10.
Clark entrou no apartamento e viu Lois fazendo café. Ela usava sua camisa preta e um shortinho jeans que dava um belo vislumbre de suas pernas. Clark parou, admirando a repórter, que estava de costas, pegando o pó de café na prateleira. Ela ficava bem usando a sua camisa.
- Quer dizer que hoje você resolveu cozinhar pra mim. – ele brincou, se aproximando.
Lois se virou e o olhou. Sorriu.
- Em primeiro lugar, eu não sei cozinhar, então, se depender de mim, você morre de fome. Segundo, café é a única coisa que eu sei fazer além de brigadeiro e eu estava entediada deitada naquela cama.
- Se eu estivesse naquela cama, você certamente não teria ficado entediada. – ele disse e sentou no banquinho.
Lois rolou os olhos.
- Pra que eu deixe você ficar numa cama comigo, precisa comer muito feijão com arroz ainda.
- Hum, é um desafio? – ele deu um sorriso cafajeste.
- Para de falar bobagem, Clark! – ela exclamou e se virou para fazer o café e para que ele não a visse corando. Era ridículo ela corar toda vez que ele falava uma graçinha e pior ainda, Lois estava formando imagens na sua mente. Ela preparou o café e serviu os dois em canecas. – Prova. Nunca vai beber um café melhor do que esse. – ela garantiu.
Clark provou o café. Estava realmente delicioso. Lois sorriu, vitoriosa.
- Só falta você aprender a cozinhar.
- Pra que? Você já sabe, eu não preciso.
- Acha que eu vou cozinhar pra você a vida toda? – ele achou graça.
- Enquanto eu estiver aqui, sim. – ela empinou o queixo e ele não acreditou o quão mandona ela era. Resolveu deixar pra lá. – Eu vi na TV que estão me procurando... É estranho ver a si mesma sendo tratada como desaparecida ou possivelmente morta...
- Fica tranquila que eu já resolvi isso. Descobri que foi Lex quem encomendou seu empacotamento.
- Lex Luthor?! Aquele desgraçado! – ela deu um forte tapa na mesa, irritada. – Eu vou dar um soco naquela careca!
- Fica fria, linda, eu e o Oliver já demos uma prensa no Bruno Mannheim e estouramos a extração clandestina de kryptonita do careca. Ele deve estar quicando de ódio uma hora dessas. – Clark riu.
- Nunca pensei que Lex fosse tão baixo. E ainda se aliando à Intergang...
- Se aliando não. Ele manda no Mannheim.
- Eu pensei que Mannheim fosse subordinado a Lionel.
- Lionel também acha isso mas quando ele se der conta que o próprio filho está furando os olhos dele, o negócio feder. Quero assistir de camarote.
- Você vai contar por Lionel?
- Não posso. Adoraria, mas não. Lex não pode saber que eu sei. – ele alegou e Lois concordou. – Mas pode haver um jeito do Lionel saber a verdade sem que eu me mostre... Lex merece isso. Aquele filho da puta! Sabia que kryptonita verde pode até me matar?! – ele contou, indignado.
- Sério? – Lois estava surpresa. – Mas... você é praticamente indestrutível...
- Praticamente. Não completamente. – ele bufou. – Oliver abriu a caixa de kryptonita verde e eu quase dancei. Aquela maldita pedrinha é mais forte do que eu! Que merda! Oliver vai mandar o Dr. Wells analisar as kryptonitas que conseguimos... O clubinho dele gosta de lidar com essas coisas. – ele bebeu o resto do café.
- Oliver tem um clubinho? Como assim?
- Ele, Barry Allen e Bruce Wayne tem uma Torre de Vigilância e fundaram um grupo de superamigos... – Clark deu de ombros, enquanto Lois ficava boquiaberta com as novidades. – E ainda querem me botar nessa, mas eu não curto isso de heroísmo.
Lois deu um suspiro puxado.
- Bruce voltou?
Clark a olhou com atenção.
- Voltou. Porque? Tu conhece ele?
- Antes de Bruce sair para a sua jornada, nós namoramos. – ela contou e Clark cruzou os braços. – Ele sempre foi meio... problemático... toda aquela história do assassinato dos pais dele... acho que tenho talento para me envolver com caras emocionalmente complicados.
- Mas o lance de vocês acabou, né? – Clark quis saber.
