Capítulo 11
Com os meus sentimentos em fogo, eu acho que sou um péssimo mentiroso
Eu vejo como a sua atenção se constrói, é como olhar em um espelho
O seu toque é um pílula de felicidade, mas tudo o que a gente faz é temer
O que poderia acontecer em seguida?

Lily assistiu o sol se pôr debaixo das cobertas. O dormitório estava frio, porque uma das garotas tinha deixado a janela aberta, mas Lily ainda estava em choque então ela caiu na cama, deixando a janela aberta mesmo. Estava sendo difícil compreender a corça que tinha aparecido na frente dela. Estava difícil para ela entender isso a partir de tudo o que ela sentia por James, os sentimentos dela tinha vindo à tona a partir de um feitiço de patrono em um banheiro.

Ela tinha que contar para James, ela tinha que fazer isso.

Entretanto, ainda havia aquele sentimento estranho, que estava preso na mente dela: como poderia uma teoria de que combinações de patronos seriam sua alma gêmea significar que seria verdade?

Mas também, como poderia não ser?

Lily tinha que ler o livro de novo. Ela tinha visto a passagem que dizia que os patronos eram literalmente um reflexo da alma. O patrono corpóreo era uma alma, e se o patrono de Lily combinava com o de James, então... almas gêmeas, tinha sido a definição que o livro tinha dado para o que ela tinha por ele. Lily sempre tinha confiado no que ela lia nos livros. Ela sempre tinha confiado nas palavras das páginas.

Então porque ela não podia confiar em si mesma?

A porta do dormitório abriu teatralmente e Lily se sentou, o cabelo ruivo caindo pelo rosto. Marlene entrou na sala carregando um saco de papel em um braço e o casaco no outro. O cabelo cacheado de Marlene estava molhado por causa da chuva, mas os olhos dela estavam brilhantes enquanto procuravam pelo quarto e encaravam Lily.

Marlene se sentou dramaticamente na cama de Lily, derrubando a sacola de doces da Dedosdemel no estômago. Lily grunhiu e arregalou os olhos para encarar a amiga. Marlene tinha olheiras abaixo dos olhos azuis. Lily pegou a sacola com doces e procurou por uma embalagem familiar. Lily pegou uns chocolates de pimenta e colocou na boca, fazendo a boca arder. Marlene arqueou as sobrancelhas.

"Uh-oh." Disse Marlene, "Por que tão dramática?"

"Onde estão as outras meninas?" perguntou Lily, tentando (e falhando) mudar de assunto.

Marlene empurrou a amiga, então Lily foi obrigada a se mexer, para dar lugar para Marlene no colchão. Os cachos de Marlene formavam uma aureola dourada em volta da cabeça dela quando se deitou ao lado de Lily. Lily mastigou o chocolate de pimenta enquanto Lily pegava uns dos seus doces favoritos na sacola, pena de açúcar.

"Mary ainda está na cidade com o namorado Lufano dela. Ingrid e Sue conseguiram alguns Corvinais de quem elas estavam afim." Marlene sugou a pena de açúcar pensativa, "E eu decidi que seria melhor comer meus doces na cama."

Lily lambeu os lábios antes de pegar a sacola que estava ao lado delas, "Seu plano coincide com o meu."

"Tá." Marlene não pareceu convencida, "Então, você não estava interessada em sair para beber algo com o seu namorado?"

Lily virou a bochecha para observar Marlene comer a pena condescendente. O rosto de Marlene era duro, uma expressão que Lily nunca tinha visto no rosto dela antes. Mesmo assim, os olhos de Lily observaram a rosto pálido da amiga, a maneira que Marlene mastigava com irritação.

"Você está brava comigo?" perguntou Lily.

Marlene murmurou cautelosamente.

Lily caiu contra o travesseio para imitar a posição de Marlene, "Marlene, eu não estou fazendo drama..."

"Era um dementador falso, Lily." Disse Marlene, "Você não encarou a morte de verdade."

"Eu não estou irritada por causa do bicho papão." Lily se sentou e olhou para Marlene, que parecia muito preocupada com a pena de açúcar, "Eu estou irritada por causa da forma corpórea do meu patrono."

"Oh, Merlin" cantou Marlene amargamente, "Lily Evans está irritada porque ela finalmente conseguiu fazer um patrono corpóreo!"

Lily agarrou o braço de Marlene e empurrou, "Marlene!"

Marlene pegou um chocolate de pimenta da sacola de doces e jogou na cabeça de Lily, "Só para você saber, Lily," disse Marlene, " Eu adoraria poder produzir uma ideia de um patrono, mas eu não consigo nem um tufo, porque eu estou miserável e você está agindo como se fosse a pior coisa que pudesse ter acontecido."

