Pela primeira vez em muito tempo estava feliz, não tinha a tirania dos meus pais sobre mim e isso deixou-me mais leve. Ter o Ezra por perto também me fez sentir valorizada de alguma forma. Ele trata-me como uma princesa e eu estou muito feliz por isso também.
O Ezra deixou-me para tratar de algo para a sua aula de amanhã e a Evelyn saiu para fazer algumas compras para o jantar. Eu aproveitei para me esgueirar para a cozinha.
Abrir todas as portas para decorar o lugar de cada utensílio de cozinha ou panela e ainda os produtos de limpeza. Também encontrei os copos de cristal na cristaleira da sala de refeições e ainda os pratos, talheres e toalhas num móvel adjacente. Eu tinha a cabeça dentro do móvel para ver melhor o conteúdo. "Aí estás tu!"
Eu levantei imediatamente a cabeça quando ouvi a voz do Ezra, esqueci-me onde estava e bati com a cabeça com toda a força no móvel. A força fez a loiça tilintar. Levei a minha mão à cabeça gemendo com a dor. "Meu Deus Aria." O Ezra vem até mim preocupado. "Eu não te queria assustar juro. Deixa-me ver." Ele diz. Eu deixei-o ver. "Tem sangue." Ele diz ainda mais preocupado. "Temos de limpar isso." Ele diz.
"Eu vi álcool e compressas na cozinha." Eu andei até lá e abri o armário tirando o necessário. "Podes limpá-lo por mim? Não consigo ver." O Ezra concordou embebendo a compressa com álcool e eu inclinei a cabeça. "Vês como sou desastrada." Eu disse quando ele começou a limpar.
"A culpa foi minha, eu assustei-te."
"Eu devia ter pensado, as arestas dos móveis são cortantes."
"De qualquer forma achas que devo chamar um médico?" Ele pergunta afastando-se e deitando a compressa usada no lixo.
"Eu estou bem, isto vai passar tão rápido como foi feito." Eu disse voltando a arrumar o frasco de álcool. Eu olhei novamente para o Ezra e ele abraça-me. Eu não sabia ao certo a razão, mas ele parece gostar desse contacto bastante próximo.
Ele pegou-me e sentou-me na bancada. Eu apenas ri e então ele aproximou-se ficando mesmo entre as minhas pernas, o seu rosto estava perto do meu. Eu perdi-me no seu olhar azul claro que olhava para mim com desejo. Os seus lábios encontraram os meus e o beijo intensificou-se. Por mais estranho que pudesse parecer eu não me senti mal com isso, se esta era a forma de deixar o meu marido feliz eu irei fazê-lo. Eu irei entregar-me sempre a ele e em troca esperar o respeito e carinho que ele sempre me deu até agora. Ele afastou-se depois. "Perdoa-me." Ele diz com um olhar suave.
Eu toquei o seu rosto. "Porquê?"
"Desejar-te tanto chega a ser pecado." Ele diz tocando também o meu rosto e os meus lábios. "Tu és perfeita Aria, conhecer-te foi a melhor coisa na minha vida." Ele diz. "Eu acho que te comecei a amar."
Ela parecia surpresa com as minhas palavras, mas ao mesmo tempo grata por as ter ouvido. "Eu não espero que retribuas o mesmo sentimento agora. Podes levar o teu tempo, tens muitas coisas do passado que espero que deixes para trás." Ela concordou.
"Eu nunca me senti tão segura antes. É cedo para amar, mas eu preocupo-me contigo. Eu gosto de ti. Muito!" Ela pegou a minha mão e envolveu-a. "Não haveria outro lugar onde quisesse estar sem ser contigo." Ela diz com um pequeno sorriso tímido.
Eu sorri para ela. "Isso é muito importante para mim. Eu quero que estejas segura e que te sintas amada." Beijei a testa dela.
