Capítulo XI - Seu sangue

Betado por Anaisa

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"Não há nada que melhor defina uma pessoa do que aquilo que ela faz quando tem toda a liberdade de escolha."
-William M. Bulger

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-Oh senhora! Está tão abalada. – Bulby falou tristemente, ao ver os olhos úmidos da ruiva. – Por que não dorme um pouco enquanto Bulby ajuda senhor Malfoy a tomar banho? Não ter medo de acordá-lo senhora. Ele já está bem melhor graças às poções e remédios.

Ginny decidiu simplesmente concordar com o que elfo dizia. Por algum motivo, preferia que a pequena criatura acreditasse que ela estava chorando por estar preocupada e não assustada. Talvez por orgulho.

Aproximou-se do loiro e balançou a mão que ele agarrava, tentando chamar-lhe a atenção.

-Malfoy. –chamou num tom baixo. – Malfoy, acorde. Você tem que tomar banho. Tem que levantar.

Tocou seu rosto chamando-o mais uma vez, fazendo com que ele soltasse o ar pesadamente.

A mão que segurava a sua, num movimento inesperado, puxou-a para frente enquanto virava o corpo. Sua outra mão a puxou pela cintura, fazendo com que a garota perdesse o equilíbrio, forçando-a a se deitar em pleno contato com o corpo do jovem de dezoito anos abaixo de si.

Extremamente surpresa por ele conseguir se mover tanto, sendo que alguns minutos atrás mal conseguia falar e se manter acordado, a garota mal conseguia puxar o ar.

-Realmente achou que eu deixaria você morrer? – ele perguntou num tom de voz perigoso que chegou a assustá-la. Ele ergueu o corpo, invertendo as posições, sentando na cama e mantendo-a presa logo embaixo dele. - Achou mesmo que eu ia permitir que me deixasse por causa de um estúpido qualquer?

Ginny sabia que ele se referia ao incidente com Zacharias e graças a isso não teve mais dúvidas, que de fato, a tortura que ele sofrera estava de alguma forma conectada com aquilo.

-Senhor, por favor! – Bulby parecia aflito ao ver a jovem ruiva presa e assustada debaixo dos olhos raivosos e predadores de Draco.

-Prepare-me o banho. – ele disse para o elfo num tom forte a alto que fez a ruiva tremer. – Vá!

Como aquele homem tão jovem podia agüentar torturas como aquela e continuar com tanta força? Como podia ser tão resistente?

-Malfoy, você não devia estar se mexendo dessa forma. – Ginny repreendeu, tentando mascarar seu medo.

-Como se você se importasse. – ele respondeu venenosa e raivosamente. – Ginevra, Ginevra... – ele aproximou o rosto do dela e tudo o que a garota pôde fazer foi fechar os olhos e virar o rosto. – Você não vai conseguir se livrar de mim tão cedo. Não se iluda achando que vai morrer ou que eu vou te abandonar. Você é minha e eu não vou desistir de você tão fácil.

Ele continuou a encarando por mais alguns segundos e Ginny não teve o que responder. Levantou os olhos atrevidamente e sustentou o olhar tentando manter uma expressão indiferente. Ele a soltou e seguiu para o banheiro com o elfo que lançou um olhar assustado para a ruiva antes de seguir o mestre.

Com alguns soluços que saíram mais altos do que ela queria, a garota massageou as próprias mãos e pulsos enquanto as lágrimas corriam livremente por seu rosto. Tentou não fazer muito barulho, mas era difícil segurar os sons que seu choro desesperado fazia.

Era isso então? Ela nunca se veria livre dele? Ela realmente ficaria presa para sempre? Ela nunca mais seria livre como a garota da foto?

Estava tão concentrada em seu choro que nem percebeu a elfa parado ao seu lado com um copo de água nas mãos.

-Guccia! – quase gritou.

-Desculpa assustá-la senhorazinha. – ela disse tentando esconder a felicidade de ver a ruiva e não parecendo muito surpresa por ela estar chorando. – Achei que fosse precisar de Guccia quando visse seu marido assim.

Ginny fungou e abraçou os próprios joelhos encolhendo-se num canto da cama. Chorou mais ainda pela palavra marido que a elfa usara para se referir a Draco. Ela nunca teria um marido, porque Draco não iria deixar.

-Ele não é meu marido, Guccia. – falou num fio de voz embargada.

-Oh minha senhora. – ela aproximou-se tentando persuadir Ginny a levantar o rosto. – Não fale bobagens. Ele ficar bom logo!

E dizendo isso, ela fez com que Ginny bebesse lentamente um longo copo de água gelada, sendo interrompida apenas por ocasionais soluços.

-Pronto, pronto... Não devia estar tão agitada. Não com esse ferimento no pescoço. – ela disse acariciando o cabelo de Ginny com seus dedos enrugados. Instantaneamente a garota começou a sentir seu corpo cada vez mais mole e pesado. – Agora vai ficar tudo bem.

A ruiva ainda quis perguntar por que de uma hora para outra estava se sentindo tão fraca, mas não tinha forças para emitir nenhum som que não fosse pequenos soluços. Foi se deitando na cama lentamente, suas pálpebras pesando como nunca, as lágrimas escorrendo sem parar enquanto as mãozinhas pequenas de Guccia trocavam as bandagens de seu ferimento.

A elfa havia colocado alguma coisa naquela água, mas naquele momento. Ginny estava mais interessada em se aconchegar na parte limpa da enorme cama do que em descobrir o que era.

-Agora está tudo bem. Jovem Draco logo virá se deitar com sua amada. Agora não se mexer enquanto eu limpo a ferida.

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Entortou o corpo lentamente, percebendo que uma confortável manta envolvia-a. Tentou abrir os olhos, mas tudo o que viu foi escuridão.

Estava pronta para voltar a dormir, quando um barulho atrás de si chamou sua atenção. Voltou-se preguiçosamente e percebeu uma fraca luz iluminando o outro lado da cama que já estava limpa de qualquer vestígio de sangue. A forma musculosa de Draco Malfoy estava parada com as costas cobertas de ferimentos viradas para Ginny. Ele estava tomando alguma poção, pelo que ela podia ver.

Prendeu a respiração ao ver que alguns ferimentos haviam voltado a sangrar (mesmo que dessa vez de forma mais controlada) e o baixo som que emitiu fez com que ele se virasse para encará-la.

Ele olhou-a por um tempo antes de rir levemente balançando a cabeça.

-Você é esfaqueada – ele começou numa voz grave e baixa que cortou o silêncio de forma brusca. – Não só sobrevive como no dia seguinte está forte o suficiente para resistir às mais fortes poções.

Por algum motivo, ela continuou calada enquanto ele terminava de fazer seja lá o que estivesse fazendo e virava-se para ela.

-Você é dura de matar.

-Não é como se você pudesse falar muita coisa. – ela falou no tom mais desagradável que conseguia. – Chegou aqui alucinando, entre a vida e a morte e agora...

Ela fez menção de se levantar da cama, tirando as cobertas de cima de si, mas ele rapidamente se aproximou e a fez deitar-se novamente.

-Você pode não estar dormindo, mas não é uma boa idéia sair andando por aí depois do que tomou.

-Por que me trouxe para cá?

Ele não respondeu. Ao invés disso sorriu e começou a deitar-se na cama. Ginny recuou para evitar o contato, acabando por dar espaço para ele se deitar.

-Nós dois ainda estamos muito feridos. – ele disse, apoiando-se com o cotovelo e estendendo a mão para acariciar o rosto pálido dela. – Por que não deixa isso tudo pra amanhã?

Ginny se desviou e Draco sorriu cinicamente com aquele comportamento arisco. Percebeu que, desafiando sua própria falta de forças, ela tentava levantar novamente.

-Fique longe de mim.

Ela finalmente obteve êxito ao levantar e Draco fez o mesmo, quando ela tentou mover-se o mais rápido que podia para longe dele, suas pernas fraquejaram e ela só não caiu porque o loiro a segurou por trás, envolvendo-a pela cintura. Ouviu-o rir no seu ouvido e tremeu.

-Eu estou machucado e você que me dá trabalho.

-Me solta. – ela murmurou fracamente enquanto lutava contra os braços dele com toda a força que podia. Que não era muita. – Fique longe de mim!

Ele agarrou-a pelos pulsos e virou-a para si. Ela se debatia com uma força admirável para quem estava dopada e Draco começou a se sentir um pouco mal pelo esforço de mantê-la parada. Jogou-a na cama tão brutal e subitamente que ela soltou uma exclamação ao sentir seu corpo quicar no macio colchão. Draco escorou-se na parede, sentindo que algumas feridas começavam a arder por causa do esforço.

-Você só me causa problemas.

Ginny não respondeu. Tentava engatinhar de costas para o outro lado da cama olhando com medo para as feridas do peitoral dele que começavam a sangrar. Nunca havia visto machucados tão estranhos em sua vida.

Sem aviso, ele se debruçou sobre a cama e agarrou sua perna arrastando o corpo de Ginny para debaixo do dele. A ruiva ainda tentou se debater e enrijecer o corpo, em vão.

Esse era um dos motivos que odiava Malfoy. Ele a fazia se sentir uma pessoa fraca. O que ela nunca fora.

-Ssh! Ssh... – Draco fez, imobilizando-a com o peso de seu corpo. – Calma. Não vou fazer nada. Ginevra... – ele a chamou tentando fazer com que ela parasse de se debater e o encarasse. – Se você ficar quietinha, eu não vou fazer nada, mas se continuar se mexendo assim não respondo pelos meus atos.

Ele sorriu maleficamente enquanto os movimentos dela iam ficando mais fracos até cessarem de uma vez, sem deixar de encará-lo com raiva e desconfiança.

-Essa é minha garota...

Aproximou-se mais um pouco e os lábios se encostaram, fazendo com que ela voltasse a se mexer o mais fortemente que o peso de Draco e seus músculos preguiçosos permitiam

Draco acariciou sua bochecha, e, com terror, Ginny percebeu que assim estava a sujando de sangue. Tentou se debater ainda mais com as lágrimas correndo com força por seu rosto até que ele descolou os lábios.

-Oh Ginny. – o seu tom era sarcástico. – Porque você está assim?

Ele esticou o braço para apanhar alguma coisa no criado-mudo.

-Agora, fique quietinha. – ele falou trazendo para o campo de visão da ruiva um frasco com líquido transparente. Com uma das mãos ele destampou-o e com a outra pressionou as bochechas de Ginny para que ela abrisse a boca, ignorando as mãos que tentavam afastá-lo. Rapidamente ele a fez beber o líquido amargo. Quando ele a soltou, ela tossiu, fechou os olhos e parou de se mexer.

