Por Amor

Capítulo 11:

Noite Ácida

By: Anna Lennox

Beta: Fab Lang


-É bela...belíssima!-comentou a jovem, com um brilho deslumbrado nos olhos. -Em todos esses anos, jamais presenciei beleza tão ingênua e cálida.

Fazendo um grande esforço para não soltar um impropério, Yé fincou as unhas grandes na palma da mão esquerda. A dor não a incomodava mais do que a dissimulação que tentava aparentar. Na verdade, estava enciumada, possessa, mal-humorada, querendo a todo o custo tirar aquele brilho no olhar de todos que fitavam a jovem imperatriz.

Não seria fácil depor a usurpadora. Todos estavam simplesmente apaixonados pelo jeito simples e delicado em que ela destinava a cada qual, inclusive ela.

Todavia, não estava caindo de amor e nem com estrelinhas nos olhos. A cada momento a certeza de que teria que tirar ela de seu caminho ficava mais forte.

-E você, senhora Bái, o que achou de nossa imperatriz?-perguntou a afetada Meiling, prima distante de Shoran que nunca fora grande coisa e que agora pensava ser importante. Para sua sorte, ela não a reconhecera. Era melhor assim, por enquanto. Mas um dia não haveria um na China que não saberia quem era ela.

-Simpática.-falou em tom neutro, quase engasgando com a própria palavra.

-Apenas simpática?-perguntou a outra novamente sem esconder o estranhamento e curiosidade.

Mulheres eram falsas amigas, à espreita de um deslize apenas. Não cairia no jogo da morena, de grandes olhos castanhos. Diria o necessário sem deixar revelar seu verdadeiro sentimento.

-Eu não a conheço.-falou enchendo o copo de vinho, bebendo de uma só vez, armando-se de cinismo e falsidade.-Nem ao menos troquei uma palavra...Bem...eu...

-Que não seja por isso.-falou a menina maluca pegando as mãos de Yé.-Vou apresentá-la a Sakura, só assim você poderá falar dela com carinho que só ela merece.-concluiu arrastando a mulher para fora do salão em que os alaúdes tocavam e velha serva cantava uma melodia simples.

Sem saber o que pensava, Yé se deixou levar. Não estava em seus planos. Queria primeiro encontrar Shoran e depois sim ter uma conversar séria com a jovem imperatriz. Expor-se, avisá-la que estava ali para competir e que sairia vencedora daquela batalha. Contudo não era bem assim que o destino queria, e não seria a ela a contestá-lo.

Sorrindo satisfeita, Yé não emitiu nenhum gemido. Estava próxima. Faltava pouco.

OooooO

Sakura sorria sem vontade, empenhando-se em acompanhar o ritmo do raciocínio lento e nada engraçado da inglesa, mulher do emissário da embaixada britânica. O mandarim forçado e a falta de tato a constrangiam, a ponto de querer sair correndo e se refugiar na escuridão de seu quarto.

Estava nervosa, sentia-se uma idiota, uma atrapalhada, não sabia o que falar, não sabia como agir. Apenas sorria, falava quando era pedida sua opinião. Mantinha o queixo erguido e postura ereta. Ignorando a dores fortes nas costas e vontade imensa de pular no colo do marido.

Shoran...pobre Shoran, pensou Sakura olhando na direção do marido. Ele estava lindo, forte, a face estava inalterada e o brilho indecifrável nos olhos. Ele não estava feliz... ele queria fugir. Podia ler em seus lábios, todas as vezes que ele a encarava.

Era constrangedor.

Porém aquela era a obrigação de ambos como chefes de uma nação.

-Não é mesmo, querida?- indagou Martah Callahan, manifestando com alguns gestos exacerbados.

-Sim.-respondeu sem ao menos saber do que se tratava tal indagação.

-Seria esplêndido, não apenas para escola, que é uma instituição seriíssima, mas para a formação como ser humano para o bebê que certamente terá em breve, querida.-respondeu sem vacilar, a inglesa loira, com nariz pontiagudo e olhos castanhos claros com um entusiasmo que fazia o estômago de Sakura revirar.

