Capítulo Nove – "Desejo de sangue" (parte 2)
Mas meus instintos me ignoraram e silenciaram a parte piedosa da minha mente. Dei mais uma fungada profunda no ar abarrotado do cheiro dele do supermercado. Era dolorido e delicioso ao mesmo tempo, se é que podia existir algo dolorido e delicioso ao mesmo tempo. Parecia que morri e fui pro céu.
Aquele humano existia. Isso parecia um milagre.
O cheiro dele era a coisa mais perfeita que existia sobre a superfície da terra e ele seria meu.
Eu ainda estava sorrindo um segundo depois quando Jasper falou de novo:
- Você está com sede? – a voz dele tinha repugnância. Eu não me importei nem um pouco. A vergonha daquilo me abandonou há muito tempo, desde o primeiro momento que o cheiro me alcançou. – Mas como?
- Não se atreva a me impedir, Jasper. Saia daqui! – eu rosnei pra ele.
Renesmee ainda estava no chão. Ela parecia magoada. De novo, eu nem liguei. Que se foda ela e Jasper. Que se foda Carlisle. Que se foda até mesmo a Kate se ela pudesse me ver agora. Nenhum deles podia saber o que era aquilo, como aquele cheiro me dominava, como eu não tinha alternativa. Eu precisava daquilo. Se eles não me entendesse eu só poderia lamentar.
Nenhum deles poderia me recriminar. Eu era uma vampira, uma caçadora, e estava com sede, e aquele homem era a presa mais deliciosa do mundo.
Eu parei um momento pra relembrar das minhas presas ao longo dos meus longos séculos de existência. Foram tantos, milhares, mas eu me lembro claramente e todos eles. Nossa espécie não perdia nunca nenhuma lembrança. Todos os nossos atos era registrados por esse computador infalível que era nossa memória. Eu podia responder minha própria pergunta com muita certeza. Certeza absoluta. Aquilo era a mais pura das verdades.
Não. Não havia nem um humano que tenha sido tão apelativo e convidativo pra mim como aquele "rapaz de camisa verde". Nenhum cheiro nunca me machucou tanto, nunca havia sentido tanta sede em mais de meio milênio. Nem se eu vivesse um milênio inteiro eu sentiria aquilo. Nem se eu tivesse vivido todos os milênios que já existiram aquilo teria qualquer comparação.
Ele era meu paraíso na terra, o sangue dele ia lavar minha garganta e me levar ao nirvana.
De novo, eu estava tremendo de antecipação.
- Você vai atacá-lo? – Jasper falou de novo. – Tem certeza?
- Ah sim, com certeza. Pode se assegurar que Alice está vendo isso agora mesmo. Ele vai morrer na minha boca e isso já está decidido. - eu sussurei para Jasper, minha voz lembrando o ronronrar de um tigre perigoso se preparando para o bote. Exatamente como eu estava agora.
Renesmee soltou de novo um gritinho de medo, por sorte muito mais contido do que antes. Havia um segurança do supermercado que a havia visto cair e estava se movimentando na nossa direção. Minha presa também parecia sair do choque inicial e estava se movendo para nossa direção. Ele não tinha nenhum senso de sobrevivência? Ele não ia correr e gritar? Era uma delícia vê-lo se aproximar de mim.
Para os humanos somente havia passado poucos segundos desde que a garrafa de Pepsi explodiu na minha mão. Eles só estavam reagindo agora. Eu não tinha tempo de bater papo com Jasper. Se eu não fosse rápida ele poderia escapar.
O pensamento disso fez minha garganta se retorcer mais ainda de dor. Eu grunhi sem perceber.
- Jasper – eu disse numa voz muita rápida para que qualquer humano entendesse. Meu corpo ainda estava curvado em formação de ataque, o braço que empurrou Renesmee ao chão ainda esticado e meus dentes ainda arreganhados pra ele enquanto eu falava – eu não estou interessada em discutir o assunto. Ele vai morrer, eu já decidi e você pode lutar comigo sobre isso ou pode me ajudar a lidar com as conseqüências.
- Tanya, essa não é você. Por favor, reflita um segundo antes de fazer qualqu...
Eu não ouvi o resto. Minha garganta estava doendo como nunca havia doído antes. Meu corpo tremia violentamente agora, não era possível sentir aquilo e não correr na direção. Não havia como estar sentindo aquilo tão forte e não seguir direto pra acabar com o sofrimento. O monstro devorador de sangue dentro de mim precisava se aliviar da garganta destroçada. Não importa mais sobrevivência. Jasper poderia me matar se quisesse, mas ele iria me matar indo em direção a ele.
