Mãos
Netherfield é uma bela propriedade rural próxima de Londres onde Bingley costuma passar os finais de semana. É uma mansão do Século XIX belíssima e que por coincidência, fica próxima da propriedade da família das irmãs Bennet.
Como costume durante feriados prolongados, Bingley viajou para Netherfield e convidou Darcy para acompanhá-lo, aproveitando para levar Jane e Elizabeth. Elas ficariam em Longbourn, mas passariam os dias com eles em Netherfield.
Em uma das tardes, depois de um almoço tumultuado com a família Bennet, Darcy estava sentado na biblioteca de Netherfield lendo, quando Elizabeth entrou.
"Boa tarde, Darcy." Ela disse por educação.
Darcy ficou tenso imediatamente e respondeu de forma fria. "Boa tarde."
Elizabeth revirou os olhos. Ela acreditava que ele odiava sua presença e se ela pudesse, o evitaria, mas queria dar privacidade para Jane e Bingley, por isso, estava na biblioteca. Ela poderia simplesmente pegar um livro e ir para o jardim, mas não facilitaria para ele. Se ele estava incomodado, ele que deveria se retirar.
Imediatamente depois que Elizabeth entrou no cômodo, ele não conseguiu se concentrar mais na leitura. Ficou o dia todo fugindo da presença dela. Cada vez que a via era um tormento. Ele nunca foi um homem que se deixou levar pela imaginação, mas seus devanios envolvendo Elizabeth estavam ficando cada vez mais frequentes e ele achava perigoso.
Ele a olhou por cima das páginas de seu livro. Ela estava usando uma calça jeans de cintura baixa e um top azul escuro que a favorecia tremendamente. Quando ela se esticou para pegar um livro em uma prateleira mais alta, ele pode ver seu abdome plano e seu corpo reagiu imediatamente. Tudo o que ele queria naquele momento era provar a pele de sua cintura com beijos e mordidas. Não resistindo, ele se levantou com a desculpa de colocar seu livro de volta na estante só para chegar mais perto dela.
Ele estava ao lado de Elizabeth quando ela puxou um livro da estante e o folheou. Não era do interesse dela e ela tentou colocar novamente no lugar, se esticando novamente, mas devolvê-lo estava se mostrando mais difícil do que pegá-lo. Darcy, se colocou atras dela e cobrindo a mão dela com a dele, a ajudou a guardar o livro no lugar.
Assim que suas mãos se encostaram, ambos respiraram fundo. Eles nunca tinham se tocado antes, nem mesmo um aperto de mãos. A sensação foi diferente de tudo o que eles tinham sentido anteriormente. A eletricidade que passou por seus braços e correu por seus corpos não poderia ser negada e nem ignorada. Darcy percebeu que ela prendeu a respiração, assim como ele, e se perguntou se ela tinha sentido o mesmo.
Elizabeth ficou chocada por um segundo e no seguinte, olhou para ele por cima do ombro com um semblante confuso. Se era devido a sensação que tinha acabado de experimentar ou ao auxílio de um homem que ela tinha certeza que a desprezava, nem ela sabia dizer.
"Obrigada. Ser alto tem suas vantagens." Ela falou no que imaginou ser um tom normal.
"Por nada. De fato tem suas vantagens." Ele respondeu sem tirar os olhos dela.
Elizabeth tirou as mãos de baixo da dele lentamente e se virou, saindo da sala. Darcy olhou para a própria mão que segundos atrás segurava a dela. Ele ainda conseguia senti-la. A esticou em uma tentativa de se livrar da sensação persistente, mas falhou miseravelmente.
"Deus, se um toque na mão dela faz isso comigo, eu me pergunto o que seria sentir o corpo todo dela embaixo do meu..." Ele disse em um sussurro.
Darcy sentou-se novamente na poltrona e respirou fundo. Bingley estava namorando oficialmente com Jane há duas semanas depois de meses de encontros esporádicos. Nesse tempo, ele viu Elizabeth na boate, na casa de Bingley, no jantar da casa de Charlote e agora em Netherfield. Era apenas a quarta vez que eles se viam e ele não conseguia pensar em nada mais além dela. "O que isso significa?" Ele se perguntava quase em desespero.
Saindo da biblioteca, com a sensação persistente da mão dela na dele, ele decidiu ter um pouco de ar fresco, apenas para entrar no jardim e se deparar com Elizabeth encostada em uma árvore olhando a paisagem. O vento batia em seus cabelos os deixando ainda mais revoltos e Darcy imaginava qual seria a sensação de enterrar sua mão nos fios e aspirar o perfume suave que tantas vezes ele sentiu de longe.
Ele notou quando ela olhou para as costas de sua mão, seu semblante confuso. Ela sentiu o mesmo, ele pensou. O que isso significa?
Darcy continuou parado, escondido da visão dela, traçado cada pedaço de seu rosto e corpo com os olhos. Um pequeno sorriso cobriu seu rosto. Ele viu fascinado quando ela, contemplando o jardim florido a sua frente, suspirou e traçou os próprios lábios com a ponta dos dedos. Gesto que ele percebeu que ela sempre fazia quando estava profundamente em pensamentos. Seus próprios dedos imploravam para sentir os lábios dela.