- Acabou e não acabou. – ela suspirou. – Acabou porque ele tinha que fazer essa jornada, mas não houve um ponto de final de fato, sabe? Acho que... ficou meio em aberto.
- Hum... – Clark fez uma careta. Não estava gostando nada daquela história. – Só falta você me dizer que virou a donzela na torre esperando a volta do príncipe encantado! Porque essa besteira não combina com você, Lane!
- O que? Clark, ao contrário de você, eu sei o que é ter sentimentos, tá bom?! – ela exclamou.
- Ah, claro! O cara te dá um pé na bunda, vai embora, com certeza transou com tudo quanto é mulher pelo meio do caminho, mas é só ele voltar ''herói''... – ele fez o sinal de aspas. -... que você fica nessa de donzela suspirante!
- A palavra suspirante nem existe!
- E daí?! Eu que to falando! Eu falo como quiser!
- Como você é idiota, Clark! – ela se irritou e saiu de perto dele.
- Mais do que você, com certeza não!
- As pessoas não são como você, Clark, que não tem sequer ideia do que é amar alguém!
- Ué, agora é amor também?! Nossa, ele ''te ama'' muito, né, Lois, te jogando de escanteio enquanto foi ''procurar o seu verdadeiro eu''! Que coisa de bicha!
Lois deu um gritinho irritado e jogou uma almofada contra Clark.
- Eu sabia, eu sabia que você continuava o mesmo ogro de sempre! Você é ridículo, Clark Luthor! Você e sua família não são gente, são coisas cuspidas pelo universo!
- Ih, ficou toda se doendo por causa do Wayne, é?! Que papelzinho idiota a que você está se prestando, Lois Lane! Eu imaginei que você fosse melhor do que isso!
- CHEGA! – ela berrou. – Eu vou embora daqui agora! – ela disse, indo direto para o quarto.
- Vai! Vai mesmo! Corre pro Bruce Wayne, mas não vem chorar no meu ombro se ele te der outro pé no traseiro! – Clark gritou, furioso e amassou a jarra de café, de tanta raiva.
Clark saiu voando para tentar se acalmar. Simplesmente ficara fora de si ao ver Lois suspirando por Bruce. Nem ele mesmo entendia sua reação. Tinha vontade de socar Bruce Wayne.
Ficou no alto, perto das nuvens, observando a agitada Metropolis. Respirou fundo. Não tinha motivos para se exaltar tanto. E daí que Lois se encontrasse com Bruce e resolvesse retomar do ponto em que pararam? Não era problema dele. Não havia nada de romântico entre Lois e Clark e jamais haveria. Clark voltou voando para o apartamento. Viu Lois já com a mala na mão e furiosa.
- Lois, não precisa ir.
- Claro que eu preciso, senão eu afundo essa sua cara com um soco! – ela exclamou.
- Tu não conseguiria nem se tentasse. – ele garantiu.
- Acha mesmo? Você não me conhece, Clark. Não preciso de super poder para te derrubar.
- Tá bom, Mike Tyson de saia. – ele debochou. – É sério, Lois, não precisa ir. Você ainda está debilitada. Fica aí que eu faço uma mousse de chocolate.
- Não vai me ganhar pelo estômago! – ela disse e depois salivou. – Você sabe fazer mousse de chocolate?
- Eu sou um expert na cozinha, já te disse, Lane. – ele piscou. – Se você for, eu vou comer sozinho. – ele se dirigiu a cozinha.
- Vai fazer agora? Isso não é justo, eu tenho um fraco por chocolate! – ela bateu os pés no chão e ele sorriu. – Ok, eu fico. Pela mousse, não por você!
- Já é alguma coisa... – ele fez uma pausa. Eles trocaram olhares. – Foi mal ter gritado com você por causa do besta do Wayne.
- Tudo bem, eu também me exaltei. – ela sentou na cadeira. – Mas Bruce tem suas qualidades, Clark. Eu acho que você aprenderia muito com ele.
- Preciso de professor não, linda, eu sei muito bem me virar sozinho! E Bruce quer ser o herói da história e isso não combina comigo!
- Porque não? Porque você não pode ser o herói? Clark, você tem habilidades incríveis. Imagina o quanto você poderia ajudar pessoas com esse dom!
- Não sou herói, Lane. Sério mesmo. – ele assegurou. – Não tenho paciência, não vou ficar lambendo bandido, comigo é no oito ou oitenta. Ou mata ou morre. Eu não tenho sangue de barata.