Ainda podia sentir a respiração dele no seu pescoço, as pernas entre as suas e o sangue que a manchava. Mas não conseguia mais se mexer e quando tentava abrir os olhos, só sentia dor de cabeça pela visão extremamente turva. Sem que ela percebesse, lágrimas deslizavam pelo seu rosto. Lágrimas causadas por uma leve ardência de súbito cansaço nos olhos.

-Não. Vamos lá Ginevra. – Draco parecia se divertir imensamente com aquela cena. – Não chore. Não devia ter medo desse sangue.

Ele passou os dedos molhados do líquido vermelho nos lábios da garota, fazendo com que ela os comprimisse e desviasse a cabeça.

-Esse sangue pode estar saindo de mim. – Ele falou com os lábios quase colados nos dela, admirando com um prazer doentio o seu sangue manchando o rosto de boneca. Naquela iluminação, ela parecia realmente feita de porcelana. – Mas é seu.

Ginny tremia e ele permitiu-se cheirar novamente os cabelos rubros.

A intenção de Voldemort, ao machucá-lo, era fazer com que as feridas reabrissem periodicamente para puni-lo com mais dor. Naquele momento, Draco devia estar se contorcendo por causa da ardência que sentia nos machucados. No entanto, o prazer de ter aquele pequeno corpo embaixo do seu o anestesiava quase completamente.

Quase.

Repousou a cabeça no colo da garota, aninhando-se e abraçando-a. A pele macia e cheirando a sabonete dela era um conforto tão grande que ele não soube dizer como conseguiu viver todo esse tempo sem aquela sensação. Beijou uma parte do seio esquerdo de Ginny (que foi o primeiro pedaço de pele desnuda que encontrou) e apertou-a com força enquanto tentava superar a dor.

Mesmo que por efeito de remédio, ela estava relaxada em seus braços e ele, delirante de dor, pôde fingir que a mão que repousava casualmente por cima de suas costas estava, na verdade, o acariciando e o confortando.

Sabia que aquela seria uma noite difícil e agradeceu a si mesmo por não tê-la mandado para outro lugar. Ginevra Weasley estava se tornando mais do que uma diversão, e sim uma obsessão, uma droga, uma paixão.

Depois de algumas horas, para seu alívio, percebeu que a dor começava a passar. Levantou-se para encarar a ruiva e percebeu que ela mantinha os olhos abertos.

-Parou de doer? – ela perguntou num fiapo de voz.

-Uhum. – ele respondeu, colando o nariz naquela bochecha que um dia fora cheia de sardas. Dessa vez ela não se moveu. – Como está se sentindo? – Draco perguntou. Sua voz saiu baixa e rouca.

-Esse é o problema. – ela respondeu. – Não sinto nada.

-Isso é bom. Com esse machucado no pescoço tem que ficar parada o máximo de tempo possível. – ele disse. – Aquele bastardo realmente te machucou. Vou acabar com o cretino.

Ginny mexeu-se desconfortavelmente. Ele deslizou o rosto para o pescoço dela, respirando e percebendo com certa satisfação que aquilo a arrepiara.

-Não faça isso.

Ele riu.

-Você é realmente uma figura. – falou divertido. – Ele quase te matou. Ele queria te matar, e você não quer que eu revide o favor? Não acha que já está exagerando na bondade?

Foi a vez de ela rir. Bem mais fracamente do que ele. Uma risada amarga.

-Me acha bondosa?

-Você é.

Ela balançou a cabeça levemente.

-Não, não sou. Às vezes eu queria ser. – a voz era rouca e fraca, como se ela fizesse força para falar. – Eu só tenho bom caráter, Malfoy. Isso implica ter plena consciência de que não temos direito de matar ninguém.

-Ele tentou te matar, Ginevra. – o tom dele se tornou sério. – Ele te deu o direito de matá-lo quando tentou tirar sua vida.

-Não, não deu. Se ele continuasse tentando me matar e eu me defendesse, seria uma coisa. – ela disse. – Mas tenho certeza que ele não estava raciocinando, que estava desesperado. – ela suspirou e passou algum tempo em silêncio antes de continuar: - Eu não sou uma pessoa grande o suficiente para perdoá-lo, mas também não o quero morto.

-Tola. – ele disse. – Boba. É isso o que você é. Ele tentou te matar, e você tem recursos e motivos para matá-lo. Tem todo o direito de fazê-lo!

-Não tenho o direito de matá-lo assim como você não tinha o direito de matar minha família.

Ele revirou os olhos chateado por estarem voltando àquele tópico.

-Já disse que sua família não nos deu escolha. – ele bradou. – Eram teimosos. Assim como você!

-E por que não fui morta?

Draco ficou calado por um momento, lembrando do dia em que tudo aconteceu. Na verdade, nem ele sabia direito porque ela continuava viva.

-Porque você é... menor de idade. – inventou rapidamente. – Os outros Weasley já eram adultos o suficiente para responderem por seus atos, mas você, em sua condição de menor, merecia uma segunda chance de mudar de idéia.

De certa forma, ele não estava mentindo. Grande parte dos menores de idade das famílias de traidores de sangue não havia sido morta, mas os comensais também não faziam muito esforço para "convertê-los" por mais que essa fosse a vontade do Lorde.

Ela riu sem humor.

-Vocês não têm o direito de decidir essas coisas.

-Enquanto o Lorde das Trevas tiver todo o poder da Europa mágica em suas mãos, sim, nós podemos.

Ela mexeu-se desconfortavelmente.

-Nós não somos animais, Draco. – o jovem notou que ela estava calma. Ou isso ou a poção ainda estava fazendo muito efeito. – Não podemos viver sobre essa lei insana do mais forte.

-Nós podemos e nós vivemos. – ele disse. – Nós somos fortes o suficiente para limpar o mundo bruxo da impureza que os sangues-ruins...

-Sangue... – ela debochou. – O que isso importa? Nunca vi grande coisa nisso. Hermione era nascida muggle e era melhor bruxa do que eu.

Ele acariciou os cabelos da garota.

-Ninguém é melhor bruxa do que você.

-Não me faça vomitar. - ela desdenhou.

-Estou falando a verdade. Acho que nunca conheci uma bruxa da sua idade tão poderosa. – ele disse. – Eu via como você era em Hogwarts. Além daquela ridícula AD, nunca teve um treinamento especial, e, no entanto, sempre foi excelente.

-Não fui excelente o suficiente para te impedir de me seqüestrar.

Ele riu, mesmo que não gostasse de lembrar daquele dia. Depois do tempo que passara com ela, tinha certeza que nem por ordens do Lorde das Trevas conseguiria voltar a machucá-la daquela forma.

-Sua casa estava cheia de energia negativa contra você. – ele falou mansamente, tentando dar a entender que não iria mais machucá-la. Não daquela forma. – Você estava abalada com a morte dos seus parentes. E eu tive treinamento especial para lidar com ruivas esquentadas.

-Você não precisa me dizer essas coisas. – ela retrucou irritada. – Eu sei muito bem que fui uma fraca. Você pode debochar se quiser.

-A sua única fraqueza, é continuar leal a uma causa morta. Continuar fiel a pessoas que já morreram.

Ele não precisava ser mais claro. Ela sabia muito bem que ele estava falando de Harry.

-É muito fácil, lutar por algo que tem muitas chances de acontecer. Ser fiel a uma causa vencedora, ser fiel a alguém vivo. – ela respondeu. – Lutar pelo que acreditamos nem sempre é o caminho mais florido, mas é o certo. Me diga, Malfoy... se Você-sabe-quem tivesse sido derrotado, você continuaria anunciando para os quatro cantos do mundo que é comensal?

Ele ficou calado. Sabia que nesse ponto em especial, ela estava certa.

-Essa é a diferença entre nós dois. – ela declarou. – Esse é o abismo que nos separa, um abismo que você nunca vai conseguir atravessar. Pois eu sou fiel até as minhas últimas forças a aquilo que eu acredito, eu vou lutar pela minha liberdade e a de todos os nascidos muggles até morrer. Vou lutar até o meu último suspiro pelo o que eu acredito.

-Eu admiro isso. – ele respondeu. – Só precisamos redirecionar toda essa determinação.

-Nunca.

Draco ergueu a cabeça para olhá-la melhor.

-Eu não entendo como uma bruxa poderosa, com um dos sangues mais puros do mundo mágico... – ele tirou uma mecha ruiva do caminho de um dos olhos da garota antes de continuar. –Linda como você, gasta mais tempo pensando na escória da humanidade do que pensando em si mesma.

-Eles não são a escória da humanidade. – a voz dela era chorosa e ela se sentia patética por isso. – Eu não sou egoísta Malfoy, eu sei que há coisas mais importantes do que o meu bem-estar e do que a minha vida. E quer saber? Enquanto muitos bruxos de famílias antigas não têm talento nenhum pra magia, filhos de muggles têm para dar e vender. Para mim isso é um admirável fenômeno da natureza que devemos respeitar. Ninguém escolhe nascer como nasce. Nós dois não escolhemos nascer sangue-puro, Hermione não escolheu ter pais muggles, Hagrid não escolheu ser mestiço. É uma estupidez tremenda julgar as pessoas por coisas que estão fora de seu poder de escolha, são as escolhas que definem quem você é, e não o sangue que corre por suas veias ou a sua aparência.

-Você fala isso, porque foi obrigada a viver com aquela gentinha que só a diminuía e enfiava isso na sua cabeça para que você não visse a verdade. A verdade que você é superior. Que a sua alma, seu corpo e seu sangue são puros, belos e imaculados. E não uma mistura grotesca e impura como a deles. – Draco agarrou a mão da garota enquanto falava. - Você e eu Ginny, nós somos superiores a todos eles. Nós temos que nos unir.

Ela desvencilhou-se. Tentou empurrá-lo e levantar-se mas seus braços pareciam se mover em câmera lenta.

-Eles nunca tentaram me rebaixar. –disse. – Assim como eu nunca os inferiorizei. Nem os exaltei! Só os vi como são. Meus semelhantes. Meus...

-Está dizendo que preferia se unir a um mestiço órfão medíocre a se unir a mim, um sangue-puro das linhagens mais antigas que pode te oferecer conforto e proteção?

-Não. – ela o interrompeu novamente. – Eu estou dizendo que prefiro o Harry a você.

