CAPÍTULO NOVE

O semblante de Edward estava desfigurado de rai va, a reação havia sido pior do que Bella havia pre visto.

— Achei que não teria problema falar o que qui sesse com um advogado contratado para representar meus interesses.

— De onde inventou isso? — desafiou-a Edward. — A frase " o que quiser" é muito vaga e nunca leva ria isso a público!

— Mas você não teve qualquer problema quando estipulou que se nos divorciarmos ganhará a guarda das crianças — lembrou-o Bella. — Por acaso isso não é pessoal?

Edward ficou quieto, enquanto andava pela grande sala, depois se deteve e lançou um olhar para Maddie.

— Essa não é a questão.

— Essa é exatamente a questão — declarou ela. — Essa é a parte mais relevante do contrato pré-nupcial. Mesmo assim, você nem cogitou a hipótese de falar so bre isso comigo antes, pessoalmente. Claro que não.

— Que quer dizer com isso?

— Como pôde deixar seus advogados discutirem sobre a forma como posso perder meus filhos, quan do é muito mais provável que você seja o culpado de causar nosso divórcio?

A ofensa ao seu caráter deixou o rosto dele ilumi nado.

— Não aceito essa acusação. Você está me agre dindo.

— Casamento é algo que levo muito a sério. — Bella levantou a cabeça com altivez.

Os olhos verdes de Edward brilhavam, e ela sabia que era porque ele estava possuído pela cólera.

— Eu também... por esse motivo fiz o contrato pré-nupcial. Mas não gostei nada de suas exigências. São descabidas!

— Você não me deu outra opção. Fiz por precau ção — respondeu Bella com convicção.

— Tudo o que vê são problemas e riscos. Não con segue ter confiança e otimismo? Pois saiba que serei um ótimo pai — afirmou Edward, sem hesitar. Outra coisa que o aborrecia era o fato de que havia gasto to dos os seus minutos livres pensando nos detalhes do casamento e, até agora, ela não tinha demonstrado nenhum interesse.

— Não adianta, porque não vou assinar um contra to que diz a forma como devo viver! Você não sabe como é, porque nunca tentaram impor limites a você.

O queixo de Edward ergueu-se cheio de orgulho.

— Isso porque tenho controle sobre mim e sei exa tamente quais são meus limites — respondeu, brus camente.

— Você acha que essa atitude explica o que fez com Tania? — desafiou Bella, lutando com toda sua força. — Comprometido com uma mulher e fa zendo sexo com outra? Para mim é uma receita para o desastre.

Aquela recordação o deixou completamente sem reação. Ardia de raiva.

—Não vou mais discutir isso com você — decretou, irritadíssimo, já na direção da saída. — Não posso.

— Pode, sim — protestou Bella, assombrada pela ousadia dele de deixá-la falando sozinha.

— Você está grávida e não pode se alterar. Não podemos discutir desse jeito!

Mesmo estando grávida, Bella chegou à porta da saída antes dele e bloqueou a passagem. Estava disposta a ficar ali. Ele não sairia daquele quarto de jeito nenhum.

— Não seja tolo... claro que pode discutir comigo. Sou forte. Aguento. Estou grávida, não estou doente. Não sou feita de açúcar.

— Não, é feita de curvas gloriosas. — A mente dele estava atentamente fixada, sem vergonha, na fi gura voluptuosa dela. Quando corria da cama para a porta, a toalha caiu vários centímetros, e os seios e os mamilos inchados chegaram a ficar por alguns instantes no ângulo de visão de Edward.

Bella o olhou e, de repente, ficou arrepiada. On das maliciosas de calor espalharam-se por todas as partes sensíveis do seu corpo. Sabia que se permane cesse tão perto por mais um segundo dele ficaria à vontade para usar o sexo como maneira de desviar a conversa. Bella se afastou da porta e criou mais distância entre os dois.

— Não temos o que discutir... só precisamos con versar. — Bella tentou chamá-lo a razão, calma mente.

Edward não queria conversar. Queria arrancar aquela toalha e abraçar o corpo delicioso dela, até que os pensamentos e a raiva cessassem e o prazer e a volúpia o satisfizessem.

— Por favor, não vá embora — pediu Bella, de sesperada pela companhia dele. — Eu realmente que ro que nosso casamento dê certo.

Um pouco da tensão cedeu, e os dois ficaram fren te a frente, olho no olho.