Limitando-se a sorrir, não queria que por hipótese alguma transparecesse em sua face, a confusão que estava em sua alma. Mesmo tendo a certeza de que já estava grávida; o medo da esterilidade não a abandonava por completo.

Só de pensar que tinha o ventre seco, seu estômago se contorcia como se tivesse levado um soco. Não queria refletir, pois sabia que não era capaz de enfrenta tamanha dor. Dar a vida ao ser feito por ela e Shoran seria o milagre que tanto queria presenciar...aquele seria seu maior presente. O mais aguardado e desejado.

-Imagino que esse colégio seja uns dos melhores da Grã-Bretanha.-comentou a anciã, esposa do engraçado Pei Ling, que sempre detinha um sorriso caloroso e especial.

Estava certa que a senhora nada tinha de simpática. Na verdade parecia racional, fria e calculista. A face era seca e os olhos nada transmitiam. O modelo de mulher que ela, Sakura, devia ter como exemplo.

-Nã-ão tenha dúvida, senhora Ling.-falou a mulher com arrastado mandarim.- Em England School só a alta estipe de Londres tem acesso.

Distante, Sakura voltou ao olhar para o marido, dessa vez ele sorria, mas sem vontade. Estava atraente, a veste real, ou mais conhecido Chao Guan, pois a coroa combinava com a túnica preta sem quase nenhum detalhe, a não ser pelo dragão verde com incríveis olhos vermelhos. O ombro forte, as mãos ágeis, que por diversas vezes a tocara intimamente. Como o queria ali, segurando suas mãos e beijando sua testa, transmitindo segurança e paz, algo que não sentia fora de seu quarto.

-Contudo acho que a ida de um membro da família real para outro país mesmo que for por outros fins, não será bem quista.-disse Changya à Loira Isso iria contra a nossa lei...

-É tempo de mudança, não dá mais para China pensar isoladamente. Ela tem que reagir, para assim construir uma nação coesa e aberta.

-Não é de nossa natureza abandonar nossas tradições.

-Não é do interesse da Grã-Bretanha mudar a cultura da China, queremos apenas...

-Roubar nossa identidade.-cortou Sakura, entrando na discussão iniciada pela velha anciã. Já estavam querendo tirar o seu direito de mãe sendo que nem estava grávida. E o último lugar que mandaria seu filho seria a Inglaterra.

-Claro que não!-rebateu a mulher acuada.- Apenas quero mostrar que há um mundo fora dessa cidade, e que esse é o momento da China mudar ou se fechar para sempre.

-Se fechar não mais cede ao protecionismo de algumas nações, então que a China então fique parada no tempo.-falou concisa.-Temos nossas próprias leis, senhora Callahan.

Constrangida, a inglesa abaixou a cabeça.

Congratulando pelo seu o alto-controle, Sakura sorriu. Respondeu sem ao menos gaguejar, colocando com clareza sua linha de pensamento, deixando transluzir uma imperatriz forte e que sabia do desejo de seu povo. E esse nada dizia a favor da embaixada Britânica.

-Creio que esse não é o momento para interseções políticas.-falou Changya colocando panos frios no ânimo de Sakura.- Vamos deixar isso ao encargo de nossos homens.-sorrindo seco, Changya olhou para Sakura, orgulhando-se por ter uma imperatriz de fibra, que não tinha medo de expor seus sentimentos.

A menina com a idade de sua neta mais nova tinha ganhado seu respeito e admiração, coisa que nem mesmo suas sete filhas foram capazes de conseguir.

-Acho que tem razão, senhora Ling.-falou Sakura em um tom doce.-Se me permitirem vou ao jardim de inverno respirar.-falando em tom casual e intimo concluiu.-Esse espartilho parece que vai me repartir em duas.

Rindo, Sakura se afastou.