A menção daquele nome pareceu ter surtido um efeito extremamente negativo. Draco a apertou com tanta força que a ruiva sentiu ganas de gritar, a expressão dele era raivosa sustentando um sorrisinho diabólico.

-Eu tenho tanta paciência com você, Ginevra. – ele disse com a voz baixa e ameaçadora. – Eu a alimento, providencio as melhoras roupas, dou-lhe conforto e tudo o que eu quero em troca é um pouco de afeição. Um pouco de reconhecimento. – ele apanhou o pulso da mão livre dela e apertou com força. Medo e dor estamparam-se no rosto de Ginny. – Eu realmente não quero chegar a um ponto em que você me faça perder a paciência.

Ela continuou calada. Por mais que soubesse da aversão de Draco por Harry, realmente não achou que ele ficaria tão chateado com a menção do seu falecido namorado. Será que ele já não sabia que Harry seria para sempre o amor de sua vida? Que mesmo morto, ela nunca o deixaria de amar? Será que se iludia achando que um dia ela poderia esquecê-lo e gostar dele?

A verdade que ela desconhecia, era essa. Draco queria que ela deixasse de amar quem quer que fosse e que dedicasse sua lealdade e seu coração a ele, mesmo que isso levasse anos. Ouvi-la falando tão claramente que nunca o amaria e que nunca poderia gostar dele o ferira de uma forma que ele não sabia que podia ser ferido. Foi por isso que ele se sentiu na obrigação de continuar a falar:

-Você é minha agora. Não importa o que você diga, você é. – o tom ainda era um sussurro ameaçador e raivoso. – E vai ter que começar a se acostumar com isso se não quer ser uma infeliz para o resto da vida, porque eu não vou te libertar não importa o quanto você implore e exija. Também não vou matá-la, nem que você me implore. Se não aprender a apreciar tudo o que eu faço por você, o azar é todo seu porque nem de um jeito, nem de outro, eu vou te abandonar.

Nesse ponto já havia lágrimas escorrendo sem controle pelo rosto da garota.

-Pode chorar o quanto quiser. – ele riu venenosamente enquanto limpava uma das gotas salgadas. – Só vai ficar mais esgotada.

Draco continuou observando-a chorar sentindo que sua expressão se suavizava cada vez mais. Ela tinha esse poder sobre ele. E por mais que ele não quisesse que Ginny chorasse com tanta freqüência, não podia deixar de notar o quanto ela ficava adorável enquanto dava pequenos e baixos soluços, os lábios rosados entreabertos, o nariz um pouco rosado, os olhos brilhosos e os cílios molhados mais longos do que o normal.

-Sabe... – ele falou depois de vários minutos em silêncio. – Quando eu dizia aquelas coisas pra você em Hogwarts, quando seus irmãos e seus namorados não estavam vendo... eu nunca imaginei que nada que eu disse iria se tornar realidade.

Ginny, com desgosto, lembrou-se de seu quinto e sexto ano, quando Draco começou a provocá-la mais do que qualquer outro grifinório, quando começou a apanhá-la em corredores vazios para falar palavras depravadas em seu ouvido, ou como respondia a suas ofensas com comentários grosseiros sobre seu corpo e etc.

Lembrou-se o que Colin lhe disse. Que talvez ele estivesse gostando dela e não soubesse como dizer já que eram inimigos. Ela rira na ocasião. Lembrava-se claramente também de como, mesmo com todas as ofensas, ela achava que ele não passava de um garoto assustado.

-Mesmo quando você me dizia aquelas coisas eu acreditava que havia algo bom em você. – a voz dela era chorosa e baixa, mas Draco sabia que ela não mentia. – Eu estava enganada, Draco?

Ele nunca gostara tanto do seu nome quanto naquele momento. Ela o pronunciara com tanta delicadeza, sem nenhum sarcasmo, sem nenhuma amargura na voz.

Ao invés de responder, olhou para um pequeno feixe de luz que driblara a cortina e iluminara um canto do quarto. Já estava amanhecendo.

Voltou a olhar para Ginny e percebeu que ela já tinha os olhos fechados e respirava pesadamente. Finalmente cedera aos efeitos da poção que ele a forçara a tomar. Decidido a dormir um pouco também, afrouxou os braços ao redor dela e, invertendo lentamente as posições, fazendo com que ela ficasse aninhada em seu peito envolta de seus braços, fechou os olhos e relaxou até dormir com aquele confortável e macio peso sobre si. O cheiro floral impregnando os lençóis mais do que o seu próprio cheiro.

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Não fora surpresa para Draco acordar às onze da manhã dois dias depois da conversa com Ginny. Com a garota devidamente dopada, e a maldição de tortura do Lorde das Trevas sobre si, os dois passaram cerca de quarenta e seis horas na cama entre lapsos de consciência na qual Ginny abria os olhos e, desistindo de tentar se mexer, voltava a dormir, e Draco cuidava de seus ferimentos que apareciam cada vez menores, mas não menos dolorosos.

Depois de admirar as feições tranqüilas da garota por alguns segundos, tomou um banho demorado e desceu para a cozinha, faminto. Bulby ficou indignado por seu mestre ter descido ao invés de chamá-lo, mas depois de dois dias parado, o que Draco mais queria era se mexer.

Depois de checar o correio coruja e ir para o escritório da mansão dar andamento a trabalho acumulado, - com o elfo sempre atrás dele pedindo que não fizesse muitos esforços - pensou nos acontecimentos recentes. Pelo dia inteiro, tentou não pensar no ódio letal que sentia por Zacharias Smith, mas ele se reerguia sem sua permissão, consumindo suas entranhas até que ele decidisse fazer alguma coisa.

Fechou os olhos e passou a mão pelos cabelos. As palavras de Ginny ecoando sem sua mente.

"Se ele continuasse tentando me matar e eu tentasse me defender, seria uma coisa. Mas tenho certeza que ele não estava raciocinando, que estava desesperado. Eu não sou uma pessoa grande o suficiente para perdoá-lo, mas também não o quero morto."

Por mais que as palavras da ruiva não o tivessem convencido, não podia negar que mexeram com ele de uma forma significativa. Não só sobre Zacharias, mas abalando os seus mais profundos conceitos.

Revirou os olhos e balançou a cabeça afundando-a nas mãos e soltando um rugido forte de raiva. Graças àquele tonto do Smith, Draco fora punido severamente por algo que não era sua culpa. Não diretamente.

Lembrou então do ferimento da ruiva e da palidez mórbida que tomara conta dela. Era incrível que ela houvesse escapado da morte mais uma vez, ilesa. Ela era forte, mas ele não podia arriscar mais. Ela ficaria extremamente chateada e ele tinha certeza que o odiaria mais do que já o odiava, no entanto, ele teria tempo o suficiente para fazê-la mudar de idéia depois.

-Bulby, vou sair. – sorriu. – Mande a pequena lady não esperar acordada.

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Tremendo dos pés a cabeça, Zacharias Smith, com os braços envolvendo a si mesmo e o corpo jogado de qualquer forma na pedra fria e molhada que era o chão, abriu os olhos. Não que esse ato tivesse realmente alguma utilidade já que tudo continuava extremamente escuro. Tentou falar alguma coisa, chamar por alguém, mas seus lábios trêmulos só conseguiam deixar escapar gemidos.

Estava com fome, sede e dor. Seu corpo nu estava inundado por uma água fria que resfriava ainda mais com o vento gelado batendo em sua pele. Não teve como achar a fonte desse vento já que o lugar escuro não tinha janelas ou frestas.

Com o corpo sempre encolhido e trêmulo, ele esfregava as mãos nos braços tentando aquecer-se, e mantinha os olhos abertos tentando acostumar a vista com o que parecia ser uma infinita escuridão. Depois de um tempo, tudo o que conseguia ver eram vultos de rochas e mais rochas. Paredes bem perto dele, mostrando que o lugar não era de fato nem um pouco amplo. Na verdade, se tivesse disposição para ficar em pé e andar, daria cerca de quatro passos não muito longos para chegar à outra extremidade. Quando sentiu um pouco mais de forças gemeu alto de dor, na esperança de chamar a atenção de quem quer que fosse.

Prendeu a respiração quando passos apressados e decididos se fizeram ecoar. Pelo som, ele percebia que não se tratava de uma pessoa apenas.

Um barulho tão alto se pronunciou que chegou a machucar os ouvidos do garoto. Como uma fechadura milenar extremamente enferrujada sendo cruelmente forçada.

-É aqui. – foram as únicas palavras que ele ouviu antes da claridade súbita invadir o cômodo e machucar seus olhos.

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-Não pensei que o veria por aqui um bom tempo. – Torrence comentou para o jovem comensal a sua frente. – Imaginei que estaria com a nº1800.

-Sabe o que eu vim fazer.

-Faço uma idéia bem clara.

O homem foi prudente o suficiente para esconder o sorriso que queria se apossar de seus lábios. Levantou-se de sua mesa e fez sinal para que Draco tocasse na chave de portal.

-Tem certeza que está bem para viajar?

Draco levantou os olhos irritado por até os comensais de mais baixo calão saberem de sua punição. Irritado, tocou na chave de portal e deixou-se levar pelo familiar puxão no umbigo. Lembrou-se como sempre ficava enjoado com essas viagens antes de Ginny aparecer. Com as visitas freqüentes que fazia a ela na ilha, se acostumara perfeitamente com esse meio de transporte.

Enquanto andavam para dentro da prisão e Torrence o guiava pelos corredores para as alas mais sombrias, a curiosidade de Draco venceu o orgulho.

-Então... quem mais sabe?

O homem moreno sabia exatamente do que ele estava falando.

-Os que ficaram sabendo não fizeram questão de manter segredo. – um eufemismo para a real resposta: "Todo mundo". – Mas ninguém sabe o porquê de sua punição.

Draco soltou o ar. Ainda sentia uma pontada incomoda de humilhação, mas a situação era com certeza muito melhor se soubessem que não fora tudo por causa de Ginevra. Descobrira recentemente dos rumores sobre a sua obsessão pela ruiva e isso o irritava profundamente. Eles podiam ser verdadeiros, mas eram extremamente inconvenientes.

Queria que tivessem notícias da garota quando ela estivesse ao seu lado completamente. Fora ingênuo de sua parte querer manter segredo naquele círculo traiçoeiro e malicioso dos comensais da morte.

Pensando nisso, as palavras de Ginny vieram novamente à sua mente. Antes que pudesse se demorar nesse pensamento, Torrence o interrompeu.

-Se importa se eu perguntar como está a prisioneira?