- Eu sei, Clark. Mas nada disso te impede de ajudar pessoas. Pensa. Você e Oliver agiram juntos e você não derramou uma só gota de sangue. E fez justiça. Isso é ser herói. Pensar nos outros antes de si mesmo.
- Eu penso em mim antes dos outros. Eu só tenho a mim mesmo, Lane. Eu tenho que lutar contra corjas como Lionel e Lex. Não posso me dar ao luxo de ser bonzinho. – ele afirmou e ela ficou calada. – Agora vou fazer a mousse, que eu to com fome. Vou fazer um misto quente também que meu bucho tá vazio. Você não come nada não, é?
- Café já é o meu combustível. – ela disse e depois estalou os dedos. – Lembrei que tenho que ligar para Perry!
- Como você conseguiu carregar uma mala cheia de roupas? Pensei que estava mais fraca.
- Querido, eu sou uma Lane. Aprenda! Lanes não caem com facilidade! – ela empinou o queixo e depois abriu a mala. Estava vazia. – Ia fazer você levar minhas roupas.
Os dois riram um para o outro. Clark achava que Lois era uma figura. Ela telefonou para Perry para tranquilizá-lo. Desligou o telefone.
- Perry quer que eu entreviste o Arqueiro Verde.
- Você ainda precisa se recuperar.
- É só o Oliver vir aqui ou então eu vou ao apartamento dele. Posso ligar pra ele marcando...
- Você e Oliver são amigos ou o que?
- Somos amigos. Mas namoramos na faculdade. – ela contou e pegou o telefone.
- Hunf! Quem você não namorou? Parece que pegou todo o clubinho dos super amigos!– ele exclamou e viu que ela estreitou os olhos, irritada. – O que foi?
- É engraçado isso, né? Você pode piranhar com todo tipo de mulher, incluindo a minha irmã, que está tudo bem! Agora, eu não posso ter namorado Oliver e Bruce que já ouço comentários com censura! Não sabia que você era machista assim, Clark.
- Não sou machista! Eu só fiquei surpreso, ok? Você é toda certinha! Mas tá bom, não está mais aqui quem falou, satisfeita? – ele falou e ela assentiu, concordando. – Claro que eu não preciso que você fique me lembrando que transei com a sua irmã doidona.
- Aquela cena grotesca foi difícil de apagar da mente.
- Grotesca? As pessoas transam sabia? – ele protestou e ela cruzou os braços, olhando-o com cara feia. – Eu não quero discutir. A irmã doida é sua. Mas a oferta de colocá-la no Belle Reeve ainda está de pé.
- O Belle Reeve é para afetados por meteoro. Lucy é humana.
- Eles tem uma clínica só para drogados normais.
Lois suspirou, desanimada.
- Lucy não me ouve. Parece que ela me odeia. Tudo que eu queria era que ela sarasse mas... – ela deu outro suspiro.
- Se quiser, eu dou uma prensa nela.
- Não, não adianta. Eu já discuti várias vezes com Lucy, até Perry conversou com ela e nada. Lucy não ouve ninguém. Não sei mais o que fazer. Às vezes... eu só fico pensando que um dia alguém vai bater na minha porta e dizer que... que Lucy morreu de overdose. – ela ficou com os olhos úmidos.
Clark ficou com pena e a abraçou. Lois se aconchegou nos seus braços. Se sentia protegida. Clark beijou a cabeça de Lois.
- Fica assim não, linda, vai ficar tudo bem. Se tu quiser, pode contar comigo.
- Seria legal, Clark. – ela sorriu e os dois se olharam. Havia algo mais e os dois sabiam. Lois se afastou de Clark, quebrando o clima. Estendeu a mão. – Podemos ser amigos?
Clark assentiu.
- Amigos. – ele concordou e aperto a mão dela.
Ambos sentiram como uma corrente elétrica percorrendo seus corpos. Lois logo soltou a mão. Não queria confundir tudo e muito menos se envolver demais com alguém como Clark. Ele fingiu que não sentiu nada até porque seus pensamentos e sentimentos estavam confusos. Clark nunca havia se apaixonado por alguém e não sabia identificar. E além do mais, ele achava que Lois ainda gostava de Bruce Wayne, o que o tirava do sério. Clark resolveu ligar para uma pizzaria.
- Preciso me alimentar. To com uma fome desgraçada. Vai querer uma?
- Não dá pra dividirmos uma?
