Titulo: Quem de nós dois

Autor Topaz Autumn Sprout

Betagem: sem

Pares: Harry & Draco

Classificação: NC17

Disclaimer: Eles são da Dona JK, e eu não faça grana com isto, só me divirto, fazendo licenças às vezes não muito poéticas com estes dois.

Avisos: Slash/Lemon – ou seja, amor entre homens, não é tua praia? Goodbye and a have nice day.

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Capítulo 10 - Esquentando

A chave de portal os materializou no beco localizado na lateral do prédio do Ministério da Magia, Harry respirou profundamente concentrando-se em ignorar a tontura irritante que sempre o acometia quando usava transporte mágico, porém Draco não parecia afetado pela viagem e checou o relógio verificando que faltava pouco mais de duas horas para o final do expediente, deduzindo que este fato certamente significaria trabalhar além do horário.

Os dois conversaram brevemente a respeito das descobertas e ficou combinado que o moreno entraria em contato com o comando do corpo de aurores.

A fim de manter o sigilo da operação, o loiro entrou primeiro dirigindo-se para seu armário a fim de guardar as "compras" e Harry imerso em pensamentos seguiu para seu departamento, acomodou-se em sua mesa e escreveu uma nota curta despachando-a em seguida para a chefia dos aurores, colocando feitiços inviolabilidade e de alta prioridade.

Aproveitou o tempo para preencher os relatórios intermináveis e meia hora mais tarde, Rony acompanhado por Angus retornavam de uma patrulha com um dos Aurores veteranos, chegando quase ao mesmo tempo que a resposta da chefia dos Aurores. Harry quebrou o selo de segurança do pergaminho e franziu a testa enquanto lia a mensagem, que se desintegrou assim que ele finalizou a leitura.

Rony estranhando a seriedade do amigo perguntou:

- O que houve companheiro, encrenca com o chefe?

O outro rapaz deu um suspiro curto e respondeu:

- Não Rony. - Ele gesticulou para a pequena pilha de cinzas - Eu sei que o Robbards não vai com a minha cara, mas neste caso é simplesmente trabalho extra.

- Podemos ajudar? - prontificou-se Angus.

O moreno balançando a cabeça respondeu:

- Bem que eu gostaria, porém tenho ordens expressas de não comentar nada por enquanto.

Rony foi para sua mesa resmungando: - Este negócio de te dar missões além do normal por ser "O escolhido" já encheu. Salvar o mundo bruxo não foi suficiente? Eles nunca te dão folga!

Harry encolheu os ombros e respondeu: - É cara, eu sei. Mas os novatos sempre ficam com o pior, não é mesmo?

O ruivo respondeu com uma careta e foi satisfazer a fome de burocracia do Ministério.

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Draco não precisou enfrentar nada além de alguns olhares enviesados por conta de seu horário de chegada no turno da tarde e uma bancada com o dobro de volume de trabalho dos outros colegas.

Quase no final do expediente, seu celular vibrou e ele foi até o banheiro para ler a mensagem de Harry, que o comunicava da reunião com a chefia do departamento.

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Quando o velho prédio ficou vazio e silencioso, com as portas foram trancadas, as lareiras de flu do saguão apagadas e as poucas pessoas que se aventuravam pelos corredores eram alguns retardatários apressados, Harry e Draco dirigiram-se até uma sala quase escondida num corredor lateral localizado no mesmo andar da Alta Corte bruxa. O ar gelado parecia pesado, quase opressivo, devido ao volume de feitiços de segurança, trazendo a Draco lembranças nada agradáveis de alguns anos atrás, e ele instintivamente embrulhou-se ainda mais na capa, ganhando do moreno um olhar de simpatia.

A sala era grande e estava agradavelmente aquecida, sendo suavemente iluminada por tochas que pendiam das paredes, parecendo um aposento da idade média.

O chefe dos Aurores indicou onde deveriam sentar e postou-se atrás da escrivaninha onde também estavam Williamson, o segundo auror no comando, o assessor direto de Kingsley e mais um homem encapuzado que provavelmente deveria ser um inominável. Os rapazes também notaram uma poltrona voltada para a lareira, que parecia estar desocupada.

Limpando a garganta o chefe dos aurores iniciou a reunião:

- Muito bem jovens aurores, o que vocês descobriram na Travessa do Tranco?

Harry tomou a palavra:

- Senhor, aqui estão as listas do que foi levado nas duas lojas. Acredito que seja relevante para a investigação, o auror Malfoy também ficou intrigado com as escolhas dos meliantes.

O chefe passou os olhos pelos pergaminhos os repassando em seguida para os outros três, haviam alguns itens preocupantes mas nada que ele achasse potencialmente alarmante.

Harry vendo a expressão do superior comentou: - O bando levou uma boa quantidade de poção polissuco e Felix felicis, além de poções para dores severas, sedativos pesados, material para curativos e alguns itens de "uso recreativo" que também servem como veneno. Então pelo menos um deles está seriamente machucado ou doente e eles parecem dispostos a arriscar tudo.

Robbards estava simplesmente ignorando a presença de Draco; já bastava ter de lidar com o garoto de ouro, sempre tão corajoso, cheio de iniciativa e absurdamente adorado pelo mundo bruxo. Mas Williamson parecia verdadeiramente interessado, ele reconhecia os talentos do rapaz loiro e indagou:

- Auror Malfoy, o senhor tem algo a dizer?

- Na verdade tenho, sim senhor.

- Então prossiga. - Falou o auror chefe num tom de voz duro.