Andando com cautela para não machucar mais os pés já tão judiados pela sapatilha apertada, entrou no corredor secreto que dava para o jardim. Lá certamente teria companhia, mas não seria autoritária ou arrogante. E se fosse responderia, com um sorriso implorando para Buda para que aquela noite tivesse um fim amistoso.

OooO

-Ora, Jardim de inverno?-indagou Meiling em voz baixa no qual nem mesmo a acompanhante gestante poderia ouvir. Era um tanto estranho, sem comentar que estava irritada. Sakura parecia estar fugindo.

Certo não eram melhores amigas...nem sequer se conheciam. Mas eram parentes, e ela poderia ao menos ter o bom-senso de ficar ao seu lado, afinal era uma das mulheres mais desejada da China. Tinha classe, nome, beleza e status.

-Quando chegarmos lá, ela estará no Jardim da primavera. -resmungou irônica, Yé.

-Você esperava o quê?- perguntou fazendo um bico.-Ela é a Imperatriz. Várias pessoas requisitam a presença dela...ela não pode...

-Quem está questionando aqui é você, senhorita.

Sem-graça, Meiling começou a descer degrau por degrau da escada. Existia algo naquela mulher que a intrigava...era o olhar, o modo de falar, até mesmo o jeito que balançava a cabeça. O mistério a cativava, ainda mais sabendo que teria muito a conversar com as suas amigas.

-Que seja, senhora Bái.-falou em suspirou cansado.

Olhando para o jardim cheio de luminárias, Yé vibrou. Lá estava a sua presa... Tão bonita, pura, com um sorriso que desarmava qualquer bandido, mas que logo perderia um pouco do brilho e da felicidade.

Roubaria tudo o que era dela... e depois a mataria. Era essa sina que aquela sujeita merecia, enfim ela tinha tudo que Yé sempre sonhara.

OooO

Sakura acariciava o pequenino cachorro, não se importando nenhum pouco com suas roupas caras, que poderiam ficar inutilizadas se caso um "imprevisto" acontecesse.

Roupas não lhe faltavam e nem lhe faltariam. Acariciar um ser que acabava de chegar ao mundo não tinha preço e certamente se arrependeria se não o fizesse.

Ele era tão feio, mesmo banhado e com um lassinho preço no pescoço. O que não deixava desamparado. O que ele não tinha de beleza, tinha de carisma. Era filho da sua cadela Yay com o Jey, seu velho cachorro.

-Qual o nome que devo dar a ele, Ama?-perguntou Sakura à senhora, cujos olhos estavam perdidos no horizonte.

-Não sei, querida.

-Ah! Pára de ser chata, Ama.-falou Sakura num gritinho observando os outros filhotes morderem sua sapatilha.

-Certo!-falou calma.-Que tal Ban Shou?

-Ban Shou?

-Sim. É engraçado e espirituoso igual a ele. -disse a senhora pegando o pequeno no colo.

-Sim...é jocoso.-concordou sorrindo.-Então será Ban Shou.

Soltando o filhote, Ama olhou para entrada, onde Meiling e uma estranha adentravam. Um mau pressentimento se apoderou de seu coração a deixando inquieta.

-Sakura.-chamou a senhora, encarando Meiling e seguida a jovem, o brilho pilherio naqueles olhos fizeram suas pernas bambearem.-Sakura...

Colocando os filhotes ao lado da mãe, Sakura virou na direção da Ama.

-Tens visitas.-completou a Ama, olhando fixamente para a ondulação da barriga da enigmática mulher.

A paz havia acabado, pensou cheia de persa, andando até a Ama, conseguindo identificar apenas sombras.

Sombras?

Aspectos que enchiam seu peito de maus pressentimentos.

"Venha, venha, venha até mim, minha pequena feiticeira..."

Fechando os olhos, Sakura viu o relógio dá água, ele a chamava...chamava...como da ultima vez.

Impedindo que pânico contaminasse seu corpo, continuou a andar com um sorriso simulado nos lábios.

"Preparando para fazê-la forte e capaz de enfrentar as provações que vão aparecer pelo seu caminho."

