CAPÍTULO 11
NARRADO POR HARRY POTTER
Depois de algum tempo de silêncio, observei Draco se levantar e ir de volta até os armários, onde os objetos sexuais ficavam guardados.
- Você é ninfomaníaco? – eu exclamei.
Não era possível que ele ainda tivesse forças para continuar! Eu estava acabado.
Ele soltou uma risada rouca, e voltou a se sentar meu lado, segurando um pequeno potinho azul, com o que parecia ser uma poção.
- Não. – ele sorriu.
- O que é isso? – eu perguntei, me referindo ao pote azul.
Ele abriu o pote e umedeceu a ponta dos dedos de uma substância cremosa, e em seguida passou sobre minhas nádegas levemente avermelhadas. A substância era gelada, promovendo um alívio instantâneo para a ardência e devolvendo à minha pele sua cor natural.
- Aah, obrigado. – eu suspirei. – Isso é muito bom.
- Exagerei com você? – ele perguntou, preocupado.
- De jeito nenhum. – sorri para ele com sinceridade. Eu estava completamente extasiado e satisfeito.
Ele me encarou por alguns segundos, havia uma emoção em seu rosto que eu não conseguia decifrar.
- Você gostou de eu ter te amarrado e te batido assim? – ele quis saber.
- Eu gostei, Draco. – eu falei, sério. – Na verdade, eu não esperava gostar tanto.
Ele me lançou um olhar cúmplice.
- Esse tipo de sexo é muito intenso. – ele disse. – Às vezes a linha entre dor e prazer pode ser muito tênue.
- Com você eu deixo de lado qualquer restrição ou preconceito. – eu falei. – Você faz com que eu me sinta disposto a experimentar qualquer coisa.
- Você parece estar gostando muito de experimentar. – ele disse, com malícia.
- Eu gosto muito do que você me faz sentir. – eu confessei.
- Eu também, Harry. – ele me olhava com intensidade. – Gosto muito do que você me faz sentir.
- Então, você não está mais irritado comigo? – eu perguntei esperançoso.
Ele arqueou as sobrancelhas pra mim. Não chegou a responder a minha pergunta.
- Você sabe que termos transado não quer dizer que não vamos conversar sobre o que aconteceu hoje, não sabe? – ele falou com calma.
- Eu sei. – eu disse, virando-me de barriga para cima – Eu também quero conversar.
Quando ele tornou a falar de novo, parecia estar tentando organizar seus pensamentos, expressar o que afinal estava em seu peito, tumultuando suas emoções.
- Aquilo que você fez, se ajoelhar daquele jeito publicamente, fazer o feitiço simbolizando a entrega de um submisso, me dar sua varinha... Harry eu preciso que você entenda, eu jamais teria te pedido isso. – ele falou, ansioso para me explicar.
- Achei que fosse algo que você gostasse, todos os submissos ali se comportaram da mesma forma. Outros homens já devem ter feito essa espécie de ritual para você, nessas festas do Zabini. Porque eles e não eu? – eu perguntei, confuso.
- Eu poderia ter gostado, Harry, se você tivesse realmente desejado fazer. – ele falou, a voz triste. – Mas não do jeito que foi, como um sacrifício seu para me proteger.
- Não foi um sacrifício. – eu me sentei, deixando meus olhos na altura dos seus. – Um sacrifício é uma coisa ruim.
- E o que aconteceu por acaso foi bom? Kinoss humilhou você, te ofendeu. – ele apontou, parecendo sentir dor. – Você estava ajoelhado no chão, como um submisso, nem se defendeu.
- Eu não precisava. – eu falei, com gentileza, acariciando seu rosto bonito. – Eu sabia que você me defenderia.
Seus olhos pareciam marejados.
- Você... você confiou em mim a esse ponto... colocou sua varinha na minha mão – sua voz entrecortada. – Nunca achei que alguém como você pudesse...
Eu via que Draco estava com muita dificuldade de expressar o que sentia. Eu não queria que ele parecesse tão triste, não tinha sido para magoa-lo que eu tinha feito aquilo, pelo contrário.
- Alguém como eu? – eu perguntei.
- Você é o melhor homem que eu já conheci na vida. Não há ninguém mais forte, com mais caráter... – ele explicou. – E eu... Harry eu já cometi muitos erros. As palavras que aquele homem usou para te ofender, eu já usei inúmeras vezes...
