N/A: Mil perdões! Eu andei tão focada em algumas fics em inglês que esqueci de atualizar Unio. T.T Como se não bastasse, quando me lembrei a minha internet resolveu bancar a temperamental ¬¬

Para compensar o atraso, devo estar postando mais um capítulo nos próximos três ou quatro dias mas, já vou avisando, Unio está chegando na reta final. Já passamos da metade da história e tudo que acontecer agora vai ser para encaminhas a fic para o seu fim.

Agora, vamos as reviews:

Gabriela P.M Sim, eu rio muito com as suas reviews. Esse seu jeito 'feliz e saltitante' lembra muito o de uma amiga minha XD Novamente agradeço pelos elogios mas tenho que dizer que você só acertou uma das suas suposições. O Atra só vai aparecer no próximo capítulo, eu acho.

Nao chibi hauhauahuahuha, sim é treta mesmo. Infelizmente não vai dar tempo de correr. E o Sugoroku vai começar a mexer alguns pauzinhos ou, pelo menos, a tentar. Quanto ao MSN, lamento, mas eu não te adicionei não. Para ser sincera eu raramente entro no MSN, porque prefiro usar meu tempo de internet lendo ou escrevendo fanfics e, convenhamos, é um porre tentar fazer qualquer uma dessas duas coisas com alguém te chamando há toda hora .

Bom, vamos lá! ^^


Unio

- capítulo 10 -

O parque lhe recebeu, oferecendo calma e abrigo, e Yami suspirou aliviado. Bem verdade que preferia estar em casa, deitando Yugi em uma cama ao invés de na grama, mas já havia conseguido usar as sombras para se moverem, não iria reclamar.

Sentando de costas para uma das árvores, o príncipe pôs-se a contemplar a face inerte. Ainda via aquele rosto contorcido de dor, o corpo se dobrando sobre si mesmo, seu toque sendo rechaçado. Entrara em pânico, sem saber o que fazer. Vira o sorriso tímido do menor para depois presenciar o caos, quando este fugiu de seu toque, torturado por algo que não conseguia evitar.

Pelo menos até ver o pingente.

Yami abriu a mão, vendo a pequena pedra antes ametista agora coberta por seu sangue coagulado. Não tivera dúvidas quando a vira. Aquilo era um selo, algo feito para manter Yugi naquela forma. Mas o selo, por algum motivo, estava quebrando, trazendo dor. Havia conseguido conter por hora, mas era inevitável. A luz que o selo tanto tentava conter estava crescendo, transbordando lentamente pela rachadura no centro.

Fechou a mão com força, odiando sua fraqueza. Cada vez que tentava conter a luz ela aumentava, se igualando a sua sombra com facilidade, não, até esperando por ela. Era como se a luz não pudesse crescer sem a sombra!

Será? – encarou novamente a face adormecida, as hipóteses que formulara em sua primeira noite com Yugi voltando à superfície de sua mente. Nunca tivera coragem de perguntar o que seu salvador era na realidade. Se pelo menos houvesse...

Se você perguntar também terá de dizer. – lembrou-lhe a voz da razão. No entanto, apesar de válida, a voz foi ignorada. Não se importava mais com seu passado, só queria que Yugi ficasse bem!

- Aibou...volte. – sussurrou, acariciando a face pálida sem mal tocá-la.

Para a sua surpresa, as pálpebras tremeram e se abriram, revelando um par de ametistas atordoados e baços.

- ...ami... – a garganta contraiu e o menor tossiu, tentando respirar. Yami o ajudou a se sentar, o apoiando contra a árvore. Se pudesse arrumar água...Mas não havia nada por perto!

Yugi respirou fundo depois de se acalmar, preferindo olhar os arredores antes de dizer qualquer coisa. Não queria sofrer com perguntas tolas, muito embora a mais tola delas estivesse na ponta de sua língua, esperando para ser feita.

- O que aconteceu? – sussurrou, tentando ao máximo não forçar a garganta seca.

O príncipe mordeu o lábio, baixando os olhos em sinal culpado.

- Eu...não sei. – sussurrou, reunindo forças para usar a própria voz – Você começou a gritar, e eu não consegui fazer nada. Perdão, Yugi. Eu...eu quis ajudar, mas você se afastava mais e mais, gritando até que seu corpo se fechou e você desmaiou.

O anjo pensou por um momento, tentando montar as peças que lhe foram dadas junto com sua memória. Lembrava de sentir emoções, muitas e muitas delas. Teria se sobrecarregado?

A julgar que estavam no parque, e a uma boa distância da floricultura, Yugi concluiu que sim.

- Perdão. Eu...te assustei...

- Não foi culpa sua. – Yami ergueu o rosto e sorriu, tentando passar conforto, mesmo que no fundo ainda estivesse assustado – Mas eu acho que te devo algumas respostas, assim como agora você deve a mim.

Yugi fez que sim e fechou os olhos, tentando sentir o que estava errado consigo.

