Beautiful Monster

Capítulo 11

Não podia se mover... A terra que cobria o seu corpo, agora também tampava o seu rosto, tornando impossível respirar... Tentava se debater e gritar, mas não conseguia...

Jared de repente despertou, sentando-se na cama, com um grito mudo em sua garganta. O suor escorria em seu pescoço e testa e o moreno respirava fundo, recuperando o fôlego.

Outro pesadelo… aquilo estava se tornado cada dia mais constante.

Levantou-se sem acender nenhuma luz, apenas a do seu celular, e apanhou um maço de cigarros e um roupão, vestindo-o pelo caminho até a varanda. A mesma varanda onde estivera com Jensen, semanas atrás.

Sentou-se na escada que levava à areia da praia… Era bom sentir o ar fresco da noite em seus pulmões e em sua pele. Ventava um pouco; acendeu um cigarro e ficou observando a brasa brilhar na total escuridão. Não havia estrelas nem luar naquela noite. Totalmente escura… Escura como a sua alma.

Com as mãos ainda trêmulas, apanhou o celular e viu que eram três da madrugada, ainda faltava muito para o dia amanhecer.

Sem pensar, discou o número de Jensen. Ia desligar, pensando que o loiro já deveria estar dormindo, ou se divertindo na boate, quando ouviu o aparelho ser atendido e nos fundos a voz de um homem que não era Jensen, rindo e pedindo para ele desligar e voltar para a cama.

- Jared? - Então a voz de Jensen surgiu e Jared já não sabia o que dizer; não sabia nem mesmo por que havia ligado. Parecia que Jensen já o tinha superado, o que não era nenhuma surpresa. Jensen era um homem lindo e incrível, podia ter quem quisesse em sua cama, ou em sua vida.

- Ahh… - Jared percebeu que deveria dizer alguma coisa. Nada o faria parecer menos patético, então… - Eu… liguei pro número errado, me desculpe. Eu queria falar com o Chad.

- Você está bem?

- Sim, estou ótimo - Mentiu, tentando manter sua voz firme. Jensen não precisava saber. Não queria recorrer às drogas novamente, aquilo estava se tornando um hábito, e sabia que logo se tornaria um vício. - Pode voltar pro seu… - Desligou sem completar a frase.

Sentia-se ferido, e isso o fez rir de si mesmo. O som da sua risada em meio ao silêncio e à escuridão era um tanto sombrio.

Nunca quisera se envolver com Jensen, porque sabia exatamente como tudo iria acabar. Como tudo sempre acabava. E agora estava ali, se sentindo traído e ainda tinha o fato de Jensen tê-lo rejeitado quando quisera ajudá-lo na noite da briga no estacionamento. Jensen preferira ir ao hospital com Murray do que com ele. Será que o havia assustado tanto assim naquela noite, ali na praia? Será que Jensen havia percebido o quão perturbado Jared era e finalmente tinha desistido?

Era isso o que queria, não era? Então por que, agora que conseguira afastá-lo, isso o incomodava tanto? Por que não conseguia tirá-lo da cabeça?

"Eu te amo" As palavras que o tinham feito correr para longe dele. Nunca conseguira entender… todos que disseram ama-lo algum dia, o tinham machucado de alguma forma. Talvez Jensen fosse diferente. Mas não sabia se teria coragem de correr o risco. Não. Provavelmente era melhor deixar as coisas como estavam.

Apagou o cigarro, foi até a sala se servir de uma dose de vodka e voltou para a cama, onde Tom dormia tranquilamente. Quem sabe o sexo pudesse fazer as horas passarem rapidamente, embora soubesse que o vazio estaria de volta pela manhã.

J2

- Parece que ele largou do seu pé, não? - Chad comentou quando viu Jared olhando na direção de Jensen, que estava do outro lado do bar com um amigo.

- O quê? - Perguntou, sendo arrancado dos próprios devaneios.

- O seu pet. Okay… o Jensen! - Chad se corrigiu quando Jared o olhou de cara feia. - Parece que ele finalmente desistiu.

- E por que isso te surpreende? - Jared tentou mascarar a amargura em sua voz, mas falhou terrivelmente.

- Bom, depois daquele final de semana em que vocês passaram juntos, ele me ligou desesperado, querendo que eu me certificasse que você estava bem, então…

- Ele o quê?

- Eu fui no seu apartamento aquela noite porque ele praticamente implorou. Por isso sim, eu estou surpreso que ele tenha desistido.