— Não quero mandar na sua vida ou tirar sua liber dade. Você entendeu tudo errado — ela assegurou. — Sei que isso nunca daria certo.

Edward estava mais relaxado e apoiou os ombros contra a porta para descansar.

— Quero dizer que, na minha opinião, a escolha é só sua. Se quiser, podemos viver um casamento de fa chada.

— Fachada?

— Para as crianças. Compartilharemos as coisas boas com nossos filhos e você pode fazer tudo que quiser com outras mulheres.

Edward congelou. Não tinha idéia do que iria res ponder. Sabendo a linha de pensamento de Bella, duvidava muito que estivesse falando com sincerida de. A declaração o deixou cheio de ciúme e descon fiança, pois em vez de soar liberal e compreensiva a frase parecia vir de uma libertina.

— Que quer dizer?

— Bom, proponho um casamento aberto. Basica mente, teríamos nossas vidas separadas.

— Separadas? — Edward estava sendo invadido por vibrações perturbadoras.

Bella corou.

— Obviamente, não compartilharíamos o mesmo quarto.

Edward fez que não com a cabeça arrogante, rejei tando a idéia enfaticamente.

Bella continuou, ignorando a expressão de des gosto do futuro marido.

— Se não pode ser fiel, esse tipo de casamento se ria a melhor opção para nós dois.

Edward forçou a coluna contra a porta como se ti vesse acabado de acordar. Seu silêncio deixou Bella ainda mais nervosa.

— Haveria benefícios, claro. Pelo menos, nos aceitaríamos tal como somos.

— Eu como um pecador eterno e você como uma santa reprimida? — respondeu Edward com um ci nismo atroz.

— Não. Aos poucos, iríamos esquecendo... bem, você sabe... que tivemos relações sexuais — murmu rou Bella sem graça. — E, então, nos tornaríamos bons amigos.

Edward fez que não de novo com a cabeça e apon tou o polegar para baixo como um imperador romano declarando a sentença de morte.

— Pelo visto, a segunda opção é aceitar a cláusula absurda que quer me impor e ser multado em milhões e milhões se infringir suas regras?

Bella fez uma careta.

— Apenas preciso que leve nosso casamento a sério. Edward suspirou.

— Se eu fizer o que você quer, vamos dormir na mesma cama? Não! Esqueça... a Grécia não produz covardes que se deixam mandar pelas mulheres.

— Onde está escrito que um grego magnata pode ter uma amante? — atacou Bella com um senti mento furioso de frustração. — Não sou suficiente para você? Qual seria sua reação se eu tivesse um amante?

Toda a pretensão de relaxamento desapareceu, Edward se afastou da porta e foi na direção dela com movimentos e um olhar ameaçadores.

— Nem pense nisso. Não toleraria nem que flertasse com outros homens. Nem em sonho!

Bella lançou um olhar irônico para ele.

— Prefiro nem fazer um comentário óbvio sobre essa sua atitude.

Theos mou... está me chamando de hipócrita?

— Suponho que não tenha importância. Tudo indi ca que esse casamento não vai sair mesmo. Afinal, parece que nenhum dos dois vai assinar o contrato pré-nupcial.

O silêncio tenso invadiu o recinto e Edward soltou um suspiro cansado. Os traços morenos e belos esta vam melancólicos. Observava-a com uma intensida de extraordinária. Não iria se render. Nunca se ren dia.

Sem dizer mais nada, saiu do quarto. Desceu as es cadas e pediu que a limusine o fosse buscar. Enquan to esperava, serviu-se de um copo de conhaque. Esta va tão furioso que andava de um lado para o outro, como um tigre preso em uma jaula. Quando a limusine chegou, ficou em dúvida se deveria partir ou não. Tinha vindo para passar a noite, e ficaria. Era ela quem estava acostumada a fugir dos problemas, não ele. Franziu a testa. Reconhecia que a tinha pressio nado demais, o que acabou afetando a capacidade de Bella de confiar nele.

Talvez não fosse justo culpá-la por isso. Mas já não tinha mais amante, considerou, tomando mais uma dose de conhaque, irritado. Os advogados ti nham lhe aconselhado a formular a tal cláusula que lhe dava o direito da guarda das crianças em qualquer circunstância. Obviamente, Bella não entendia que o contrato era, principalmente, para resguardar a for tuna Cullen. Não entendia porque não era gananciosa. Havia sido a única mulher que tinha ignorado o tamanho da riqueza dele e tratado Edward como um homem comum.

