Cap XI – Dark Lady
"Ai, ai, que olhos pôs-me o amor no rosto,
Que não se ligam com a real visão!...
...Se o que meu falso olhar ama é bonito
Que meios tem o mundo pra o negar?"
-
O cabelo dela caia no rosto enquanto ela descansava a cabeça nos braços com os olhos fechados, embalando no sono, linda como um anjo ruivo.
Passei a mão pelos cabelos dela, tirando-os dos olhos e acariciei seu rosto, branco como porcelana. Ela suspirou e eu recolhi a mão, com medo de acordá-la. Mordi o lábio, era diferente olhar para Lily. Mais linda que qualquer outra garota do mundo, sorrindo como se estivesse tendo um sonho muito bom.
Beijei-a no topo da cabeça e voltei para o trabalho, olhando-a ocasionalmente enquanto procurava uma ou outra informação nos volumes mofados da biblioteca. Por causa disso acabei deixando um dos livros, o maior e mais pesado, claro, cair com um estrondo no chão.
Ela levantou a cabeça assustada e olhou para mim, enquanto eu dava meu melhor sorriso de desculpas misturado com o de inocência.
- Desculpa. – falei sinceramente. – Foi sem querer...
- Sem problema. – ela bocejou. – Nem sei como consegui dormir com você aqui, mas tudo bem. O sono me ganhou dessa vez.
Estreitei os olhos de brincadeira.
- Que tipo de indireta foi "Nem sei como consegui dormir com você aqui"? – perguntei sentando na mesa e deitando a cabeça dela no meu colo em seguida, como um travesseiro. – Medo Lily?
- Claro. – ela assentiu rindo. – Eu tenho que tomar conta da biblioteca e você tem cara de quem adora picotar papel...
Olhei-a tentando parecer ofendido, mas falhando miseravelmente. Como ficar com raiva de alguém que tem o sorriso mais maravilhoso do mundo? Não tem como. Eu tentei, lembra? Mas só consegui ficar com raiva de mim mesmo.
- Eu não gosto de picar papel. – retruquei rindo. – Mas você realmente não deveria dormir comigo aqui. – comentei mexendo no cabelo dela lentamente.
- Por quê? – ela perguntou me olhando sonolenta. – Você disse que não gosta de picar papel.
- É, mas eu não consegui fazer nada do trabalho. Fiquei o tempo todo olhando se você não iria ficar com torcicolo, se estava numa posição confortável, se estava respirando...
- James, que fofo!
-...E se estava babando também.
Ela pestanejou e deu um tapa forte na minha perna, rindo em seguida.
- Dói Lily, sabia? – falei fazendo bico. – Vai ficar roxo!
- Doeu no meu coraçãozinho o que você disse, seu palhaço! – ela falou levantando da cadeia e sentando do meu lado na mesa e escorando a cabeça no meu ombro.
Abracei-a pela cintura e senti o pé descalço dela esbarrar no meu, balançando a alguns centímetros do chão, fazendo um arrepio me sacudir.
- Você me chamou de palhaço de brincadeira, não é? – perguntei após algum tempo de silêncio.
Ela afirmou com um aceno e apontou para o livro que eu lia anteriormente, indicando que eu deveria pegá-lo. Quase deitei na mesa para alcançá-lo, trazendo o corpo dela junto, já que continuava escorada em mim.
Abriu-o numa página marcada e sorriu, bocejando em seguida.
- Dark Lady. – falou com a voz calma.
- Ah não Lily! – brinquei tentando tirar o livro das mãos dela. – Não estraga o momento vai. Deixa isso pra lá e vamos ficar aqui quietinhos, ou não tão quietinhos de preferência.
Outro tapa. Agora vai realmente ficar roxo.
- Foi dirigido a Dark Lady os sonetos de número cento e vinte e sete ao cento e cinqüenta dois. Dizem que o nome Dark Lady está associado à pele morena dela e aos cabelos pretos.