- Não deveria. Todo mundo cai na real em algum momento e pula fora. Aliás, você deveria fazer o mesmo - Jared tentou brincar, mas não havia humor algum em seu tom de voz. Chad o conhecia bem demais para não perceber.

- Eu não posso. Nós somos que nem gêmeos siameses, estamos grudados para sempre - Murray abraçou Jared pelos ombros e encostou sua cabeça no peito dele, brincando.

- Sai daqui! Eu odeio você - Jared deu risadas, se desvencilhando do abraço.

Chad gargalhou. - Eu vou lá fora fumar um. Você vem?

- Mais tarde - Jared viu Chad se afastar e pediu outra cerveja. Ainda não a tinha terminado, quando Brian entrou correndo em sua direção.

- O Murray está encrencado - Brian praticamente gritou, ofegante.

Pelo tom de voz, Jared sabia que Brian não estava brincando.

- O que aconteceu? - Perguntou, sem perder a calma.

- Ele está sendo preso, cara!

- O quê? - Jared não esperou por uma resposta, largou a garrafa de cerveja sobre a mesa e correu para fora do bar.

- Jay… fala pra ele, cara - Chad implorava com os olhos, ao ver Jared se aproximar. - Eu não sou a porra de um traficante.

- O que está acontecendo aqui? - Jared ficou um tanto aliviado ao ver que conhecia o policial que tentava prendê-lo, Mark Pellegrino.

- O senhor Murray aqui está sendo preso por tráfico de entorpecentes - Mark falava enquanto o algemava. - Você deveria dizer a ele para colaborar, ou as coisas só vão piorar pro seu lado.

- Tráfico? - Jared sorriu. - Você só pode estar brincando! Qual é Pellegrino, você sabe que o que ele tem é pra consumo próprio, não vai conseguir mantê-lo preso por isso.

- De qualquer jeito, ele vai passar a noite na prisão, e pagar a fiança. Tenho certeza que será mais cuidadoso e discreto da próxima vez.

- Mark - Jared o puxou para o lado e falou baixinho, pois já estava se aglomerando um grupo de pessoas ao redor deles. Jensen inclusive, o que não lhe passou despercebido. - Tenho certeza que podemos negociar e resolver isso aqui mesmo, não podemos? - Pellegrino sempre fora um policial corrupto e já aceitara dinheiro por muito menos.

- Você quer negociar, Padalecki? - Mark sorriu, sarcástico. - Nós podemos negociar, mas eu não quero dinheiro desta vez.

- O que você quer? - Jared não estava gostando nada do rumo daquela negociação, mas não tinha escolha.

- Nós podemos ir ali atrás no beco, você se ajoelha e faz bom uso dessa sua boca arrogante… O que você me diz? - Mark falou próximo ao ouvido do moreno.

- Você quer que eu me ajoelhe? - Jared falou alto desta vez, sem se preocupar com quem quer que os ouvisse. - Ele quer que eu me ajoelhe - Olhou para Chad, com um sorriso diabólico nos lábios e então desferiu um soco no meio da cara de Pellegrino, fazendo o seu nariz sangrar. - Eu me ajoelho pra quem eu quiser e quando eu quiser, seu filho de uma puta! - Tentou partir pra cima de Mark uma segunda vez, mas foi segurado por outro policial e algemado também.

- Você está preso por desacato. Vai se arrepender por não ter se ajoelhado, Padalecki! - Pellegrino falava enquanto conduzia Chad para a viatura.

- Foda-se! - Jared se debateu ao ser empurrado para dentro da mesma viatura.

- Você fez um ótimo trabalho de resgate - Chad falou com ironia, quando estavam a caminho da delegacia. - Me lembre de nunca mais te chamar quando eu estiver em apuros! - Bufou.

- Você não disse que nós somos siameses? - Gargalhou.

- Vamos ver se você vai rir quando estiver atrás das grades, Padalecki - Pellegrino falou, olhando-o pelo retrovisor da viatura, enquanto dirigia.

- Você sabe que eu não vou ficar preso por muito tempo - desafiou. - A propósito, pensei que já tivéssemos superado o passado, mas você é mesmo um filho da puta rancoroso, não é? Só porque eu não quis foder com você uma segunda vez? Supere!

- Ora, não se dê tanta importância, Padalecki. Quero ver se você vai manter esse sorriso arrogante enquanto estiver no meio dos outros presos. Eles vão adorar ter um pouquinho de diversão.

- Fica frio Murray, eu vou defender a sua honra - Jared brincou ao ver o olhar assustado do seu amigo.