Renesmee estava se levantando, Jasper ainda dando seu discurso, tentando em vão me convencer a ser superior a tudo isso. Hum, pobre Jasper. Não há nada superior em mim agora. Só existe o básico instintivo no meu ser. Só o animal sedento. A besta incontrolável por sangue.
O segurança ainda estava na sua corrida em câmera lenta, meu lindo de olhos verdes não havia dado nenhum um passo completo pra nós, e eu disparei!
Pude sentir Renesmee e Jasper correndo atrás de mim, em qualquer outra situação da minha vida que dois vampiros me perseguiam eu teria parado e me defendido. MAs todos os outros instintos estavam dormentes, subjulgados pela aquela sede insana que me compelia pra frente. A situação mais única e incrível. Nem mais comigo eu me importava, só com a sede.
"Ela me dominou completamente! Mas eu sempre fui mais forte que ela. Sempre fomos todas mais forte que ela. Kate teria nojo de você desse jeito" uma parte da minha mente pensou, mas eu não podia fazer nada. O cheiro estava me guiando e eu não resistia mais.
Ia me entregar sem resistência ao paraíso e ao nirvana. Eu estava cansada da minha vida imortal. Seria bom ver o outro lado. Eu estava disposta a morrer pra ter aquele sangue.
Cheguei até ele em menos de meio segundo. Deu pra ouvir o gemido baixo de Jasper. "Pobre, Jasper", minha mente pensou. Teríamos tanto trabalho com as testemunhas essa noite. Mas valeria a pena. Eu podia cheirar que valeria a pena. Era o cheiro mais valioso do mundo...
E tudo mudou.
Minha mente fez um reboot forçado.
Minha presa havia se movido um centímetro pro lado com a minha corrida de fração de segundo e eu pude ver que ele afinal não era um louco que falava sozinho, mas havia uma linda menininha sentada no banco do carrinho de compras dele. Ela tinha os mesmo os mesmo olhos grandes e verdes dele e estava vestida de bailarina.
Ela parecia bem nova, como se tivesse 6 ou 7 anos. Os olhos estavam cheios de medo e pavor. E era linda como um anjinho, os cabelos eram pretos como ébano e cacheados bem compridos e sua pele branquinha como a neve. Uma linda branca de neve em miniatura vestida de bailarina.
Era óbvio que ela era a filha dele, seus dedos estavam agarrados a camisa verde como quem segura no bote salva vidas. Além de que as feições eram muito próximas, ela tinha o mesmo nariz que ele, e o formato dos olhos, além de que também eram do mesmo tom verde esmeralda.
Meu peito ardeu de dor, minha garganta se rasgou mais, eu nem imaginei que era possível tal dor tão profunda.
Não havia como eu permitir aquilo. Eu não havia pensado na minha vítima nem por um segundo. Não havia pensado nele por um segundo como algo mais que a profusão deliciosa de uma essência dos deuses. Pra mim ele era só cheiro e sabor. Não o tinha visto como pessoa desde que meus sentidos o sentiram.
Ele era só sangue e corpo.
Mas agora eu via que ele não era só isso. Ele tinha uma filha. Devia ter esposa, quem sabe outros filhos. Uma família inteira. E se ele fosse uma boa pessoa? Um inocente, que só estava no local errado e na hora errada?
Minha mente se esforçou ao máximo pra assimilar a verdade. Eu não poderia deixar meus instintos tomarem de conta de mim agora. Não interessa o cheiro, nem o sabor, nem nada.
Eu não era assim. Não podia ter prazer em matar.
Eu. Não. Era. Assim.
Lutar contra os instintos irresistíveis era muito mais difícil do que esperar para persegui-lo. Era mil vezes mais doloroso. Saber que eu não iria senti-lo era desnorteador.
Meus olhos giraram em órbita enquanto eu lutava pra permanecer imóvel.
Já tremia como uma louca no lugar. Pude sentir Jasper me segurar por trás, os braços dele se fecharam ao meu redor enquanto eu duelava contra mim mesma e me mantinha os braços estendidos e colados junto ao corpo, buscando, desejando com todas as forças restantes de mim mesma só uma coisa: permanecer imóvel.
Eu tive vontade de gritar pra ele "Aproveite agora. Me tire daqui, Jasper. Me mate mas não me deixe fazer isto." Mas eu não podia confiar em mim mesma. Não podia falar agora, não podia nem me mexer agora. Fechei os olhos e cortei a respiração. Era um alívio não senti-lo, mas a memória do cheiro era altamente vívida.