Draco mantendo a expressão neutra, dirigiu-se à Williamson:

- Como o senhor deve ter notado, o que salta aos olhos nas duas listas é a Felix felicis, e qualquer bruxo com um mínimo de instrução sabe que além de sorte, esta poção causa loucura e morte mesmo se for usada com muito cuidado. Por isto eu concordo com o auror Potter, eles estão dispostos a qualquer coisa. Porém a combinação de certos ingredientes somado à disponibilidade da poção da sorte, me leva a acreditar que eles estão planejando algo grande. Eu apostaria num assalto ao banco dos duendes.

Os mais velhos se entreolharam, surpresos e Robbards arguiu o loiro diretamente:

- Gringotes está protegido com as barreiras mágicas e os detectores de feitiços mais fortes do mundo bruxo, como o senhor bem sabe, Auror Malfoy. Então qual a razão desta ideia descabida? Que poção supostamente facilitaria a invasão dos cofres do banco? Depois da aventura do senhor Potter e seus amigos, foram acrescentados filtros detectores de poção polissuco.

Draco deu uma olhada de esguelha para o moreno que continuava calmo e sério, numa clara atitude de apoio e respondeu a seu superior:

- Como falei há pouco, a Felix felicis certamente facilitaria as coisas, mas a combinação de extrato seco de belladona, Whitania somnifera e...

O rapaz parou de falar quando os pergaminhos com as listas dos ingredientes roubados subitamente voaram pela sala e todos acompanharam a trajetória dos escritos na direção da poltrona voltada para a lareira.

Em seguida a dita poltrona foi girada e um homem de pequena estatura, com longos bigodes brancos e cabelos trançados, dirigiu-se diretamente a Draco:

- Sugiro que você mantenha a boca fechada rapaz.

O rapaz loiro (assim como os demais) fitava o homenzinho com estupefação, e finalmente o inominável dirigiu-se a ele:

- Mestre Trahern, que prazer em revê-lo! O senhor certamente sabe como fazer uma aparição dramática.

- Pode cortar a conversa inútil. - Rosnou o pequeno homem, fitando o encapuzado com seus olhos surpreendentemente argutos. - A única surpresa por aqui é o fato de eu ainda estar vivo e com a mente bem azeitada.

Então, por alguns minutos ele se ocupou de ler as duas listas e em seguida voltou a fitar os jovens aurores.

- Bom trabalho garotos. Depois de muitas décadas é reconfortante descobrir que eles ainda conseguem arregimentar algumas cabeças pensantes.

Robbards arregalou os olhos e mesmo tendo consciência de tudo o que representava a figura de Trahern, tratou de defender a Instituição:

- Senhor, o corpo de aurores foi e continua sendo o bastião da lei e da ordem no mundo bruxo, assim como os inomináveis.

A resposta veio rápida e cortante:

- Gawain, você é um bom soldado, mas inventividade não é o seu forte. E os inomináveis tornaram-se literalmente a iminência parda deste mundo, com a única missão de esconder e desaparecer com o que não é conveniente ao Ministério. Não preciso ver seu rosto para saber de sua expressão desgostosa Moran, porém é exatamente isto que vocês estão fazendo há um bocado de tempo. - Disse ele fitando alternadamente os aurores, o assessor Ministerial e por fim o encapuzado.

O inominável adiantou-se:

- Falando em tempo, o que o fez retornar depois de mais de duas décadas, mestre Trahern? Sua aposentadoria foi mais do que merecida.

- Estou aposentado e não desligado do mundo, ainda tenho meus contatos. Um dos ataques se deu não muito longe da minha casa, eles arrasaram a propriedade de um bom amigo, apagaram sua memória e nada parecia fazer sentido, mas agora as coisas estão clareando. - Mirando o rapaz loiro voltou a falar:

- Então você é um estudioso de poções?

Draco respondeu: - Investigo provas das cenas de crimes e apreensões com base na análise química, mas poções sempre foram o meu forte.

- Seu mestre certamente conseguiu instilar em você o gosto pela pesquisa.

Com um acenar de cabeça ele concordou e adicionou: - Obrigado senhor, o professor Snape certamente apreciaria o reconhecimento.

- Snape? - O homenzinho franziu o nariz comprido pensativamente e em poucos segundos continuou: - Oh, sim! O menino de Eileen Prince.

Harry que havia permanecido em silêncio, analisando a interação do homenzinho bigodudo com os seus superiores, finalmente falou: - Desculpe-me senhor, mas acredito que ainda não fomos apresentados.

Os olhos miúdos e vivazes se fixaram no rapaz de cabelos negros e com um sorriso torto seguido de uma pequena reverência ele se apresentou:

- Você tem razão meu jovem, ando esquecendo as boas maneiras! - Disse ele fitando o grupo de seniores que não pareciam contentes com sua presença: - Eu sou Nealon Trahern, filho de Mael e Brianna, mas os que ainda sabem que eu existo preferem me chamar de " O Velho" ou de "O fóssil".

O moreno deu um pequeno sorriso respondendo: - Muito prazer, eu sou Harry James Potter.

O homenzinho assentiu e virou-se para o outro jovem: - E você?

- Draco Black Malfoy, ao seu dispor senhor.

Nealon analisou os dois jovens por algum tempo e em seguida disparou uma chuva de perguntas prontamente respondida pelos dois.

Logo depois ambos foram dispensados pelos superiores com um aviso do inominável:

- O que foi dito e ouvido nesta sala, aqui ficará. Ou será que preciso obliviar os dois?

Os rapazes se entreolharam e Harry falou num tom de voz seco, beirando a irritação: - Senhor, somos aurores e não dois garotos desmiolados, além disso a investigação foi por nossa conta e risco. Porque iríamos estragar um resultado tão promissor?

E dito isto os dois saíram da sala sem olhar para trás, andando em silêncio até sair do prédio do Ministério por uma saída oculta, aberta mediante um feitiço executado pelo assessor do Ministro.