Não, não, relógios não falam.

" E esse dia chegou!"

Com passos fortes, parou ao lado da babá.

-Meiling e sua amiga querem falar com você.-anunciou sem um pingo de gentileza.-Vou está perto para se caso precisar.

Dispensando a empregada com um simples gesto, Sakura olhou para a estranha Meiling, a morena de olhos amendoados, parecia querer sempre estar a seu lado, o que era simplesmente irritante. Não gostava do jeito simplório e vulgar com que ela levava a vida, até mesmo Shoran já a havia alertado sobre a personalidade falha da prima distante. Já a outra... Sentido os olhos arderem e o coração acelerar, Sakura percebeu que não a conhecia. Era bonita, porém não era isso que a amedrontava.

Era algo que não tinha explicação.

Era um aviso da alma.

-Pelo visto Yay teve filhotes.-diz Meiling simplesmente.-Espero ganhar um filhote.-concluiu direta, sem meia palavra.

-Não...Não sei se vou doá-los.-respondeu Sakura com falsa cerimônia.-Talvez sejam os últimos herdeiros do meu velho Jey, e os quero ao meu lado.

-Nunca vi uma Imperatriz tão sentimental.-brincou.

-Pelo visto conheceu muitas, Meiling. -revidou cáustica, mas sem perder a doçura.- Espero que me ensine, pois nessa arte ainda sou novata.

Sem ação, Meiling olhou para Yé e andou pelo jardim, que por sinal era bem cuidado, feito com o devido esmero. As tulipas floresciam, e as rosas dos mais diversos tipos de cores estavam por todas as partes, as centenárias seringueiras já com algumas folhas secas. As estátuas de pedra sabão, estavam puídas e as de aço brilhavam, refletindo a luz da lua.

-Eu é que devo ser sua aluna, Imperatriz.-contornou Meiling, com os olhos baixos, e de certa maneira, envergonhada.

-Receio não ser uma mestra exemplar, porém terei um imenso prazer de recebê-la sempre no meu palácio, afinal fazemos parte da mesma família.-falou tolhida e encarando Yé, que nutria o mesmo brilho desafiador no olhar.

Erguendo o queixo, Sakura lançou um olhar inquiridor à mulher. Não estava gostando do modo que era analisada pela a estranha. Aquilo era um teste? O que ela queria?

Existia uma ameaça velada no ar.

-Seria lisonjeiro de sua parte, Impe...

-Por favor, Meiling. Espero que me trate com respeito que se deve, mas não quero formalidade, chame pelo o meu nome.

-Sim Sakura!-falou risonha, sentido o peito crescer de orgulho. Segurando a mão de Yé, voltou à nova amiga.

Yé controlava a ira que ameaçava tomar conta de seu corpo. O despeito a cegava, a raiva preenchia todos os poros de seu corpo com espinhos afiados e a amargura contraia suas amídalas.

Sakura não era a mulher frágil que tanto imaginara. Poderia ser estúpida, sem-graça, mas tinha carisma e beleza. Sabia como se portar, como falar e tinha aliado fiéis que sem dúvida, colocar-se-iam como obstáculos em seu caminho.

Paralisada, manteve o olhar firme e decidido, não desviando por nenhum momento da tão Poderosa Imperatriz de toda China. Percebia cada ondulação do corpo da rival, interpretava os seus gestos e podia ler que por de trás das palavras de efeitos, que tanto encantava a estranha Meiling, existia uma pessoa insegura e medrosa, mas que jamais abaixaria a cabeça para quem quer que fosse.

Não tinha nenhuma dúvida...

Abaixando os olhos para o ventre da imperatriz, Yé soltou uma leve gargalhada ao percebendo que ela protegia justamente a barriga com as mãos, pressagiando que ali seria um território infértil.

Venceria a batalha. E ela não seria a vilã, já que a própria imperatriz anularia todas as possibilidades de um dia vencer e prosperar.

-Sakura, queria que conhecesse minha amiga, Yé Bái.-falou Meiling já sem nenhuma formalidade, forçando Yé a se aproximar mais de Sakura.