Draco fechou a cara e escolheu as palavras antes de responder:

- Não que seja da sua conta. – o tom de sua voz era arrastado e maldoso. – Mas Ginevra está muito bem. Ainda está sob fortes medicamentos, mas não sofreu nenhum trauma permanente.

-Ela é extremamente forte.

-Sim. Não a aceitaria se isso fosse diferente.

O tom agressivamente possessivo na voz de Draco fez com que Torrence estremecesse. Por mais que não pudesse fazer nada por Ginny, preferia quando a garota estava por perto. Com ela em Londres, tudo ficava bem mais difícil.

-E quando ela voltará para a ilha?

-Ela tem se comportado tão bem... – Por mais que tivesse colocado as mais altas doses de malícia e duplo sentido na frase, de certa forma, Draco não sentia que era mentira. Afinal, ela não gritara e nem tentara agredi-lo. – ...que não creio que retornará.

O homem se calou pelo resto do caminho tentando fazer sua mente voar para a cela fria de Zacharias Smith e não para a mansão luxuosa na qual Ginny Weasley era prisioneira, a mercê dos desejos e das vontades mais repugnantes do comensal que caminhava atrás de si.

Pensou no que aconteceria com o garoto, e percebeu que realmente não podia ter pena dele. Mesmo que Torrence se considerasse um covarde, nunca atacaria alguém pelas costas nem no seu mais alto nível de desespero. Respirou fundo quando finalmente os dois pararam na frente da porta da cela que guardava o desprezível ser.

Olhou para Draco e pode perceber a satisfação do loiro ao perceber que Smith estava naquele cativeiro em especial. A cela mais próxima dos dementadores, a mais fria, a menor... Torrence destrancou a porta, já acostumado com o som alto e incômodo das fechaduras velhas.

-É aqui.

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Já era noite.

Depois de muito lutar contra o sono pesado e desconfortável que teimava em se apoderar dela, Ginny finalmente conseguiu levantar-se, ficar de pé e dar passos cambaleantes para o banheiro. Seu estômago doía de fome, e sua garganta estava extremamente seca. Lembranças difusas das últimas horas passaram pela sua cabeça.

Aquele maldito Malfoy sabia que iria ficar doente por todo esse tempo e a envenenara para que, mesmo assim, ela continuasse subjugada a ele. Lavando o rosto e lambendo a água que escorria próxima aos seus lábios, ponderou o que realmente acontecera. Draco não fora nem um pouco discreto em relação a sua sessão de tortura e ela pode deduzir que realmente teve alguma coisa a ver com o mórbido episódio na enfermaria.

Mas por que ele seria punido depois que ela foi esfaqueada?

Ela sabia que ele não havia lutado de volta e que os ferimentos não eram para matar, então realmente só podia ter sido uma tortura... mas quem ele permitiria que o maltratasse desse jeito? De forma que tivesse até planejado com os elfos como proceder depois que acontecesse? Lucius Malfoy passou por sua cabeça rapidamente, mas ela logo descartou a possibilidade. Por mais que ele fosse um homem frio, sabia que amava o filho pela forma que sempre o mimara. Duvidava muito que ele pudesse machucá-lo.

Então a opção mais óbvia lhe veio à mente.

Voldemort. Mas por que ele torturaria Draco por sua causa?

Antes que pudesse pensar em mais alguma coisa, ouviu um gritinho exasperado na porta do banheiro e virou-se para ver Guccia olhando para ela com os olhos grandes saltando das órbitas.

-OH MINHA SENHORA! – ela berrou. Ginny, olhando no espelho, logo percebeu o que a assustara.

A camisa masculina que usava estava coberta de sangue. Muito sangue. E para a surpresa da elfa, Ginny deu uma risadinha.

-Oh Deus... – falou sem entusiasmo. -Calma, não é meu sangue.

"-Esse sangue pode estar saindo de mim. Mas é seu."

-Não é meu sangue. – repetiu.

Ginny não estava assustada, enojada ou sequer com medo de olhar para sua imagem sangrenta refletida no espelho. Acostumara-se tanto a ver coisas chocantes que aquilo realmente não a assustava mais. Uma indiferença tanto confortável quanto estranha a anestesiava de qualquer sentimento doloroso que sua imagem poderia lhe causar.

Bom, ela era a única indiferente, pois Guccia, desesperada, desabotoava a camisa de Draco em busca dos ferimentos de Ginny murmurando coisas inaudíveis e tristonhas.

-Calma, Guccia... – Ginny tentou em vão acalmar a elfa. – Guccia pára!

A elfa parou com um soluço assustado.

-Eu estou bem! Eu não estou ferida. Bom... tirando pelo, sabe... pescoço, mas até ele não está sangrando tanto!

Guccia tentou respirar fundo para se acalmar, mas tudo o que conseguiu foi mais soluços. Ginny teve que se segurar para não revirar os olhos.

-Por que não me prepara um banho, hã? Assim eu posso me limpar.

A elfa fez que sim.

-Guccia preparar um banho maravilhoso para senhorazinha enquanto ela come comida que Guccia e Bulby prepararam.

Ginny fez que sim e caminhou até o quarto para achar uma bandeja cheia de comida que parecia realmente atraente. Um copo de suco de laranja com gelo e guardanapos também se encontravam ali. Sentou-se e começou a comer lentamente, tentando não deixar sua fome tomar conta e fazê-la avançar na comida como um animal. Mastigava cada garfada como se fosse a última.

Não sabia quando comeria novamente então fez de tudo para se satisfazer o máximo, mastigando bem devagar para que seu corpo processasse-a com mais facilidade.

Ela sorriu, ao perceber que a comida tinha sido feita com capricho e pensou em todas as pessoas que ela encontrara nessas últimas semanas. Por mais que estivesse passando por uma fase terrível de sua vida, pessoas boas continuavam aparecendo. Primeiro Madame Warbler, depois Torrence, Suzan Bones, Guccia e Bulby.

Era impressionante como em um curto período de tempo todos eles pareceram simpatizar com ela. Tudo bem que nunca tivera muito contato com Torrence e que ele já a havia derrubado de uma escada por causa de Draco, mas não conseguia nutrir maus sentimentos por ele. E, de alguma forma, sabia que ele se sentia da mesma forma. Talvez ajudasse o fato de ele ter sido o que a tirou da cela quando seu corpo não agüentava mais a desnutrição, ou quando ele o defendeu daquele outro capataz.

Mesmo sendo um comensal, ela tinha impressão que ele era um realmente um "bom rapaz", como Madame Warbler lhe dissera repetidas vezes. E agora, mesmo longe da amiga, os elfos Guccia e Bulby pareciam dispostos a cuidar dela.

Quase se sentiu sortuda.

Quase.

Depois de terminar de comer, mergulhou na banheira preparada por Guccia, tentando não pensar que Draco Malfoy, provavelmente se banhara ali depois do massacre à Toca.

Enquanto os sais eferversciam e desfaziam os nós de tensão nas suas costas, Ginny pôde ouvir a voz de Bulby no quarto conversando com Guccia rapidamente.

-Senhorazinha estar bem?

-Estar banhando-se.

A falta de conjugação nos verbos era cativante.

-Senhor Malfoy chegar agorinha mesmo.

-Ele não dizer que ia demorar?

-Ele sair de manhã... já ser noite.

-E roupas para a senhorazinha?

-Nada ainda. Senhor Malfoy não se importar de ela vestir roupas dele por enquanto. Ela não sair da Mansão...

-Guccia pretende levá-la aos jardins... um dia. Estar pálida.

-Senhor Malfoy gostar dela assim.

-Senhor Malfoy vai gostar de vê-la saudável.

-Senhor Malfoy gostar muito dela. Bulby sabe, porque olhos do mestre brilham quando fala dela, fica manso e feliz.

-Guccia perceber. Mas senhorazinha parece desconfortável com ele.

-Ela estar doente e machucada. Senhor Malfoy cuidar dela e os dois serem felizes.

-Sim, sim. Guccia ter certeza disso. Mas ela parecer tão infeliz.

-Deve estar preocupada com nosso mestre.

-Guccia não entende porque ela o afasta tanto. Ele ser bom.

-Bulby achar que Guccia e Bulby dever falar bem dele, para que possam ser os dois felizes. A jovem senhora é boa para elfos.

-Sim, ela ter mais paciência que o jovem mestre... Ela ser encantadora.

-Por que chorar, Guccia?

-Guccia chora com medo de que ela nunca consiga ser feliz ao lado do jovem mestre que a ama.

"E de novo essa história de amor." Foi tudo o que Ginny conseguiu pensar enquanto Bulby consolava Guccia. Não estava fazendo um bom trabalho já que estava começando a chorar alto e ruidosamente também. "Meu Deus, é muito drama. Até pra mim."

-Guccia, uma toalha. Por favor.

A elfa conteve os soluços e caminhou para o banheiro com a toalha de Ginny. Fez questão de ajudar a secá-la e até mesmo vesti-la. Ginny sentiu-se desconfortável com aquela atenção excessiva. Foi quando ela secava e penteava seu cabelo que Draco abriu a porta, dando a ela uma rápida visão do corredor.

Pela primeira vez, desde que Ginny era prisioneira os olhos de Malfoy não voaram para ela quando ele entrou no cômodo. Na verdade, ele mal pareceu notar a sua presença. Isso intrigou e alegrou Guccia, que sabia que assim que ele a notasse dispensaria seus serviços.

Ginny olhou com certa curiosidade enquanto ele tirava a capa e a jogava de qualquer forma em cima do cabide, ia para o banheiro e se apoiava na pia, respirando fundo enquanto jogava água no rosto. Parecia extremamente atordoado.

A ruiva franziu o cenho e pensou no que poderia deixá-lo assim. Ele sempre lhe parecera tão confiante e inabalável. Mesmo quando estava sangrando e cheio de dor mantinha o controle da situação. O que o deixara daquela forma?

Intrigada, não conseguiu sentir-se feliz por ele não estar sufocando-a de atenção como sempre. Tinha algo acontecendo. Algo que lhe interessava. Algo grande. Ela podia sentir.

Deixou que Guccia terminasse seu penteado enquanto o observava discretamente. Draco parecia irritado e frustrado. Ginny pegou-se prendendo a língua com os dentes para evitar a si mesma de perguntar a ele o que havia de errado. Tudo o que ela não queria era mais atenção voltada para ela.

Parecendo que ouvia seus pensamentos, ele subitamente levantou os olhos pra Ginny, que mal pôde esconder a surpresa ao ver a expressão em seu rosto. Uma expressão que ela pensou que nunca veria no rosto de um comensal. Pelo menos não no rosto de um comensal como ele.