Chegando ao ponto de aparatação Draco desabafou: - Caramba Harry, este seu gênio ainda vai te meter em encrenca da grossa! O encapuzado é o chefe dos inomináveis e você teve o topete de ser ríspido com ele.

O moreno deu de ombros respondendo: - E daí? Somos aurores formados, bolamos e executamos o plano com sucesso, trouxemos informações valiosas e você descobriu aquela associação de ingredientes que resulta na zumbificação dos duendes. Um pouco de respeito seria de bom tom.

Draco suspirou. - Você está certo, mas este não é este o mérito da questão. Ele é poderoso e pode azedar uma carreira inteira com apenas algumas palavras.

Harry bufou e retrucou: - Não acredito que ele seja tão mesquinho, e o velhinho com cara de duende pareceu gostar do que viu.

O loiro fez uma nota mental sobre Nealon Trahern. Precisava saber quem era o homem, que como Harry havia apontado, certamente tinha sangue de duende e idade bastante avançada. Com a cabeça girando e repassando a reunião, Draco despediu-se do outro:

- Bem, até amanhã auror Potter.

Harry entendeu que o outro estava preocupado com a possível retaliação do chefe dos inomináveis e tentou diminuir a tensão:

- Draco, em primeiro lugar fui eu que falei com o chefe Moran, mas em todo caso você tem meu apoio e o pessoal do Ministério não é idiota de se indispor comigo, seria ruim para a publicidade.

O loiro bateu os cílios com uma expressão de cínico enlevo e falou num tom meloso: - Oh! Você é mesmo o meu herói! Tchau Harry. - E aparatou.

O moreno soltou lentamente o ar dos pulmões, Draco às vezes era difícil de entender. O loiro sempre comentava que ele, Harry, deveria aprender a usar seu status de salvador do mundo bruxo, mas bastaram algumas palavras mais duras para um superior para o loiro ficar bem intimidado com a possibilidade de ter sua carreira arruinada. E ainda fez troça do seu poder de protegê-lo. Desistindo de gastar neurônios com as incoerências do namorado, Harry tratou de aparatar para casa, pensando no que falaria para Rony.

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Após a saída dos novatos, os Aurores Seniores resolveram deixar as cortesias de lado e questionar diretamente o honorável ancião. Trahern era um brilhante estrategista, foi um guerreiro notável no seu tempo e sua assessoria havia sido decisiva para a criação do corpo de aurores, há mais de um século.

Após o evento de Grindelwald ele havia ficado nas sombras como consultor, e depois de alguns anos de relativa calmaria, quando tudo parecia ter entrado nos eixos, solicitou aposentadoria e retirou-se para a propriedade da família.

Na primeira guerra contra Voldemort ele foi consultado via correio coruja, e na segunda aparição do lorde das trevas, a maioria das autoridades tinha certeza que ele já havia morrido. Mas nesta época Nealon estava bem mais preocupado com a saúde de sua bela Enid. A esposa bruxa que era a luz de sua existência estava prestes a atravessar o véu, com meros cento e trinta anos. Porém mesmo com todos os cuidados, sua companheira faleceu e ele demorou alguns anos para superar a perda.

A solidão o levou a escrever para vários conhecidos e antigos contatos, reavivando seu interesse pelo mundo bruxo como forma de entretenimento, mas após a destruição da propriedade de seu velho amigo, ele resolveu checar a situação de perto. Sua intuição lhe dizia que algo muito ruim poderia acontecer se a situação não fosse controlada com eficiência;, e este sexto sentido havia salvo sua pele mais vezes do que ele podia lembrar.

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O teor da conversa que se seguiu ficou restrito apenas aos presentes naquela sala; porém na manhã seguinte o chefe dos Aurores parecia ter engolido pelo menos uns seis feijõezinhos Bertie Boots sabor vinagre extra forte.

Gawain Robbards estava muito irritado. Ele, que chefiava um departamento vital dentro do Ministério, fora tratado por aquele homenzinho como um novato trapalhão, e Moran não havia tido um tratamento muito mais respeitoso.

Williamson distribuiu as tarefas de modo formal e sem nenhuma palavra de cortesia ou conselho útil como era de praxe, deixando todo o corpo de aurores literalmente pisando em ovos.

Felizmente Rony, Harry e Angus foram designados para patrulhar o beco Diagonal, trabalho burocrático interno naquele clima ruim seria um pesadelo.

Draco recebeu mais algumas provas para analisar e concentrou-se no trabalho, ignorando completamente o zum-zum dos colegas. Conforme a manhã avançava, os focos de conversa pareciam aumentar, deixando o loiro irritadiço e cansado pelo esforço de se focar no serviço.

Finalmente pouco depois das onze e meia da manhã ele arrancou o jaleco e saiu do laboratório no melhor "estilo Snape", com direito a veste ondulando por conta de alguma brisa invisível e até mesmo o intimidante farfalhar do tecido, fato que fez vários colegas se sobressaltarem com a lembrança do antigo professor.

Uma refeição quente e uma boa xícara de chá certamente melhorariam sua disposição.

Voltando da cantina, ele foi interceptado por um inominável.

- Draco Malfoy?

O loiro assentiu e o homem depositou em suas mãos um pergaminho com o selo do gabinete do Ministro, mas assim que ele fez menção de abrir a missiva, o encapuzado avisou:

- Abra longe de olhos curiosos. - E literalmente desapareceu nas sombras.

Seguindo a dica ele entrou no banheiro, selou a porta com um imperturbável e abriu a correspondência. Tratava-se de um "convite" de Shakelbolt para que comparecesse na ala ministerial às seis e meia da tarde. - Droga! Mais um dia de hora extra...- E ainda havia a nota de rodapé: " Traga o Potter, sem alarde." - Que beleza! Agora além das pesquisas extras, ele faria as vezes de menino de recados do Ministro.