Provavelmente, refletiu ele, ela também não fazia idéia de que os casamentos na família Cullen ti nham, quase sempre, uma história longa e infeliz. Di vórcios amargos, batalhas nos tribunais pela guarda das crianças e escândalos explosivos haviam atingido todas as gerações. Com exceção do casamento dos bisavós, que tinham sido o último casal feliz da fa mília.

Elizabeth Cullen havia se casado com o amor da in fância, Anthony, apesar de toda a oposição de ambas as famílias. Não houve contrato pré-nupcial e, apesar das brigas e dos altos e baixos da relação, o casal per manecia unido com amor e respeito. Ao longo de todo o processo, haviam aprendido a ceder, a com partilhar e ouvir. Advogados nunca precisaram inter mediar qualquer crise. Talvez, ponderou, não esti vesse sendo sábio ao deixar desconhecidos se meterem em sua vida privada. De fato, o acordo e aquela conversa deveriam ter deixado Bella insegura e in timidada.

Alguém bateu na porta e Bella se sentou na cama.

— Sim?

Edward entrou, sem o terno e sem a gravata. A ca misa azul estava aberta, deixando à vista o peito es belto e definido.

Bella piscou, surpreendida. Havia escutado a limusine partindo e estava certa que Edward tinha ido embora.

— Ainda está aqui? Edward fez que sim.

— Tenho um vôo muito cedo amanhã. Não faz sentido sair daqui. Até eu preciso dormir.

Bella lembrou que os olhos estavam vermelhos e inchados, porque havia chorado, mas, para sua sor te, ele não a olhou diretamente. Em vez disso, estava com a atenção no detalhe da cama com adornos talha dos em madeira.

— O que você tem? — perguntou, preocupada.

A cabeça sempre ereta e exibindo confiança estava cabisbaixa. Ergueu-a ao ouvir a pergunta.

— Tomei uma decisão. Vamos esquecer esse con trato pré-nupcial. Não é necessário.

Bella ficou confusa e aturdida. Quase chegou a perguntar quais seriam as novas exigências, mas pre feriu manter-se calada, e suspirou aliviada preparando-se para o pior possível. Estaria ele se defendendo? Ou, ainda, pensando nas opções que ela oferecera? Depois de tantas perguntas, chegou à conclusão de que o confronto não daria resultados positivos. Preci sava ser mais sutil. Afinal, não importava o quanto brigassem, ela o amava e sabia que ficaria muito tris te sem ele.

— Está bem... — concordou Bella. — Está pre cisando fazer a barba. Parece um pirata — acrescen tou ela sem pensar.

A tranquilidade de não ser atacado com perguntas permitiu que um sorriso se estampasse em seu rosto.

— O barco eu já tenho — brincou ele. — Falta a espada e o papagaio.

Ela riu.

— Já é madrugada, pedhi mou — disse ele em voz baixa. — Deveria descansar.

— Fica comigo... — pediu ela automaticamente, sem raciocinar.

Depois de um segundo de hesitação, Edward se aproximou. Bella ficou imóvel e mal conseguia respirar, pois a presença dele sempre a deixava ner vosa e ofegante. Com os braços, ele a envolveu e a puxou para mais perto.

— Precisa dormir — disse ele. — Parece muito cansada.

Bella não precisava que lhe dissessem isso. Sa bia de sua condição física, mas o calor de Edward, seu cheiro inconfundível e inebriante e a textura deli ciosa da pele a deixavam excitada demais. Mesmo cansada, o desejo de tê-lo mais intimamente nunca a deixaria descansar.

Edward passou as mãos por debaixo da camisola e parou na cintura.

— Posso? — perguntou em voz baixa.

— Faça o que quiser — respondeu ela com uma voz sedutora e convidativa, sentindo calafrios pelo corpo.

Na verdade, era o formato do corpo dela que pro vocou seu interesse. As mãos fortes e os dedos largos foram gentis ao começar a brincar e explorar a barri ga volumosa.

— Incrível... — sussurrou ele.

Edward sentiu algo mexer com força dentro de Bella.

— É um dos bebês chutando? — perguntou as sombrado.

— Sim, são muito ativos.