- Do que vocês falando? Quem vai morrer aqui?
A voz dele era linda, forte, máscula e suave. Tudo ao mesmo tempo. Eu senti um arroubo de afeição por isso. Mas não era só isso. Nós estávamos falando muito rápido e baixo para ouvidos humanos. Tudo para ele estava acontecendo muito rapidamente. E mais uma vez ele demonstrava que havia nos entendido. Aquela curiosidade inicial que eu senti quando o vi pela primeira, antes do cheiro dele assaltar meus sentidos, voltou. Quem era esse humano afinal? - E como ele pode me atrair tanto assim?
Jasper também pareceu espantado pelo barulho que fez atrás de mim.
Eu queria abrir os olhos e olhar pra ele mas não consegui. Não tinha coragem.
- Papai eu estou com medo...
A voz da filha dele era delicada e suave como de uma criança doce. Eu não resisti e abri os olhos.
As mãos de Jasper estavam me apertando e machucando ao meu redor, me mantendo no mesmo lugar. Renesmee estava ao meu lado, obviamente pronta pra ação se eu me libertasse de Jasper e atacasse os humanos na minha frente. Ótimo, era um alívio a resolução deles de me impedir, eu nunca teria como agradecê-los.
Mas minha presa havia se aproximado mais de mim. Agora ele estava a menos de um metro de mim. Eu não me atrevi a respirar, não com ele tão perto, mas meu corpo tremeu violentamente com a idéia de como seria o cheiro dele dessa proximidade. Meus olhos saíram de órbita, e eu senti que ia perder a determinação de novo.
A filha dele, com certeza, havia protestado porque ele saíra de perto dela e agora estava muito mais perto de nós. Ele não aparentava medo, mas preocupação. Ah, céus, minha presa não tinha instinto de preservação ou sobrevivência. O quão difícil isso seria mais?
- O que está acontecendo? Eu tenho certeza que posso ajudar, meu nome é Jack Lancaster e eu sou policial da cidade...
Não havia como ouvir o resto do discurso dele. Ai, um policial, jovem, com família e filhos. Um homem de bem com certeza, e eu planejando assassiná-lo a sangue frio.
Minha determinação de ficar imóvel balançou na corda bamba.
Eu ia cair no precipício. Era só uma questão de tempo.
- Jasper você tem que me tirar daqui, – eu disse numa voz rouca e baixa. Minha voz estava muito estranha pela garganta ardida. – eu quero ver o Carlisle.
Eu não ia poder falar mais, não poderia nem sonhar em respirar.
- Nós estamos bem, obrigado. Meu nome é Jasper Hale, sou filho do Dr. Carlisle Cullen. Está é minha prima Tanya, e ela não está se sentindo bem, vou levá-la para ver meu pai.
Ele fez menção pra me mover, mas eu não respondi.
Dor e êxtase me rasgavam ao meio. Eu estava paralisada pelos meus sentidos, só a memória do cheiro daquele estranho era necessária para me paralisar totalmente. Novamente eu me vi questionando quem era ele, como poderia ter tanto poder sobre mim.
- Você não parece estar respirando, - Jack Lancaster se dirigiu a mim e eu senti meu rosto se contorcer em uma careta de dor – você está com muita dor?
E ele tocou meu rosto.
Foi como se Kate estivesse me tocando. Ambos trememos com o choque que o toque rápido nos deu.
Eu gemi alto de dor. Era insuportável. O monstro dentro de mim rugiu, brandiu, gritou e esperneou em protesto. Como eu podia resistir a ele tão perto me tocando? Como eu não o matava ali agora?
Meus joelhos cederam e eu caí, ajoelhada, no chão do supermercado. O barulho foi muito alto, e se eu estivesse em condições me preocuparia se os humanos poderiam desconfiar. Mas eu não tinha outro pensamento que a dor da sede. Nada mais existia pra mim agora.
Jasper foi rápido e me pegou no colo. Eu assenti aos movimentos protetores dele. Ele tinha de me tirar dali o mais rápido possível. Será que eu conseguiria pensar com um mínimo de clareza fora dali?
O segurança apareceu no meu campo de visão. Renesmee falou com ele e com Jack Lancaster, abrindo caminho pra Jasper pra fora do supermercado. Eu os ouvi prometendo me levar ao hospital, Jasper dizendo que ia voltar pra pagar os prejuízos. Eu não os ouvia completamente, mais de 90% da minha atenção eram pra minha própria dor ainda.