O rapaz tinha certeza de que Kingsley o estava testando mais uma vez. Será que o Ministro acreditava que ele e Harry ainda tinham desavenças ou estava farejando algo mais? Em todo caso, ele não era idiota de desafiar o homem.

Sacando o celular, enviou um torpedo avisando o moreno sobre a convocação e voltou para o laboratório. Seria um longo dia!

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A reunião na Ala Ministerial foi quase uma repetição da anterior, mas ao menos o Ministro lhes deu o devido crédito pelas informações e Trahern estava mais satisfeito, o comandante do mundo mágico parecia ter realmente ouvido e levado a sério as preocupações do ancião.

Moran e Robbards continuavam de expressão fechada, mas o chefe dos aurores ainda teve que engolir o fato de Kingsley ter elogiado a iniciativa e colaboração dos dois rapazes, recomendando que na próxima avaliação de desempenho, ambos tivessem pontos extras computados.

Os olhos de Trahern cintilaram de forma travessa ao divisar a expressão contrita de Robbards assim como a careta pouco amigável do chefe dos inomináveis. E admitiu apenas para si mesmo que fazia um bom tempo que não se divertia tanto, apesar do perigo que rondava a sociedade bruxa.

Mais uma vez os jovens foram dispensados, enquanto os poderosos do Ministério decidiam o rumo a ser tomado.

Os dois caminharam até a saída e Harry notou que desta vez o loiro parecia mais relaxado, como se um peso tivesse sido retirado de seus ombros e não resistiu a um comentário:

- Mas tranquilo agora? Nossa ação foi aprovada pelo próprio Ministro e acredito que nem mesmo Robbards ou o chefe Moran se atrevam a contrariar Kingsley; e o velhinho parece ter simpatizado conosco.

- E mais uma vez eu repito que você realmente tem mais sorte do que juízo, Harry. - Respondeu o outro, torcendo os lábios numa expressão mordaz.

- Talvez... - rebateu o moreno com um ar pensativo. - O Sírius sempre falava na "sorte dos Potter", mas eu nunca acreditei. Que tipo de sorte me faria perder os pais ainda bebê, ser criado por parentes que me detestavam e ter de enfrentar um louco homicida? Em todo caso, contra todas as probabilidades, eu sobrevivi. Agora parece que finalmente conquistei o direito de viver a minha vida e aproveitar as chances que aparecerem. Então, quem sabe eu realmente tenha um toque da tão falada sorte dos Potter?

Draco o fitava pasmado. Nunca ouvira o namorado falar daquele jeito calmo, quase filosófico, sobre a sucessão de maus pedaços, perdas e decepções que fora sua vida. Na verdade era admirável que Harry não houvesse ficado muito traumatizado ou completamente insano depois da guerra. Morrer e voltar para derrotar um inimigo como o Lorde das Trevas certamente abalaria a estrutura de qualquer um, portanto, quem sabe Sirius Black tivesse razão em acreditar na sorte dos Potter.

O loiro continuou em silêncio enquanto caminhavam até o ponto de aparatação.

O moreno sorriu para ele e falou mudando completamente de assunto: - Vamos jantar fora amanhã? Merecemos uma comemoração pelo nosso "desempenho criativo e produtivo".

- Aceito o convite. - Respondeu o loiro. - Mas depois do jantar vamos dançar. Estou precisando liberar as tensões da semana.

O moreno fez bico: - Eu não danço.

Draco suspirou olhando para o alto: - Então está na hora de aprender, dançar música pop é mais uma questão de sentir a batida do que executar passos elaborados. Ou você pode ficar sentado e me assistir dançar, só que eu não gosto de dançar sozinho. - Completou o loiro com um sorrisinho superior.

O efeito da última frase foi imediato: - Eu danço. Não quero nenhum atrevido passando a mão em você.

- Você vai ser meu guarda costas? - Perguntou o outro de forma implicante.

- Não. Sou seu namorado, e não vou dar chance para os atiradinhos chegarem perto demais. - Respondeu Harry aproximando-se do loiro.

Draco não se deu por vencido: - Hum... Estamos possessivos não é mesmo?

- Na verdade estou é a fim de te dar uns amassos faz um tempão. - Retrucou o moreno esquadrinhando o companheiro com olhos famintos.

- E se eu não estiver a fim? - Rebateu o loiro num tom de voz pedante.

- Oh, você está está a fim. Pode negar o quanto quiser, mas eu sei que você está muito a fim. Como você mesmo disse, a química entre nós dois sempre foi forte, e eu sei como aquecer este seu sangue azul até chegarmos ao ponto de combustão. - Falou o moreno com um sorriso de lado e os olhos estreitados de forma que pareciam emitir fagulhas verdes.

Draco o fitou por entre os cílios, o moreno estava tão próximo que ele podia sentir o calor se irradiando do corpo dele, assim como um traço leve da colônia pós barba. Sua respiração havia se alterado e ele não conseguiu conter o tremor que desceu por suas costas. Harry geralmente era meigo como um filhotinho, mas quando ele se irritava ou enfiava alguma coisa naquela cabeça dura, o feroz gênio leonino vinha à tona e não havia quem o segurasse.

A expressão determinada combinada com o olhar muito verde o deixava sexy, como neste exato momento. E o maldito Grifinório tinha razão, estava cansado de agir como um Lufa pudico de 13 anos, ele queria Harry desesperadamente, e suas inseguranças que fossem se danar no fundo do inferno.

Fazendo o possível para manter uma expressão casual, ele enfiou as mãos nos bolsos da capa e sorriu de modo cortês para o moreno. - Não vou discutir com você, a semana foi pesada e eu estou precisando de uma boa noite de sono. Vou pensar num lugar interessante e te envio uma coruja amanhã, está bem?