Bella escutou um idioma estrangeiro no salão ao lado e sorriu. Seu casamento ia ser uma cerimônia ge nuína e exclusivamente grega. No dia anterior, havia chegado de iate pelo mar Egeu. Determinado a pre servar ao máximo sua privacidade e a de Bella, Edward havia feito questão de guardar o local do ca samento em absoluto segredo para não ter a surpresa desagradável de ver algum paparazzo no dia da festa. Sabendo que Bella não tinha família nem amigos íntimos para servirem de padrinhos de casamento, Edward convidou duas primas para representar esse papel. Ambas, Kate e Irina, eram apaixonadas pelo primo. Muito espirituosas, rapidamente ficaram à vontade na presença de Bella.

Em determinado momento, Bella ficou curiosa quando as duas começaram a conversar entusiastica mente em grego.

— Deve ser um mexerico bom, hein?

As irmãs pararam de conversar na mesma hora e se olharam constrangidas e tensas.

— Mexerico? — perguntou Irina, preocu pada.

— Estou brincando.

— Ah, brincando — repetiu Kate com um suspi ro aliviado.

— Há algo errado? — perguntou Bella notando algo estranho no ar.

Irina, a irmã mais velha, se aproximou e dis farçou.

— Não, imagina! Não há nada de errado. Você está linda, Bella.

— Esse vestido é fantástico — disse ro dopiando na frente do amplo espelho, tentando ver-se por todos os ângulos possíveis. Pequenos adornos de pérola enfeitavam o penteado que haviam feito com esmero e paciência. Sentia-se glamourosa pela pri meira vez na vida. Um magnífico pingente de dia mante em forma de coração brilhava no pescoço. Era um presente de Edward, que dera durante o café-da-manhã.

— Não é o vestido, você que é linda — corrigiu Kate. — Quando todos a virem, vão entender por que Edward se apaixonou por você.

Os olhos de Bella escureceram. Foi à janela da cabine e se deu conta que após 24 horas em alto-mar o iate finalmente se aproximava de terra firme. Lem brou que pouco tinha visto Edward nas últimas três semanas. Na noite em que dormiram juntos, ele não a tocou, e, quando Bella acordou, no dia seguinte, ele já havia partido.

Na verdade, não faziam amor desde o Marrocos. Recentemente, o vira apenas três vezes. Ele havia es tado estranho, beijando-a apenas na testa ou na face, como se ela fosse uma senhora de idade ou uma criança pequena.

— Essa é Libos — informou Irina, aproximando-se de Bella e apontando pela janela. — O que é melhor que uma ilha particular para uma cerimônia de casamento reclusa e discreta?

O telefone tocou e Kate atendeu, passando-o, em seguida, para Bella.

— O que acha do futuro lar? — perguntou Edward.

Uma mata verde e exuberante corria por toda a ex tensão da ilha, acompanhando a areia branca e a lím pida água azul. A vila que podia ser vista no alto era pitoresca e graciosa, repleta de casas brancas e um porto, na costa.

— É realmente lindo... soa brega, mas parece um cartão-postal... desses que dá vontade de entrar — respondeu ela, timidamente.

— Por que não vai até o deque? A vista é bem mais bonita de lá?

Bella foi para a varanda atrás do quarto. O cabe lo estava embalado pela suave brisa do mar. Ainda no telefone com Edward, sorriu quando ele descreveu alguns dos vários locais turísticos que podiam ser vistos do barco.

— Cadê você? — perguntou ela.

— Aqui no porto, tomando meu último drinque como homem solteiro. Nos vemos daqui a uns dez minutos, pedhi mou.

A voz familiar e segura a tranquilizou, deixando-a um pouco menos ansiosa com o que estava por vir. O iate atracou e a tripulação se despediu de Bella e desejou felicidades a ela antes que desembarcasse. Bella ficou encantada ao ver os cavalos brancos e a carruagem que a esperava no porto para levá-la ao al tar. A igreja tinha uma enorme torre com um sino, ze lando pela elegante e pequena vila.

Edward desceu as escadas da igreja para ajudá-la a sair da carruagem. Vestido com um terno tradicional, e o cabelo brilhando pelos raios do sol, a expressão de seu rosto era de pura alegria ao sorrir. Estava ex tremamente irresistível. No instante em que desceu, Bella notou o olhar atento e cheio de admiração de Edward sobre ela.

— Você está linda demais.

— Gostou do vestido?

Edward agarrou-a pelos braços e a retirou da car ruagem. Seus olhos estavam brilhantes e carregados de desejo masculino.