- Não com a fome que eu tenho. – ele garantiu e ela achou graça.
-X-
Clark havia saído quando Oliver chegou no apartamento. Lois abriu a porta e o deixou entrar. Eles trocaram um abraço fraterno.
- Ei, Ollie.
- Ei, Lois. Nunca pensei que veria uma mulher morando na casa de Clark.
- Não estou morando, sou apenas hóspede. Senta. – ela lhe apontou o sofá e sentou na poltrona. – Perry quer uma entrevista com o Arqueiro Verde. E eu pensei que poderíamos tirar uma boa foto sua.
- Eu sempre fui muito fotogênico. - ele disse, vaidoso.
- Clark me contou que agora vocês são um grupo de heróis.
- Clark te conta tudo?
- Tudo o que ele quer, sim. – ela disse e ele apenas assentiu, pensativo. – Ele também me contou sobre Lex.
- Sim, infelizmente não temos provas, Lois, sinto muito. Bruno Mannheim nunca vai depor contra Lex.
- E com certeza Mannheim tem algum álibi, mesmo que forjado. Esse tipo de gente sempre se blinda.
- E você vai voltar para o Planeta Diário mesmo assim? Clark pode te proteger aqui. E eu também posso te ajudar.
- O que? Fugir como uma ratinha assustada?! Jamais! – ela se ergueu e pegou um pouco de mousse de chocolate para os dois. Serviu Oliver e sentou no sofá. – Eu não vou abaixar a cabeça pra ninguém! E te garanto que vou reunir provas para colocar Lex e a corja dele toda na cadeia! É isso que eles merecem!
- Lois, é arriscado... – disse Oliver, preocupado.
- Claro que é arriscado, Oliver, atravessar a rua é arriscado, mas nós fazemos, não é? Esse ataque de Lex só me deu mais vontade de derrubá-lo! Infelizmente, eu ainda sou sabotada no Planeta Diário, mas nem isso vai me parar...
- Sobre o Planeta Diário, acho que você em breve terá uma boa surpresa. – ele comeu um pouco de mousse. – Hum. Que delícia. Você quem fez?
- Não, foi Clark. Ele é o único que entende de cozinha por aqui. – ela disse e provou a mousse. – Ele realmente manda bem.
- Clark, hein? – ele achou graça. – Quer dizer que além de tudo, ele cozinha pra você? Moram juntos, trocam segredos, você me parece bem à vontade aqui... São o que? Tipo um casal?
- Claro que não, Oliver! – ela protestou. – Que bobagem! Somos amigos! E só amigos! – ela fez questão de frisar.
- Aham... Ok. – ele disse, concordando, mas seu olhar era de diversão. – Clark é um bom amigo. Tenho certeza que ele vai te proteger quando precisar.
- Eu não sou uma boneca de porcelana, Ollie, sei me defender sozinha, obrigado.
Oliver ia dizer mais uma coisa mas a campainha tocou. Lois foi atender e se surpreendeu ao ver Chloe.
- Chloe!
- Lois! – a loirinha abraçou a prima. – Porque você não me contou?! Eu pensei que tinha morrido! – Chloe disse, chorosa.
- Sinto muito, Chlo, mas Clark achou melhor eu me esconder até me recuperar e eu concordei.
- Sim, ele me contou. – Chloe limpou as lágrimas. – Eu o encontrei no Planeta Diário. Fui falar com Perry. Clark é um sujeito irritante mas pelo menos ele fez algo bom. Eu realmente achei que tinha perdido você. – Chloe segurou as mãos da prima. – Sei que não tenho sido uma boa prima nos últimos tempos, mas você é a minha família. A única que sempre se importou comigo.
- Oh, Chlo... – Lois abraçou a prima com carinho. – Eu também gosto muito de você, só tinha medo da influencia que Lex tinha sobre você.
- É, eu sei que fui idiota em querer me casar com Lex. Eu estava tão... revoltada.. sei lá... – Chloe deu de ombros. – Depois de tudo que ele me falou de Clark, dele poder ser um freak...
- Chloe, Clark não é o que você pensa...
- Talvez não. – ela deu de ombros. – Mas ele salvou sua vida, então eu posso deixar pra lá. Pensar que você tinha morrido me abriu os olhos. Eu não quero mais perder pessoas que amo.
- Também te amo, prima.
