Notas iniciais do capítulo

Vou fazer um resumo da história já que faz um tempão que não posto.

Após o desaparecimento de Castle, Beckett, Esposito e Ryan o encontram e descobrem que foi tudo armado por Bracken. O ex-senador parece decidido a se vingar de Kate por ter sido preso.

Nas conversas que eles têm, Bracken fala coisas que colocam em dúvida os motivos para o assassinato de Johanna Beckett e demonstra raiva de Jim.

Kate, que está no quinto mês de gravidez para ganhar um menino, pergunta ao seu pai se eles tiveram algum tipo de contato antes de Bracken mandar matar Johanna.

No final do último capítulo, Jim entregou a Kate uma carta de amor que Bracken escreveu a Johanna.

Temos também a relação de Kate e Alexis que está melhorando depois de elas se desentenderem após o sumiço de Castle e Martha cada vez mais próxima de Kate.

Acho que essas são os principais acontecimentos até aqui. rsrs

Minha forma de me desculpar pela longa demora. :P

Aproveitem o capítulo. ;)


Set The Fire To The Third Bar

Snow Patrol

"I'm miles from where you are

I lay down on the cold ground and I,

I pray that something picks me up

And sets me down in your warm arms"


Décimo Primeiro Capítulo – Em ruínas

Beckett releu aquela carta diversas vezes sem pronunciar uma palavra, porém, a expressão de choque no seu rosto era angustiante.

A capitã ofereceu seu escritório para que Kate, Castle e Jim tivessem privacidade.

Jim ocupou a cadeira defronte à sua filha, enquanto Castle sentou ao seu lado.

"Katie, você está se sentindo bem?"

A voz de Jim como que a arrancou de uma espécie de transe. Beckett olhou para o pai e pestanejou várias vezes como se não conseguisse focar a vista, então olhou para a carta novamente, constatando que infelizmente aquilo tudo era real.

"Eu… Eu não sei!", sua voz soou distante e Castle e Jim trocaram olhares preocupados.

"Babe, não prefere respirar um pouco, aceita água, algo para comer?"

Castle procurou o olhar dela para tentar descobrir o que poderia fazer para ajudá-la, mas viu tanto desalento que ficou sem reação. Sua vontade era abraçá-la e dizer-lhe que tudo ficaria bem, mas nesse momento sabia que não seria o bastante

"Não quero prolongar este momento", desvencilhou as mãos das de Castle. "Me diga de uma vez o que significa essa carta pai… Por favor!"

Jim ajeitou-se na cadeira e respirou profundamente antes de começar. Ele sabia que não havia uma forma certa de falar sobre tudo aquilo com a filha.

"Como você sabe, sua mãe e eu demoramos para nos acertar definitivamente. Tivemos diversas idas e vindas. Brigávamos por qualquer coisa e então passávamos semanas e até meses sem nos falarmos. Sempre era para sempre, todos os nossos começos e fins." Ele sorriu com a lembrança. "Éramos dois cabeças duras e imaturos, Katie e, algumas vezes, ainda que por pirraça tentamos conhecer outras pessoas.

"Essas aventuras nunca deram certo, sempre nos reencontrávamos de alguma forma.", Jim fechou os olhos por um momento e sacudiu a cabeça para um lado e para o outro. Quando voltou a olhar para Kate, haviam lágrimas em seus olhos. "Se soubesse que ela seria tirada de mim tão cedo, que teríamos tão pouco tempo, jamais teria demorado tanto."

Compadecida, Beckett limpou a bochecha de seu pai, que pegou delicadamente a mão da filha e deu um beijo.

"Faltavam dois meses para o casamento e tivemos uma daquelas brigas que colocam tudo à prova, que nos faz pensar no sentido de seguir adiante. Era algo importante na época, mas honestamente, por mais que eu tente não consigo lembrar o motivo. Às vezes nos apegamos a coisas tão estúpidas..."

"Sua mãe iria participar de um evento por duas semanas em Charleston, na Carolina do Sul. Combinamos que aqueles dias seriam definitivos para nós. Não importava qual fosse a nossa decisão, não teria volta.

"Foram dias terríveis e eu não via a hora de tudo aquilo terminar, mas quando ela retornou, estava estranha, me pediu mais um tempo antes de conversarmos e fiquei desesperado. Demorou vinte dias para que voltássemos a conversar.

"Foi um encontro tenso. Normalmente quando estamos sofrendo olhamos apenas para nossa própria dor, mas a sua mãe estava péssima, de modo que era difícil dizer qual de nós dois estava mais despedaçado. Ela me contou que conheceu uma pessoa na viagem. Alguém muito parecido com ela, o tal homem parecia ser capaz de fazê-la sentir segurança, um tipo de estabilidade emocional que nunca tivemos. Ela realmente se apaixonou por ele." Jim fechou os olhos por um momento, absorvido em suas memórias.