- Quem começa?

- Eu lhe neguei primeiro, nada mais justo que eu comece. – olhos vermelhos também se fecharam, buscando conforto nas sombras. Elas poderiam estar lhe revelando um mundo totalmente novo, agora que pareciam obedecer aos seus comandos, mas ainda eram conhecidas companheiras, e nada mudaria isso.

- Eu nasci em um reino chamado Shadow Realm, cerca de duzentos anos atrás... – o príncipe começou, mas logo foi interrompido.

- Eu sou mais velho que você? – o pequeno anjo perguntou atônito, momentaneamente esquecido da situação desesperadora em que se encontrava.

Yami trincou os dentes.

- Eu não sei. – respondeu mal humorado, não gostando da interrupção e, secretamente, nem da idéia de ser o mais novo – Meu pai não gosta de mim, porque eu sou a prova da traição de minha mãe. Acho que ele só não me matou ainda porque eu devo lembrar ela de alguma forma. Meu pai...é ele quem governa o Shadow Realm.

- Então você...

- Não. Meu irmão mais velho, Atra, é o príncipe. Eu sou apenas o ser mais baixo da hierarquia. – suspirou, repassando os detalhes para ver se não esquecera nada – Ah, e eu não sou nenhum tipo de criatura. Mesmo sendo fraco, eu sou um mago.

- Entendi, eu acho. – o menor respondeu, deixando que as informações fossem absorvidas – Bom, eu sou de Illuminare. Eu era um anjo guia por lá, sempre esperando na fronteira do mundo humano para guiar as almas. Assim como você, eu não sou forte nem nada. Naquela hora eu ... eu acho que senti suas emoções. Mas eu não deveria ser capaz. O lacre de meu avô deveria ter impedido.

- Eu não sei se estou fazendo o certo, mas estou tentando impedir o lacre de quebrar. – Yami abriu a mão, mostrando novamente o pingente. Yugi o examinou de perto, sem tocá-lo para não arruinar os esforços de seu parceiro. Foi quando percebeu um detalhe pequeno mas muito importante.

Havia uma rachadura. Mesmo coberta de sangue, o anjo via claramente agora. Era uma falha bem no meio, ameaçando partir a pedra em duas.

Mas como? Eu não... – olhos ametista se arregalaram quando a possibilidade lhe ocorreu. Por mais que se odiasse ao pensar assim, a verdade era que não tinha escolha. Tinha que aceitar.

Tocou o peito sem nem perceber, olhando fundo nos olhos vermelhos.

- Desista. O lacre vai romper de qualquer jeito.

- Mas eu tenho que fazer alguma coisa. Eu não quero te perder.

Yugi sorriu, feliz com a sincera e mais que espontânea declaração. Ver Yami tão preocupado em perdê-lo era um bálsamo para seu corpo enfraquecido.

- Então me ajude a levantar. – sussurrou, feliz quando sua garganta não doeu mais. Será que era o poder que voltava para si? Mas nunca conseguira se curar direito antes.

- Por quê?

- Porque o lacre vai quebrar, e eu estarei em sérios apuros se algum humano vir minha verdadeira forma.

Sem ter como argumentar, Yami pegou Yugi nos braços, lentamente o levando ainda mais para dentro do parque.

-x-

- Como se atreve!

O salão silenciou, a voz colérica ecoando pelas paredes de pedra com a força do trovão. No entanto, por mais que o conselho estivesse chocado – a maioria sem jamais ter presenciado algo parecido – o mais velho deles sequer se abalou.

- Não fomos nós que o enviamos ao mundo humano. Não seremos nós que o tiraremos de lá.

O anjo bateu com as mãos nos braços do trono, seu rosto a centímetros do de seu superior. Ametista e ônix se chocaram, ferocidade tentando derrotar frieza.

- Eu confiei em você até hoje, Bellator, não me traia agora. Yugi...

- Se Yugi está no mundo humano a culpa é somente sua, Sugoroku. Foi você quem o deixou partir, mesmo sabendo que ele não passa de um mero guia. – Bellator se levantou, sua sombra encobrindo o outro anjo com facilidade – Pare de culpar os outros por seus erros.

Sugoroku cerrou os punhos, luz bailando ao seu redor. Se ao menos pudesse... Mas não podia. Não aqui, não agora.

Não quando seu neto poderia já estar morto.

- Que seja. Irei sozinho. – o anjo de olhos ametista recolheu sua aura e deu as costas para o conselho, determinado em deixar o salão.

- Faça isso e será expulso do conselho e punido como traidor. Você e Capere.

Sugoroku parou, seus punhos se fechando com força renovada. Virou o rosto, seu olhar dez vezes mais raivoso que antes, mesmo que o anjo guerreiro não parecesse se dar conta. Porém, antes que pudesse responder como devia, um outro anjo entrou no salão, correndo até os anciões sem sequer lembrar das regras de etiqueta.

