleur ponderou.

Os presentes viraram-se para ela, isso era o que todos estavam pensando.

- Sem dúvida. – Molly comentou. – Mas acho que me assombra ainda mais o fato de ser Severo Snape.

- Bom, acho que ele merece ser feliz não é? Ela também merece. – Harry raciocinou. – O que podemos fazer se eles encontraram isso um no outro?

- Sim. – concordou Molly Weasley, que tinha Hermione como uma filha. A senhora se voltou para Rony e Jorge, advertindo-os. – Não quero que nenhum de vocês diga nada assim a Hermione, estamos entendidos? Ela não merece nada menos que o nosso apoio.