Capítulo 11: "Acidentalmente"

Era a primeira sexta-feira de Março e Ginny estava eletricamente ansiosa pela noite. Teria festa no banheiro dos monitores, pelo jeito o pessoal tinha gostado de lá. Sentia-se uma completa idiota que só conseguia pensar em que roupa vestiria. Efeitos colaterais do "beijo" dos dois.

- Que roupa eu uso? – perguntou Ginny, terceira vez naquela tarde. – Calça, saia? Que blusa? Que sapato?

- Virgínia Weasley – disse Colin. – Você está me perturbando.

- Por favor, Colin preciso de sua ajuda – choramingou ela.

- Eu vou te ajudar, mas tenho que entregar essa redação no final da aula – disse ele. – E você também!

- Está bem – disse ela, voltando a atenção ao pergaminho.

Era aula de transfiguração e eles estavam escrevendo uma redação sobre um dos assuntos mais importantes dos NOM's e Ginny só conseguia pensar na festa da noite.

- Eba! – saiu saltitante ela, quando a última aula do dia acabou. Colin veio se arrastando atrás dela. – Vamos pro dormitório tomar banho, nos vestir...

- Kiddo – começou ele. – Primeiro a gente janta.

- Ah – ela abaixou a cabeça.

Eles, graças à Ginny, comeram rápido e foram para a Torra da Grifinória.

- Que roupa eu uso? – perguntou ela, assim que jogou o material do lado da cama.

Colin suspirou.

- Não sei – disse ele.

- Como assim não sabe? – exclamou ela.

- Ah, Ginny, bote a roupa que sentir vontade – disse ele.

- Não tenho vontade nenhuma! – exclamou ela, pondo as mãos na cintura.

- Então vá pelada – ele deu de ombros.

- Colin! – exclamou Ginny. – Eu vou ir com qualquer roupa, então.

Ginny foi até o armário e pegou seu jeans mais velho, o blusão que a mãe tinha dado de Natal e atirou na cama.

- Você não vai realmente usar isso, vai? – perguntou Colin.

- Vou, sabe como é, não tenho bom gosto pra roupas – disse Ginny.

Colin bufou e escolheu a roupa.

- Blusa preta? – perguntou ela, segurando a peça.

- Sim, Kiddo – disse Colin.

- Mas o uniforme é preto! – disse ela.

- Você está gorda – disse ele.

- O quê? – exclamou ela. Correu pra frente do espelho que o grupinho de Eleonor sempre trazia. – Sério mesmo?

- Não – disse ele.

- Colin! Estou ou não gorda? – perguntou ela, batendo o pé no chão.

- Não, mas fica linda de preto! – disse o amigo.

- OK – disse ela. – Vou tomar banho!

E foi correndo pro banheiro. Colin foi para seu quarto escolher a roupa.

- Vim secar seus cabelos – disse Colin, entrando no quarto, fazendo algumas garotas protestarem.

Ginny sorriu.

- O que houve com você? – perguntou ela. – Sempre fica animado para as festas.

- Ah, não sei – disse ele. – Não sei o que se passa na cabeça de certo alguém. E eu queria muito saber o que se passa na cabeça desse certo alguém.

- Amigo, só perguntando pra saber – sorriu ela.

- Mas não posso perguntar – disse ele. – Ainda não. É muito cedo.

- Deixa de ser bobo! – exclamou Ginny, saltando da cama. – Vamos lá! Se anime! Desde quando Colin Creevey se abalou por causa disso? Agora não importa o que ele pensa! Vamos pra festa se divertir! Temos quinze anos e os NOM's estão a alguns meses de distância!

Colin riu.

- Só você, Kiddo, pra me alegrar assim – ele disse.

- Ah, vem cá – disse ela, abraçando o amigo.

Prontos, desceram para a sala comunal. Ginny começou a ficar nervosa.

- Relaxa – disse Colin. – Como você mesmo falou, temos quinze anos e os NOM's estão longe.

Ela sorriu torto.

- Está bem – disse Ginny.

Eles chegaram na estatua.

- Ulabalula – disse Colin.

Ginny caiu na gargalhada.

- Esse consegue ser mais engraçado que "Potter testa rachada" – disse ela. Entraram.