E antes que eu pudesse esperar eu já estava no porsche de Alice. Jasper me colocou delicadamente no banco de trás e meio segundo depois o carro já estava em movimento. Eu não via nada mais exceto aquele rosto na minha frente. Jack Lancaster ia me assombrar pro resto da vida.
N/A: Podem falar, essa última frase foi de matar, né? hahaha! Pois é, espero que vocês tenham gostado desse capítulo! Eu tentei não pensar muito em midnight sun quando o escrevi mais ainda assim ele lembra muito aquele POV do Edward, né... Bom, o caso da nossa querida tanya e o seu Jack é diferente, apesar das semelhanças e mesmo assim lembrem que essa fic tem mesmo o objetivo de homenagear a saga da SM. Sorry se ficou muuuuuito igual mas eu fiz o melhor, certo?
No mais, já mostrei o que o grande drama da história, podem esperar muito Jack/Tanya agora! xD Espere drama pro próximo capítulo... Oq vcs fariam se fossem a Tanya? =| Assim, vcs tem que se imaginar no lugar de uma vampira, é verdade... huahuahau! Mas é uma situação dificil de qualquer modo, né? Poor Tanya! =/
Um BEIJO grande pra todo mundo que deixou reviews! Obrigada por lerem essa minha história, que eu amo de paixão! ^^ Vocês são fantásticas! xD
Raquel: Eiii, amore! Então, Jack é moreno dos olhos verdes! xD Um policial, um trabalho bem físico, logo já adianto - sim, ele é muito gostoso!!! xD hauhauhau... Mais descrição vai vir, pode deixar! haha! Gostou desse encontro bombástico? Eu não sei se já tinha contado pra vocês que Tanya teria aquela fixação pelo sangue dele, como Ed teve pela Bella, estilo 'la tua cantante' mas foi o que eu decidi fazer. Ficou bom? ;D
Emy Nic: Aiiiiiiiii, que bom que vc gostou do Jack, miga!!! xD Fico tão feliiiz, porque se vc já gostou dele agora, vc vai acabar *apaixonada*, como eu e minha amiga que beta a fic ficamos, alguns capítulos mais adiante! hahaha! Ah, muitas futuras cenas com ele de uniforme, também adorooooo! *_* hahahaha!!!
Tati: AMiga! Vc totalmente lotou minha caixa de emails aquele dia! Wow! A-d-o-r-e-i!! xD Mas tô mto sem tempo, tô roendo as unhas pra saber o que seu Jasper *misterioso* tá aprontando em MBA, pode deixar que eu volto lá! ;) E não tenho certeza que você vai adorar esse capítulo, pode me contar isso, viu!! Qro saber sempre! hahaha! ;D E vc acertou direitinho, Jack é a tampa da panela da Tanya, com certeza! hauhauhauhau A outra metade da laranja e etc... Mas tem algumas complicações no caminho, pra deixar as coisas mais emocionantes! =p Bom, não digo mais nada... Vc vai saber no futuro!
ps: Não sei oq fazer pra te fazer esquecer o Wang! huahahauhauhau Ele está com mto medo da Bella, e não aparece tão cedo! huahauha Juro! ^_^ *Mas n esquece ele de vez não, heim! Eu n prometo nada, mas...*
L Martello: Eiiii! Como vc chegou aqui? Pois é, no orkut é atualizado depois do (é tão mais fácil postar aqui, eles acabam tendo privilégio hahaha!) mas eu tô postando as duas quase no mesmo dia! xD Mas não espalha! Ou ngm mais vai me ler no orkut... uhauhauahuahuahua Bom, e agora que eles se encontraram, e as coisas não são nada lindas e fáceis como vc imaginava para um encontro de duas soul mates, oq vc acha que vai acontecer, miga? Parafrasenado Edward Cullen em twilight: "I´d rather hear you theories"... hihihihihi! ;D
Então é isso. Ah, Ingrid cade tu? Saudades! *snif snif*
Por favor, se alguém tiver lendo que ainda não comentou, essa é sua chance! Eu estou muito necessitada de um estímulo, reviews são a única coisa capaz de animar um autor!!!
Escrever uma história legal é a única coisa que nos motiva, por favor, me deixe saber se eu estou conseguindo chegar perto de 'legal'...
Okay?
Atualização logo! Próximo fim de semana! Fiquem ligados, o não gosta de mim e demora a avisar no email de vcs... =|
Bjs, Mirabela! xD