"Me senti o cara mais estúpido do mundo, afinal, contava as horas para tê-la de volta e ela estava apaixonada por outro.", Jim sorriu com tristeza. "Reuni toda a dignidade que me restava, desejei boa sorte e me despedi, aí sua mãe começou a chorar, me pediu para esperar e esperei ela se recompor. Tudo o que eu queria era que aquilo acabasse de uma vez por todas. Não sabia quanto tempo suportaria, a minha vontade era implorar uma nova chance. Implorar para que ela não me deixasse.

"No fundo eu já sabia que a minha vida não seria a mesma sem ela, por Deus, eu a amava tanto…"

Kate não conteve as lágrimas ao ver as de seu pai se entregou a elas também. Nunca sequer imaginou que seus pais haviam passado por tantas incertezas.

Seu pai e ela se aproximaram depois que ele largou o vício da bebida, porém não se podia dizer que eram íntimos. Cada um guardava suas dores para si, e aquela era provavelmente a primeira vez que Kate ouvia seu pai falar de sua mãe como um homem apaixonado que em algum momento se viu prestes a perder seu grande amor para outro.

"Johanna contou que demorou a me procurar por não saber o que fazer com toda aquela confusão sentimental, decidiu se isolar após retornar da viagem e esse período a fez ver que não podia viver sem mim. Que por mais que por algum momento tivesse se apaixonado por outro homem, era a mim que ela amava e com quem queria constituir uma família. Que acreditava que podíamos construir algo sólido juntos, mas que para isso precisava ser honesta sobre todas as coisas que aconteceram e que por isso estava me contando toda a história.

"Ah Katie, meu coração que estava prestes a parar de tanta agonia, voltou a bater e estava eufórico. Era como se o sangue voltasse a circular nas minhas veias e não me importava o outro cara, tão pouco se ela tinha ficado em dúvida. Johanna estava sendo sincera e queria construir sua vida ao meu lado e era o tudo o que eu queria e precisava ouvir.

"Logo nos casamos e estávamos muito bem. Nunca me senti tão feliz! Foi na nossa lua-de-mel que sua mãe teve os primeiros enjoos e quando descobrimos que ela estava grávida!", Jim olhava para a filha com os olhos brilhando, enternecido. "Fiquei radiante, mas Johanna ficou tensa."

Castle era apenas um espectador daquela história toda. Não conseguia conceber o quão duro era para Kate descobrir tudo aquilo. Ela tinha uma adoração por sua mãe e pela mulher que fora. A detetive já não chorava mais, sua expressão endurecera a fim de esconder as suas emoções como se estivesse em um interrogatório e Jim, por sua vez, parecia absorto e perdido em suas próprias palavras para notar a mudança corporal da filha. Certamente não pensava em toda a história há anos.

"Ela queria contar toda a verdade para o homem que se envolvera, avisou que aceitaria o divórcio sem causar problemas e também realizaria os exames necessários para que não restassem dúvidas sobre a sua paternidade.

"Levei algum tempo para avaliar como me sentia com a ideia de que talvez a minha esposa estivesse grávida de outro homem, mas no final das contas, não posso dizer que foi como uma surpresa. Eu sabia da relação, foi só algo com que não gostaria de lidar.

"Mais uma vez fiquei inseguro, até que quando perguntei o que a situação mudava para ela em relação a nós e ela me respondeu que era devastadora a ideia de me perder e que sabia ser a única culpada, mas que jamais abriria mão de um filho."

Jim olhou docemente para sua filha e tocou seu rosto carinhosamente.

"Amamos você desde o início Katie."

Castle sentiu Kate amolecer ao seu lado e respirar fundo.

"E foi por isso que disse a ela que não queria o divórcio. A gravidez nos levava onde queríamos, a construção de uma família. Prometemos que não teríamos mais dúvidas quanto a nós dois e eu não tinha. Disse a ela que amaria a criança como um pai deve amar seu filho, sem qualquer restrição.", ele soltou a mão da filha, que acariciava até o momento e em um tom mais sério, acrescentou: "Só impus uma condição, que assumíssemos que eu era o pai e nunca mais falássemos disso."

Kate recuou o corpo, como se buscasse distância.

"O quê?! Por que fez isso?"

"Eu sabia que podia amar aquele filho mesmo sem garantias de ser o pai biológico, mas não podia saber como seria ter a certeza de que era o resultado do relacionamento de Joahnna com outro homem."