Foram passando em meio às pessoas, que ainda não eram muitas, mas o suficiente para dificultar o caminho. A música tocava alto. Avistaram Blaise e Malfoy perto do bar, com outros sonserinos envolta, inclusive Pansy.

- Olá – disse Colin, simpático, também por Ginny, que só deu um aceno.

Cumprimentaram os dois. Blaise se adiantou. Ele carregava um copo de absinto.

- Absinto, Zabini? – Colin perguntou.

- Claro – disse ele, erguendo o copo. – Você não ia pedir um na última festa?

Ginny riu.

- Quer um pouco? – ofereceu ele.

- Sim – disse Colin. Ele bebeu um gole. – Ah, forte!

- Virgínia? – estendeu o copo Blaise.

- Acho que não – disse ela, mirando o copo.

- Ah, vamos lá! Viva perigosamente! – sorriu Blaise.

- OK – persuadida, Ginny pegou o copo. Bebeu um pequeno gole. Sentiu o líquido descer queimando mais forte que a tequila que tinha tomado na festa passada.

Blaise riu da cara que ela fez.

- Isso é muito forte! – disse ela, rindo também.

O sonserino virou o resto do copo.

- Por favor – disse ele, estendendo o copo para Ginny que segurou.

E agarrou Colin, pondo as mãos no rosto dele. Ginny deu risada e levou o copo até o balcão deixando os dois sozinhos.

- O que Blaise não consegue fazer – escutou alguém falar atrás de si.

Ela virou-se. Era Malfoy. Ela deu um sorriso maroto e ergueu uma sobrancelha.

- Como assim? – perguntou.

- Você bebeu absinto – sorriu ele. – Nunca imaginei que iria te ver fazendo isso.

- Nem eu – disse ela.

- Draco! – gritou uma voz feminina.

Os dois olharam para a direita de Ginny. Pansy o encarava com as mãos na cintura, estava longe, a alguns bancos dali.

- O que foi? – exclamou ele.

- Vem cá! – gritou ela.

- Por quê? – ele pareceu impaciente.

- É importante! – ela ficou brava. – Tenho que te falar uma coisa!

Malfoy bufou.

- Já volto – disse, indo até Pansy.

Ginny ficou observando a garota colocar o dedo na cara dele e dizer alguma coisa com uma cara ameaçadora. Viu também, que Pansy apontou discreta e diretamente para ela. Malfoy encarou Ginny brevemente, mas Pansy virou seu rosto e fazendo com que ele olhasse para ela.

- Você está se metendo numa fria! – escutou a garota dizer. – Isso é a coisa mais ridícula que já inventou!

- Ah, Pansy – disse ele. – Não importa, você sabe muito bem que não estou inventando...

E uma música muita alta começou a tocar. "Droga", pensou Ginny, sentando em um dos bancos que haviam sido liberados, pois muitos foram para a pista dançar.

Fitou outra vez os dois. Pansy estava de braços cruzados enquanto Malfoy tagarelava qualquer coisa. Ginny suspirou. Depois de tanta expectativa, não esperava que fosse ficar sozinha na festa. Pediu um drinque qualquer pra beber. As pessoas dançavam empolgadas na pista. Viu de relance algumas amigas de Eleonor, dançando loucamente, mas não achou a loira vadia.

- Voltei.

Ginny tomou um susto quando viu Malfoy sentando ao seu lado.

- Ah – fez ela, bebendo um gole do drinque.

- Mais um? – perguntou ele.

- Sim – respondeu.

- Você está bebendo hoje, hein – debochou ele.

- Olha quem fala, homem do firewhisky – disse ela.

- Homem do firewhisky? – riu ele. – Se eu sou isso, o que o Blaise é?

- O homem–álcool – disse Ginny.

Malfoy deu uma gargalhada.

- Quer dançar? – perguntou ele, outra música começava.

Ginny o encarou, assustada.

- Não sei... – começou ela, nervosa. – ...dançar.

- Ah, é? – ele ergueu uma sobrancelha. – Parecia dançar muito bem na festa de natal.

Ela corou e desviou o olhar. Malfoy pegou o copo da mão dela e colocou sobre a mesa.