Culpa.

Seus olhos brilhavam e sua testa estava franzida... Era quase como se suas desculpas atravessassem o silêncio. Ginny se viu perdida na imensidão azul daquele olhar. Nunca havia notado que os olhos dele eram daquela cor. Sempre os vira cinzentos e frios, mas agora podia ver aquele brilho anil por trás de todo aquele metal, um brilho não muito forte, mas o suficiente para fazer o ar abandonar seus pulmões.

Saber que aquele olhar tão raro no rosto de Malfoy - e no de qualquer outra pessoa – era direcionado para ela, dava uma sensação quentinha no peito. De repente sentiu vontade de sorrir para ele ou de chorar aconchegada em seu peito como fizera há algumas semanas atrás na Ceifatorus.

Sem desviar os olhos daquela expressão e sem tentar reprimir nenhum de seus desejos, ela se sentia perdida.

-Guccia. – ele não desviou os olhos dela enquanto dava o comando, e sua voz era rouca e grave. Como se não a usasse há muito tempo. – Saia. – era uma ordem, mas não tinha aquele tom agressivo e imperioso de sempre. E Ginny se sentiu mais perdida ainda ao perceber que adorava aquele tom.

-Mas senhor Malfoy... – a elfa ainda tentou protestar.

-Saia.

Ginny pensou em suplicar para que ela ficasse, de dar uma resposta malcriada para Malfoy dizendo que a queria ali, mas percebeu que estava imobilizada, com os olhos presos nos dele. O estalo que indicava que a elfa havia partido distribuiu arrepios em sua espinha e demorou para que ela notasse que o loiro se aproximava.

Ele parou na sua frente, olhando para baixo já que ela estava sentada e ele em pé. Ginny fez menção de se levantar, mas ele se ajoelhou na sua frente e agarrou sua mão obrigando que ela continuasse onde estava. Acariciou a mão presa dentro da sua e beijou-a, sentindo sua textura macia contra os seus lábios, observando o contraste das peles. A dela estava tão mais branca do que a sua. Por um instante ela foi tomada por um irresistível instinto de arrancar suas mãos das dele. Permaneceu, no entanto, absolutamente parada.

-Você é uma pessoa linda, Ginny. – ele disse, a voz rouca carregada de algum sentimento estranho. Algo como angústia. – Você é linda, você é pura. Eu não quero te perder.

-Por que você acha que vai me perder? – ele levantou os olhos para encará-la. A voz da garota não passava de um sussurro.

Ele não respondeu, apenas continuou encarando-a e acariciando sua mão.

-O que houve? – Ginny perguntou finalmente, sem conseguir conter a curiosidade.

-Eu... – ele começou e a ruiva entendeu que ele devia estar escolhendo as palavras. – Eu quero que me perdoe por não ter podido respeitar a sua vontade.

Ginny franziu o cenho, olhando-o intrigada.

-Do que você está falando? Que...

"–Não sinto nada.

-Aquele bastardo realmente te machucou. Não vejo a hora de acabar com aquele cretino."

-Zacharias? – perguntou se levantando bruscamente da cadeira. Draco levantou também, lentamente, enquanto ela falava fazendo Ginny sentir-se subitamente intimidada pela sua altura e pela proximidade excessiva. – Está falando de Zacharias?

Ele fez que sim.

-Você o matou? – ela perguntou, sentindo a garganta fechar e a voz ficar trêmula.

Draco percebeu isso sem muita surpresa. Apenas sentiu-se um pouco mal por ela.

Um pouco.

Bem pouco.

Ginny tinha que aprender o que era melhor para ela.

-Sim, Ginevra.

A reação dela foi tão comovente que ele não pôde deixar de abraçá-la.

Soltou um gemido baixo que anunciava a chegada de violentas lágrimas. Abraçou o próprio corpo, sentindo que a força do pranto abalando seu corpo. Teria caído de joelhos se Draco não a tivesse acolhido em seus braços. Depois de poucos segundos naquela posição, ela afastou-o e caminhou até uma das colunas da cama se apoiando ali.

-Por que você fez isso?

-Não sabia que você gostava tanto assim dele...

-Você não entende, não é? – a voz cheia de dor e tristeza só impulsionou o loiro a se aproximar dela novamente. – Você o matou por minha causa, e agora essa morte vai me assombrar – soluços. - pra sempre.

-Do que está falando, Ginny? – ele perguntou com a voz mansa, como se falasse com um animal acuado. – Nada disso é culpa sua. Ele... ele cavou a própria cova.

-E você deu o empurrãozinho final.

-Eu fiz isso por você.

Estranhamente (para Draco) aquelas palavras a afetaram ainda mais. A ponto de ela soluçar alto enquanto mais lágrimas escorriam pelos seus olhos.

-Saia daqui. – ela pediu. – Por favor, me deixe sozinha.

Ele não respondeu. Continuou abraçando-a pelos ombros, sentindo o cheiro de seus cabelos, desejando que toda aquela dor abandonasse aquele coração tão frágil e machucado.

-Ginevra...

-Por favor, Draco. – ela pediu novamente virando-se para ele. – Por favor, eu preciso ficar sozinha, eu preciso pensar...

Depois de alguns segundos ponderando, ele fez que sim e deu alguns passos para trás. Suspirou e passou a mão pelos cabelos loiros antes de caminhar até a porta.

-Você poderia me colocar em um outro quarto. – ele ainda ouviu a voz dela, bem baixa. Talvez ela não estivesse segura para falar mais alto do que aquilo. – Quero dizer, esse quarto é o seu.

-Você fica aqui. – a voz saiu mais rude do Draco pretendia, mas ele limitou-se a sair porta afora e trancá-la.

Notou então, que realmente precisava de um tempo longe da garota. Mesmo assim, não queria que ela deixasse seu quarto para impregnar outro com o seu cheiro. Gostava de senti-lo no seu quarto.

Puxou o ar com força ainda escutando os soluços da pequena dentro do quarto. Depois de tudo o que acontecera, imaginara como seria dormir sem senti-la por perto.

X

-Uau! Você está um lixo! – comentou uma voz animada e zombeteira.

Draco levantou os olhos para encarar Blaise Zabini parado em frente a sua mesa de trabalho parecendo extremamente disposto e contente nas suas roupas perfeitamente passadas e o cabelo perfeitamente penteado para trás.

-Eu não consegui dormir. – respondeu mal-humorado.

-Devo culpar uma Weasleyzinha por causa disso? - o negro perguntou divertido enquanto, sem cerimônias, puxava uma cadeira e sentava-se com os braços atrás da cabeça e os pés apoiando-se na mesa. Perigosamente perto de um monte de pergaminhos.

-O que você quer, Blaise?

-Vi que já estava quase na hora de você chegar e vim ver como você está. – por mais que o tom ainda fosse brincalhão, Draco sabia que ele estava falando sério. – Com toda essa história do Smith...

Draco ficou calado, desviando sua atenção dos papéis e levantando os olhos para o amigo.

-Você... Contou a ela?

Draco mexeu-se desconfortavelmente antes de responder:

-Não.

Blaise arqueou as sobrancelhas.

-Por que não? Achei que ela ficaria feliz em saber. – disse. – Eu não contaria, mas do jeito que você está zelando para fazê-la feliz...

-Eu disse que o matei. – Draco interrompeu o negro, que arregalou os olhos, sem entender. – Eu disse para Ginevra que eu matei Zacharias Smith.

-Por que você...?

-Eu não podia deixá-la saber que eu fracassei, okay? – o tom de Draco era agressivo. Levantou-se revoltado da mesa. A cadeira arrastando-se no chão fortemente com o movimento. – Eu não podia deixá-la saber que eu não fui capaz de cuidar dela, acabando com o homem que quase a matou. Não podia deixá-la saber que por minha incompetência... ele fugiu.

Blaise olhou com preocupação para o amigo.

-Você sabe que não foi culpa sua. Quando você chegou na Ceifatorus ele já tinha sido levado! Não é sua culpa ter dado de cara com uma cela vazia.

-Eu ainda não entendo como isso aconteceu! – Draco bradou andando de um lado para o outro. – Nós temos um mapa daquele lugar, droga! Era para aquela coisa alertar quando houvesse intrusos! E ninguém que não é um comensal da morte consegue chegar naquela prisão! Como eles conseguiram entrar de qualquer forma?

-Ravena tem umas teorias...

-Mulciber?

-Ela sempre alertou o quanto Torrence não era de confiança e, bem... foi ele quem criou o sistema do mapa.

Draco balançou a cabeça negativamente depois de ponderar a idéia por alguns segundos.

-Não, não... Torrence estava doido para ver Smith morto... eu vi nos olhos dele. – disse.

Blaise deu de ombros.

-Se você diz. – falou, parecendo inconformado. – Mas eu não sei como os amigos do Smith poderiam ter entrado e tirado ele de lá antes de você. Quem mais eles levaram?

-Morag McDougal, Neville Longbottom, Angelina Jonhson, Jack Slooper, Anthony Goldstein, Suzan Bones... –Blaise suspirou. - Quase todos os alunos de Hogwarts e alguns aurores como Savage...

-Uau... Mas todos eles estavam em cantos diferentes da prisão. Como os invasores passaram despercebidos?

-É o que eu estou quebrando a cabeça tentando descobrir. – Draco suspirou. – Você não tem a idéia da loucura que está o Ministério. Investigações, tentar manter tudo em segredo... Eu já fui e voltei da Ceifatorus umas três vezes pra colher os relatórios das investigações e arranjar tudo numa maldita...

-É a vida, mon ami.

Blaise analisou o loiro por alguns segundos enquanto ele sentava-se novamente e puxava um pergaminho e o lia com a mão no queixo. Uma expressão dividida entre atormentada e concentrada.

-Você já pensou no que aconteceria se ela ainda estivesse lá? – perguntou Blaise. – Ontem, quando essa merda toda aconteceu.

Draco levantou as íris claras do relatório e suspirou longamente antes de responder com a voz carregada de sinceridade:

-Pensei tanto que não fui capaz de dormir.

-E como vocês dois estão?

-Eu achei que estávamos indo... melhor. – o comensal respondeu perguntando-se porque era sempre tão sincero com Blaise. – Até essa história toda do Zacharias.

Draco deu uma risadinha sem humor.

-O quê?

-Ela me expulsou do quarto. – e voltou a rir acompanhado da risada incrédula do negro.

-É meu amigo... girls will be girls¹. - Blaise disse depois que as risadas morreram. - Ela estava muito furiosa?