Lily ouviu a maneira que a respiração de Marlene ficou presa na garganta. Lily viu um flash de dor passar pelo rosto dela. Lily percebeu que Marlene não estava brava com Lily por ter dispensado James em Hogsmeade, mas estava brava por que achou Lily ingrata. Lily pegou a mão de Marlene antes que pudesse enche-la de doce de novo.

"Marlene, me desculpe." Sussurrou Lily, "eu não estava tentado ser insensível."

Marlene fungou, "Então porque você está aqui amuada?" ela piscou, "Esse é o meu trabalho."

Lily se apoiou no travesseiro de novo e decidiu se abrir com Marlene, pelo menos para ter outro ponto de vista sobre o assunto, "Você promete não rir?"

Lily ouviu o sorriso na voz de Marlene, "Não."

Lily se virou para ver que Marlene ainda estava encarando o teto, mas um sorriso seco tinha substituído a testa franzida, "Marley, eu menti para todo mundo quando disse que não vi muito bem a forma do patrono."

"Um cavalo?" comentou Marlene com interesse.

"Era uma corça."

"Uma o que?" Marlene inclinou a cabeça para encarar Lily.

"Uma corça." Ao ver a expressão tonta de Marlene, Lily exalou, "Um cervo, Marlene. Um cervo fêmeo."

"Uma corça é super ofensiva para a sua personalidade ou algo assim?" Marlene pegou outra pena de açúcar, a primeira tendo acabado em minutos.

"Não," respondeu Lily, sem saber como contar para Marlene, "Não, é só que..."

Marlene provocou, "Você queria que fosse um leão?"

"O patrono de James é um cervo." Lily falou rápido e o rosto dela corou.

"Espere um minuto... isso, não é?" Marlene cochichou em espanto, os olhos se arregalando.

Lily brincou com o lençol, "Sim, o patrono dele é o macho."

Marlene ficou em silêncio e então, "Então vocês dois tem patronos que combinam?"

Lily assentiu.

Marlene inqueriu, "E há um problema nisso?"

"Você terminou a pesquisa sobre patronos das aulas que perdeu de DCAT?" perguntou Lily.

Marlene balançou a cabeça, "Não, o professor Pidge me deu mais duas semanas para terminar."

Lily se virou de barriga para baixo e colocou a cabeça no travesseiro, gemendo. Lily de repente se arrependeu de contar para Marlene, porque agora significava que ela teria que dar muito mais informações. Lily se confortou com o fato de que, quando ela finalmente, contasse para James, ele entenderia rapidamente.

E a pediria em casamento.

Lily suspirou de novo contra o travesseiro.

"Significa alguma coisa quando os patronos combinam?" Marlene perguntou de novo.

"Aparentemente," Lily se virou para que Marlene pudesse ouvir a voz dela, "uma vez que meu patrono é uma corça e o de James um cervo... nossas almas estão literalmente ligadas."

"Que porra isso significa?" Perguntou Marlene com o nariz franzido.

"Significa que James e eu somos o que os livros chamam de almas gêmeas."

Marlene começou tossir e se sentou enquanto o corpo dela sacudia a cama. Marlene bateu o punho no peito, tossindo, enquanto tentava engolir o pedaço de pena de açúcar engasgado. Lily revirou os olhos para a dramaticidade e esperou Marlene se acalmar. Quando Marlene parou de tossir, ela começou a rir. Lily tinha esperado semanas para ouvir a risada de Marlene, e ficou um pouco brava que ao admitir o relacionamento dela com James tinha feito Marlene começar uma risada histérica.

Lily bateu as mãos na frente do rosto dela e murmurou, "Eu não devia ter dito nada."

"Oh Merlin," Marlene caiu no colchão de novo, chutando as pernas de Lily irritantemente, "Quão sortuda você é?"

Lily abaixou as mãos, dando uma risada seca, "Sortuda? Eu estou pirando, o garoto que costumava me deixar louca, o garoto que ainda me deixa louca... ele é minha alma gêmea?"

Marlene beliscou a lateral de Lily, "Lily, você sabe quantas garotas morreriam para encontrar a alma gêmea delas aos dezessete?"

"Como você sabe que é verdade?" reclamou Lily, "James acredita em tudo porque ele é um romântico irreparável, mas como eu vou ter cem por cento de certeza que nós somos almas gêmeas?"

Marlene passou a mão pelos cabelos e resmungou, "Não sei, como você chegou a essa conclusão?"