- Como você consegue ficar tranquilo? - Chad o olhou, incrédulo.

- Tenha sempre um advogado na sua lista de contatos, amigo - Jared piscou. - Brian já deve ter ligado pra ele, não se preocupe.

J2

- Senhor Padalecki, eu consigo mexer os pauzinhos e tirar o senhor daqui em uma ou duas horas, mas infelizmente não posso fazer nada pelo seu amigo, Chad Michael Murray...

- Eu vou pagar a fiança. Apenas faça o seu serviço.

- Não é tão simples assim, ele já teve passagem pela polícia antes e está sendo acusado por tráfico.

- Sim, é bem simples, senhor Weber*. Ou será que eu posso chama-lo de Charles? - Sorriu, cínico. - Eu sei que você tem seus contatos aqui dentro. Eu quero o Murray fora em menos de duas horas e se possível com a ficha limpa - Jared sabia que estava pedindo demais, mas não custava nada tentar.

- Jared… digo, Senhor Padalecki… Eu não sei nem o que estou fazendo aqui. Você não é meu cliente, não é minha obrigação…

- É verdade. Jeffrey Morgan é o seu cliente, não é? - Ironizou. - Pois é… eu não acho que ele ficaria feliz em saber que o seu advogado de confiança transou comigo enquanto eu e ele éramos amantes… Jeff costumava ser bastante ciumento, sabe? Eu realmente acho que…

- Okay! Eu já entendi o recado. Mas que esta seja a última vez - Weber se levantou, puto, e saiu da sala.

Duas horas depois, Jared e Chad estavam livres.

Assim que o moreno pisou fora da delegacia, Jensen veio em sua direção e o abraçou. Por um momento, Jared ficou totalmente sem reação, então o abraçou de volta, até perceber os olhares de Chad e Brian sobre ambos e achar aquela situação toda um tanto embaraçosa.

- Você não consegue mesmo ficar longe, hã? – Jared se afastou do abraço, brincando.

- Eu... - Jensen coçou a cabeça, de repente ficando sem graça. – Eu só fiquei... preocupado.

- Preocupado? - Sorriu, de repente achando o jeito encabulado de Jensen um tanto fofo. - Como você veio? - Olhou ao redor, procurando pelo carro de Jensen, mas não o avistou.

- Com o Brian.

- Eu vim com o seu carro - Brian sorriu. - Pensei que você fosse precisar de uma carona.

- Oh, deus… eu só espero que ele ainda esteja inteiro - O único que Jared costumava deixar dirigir seu carro era Murray. - Vamos lá, eu vou levar vocês pra casa.

- Eu não recebo nem um obrigado? - Brian fez uma cara de falsa indignação, e Jared apenas riu, rolando os olhos.

Enquanto dirigia, com Chad e Brian sentados no banco de trás e Jensen ao seu lado, Jared só conseguia pensar no que tinha acabado de acontecer, na porta da delegacia. Jensen o deixava confuso. Qualquer pessoa em sã consciência, já teria se afastado, mas Jensen estava ali… ele sempre voltava, de uma maneira ou de outra.

E isso não era bom. Não, não era bom porque ele despertava sentimentos que estavam esquecidos há muito tempo e Jared preferia que eles continuassem assim. Por um momento, quando o loiro o abraçou, na porta da delegacia, Jared sentiu seu coração aquecer e isso era tão errado… Nunca conseguiria entender o que Jensen queria.

Então suas dúvidas e seus medos se transformaram em frustração e a frustração em raiva...

Jared deixou Brian por primeiro e depois parou diante do prédio em que Chad morava.

- Mantenha a sua bunda em casa, Chad, e amanhã nós teremos uma conversinha - Falou antes do amigo sair do carro. - Eu não quero mais problemas por hoje.

- Sim, papai - Chad ironizou e saiu, batendo a porta do carro com força. Sim, tinha pisado na bola e sabia que Jared não deixaria aquilo por menos, mas estava cansado e tudo o que queria era dormir por muitas horas.

Jared dirigiu por mais alguns minutos e estão parou o carro no acostamento de uma rodovia.

- O que diabos você está fazendo, Jensen?

- Eu… eu só… - O loiro não sabia exatamente o que dizer, não esperava por aquele confronto. - Eu vi a sua briga com o policial e só queria me certificar de que você estava bem.

- É mesmo? Você não queria distância? Não achou que eu não era bom o suficiente pra levá-lo até o hospital na outra noite? - De repente as coisas vieram à tona, sem pensar. - O que você foi fazer lá na delegacia, Jensen? E não me venha com aquela história de que ficou preocupado. Você queria estar lá pra me ver numa pior, ou… É algum tipo de vingança pessoal, talvez?