-Não... Na verdade ela foi até... Amável. – Draco ponderou. – Estava chorando um rio quando pediu "um tempo sozinha". Quis que eu a trocasse de quarto, mas eu a deixei lá.

Blaise acenou em aprovação.

-Comece a trocá-la de quartos que ela vai começar a fazer um mapa da casa naquela cabecinha e conseguir achar um jeito de escapar. – ao perceber a expressão de Draco, continuou: - O quê? Aquela garota é esperta, cara.

Draco sorriu de lado, convencido.

-Ela é, não é mesmo? – seu tom era orgulhoso. – Mas não se preocupe com isso. Ela tem dois elfos, um fantasma e quadros vigiando-a, não vai conseguir escapar.

-Tem um fantasma no seu quarto?

-Não. Eu deixei Ginny andar pela mansão.

-O quê? – Blaise arregalou os olhos.

-Quando falei com ela de manhã estava tão melancólica... – Draco explicou. – Não falava uma palavra nem comigo nem com os elfos, então... deixei-a sair para ver se... não sei, se animava.

-Oh Draco... – Blaise riu. – Draco-bobão. Você é tão manipulável...

-Mas Ginevra...

-E Ginevra está se saindo uma verdadeira jogadora. – Blaise riu mais ainda, deixando Draco irritado. – Parece que alguém está perdendo o controle da situação.

-Terminou?

-Nem comecei.

-Então saia da minha sala e continue falando sozinho. – Draco respondeu rudemente. – Eu tenho mais o que fazer.

-Não precisa ficar tão chateado. – Blaise defendeu-se sem perder o humor na voz. – Não vim aqui só pra ficar sabendo das últimas aventuras da sua pequena prisioneira. Preciso te entregar uma coisa que acredito que será bem útil.

Draco incentivou-o a continuar.

-Não, aqui não. – o negro respondeu. – Mais tarde, na sua casa.

Draco revirou os olhos e fez que sim, antes de dispensá-lo grosseiramente para voltar para seus relatórios.

X

-Deseja alguma coisa, senhora?

-Senhorazinha querer refresco? Estar faz endo calor.

-Senhora quer apoiar os pés em algo mais confortável?

-Senhora estar com fome?

-Senhorazinha ter que se alimentar!

-Senhorazinha, por favor, comer antes que Bulby queimar os dedos!

Foram algumas das frases que Ginny teve que aturar dos elfos. Fora incrível como no dia que passara fora do quarto as criaturinhas a sufocaram de atenção quando tudo o que ela mais queria era ficar sozinha. Seguindo ordens de Draco, insistindo para que ela se alimentasse, oferecendo tudo o que pudesse deixá-la mais confortável, e limpando tudo ao seu redor, ou dando ataques e se castigando por não conseguir deixar a sua senhora feliz.

Com estado de humor que a ruiva se encontrava não fora capaz de ser enérgica o suficiente para fazê-los parar, então simplesmente os encarava, entediada, e lhes dava respostas monossilábicas.

Era fim de tarde, e ela admirava o sol se pôr pelas largas janelas da sala de estar, sentada num dos confortáveis sofás. Trajava um vestido branco adequado para o clima quente. Era simples e delicado, adornando seu corpo com graciosidade.

Claro que fora Guccia quem escolhera. Ginny preferia ficado de pijamas o dia todo, mas não teve forças para argumentar com a elfa. A morte de Zacharias Smith caíra em si como um peso que não lhe permitia pensar ou respirar.

Seus olhos ficaram úmidos o dia todo, mas ela não chorou.

Respirou fundo enquanto os últimos fios de claridade se escondiam no horizonte. Poderia continuar naquele estado de inércia para sempre se um pigarro forte não tivesse tomado conta da sala, fazendo-a saltar do seu lugar para olhar para quem quer que fosse que emitira. Seu coração quase parou quando se deparou com Blaise Zabini, com seu típico sorriso zombeteiro e seus olhos encarando-a de cima abaixo.

-Draco não mentiu. – ele disse. – Você está realmente mais bonita do que nunca.

Ela não respondeu. Piscou, confusa, imaginando o que ele estaria fazendo ali.

-Relaxa, Gininha. Sente-se, aprecie a vista. – ele disse, parecendo extremamente bem-humorado enquanto sentava-se em uma poltrona a sua frente. – Eu vou ficar apreciando você.

-Se veio atrás do Malfoy, está perdendo seu tempo. Ele não está aqui. – Ginny disse no tom mais rude que pôde, antes de fazer seu caminho para fora do cômodo, caminho que foi interrompido pela mão grande do sonserino agarrando seu pulso.

Virou-se irritada para constatar que ele parecia se divertir bastante.

-Eu sei que ele não está em casa. – disse puxando-a para perto a fazendo se debater tentando livrar o pulso. – Hum, ele não te deixa sair mesmo não é? Está tão pálida...

O tom que usava era infantil e sarcasticamente carinhoso. Como se estivesse tentando agradar uma criança extremamente dramática.

Ginny percebeu que ele tinha mais intenção de assustá-la do que fazer alguma coisa. Draco era tão possessivo em relação a ela que duvidava muito que Blaise teria coragem de machucá-la. Decidiu não se deixar intimidar.

-Ohhh... – ele fez ao não receber nenhuma resposta dela, aproximando-se mais alguns passos. Seu tom era manso, mas ela sentia o perigo pela forma que ele apertava seu pulso. – Porque está tão séria? Você é tão mais fofinha quando está sorrindo. – ele riu. – Você está tão branca que deixaria a Murta que Geme com inveja, mas tome isso como um elogio. Fica bem em você.

-O que você quer Zabini?

Ele sorriu.

-Cara... - disse. – Você é realmente difícil. Draco precisa apertar mais a sua coleira.

-O que você quer, Zabini? – repetiu mais duramente.

Ele não respondeu, avançou forçando-a a caminhar para trás. Sentou-a no sofá sem cerimônias, sentando-se do seu lado.

-Não fique nervosa, Weaslette, querida. – ele disse naquele tom de voz falsamente carinhoso. – Eu realmente quero apenas conversar com você. – passou a mão pelo rosto dela afastando uma mecha ruiva fazendo com que ela afastasse o rosto bruscamente. – Uau, uau, uau... Agressiva como sempre. É isso que tanto atrai Draco?

-Me solta, Zabini. – ordenou com frieza.

Ele ainda a segurou por mais alguns segundos antes de soltá-la bruscamente, um sorrisinho sarcástico em seu rosto enquanto a observava se levantar e caminhar pra fora do cômodo. Riu.

-Você é definitivamente uma figura. – disse. – E Draco está realmente louquinho por você.

Ela parou.

-Se ele gostasse de mim já teria me deixado ir embora há muito tempo.

-Como se ele pudesse... – Blaise soltou a frase como se estivesse pensando em voz alta.

-O que quer dizer com isso? – Ginny perguntou, se virando completamente para encará-lo.

O negro a observou. Claramente ponderando se deveria lhe contar alguma coisa. Possivelmente as respostas das questões que vinham atormentando a pequena nas últimas semanas. Ela esperou pacientemente pela resposta de Zabini prestando atenção demais em suas feições e em seus olhos para lembrar-se de libertar o ar preso em seus pulmões. Blaise então a liberou do contato visual com uma risada.

Quando o fez, Ginny soltou o ar lentamente percebendo, pela reação do garoto, que não teria suas respostas. Ainda.

-Draco está passando por uma fase... estranha. – ele disse olhando pela janela e levando as mãos aos bolsos das vestes de forma casual. – Acho que de certa forma ele se apegou a você.

-Okay... – Ginny constatou pacientemente. – Mas isso porque passou tempo demais comigo, quero dizer, ele me desprezava.

Blaise concordou olhando-a de lado como se seguindo a linha de seu raciocínio apenas para se divertir com o resultado.

-Sem sombras de dúvida...

-Porque ele não me matou na noite de 11 de junho? – ela perguntou e quando ele fez menção de falar interrompeu. – E não me venha com o papo de menor de idade porque comensais da morte já mataram pessoas mais jovens do que eu.

Blaise riu novamente enquanto se aproximava dela em passos vagarosos e despreocupados.

-Me admira muito. Essa esperteza. – ele perguntou quando estava próximo o suficiente para que nem o sorriso branco e bonito em seu rosto anulasse seu ar intimidador. A garota não se abalou. – Diga Ginny... não está nem um pouco abalada com a morte da sua família, do seu namorado? Só consegue realmente pensar em você mesma?

-Não mude de assunto. – ela disse dando um passo a frente com o queixo erguido atrevidamente para mostrar que não se sentia nem um pouco intimidada por ele, mesmo que os pêlos de sua nuca estivessem arrepiados. - Por que eu estou viva, Zabini?

-Isso eu não sei. – o negro respondeu. – E duvido que Draco saiba muito mais do que eu, mas se eu fosse você, parava de questionar a causa e celebrava a conseqüência.

-Eu estou trancada entre quatro paredes há 55 malditos dias. – ela disse, reduzindo sua voz ao mesmo tom dele, sendo que o seu era um tanto hostil. – Celebrar não é bem uma opção, então, sim, eu prefiro questionar porque advinha só, Zabini. – e sua expressão se fechou assim como seu tom endureceu. - Eu não tenho nada melhor pra fazer.

-Há... você é tão espertinha, não é mesmo? – disse Zabini enquanto ajeitava os cabelos rubros de Ginny atrás de sua orelha. – Devia tomar mais cuidado Weasley, esse seu atrevimento pode te machucar.

-Não enquanto Draco estiver aqui pra me proteger, não é mesmo?

-Que bom que deixamos isso claro. – uma voz alta fez-se ouvir chamando atenção dos dois que olharam para a direita onde Draco se encontrava, trajando as roupas usualmente escuras, o porte elegante e uma expressão não muito contente no rosto.

-Draco, parceiro! – Zabini falou exageradamente abrindo os braços e caminhando até o loiro. Baixou-os assim que o loiro direcionou-lhe um olhar assassino. – Eu e sua... "mistress" estávamos falando agorinha mesmo sobre você.

-Não a chame assim.

-Era exatamente sobre isso que estávamos discutindo. – disse Ginny. – O que eu sou afinal, Draco?

-Neste momento, você está sendo atrevida demais. – ele falou, aproximando-se da garota. – Vá para o quarto e depois nós conversamos.

-Eu avisei... – Blaise cantarolou, olhando para as paredes, parecendo adorar o clima desconfortável estabelecido no local.

-Pare de agir como se tivesse o controle de tudo quando está mais perdido do que eu! – Ginny respondeu, ignorando Zabini solenemente.