Vi que seu olhar correu rapidamente para marca negra em seu braço. No passado ele tinha sido um comensal da morte, um adepto da ideologia do sangue puro, como eu bem sabia. Eu já tinha percebido a marca ali, é claro, mas nunca dei muita atenção. Era só um desenho que simbolizava seu passado, Voldemort tinha morrido e aquilo não me apavorava em absoluto.
- Você é outro homem agora. – eu disse, com firmeza.
Ele sorriu levemente.
- Tenho tentado ser. – ele afirmou.
Eu segurei seu rosto nas mãos.
- Draco, hoje à noite, quando fiz aquilo, não foi nenhum sacrifício. Para mim, não existe nada de indigno ou humilhante em ser seu submisso. Eu fiz aquilo com orgulho. – eu falei, com intensidade. – Foi para te defender de Kinoss, é verdade, mas isso não significa que tenha sido ruim.
- Você fez com orgulho? – ele perguntou, baixinho.
- Sim. – eu garanti. – Eu tenho orgulho de estar com você. Admiro como você reconstruiu sua vida, como você teve coragem de rever seus erros e mudar. Admiro a pessoa que você se tornou.
- Eu... eu... – ele gaguejou, muito baixo. – Harry...
Eu o puxei para meus braços, aninhando seu corpo entre as minhas pernas, mantendo-o apertado junto de mim. Eu acariciei seus cabelos louros, tudo o que eu queria era cuidar dele e fazê-lo se sentir melhor.
- O que eu estou sentindo por você... eu nem consigo explicar. – ele falou, quando conseguiu controlar a voz. – Essa semana foi horrível.
- Foi. – eu concordei. – Essa viagem foi difícil demais. Quanto mais eu percebia o quão complicadas e perigosas as coisas estavam na França, quanto mais receio de uma nova guerra eu sentia, maior era meu desejo de voltar para você.
- Está tão ruim assim? – ele perguntou. – Não achei que os Purificadores do Sangue estivessem tão fortes.
- Você já ouviu falar neles? – eu perguntei, levemente impressionado.
- Alguns conhecidos meus tem relações com a seita. – ele parecia desgostoso com a situação. – Kinoss inclusive.
É claro. Aquele homem horroroso estaria ligado a tudo que há de mais sujo e deplorável na Terra.
- Eles estão muito fortes, tempos difíceis se aproximam, Draco. – eu falei, tentando expulsar o tom macabro daquela predição. – Todos já perceberam isso. O clima no quartel dos aurores na França está bem ruim. Eles estão tentando parar os ataques aos trouxas todos os dias, mas mesmo quando conseguem, sabem que no dia seguinte haverá mais, e no outro novamente.
- Foi assim que você se machucou? – ele perguntou, com delicadeza. – Tentando parar um ataque?
Eu assenti brevemente com a cabeça.
- O clima lá é desesperador. – eu falei. – Mas isso me fez pensar muito na gente...
- É mesmo? – ele deu um pequeno sorriso. – No que você pensou?
- Eu gosto de você, Draco. E eu te quero, de verdade. – eu me declarava, pondo de lado qualquer pudor. – Não quero deixar que meus medos ou constrangimentos me impeçam de viver tudo que eu quero viver com você.
- Eu também te quero, Harry. – ele admitiu. – Senti muito sua falta.
Eu dei um beijo leve em seus lábios, como uma carícia. Eu gostava dele. Sentia que queria estar com ele, cuidar dele, fazer dele o homem mais feliz do mundo.
- Você encontrou seu ex lá? – ele perguntou, fazendo uma careta.
Me lembrei imediatamente de Philip. Ele tinha me puxado para um canto para conversar, disse estar arrependido de ter ido embora daquele jeito.
- Você tinha razão, ele estava arrependido. – eu contei.
Seus olhos se arregalaram.
- Ele tentou alguma coisa? – sua voz era ríspida, irritada.
- Não. – eu o tranquilizei. – Ele apenas veio conversar comigo, disse que queria falar sobre o que tinha acontecido entre a gente. Mas eu respondi que não queria, que agora eu tinha um namorado.
- Você disse que tinha um namorado? – ele riu.
- Sim. – eu contei, sentindo um pouco de irritação ao lembrar da cena. – Ele disse que não acreditava, que eu estava sendo covarde por não querer conversar com ele.