- Por que eu não posso simplesmente me preocupar com você? Eu não tenho por que querer ver você numa pior, Jared. Muito pelo contrário, eu só queria poder ajudar de alguma forma.

Jared deu risadas. - Talvez você só queira um pouco de emoção pra essa sua vida sem graça, não é?

- Você não entenderia…

- Okay... Eu vou te dar um pouco de emoção - Jared deu uma risadinha e ligou o motor do carro.

Jensen sentiu um frio na barriga e o seu coração acelerar, quando o moreno pisou fundo no acelerador e saiu dirigindo feito um louco, cruzando de uma pista para outra em alta velocidade.

Jensen apenas se segurou no banco e conferiu se o cinto de segurança estava devidamente travado. Jared era louco. Completamente pirado.

Depois de alguns minutos, diminuiu a velocidade e entrou em uma estrada de chão à direita da rodovia, girando o carro em 180 graus.

O coração de Jensen estava disparado no peito, suas mãos tremendo e estava com uma vontade enorme de socar o rosto bonito de Jared e tirar aquele sorrisinho cínico da sua cara.

- Era isso o que você buscava, Jensen? Um pouco de adrenalina? - Gargalhou, deixando o loiro ainda mais puto.

Mas ao invés de socá-lo, Jensen soltou seu cinto de segurança e empurrou o banco do motorista mais para trás, sentando-se no colo de Jared, com uma perna de cada lado do seu corpo.

- Wow! - Jared exclamou, surpreso, quando Jensen o beijou, suas mãos rápidas abrindo o cinto, botão e zíper da calça dele.

- Você é um completo idiota! Não sabe de nada… - Jensen falava enquanto libertava e tocava o membro do outro, deixando-o duro, depois fez o mesmo com sua própria calça, passando a masturbar seus paus juntos. - Essa é a única adrenalina que eu preciso - Falou entre os gemidos e beijos. Você é tudo o que eu preciso - Sussurrou em seu ouvido.

"Você é tudo o que eu preciso". Jared enfiou as mãos por dentro da camisa de Jensen, apertando e arranhando suas costas. Beijou sua boca, mandíbula e pescoço, como se nunca pudesse ter o suficiente dele…

Quando gozaram, praticamente ao mesmo tempo, o gemido foi abafado entre o beijo e Jensen encostou sua cabeça na curva entre o ombro e o pescoço do outro, recuperando o fôlego.

Ficaram assim por algum tempo, abraçados, então Jensen tirou a própria camiseta para limparem-se e voltou para o banco do passageiro. Apesar do carro ser espaçoso, a posição em que estavam não era muito confortável para dois homens daquele tamanho.

Nenhum dos dois disse uma palavra. Jared voltou a ligar o carro e dirigiu até o próprio apartamento. Entendendo aquilo como um convite, Jensen o seguiu e ao entrarem pela porta, Jared o ergueu, agarrando suas nádegas e fazendo-o envolver suas pernas em torno da cintura dele, e o carregou até o quarto, atirando-o sobre a cama macia.

Depois do sexo ambos dormiram, exaustos, e quando Jensen despertou, já havia amanhecido. Jared tinha um braço sobre o seu estômago e seus corpos estavam praticamente grudados, com uma perna dele entre as de Jensen. Podia sentir a respiração dele em sua nuca e a sensação era incrível.

O loiro estava de costas, mas pode sentir quando Jared acordou, e apanhou o celular para olhar as horas. A primeira coisa que veio em sua mente era que esta era a hora em que Jared o expulsaria da sua cama e o mandaria embora, como de costume, mas para a sua surpresa, ao invés disso, Jared apenas se aconchegou ao seu corpo e voltou a dormir.

Jensen realmente não sabia o que esperar ou o que aquilo significava, apenas sorriu e voltou a dormir também.

Continua...


**Obrigada à Ana Moreira, por ter lido e opinado sobre o capítulo. Beijocas! :)

Pra quem não conhece, *Charles Alan Weber Jr. é um ator conhecido por interpretar o Frank na série How to Get Away with Murder. Muito lindo, a propósito, mas não sei se ele volta a aparecer na fanfic.


Review sem login:

Taty Souza: Acho que Jensen não desiste, né? Jared é tudo na vida dele, e olha que esse moreno cafajeste (delicioso...kkk) nem merece toda essa atenção, viu? Obrigadinha por comentar! Bjos!