É só uma atração. Uma atração muito forte. Ele pensava tentando se convencer e novamente sua mão sentiu aquela sensação elétrica, como se estivesse tocando ela. Ela tirou os dedos dos lábios e novamente olhou para a própria mão, a sobrancelha franzida em um semblante quase de raiva. Ela respirou fundo e soltou o ar com força e ele quase riu da imagem encantadora que ela fazia.
De onde estava, ele assistiu Elizabeth sair com passos rápidos em direção ao lago. Estava tão absorto em sua contemplação que não percebeu Caroline chegando perto dele e pegando em sua mão para chamar sua atenção. A sensação era totalmente o oposto que sentiu antes. Discretamente, Darcy retraiu sua mão, tentando não parecer rude com a irmã de seu melhor amigo.
"William, eu estava procurando você. Você sumiu hoje." Ela dizia com um sorriso forçado que Darcy odiava.
"Eu estava lendo." Ele respondeu em tom neutro.
"Eu imagino que você estava tentando fugir da companhia odiosa que meu irmão está impondo a gente. Eu não sei onde Charles está com a cabeça."
Darcy não fez nenhum comentário. Ele sabia exatamente onde Bingley estava com a cabeça, e era em uma certa Bennet loira de olhos azuis. Darcy nunca tinha visto Bingley tão afetado por uma mulher antes e se preocupava. Bingley teve sua quota de desastres amorosos e sempre sofria por causa deles, ele não queria que isso acontecesse novamente. Pensou em Jane e suspirou. A mais velha das irmãs Bennet era um mistério. Sempre tão doce e educada com todos, ela era muito contida. Não expressava uma paixão incendiária por Bingley como Bingley expressava por ela. Ele se perguntava não pela primeira vez se ela realmente gostava de seu amigo ou se era apenas um caso passageiro. Ele tinha percebido o quanto a mãe cobrava relacionamentos das filhas, quase exigentemente e pensou se Jane não estava em um relacionamento somente para agradar a mãe.
Seus pensamentos logo mudaram para a outra irmã. Ele tinha certeza que Elizabeth demostraria seus sentimentos de forma muito clara. Se ela demostrava tanta paixão em uma simples discussão, ele se perguntava como seria toda essa paixão banhada por luxúria. O simples pensamento de Elizabeth em uma cama, seus cabelos espalhados pelo travesseiro, suas costas arqueadas de prazer, seus gemidos... Ele se sentiu superaquecido apenas imaginando... Isso nunca tinha acontecido desde que era um adolescente. O que essa mulher está fazendo comigo? Ele pensava.
Sentiu novamente a mão de Caroline em seu braço e imediatamente seu corpo resfriou. Ela o olhava em expectativa, como se esperando uma resposta para alguma pergunta.
"Desculpe, Caroline, o que você disse?"
"Eu perguntei se as irmãs Bennet estão perturbando o seu conforto de alguma forma? Eu posso falar com Charles para ele visitar Jane na propriedade da família dela. Dessa forma nós ficaremos mais à vontade em nossa casa."
Você odiaria saber de que forma uma das irmãs tem me perturbado ultimamente, Darcy pensava quase em diversão, mas nunca falaria algo assim. "Não, Caroline. Não me perturbam. Eu apenas gosto de apreciar um pouco de solidão às vezes. E falando nisso, se você me der licença, vou caminhar um pouco. Estou precisando pensar em alguns assuntos."
Ele saiu sem olhar para trás, Inconscientemente fazendo o mesmo caminho que viu Elizabeth fazer momentos antes. Chegou perto do lago e novamente foi brindado com outra visão dela. Elizabeth estava deitada na grama com uma flor nas mãos e os pés para cima, apoiados em uma árvore. Seus cabelos espalhados em volta de sua cabeça e por cima de seus ombros. Ele assistiu encantado quando um pássaro foi corajoso e curioso o suficiente para chegar perto dela de forma cuidadosa. Elizabeth estava paralisada olhando para o pássaro e abriu um lindo sorriso quando ele chegou mais perto, mas o pássaro se assustou e voou para longe, a fazendo rir. O riso de Elizabeth... O som mais bonito que eu já escutei...
Definitivamente a mulher mais encantadora, enlouquecedora, desafiadora, estimulante e frustrante que eu já conheci. E bonita, a mais bonita e tentadora de todas que eu já coloquei os olhos. Ah, Elizabeth, cada vez que eu te vejo, meu desejo por você cresce. Ele pensava enquanto sua vontade de tocar nela era quase insuportável. Eu preciso me afastar. Isso está ficando fora de controle. Se eu continuar na presença dela dessa forma vou acabar fazendo uma besteira.
Darcy deu meia volta em direção a Netherfield. Enquanto se afastava, não percebeu que Elizabeth se levantou e o viu indo embora. Deve ter me visto e fugido para me evitar. Eu ainda não sei porque esse homem me odeia tanto. Bom, eu não ligo. Eu nem gosto dele. Elizabeth pensava, olhando para as costas dele até que não estavam mais visíveis. Sem perceber, ela segurou a própria mão, ainda sentindo a sensação elétrica do toque dele.