Harry concordou com um aceno de cabeça e aparatou em seguida, se ficasse por ali iria acabar prensando o loiro num canto e estragando o início de um final de semana que prometia ser interessante.

O loiro suspirou alto e encolhendo os ombros aparatou para casa também. Ele não havia mentido, estava cansado, com fome e sabia que precisava dormir para colocar a mente em ordem, mas tinha certeza que seria duro relaxar enquanto a imagem de Harry com aquela expressão sexy no rosto dançando em sua cabeça, provocando sua imaginação.

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O sábado amanheceu gelado, mas felizmente com um céu límpido.

Harry foi acordado por bicadas no vidro e tropeçando no tapete foi até a janela a fim de deixar a coruja entrar.

O pássaro pousou calmamente no encosto da poltrona, estendeu a pata para que o moreno pegasse a mensagem e ficou pacientemente esperando a resposta enquanto bicava guloseimas oferecidas por seu anfitrião.

Harry sorriu para a coruja de ar feroz que se derreteu com os carinhos dele enquanto amarrava a nota de resposta.

Depois do café da manhã solitário, pois Rony estava em sono profundo roncando como uma motosserra, ele resolveu dar uma olhada no guarda-roupa e decidir o que iria vestir naquela noite. Draco havia escolhido um restaurante de ótima reputação em termos culinários e perto dali o Ministry of Sound, três andares de muito som, luz e badalação.

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Draco por sua vez havia acordado cedo, folheado um bom número de folders e revistas trouxas até escolher o lugar em que ele e Harry iriam jantar e depois dançar.

Claro que negaria até a morte que estava ansioso pelos desdobramentos que se seguiriam após aquela noite, pois havia decidido que estava em tempo de ficar mais íntimo de Harry.

Até agora estava tudo tranquilo, longas conversas, carinhos inocentes e alguns beijos mais quentes foram bem aceitos, mas será que o moreno iria encarar numa boa a "hora da verdade"? E se ele aceitasse, onde iriam se encontrar?

Um hotel lhe soava barato e banal, um local para sexo descompromissado, era o lugar de entrar, fazer, sair e esquecer.

Na casa de Harry era difícil com o fuinha e a Granger por lá o tempo todo, e na mansão Malfoy... Sem chance. Ele não ficaria confortável com a situação e duvidava que Harry aceitasse dormir sob o mesmo teto que Lúcius.

E esta linha de pensamento o levou a cogitar a possibilidade de morar sozinho.

Viver na mansão era conveniente, com seus serviçais eficientes e o fato de conviver com os pais. Ter a seu dispor uma ala inteira da mansão lhe dava certa independência em suas indas e vindas, mas ainda assim, o senhor da casa era seu pai.

Era um assunto a ser tratado com cautela e discrição, pois no instante em que Narcissa soubesse de suas intenções, certamente famílias "adequadas" e suas filhas solteiras casualmente apareceriam em visitas para o chá da tarde ou brunchs nos finais de semana. A reputação dos Malfoy ainda estava em baixa, mas agora Draco trabalhava no Ministério como auror e dinheiro era sempre dinheiro, além da linhagem antiga.

Com a cabeça cheia de ideias, ele foi para seu closet escolher o que vestiria naquela noite, assim como um traje adequado para o desjejum com os pais.

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Para o moreno aquele dia de sábado escoou lentamente.

Alguma limpeza no quarto, um almoço tardio com Ron e Hermione, a tarde zapeando entre canais de TV, porém o tempo todo sua mente se voltava para Draco e para o fato de que ele havia prometido dançar com o namorado.

Quando o casal de amigos o convidou para ir ao cinema, ele declinou a oferta:

- Obrigado, mas já tenho compromisso.

A castanha falou: - Já imaginava, você tem olhando demais para aquele bendito relógio de parede e seus pensamentos estão em outro mundo. O relacionamento está ficando sério? Quando vamos conhecer seu namorado? Já estão juntos há mais de três meses.

Rony se meteu: - Mione, não seja enxerida! E eu quase tinha esquecido que ele está namorando um homem! Não me leve a mal Harry, mas ainda é meio estranho imaginar você aos beijos com um cara... - Completou o ruivo fazendo uma careta estranha.

O rapaz balançou a cabeça, Rony era um caso perdido, e dirigiu-se à moça:

- Mione, eu te amo como uma irmã, mas algumas coisas são realmente particulares, OK?

A castanha suspirou e baixou os olhos numa atitude de arrependimento, que durou dez segundos.

- Eu me preocupo com você Harry, não quero te ver machucado e realmente gostaria de conhecer a pessoa que você escolheu.

- Tudo bem, eu entendo. Sempre fui sozinho e acho difícil falar destas coisas, mas pode ficar descansada, estamos nos entendendo cada vez melhor, acredito que ele é a pessoa certa e um dia desses ele virá jantar conosco, eu prometo.

- Então boa balada! - Finalizou ela, sabendo que não adiantaria forçar a barra.

- Obrigado, se o filme for bom me avisem. - Disse Harry espedindo-se do casal.

Ela puxou Rony pelo braço e apontou para o relógio pedindo que o noivo se apressasse. Não querendo arranjar encrenca, o ruivo saiu pela porta enfiando uma das mangas do casaco e arrastando o cachecol, ao mesmo tempo que abanava para Harry enquanto Hermione tagarelava caminhando rapidamente pelo corredor do prédio.

Com pouco mais de uma hora até seu encontro, o moreno foi se arrumar.

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O restaurante foi uma grata surpresa. Visual despojado, boa comida e uma overdose de chocolate contido no sorvete, mousse, chantilly e cookies, da sobremesa gigante que foi divida pelos dois.