As duas se abraçaram. Oliver sorriu, feliz em ver que Chloe tinha retomado a razão. Chloe saiu do abraço e viu Oliver. Ficou sem jeito e Lois percebeu os olhares que os dois trocaram. Era óbvio que a história deles não tinha acabado ainda. Lois pigarreou.
- Hum, quer um pouco de mousse de chocolate, Chloe?
- Ah, eu não sei... – Chloe disse, hesitante.
- Está uma delícia. – Oliver disse, sorrindo.
Chloe acabou concordando e Lois foi para a cozinha, deixando os dois sozinhos por um tempo. Chloe sentou no outro sofá, de frente para Oliver. Olhou em redor do apartamento.
- É bem espartano... E quase tudo é preto, até as almofadas.
- É bem a cara de Clark, mas talvez com Lois aqui algo mude.
- Não sei se Clark é uma influência para Lois. Aliás, para ninguém.
- Clark não é ruim como pensa. Ele só é genioso.
- Ele é filho de Lionel Luthor e isso já diz muito sobre ele.
- Clark pode ter sido criado por Lionel, mas ele não é como Lex. Nunca foi. E ele está mudando. Quando que você imaginaria que Clark deixaria de agir de forma egoísta e salvaria e se preocuparia com alguém além de si mesmo? Hum?
Chloe ficou pensativa. Lois entrou na sala e serviu a prima. A loira ficou ainda mais surpresa ao saber que Clark cozinhava para Lois e Oliver lhe deu um olhar divertido. Chloe sorriu.
-X-
Planeta Diário
Bruce viu Clark saindo da sala do editor-chefe e ficou surpreso.
- Clark, o que faz aqui? Não me diga que vai ser um repórter do Planeta Diário?
- Claro que não. Quem gosta daqui é a Lane, não eu. Só vim levar um papo com Perry White. Uma coisa sobre Lex que ele deveria saber. Aliás, pelo que eu vejo... – Clark olhou para uma das televisões na redação. - ... Metropolis também já sabe. E principalmente Lionel.
- Lex Luthor estava explorando as terras de Smallville? – Bruce leu o gc da chamada. – Porque? Ele nunca se interessou por terras antes.
- Pra você ver. – Clark deu um sorriso astuto. – Lexie gosta de variar nos gostos dele. Você sabe, achar que é mais inteligente do que todos, fingir que é homem...
- Clark, você e Lex vivem numa eterna disputa pra ver quem vence, não é?
- Não, porque o único capaz de vencer algo aqui sou eu. – Clark estufou o peito e Bruce apenas observou. – Aquele careca mexeu com a pessoa errada.
- E Lois, como está?
- Bem. Muito bem. Não precisa de mais nada. – Clark disse, enfático.
- Pensei em visitá-la. Lois e eu...você não ficou sabendo porque nos conhecemos em épocas diferentes, mas ela e eu já namoramos e ela é especial pra mim. – disse Bruce, com carinho.
Clark fez uma careta.
- Te ocupa da tua Torre e dos teus amigos de uniforme colante que eu cuido de Lois. – disse, sério. – Agora preciso ir.
- Clark, você está com ciúmes de Lois? – Bruce quis saber, achando engraçado.
- Claro que não, porra! Eu só lá homem de ter ciúme de mulher? Te pareço um escravo de calçinha?! – Clark protestou, irritado. – Agora mesmo eu to indo me divertir, cansei de bancar a babá da Lane! E se você quiser ir vê-la, fique à vontade! Só não babem no meu carpete! Fui!
Clark saiu dali irritado e Bruce riu consigo mesmo.
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Clark entrou na boate ainda irritado pela pergunta de Bruce. Até parece que ele ia sentir ciúme de alguém, ainda mais de Lois Lane! Ela não passava de uma mandona, petulante, metida e encrenqueira! Clark bebeu um pouco de cerveja.
- Devia ter deixado ela explodir. – resmungou, aborrecido consigo mesmo.
- Falando sozinho, gato? – perguntou uma loira, passando a mão no ombro dele, com sorriso e olhar insinuante.
Clark olhou para o grande decote que revelava os seios fartos da mulher.
- Hum, e você, gata, só ronronando por aqui? – ele deu um sorriso charmoso.
- Estou sozinha e entediada...
- Me encontro na mesma situação. Que bom que a gente se cruzou. Aceita uma bebida?
- Claro!