Jim respirou fundo e finalmente prestou atenção em Kate. Sua aparência estava abatida, como se não dormisse há dias e ela estava bastante pálida. Jim tinha receio, afinal ela estava praticamente com cinco meses de gravidez.

"E conforme prometemos, nunca mais tocamos neste assunto.", concluiu.

Beckett colocou as mãos nas têmporas levantando-se. Eram coisas demais. E eles não podiam ter feito isso com ela. Jim Beckett tentou se aproximar, mas ela recuou.

"Não se aproxime agora! Vocês não tinham esse direito! É a minha vida!"


Sentia-se apática, como se estivesse fora de seu corpo e pudesse ver o mundo em um "tempo" diferente.

Estava nos balanços onde Castle e ela passaram por tantas coisas. Ainda que não fosse a mesma coisa sem ele, foi bom ter um lugar onde se sentisse segura.

Além disso, o agradável calor da primavera de maio trazia a Kate uma acolhedora sensação de que tudo ficaria bem, como se aquele dia fosse algum tipo de alucinação.

Como se os raios de sol invadissem sua alma e coração preenchendo-os com boas lembranças sobre sua mãe.

Elas costumavam andar de bicicleta no Central Park em tardes assim. Faziam piqueniques, iam às compras ou passavam alguma tarde que estivessem livres – Johanna do trabalho e Kate dos estudos – no café que mais gostavam.

Jim as acompanhava ocasionalmente, mas esse era o momento delas.

Compartilhavam seus segredos, ansiedades, medos e alegrias.

Bastava fechar os olhos e podia sentir sua mãe acariciando seu rosto para limpar uma lágrima ou seu sorriso de contentamento quando falavam de algo feliz.

Sem sombra de dúvidas, Johanna era a pessoa que Kate mais admirara em sua vida.

Dedicada, honesta, agia de acordo com o que era correto por mais difícil que fosse, ainda que isso a colocasse em risco, como acabou acontecendo. Não se contentava com nada menos do que a justiça. E além de tudo isso, a melhor mãe que Kate acreditava já ter existido.

Era na lembrança dela que Kate se apegava sempre que tinha medo de não ser uma boa mãe. Bastava se esforçar para ser metade do que Johanna fora que seu filho teria uma mãe incrível.

Instintivamente tocou sua barriga para sentir seu filho, e ficou feliz por saber que ele estava protegido ali. Ela já o amava tanto e seria capaz de qualquer coisa por ele.

Seria capaz também de uma mentira assim?

O crepúsculo levara o sol e com ele a sensação de conforto que àquelas lembranças traziam.

O cair da noite também trazia todas as descobertas daquele dia com mais força a sua mente e pareceu tirá-la do estado de inércia em que estava imersa até então.

Como se tudo desmoronasse.

A imagem imaculada de sua mãe tornou-se borrada. No final das contas, Johanna não fora quem ela acreditava.

Como uma mulher com tantos valores morais podia ter se envolvido com um homem como William Bracken?

Mais do que isso, como alguém que sempre lutou por justiça aceitou esconder da própria filha a verdade sobre quem ela era?

Como sua mãe pôde enganá-la tanto?

O que tudo isso representaria em sua vida a partir de agora?

Raiva começou a tomar conta do seu estado de espírito. Queria quebrar coisas, atirar em pessoas, extravasar de alguma forma que fizesse aquela dor dilacerante desaparecer.

Queria poder ver sua mãe agora e cobrá-la por tudo o que sentia nesse momento, mas era inútil, ela não podia fazer isso.

Descobrir que podia não ser filha de Jim Beckett e que seus pais esconderam isso não apenas a deixava perdida sobre quem seus pais eram, mas também sobre quem ela era.

Afinal, se espelhou a vida inteira em uma mentira.

Como poderia viver com isso?

E pior de tudo, William Bracken podia ser seu pai. Um corrupto, bandido e assassino de sua mãe, dentre tantas outras pessoas.

As peças passavam a se encaixar, nas últimas conversas que tivera com ele, o ex-senador falou algumas coisas que pareciam sem sentido, demonstrou uma raiva de Jim que até então Kate não conhecia e não entendia.

Havia apenas duas pessoas que poderiam acalmá-la agora.

Uma era sua mãe, a única que poderia lhe dar a verdade. Além do mais, tudo o que Kate queria é que Johanna pudesse colocá-la em seus braços e dissesse que tudo ficaria bem.

E a outra pessoa que poderia confortá-la era Castle, que a essa hora devia estar desesperado à sua espera em casa.

Como Johanna estava fora de cogitação, Kate queria que Castle pudesse arrancar todas as suas dores como já fizera tantas vezes e que pudesse ajudá-la a sair da escuridão em que encontrava.

