Reunião

"Você não quer esperar seu pai estar solto para nos casarmos?" Ela perguntou, passando a mão pelos meus cabelos. Isso era muito bom, me fazia ficar sonolento mais rápido que Poção do Sono.

"Não" Murmurei de olhos fechados, sentindo seu toque delicado em me cabelo, rosto.

"Você tem certeza? Draco, eu não me importo de esperá-lo..." Eu levantei uma mão para segurar a sua que me acariciava, chamando sua atenção. Abri os olhos para encontrar os seus castanhos intensos.

"Poderíamos esperá-lo por anos" Respondi.

"Mas ele é seu pai, certamente, gostaria de estar presente em seu casamento"

"Ele sabe tão bem quanto eu que ficará um bom tempo por lá" Virei meu rosto para beijar a palma da sua mão "Ele me quer feliz, e você me faz como ninguém"

Ginny sorriu levemente e se aproximou de mim, me beijando.

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Sem palavras.

Estou sem palavras.

Veja bem, Lucius Malfoy não é bem uma pessoa que se alegra com pouco. Mas quando se trata de família, ele muda completamente.

Ele está encantado pelas crianças e, como eu, está desejando que minha mãe não tivesse organizado essa maldita reunião para que pudesse passar o tempo com eles.

Revirei os olhos.

Essa reunião é ridícula. Aposto que meu pai está cansado de ouvir mentiras de todas essas pessoas.

Fui checar as crianças que estavam com os padrinhos. Pra variar.

Quando finalmente os alcancei, vi Blaise dançando com Sam, a rodopiando em seu colo exageradamente, enquanto Richie parecia entediado, sentado ao lado de Luna.

Juntei-me a eles à mesa.

"Adorável recepção, Draco" Luna comentou e eu arqueei uma sobrancelha a ela. O sarcasmo em sua voz deixa claro que ela passou tempo demais convivendo com Blaise e eu.

"Está se divertindo, Richie?" Perguntei, recebendo uma revirada de olhos, que tomei como um 'não'.

"Draco Malfoy!" Ouvi uma voz familiar atrás de mim "Faz quanto tempo que não o vejo? Dez anos?" Me virei e encarei um grupo antigo de amigos.

Levantei e sorri, cumprimentando Theo.

"Alguns dez anos" Respondi "Fiquei sabendo das últimas, parabéns, papai!" Apertei sua mão. Virei-me para a mulher bonita e bem vestida ao seu lado. "Está encantadora, Pansy, parabéns" Beijei seu rosto.

"Obrigada, Draco" Ela sorriu "Faz tanto tempo..."

Assenti e me virei para Daphne, cumprimentando-a também.

"Soube de seu sucesso, Daphne, parabéns!" Disse educado.

"Sempre soubemos que eu chegaria lá, não?" Ela brincou e todos rimos. Algumas coisas nunca mudam.

"Olá, Draco" Millicent me cumprimentou "Não faz tanto tempo desde que nos vimos, não?" Cumprimentei-a educadamente também.

Notei Richard inquieto na cadeira atrás de mim e Luna ao seu lado.

"Suponho que se lembram de Luna" Disse, educado. Eles arquearam uma sobrancelha para mim, que me fez sentir irritado, porém ignorei. "Esposa de Blaise, claro, vocês estiveram em seu casamento" Eles a cumprimentaram educadamente, mas sentia comentários maldosos passando por suas cabeças alienadas. "Esse é Richard, meu filho" Apresentei-o com uma pontada de orgulho em meu peito. Richard cumprimentou todos educadamente e depois puxou Luna para a mesa de doces.

Encarei-os novamente e não gostei nem um pouco de suas expressões, antes que pudessem comentar qualquer coisa, ouvi minha mãe me chamando educadamente para conhecer um empresário suíço.

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Deixei um sorriso aparecer em meus lábios.

Se minha mãe acha que manterá o amor e carinho que Richie sente por ela desse jeito está mais que enganada.

Lembro-me que ela costumava fazer o mesmo comigo e com Pansy nessa idade.

Richie, irritado, e Sam, divertida, dançavam simples passos no meio da grande pista do Salão de Festas da Mansão Malfoy, onde todos os rodeavam, maravilhados, e ficavam falando o quão adoráveis eles são.

Vi Blaise puxar Luna para a pista também, quebrando aquela palhaçada que minha mãe achava o máximo.

Vi meu pai tirar as crianças da pista – Richie aliviado e Sam relutante, pois queria dançar – enquanto me aproximava de minha mãe.

"A Sra. não precisava torturar Richie desse jeito" Comentei carrancudo.

"Richie vai crescer e se lembrar disso como uma besteira" Ela arqueou uma sobrancelha para mim "Assim como você"

Revirei os olhos internamente, rezando rapidamente para que Sam não tenha herdado nada do sangue Black de minha mãe em si.

"Draco, querido, você poderia convidar Millicent para uma dança?" Ela perguntou sorrindo para um casal que passava "Ela veio desacompanhada e não seria delicado deixá-la sozinha enquanto seus amigos dançam, principalmente, depois de ter me ajudado tanto"

"Tenho que checar as crianças" Respondi.

"Eles estão bem com seu pai" Ela respondeu rapidamente e se dirigiu a roda mais próxima de mulheres conversando.

Ela é minha mãe e eu amo, mas agora eu entendo porque meu pai passava tanto tempo com o Lord.

Andei até Millicent que estava sentada em uma mesa afastada, assistindo tudo ao redor com interesse, e pigarreei, chamando sua atenção.

"Draco" Ela exclamou surpresa.

Sorri educado.

"Gostaria de dançar?" Estendi uma mão. Ela sorriu e aceitou.

Escoltei-a até a pista e conduzi-a a dançar, formalmente.