-Oh não, querida. Eu tenho quase certeza que você está bem mais perdida. – Blaise comentou.

-Zabini, quer calar a boca? Você já fez demais. E você – disse virando-se para Ginny. – Se gosta tanto de dificultar as coisas, que assim seja.

E agarrando-a fortemente pelo braço, a arrastou pelos corredores até o quarto sob a risada divertida de Zabini. Ginny não resistiu. Não queria ficar mais tempo perto daquele amigo desprezível de Draco.

-Por que você tem que ser tão difícil?

-Porque você matou Zacharias Smith. – ele não teve certeza se aquilo havia sido uma afirmação ou uma pergunta.

-Eu já disse que fiz isso por você.

-Da mesma forma que me mantém trancada? Quer me fazer acreditar que isso tudo é por mim?

Os dois já haviam chegado ao quarto e ele fechou a porta violentamente atrás de si.

-Sim, Ginny. É exatamente o que eu estou tentando te dizer. – ele respondeu. – Isso tudo é por você.

-Nesse caso, por favor... pare de se preocupar comigo.

Ele aproximou-se apoiando suas mãos nos ombros dela e escorregando-as para o seu pescoço fazendo com que o rosto de Ginny fosse forçado na direção do seu.

-Se eu não me preocupasse com você, estaria com certeza, muito mais satisfeito do que eu estou. – a sua expressão, assim como sua voz, era sombria. – Se eu não me preocupasse com você não poderia estar tocando em você agora, mas já teria feito muito mais do que isso.

A ruiva engoliu em seco sentindo um calafrio subir por sua espinha. Como se estivesse na beira de um precipício, precisando apenas de uma leve brisa para perder o equilíbrio.

-Então, não deseje que eu pare de me preocupar. – continuou. – Pode acontecer.

Ele ainda estudou sua expressão por mais alguns segundos e pelo visto não apreciou o receio em seus olhos, pois o toque agressivo tornou-se repentinamente mais leve. A garota franziu o cenho notando a diferença e sentindo o carinho do polegar forte em seu rosto.

-Você parece melhor do que hoje de manhã, de qualquer forma. – ele afirmou em um tom mais brando. – Comeu alguma coisa depois que eu saí?

A garota continuou calada, olhando-o como se fosse um lunático. Com o silêncio dela, ele se afastou e tirou alguma coisa do bolso da capa. Algo pequeno que cresceu rapidamente assim que ele arrancava das vestes.

Um buquê.

De flores.

-São frésias. – ele respondeu quando Ginny expôs sua estupefação. – Achei que você devia gostar de frésias, por causa do seu cheiro e tudo mais.

Ela ficou em silêncio olhando estupefata para as flores em seus braços e para Draco. Ele se aproximou e as tirou de suas mãos, colocando-as na cama em movimentos lentos para depois se aproximar de Ginny, inclinando-se para cheirar os fios alaranjados enquanto as mãos apertavam sua cintura.

-É... – disse baixinho fazendo o hálito quente se chocar com o pescoço da ruiva. – É esse o seu cheiro.

As mãos dela estavam posicionadas instintivamente no peitoral do rapaz, como se fosse empurrá-lo. No entanto, não fez força para se desvencilhar dele.

-Malfoy... – balbuciou.

-Não gosto de você conversando com Zabini. – ele a interrompeu. – Ele chegou mais cedo na esperança de encontrar você. Da próxima vez, o ignore, por favor. Ele pode ser um canalha quando quer.

Ele afastou-se com a falta de reação dela e não pareceu muito surpreso ao ver lágrimas.

-Pare de chorar, Ginny. – ele ordenou. Ela assustou-se e levou as mãos ao rosto, parecendo surpresa com as próprias lágrimas. – Eu não vou te machucar. Por que você está sendo tão difícil?

Ela tentou se livrar das mãos dele em vão, então contentou-se em desviar o olhar.

-Ainda é por causa do Smith? – ele perguntou, recebendo silêncio como resposta. – Por que não fala comigo?

Ele esperou um pouco mais, porém o único som que escapou pelos lábios de Ginevra foi um soluço baixo.

-Tudo bem, eu vou ver o que Zabini quer e... volto mais tarde.

E saiu. O som da tranca da porta fez com que Ginny desabasse na larga e macia cama, ao lado das formosas flores.

Tentou parar de chorar, para descobrir que essa era uma tarefa extremamente difícil. Nos últimos tempos ela passara por tanta coisa que tinha que admitir para si mesma que era uma conquista não viver encolhida implorando pela própria vida e lamentando a morte de seus amigos e família. Mas era tão difícil... E TÃO exaustivo! Estava cansada de ter que tomar cuidado a cada segundo! Ter que planejar cada palavra que saía de sua boca e... Deus... ela sentia tanta falta de sorrir. Sorrir verdadeiramente.

Espremidos nesses cinqüenta e cinco dias lhe ocorreram coisas que não ocorrem na vida normal da maioria das pessoas. Por que ela simplesmente não podia acordar e perceber que tudo que não passara de um pesadelo maluco?

Ela desconfiava que dali pra frente, as coisas só iriam piorar. Sentia na mais profunda de suas entranhas que um futuro desagradável lhe aguardava.

Logo, ela descobriria que não podia estar mais certa.

X

-Qual é o seu problema, Zabini?

-Cara, relaxa. – o negro defendeu-se enquanto examinava o aposento em que se encontravam. Um escritório que se resumia a mogno para todo lugar que se olhasse. – Eu nem toquei nela. Hum... não em um sentido pervertido. Só estava curioso para saber o que ela tem demais.

-Você não ouviu nada do que eu falei de manhã? – exaltou-se o loiro. – Ela está muito lentamente, começando a confiar em mim. Mais uma dessas e tudo o que eu fiz nesses dois últimos meses...

-Cinqüenta e cinco dias. – Zabini consertou.

-O quê?

-Cinqüenta e cinco dias. Foi ela quem falou.

Draco deixou-se desabar numa poltrona em frente a uma lareira que não emitia fogo devido ao calor.

-Ela disse isso pra você?

-Deixou escapar. – o negro disse aproximando-se dele sorrateiramente, uma das mãos correndo para o bolso das vestes. – Todos esses longos dias cuidando dela, sem nenhuma recompensa.

-Cinqüenta e cinco dias é pouquíssimo tempo para derrubar toda uma ideologia de alguém, Zabini. – ele respondeu irritado. – Então me desculpe se eu acho que para esse mísero de espaço de tempo eu fiz algum progresso.

-Ah sim... você já disse tudo isso. Ela não é mais a suicida melancólica de antes. Ela come, deixa que a elfa cuide dela, chega até a ter conversas civilizadas com você... claro, quando você não está mais interessado em agarrá-la e... cheirá-la.

Com a última palavra Draco virou-se para o amigo com os olhos brilhando de raiva.

-Fique longe da minha mente, seu cretino.

Blaise riu.

-Não sei como você pode achar tudo isso engraçado. – Draco comentou num tom áspero, apoiando o cotovelo no encosto do sofá e massageando a têmpora.

-Ah desculpe, Draco... Mas a situação é um pouquinho engraçada sim. – ele disse. – E você logo vai rir comigo quando eu te der a solução.

O olhar desinteressado e cansado do comensal para Blaise, que tirava alguma coisa do bolso, foi substituído por uma expressão de atenção e incredulidade ao ver o que ele tinha nas mãos.

-Blaise, isso é... – ele perguntou levantando-se para encarar o frasco transparente que o negro balançava de um lado para o outro. – Blaise, onde você conseguiu isso?

-Uma droga depressora fabulosa se você me perguntar. – disse. – Com uma pitada de relaxantes e etc. Essa é a companheira ideal para homens na sua situação. – ele pronunciava alto, parecendo extremamente orgulhoso de si mesmo.

-Rape Drugs³.

-Eu prefiro chamar de Honey Oil.

-Como você conseguiu isso Zabini? – Draco perguntou sem tirar os olhos do frasco. Sua voz era dura.

-Draco, estamos vivenciando uma nova era. O que um comensal quer, um comensal tem. – Blaise respondeu. – Se um comensal quer uma droga alucinógena, ele tem. Se um comensal quer uma branquinha de cabelo laranja, ele a tem. – e com isso, estendeu o frasco para Draco que o pegou mais por reflexo que por outra coisa.

-Você espera que eu dê isso a Ginevra? – ele perguntou erguendo uma das sobrancelhas.

Blaise deu de ombros.

-Está louco.

-Ah qual é, Draco! – Blaise protestou. – É a solução perfeita, ela não vai sentir dor! Vai estar consciente, mas não vai ficar chorando ou te afastando... e ela nem vai saber que você a drogou!

-Como não, Zabini? – enfureceu-se Draco. – Ela me evitou por todo esse tempo e, de repente, vai sentir que não vai conseguir me afastar? E ela não vai perceber nem um pouco quando começar a ficar tonta e delirar?

-Pra mim você já tinha feito isso. – retrucou Blaise. – Você não deixou a Madame Warbler drogá-la?

-Não com esse tipo de droga! E ela só fez isso para que ela não conseguisse se mexer quando acordasse para poder curar melhor as feridas e Guccia deu um sonífero feito de ervas para ela. Tudo para evitar que ela mesma se machucasse mais, se mexendo do jeito que estava quando precisava ficar em repouso. Dormir.

-Uhum... – Blaise fez olhando debochado para o comensal. – Okay, se isso faz você se sentir melhor.

Draco suspirou em frustração. Não era sua culpa se a garota era tão agitada e preferia passar a maior parte do tempo esperneando e virando-se contra ele do que cuidando de si mesma. De vez em quando precisava de um... estimulante para se comportar. Admitia que quando Ginny estava sedada com seja lá o que Madame Warbler lhe dera, quase haviam chegado até o final. Chegariam se ela não houvesse perdido a consciência.

Ele lembrava-se perfeitamente da forma que, mesmo lutando contra, ela tremia e arquejava em seus braços a cada beijo e a cada toque.

Pensou em como havia amolecido com ela. O que era para ser um plano acabara voltando-se contra ele. Estava cansado de ser sempre tão paciente e tão carinhoso quando tudo o que queria era jogá-la naquela maldita cama e saciar todos os desejos que vinham lhe atormentando desde Hogwarts.

Fechou os olhos.

Poderia fazer isso com ela? Depois de tudo o que aconteceu naqueles últimos... cinqüenta e cinco dias. Não fora essa a quantidade de dias que ela contara? Sim... foram exatamente cinqüenta e cinco dias, e aquele era um longo tempo para ficar esperando por uma prisioneira, mesmo que ela fosse Ginevra Weasley.