Cumprimentando com um simples gesto de cabeça, Sakura observou que o clima ameno tinha dado lugar ao vento cortante e frio. O cabelo antes preso em coque, deixava alguns fios rebeldes escaparem, tampando a visão, contudo não privando de sentidos. Estava horripilada. A garganta estava seca,o ventre ardia e o sangue parecia escapar de seu corpo.

-É um prazer conhecê-la, imperatriz. -falou rouca, deixando a ironia de lado, se munindo de simpatia, algo que não tinha. -Esperei tanto por esse momento...-concluiu lentamente, falando palavra por palavra.- Que nem tenho palavras para expressar o que sinto.

Sorrindo, apertou mais o ventre, a dor era quase insuportável, como cada um das palavras doce de Yé tivesse tido o efeito acido em seu estômago. Encorajando se a ficar de pé, falou:

-Fico enternecida pelo o seu carinho.

-Temos muito em comum.

-É.

-Sim!- falou dissimulada, tocando o ventre.-Se meu bebê for menina darei o seu nome a ela.

Calada, Sakura desceu os olhos para a barriga de Yé. Engolindo seco, forjou em sorriso que estava bem longe de ser natural.

Vidrada no ventre volumoso, sentiu os olhos encherem de lágrimas, a voz não saia, e os pés pareciam estar colados ao chão.

Fechando os olhos, Sakura sentiu o corpo rodopiar no espaço.

-Você está bem, Sakura?-perguntou Meiling, assustada com a palidez da imperatriz, segurou-a pelos braços.

Caindo lentamente, não focalizou nada a não ser a escuridão. Estava morrendo...estava secando.

OoooO

Nada é mais prazeroso do que o sabor do reconhecimento, pensou Shoran entornando mais um copo de vinho. Estava nas nuvens, e não queria descer de lá por hipótese alguma.

-Xiaosheng, acho melhor que pare de beber! - aconselhou o Eunuco sussurrando as palavras.-Os convidados já estão percebendo...

-Que percebam, ora!-resmungou enchendo o copo de vinho.-Estou no meu direito, sou o imperador e ninguém tem o direito de me censurar!.- concluiu secamente.

Despejando mais álcool em seu organismo, Shoran gargalhou ao ver o Eunuco se afastar rapidamente. Era melhor assim, estava se sentindo bem agora, após vários copos de vinhos. Tinha se livrado da timidez e do medo, deixando seu lado empreendedor dar a vazão. Estava conseguindo articular bem às palavras sem deixar nada a dever, a não ser para o seu ego machucado.

-Dez desertores foram capturados e mandados para Jun Tai.-comentou Ting com um simples sussurro.-Estamos em um impasse, Xiaosheng.

Estava tendo que cortar da própria carne, pensou Shoran engolindo seco, sentido o gosto amargo na boca. É tudo isso porque tinha o dever moral de punir aqueles que lutavam apenas para libertação de suas terras!

Dever moral?

Não, não era dever moral, gritou sua alma lerda com o efeito ácido do álcool. Era o seu dever com a Inglaterra. Teria que jogar pano frio no âmago de seu povo, tendo a triste tarefa de pisar no nacionalismo, esquecendo que um dia foi mais um deles.

Era isso ou entrar mais uma vez em conflito, que apenas traria tragédia, fome e morte. Para um povo faminto e maltrapilho, cansado de tanta concessão. Tinha que restabelecer a economia para assim reaver os territórios espoliados.

Baixando a cabeça, Shoran entornou mais um copo de vinho.

-Não queria que fosse assim...-murmurou envergonhado.-Mas não posso coordenar uma revolta. Não nesse momento, não agora...seria suicídio!

-Eu sei, Xiaosheng.- disse o conselheiro compassível.-Mas a população não sabe...

-E é isso que me faz ficar mais colérico.

- Temos que abranger um exército forte, independente e capaz de derrotar quem quer que seja. -opinou o velho batendo os pés no ritmo da melodia que suava por todas as partes do salão.