"Feitiços de defesa e como usá-los, ofereceu uma descrição bem impressiva," respondeu Lily sarcástica, "Combinação de patronos significa que nossas almas combinam, o que significa que eu e James compartilhamos a mesma alma."

"Você vai descer para contar a ele?"

"Não."

"O que tem de errado em contar para ele?"

Lily limpou a garganta, "Não é importante."

"Eu acho fofo."

"Marlene!" reclamou Lily, "eu quero contar, mas..."

Marlene revirou os olhos e sorriu para Lily, "Olhe, se você está realmente pirando por causa disso, deveria falar com o professor Pidge."

"Não há uma chance no inferno que eu vá contar para Pigeon sobre James Potter ser ou não minha alma gêmea." Lily cruzou os braços, "O pior plano que você teve, Marley."

"Não estou brincando, Lily," Marlene se irritou, "Pidge é inteligente e sabe muito sobre magia. Lembre-se, ele costumava trabalhar no Departamento de Mistérios."

"A menos que ele tenha trabalhado especificamente com patronos, eu duvido que..."

"Ele e a esposa trabalhavam como a magia afeta o cérebro." Marlene se sentou e cruzou as pernas, "tecnicamente, sua alma é seu caráter que vem do seu cérebro, e o patrono é uma magia afetada pelo cérebro."

Lily balançou a cabeça, "Eu não quero falar com o Pidge."

"Porque você tem medo de que ele só vá confirmar que James é a sua alma gêmea?"

"Não," respondeu Lily, "Porque eu não gosto dele."

"Ele não é de todo ruim." Declarou Marlene.

"Pigeon odeia James e eu." Lily levantou as sobrancelhas para Marlene, "Ele iria rir se eu pedisse cinco segundos do tempo dele."

"Você quer saber se James é a sua alma gêmea ou não?" perguntou Marlene.

Claro que Lily queria mais respostas, mas mais respostas significariam menos confusão, e por alguma razão, Lily se sentiu mais confortável com o pensamento de ficar insegura do que ter certeza.

Lily mordeu o lábio e saiu da cama, "Você acha que James ainda está lá embaixo?"

"Ele estava lendo perto da lareira quando eu voltei."

Apesar do conhecimento ganho durante a tarde, Lily se incomodou em ficar longe de James. Marlene observou Lily pegar as vestes e vestir. Colocar os sapatos, escovar o cabelo, e se olhar no espelho.

"Eu volto depois." Lily disse.

"Vá agarrar a sua alma gêmea sem sentido." Marlene brincou.

Lily não podia agir como se nada tivesse mudado entre ela e James. Agir conforme o conhecimento só significaria algo se Lily tivesse certeza do porquê agir assim. Lily respirou fundo.

Marlene estreitou os olhos, "Lily." Lily olhou de volta com irritação, "Ele estava realmente preocupado com você... ele disse que você parecia péssima quando voltou para o castelo."

"Eu me sinto péssima." Murmurou Lily.

Marlene cruzou os braços, olhando para Lily, "Sabe, isso não é grande coisa... eu sei que você tem medo do amor, porque você tem medo de se apoiar em alguém além de si mesma." Lily encarou Marlene surpresa, "Mas, eu quero compartilhar o que Pigeon me disse semana passada."

Lily grunhiu, "Você não vai me repreender com as palavras do professor Pidge."

"Sério, Lily," cortou Marlene, "Eu me apoiei nos meus pais a vida toda. Mesmo quando eles estavam muito ocupados com o trabalho, eu podia contar com eles para me enviar dinheiro para vestes novas, ou para me dar um conselho sobre a escola... Eu sempre tive minha mãe e pai para me apoiar quando tive problemas. Você sabe o quão amedrontador é perceber que está sozinha? Perceber que meus pais nunca mais vão me ajudar de novo?"

"Por que você está tão assustada?" sussurrou Lily, "Você tem Eric e Aaron."

Marley tinha lágrimas nos olhos, "Eu sou diferente de você, Lily. Eu não sou tão independente como mostro. Eu não fico confortável em não ter ajuda como você. Eu me apoiei em todo mundo ao meu redor a minha vida toda, e perder meus pais me fez pensar em quem mais eu vou perder quando nós deixarmos a escola."

"Não fale igual ao Professor..."

"Como Pigeon?" bufou Marlene, "Lily, ele me deu o melhor conselho. Ele me disse que quando a esposa dele morreu e ele ficou cego, ele recusou todo mundo que tentou ajudar e olhe para ele agora."

Lily pensou no Professor sombrio deles. Ele era miserável, e odiava a tudo e a todos. Na verdade, Marlene foi a primeira aluna a se aproximar dele. Lily engoliu em seco, imaginando o que exatamente tinha acontecido com a esposa dele para deixa-lo tão amargurado. Lily se afastou da porta e se aproximou de Marlene. Marlene encarou o chão.