Clark e a mulher beberam e trocaram algumas palavras até Clark levava ao segundo andar, onde poderiam ficar mais à vontade, além de ter um amplo sofá só para clientes Vips. Clark beijou a mulher e passou a mão pelo decote dela.
- Gostei da tua roupa...
- Vai gostar mais do que tem debaixo dela.
Clark riu e a beijou de novo. Quase caiu para trás quando abriu os olhos e viu Lois. Esfregou os olhos com força e viu que era só uma alucinação. A mulher estranhou.
- Tudo bem, Clark?
- Tudo beleza. Porque você... – ele ia falar algo quando viu Lucy. – Lucy? Ai, cacete!
- O que? – a mulher falou, sem entender.
Clark largou a loira e foi atrás de Lucy. Ela ficou surpresa ao ser puxada pelo braço por Clark.
- Você aqui de novo? Não me diga que Lois está também! – Lucy olhou em volta.
- Não, sua louca, sua irmã quase morreu, sabia?!
- O que? Só se for de tédio com aquela vidinha que ela leva! – Lucy debochou.
- Escuta aqui, ô drogada, sua irmã foi vitima de um atentado. Explodiram o carro dela. Tu só vive chapada?! Não lê jornal não?!
- Não! – Lucy se soltou e ficou preocupada. – Ela quase morreu mesmo? Ou você tá falando isso pra me dobrar?
- Ah, até parece que eu ligo pra você, né? Por mim, você pode se chafurdar na lama até afundar! Mas tua irmã se preocupa contigo, mesmo você não merecendo!
- Não vem com sermão não, Clark! Já me basta Lois!
- Não gasta a minha paciência! Eu falei pra tua irmã que se você quiser, pode se internar no Belle Reeve! Eu pago as despesas, desde que você fique limpa!
- Não sou nenhuma louca!
- Não, só é uma idiota! – Clark retrucou e depois muniu-se da pouca paciência que tinha. – Aí, pelo menos tu não vai conversar com a sua irmã pra ver se ela está bem?
- Se ela estivesse mal, você me contaria, já que pelo visto se importa com ela. – observou Lucy. – Mas Lois é muito certinha, você não faz o estilo dela. Todavia, você é um herdeiro bilionário como Oliver Queen e Bruce Wayne, então talvez tenha chance.
- Tá dizendo que a sua irmã é interesseira?
- Bem, boba ela não é. – Lucy deu um sorriso maldoso. – Mas duvido que ela faça na cama metade do que eu faço. Por isso, tanto Oliver, quanto Bruce a largaram. Lois é muito chata. Agora to indo. Melhoras pra minha irmã.
Lucy acenou e foi embora. Clark ficou pensativo e depois saiu dali. Chegou ao apartamento e viu que Lois estava dormindo sob o notebook. Parecia estar trabalhando em algo. Olhou na tela e viu que era sobre o Arqueiro Verde.
- Mas esse Oliver posa pra fotos igual um baitola. – ele zombou.
Lois acordou e olhou para Clark.
- Clark? Onde você estava?
- Por aí. – ele se serviu de cerveja. – Vi a tua irmãzinha cracuda.
- Lucy? Onde? Onde ela está? – quis saber Lois. – Não me diga que ela ainda está se drogando!
- Drogando não sei, mas piranhando, é certeza. – ele bebeu um pouco. – Falei que você tinha sofrido um acidente.
- E ela nem ligou, não é? – Lois ficou triste.
- Ela ligou mas foi rápido. Achou que você está bem. E ainda me falou que é melhor de cama que você.
Lois fez uma careta.
- Que espécie de conversa você teve com a minha irmã?! Vocês transaram não é isso?! – Lois se ergueu, irritada. – Você é um canalha mesmo! Minha irmã é doente! Ela precisa se tratar e não de um cavalo como você por cima dela!
- Ih, vai com calma aí, eu nem fiquei por cima de ninguém, não que eu não quisesse! – ele exclamou e Lois rosnou. – Você está rosnando pra mim?
Lois começou a dar tapas em Clark. Não fazia efeito por que ele era de aço, mas ele se afastou dela.
- Vai derrubar minha cerva, porra!
- Clark, você é um idiota! Eu não admito que...
- O que?! Pode parar! Você não manda em mim! Eu faço o que quero, que porra é essa?!
- Faz o que quer, mas não com a minha irmã!
- Já disse que não transei com ela, que saco! – ele terminou de beber a cerveja. – Ela que tocou no assunto da putaria, ok? Como eu não tenho como comparar, vou acreditar no que ela disse!