- Vamos – disse ele, dando um sorriso safado.

- Mas... – quando viu já estava no meio da pista.

"So she said

What's the problem, baby?'

What's the problem I don't know, honey

Maybe I'm in love (love!)

Think about it every time I think about it

Can't stop think about it"

Ginny balançou a cabeça. Não, de jeito nenhum ia dançar com ele! Ia se sentir tão ridícula! Ele ia rir dela! Ela dançava feito um pato batendo asas!

- Precisa de par? – perguntou ele, segurando sua mão esquerda.

Malfoy a trouxe para perto, colando seus corpos. Ele começou a se mexer no ritmo da música. Ginny apenas acompanhou. Ele colocou a mão livre na sua cintura. Ela teve um arrepio.

"How much longer will it take to cure this?

Just to cure it cause I can't ignore it

It's this love makes me wanna turn around

Face me, but t I don't know nothing about love"

Seus rostos estavam com as bochechas quase coladas. Ginny suspirou, enquanto se concentrava para mexer os quadris com os dele. Ele se afastou, mas não largou sua mão e num segundo Ginny estava de costas para ele, sentindo a respiração em seu pescoço, envolta pelos braços do garoto.

"Come on, come on

Turn a little faster

The world will follow after

Come on, come on

Cause everybody is after love"

A tensão foi se esvaindo enquanto dançava com ele. Respirou fundo. Afinal, não estava dando um vexame. Eles ficaram de frente outra vez, mas agora distantes. Ele ainda segurava sua mão esquerda e mantinha o esboço de um sorriso maroto.

"So I said I'm a snowball running

Running now into the spring that's coming

All this love, melting under a blue sky

Belting out sunlight sugar and love"

Malfoy começou a fazer um passou de twist e Ginny tentou imita-lo, rindo.

- Você leva jeito pra coisa – disse ele, fazendo ela rir mais ainda.

"Oh, baby I surrender to the strawberry ice-cream

Never, never ending

All this love, when I'm dealing doing

There's no scape in your love"

Ele estalou os dedos algumas vezes no ritmo, não deixando de encará-la. Ginny não podia negar que estava se divertindo muito com ele. Malfoy era um exímio dançarino. Nunca pensou que ele pudesse fazer algo assim.

"This lines of lightning mean we're never alone

Never alone, no, no"

Ela sorriu para ele, um tanto timidamente, não conseguindo encará-lo nos olhos por muito tempo.

"Come on, come on

Move a little closer"

Malfoy trouxe ela para perto novamente, deixando seus narizes quase colados. Ela sentiu o rosto ferver, como se tivesse acabado de comer pimenta vermelha pura.

"Come on, come on

I wanna hear you whisper

Come on, come on

Settle down inside my love"

Mas ele não a beijou, apenas colocou a boca perto do seu ouvido, roçando os lábios leve e brevemente. Ginny fechou os olhos e sentiu o corpo tremer. Esperou que não tivesse chacoalhado muito.

"Come on, come on

Jump I little higher

Come on, come on

If you're feeling a little lighter"

Se separaram e twist de novo. Ginny irreversivelmente sorriu.

"Come on, come on

We were once upon a time in love

We were accidentally in love"

O ritmo da música começou a diminuir, assim como seus movimentos. Ginny sentiu que ia sendo puxada para perto. Ele, que até agora tinha um meio sorriso no rosto, estava sério, apenas encarando seu rosto.

"Accidentally in love

Accidentally in love"

Dedos da mão esquerda de Malfoy encostaram na sua cintura de leve, depois ajudando a traze-la mais perto ainda.

"Accidentally in love

Accidentally in love"

Seus corpos se encostaram lentamente. Ginny sentindo como se fosse explodir a qualquer minuto. Ele ia beijá-la, ele ia beijá-la...

"Accidentally in love

Accidentally in love"

Foi a vez de seus rostos ficarem próximos. Narizes diminuindo os centímetros entre eles a cada nota e segundo. Ginny fechou os olhos e entreabriu seus lábios, a menos de duas polegadas da dele, que tinha acabado de se preparar para receber os dela.

"Accidentally in love

Accidentally in love"

Apenas um centímetro de distância...

"Accidentally!"