"Eu sinto." Ela diz num sussurro. "Eu estou feliz contigo." Eu abracei-a novamente. "Eu gosto do teu cheiro e da forma como me abraças." Ela continua.
"O que queres fazer esta tarde?" Perguntei-lhe.
"Eu não sei… podemos falar? Eu quero conhecer-te mais." Ela diz muito doce.
"Claro. Podemos andar lá fora? Assim posso mostrar-te toda a propriedade."
Ela concordou e ajudei-a a descer da bancada. Saímos pela porta dos fundos para o campo extenso que temos na parte de trás da casa. "Estás habituada a trabalhar no campo não é verdade?"
"Sim eu trabalhava, principalmente para as colheitas."
"Mas a tua pele não ganhou qualquer cor." Eu disse.
"Eu cobria-me, uma vez a minha pele ficou muito vermelha e foi horrível." Ela diz.
Isso era natural, a pele dela era muito pálida e suave como a de um bebé. "Como vês nós temos muito espaço para cultivar o que quiseres." Eu disse. "Posso contratar alguém para vir aqui cuidar da terra."
"Eu posso fazê-lo." A Aria diz. Eu peguei as mãos da Aria na minha. Elas eram pequenas, secas e com algumas irregularidades do trabalho pesado.
"Se queres fazer algo pequeno apenas para te distraíres eu concordo. Se for algo mais difícil eu não te quero a fazê-lo sozinha. Eu quero que cuides de ti, pensa em ti em primeiro lugar. Isto é algo que tu queres fazer por ti ou para me agradar? Porque se for o caso não é necessário."
Ela olhou para mim um pouco perplexa. "Eu não faria algo grande…" Ela olhou para as nossas mãos juntas. "Eu não quero que te arrependas de ter casado comigo, não quero que me aches preguiçosa ou incapaz… eu quero que gostes de mim e que me trates assim sempre."
"Eu não me arrependeria Aria. Pode não ser sempre perfeito, mas eu adoro-te e vou tratar-te sempre com todo o respeito que mereces. Não tens de te pressionar tanto com o que eu vou pensar de ti. Sê apenas tu mesma. Podes esquecer a insegurança." Eu digo-lhe com segurança.
Ela sorri. "Obrigado… tu és tão perfeito Ezra." Ela diz.
O comentário dela fez-me sorri mais. Ela era tímida, mas muito gentil ao mesmo tempo. "Então… não tens de fazer nada agora. Pode ser quando te sentires bem com isso." Eu disse.
Ela concordou. Eu sentei-me numa pedra que quase parecia um banco e a Aria olhou para mim em pé. Ela olhou para o lugar ao lado, mas estava sujo com terra. Ela não disse nada, mas eu percebi. "Senta-te aqui." Eu bati na minha perna. Ela aproximou-se e sentou-se no meu colo e eu abracei a sua fina cintura. "Confortável?"
Ela concordou. "Sempre quiseste ser professor?" Ela pergunta quebrando o silêncio. Ela queria saber mais de mim e isso era fofo.
"Eu comecei a perceber quando comecei a ler, eu amo livros e adorei aprender. Então um dia disse ao meu pai que gostava de ensinar meninos como eu e ele sempre me ajudou a seguir o meu sonho."
A Aria sorri. "Tu tens uma grande paixão. E és muito sortudo por ter uma família a apoiar-te." Ela diz.
Eu concordei. "Tu também gostaste de estudar?"
Ela desvia o olhar e nega. "Eu nunca tive a chance."
Eu fiz pequenos círculos nas suas costas com o polegar. "É comum, algumas meninas nunca chegam a ter educação." Eu disse. "Mas se tu quiseres aprender pelo menos a ler e escrever, eu posso te ensinar."
Ela olhou para mim com espanto. "A sério?"
Mais um momento fofo *-* Obrigado EzriaBeauty!
Espero que tenham gostado até agora. Até ao próximo capítulo! Beijinhos e obrigado!