Durante a refeição Draco falou de suas descobertas sobre Trahern, os comentários que rondavam o laboratório e Harry contribuiu falando sobre o que vira e ouvira durante suas patrulhas no beco diagonal.

E durante a sobremesa os dois concordaram em encerrar os assuntos relativos ao trabalho; a partir daquele momento eles seriam apenas dois jovens namorados curtindo a noite londrina.

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Após deixarem os casacos na chapelaria do clube, os dois se empenharam em conhecer o espaço. Iluminação feérica, globos de espelhos e muita gente dançando ao som do inspirado DJ. A batida convidava para a pista de dança, mas ambos resolveram dar uma passadinha na barra do bar.

Draco pediu um espumante brutt e Harry uma cerveja long neck. O moreno sorria observando o namorado bebericar o champanhe e o loiro ergueu uma sobrancelha interrogativa. O som bombando pelo clube dificultava a conversação e Harry precisou falar bem próximo do ouvido de Draco apontando para a taça: - Elitista.

E veio o revide por conta da cerveja: - Proletário.

Os dois ficaram se encarando e acabaram rindo.

Depois de finalizarem os drinques, Draco arrastou o moreno para a pista e com algumas instruções mais uma boa dose de provocação, fez o rapaz ensaiar alguns passos. Harry foi se soltando devagar, e quando o ritmo da música ficou menos frenético, o loiro fez Harry colocar as mãos nos seus quadris para que ele aprendesse os movimentos e o clima entre os dois começou a esquentar.

Eles fizeram mais uma parada estratégica no bar, seguida de outra hora de música agitada, e na seleção de músicas mais lentas foi natural os corpos se aproximarem e em alguns minutos acharem a cadência perfeita.

Harry com o rosto encostado no ombro do loiro suspirou de contentamento, fazendo o outro virar o rosto e as bocas se encontraram num beijo que foi crescendo de intensidade até que ambos nem lembravam mais aonde estavam, e foram bruscamente puxados de volta à realidade por uma casal que esbarrou neles.

Saindo da nuvem sensual, eles se deram conta que algumas garotas na borda da pista só faltavam aplaudi-los. Harry estava com o rosto em chamas, e Draco mais desinibido piscou e sorriu para o grupinho, pegou o moreno pela mão, buscou drinques para os dois e o carregou para uma ala um pouco menos agitada.

Harry bebeu em silêncio fitando o chão, completamente sem graça. Por sua vez o loiro parecia não se importar com a "audiência" e depois de colocar as garrafas vazias numa mesa próxima falou: - Vamos dançar mais um pouco?

- Por acaso este tipo de situação é comum para você? Eu estou morrendo de vergonha! Nos beijamos como se não houvesse amanhã na frente de uma multidão! Você viu as garotas? Pareciam até torcida organizada!

O loiro respondeu com um ar de pouco caso:

- Nunca fiz nada deste tipo também, não gosto de demonstrações públicas de carinho, mas aconteceu e não há como voltar atrás. Em todo caso o nosso "showzinho" parece ter animado as garotas, afinal somos dois homens bastante bonitos e além do mais não conhecemos ninguém. Vem comigo. - Disse ele fazendo um gesto para que Harry o seguisse.

Draco andou em frente e depois de alguns metros entraram numa área com várias colunas de concreto que sustentavam a parte de cima do clube, formando um hall na penumbra, a música ficava mais baixa naquele local e havia menos pessoas circulando por ali.

- Agora vamos dançar. - Disse o loiro sapecando um selinho na boca do namorado que ainda estava sem graça.

A batida era contagiante e o clima de balada pegou os dois. Harry foi se descontraindo e eles dançaram por um tempo, então entrou o remix de uma das músicas preferidas de Draco, a "I´m too sexy" e o loiro se superou na coreografia que acompanhava a letra da música, com volteios e gingados de quadril, cantando junto e nunca tirando os olhos do moreno que parecia hipnotizado, acompanhando a coreografia. Na metade da música os olhos verdes estavam brilhando intensamente e ele trazia no rosto uma expressão aberta de desejo.

Draco seguindo a música deu um último pivô cantando a frase final: " I'm to sexy for this song"... Parando na frente de Harry, um tanto sem fôlego e sorrindo. O moreno não perdeu tempo e enlaçou o namorado pela cintura, até que os dois ficaram colados do peito até a virilha.

O loiro surpreso com a atitude possessiva do outro, fitou os olhos verdes e encaixou-se melhor de encontro ao corpo de Harry, falando em seguida: - Isto não é a sua varinha, certo?

A resposta foi simplesmente um gesto de negação seguido por um beijo daqueles, de afrouxar os joelhos.

Draco ofegante falou: - Ainda estamos em público. Por acaso você acabou de descobrir que tem uma tendência ao exibicionismo?

O outro rapaz afastou-se alguns milímetros e com uma ponta de sorriso respondeu: - Minha única tendência neste momento é manter sua boca bem ocupada. - E com um jogo de corpo, sem desgrudar do loiro, ele os moveu para uma área menos iluminada encostando-se numa coluna de concreto, puxando o loiro para mais perto e enterrando o rosto no pescoço dele, mordendo levemente a pele macia, fazendo Draco se arrepiar e replicar:

- Onde foi parar sua suposta timidez?

- Humm... Pegou fogo... Assim como eu depois de te ver dançar daquele jeito... Resmungou o moreno, continuando a explorar o pescoço do namorado com a ponta da língua e fazendo o outro estremecer.

- Harry! - Exclamou o loiro num sussurro que mais parecia um soluço.

O moreno ergueu a cabeça mirando os olhos cinzentos, e se afastou um pouco do namorado realizando uma sequência curta de gestos. - Resolvido. Feitiço três em um: desilusão, imperturbável e repelente de trouxas. Agora podemos voltar ao assunto interessante?

