Capítulo 11 – Café

A claridade de um novo dia entrou pela janela. O moreno se mexeu devagar. Procurava saber onde estava, já que não se lembrava bem da noite anterior. Sentou-se na beirada da cama e, por fim, as recordações o atacaram como lanças afiadas. A fala de Alan, a briga, a aparição de Jensen e de seu colega...

– Jensen... Onde será que ele está? – pensou. Não havia mais ninguém – além do primo –, que o quisesse por perto. Até tinha outros parentes, que não compactuavam com suas preferências sexuais. Como essas pessoas tinham crianças pequenas, mantinham distância de Collins, com o argumento de que seria nocivo para os pequenos conviver com o rapaz.

Então, por fim, só restaram os dois. Apenas a nova vida lhe importava. Levantou-se para abrir a janela, no entanto sentiu que alguém o tocava de um modo amável.

– Pode deixar, eu a abro pra você – Ackles fez um leve carinho nos cabelos do menor, antes de largar a bandeja com café e com sanduíches em cima da mesinha de canto. – Sente-se aí.

Em silêncio, Misha obedeceu. Olhava intrigado para a xícara, enquanto o loiro abria a janela.

– Não está com fome? – perguntou o policial. – Trouxe pra você – alcançou a bandeja.

– Obrigado – começou a comer. Continuava quieto, mas não deixava de encarar o homem parado à sua frente. – Tem alguma notícia de Alan?

– Sim. Ele foi a Boston – informou. – Meu amigo Jared também foi, eles estão juntos.

– Mas esse garoto não toma jeito! – exclamou, apavorado. – Como é que ele acha que vou ter grana pra pelo menos ir...

– Você não terá de ir a lugar nenhum – esclareceu o maior. – Eles foram de avião até lá, porque eu achei conveniente. Além do mais, paguei o translado dos corpos dos seus familiares até aqui. Você vai querer fazer o que depois? A decisão é sua.

– Cremá-los – balbuciou. Estava contente por ter a chance de se despedir dos entes queridos. – Não quero uma cerimônia pra juntar mais gente que não tem nada a ver – concluiu.

– Ok, sua vontade será seguida – o loiro se aproximou dele. – Sabe... Posso falar uma coisa? – o moreno assentiu. – Não sei o que é, mas não gosto do seu primo. Tudo bem... Ele impediu você de fazer uma besteira e tal, mas sei lá... Estou sendo meio chato, não é?

– Não, de maneira nenhuma! Concordo inteiramente com você: Alan não é alguém confiável. Mas é a minha família... Ou o que sobrou do lado Collins... E ainda tem você – Ackles estremeceu.

– Já me considera assim? – questionou sério. – Por quê? – mostrava-se surpreso com a fala do menor.

– Porque o que faz por mim é demais, nem sei como retribuir... Ou melhor, sei sim – terminou o café e o último sanduíche em silêncio. Largou a bandeja no chão e, com agilidade, puxou o policial para perto de si.

O beijo que Collins iniciou era cheio de carinho e de desejo. Jensen teve de se conter para não partir para algo mais íntimo.

– Tenho medo que você seja morto, que acabe acontecendo a mesma coisa...

– Ei, isso não vai ocorrer – afirmou. – Eu vou cuidar de você, vamos ficar juntos; que tal nós sermos namorados? – a pergunta surpreendeu o moreno.

– Eu adoro a idéia, mesmo que seja perigoso pra nós... – Ackles tornou a beijá-lo.

– Se ta perigoso, não vai mudar se nos separarmos, não é? – Misha assentiu. – Então ótimo, vou cuidar de você – o loiro estava contente por sua proposta ter sido aceita. De fato, poderia assumir, a longo prazo, todo amor que sentia pelo menor.