Abriu os olhos encarando o frasco em sua mão.

É claro que poderia fazer isso. Afinal, ele era um Malfoy. Um sonserino. Um comensal da morte.

Um tigre não muda suas listras. Um leão não muda seus hábitos.

Muito menos uma serpente.

E um comensal da morte... bem, um comensal da morte sempre será um comensal. Não importa quantas prisioneiras com cheiro de flores e olhos hipnóticos passassem por eles.

XxX

N/A:

girls will be girls¹: o contrário do famoso "boys Will be boys" ("garotos serão garotos"). Se refere a coisas típicas de garotas como: sempre ficar com a casa em divórcios ou ficar com a cama do casal quando há brigas e o homem ter que dormir no sofá... e etc.

mistress²: uma espécie de amante, só que do jeito que Zabini falou ficou mais no sentido de concubina, só que como essa palavra é muito feia e o Zabini usou essa expressão. Que é ofensiva mesmo assim.

Rape drugs³: drogas depreciadoras que deixam a pessoa mole ou desacordada, suscetível a roubos ou a um abuso sexual. Hoje em dia a gente chama essas drogas de "Boa noite, Cinderela" ou "Boa Noite, Alice", mas naquela época tinha outros nomes como Vitamin K, Kit Kat, Cat Valliuns, Super cid, Green K, Purple e Honey Oil.

Oi galera. Em primeiro lugar, antes de receber as pedras que eu mereço por não ter conseguido cumprir o prazo que eu estipulei pra mim mesma, vou fazer uma pergunta.

Alguém aí lembra do terrível incidente de 2007? Aquele incidente que fez com que eu perdesse 7 capítulos do meu computador? Que me fez arrancar os cabelos? Você que está nessa jornada a mais tempo com certeza lembra. E com certeza lembra como eu fiquei desesperada e como algumas pessoas foram NADA compreensivas. Claro que a maioria foi um amor e me apoiou pra caramba... bom, estou aqui, honestamente, contando com o mesmo apoio que recebi naquela época.

Sim.

Aconteceu de novo.

Não exatamente como daquela vez. Meu computador está ligando, mas depois de 38 segundos (eu cronometrei) ele reinicia. E fica fazendo isso até que eu canse dessa brincadeirinha e o desligue de vez. E o ultimo back up que eu fiz no computador não continha esse capítulo. A sorte, é que eu já o tinha enviado para a Anaisa e agora, usando outro computador, peguei o capítulo betado por e-mail e estou postando.

Eu vou mandar, de novo, o computador para o conserto então provavelmente o cap 12 vai demorar um pouco. Provavelmente. Dessa vez não foi tão grave quanto da outra mas por favor, mandem todas as energias positivas possíveis para o meu computador adoentado porque todos os meus arquivos de AEDC estão lá. Minhas capas e minhas imagens. E por mais que eu tenha feito back up vou perder muita coisa se não conseguirem consertá-lo.

E sim, eu estou tentando entrar no painel de controle e ver se tem algum dispositivo que eu ativei sem querer. O único problema é que eu só tenho 38 segundos pra fazer isso.

Então é realmente só isso. Agradeçam à Anaisa, mandem energias positivas, me dêem apoio moral como já fizeram antes. Eu vou fazer a minha parte e continuar escrevendo por esse lap top e mandando meu computador pro médico dos computadores.

Resposta às reviews:

Thaty: Fico muito feliz que tenha gostado e nem precisa se preocupar. Estou tentando terminar pelo menos antes do ano acabar. Um beijo!

Angel: Não... no capítulo 10 ela não dormiu em nenhuma cama suja de sangue. Dormiu no hospital numa maca limpinha e na cama de Draco. Também limpinha. A única coisa suja de sangue era seu pescoço.

Desculpe desapontá-la, mas isso pode ainda demorar um pouquinho para acontecer. Ela se apaixonar, quero dizer. Espero que tenha gostado dessa capítulo e obrigada pela review.

Um beijo!

Tuty Frutty: Infelizmente, não vai ser dessa vez que Draquinho vai se vingar do Zacharias... como você pode ver nesse capítulo. E mais infelizmente ainda, a Ginny continua fria. Eu também cuidaria do Draco... mas temos que ter paciência com a ruivinha. Ela esta num momento muito difícil da vida dela. As coisas vão melhorar. Eventualmente. Hehehe! E eu sei que eu demoro, mas mesmo com o problema do comp, vou tentar ser mais rápida. Beijos e MUITO OBRIGADA PELA REVIEW!

Helena Malfoy: Atualizei o mais rápido que eu pude. Mas não foi o suficiente, desculpe. E SIM! A admiração, amor, obsessão (chamem como quiserem) vem desde Hogwarts. Pra mim essa é a coisa mais fofa que existe, mas a Ginny simplesmente não entende... pelo menos, não ainda.

Bom, a cada capítulo chegamos mais perto. Espero que tenha gostado desse. Draco dando os primeiros passos para alcançar seu potencial máximo de maldade.

Muito obrigada pela review! Um beijo!

Lika Slytherin: UUHUUL! Pela sua review, da pra ver que você está ligada em coisas que ninguém mais está. E sim, tem umas partes bem mais surreais e confusas, mas com um pouco de paciência, tudo vai se encaixar. Fiquei muito contente com a sua review. Muito emocionada, pra falar a verdade. Obrigada por todos os elogios. É muito bom para um escritor (até um de fanfiction) saber que sua história fascinou alguém. Muito obrigada e continue acompanhando!

Ri pra caramba quando você mencionou a musica, porque quando eu estava relendo o capítulo também lembrei dela.

Um beijo!

DéH: Ela quase ficou em um coma, mas conseguiu ficar bem. Ela passou um tempo desacordada no hospital e Draco a visitou quando estava desacordada. Eu não mencionei isso na fic, mas isso aconteceu. Quando ela melhorou um pouco ele quis levá-la pra casa e foi intimado por Voldemort. E eu sei... eu também cuidaria dele querida, ACREDITE! Mas a Ginny tem seus motivos para não fazer isso. Espero que tenha gostado desse capítulo. Zabini tentando dar ida ao Evil Draco que vive dentro do nosso loiro amado. Continue acompanhando. E MUITO obrigada pela review.

Um beijo!

Ginny Danae Malfoy: Ohh! Brigada! Eu também amo essa fic mesmo que ela me escravize. Hahaha! A data da foto é 6 de janeiro de 1998. Ela é mencionada no capítulo, você não deve ter visto ou esquecido. Ainda tem que ter um pouco de paciência pra descobrir os mistérios e as confusões, mas eu prometo que a espera vai valer a pena. Também fiquei com dó do Draco, mas isso tinha que acontecer.

Um beijo e muito obrigada pela review. Mesmo!

Io: Hahaha! Calma querida. Ta aí. Eu sei que demorei, mas... Eu sei que até agora eu não coloquei nenhum action decente, mas tenhamos um pouco de paciencia que tudo vai dar certo. Prometo! Fiquei realmente emocionada. É realmente sua fic predileta. Sniff, sniff! Que amor! Obrigada! Obrigada MESMO! Pessoas como você me incentivam muito a escrever. Pode acreditar.

Espero que esse cap não tenha decepcionado. Um beijo!

Karlinha: Sim... A Ginny está passando por um momento extremamente difícil da vida dela. Dá pra entender porque ela não pode perdoá-lo... A fic tende a ficar cada vez melhor. Bom, pelo menos pra mim. Vocês talvez não gostem de certos eventos futuros... mas lembrem-se que tudo tende a melhorar. Muito obrigada pela review e por ler a fic. Espero que tenha gostado desse cap.

Um beijo!

Oraculo: Hehe. Não precisa se preocupar com isso. Ainda tem bem mais! É só acompanhar pra ver! Fico muito feliz que tenha se interessado pela fic. Obrigada pela review e espero que esse cap não tenha decepcionado. Um beijo!

Assuero Racsama: Eu adoro ler suas reviews. São as minhas favoritas com certeza. Principalmente porque são sempre criativas e animadoras. Entao vamos lá:

Draco: Infelizmente, não vai ser agora que ele vai ter sua vingança contra Zacharias, mas pelo menos ele pode relaxar. O trabalho está pior do que nunca pra ele... ele ainda vai ralar bastante nessa fic pra alcançar seus objetivos.

Ginny: Coom certeza. E o pior é que a gente nem pode dizer que ela tem historia pra contar pros filhos porque só uma doente mental contaria essas coisas pra crianças. E agora ela vai ter que se esforçar para manter a saúde mental pra sair com um pouco de dignidade dessa situação. Ou pelo menos tentar.

Warbler e Torrence: Esses personagens são particularmente uns amores. Eu gosto muito deles porque mostram um lado humano da fic. Com erros e acertos. De qualquer forma ainda é muito cedo para tirar muitas conclusões em relação a eles.

Voldemort: É pode sentir arrepios. Nada que vem daquele cara é coisa boa. Vai por mim.

Espero que esse cap não tenha decepcionado. E MUITO obrigada pela review!

Um beijo!

Kynhaa: Hum... seu pedido é uma ordem. Só precisa ter paciência agora. Foi o Voldemort mesmo quem fez isso com o Draco, e sim, ele está furioso. Continue acompanhando e muito obrigada pela review.

Ly W: Como você pode ver. Não. Ela não se comoveu. Ela é muito mais forte do que a gente! In ou felizmente. Esses dois personagens ainda vão surpreender a todos. Assim como Voldemort, mas eu não quero estragar a surpresa. Os capítulos tendem a ficar, com você mesma disse, cada vez mais fortes. Sinceramente, espero que você goste e acompanhe.

Muito Obrigada pela review e um beijo!

Suh Rickman: O capítulo está aquii! Espero que não seja tarde demais. Hhahahaha! Desculpe não ter conseguido atualizar rápido, mas antes tarde do que nunca! Muito obrigada por ler a fic e por ter a consideração de deixar essa review fofa. Espero que esse cap não tenha decepcionado. Um beijo!

Nessa Black Malfoy: hahaha! Sei como é! Que bom que você está acompanhando! E Eu sei. Demorei pra caramba. Desculpe mesmo. Não posso prometer que vou att mais rápido porque nunca dá certo, mas posso prometer tentar. Fiquei feliz que você gostou do capítulo 10 e espero que esse não tenha ficado pra trás. Obrigada meeesmo pela review. Um beijo e continue acompanhando!

Então é isso aí gente,

Um beijo!