BUM! O barulho da explosão foi algo tão grande que ouviram-se gritos. Ginny virou a cabeça para a porta, batendo os narizes dos dois. Entravam no banheiro Filch, todos os monitores e monitores-chefes, (tirando os que estavam na festa) Snape, McGonagall e Dumbledore. Foram descobertos. Mais gritos ainda e pânico, quando os professores começaram a imobilizar os alunos. Mas o diretor permaneceu com a varinha dentro das vestes olhando em volta, como se analisasse o que tinham feito com o lugar.

"I'm in love, I'm in love

I'm in love, I'm in love

I'm in love, I'm in love

Accidentally!"

Ginny sentiu a mão de Malfoy apertar mais forte ainda a sua e puxa-la para a direção contrária, por entre os alunos. Ele a puxou rapidamente para fora da pista, a levando para um canto.

- Onde vamos? – perguntou a garota, aflita.

- Tem outra saída – disse ele.

- O quê?!

"I'm in love, I'm in love

I'm in love, I'm in love

I'm in love, I'm in love

Accidentally"

Mas sua resposta foi respondida quando ele abriu uma passagem com a metade da altura de uma porta. Eles saíram por ali e começaram a disparar pelo corredor. Outros alunos sortudos saíram por ali também. Ginny parou bruscamente, antes que ele pudessem entrar em outro.

"Come on, come on

Spin a little tighter

Come on, come on

And the world is a little brighter

Come on, come on"

- Colin! – exclamou ela.

- Blaise sabe a saída também – disse ele. – Vamos.

Continuaram a correr pelos corredores. Malfoy sempre a frente, ainda segurando fortemente sua mão. Tanto que até doía. Mas ela não se importou nem um pouco com isso. Depois de um tempo eles pararam. Se escoraram na parede, arfando e cansados. Do nada começaram a gargalhar.

"Just get yourself inside our love

I'm in love"

- Essa foi a coisa mais louca que eu já fiz em toda minha vida – disse ela.

- Eu também – sorriu ele.

Com a respiração e a mente mais calmas, um silêncio tomou conta. Eles puderam escutar alguns gritos e passos. Perceberam o quão perto estava. Ainda de mãos dadas. Ele não a soltara nenhuma vez desde que começaram a dançar. Seus rostos foram instintivamente se aproximando de novo.

- Ali! Vi alguns indo para lá! – ouviu-se a voz de Hermione.

Ginny novamente virou o rosto fazendo seus narizes se baterem. De novo. Sentiu medo.

- Ela não pode nos ver juntos! – disse Ginny.

- Petrificus Totalus! – escutou-se a voz da monitora cada vez mais perto e um baque de corpo caindo no chão.

- Locomotor Mortis! – era a voz de Rony.

Ginny sentiu pânico. Apertou forte a mão de Malfoy e o levou. Saíram correndo outra vez. Talvez tarde demais.

- Vi dois ali! – Hermione gritou.

Os dois apressaram o passo e Ginny agradeceu estar de tênis, porque se estivesse de salto nem imaGinnyva o que poderia ter acontecido, além de torcer o tornozelo. Eles continuaram correndo e virando vários corredores, tentando despistar os dois. Ao virar o quarto, Malfoy os puxou para o lado da segunda estátua que tinha ali, na parede. Escutou-se os passou dos dois monitores da Grifinória se aproximarem.

- Lumus – escutou duas vozes proferirem.

Quando a luz passou perto deles, Ginny encolheu-se, prendeu a respiração e fechou os olhos. O que seria se seu irmão e sua amiga vissem ela na parede com Malfoy? Ginny nem quis imaginar.

- Acho que viraram o outro – disse a voz de Rony.

- Conseguiremos alcança-los se corrermos! – disse a voz determinada de Hermione.

Os dois monitores recomeçaram a corrida. Ginny voltou a respirar, puxando o ar com força. Eles estavam novamente ofegantes depois de outra perseguição. Então ela percebeu como se encontravam. Malfoy a prensava contra a parede. Seus rostos estavam próximos, mas ele era levemente mais alto que ela, um pouco menos de meia cabeça. Ela, já de lábios entreabertos, procurou os olhos dele. Estavam ali, a encarando, brilhos cinza na escuridão.