Infelizmente, a SHIELD foi mais rápida do que Bruce em encontrar Tony. Eles tinham muito mais recursos do que ele, e não pode nem ao menos pedir a ajuda de Jarvis já que Tony o proibiu expressamente de auxiliar qualquer pessoa em o encontrar.

Ao menos tinha de dar crédito ao diretor Fury por tê-lo chamado assim que Tony foi encontrado. Ou melhor, assim que Coulson se certificou de que ele estava vivo e iria sobreviver. Quando foi encontrado na caverna subterrânea, não estava respirando, mas a reserva de oxigênio que instalou depois de seu pequeno passeio no espaço devia ter acabado há pouco tempo, porque em apenas alguns minutos foi reanimado.

Bruce ainda estava surpreso por descobrir que Tony tentou se matar. Simplesmente não parecia com algo que ele fosse fazer, ao menos assim tão diretamente. Autodestruir-se com álcool, sexo e violência? Claro. Prender-se dentro de uma caverna no meio do oceano para se afogar? Não. Ainda, tão não imaginava que Tony fosse capaz de atacar seus próprios amigos. E também havia o fato de que ele pensava que Bruce estava morto. Quando Fury sugeriu que isso poderia ter sido parte da razão pela qual Tony agiu assim, sentiu seu coração afundar no peito, mas ao mesmo tempo experimentou uma inesperada e cruel satisfação. Ainda que de uma forma destrutiva, era o amor mais intenso que já tinha conhecido. Saber que alguém o amava o bastante para não conseguir viver sem ele era tão incrível quanto terrível.

Hesitou por um instante antes de entrar no quarto da enfermaria onde Tony estava sendo detido. Quando viu Tony algemado na cama, não conseguiu segurar as lágrimas. Vê-lo assim, preso como um criminoso era demais. O barulho da porta sendo aberta não causou nenhuma reação em Tony, que continuou a encarar uma parede com o olhar vazio.

- Tony... O que foi que você fez? – perguntou surpreso com o tom agudo da própria voz.

Foi só então que Tony voltou sua cabeça para a porta. Assim que viu Bruce, seu rosto se iluminou. Por um momento, esqueceu-se de tudo mais e tentou pular na direção dele, mas só conseguiu forçar sua pele contra as algemas.

- Bruce? É você mesmo? Você está mesmo aqui? – perguntou com a voz cheia de emoção. Fury já tinha o avisado que Bruce estava vivo, mas não tinha acreditado. De certa forma, tinha perdido o pouco que sobrara de sua fé nos dias em que ficou no hospital esperando sem sucesso que Bruce acordasse.

- O que você tinha na cabeça, Tony? – perguntou sem se deixar comover pelo desespero e pelo amor na voz do outro.

Tony tentou desviar os olhos envergonhado, mas o modo como seus braços estavam presos não lhe permitia muito movimento. Desde que o efeito do álcool passou, sentia-se consumido pelo peso do que fez.

- Eu sinto muito. Não sei o que aconteceu. Eu achei que você nunca mais ia acordar e...

-Não! – gritou com violência. – Não ouse colocar a culpa disso em mim.

Bruce não percebeu o que havia dito até ouvir suas próprias palavras. E foi só então que soube o quão verdadeiras eram. Passou tempo demais se culpando pelas atitudes de Tony, mas ambos eram homens adultos e eram responsáveis por seus próprios comportamentos. Já carregava culpa demais por todas as coisas que não conseguiu evitar fazer, não poderia se permitir carregar a destruição causada por outra pessoa. Não importava o quanto amasse Tony, esse era um sentimento que não poderia tomar para si.

- Eu não... Eu não estava. Por Deus, Bruce, eu nunca... – não sabia como se explicar, não sabia nem ao menos se havia uma explicação. Reconhecia perfeitamente que a culpa era só sua, nem sonharia em insinuar o contrário. Mas como poderia expressar o desespero que o levou a agir assim? – Eu estava tão preocupado, e tinha bebido demais e...

- Esse é exatamente o problema! – percebeu que ainda estava gritando, mas não era capaz de se fazer parar. – Você sempre faz isso! – as lágrimas escorriam pelo seu rosto sem que ele fizesse qualquer coisa para as deter. – Sempre que você bebe, você... – soluçou. – Você vira outra pessoa, você faz coisas que eu nunca imaginei que você seria capaz. – então baixou a voz até se tornar pouco mais do que um sussurro. – As coisas não podem continuar assim.

Tony demorou alguns instantes para perceber onde ele queria chegar. E então, gastou mais um momento pensando no que iria responder. Sabia o que precisava dizer, mas também não queria fazer promessas que não fosse capaz de cumprir. Queria dizer que nunca mais iria beber, mas não confiava em si mesmo tanto assim. Afinal, agora tinha consciência o bastante para perceber que era suicida e que o álcool era sua arma de escolha. Era sua punição, seu inferno favorito. Como poderia desistir de uma coisa dessas? Como poderia desistir de sua única forma de afogar a dor?

- Eu sei Bruce, mas é que...

Bruce podia sentir que ele iria começar com uma de suas argumentações. Também sabia que todos os seus argumentos seriam fajutos, mas fariam sentido. E no final iria acabar cedendo, como sempre acontecia. Não podia permitir que o ciclo continuasse, tinha de acabar com tudo agora. Endireitou sua postura, afogou as lágrimas e secou os olhos, quando falou, sua voz estava firme e clara.

- Não, Tony. Essa é sua última chance. Não só por mim, mas por você. Se você quiser melhorar, prometo que vou estar com você em cada passo do caminho e fazer o que estiver ao meu alcance para que você tenha todas as condições de se tratar, você terá meu apoio incondicional. Mas se você prefere seguir colocando a sua vida e a de outros em risco, nós nunca mais vamos nos ver. Eu não vou ficar aqui e ver você se matar.

Tony engoliu a seco. Não tinha outra escolha. Não podia se permitir perder Bruce.

- Eu quero você comigo, e eu nunca mais quero me sentir como quando soube do que aconteceu com o hellicarrier. – respondeu simplesmente, sem conseguir verbalizar as palavras exatas.

Ainda não era o bastante.

- Prometa que você nunca mais vai beber. – exigiu Bruce, com medo de estar forçando o outro, mas sabendo que era sua única chance.

- Eu prometo. – respondeu mecanicamente.

Bruce se virou para a porta.

- Se você estiver mentindo para mim, não vou nem escutar suas desculpas. Vou partir para onde você não vai ser capaz de me encontrar. – e abrindo a porta – Vou pedir para o diretor Fury o libertar, ele disse que você podia ir para casa se eu o mantivesse sob controle.

E foi assim que Tony fez uma promessa que não era capaz de cumprir.


Aqui está a resolução da situação, calma Herykha.