O esgoto era formado por diversos túneis interligados, que levavam a água usada para uma área onde seria tratada e reutilizada pelos humanos. Estava infestado de ratos que fugiam com o barulho dos passos dos vampiros que corriam por todos os cantos.
"Droga. Quanto falta?" Max perguntou impaciente ao vampiro que guiava o grupo.
"Uma boa parte do caminho. Teremos que percorrer metade da Cidade."
Periodicamente eles paravam, para verificarem qual túnel teriam que pegar.
O guia parou com um salto, indicando os outros a pararem também. Todos se agacharam. Max cheirou o ar.
"É cheiro de humano."
"Sim, eu também senti." O guia respondeu.
"Qual a distância até a bomba?" Max começou a murmurar.
"Oitocentos metros"
Max se virou para os outros vampiros.
"Vocês, vão por aquele túnel." Apontou para uma passagem à direita. "Vocês devem se apressar e chegar lá alguns segundos antes de mim." Ele apontou para um no canto. "Você virá comigo e com o guia, seremos a emboscada."
Alguém estava ajoelhado no chão. À sua volta, alguns ratos estavam mortos, presos ao chão por facas. A pessoa se levantou. Tinha em sua mão esquerda uma bolsa, e na direita, algo similar a uma chave de fenda. Estava mexendo em um grande aparelho, duas vezes o seu tamanho, que pendia do chão ao teto. Tinha estampado em seu rosto um sorriso morto.
Ele se virou ao ouvir som de água sendo pisada.
"Mais um rato?" Sua voz era rouca. Usava um óculos que o permitia enxergar no escuro e uma pesada roupa de borracha. Ele pegou uma faca e atirou no chão à distância. Ela escorregou e bateu na parede. "Hã?"
Nesse momento, dois vampiros surgiram, pegando apoio na parede, pularam em direção ao humano. Ele rapidamente tirou do saco duas bolinhas negras e as atirou nos vampiros. No exato momento que elas encostaram neles, os dois explodiram.
Mais dois vampiros chegaram correndo, mas tiveram o mesmo destino. Uma fina fumaça branca encheu o ar. O humano começou a rir. Virou-se e continuou a mexer na enorme máquina à sua frente.
"Hei!"
O humano se virou. Um vampiro mais baixo e vestindo um enorme sobretudo e óculos pretos estava ali, parado de braços cruzados.
O humano tirou da bolsa uma bola e tacou em Max. Ele sacou a espada e cortou a bolinha em dois pedaços, que caíram no chão.
O humano pegou mais duas bolinhas e as tacou, mas Max pegou suas armas e atirou. Dois tiros certeiros. As balas bateram nas paredes e ricochetearam. Houve mais um tiro, e o silêncio tomou conta.
Max deu um passo para frente. Com um rápido movimento de sua espada, cortou a bolsa do humano. Algumas facas e bolinhas pretas caíram no chão, soltando uma fumaça branca.
Quando tudo clareou, o humano encontrou-se com uma espada encostada em sua garganta, pronta para cortá-la. Ele começou a rir.
"Se quer me matar, mate-me."
Max olhou para ele sério.
"Não quero te matar. Não posso te matar."
"Pode! Ninguém vai ver! Mate o humano insignificante!"
"Então me diga onde está o dispositivo."
Mais seis vampiros chegaram. O humano começou a rir.
"Não sei do que você está falando."
"Algumas equipes entraram em contato comigo, avisando que as bombas eram grandes de mais para serem removidas, e que estavam ligadas a uma bomba-mãe, que determinaria a explosão simultânea das outras bombas. Mas a bomba-mãe deveria estar à mesma distância de todas as outras bombas."
"Do que você está falando?" Ele continuava a rir.
"Mas você não quer explodir todas as bombas simultaneamente. Antes da destruição, você quer o caos. Assim, pelos metros de corredores do esgoto, as primeiras bombas a explodirem seriam os que fornecem energia à cidade, e depois, a periferia. Você queria trancar os vampiros do centro em uma nuvem de prata, para depois os explodir."