Olhei ao redor a procura das únicas crianças ao redor. Sam estava no colo de meu pai e Richie, assim como eu, descobriu ser extremamente divertido irritá-lo.

Deixei um sorriso escapar.

"Eles são encantadores" Millicent comentou, olhando para a mesma direção que eu "Seus filhos"

Assenti em agradecimento.

"Deve ter sido difícil para você" Ela parecia tensa "Criá-los sozinho todos esses anos"

"Tive muita ajuda de Blaise e Luna" Respondi educado "E da minha mãe, claro"

"Certamente" Ela olhou para o casal ao nosso lado, que dançavam uma dança diferente de todos os demais casais na pista, mas pareciam felizes e incapazes de não se divertirem um com o outro.

Sorri. Blaise e Luna mereciam toda essa felicidade. Não sou egoísta de desejar que nenhum outro casal seja infeliz só porque eu não era feliz como eles eram, por terem um ao outro. Mas me tornei alguém que reconhece a felicidade alheia e que torce por ela. Acho que Ginny é grande culpada disso.

"Não entendo como eles acabaram juntos" Millicent torceu o nariz. Eu sabia que ela costumava ter uma paixonite por Blaise, mas depois de tanto tempo era de se esperar que tivesse acabado "Ela é estranha"

Parei de dançar e a encarei. Ela se assustou com minha atitude repentina e me encarou atordoada.

"Ela é uma das melhores pessoas que conheço" Disse seco, me afastando dela. Confesso que criei um grande afeto e consideração pela ex-corvinal. É a convivência, acho. Ou a sua dedicação e lealdade para minha família e a mim.

"Desculpe, Draco, não quis ofendê-lo..."

"Com licença" Saí da pista sem olhá-la novamente.

Saí do Salão e fui à Sala familiar. Não agüentava mais aquela festa.

Para minha surpresa, o Salão já estava ocupado por três refugiados.

"Cansou de dançar também, papai?" Sam perguntou inocentemente, enquanto descansava o copo de suco de abóbora na mesa de centro e andava até mim. Peguei-a no colo e beijei seu rosto.

"Sim, cansei" Menti. Olhei para Richie que parecia satisfeito em voltar ao seu protótipo de vassoura no chão e meu pai, que tinha uma sobrancelha arqueada para mim. "O senhor os trouxe aqui porque cansaram de dançar?" Perguntei irônico.

Ele revirou os olhos para mim. Eu sabia que ele não poderia inventar outra historia para sair da sua própria festa sem trazer consigo os mais novos vícios. Claro, Richie viria sem reclamar, estava tão chateado com aquela festa quanto nós, mas Sam estava adorando a festa e estava inquieta e queria dançar com todos.

Pus Sam no chão para que voltasse a se distrair com o irmão e caminhei até o bar, pegando uma bebida forte que eu sabia que não tinha na festa.

Dei um longo gole no copo, sentindo a bebida descer relaxante pela minha garganta.

Antes de dar outro gole, meus olhos pegaram de relance uma foto em cima da lareira que não estava lá antes. Aproximei da lareira e estendi a mão para pegar o porta-retrato de prata.

Era uma foto do meu casamento.

Senti a garganta ficar seca, apesar de ter acabado de beber. A mesma foto que me fazia perder o ar toda vez que eu via.

Ginny estava vestida de branco dos pés à cabeça. Seus cabelos, diferente de qualquer noiva, não estavam presos em um coque elegante no topo de sua cabeça, mas caía solto e bonito por suas costas. Lembro-me de minha mãe ter ficado louca da vida pela simplicidade que Ginny insistira em deixá-los, mas não podia culpá-la. Ela estava radiante aquele dia, e eu tinha certeza que seus cabelos escolheram aquele dia para acordarem mais brilhantes do que normalmente eram.

Mas, definitivamente, o que mais me chamava à atenção não eram suas roupas caras e feitas especialmente para aquela ocasião, nem o penteado ou a falta dele em seus cabelos vermelhos. Era o seu sorriso. Seu largo e bonito sorriso. Seu sorriso que contrastava encantadoramente com o brilho em seus olhos, e nesse brilho eu podia identificar vários sentimentos diferentes: nervosismo, ansiedade, desespero, insegurança, determinação, medo, amor, mas principalmente, felicidade. E isso me varria de satisfação, por saber que pelo menos um dia, eu pude fazê-la feliz na altura que merecia.

Senti o porta-retrato tremer em minha mãe e antes que eu pudesse coloca-lo de volta onde estava, meu pai o pegou de minhas mãos me surpreendendo por não tê-lo visto se aproximar de mim.

Ele olhou para mim, depois desviou os olhos para a foto, se demorando nela. Então, a colocou de volta em cima da lareira.

Ele se virou para mim e pôs a mão em meu ombro, apertando fortemente.

"Eu sinto muito" Não passou de um sussurro sua voz, mas eu sorri em entendimento mesmo assim. Pela intensidade de sua voz, pude saber que ele realmente sentia.

"Papai, vamos voltar para a festa?" Senti uma mãozinha puxar minha calça e meu pai se afastou. "Você nem dançou comigo ainda" Ela fez um bico que me fez sorrir.

"Claro, meu anjo" A peguei no colo e saí do aposento, deixando para trás Richie entretido no brinquedo e meu pai me assistindo enquanto eu saía. Não vi, mas sabia que meu pai sorria satisfeito comigo, entendendo que eu não era mais aquele menino mimado e assustado que ele conhecia antes de ficar dez anos em Azkaban. Eu me tornei um homem que conheceu vários empecilhos na vida. Um homem que conheceu o amor e toda a seus benefícios, mas que também conheceu a dor da perda e todas as suas conseqüências.


Outro capítulo rápido!