Quieto, Shoran levantou-se, precisava respirar, algo que não acontecia ali, no meio de tanto interesse e fumaça de tabaco.

-Xiaosheng...

-Estarei no jardim, Ting.-falou rouco.-E não quero ser incomodado por nada e nem por ninguém.-concluiu em tom cortante.

-Mas é o brinde...

-Não me importo.

-E o embaixador...

-Invente uma desculpa plausível. -ordenou se distanciando. -Quero apenas paz, Ting, essa não foi à noite que idealizei por anos a fio.

Ting acompanhou o amigo com os olhos pesados e cansados. A euforia da noite passada cedera lugar à obrigação com milhões de pessoas, que tinham depositado mais do que a esperança no reinado de Xiao. Estavam reprimindo a população revoltada com os desmandos da grande Inglaterra. Estavam quebrando a primeira promessa. E esse estigma nunca os abandonaria.

Shoran tinha a razão de se inquietar, de beber sem nenhum controle. Estava de cara com a verdadeira face do poder, e nada se comparava com a ideologia ensinada pelo o idoso Lao.

Limpando a túnica prateada, sorriu, olhando através da pequena janela. A noite escura caia com a chuva ácida, não apenas sobre os corações mais sensíveis como também para os mais impassíveis e cruéis como Shoran, que agora ia de encontro ao destino que tantos já trilharam.

OooO

Sentado sob uma mureta, Shoran olhava detidamente para a mulher a sua frente. Enigmática, forte e bonita, com um brilho alegre e decidido. Essa era Yé... Mesmo encoberta pela as sombras não tinha como não reconhecê-la.

O perfume... O modo que andava...e pelo o riso franco que tanto cativara no passado.

-Shoran...-sussurrou ela saindo das brumas.

-Yé?-perguntou piscando incontrolavelmente.

Não sabendo como conseguira caminhar até ele, Yé beijou os lábios do amado.

-Sim! Sou eu mesma, Shoran.-disse emocionada tocando o rosto do amado.-Pensei que iria morrer de tanta saudades.

Entre o amor e o ódio, não sabia muito como reagir. Não podia negar a si mesmo que sentia a alegria em ver Yé ali, ao seu lado, lhe dando apoio, como não era mais livre, tinha uma esposa maravilhosa e que o satisfazia. Não era certo com Sakura muito menos consigo mesmo.

Já decepcionara muitas pessoas naquela noite trágica, e não queria que Sakura fosse uma delas.

-O que você está fazendo aqui?-perguntou afastando dos braços dela.

Assustada, Yé se encolheu toda. Por um momento pensara que o tinha entre as mãos, mas de um minuto para outro ele fugira.

Shoran estava longe, mas não por muito tempo.

Continua...


Mistério...

Que nada, é falta de criatividade mesmo! Eu não gostei desse capítulo...nem queria postá-lo, porém prometi a todos que postaria o mais o rápido possível. Prometo que o próximo será ágil...afinal o que aconteceu com Sakura? E Yé? Qual será a reação de Shoran?

Infelizmente eu não vou pode responder as reviews com o carinho e respeito que tanto merece. Estou que nem uma louca estudando, e esse é um dos motivos para não ter cabeça para mais nada a não ser para as apostilas e simulados.

Contudo podem ter a mais absoluta certeza que li e reli todas, e é do carinho de cada um de vocês que eu (Annah Camila Alves) tiro forças para continuar escrevendo.

Vários beijos no Kokoro: Miaka Hiiragizawa, Kyhara, MeRRy aNNe, Lillyth, littledark, Miaka, Fab Lang, Lanah, Mitsuki Tabemashi, Cam, sl43r s4k0r4, Violet-Tomoyo, Rêchan e a Beatriz.

Bom, espero por reviews, embora ache que esse cap. Não seja digno. Me faça feliz...aumente minha alto estima. Custa tão pouco...tão pouco.

Beijos!

Até mais!

Annah Lennox