Mas ela conseguiria se recuperar disso?

Afinal, era a Kate Beckett de sempre ou a filha de Bracken?

Castle ainda a amaria se ela simplesmente não conseguisse voltar a ser quem ela era até essa maldita história vir à tona?

Estava a tarde toda naquele balanço que era parte da história deles para senti-lo por perto mesmo após pedir que a deixasse sozinha, agora tudo o que precisava era ganhar forças para encontrar o caminho de volta para casa.


"Estava indo atrás de você! Em nome de Deus Kate, onde você estava?"

Castle e Beckett se encontraram na porta, ela chegando e ele pronto para sair.

A voz de Castle continha um tom entre censura e desespero, mas ao vê-la tão frágil, puxou-a para um abraço e passou às mãos por suas costas.

"Você está congelada!"

Beckett sentiu seu corpo amolecer nos braços do homem que tanto amava e deixou-se guiar para dentro de casa. O calor de Rick não apenas estava aquecendo o seu corpo, mas todo aquele cuidado e amor, aqueciam a sua alma.

Ficaram algum tempo abraçados na sala e Kate finalmente conseguiu chorar. Castle a segurava com força, passando conforto e segurança.

"Vai ficar tudo bem, meu amor. Eu estou aqui."

"Estou com tanto medo, Rick."

"Vamos encontrar um caminho, vamos ficar bem novamente, Kate. Eu prometo que isso tudo vai passar."

"Você não pode prometer isso! E se não passar? E se for tudo real? E se eu for uma mentira Rick?"

"Hei, shiiu, você não pode ser uma mentira. É bastante real e está aqui em meus braços agora, em meu coração e em minha alma. Mentiras não fazem isso."

"E se eu não conseguir superar tudo isso? E se..."

Ele se afastou para segurar o rosto de Kate com as duas mãos e fazê-la olhar para ele.

"Me escuta, chega de "e ses"... Vamos até o fim dessa história se decidir assim e vamos superar isso juntos. Não vou sair do seu lado, amor."

Kate desviou o olhar.

"Hei, olha para mim.", após alguns segundos Kate o encarou de volta. "Eu te amo e nada vai mudar isso."

Castle depositou um beijo na testa de Kate e ela o puxou para um longo beijo apaixonado após isso.

Ao se afastarem, ficaram com as testas grudadas se encarando por algum tempo, até que Castle de forma gentil questionou:

"Não está com fome?",

"Não!"

"Precisa comer algo. Nosso filho deve estar.", acrescentou sorrindo e tocou a barriga dela.

"Acho que se eu comer agora vou passar mal, Rick."

"Pelo menos um chá. Você não comeu a tarde inteira, Kate."

Ela assentiu.

Kate demorou a pegar no sono aquela noite, e só após sentir que sua musa estava realmente dormindo, Castle foi à cozinha pegar água e encontrou Martha. Sentaram-se à bancada para conversar.

"Como ela está?"

"Devastada."

"Sinto muito, querido."

"Não sei como ajudá-la dessa vez, mãe. Parece tudo tão absurdo. Simplesmente não sei como dar a ela a força que precisa..."

Martha colocou as mãos sobre as de Castle.

"Richard querido, não é sempre que você vai ter as respostas ou o conforto certo para Katherine ou para quem quer que seja. Não se cobre por isso."

"Mas ela precisa de mim."

"E você precisa dela, vocês estão juntos nisso, filho, e é isso o que vai dar forças aos dois para seguir em frente. Não tente tomar a dor dela como sua ou não conseguirá ajudá-la de verdade."

Castle respirou profundamente e acariciou as mãos da mãe.

"Obrigado por tudo mãe, por pior que tenha sido difícil crescer sabendo que meu pai foi um caso de uma noite, foi melhor saber a verdade desde sempre."

"Oh querido, foi difícil decidir o que era o certo a fazer e eu podia ter falhado miseravelmente, mas veja, deu certo."

"Como ela vai conseguir superar descobrir que sua mãe não era exatamente quem ela pensava?"

"Richard, a Katherine é mãe agora, com mais ou menos tempo, ela vai descobrir que erramos quando tudo o que queremos é acertar com nossos filhos, que fazemos isso por amor."

"Detesto dizer isso, mas como a maioria das vezes, você está certa.", disse sorrindo. "Obrigado por tudo mais uma vez."

Castle abraçou sua mãe e beijou o topo de sua cabeça antes de voltar ao quarto e se aconchegar com Kate na cama.

Eles teriam um período difícil e ele devia estar ali para ela.


Notas finais do capítulo

O próximo capítulo está pronto e vou enviar para revisão esses dias! ;-)
Me desculpem novamente!