"Ele está mais sozinho do que nunca, mesmo nesse castelo cercado de alunos." Cochichou Marlene, "Eu não quero acabar como ele... você quer?"

"Claro que você não vai ficar como ele." Lily pegou a mão de Marley e Marley se afastou.

"Eu poderia me tornar alguém como ele." Argumentou Marlene, "porque como ele, quando eu perdi as pessoas mais importantes da minha vida, eu tentei afastar todo mundo." Marley engasgou e limpou os olhos, "Eu invejo você."

"Eu?"

"Você sempre foi tão independente e confiante." Marlene chorou, "Claro, você chora mais do que a gente quando algo dá errado, mas você nunca se apoiou em mim ou em Mary."

"Isso não é verdade." Retrucou Lily brava, "Vocês são minhas melhores amigas."

"E você é a minha." Disse Marlene com um soluço, "Mas Lily, você nunca precisou da gente para ser feliz. Nós nos amamos e damos suporte uma para oura, mas o que você tem com o James... James, que olha para você como se fosse feita de ouro... é diferente do que você sente por Mary e eu."

"Não, não é." Sussurrou Lily, "Eu não sei o que faria sem você ou Mary."

"Oh, você superaria." Sussurrou Marlene de volta.

"Como pode dizer isso?" Lily agarrou a mão de Marlene de novo, se ajoelhando perto da amiga, "Eu ficaria devastada se algo acontecesse com você."

"Devastada." Marlene sorriu tristemente, "mas você poderia viver sem mim."

Lily não gostou do que Marlene estava implicando e lágrimas caíram pelo rosto dela.

Marlene limpou as bochechas, "Lily, eu ouvi você sussurrar o nome do James antes do seu patrono. Mary e eu nem chegamos aos pés dele." Marley riu entre lágrimas quando viu o horror na rosto de Lily, ao compreender, "e você tem tanto medo de depender de alguém além de você mesma, que você quer afastar o James no momento em que percebeu que ele pode ser a melhor coisa do mundo para você."

Os lábios de Lily tremeram.

Marley tocou a bochecha de Lily suavemente, "Ele é a sua lembrança feliz, Lily. O que tem de errado nisso?"

"Eu não posso..."

Marlene colocou as mãos defensivamente, "Só estou dizendo, Lily," os olhos azuis brilharam com lágrimas, "Eu te conheço há um longo tempo e nunca te vi tão feliz com alguém até te ver com James, quando você voltou do funeral a minha mãe e do meu pai."

"Como você sabe que é amor?' Lily sussurrou receosa, "Como eu sei que o amo?"

"Eu não sei." Disse Marlene, "Eu nunca amei alguém assim."

Lily suspirou e se afastou de Marlene, "Eu vou falar com o James."

Quando ela saiu do dormitório, se apoiou na porta e lutou para controlar as lágrimas. Lily não tinha brigado com Marlene já fazia tempo, e Marlene nunca tinha sido tão honesta antes. Como Marlene podia ver tão claramente? Como ela conseguiu deixar Lily tão emocional com o pensamento de amar James mais do que qualquer pessoa na Terra?

Lily tinha que ver James.

Ela encontrou o garoto em questão sentado no sofá da sala comunal, com as pernas esticadas, lendo um livro. Ele estava com as vestes, mas estavam bagunçadas. Ele parecia um caco, até o cabelo estava mais bagunçado que o normal. Lily tinha feito isso com ele, e imediatamente se sentiu culpada. Lily se apoiou no encosto do sofá, os dedos passando pelo o couro enquanto o observava.

"Oi."

O oi suave dela fez a cabeça dele se levantar como se ela tivesse gritado. Os olhos castanhos de James registraram a figura dela quando ela deu a volta no sofá, se apoiando no braço. Ele estava lendo um livro Aritmancia, e ela sorriu, sabendo o quão nerd ele era e o amando por isso. A mão de James imediatamente tocou a bochecha dela e os olhos dele procuraram algo no rosto dela que ela não pudesse esconder.

"Como está sua cabeça?" ele murmurou.

"Não totalmente boa" ela tentou fazer uma piada, mas sabia que não tinha feito alcançar o olhar dela.

Um sorriso apareceu no rosto dele, "Alguma vez esteve?"

O sorriso dele podia afastar uma horda de dementadores, clareou a escuridão em volta do coração dela. Lily sorriu de volta quando ele se inclinou para escovar os lábios contra os dela contente. Ele tinha sabor de bolo de chocolate.