- Você é um sujo!
- Porque? Por gostar de sexo?
- Por achar que mulheres são brinquedinhos sexuais pra você testar essa sua incrível masculinidade, que na real você não tem! Você é um moleque com poderes, só isso! Sem os poderes, o que você é, Clark?! Só um garoto mimado e rico!
- Ué, segundo a sua irmã, ser rico ou bilionário é um bom atributo pra você num homem! Afinal, se Oliver e Bruce já foram aprovados...
Lois deu um tapa no rosto de Clark, queria socá-lo mas não podia, já que ele não sentia dor física.
- Eu cansei de você, Clark, cansei! Você me ajudou sim, eu agradeço, mas agora chega! Você não tem o direito de falar assim comigo! Você não respeita ninguém, é mal educado e arrogante demais pra isso! Não nega mesmo que é um Luthor!
Ela foi até o quarto correndo, jogou o notebook na mochila, algumas roupas, fechou-a com raiva e colocou nas costas. Seu corpo ainda doía, mas não aguentava ficar ali com Clark. Tinha vontade de matá-lo! Clark entrou no quarto.
- Ah, agora você vai embora?! Pois vá mesmo! Eu não sou seu pajem! E não gosto de dividir minhas coisas com ninguém!
- Ótimo! Engula as suas coisas! Tomara que você morra engasgado!
Lois saiu pisando duro do quarto. Clark foi atrás dela.
- A sua sorte, Lois, é você ser mulher! Porque se não você iria ver só! Ninguém fala comigo desse jeito!
- Não precisa se preocupar, Clark, porque eu não pretendo falar nunca mais com você! Nunca mais!
- Pra mim está perfeito! Minha vida era muito melhor sem você nela!
- A minha também! – ela gritou. – Adeus!
Lois saiu do apartamento e Clark deu um soco na parede, abrindo um buraco. Estava furioso.
Lois saiu marchando como um soldado. Estava morrendo de raiva de Clark. Uma forte chuva começou a cair e ela teve vontade de gritar. Ela estava encharcada, com frio e com fortes dores no corpo. Se encolheu ao ver Clark pousando perto dela e virou o rosto.
- Lois, é melhor você sair daí, vai pegar um resfriado.
- Até parece que você liga, aposto que queria que eu estivesse morta.
- Se eu te quisesse morta, teria te deixado explodir naquele dia. Vai, Lois, vamos pro meu apartamento, você está até tremendo de frio! – ele falou, preocupado.
- Não volto! Você é um grosso e eu te odeio! – ela espirrou.
- Aí, já está resfriada! Deixa de ser teimosa! – ele exclamou e depois respirou fundo. – Eu peço desculpas pelo que disse. Nesses dias eu ando de cabeça cheia... Eu fui rude e não deveria ter sido.
Lois ficou calada por uns instantes e depois olhou para ele.
- Reparou que você vive me pedindo desculpas?
- Pelo menos eu peço né? É mais do que eu faço por qualquer pessoa. E você também não é nenhuma flor de candura. Você me agride o tempo todo! Parece uma gata selvagem! Taí, um bom apelido pra você: gata selvagem!
- Se me chamar assim de novo, eu não vou precisar nem de kryptonita pra arrancar sua língua com minhas próprias mãos. – ela ameaçou.
- E me chamar de Smallville pode, né? – ele lembrou.
- Eu gosto de Smallville, Smallville. – ela justificou com seu jeito próprio de ser.
- Então é assim, você vai ter sempre razão e eu sempre vou estar errado?
- Agora você pegou o espírito da coisa! – ela exclamou, satisfeita.
Clark fez uma careta, mas assentiu. Pegou a mochila dela.
- Vamos embora. – ele disse e ela empacou. – Por favor, Lane!
Lois suspirou e assentiu, concordando. Clark achava que Lois era mais difícil de lidar do que todos os seus inimigos juntos.
- Vamos. Estou mesmo com frio.
- Fica parada. – ele pediu e dosou a visão de calor, esquentando o corpo dela. – Pronto.
- Uau! Isso foi demais! O que mais você fazer, Clark?
- Muita coisa. – ele deu um sorriso safado. – Quem já viu, nunca reclamou.
- Ai, como você é bobo! – ela rolou os olhos.
Clark sorriu, a pegou no colo e voou de volta para o apartamento.