Draco piscou os olhos e a pressão na braguilha de suas calças aumentou. A demonstração casual de magia exibida por Harry o havia excitado, mágica sem varinha e sem palavras era coisa rara e difícil de ser dominada. Poder era um afrodisíaco poderoso para ele, e o loiro procurou a boca do namorado com sofreguidão, colando-se no corpo dele, provocando mais fricção contra a virilha de Harry e arrancando uma frase meio sufocada do moreno:

- Porra, isto é bom!

O loiro assentiu e ondulou o quadril, alinhando os corpos e esfregando-se no moreno que o fitava de olhos semi- cerrados. Harry passou a língua pelos lábios e em milésimos de segundo estava sendo ardorosamente beijado, então estreitou ainda mais o abraço e acelerou a cadência, fazendo as ereções se friccionarem de forma frenética.

Draco ouviu o gemido do moreno e em seguida o sentiu gozar em jatos quentes que umedeceram a frente das calças. O loiro estremeceu e se esfregou mais forte e mais rápido, desesperado para gozar também, e em menos de um minuto jogou a cabeça para trás dando um grunhido embaraçosamente alto, gozando nas calças, entre os braços de Harry.

Os dois ficaram abraçados ali, recuperando o fôlego e lentamente voltando à realidade de música em alto volume, luzes piscando e outras pessoas circulando nas proximidades.

Com os olhos pesados Harry murmurou: - Estou muito a fim de uma cama... - Emendando em seguida: - De preferência na sua companhia.

Draco igualmente letárgico ergueu os cantos dos lábios num sorriso: - Você me incita a fazer coisas loucas, Potter! Gozar no meio de uma multidão... Agora eu preciso é de um feitiço de limpeza, estou me sentindo grudento.

O moreno retribuiu o sorriso e num gesto preguiçoso limpou os dois, enquanto mordia levemente o lóbulo da orelha de Draco e falava baixinho: - Quando você me chama de Potter, tenho vontade de te prensar numa parede e te beijar até que você me chame pelo meu primeiro nome.

O loiro que estava todo arrepiado conseguiu dar uma resposta a altura: - Acabou de entregar o ouro para o bandido, Potter.

Harry sorriu: - Eu poderia te beijar para sempre, mas bem que gostaria de fazer algo mais.

- Eu também. - Foi a resposta curta.

O moreno completamente surpreso ficou encarando o outro rapaz que perguntou:

- Porque você está me olhando deste jeito?

- Sempre que eu sugiro algo além de beijos você fica todo formal e trata de cair fora. Então do nada você simplesmente me diz que que ir em frente?

Suspirando Draco falou: - Eu nunca neguei que queria você, só precisava resolver algumas coisas antes.

Harry ergueu as sobrancelhas: - E...

- Eu resolvi mandar meus infinitos questionamentos e reticências às favas e viver o presente.

- Resumindo você decidiu fazer o que deseja e ver no que vai dar. - Rebateu o moreno.

O outro rapaz concordou com um gesto e relaxou entre os braços do namorado, era libertador poder baixar as defesas. E alguns minutos depois deu uma risadinha ao escutar a pergunta de Harry:

- Na sua casa ou na minha?

Draco encarou o moreno: - Na sua tem o Weasley, e na minha... Tenho certeza de que você não aceitaria entrar na mansão Malfoy, embora minha cama seja muito confortável.

Harry sugeriu: - Que tal um hotel? Existem vários que não se importam se estivermos sem bagagem.

O loiro torceu os lábios numa expressão de desagrado: - Impessoal demais.

- Caramba, você é complicado! Um lugar sossegado para ficarmos a sós estaria bom para mim. Afinal o que você quer? - Indagou Harry.

- Tudo, com você eu quero tudo. Muitas preliminares, sexo fogoso, aconchego, carinho, cumplicidade... Mas não num hotel qualquer, com algumas horas compradas como se você fosse um biscate de uma noite. - Draco tratou de fechar a boca, estava revelando mais do que gostaria. Talvez a soma das tensões da semana, os drinques e o amasso delicioso estivessem soltando sua língua.

O moreno com um sorriso que ameaçava partir seu rosto ao meio retrucou: - Quem diria, Draco Malfoy tem um lado romântico!

- Não fale bobagens Harry, na verdade estou sendo prático e objetivo. - O loiro contou com a penumbra somada aos flashes de luz colorida para esconder o rubor que coloriu suas bochechas, e o moreno sabendo que o namorado era o rei da negação, resolveu ser objetivo também:

- Então nós vamos para onde?

Veio a resposta:

- Em primeiro lugar sair daqui, enfrentar este mar de gente e pegar nossos casacos na chapelaria. Da próxima vez que sairmos para um clube vou usar feitiços de encolhimento nos agasalhos e guardá-los no bolso, eu detesto fila.

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Saindo do ambiente climatizado para o vento gélido que soprava na rua, Draco cortou as esperanças do moreno: - Agora cada um vai para sua casa e nos falamos amanhã. Eu estou literalmente acabado!

O moreno tentou a argumentar: - Mas... Mas... Eu achei que...

- Eu gostaria muito de passar a noite com você, mas hoje não tem jeito.

- Draco...

- Sem discussões. - E puxando Harry pela lapela do casaco o beijou longamente, até que o moreno perdesse completamente a linha de raciocínio.

Fitando o rosto corado e a boca úmida do namorado , o loiro estava quase aceitando a ideia de passar a noite com ele num hotel, mas a chuva fina que começou a cair esfriou sua cabeça, e sabendo que o arrependimento da manhã seguinte certamente abalaria o relacionamento, deu um selinho em Harry e prometeu pensar seriamente no assunto aparatando em seguida.