"Quer dar uma volta?" ele perguntou docemente ao se afastar e procurar pela mochila no sofá, " eu trouxe duas cervejas amanteigadas e alguns bolos de chocolate."

Lily arrumou os óculos dele, "Meu herói."

James sorriu com o elogio, se levantando antes de pegar a mão dela e puxá-la junto. Lily estava grata que ela tinha escolhido colocar os sapatos porque ele a levou por todo a caminho até a escadaria e continuou até estarem perto do quarto andar, no meio das escadas. Acima dele, as escadas estavam se movendo como sempre fizeram. Lily observou elas se moverem e James pegou duas cervejas amanteigadas da mochila dele. Ele abriu uma para si e outra para ela. Ele levantou a bebida para brindar com ela.

Depois de um longo gole, James falou, "Eu sei que hoje não saiu como o planejado, mas estou feliz que estamos aqui agora."

"Me prometeram chocolate?"

James riu e pegou dentro da mochila, tirando um monte de pacote de bolo de chocolate, o favorito dele. Eles passaram os pacotes um para o outro até o estômago doer e estivessem sorrindo insistentemente com o todo o açúcar. Lily apoiou a cabeça no ombro dele. Ele passou os dedos pelo cabelo dela.

"Você quer conversar sobre hoje?" perguntou James.

"Na verdade, não."

Ele sorriu e a puxou para mais perto, "Eu ouvi um rumor de que você lutou com um dementador?"

"Era um bicho papão."

"Ainda é legal."

"Foi absolutamente assustador." Ela deu um olhar para James, "Como se tivesse revivendo a fogueira do verão."

"Dementadores de lado, eu ainda sou meio fã da fogueira de verão." Disse James, "Nós tivemos uma ótima viagem para a Escócia."

Lily riu quando se lembrou de James a agarrando do nada e aparatando os dois para o norte. A fogueira tinha sido só a poucos meses atrás, mas muita coisa tinha mudado desde que Lily ficou bêbada e dançou no fogo com Marlene e Mary. Lily olhou para ele através dos cílios e viu que a ele a encarava amavelmente. Os dedos passando suavemente pelo cabelo dela.

Antes que Lily pudesse ganhar coragem para contar a James sobre o patrono, Sirius apareceu do nada, jogando um braço em volta dele dramaticamente. Lily só sabia que era Sirius, graças ao cheiro de cigarros e uísque de fogo, um cheiro que ele tinha há muito tempo. James suspirou, parecendo frustrado com a interrupção de Sirius. Lily se sentou com um sorriso quando viu o olhar que James deu para Sirius.

"Os passarinhos apaixonados estão com fome?" ele perguntou alto, "Porque eu estou faminto e Remus não quer se levantar da cama para jantar e eu não quero ir sozinho."

"Por que não vai com o Peter?" Lily levantou as sobrancelhas para ele.

"Eu gosto mais de vocês dois." Sirius sorriu estupidamente para ela.

James tirou a atenção de Lily para focar no que Sirius tinha dito, "Remus precisa comer, Padfoot."

"Diga isso para ele," Sirius falou sombrio antes de se virar para Lily, "E você, Evans? Com fome?"

"Não muita." Respondeu Lily, "James e Marlene me trouxeram doces."

Sirius fez um bico, "E ninguém pensou em mim?"

"Me deixe ver se consigo fazer o Remus se levantar." James suspirou, dando um beijo na bochecha gelada de Lily, "Eu encontro vocês lá embaixo, no salão principal, e nós podemos jantar juntos."

Sirius tendo visto o olhar no rosto de Lily quando James se afastou, se aproximou com uma expressão engraçada na direção dela.

"O que aconteceu de errado?" Sirius franziu os olhos para ela.

"Por que todo mundo fica perguntando isso?" perguntou Lily irritada, "Não tem nada de errado. Eu só tive um dia ruim."

"Tá bom." Sirius jogou as mãos pra cima, defensivo, "Desculpe ter perguntado."

Lily revirou os olhos para Sirius, propositalmente mostrando a irritação dela.

"Tem a ver com o bicho papão que você encontrou?" ele perguntou, quando ela não respondeu, Sirius não parou, "O quarto do meu irmão teve um bicho papão uma vez quando éramos crianças."

Lily limpou a garganta e se levantou, pegando a mochila de James, que ele tinha esquecido ao sair para chamar Remus para comer. Lily começou a descer as escadas, Sirius a seguindo logo atrás balbuciando como uma mulher velha.

"Meu pai foi o pior, claro, e não acreditou em Regulus quando ele disse que tinha visto uma múmia no quarto dele e a pobre criança foi aterrorizada pela múmia a noite por um mês direto, antes da múmia da mãe dele de verdade se livrar dele."