- Não se preocupe, você continua sendo a minha Dark Lady, ok? – cortei-a levantando seu rosto e beijando demoradamente nos lábios.
- Não me interrompa, James. Por mais maravilhosa que seja a interrupção, não faça outra vez ou vou colocar você para fora daqui. – avisou com os olhos brilhando.
- Essa eu gostaria de ver. – brinquei roubando um selinho. – Você é um anjo Lily, não conseguiria fazer isso.
- Cale a boca James. – ela falou corando intensamente. Eu ri e ela me lançou um olhar de secar planta, fazendo com que eu me calasse de vez. – Os sonetos que o poeta faz para ela são explicitamente sexuais, diferentes dos feitos para o Fair Youth.
O que significa que Shakespeare pode ter sido bi. Ainda bem que eu não falei isso em voz alta, porque senão eu ficaria com mais alguns muitos roxos.
- Dá pra perceber, quando se lê, que o poeta dos sonetos e a Dark Lady tiveram um relacionamento amoroso, mas que ela foi infiel a ele. Com o Fair Youth provavelmente. – ela continuou explicando, os pés ainda batendo nos meus a esmo.
Puxei a folha em que eu escrevia anteriormente e rabisquei uma frase nela, entregando a folha para Lily em seguida.
- "Por que a Dark Lady traia o carinha dos sonetos com o Fair Youth?" – ela leu aparentando uma grande confusão mental. – James por que você não pergunta com a boca?
Revirei os olhos e peguei o papel com delicadeza da mão dela, rabiscando outra coisa nele e devolvendo-o depois.
- "Porque eu sou um garoto obediente!" Faz-me rir James. – falou cética apagando o que eu escrevera e devolvendo a folha, que era parte integrante do meu trabalho. McGonagal morreria se soubesse que eu a usara para isso.
- Por quê? Você não respondeu. – falei tentando voltar ao assunto, mesmo que minha vontade fosse fazê-la rir. De preferência num ataque de cosquinhas em cima dessa mesa; evoluindo pra beijos e mais beijos e... Vocês entenderam.
- Por que traia... Uhn... Como eu te disse, era uma relação mais... Não sei explicar. Por que os homens traem? – ela devolveu.
- Eu pergunto para o Sirius assim que o vir. – brinquei tentando ficar serio ante a confusão clara dela. – Deixa pra lá. Uma mais fácil então: Como o poeta descobriu que era traído?
- É mais uma coisa de achar. Não dá pra saber ao certo se ele tinha certeza de que era traído, muito menos com o Fair Youth. Ele só suspeitava, baseado nas mentiras que a Lady contava. Era como montar um quebra cabeças.
Fiquei alguns segundos em silêncio e anotei o que ela havia falado no papel que segurava. Ela levantou da mesa e sentou no chão, encostada na estante precariamente arrumada.
Ergui as sobrancelhas e terminei de escrever a frase que faltava antes de levantar também e sentar ao seu lado.
- Tá fugindo de mim? – perguntei franzindo a testa levemente.
Ela negou com a cabeça e apontou para o ar condicionado, que estava direcionado exatamente para onde estávamos, deixando o chão geladinho para competir com o calor que fazia do lado de fora.
Continuei escrevendo tudo que conseguia me lembrar naquela folha, sentindo o olhar dela fazer um raio-X em mim. Era tão diferente do começo. Antes ela sentava a metros de mim e não perdia um segundo sequer olhando para o garoto de óculos que estava passando as férias estudando. Agora eu podia beijá-la quando quisesse. Não na hora em que eu quisesse, mas deu pra entender.
- Você fez tanto progresso durante esses dias, Jamie. – ela falou docemente usando o apelido que minha mãe me dera, embora ele soasse bem melhor quando era Lily quem falava.
- Obrigado. – agradeci sentindo meu rosto esquentar. – Você me ajudou muito. Duvido que eu conseguisse ler as primeiras páginas desses livros sem pegar no sono. Quem dirá entender o que ele diz.