- Homem insolente. – Draco disse, ciumento.
- Então eu respondi que meu namorado era Draco Malfoy e que, se ele não acreditava em mim, poderia mandar investigar. – eu respondi.
- Você disse isso? – ele parecia feliz. – É sério?
- Sim. – eu falei, ruborizando.
- E eu sou mesmo seu namorado? – ele quis saber.
- Se você quiser... – eu senti que ruborizava. – Você pode ser meu namorado, quando não estiver sendo meu dominador.
Ele acariciou meu rosto com ternura.
- Você está com vergonha de dizer isso? – ele perguntou, achando graça. – Depois de tudo que você disse hoje durante o sexo, não achei que ainda existisse alguma vergonha em você.
- É diferente. – eu disse, sentindo que ficava ainda mais constrangido e vermelho. – Você sabe que é diferente quando estamos transando.
- Você fica muito desinibido. – ele concordou. – Eu gosto disso. Hoje, ver você sentar naquilo, na frente do espelho... dizer o que você estava sentindo... achei que ia enlouquecer de tesão.
- Nesses momentos, você pode conseguir qualquer coisa de mim. – eu respondi.
- E você tem medo disso? – ele quis saber. – Você tem medo que eu te peça além do que você pode me dar?
- Não. – eu ponderei sobre a pergunta. – Eu tive esse receio antes, mas não tenho mais. Eu tenho certeza que você nunca faria nada horrível comigo.
- Nunca, Harry. – ele jurou. - Mas as vezes eu posso não saber quando você está chegando perto de um limite. Eu preciso confiar que você vai me dizer se for insuportável, por causa disso eu gostei muito de quando você me pediu para tirar o cinto de castidade.
- Não te decepcionei? – perguntei, baixinho.
Na hora só queria me livrar daquilo, mas agora eu pensava se não poderia ter aguentado um pouco mais.
- De jeito nenhum. – ele cortou. – Você nunca me decepciona. Mesmo sem nunca ter sido submisso de ninguém, você aceita cada desafio que eu proponho com coragem. Mas isso não significa que você vá gostar de tudo, se você não gostou do cinto, eu nunca mais uso em você.
Eu me senti muito tocado pela sua fala. Cada vez mais eu entendia que para fazer aquele tipo de sexo era necessária muita maturidade, diálogo e confiança um no outro. Ele precisava confiar em mim, para dizer para parar, para dizer que eu não queria algo. E eu precisava confiar nele, confiar que ele faria o possível para nunca ultrapassar meus limites, e que caso um dia isso acontecesse ele pararia imediatamente.
- Não... eu gostei. Inicialmente foi bastante excitante ficar preso daquele jeito. Mas quando você começou a me lamber, eu fiquei muito duro, começou a ficar muito desconfortável. – eu expliquei.
- Eu sei. – ele assentiu com a cabeça, compreensivo. – Era esse o intuito, é uma forma dominação, de punição.
- Eu me senti bastante dominado... e tenho descoberto a cada encontro nosso que eu gosto muito de me sentir assim na hora do sexo. – eu falei, sentia a necessidade de fazê-lo entender. – Mas naquele momento, quando eu pedi para parar, foi porque ficou muito difícil...
- Você não precisa se explicar. – ele me interrompeu gentilmente. – Harry, seu corpo tem limites que você está descobrindo agora, que nós estamos descobrindo juntos. Com o tempo, eu vou aprender melhor quando é bom para você e quando não é.
Eu assenti com a cabeça. Sem dúvida ele acertava muito mais do que errava. Eu praticamente me contorcia de prazer a cada coisa que ele fazia comigo.
- O fato de você ter parado no mesmo instante e tirado aquilo de mim, quando eu pedi, me deu muita segurança. – eu falei, em voz baixa.
- Você achou que eu não tiraria? – ele perguntou.
- Na hora não achei nada. – eu ponderei sobre a pergunta dele. – Quando estamos nessas cenas BDSM, eu me sinto completamente despojado de poder sobre o meu próprio corpo. Se você não tivesse tirado, eu teria aceitado, mas eu gostei muito de você ter feito o que eu pedi.
Ele se abraçou em mim de novo, e eu respirei o cheiro maravilhoso de sua pele.
- Foi uma noite muito boa, no fim das contas. – ele suspirou, os braços firmes ao redor do meu corpo.
- Foi sim. – eu concordei.