"Múmias?" Lily se virou para olhar Sirius, "não são aterrorizantes como dementadores."

"Dementador em um banheiro." Sirius parecia feliz com a direção da conversa.

"Meio trágico." Lily disse entredentes.

"O que foi trágico foi como você tentou se livrar disso."

"O que isso quer dizer?"

Sirius deu de ombros, "Ingrid disse que você tentou usar um feitiço do patrono no bicho papão."

"Ela não guarda nada para si mesmo?" murmurou Lily, os olhos se revirando para o teto, "Vamos lá, você acharia que ela tem coisas melhores para fazer."

"Eu não acredito que você pensou que fosse um dementador de verdade."

Lily torceu para James se apressar antes que Sirius começasse a irritar, "O que você teria feito?"

"Reconhecido que era um bicho papão." Disse Sirius convencido, "E então ter usado um feitiço apropriado para me livrar dele."

Lily ficou interessada, "Que feitiço apropriado?"

"Riddikulus."

"O que?"

"O feitiço, Lily, esse é o feitiço." Sirius fungou, "minha mãe fez a múmia se desenrolar, o que fez Regulus rir, para matar o bicho papão."

"Ah, bom," disse Lily de mau humor, "Então tudo o que eu tinha que ter feito era rir e então o bicho papão pararia de tentar sugar minha alma."

"Eu não sabia que ruivas tinham almas para serem sugadas." Ao olhar de Lily, Sirius bufou, "Você está de péssimo humor, não? O que foi tão ruim sobre hoje que todo mundo te trouxe doce? Não é como se o seu patrono não tivesse funcionado, Ingrid disse que foi corpóreo."

"Eu não estou brava sobre o bicho papão." Cortou Lily.

Os olhos cinzentos de Sirius brilharam ameaçadores, "Ah, você está brava por causa da corça."

"Como você sabe disso?!" Lily se virou, tirando a varinha para apontar para o peito de Sirius, porque é claro que o idiota do Sirius Black sabia a verdade antes de todo mundo.

Claro, porra.

Sirius levantou uma sobrancelha para ela, "Bem, Ingrid disse que ela achou que fosse uma corça, mas que você insistiu que era um cavalo..." ao olhar culpado de Lily, Sirius disse, "Sorte sua que o James não estava por perto quando Ingrid contou a história para mim."

"Você sabe o que significa então, quando um patrono combina?"

"Claro." Sirius latiu uma risada, "Eu fiz a mesma pesquisa que você."

"Você vai contar para o James?"

Sirius arqueou a sobrancelha, "Não é o meu plano, por que?"

"Eu realmente não sei como me sinto sobre isso ainda."

Sirius lambeu os lábios antes de responder, "O que você vai fazer quando ele colocar junto as coisas?"

"Não me importo," respondeu Lily, "Só o mantenha ocupado, então eu posso descobrir como ter certeza de que isso é real e não uma piada doentia..."

"Não seja dura, ele já meio que violou nossos planos para hoje à noite para ficar com você." Disse Sirius duramente.

Lily inclinou a cabeça para o lado, "O que tem hoje a noite?" ela brincou com um sorriso, "Clube noturno dos marotos?"

Um sorriso de lobo substituiu o mal humor, "Eh, isso só os marotos sabem e você nunca vai descobrir." Ele piscou para ela e gesticulou para ela, "Vai pensar, eu vou fazer com que James fique ocupado até amanhã de manhã, então ele é seu problema de novo."

Lily bufou, pensando no que poderia manter James ocupado por tanto tempo. Sem pensar, ela passou a mochila de James para Sirius, que a saudou zoando. Ela ficou surpresa em encontrar um aliado em Sirius, mas não podia negar que era útil.

"Se divirta fazendo o que for que vocês vão fazer, hoje à noite." Ela ofereceu.

Sirius colocou as mãos nos bolsos, "Você tem seus segredos, Evans, nós temos os nossos."

A noite pós Hogsmeade, o castelo de Hogwarts acordou coberto com neve. A neve fofa estava nas janelas, na floresta proibida, e criando um humor suave nos alunos preguiçosos naquela manhã. Lily, grata pela preguiça de todo mundo, conseguiu pegar o café da manhã e desaparecer na biblioteca rapidamente, sem encontrar o namorado dela ou algum de seus amigos. A biblioteca estava vazia, exceto por alguns lufanos fofocando perto da lareira. Lily foi direto para as estantes do fundo onde ela sabia que o livro que estava procurando ficava.