- Você parecia ser bem lerdinho mesmo. Foi por isso que eu vim te ajudar pra inicio de conversa. – ela confessou olhando o que eu escrevia por cima do meu ombro.
Virei para ela tão rápido que senti meu pescoço estalar dolorosamente.
- Obrigado pela parte que me toca. – ironizei massageando o pescoço com uma das mãos. – Eu só vou aceitar isso porque eu queria mesmo que você viesse me ajudar. Nem que pra isso eu tivesse que fingir que era retardado.
- Quieto Jamie. – ela murmurou revirando os olhos disfarçadamente. Não disfarçadamente o suficiente para que eu não visse, mas ok. – Sabia que eles suspeitaram que a Dark Lady era de origem africana ou talvez espanhola?
- Não... – falei virando para ela de novo. – Mesmo sendo inglesa você ainda é a minha Dark Lady. – afirmei.
- Suspeitaram que ela era uma poetisa famosa da época de Shakespeare também. – continuou, rindo das besteiras que eu falava para quebrar o silêncio.
- Shakespeare está me saindo um belo pegador. – falei irônico e sentindo um tapa estalar no meu ombro enquanto ela gritava "James!". – Verdade! Primeiro o único inspirador, depois o Fair, a Lady e agora essa poetisa... E você disse que ele era casado, não é? – perguntei olhando para ela com um olhar divertido. – Ele deve sacar de traição pra caramba!
- Eu não ouvi isso! – ela falou rindo e tapando as orelhas com as mãos. – Não ouvi mesmo, mesmo!
Gargalhei e olhei-a balançar a cabeça, numa tentativa de espantar os pensamentos que eu tinha compartilhado com ela na maior das inocências.
- Eu posso repetir se você quiser. – brinquei tirando as mãos dela das orelhas para que me ouvisse. Ela fez uma cara falsamente chocada e negou com a cabeça, me beijando na testa em seguida.
- Não obrigada. – ela respondeu empurrando as folhas do trabalho para o lado e ajoelhando do meu lado. – Uma vez só foi o suficiente.
- Que pena. Eu poderia dizer dez vezes que Shakespeare era o mestre da traição...
- James!
Dei os ombros sorrindo, fingido que não sentia os tapinhas que ela dava no meu braço. Quando começou realmente a doer segurei as mãos delas e a beijei, deixando-a sem ação.
- Agora eu sei porque a Dark Lady não era a única inspiradora, Lily. – falei me mantendo sério após roubar outro beijo dela. – É porque ele ficaria sem um amante se ela ocupasse os dois cargos.
Ela bateu a mão na testa e me olhou com um olhar que dizia claramente "você está perdido", meneando a cabeça.
- James me faz um favor. Cale a boca, sim? – ela pediu empurrando o trabalho de volta para mim com um sorriso divertido.
- Hey, então por que essa tal de Dark Lady não é a única inspiradora do poeta? – perguntei levantando para pegar mais folhas em cima da mesa.
- James, cale a boca! – ela falou séria, levantando junto comigo.
- Eu não! – falei falsamente ofendido, colocando a mão na boca. – Vem calar.
- Eu não! – ela devolveu entrando na brincadeira. – Vem você!
Ela sorriu e eu não consegui resistir.
Imprensei-a contra a estante que estava bem atrás de nós, fazendo-a balançar.
Ene/A: AHA, eu estou postando em UMA SEMANA! É um recorde, por favor anotem isso. IOHEoihEoiHoi Eu sei que o capitulo é minusculo, eu sei. Mas me perdoem, eu escrevi a fic inteira em um mês, antes de entrar no terceiro ano (a um ano atrás). Então eu nõ editei nada, nem fic modificações que eu tenho vontade de fazer agora. Talvez eu mude o ultimo capitulo um pouquinho, quem sabe.
Anyway, espero que gostem!!
Para o próximo capitulo...: 148 reviews... chegaremos a 150? Eu posto no próximo sábado, acho.
BJOX corações!!