— Muito, muito sexy — sussurrou-lhe ao ouvido.

— Mas não revela nada! — respondeu ela, descon fiada.

— Tenho uma memória fotográfica — falou Edward maliciosamente, enquanto a colocava no chão com cuidado.

De repente, Bella se perguntou por que havia fi cado tão tensa e nervosa por causa da cerimônia. Afi nal, não estava se casando com o homem que amava?

A igreja estava abarrotada de pessoas. Todos sus piraram quando o casal entrou. Bella notou os be los arranjos de flores distribuídos pela pequena igreja e a decoração simples, porém impecável, e o cheiro de incenso que invadia o ambiente. A cerimônia começou e o ritual ortodoxo chamou a atenção de Bella desde o início. Ficou transbordando de emoção quando os familiares banharam os recém-casados com pétalas de rosas.

Depois da cerimônia, a carruagem fez um passeio pela cidade antes de tomar o caminho da festa. A vila Cullen era muito mais antiga do que Bella havia imaginado. Edward explicou que a família habitava aquela ilha havia mais de um século. Edward a adqui rira recentemente para protegê-la da especulação fi nanceira e do desmatamento. Rodeada por um jardim espetacular que se estendia até a praia, a casa, magní fica, tinha uma vista maravilhosa do mar.

Na recepção, Edward ficou ao seu lado todo o tem po, e Bella foi sendo apresentada, aos poucos, aos amigos e familiares. Os nomes e rostos rapidamente se confundiam.

O número de convidados era espantoso. A maioria falava inglês, mas Bella já arranhava algumas pa lavras em grego. Durante o jantar, que durou horas, tentou ignorar as centenas de olhares sobre ela, mas não se sentia à vontade.

— Por que está todo mundo me olhando assim? — perguntou, finalmente, a Irina.

Depois de várias taças de champanhe, a jovem Apollonia já dava risadinhas ébrias, incapaz de segu rar a língua.

— Quantas razões quer? Hoje você virou uma mu lher muito influente, porque é a esposa de um homem bastante poderoso e rico. Outro motivo é porque roubou Edward, na última hora, de Tania. A família está muita curiosa, querendo saber se as coisas que saíram nos jornais são mesmo verdadeiras!

— Que jornais? — perguntou Bella surpresa. Irina tapou a boca com as mãos, caindo em si.

— Edward avisou que você não podia saber disso. Por favor, não fale que fui eu quem contou!

Com essa súplica, a madrinha se retirou.

Minutos depois, Edward a levou até a pista de dan ça. Enquanto dançavam, Bella tentou guardar a curiosidade, mas acabou não aguentando.

— O que saiu nos jornais sobre mim? Foi em um jornal inglês?

Edward tensionou o maxilar em sinal de contrarie dade.

— Foi. Meus advogados já estão cuidando disso.

— Mas o que dizia?

— Nada que valha à pena contar?

— Eu insisto.

— Insistir não vai adiantar, pedhi mou — falou Edward, francamente. — Você agora é da família Cullen. Somos superiores a esses tablóides.

— Não fale comigo como se fosse uma criança — queixou-se Bella em voz baixa.

O rosto de Edward ficou ainda mais sombrio.

— Então, comporte-se como uma adulta. Esse é o nosso casamento e você está fazendo um papelão, discutindo na frente dos convidados.

— Aposto que Tania não se comportaria muito melhor do que eu — retrucou, insolente.

— O comportamento de Tania em público sempre foi impecável — rebateu ele, secamente.

Os dois ficaram em silêncio até o término da música. Tão logo acabou, Bella saiu da pista e procurou um lugar pacato onde pudesse ficar sozinha. Cogitou sair da festa, quando uma bengala caiu na sua frente.

Ela a apanhou e devolveu para uma velhinha pe quenina, sentada em um canto próximo.

— Deixou cair, minha senhora...

Uma mão fraca e enrugada a tocou.

— Venha se sentar comigo. Sou Elizabeth, a bisavó do seu marido.

Sem hesitar, Bella se sentou.

— Edward sempre me lembra meu falecido mari do, Anthony — confidenciou. — É cabeça-dura, não tem paciência e é esperto demais.

Bella corou e sorriu com a descrição.

— A senhora o conhece muito bem, mesmo.

— Mas Anthony tinha a sorte de ter nascido em uma família carinhosa, ao contrário de Edward — con cluiu Elizabeth, mordendo os lábios antes de perguntar a Bella: — Quanto sabe sobre o passado do seu ma rido?

