* 11 *

Sentindo os braços de seu raptor afrouxarem, a criança solta-se, porem na ânsia de fugir, escorrega e cai.

Olha para trás, o homem avançava lentamente, com um olhar esquisito.

Não resultou, não desmaiou como os outros. Se calhar tinha de se concentrar mais.

Fixa-o intensamente, franzindo cenho no esforço.

– Isso nunca vai resultar comigo – Diz Sasuke, adivinhando-lhe o plano.

Sem querer perder a luta, levanta-se num ápice, e põem-se em frente dele.

Será que mais perto funcionasse?

– Eu disse-te – Começa Sasuke agachando-se quase à altura da criança, provando-lhe que a distância não era o problema – Não vai resultar.

O miúdo dá um passo atrás.

Já o fizera algumas vezes e sabia que a única forma de não desmaiarem eram não olhar-lhe nos olhos, mas ele… então porque ele não? Via-o directamente, não fugia nem nada.

– Porque?! – Pergunta, por fim, admitindo a derrotada.

– Porque somos do mesmo clan – Responde Sasuke, activando o Sharingan.

– Clan…? – Questiona, admirando o par de pupilas vermelhas.

– Da mesma família – Esclarece Sasuke. Para surpresa, o miúdo toca-lhe o rosto delicadamente, próximo dos olhos. Sentia-o tremer.

Será que não acreditava no que via?

– Família… – Lembrava-se da palavra, ela a dissera, somos uma família, eu e tu, lembra-te sempre – Uma família, como a mama e eu?

Sasuke não responde de imediato, não era bem isso, porém era necessário mostrar que era de confiança.

– Sim – Levanta-se – Vem – Estendendo a mão.

Olha para a mão, sem agir.

Ainda não conseguira a confiança dele.

– Olha ali – Apontou Sasuke com um aceno da cabeça.

Conseguia ver várias chamas azuis brilhantes, chakra, explicara-lhe Kabuto. E sabia que cada um deles era uma pessoa. E particularmente sabia, que cada um desses andava à sua procurava.

– Vem comigo – diz Sasuke, estendendo novamente a mão – Eu protejo-te.

Protejo-te…Eu protejo-te para sempre, meu bebé

Inspira fundo, agarra a mão dele e antes de ter de repensar a decisão já saltava de ramo em ramo pela floresta, junto com o seu familiar.

* Equipa Kakashi * Original * De Volta *

Só pararam quando teve a certeza que os tinham despistado por completo. As feridas que causara não eram graves, mas eram o suficiente para não aguentarem o ritmo em uma perseguição. E ainda bem, porque o miúdo também não aguentava. Mal tocou terra deitou-se, de tão cansado estava.

È normal, pensou, com cinco ou seis anos, acompanhar o ritmo de um adulto por tanto tempo como ele fez, já fui o bastante, principalmente com aquele corpinho magricela e sujo.

Olhou em redor, não era o melhor lugar para ficar à noite, mas mesmo assim decidiu quedar-se. Anoitecia, o miúdo ainda arfava e ele próprio estava fatigado. Usara demasiado chakra e ainda estava ferido, se bem que o sangue tivesse parado de brotar dos cortes.

– Atchiiim!

Decididamente tinha de acender uma fogueira. Uma brisa fresca fazia-se sentir e não queria um miúdo doente a estorvar ainda mais.

– Fica aqui. Já volto.

Não lhe pareceu que ele fizesse tenção alguma de se mover de qualquer forma. E de facto, quando regressou com paus e pedras, ele continuava tal como o tinha deixado, bem menos cansado, claro.

O lume ardia, iluminando a noite e afastando predadores. Notou que o miúdo sentou-se e observava-o desconfiadamente.

– Vem. A essa distância não aqueces.

Aproxima-se cauteloso, senta-se em frente de Sasuke, com o fogo entre eles. Estende as mãos, mexe os dedos entorpecidos com o frio.

– Toma – Sasuke passou-lhe uma ração de comida, ao ver que ele não se movia, acrescenta – Se quisesse te matar, fazia-o com a minha espada, não com veneno. Come.

Por fim, agarra-a. Olha-a, cheira-a, tira um bocadinho, tenta esconder um pequeno sorriso ao sentir o sabor na boca, a fome era tanta, de seguida avança com grandes dentadas.

Sasuke comia também. Vou ter recargar mantimentos, pensou para si, ao ver a criança à sua frente. Esta repara que é observada, acalma o ritmo, limpa a boca e diz:

– Obrigado.

– Hump, de nada. Qual é o teu nome?

Traga a último pedaço de comida antes de responder.

– Doa.

– Doa – Repete, não lhe era um nome conhecido – Onde vives?

Não sei.

Sasuke fica desconcertado

– Não sabes?

– Não – confirma – Eles levam-me para muitos sítios diferentes, montanhas, ao pé do mar, florestas…

Tentam desviar a localização dele, este miúdo realmente é importante…

– Mas, eu tenho uma casa – Continua a criança, tirando Sasuke dos pensamentos. Olha para a direita, logo para esquerda. Aproxima-se mais e quase num murmúrio diz – Konoha.

Konoha. Demasiadas casualidades.

– Foste raptado?

– Não… creio que não. A mama é que me disse, para recordar sempre, sempre, onde é minha casa. Ela disse para guardar segredo, para fingir que eu não sei. Mas tu…dissestes que és da minha família, ajudaste-me e me destes comida, por isso contei-te.

– Entendo, mas de quem tinhas de esconder o segredo?

A cara dele reflete raiva, odio.

– Orochimaru, Kabuto e todos os guardas. Eles são maus, muito. E também dos outros, eles também são maus, ainda piores.

– Outros?

– Os que tu venceste antes.

– Explica melhor, quem são?

– Só sei o nome do chefe, Danzou.

Danzou, esse canalha está em tudo lado a fazer porcaria, como costume.

– E os teus pais?

– Pais?

– A tua mama e o teu papa? – Esclarece

O ânimo do miúdo murchou.

– A mama…os guardas levaram-na, não sei onde esta…

– E o teu papa?

– Papa? – A cara mostrava confusão – Só há a mama.

– E a tua mama também possui o Sharigan?

Meditou um pouco antes de responder.

– Não me lembro.

– Nome?

– Mama – Responde sem hesitar.

Sasuke suspirou.

Um beco sem saída.

– A questão é a seguinte: Queres viver?

Muito serio, responde

– Sim.

–Então mantem-te ao meu lado, quieto e silencioso. Eu te protegerei e cuidarei de ti, se assim o fizeres. No momento que me atrapalhares demasiado, livro-me de ti.

Acenou a cabeça positivamente.

– Estamos esclarecidos – Passa-lhe uma capa – Agora dorme, amanhã partimos cedo.

A criança aninhou-se no tecido e deitou-se virado contra o fogo.

Sasuke também deitasse.

Mais do que nunca, estava decidido. Não deixaria nem Orichimaru, nem Danzou, pôr as mãos novamente no miúdo, mais bem, no Sharigan. Além disso, o miúdo é o isco perfeito, Danzou o procurara sem dúvida.

E isso o trará direito para as minhas mãos, pensa para si.

No outro lado, uma pequena lagrima escorria pela pequena face.

Mentiroso. Tu não és da família, como a mama, ela nunca se livraria de mim, pensa para si, limpando a lagrima irritado e triste por se sentir traído.

* Equipa Kakashi * Original * De Volta *

* Continua*