O castelo não estava bem aquecido e os dedos dela estavam gelados enquanto procuravam pelo livro na seção de feitiços. Lily estava usando um suéter grosso debaixo das vestes, mas mesmo assim estava com frio, uma vez que a saia da escola deixava as pernas à mostra. Lily mordeu os lábios, tentando ignorar o quanto queria ir para a lareira na sala comunal da Grifinória. James a encontraria lá, e se juntaria a ela, a deixando sem tempo para explorar mais sobre a relação deles.

Não importava quantos livros Lily tirava das estantes, nenhum ajudou a chegar à uma conclusão. Todo livro de feitiço que mencionava o patrono também mencionava a circunstância única onde o patrono combinante significava amor verdadeiro. Alguns livros diziam que o patrono podia mudar baseado nos impactos da alma, como casamento ou morte... mas casos como de Lily e James não havia relatos. Lily grunhiu em frustração e deixou a cabeça se apoiar contra as prateleiras.

Era meio dia e meia e ela sabia que tinha que voltar para a sociedade, ante que as amigas notassem que estava desaparecida. Lily decidiu que a única outra opção, era perguntar para o Professor Pidge. A mandíbula dela ficou rígida enquanto andava para o corredor de DCAT.

Lily balançou a cabeça quando chegou ao escritório do professor Pidge. Por sorte, o velho homem estava sentado à mesa ouvindo uma opera horrível, que ele tanto amava. Ela podia ouvir a música da porta, mantendo os alunos longe. Lily engoliu em seco antes de respirar profundamente e caminhar para a zona de Pigeon.

Ao ouvir os passos de Lily, o Professor Pidge se virou para o som e tirou a varinha.

"Quem é?"

"Lily Evans."

O professor Pidge suspirou e encostou na cadeira, "É domingo, garota, vá embora."

"Eu tenho uma pergunta sobre patronos, e como eles uh... representam a alma." Lily entrou no escritório, se sentando na cadeira oposta à mesa do professor.

Pigeon franziu a testa, "Por que isso seria importante o suficiente para arruinar a minha manhã de domingo?"

Lily prendeu o cabelo infeliz, "Bem, eu não sei se você ouviu o que aconteceu nos três vassouras ontem..."

"Não." Pidge a cortou, "eu não tenho a tendência de ouvir as fofocas dos alunos."

Lily tentou não ficar brava com o temperamento curto dele, "Eu fiz um patrono corpóreo ontem, professor, e eu tenho algumas preocupações, uma só na verdade."

"O animal não vai mudar, se é isso que está perguntando." Disse Pigeon com uma revirada de olhos, "se uma jaritacaca saiu da sua varinha, você terá uma jaritacaca e nada mudará isso."

"Primeiro, não era uma jaritacaca." Disse Lily, "Segundo, estou ofendida de você achar que o reflexo da minha alma seria uma jaritacaca."

Pigeon sorriu rudemente, "Aliás, eu fiquei surpreso ao saber que o monitor chefe tem um cervo ao invés de um chipanzé, como eu achei que teria."

Lily esqueceu que Pigeon sabia a forma do patrono de James. James foi um dos poucos alunos que conseguiram um patrono corpóreo. Ela tinha que ser cautelosa e não admitir a própria forma do patrono. Ela não queria que Pidge soubesse.

"Eu não estou aqui por causa da forma, não exatamente". Lily evadiu a verdade, "Eu quero saber sobre patronos que combinam."

Pigeon se inclinou na cadeira tão abruptamente que pegou Lily com guarda baixa, "Evans, o seu patrono combina com outro?"

"Uh," Lily não queria dizer para Pigeon toda a verdade, ela não podia, "Talvez?"

"Huh." Os dedos de Pigeon bateram na mesa com o ritmo da música, "Bem, assumo que você ter vindo até mim, significa que você sabe as implicações desse fenômeno."

"Almas gêmeas." Sussurrou Lily, antes de dizer apressadamente, "Mas isso é besteira, certo? O conceito de amor verdadeiro, é..."

"Real?"

"Amor verdadeiro?" Lily retrucou, "Real?"

"Você é tola, garota." Respondeu o professor Pidge, "eu passei anos estudando os conceitos de amor e magia, foi como conheci minha esposa."

"Eu sei." Lily balançou a cabeça, "Ou bem, eu sabia que você foi casado."

"Vocês fofocam demais para o meu gosto," Pidge grunhiu, "Vocês deveriam estar mais preocupados com as pessoas fora desses muros, não com um homem velho amargo dentro deles."

"Pelo que conta," ela disse para ele, "Você deve estar aqui somente como um favor para Dumbledore, mas você é único professor dessa escola que tenta nos avisar sobre a ironia cruel do mundo."