O humano começou a rir mais alto. Os vampiros tomaram uma posição defensiva.
"Você é realmente um vampiro esperto! Mas não pode descobrir onde o dispositivo está!" Ele riu mais alto. Enquanto ria, pôs a língua para fora. Max rapidamente botou a espada de lado e botou uma mão dentro da boca do humano. Arregalou os olhos.
"Senhor!" Um dos vampiros o chamou. "Acredito que é um dispositivo cardiovascular."
"Sim. Ele provavelmente está em seu coração, e quando este parar de bombear o sangue, o dispositivo será ativado. Ele estava tentando se matar."
Max arrastou o humano para longe da máquina. Um vampiro o amordaçou, e eles o jogaram no chão.
Max olhou da máquina para a água no chão. Estava com uma cor prateada.
"Droga!"
Na máquina, uma bala havia atingido uma pequena cápsula de vidro, que armazenava o pó de prata que seria espalhado na explosão. O pó havia escorrido pela cápsula, que era inclinada e estava se juntando à água do esgoto.
"Precisamos achar um jeito de desativar essa bomba, rápido!"
Dois vampiros se aproximaram dela, e a examinaram por alguns minutos. Um deles finalmente se pronunciou.
"Senhor! Essa realmente é a bomba-mãe, mas está em uma delicada situação. Se nós conseguirmos a abrir e retirarmos o hardware de comunicação, ela não poderá explodir com o dispositivo, e será facilmente desarmada."
"Bom, podem começar!" Max ordenou.
"Mas, se nós errarmos alguma coisa, o estado delicado dela pode a acionar e ela explodirá."
"Acho que precisamos falando com o Príncipe."
Eles começaram a pegar as facas do humano no chão, quando este começou a tremer descontroladamente.
"O que está acontecendo?" Max berrou.
Um vampiro se abaixou, verificou seus olhos e seu pulso. O humano acalmou, rindo fracamente.
"Ele parece estar envenenado. Pode morrer a qualquer instante!"
Max socou a parede, soltando um urro de raiva.
"Rápido, abram essa bomba e desarmem isso, sem errar!" Ordenou aos vampiros que examinaram a bomba. "Tente mantê-lo vivo!" Falou ao que diagnosticou o humano. "Retirem as facas e os corpos desse beco!" Ordenou aos vampiros restantes. Ele se afastou e observou os dois peritos em bombas trabalharem.
Eles cuidadosamente separaram o casco que a protegia, e se depararam com um complexo sistema de fios e cápsulas de pólvora. Vagarosamente, eles tentaram se infiltrar pelos fios, até chegarem a uma placa verde.
"Esse é o centro da bomba. Ele recebe a informação do receptor e aquece a pólvora. Parece que isso vai ser mais difícil do que eu pensei."
Max estava impaciente. Os dois peritos tentavam descobrir qual seria o componente receptor, e tomavam cuidado para não acionar a bomba acidentalmente. O vampiro que estava cuidando do humano verificava periodicamente sua respiração e seu pulso. Os outros três vampiros deixavam o Príncipe e os outros soldados que ajudaram na operação a par do que estava acontecendo.
"Falta meia hora para o amanhecer." Max informou.
"Senhor..." Um vampiro o chamou.
"Sim?"
Max se virou. O humano estava se debatendo e tremendo mais que a outra vez.
"Não posso fazer nada, ele vai morrer!" O vampiro berrou.
Max deu um passo para trás.
"Apressem-se!" Berrou para os peritos. Os outros vampiros ficaram em alerta.
"Estamos fazendo nosso melhor!"
"Não é o suficiente! Afastem-se" Berrou mais alto.
"Como senhor?"
"SAIAM DA FRENTE, SEUS IDIOTAS!"
Os vampiros se afastaram da bomba. E correrem para longe de Max.
Max pegou sua espada, e em um único movimento, cortou a placa da bomba em quatro pedaços.
O humano parou de respirar.