— Ele não gosta de falar sobre isso. A senhora suspirou.

— Os pais dele nunca deveriam ter tido filhos. To dos os dias eram de festa para eles. Edward foi criado por empregados. A mãe era viciada em drogas, mas o assunto era acobertado para evitar escândalos. Ele nunca conheceu o amor ou a estabilidade, uma prova de carinho por parte dos pais.

Bella teve dó do marido.

— Não fazia idéia.

— Quando tinha 16 anos, a única pessoa que o amava de verdade naquela casa morreu, e Edward fi cou completamente perturbado por um tempo. Feliz mente, voltou a encontrar o equilíbrio. É um homem muito forte — afirmou Elizabeth cheia de orgulho do bisneto. — Mas precisa de uma mulher igualmente forte, que saiba suavizar seu lado severo e cético com muito amor e compreensão.

A conversa com a senhora estava acalmando Bella.

— Anthony e eu tínhamos muitas brigas, mas quando alguém se atrevia a dizer algo contra mim, ele virava fera — declarou a bisavó.

Bella sorriu.

— Está sabendo do jornal, não está?

— Tenho uma cópia na minha bolsa.

— Posso ver?

Elizabeth passou as folhas dobradas a Bella. Era uma cópia que um amigo lhe havia mandado por fax. Bella fez uma cara feia ao ler a manchete: Funcio naria temporária rouba Cullen da herdeira Denali.

— Edward não foi roubado — riu Elizabeth. — Não era feliz com Tania. Você é uma menina doce e tra balhadora, e merece ser feliz.

Os olhos verdes se fixaram em Bella e na bisa vó. Edward não perdeu tempo em ir até elas. Gostou de vê-las juntas e esboçou uma risada de sa tisfação.

— O que achou de minha noiva? — perguntou à bisavó, em grego, sem disfarçar a curiosidade.

Um sorriso radiante estampou-se na face de Elizabeth, que deu um tapinha no joelho de Bella.

— Esta menina é um tesouro. Cuide bem dela.

Edward sentou-se para falar com ela, brevemente.

Em seguida, um cantor famoso na Grécia, que havia sido contratado por Edward, iniciou o show. As pes soas no salão entraram em êxtase.

O céu estava escurecendo quando Edward levou Bella para um dos terraços privados, protegido por plantas e árvores. Beijou-a sem pressa e com volúpia. Um frio na espinha deixou Bella toda arrepiada.

— Tem uma escada atrás da porta. Nossa suite fica no final dela. Eu encontro você lá daqui a cinco minutos — prometeu ele.

— Mas não podemos desaparecer assim da festa.

— Podemos, sim — respondeu ele de imediato, saboreando a boca carnuda dela com mais fervor ainda.

— E nossa noite de núpcias, ágape mou.

A suite gigantesca e linda tinha as luzes baixas e íntimas. E havia o perfume das rosas espalhadas pelo ambiente.

De repente, alguém bateu à porta. Achou que fosse Edward, mas quando a porta se abriu viu a emprega da com o telefone na mão.

— Alô... quem fala? — Bella franziu a testa, sentindo que a chamada não era para ela e de que a qualquer momento alguém começaria a falar em grego.

— Tania.

Bella empalideceu e a mão que segurava o fone começou a transpirar de nervoso.

— Por que está me ligando?

— É sua noite de casamento e quero que saiba que a única coisa que mudou foi que trocamos os papéis — disse Tania docemente. — Você agora é a oficial e eu, a amante. Edward não tinha a intenção de me deixar. Achou que fosse? A única coisa que importa para ele é que você esteja satisfeita e sob controle, porque está grávida de seus preciosos gêmeos. Eu continuo sendo importante para ele, como sempre fui.

Depois dessas palavras, Tania desligou. Que mu lher vingativa, pensou. Obviamente, não estava fa lando a verdade. Eram mentiras rancorosas só para deixá-la insegura e preocupada, disse a si mesma, convencendo-se de que já não era tão ingénua para crer em tanta bobagem. O casamento, até agora, esta va incrível. Amava Edward e havia aprendido a con fiar nele. Por que poria tudo a perder, por causa das palavras de uma mulher irada e rancorosa?


oi flores... mais um capitulo... a Tania não para de encher né... espero que gostem... .e não se esqueçam das reviews...bjuxx^^... té sexta...