Harry ficou olhando para o vazio, tentando entender a mente tortuosa do loiro, sabia que havia chegado perto de alguma coisa quando Draco avermelhou ao ser chamado de romântico, então ele relembrou dos dois se agarrando no clube, fazendo seu corpo reagir instantaneamente e tratou de aparatar para casa. Sabia que não conseguiria dormir antes de cuidar daquele "probleminha" e ficou ponderando se era possível alguém adoecer por causa de bolas azuis. Até quando iriam ficar naquele chove e não molha?

Draco chegando em casa entrou direto no chuveiro, sem saber se estava arrependido por ter se esquivado de algo que ele desejava há um bom tempo, ou orgulhoso de seu auto controle. Passar a noite num hotel com o namorado satisfaria seu corpo, mas havia falado a verdade quando o moreno lhe perguntara o que ele queria, com Harry ele realmente queria tudo, inclusive uma relação a longo prazo. Estava na hora de acelerar os planos de mudar de endereço.

E antes de adormecer ficou pensando em como seria bom poder receber o namorado em sua própria casa, o que levava a outra questão: - Onde ele e Harry poderiam namorar em paz? Que lugar agradaria aos dois?

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Um pouco de falação:

Sim faz décadas da última atualização... O consolo é que o cap. depois deste já está na betagem, e tem lemon full, com o temperinho da Fabianadat. ( Minha musa resolveu ditar os capítulos ao contrário, e quem sou eu para contrariar esta doida?)

E como este cap. está sem betagem, me desculpo antecipadamente pelos eventuais erros de escrita.

Sobre este capítulo:

O Draco é um cara complicado, além de ser geminiano, ou seja, uma verdadeira metamorfose ambulante lotada de questionamentos e uma caixinha infindável de dúvidas. Acostumado com superficialidade nos relacionamentos, ele está meio sem chão ao se dar conta dos verdadeiros sentimentos dele pelo moreno e como ele mesmo comentou, ir com Harry para um destes hotéis que "aceitam hóspedes sem bagagem" seria tratar os sentimentos de ambos como um casinho banal.

O Harry é o cara direto de sempre, se jogando de cabeça. O que vai se dar "na hora da verdade"? Saia justa é um termo que fica meio esquisito, eu diria cueca justa... Aguardem!

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Nealon Trahern : o personagem obviamente não existe nos livros da JK, o criei para fazer a ponte entre as descobertas dos jovens aurores, o comando do departamento de execução das leis mágicas e os duendes de Gringotes. O velhinho tem sangue de duende assim como o Flitwick e uns 180 anos de idade, humor sarcástico, vasto conhecimento dos meandros do Ministério da magia e simpatizou com os nossos queridos de cara; se ele sacou alguma coisa entre os dois? Talvez.

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Sobre os ítens roubados nas lojas da Travessa do tranco: ataduras, pensos de gaze, ungüento anestésico, ópio, tinturas diversas, pós cicatrizantes, raízes de mandrágona, veneno de cobra, folhas de coca, poções fortificantes, repositora de sangue, poção polissuco, poção Felix Felicis e os perigosinhos abaixo que compõe a Fórmula zumbificante de duendes ( que preocupou o Nealon Trahern ao ouvir o relato de Draco).

Inventei esta fórmula utilizando plantas perigosas com princípios ativos conhecidos por seus efeitos no sistema nervoso central, a estória é ficção, mas os efeitos das plantas são verdadeiros, portanto cuidado e não utilizem estas plantas ( ou seus princípios ativos) sem a orientação direta de um profissional qualificado.

Para os duendes a formulação agiria como uma mistura de soro da verdade com o famoso "Boa noite Cinderela", sendo fatal para alguns. Falando em termos bem Potterianos, seria a versão química de um Imperius poderoso seguida de um Oblivia-te.

Os extratos dessecados e purificados das plantas são misturados resultando num pó que é soprado no rosto da vítima.

Composição:

Atroppa belladona L. Nome popular; bela dama ou belladona

Origem: Europa, norte da África e Ásia ocidental.

É uma das plantas mais tóxicas, podendo matar.

Sintomas principais de intoxicação: secura na boca e vias aéreas, aumento de temperatura corporal, taquicardia, agitação e delírio.

Dela é extraído o alcalóide atropina, usado em vários medicamentos, sempre em doses baixíssimas, em doses maiores é mortal.

Duboisia myoporoides . Nome popular: Duboisia, Corticeira venenosa, Mgmeo.

Origem: Austrália

Planta rica em alcalóides, especialmente hiosciamina e escopolamina.

Escopolamina: In natura, é uma droga altamente tóxica. Uma overdose pode causar delírio, paralisia, torpor ou mesmo morte em doses elevadas. Usada como o soro da verdade.

Porém os medicamentos produzidos a partir deste composto são constituídos à base de butilbrometo de escopolamina, e desta forma o fármaco praticamente não atravessa a barreira hematoencefálica, o que impede a sua ação anticolinérgica a nível central e torna o medicamento seguro para uso.

Withania somnifera Nome popular: Withania, ashwaganda, ginseng indiano, Cereja de Inverno.

Origem: Índia

Importante erva na medicina indiana, ensaios clínicos em animais tem mostrado o caminho para a utilização desta planta no tratamento da ansiedade, distúrbios cognitivos e neurológicos, inflamações, doença de Parkinson etc. Ou seja, tem efeito calmante bem acentuado.

E lá vai mais um dos velhos e bons ditados populares (e verdadeiro):

A DIFERENÇA ENTRE REMÉDIO E VENENO ESTÁ APENAS NA DOSE.

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E mais uma vez, sim, sou uma louca detalhista, além de sobrinha da prof. Sprout.