- A barreira de Shadow Realm está ruindo! – o recém-chegado avisou, as faces coradas pelo esforço. Imediatamente todos do conselho, incluindo Sugoroku, silenciaram, lançando olhares nervosos uns aos outros.

Porque, sem a barreira, havia duas possibilidades. A primeira era que, enfraquecido, o povo do Shadow Realm precisasse de ajuda. Nesse caso, os anjos de Illuminare estavam dispostos a ajudar. A outra possibilidade, no entanto, era que, uma vez desprovidos de território, os magos e monstros que lá viviam começariam a procurar novas terras para clamar. E os anjos estariam ainda mais dispostos a defender seu lar com todas as armas disponíveis.

- Dê o alerta. Todas as fronteiras deverão ser protegidas. Qualquer um capaz de lutar deverá se reunir na praça central ao pôr-do-sol. Reúna os generais. Eles devem se apresentar imediatamente. – vendo que o recém chegado continuava parado, Bellator estreitou os olhos – Vá!

O anjo que entregara a mensagem pulou assustado e, esquecendo toda e qualquer regra de conduta, de novo, abriu as asas e voou porta a fora, ansioso por cumprir suas ordens antes que fosse repreendido mais uma vez.

- Crystallum, reúna seus alunos. Qualquer mudança, me avise. – Crystallum, uma anjo de cabelos e olhos róseos como quartzo, se levantou e deixou o salão, lançando um breve olhar de pena a Sugoroku. Sem dúvida se arrependia de ter lhe dado sua esfera de cristal.

- Ao resto de vocês, temos muito que planejar. – Belattor voltou a se sentar – Está conosco, Sugoroku?

O anjo de olhos ametista não teve outra escolha que não sentar em seu trono, certo que seu neto jamais aprovaria se sacrificasse Illuminare para lhe resgatar.

-x-

Yugi trincou os dentes, fazendo o possível e o impossível para conter o gemido de dor. Havia convencido Yami a deixá-lo sozinho, na esperança de poupá-lo da cena, mas de nada adiantaria o esforço se começasse a gritar.

Só mais um pouco! – disse a si mesmo enquanto cravava as mãos na grama, apertando o mais forte que conseguia. A energia continuava a surgir, queimando cada fibra de seu corpo com um poder que sequer lembrava possuir. Porém, de longe o que mais feria era sentir os músculos de suas costas serem forçados fora do caminho, as asas há tanto confinadas rasgando a carne, se aproximando da pele delicada cada vez mais.

Ele não merece ver isso. – se forçou a ficar repetindo a frase, já ciente do que iria acontecer. Tentou tirar a camisa, mas seus braços queimavam demais para fazerem qualquer movimento. Uma nova onda de energia lhe envolveu, trazendo consigo apenas dor. Yugi se encolheu ainda mais no chão, mordendo a própria mão para evitar gemer.

Escondido entre grandes e mal cuidados arbustos, Yami mordia o lábio, sem saber o que fazer. Havia prometido que não olharia, mas a cada segundo tinha mais e mais certeza que o menor estava sofrendo. Pode ouvir os gemidos abafados e o corpo indo ao chão. Sentia a energia que se acumulava lentamente e sabia, por experiência própria, que era doloroso. Lembrava de quando Atra lhe atingira com aquela mesma quantidade de poder, e ainda tinha as cicatrizes para provar.

"Por favor, Yami. Eu não quero que veja o lacre se quebrando." – foram as palavras de Yugi, vários instantes atrás. Desde então o menor estava suportando a dor, fingindo que podia agüentar.

Fingindo como o príncipe fingira.

Olhos vermelhos se arregalaram e um peso frio foi jogado contra seu peito, esmagando tudo e o deixando sem ar. Estava fazendo com o menor o mesmo que fizeram consigo? Ignorando a sua dor? Deixando-o sangrar sozinho?

Não! Ele não está sozinho! – determinação removeu o peso, e Yami marchou até a pequena clareira onde Yugi estava, seus passos duros sendo abafados pela grama.

A cena que viu partiu seu coração.

O menor estava encolhido no chão, rosto e mãos enterrados na grama. A pele que conseguia ver estava vermelha, estranhos símbolos dourados a marcando, porém desaparecendo um a um, sempre acompanhados de um estremecimento ou gemido abafado. Nas costas antes lisas havia um grande inchaço, grande o bastante não apenas para esticar a blusa ao limite, como para manchá-la lentamente com sangue.

- Aibou! – gritou, correndo até a figura caída. Viu o rosto sofrido levantar com dificuldade e os olhos se encontraram.

Mas o príncipe não conseguiu fazer nada. No segundo seguinte o lacre se rompeu por completo, levando consigo tecido e pele, manchando ar e grama com sangue. Nesse momento, Yugi arqueou as costas e gritou, sua dor ecoando por todo o parque.

As penas brancas foram maculadas pelo rubro.

Porém, mesmo com toda a dor, Yami não conseguiu evitar pensar no quão belo Yugi era com asas.