"Que ironia cruel aconteceu com você, garota?" explodiu Pidge, "Alguém que você ama morreu?"

"Não."

"Você está com problemas?"

"Só romanticamente." Ela não sabia como essas palavras saíra tão sarcásticas, mas elas fizeram o professor Pidge arquear uma sobrancelha.

"Seu patrono combina com alguém da sua sala, não é?" ele perguntou perceptivo e ela ficou agradecida dele não poder vê-la corar.

"Uh." Ela olhou para o chão, pensando na corça, "Parece similar ao patrono de outra pessoa..."

"Então você deveria se considerar muito sortuda." Retrucou Pidge, "é um fenômeno raro ter um patrono que combina sem adulteração prévia do coração."

"Como você sabe tanto sobre essas coisas?" perguntou Lily, "Você estudou isso com a sua esposa no Departamento de Mistérios?"

"Saia." Mandou Pidge, "Seu jogo de vinte perguntas acabou."

Lily se levantou brava, tendo certeza de bater o pé enquanto saia para ele saber da raiva dela. Ela estava perto da porta, mas o tom fascinado de Pigeon a parou.

"Evans, qual forma o seu patrono tomou?"

"Eu... eu... uh." Lily sussurrou tragicamente do batente da porta, "Eu não vi."

"Bem," Pigeon a chamou, "Quando você descobrir, e se combinar com alguém da sua sala. Eu gostaria de falar com vocês dois."

Lily congelou, "Por que?"

"Porque eu não acho que você entendeu o quão especial deve ser ter alguém tão puramente seu e que viver sem essa pessoa é como caminhar pelo inferno, pelo resto da sua vida."

"O que isso quer dizer?" cochichou Lily.

Pigeon encarou o fundo do escritório engolindo em seco. Pra sorte de Lily, Sirius não tinha conseguido manter James longe porque James estava passando pelo quadro da Grifinória ao mesmo tempo que Lily. Ele não estava sozinho. Peter olhou em volta de Lily, enviando um olhar para James quando ele entrou pelo quadro sem o casal.

"Não demore, Prongs." Peter avisou James, e James franziu o cenho.

Lily levantou as sobrancelhas, surpresa com o aviso de Peter. James tinha um tempo limitado com ela agora. Lily virou-se com a expressão surpresa para James e ele não pareceu preocupado com o estranho ultimato de Peter.

"Hey," ele disse com um sorriso, "Onde você esteve?"

"Aqui." Ela respondeu estranha, "Lá. Por aí."

James a ajudou passar pelo quadro, dando um beijo na mão dela enquanto a segurava. Lily não pôde deixar de se sentir culpada pelo segredo que estava guardando. Lily manteve os dedos dele em um aperto. James beijou a bochecha dela, a fazendo fechar os olhos com o toque terno dele.

"Está bem?" perguntou James, "Marlene nos disse que você deixou o dormitório cedo hoje de manhã."

"Eu tinha umas coisas para pensar." Ela disse, "Como está Remus?"

James fungou, "Remus?"

"Ontem à noite o Sirius disse que o Remus não estava comendo?"

James piscou rapidamente, "Oh," os olhos castanhos dele foram para o chão, "Ele está na ala hospitalar agora."

"Remus está na ala hospitalar, de novo?"

"Calma," pediu James instantaneamente, "o Remus está bem. Ele só vai passar a noite."

Lily franziu o nariz quando ele não a olhou nos olhos, "Se ele está bem, por que vai passar a noite?"

"Nós podemos não falar sobre isso?" James implorou, "Remus odeia quando as pessoas falam sobre ele ficar doente o tempo todo."

"Remus não tem que saber que eu perguntei se você não contar para ele." Lily cruzou os braços, "O que tem de errado com ele?"

James pareceu nervoso de repente, "Oh, bem... o negócio é que nós ainda temos nossos planos e o Peter está me esperando lá em cima."

"Planos sem o Remus?" questionou Lily.

"Sim." James levantou a cabeça, "Uh, sabe, nós temos esses planos por meses, então... por mais que eu ame conversar, eu realmente tenho que encontrar o Peter lá em cima, tipo, em dois minutos."

"O que vocês vão fazer de tão importante?" perguntou Lily.

"Jogos de tabuleiros." Ele deu para ela um sorriso e ela quase o socou no braço, mas ele beijou a bochecha dela e correu como um covarde.

James estava mentindo.

Lily podia dizer.

Mas ela não podia fazer nada sobre James mentir, porque ela estava mentindo para ele também.

Grandes almas gêmeas eles eram.