Capitulo 10 – Ao encontro da solução!

Ao fim da tarde, como Jack tinha dito, uma ilha começava a ganhar grandes tonalidades no horizonte, á vista de todos os tripulantes do Pérola Negra. Entusiasmada, Perla dobrou-se sobre a borda do navio para observar melhor aquela grandiosa ilha, sentindo novamente aquela ansiedade se apoderar dela, principalmente ao saber que sua ajuda estava lá. Seus olhos lacrimejavam devido ao vento que a velocidade do navio proporcionava e seus cabelos esboçavam teimosamente á frente do rosto, fazendo sua visão ficar turva. Ao tentar apanhar os seus cabelos, Perla desviou o seu olhar para a tripulação e viu Alessandro olhando atentamente a ilha. Sem ao menos se desligar daquele olhar penoso, seus olhos caíram sobre o leme, onde estava Jack observando, pela grandiosa luneta, a distância que faltava para chegar a Singapura. Ela seguiu atentamente os movimentos dele, vendo-o fechar a luneta e descer as escadas, parando no meio do convés com as suas mãos levemente levantadas.

-Senhores preparem um bote – Ele olhou para Mullroy e Murtogg. – Vocês dois irão maneá-lo, Savvy? – Os dois concordaram rapidamente, indo logo em direcção ao bote que estava mais próximo.

-Vamos de bote Jack?

-Sim, iremos! Só eu e você. Você e eu. Nós dois juntinhos e mais aqueles dois emplastros. Confesso que será uma travessia admirável de se apreciar. – ironizou ele soltando um sorrido do canto dos lábios.

-Eu vou junto! – interferiu Alessandro, metendo-se radicalmente no meio de Perla e Jack.

-Neste caso, não serão dois, mas sim três emplastros – alfinetou Jack, revirando os olhos até ver Barbossa se aproximar – Tenho uma ordem bem explícita para você: nada de roubar MEU navio, savvy?

-Com o que você me garantiu Jack, acha mesmo que eu teria intenções de reaver tão cedo o MEU navio? - Perla viu a troca de olhares comprometedores entre Barbossa e Jack.

-Capitão, alguma ordem para o navio? – interveio Gibbs, vendo Jack rodopiar seus calcanhares em direcção a ele.

-Permaneçam neste ponto até a gente voltar... E olhos bem abertos nessa espécie homem… – Ele apontou paraBarbossa, que deu-lhe um sorriso de desdém. – E, se eu te encontro dormindo num bote agarrado a um ursinho, eu juro que te afogo juntamente com ele... Savvy? – Gibbs concordou com um agradável sorriso.

-Vamos capitão? – indagou Perla já dentro do bote.

O caminho para Singapura foi feito em silêncio, pois nenhum dos presentes ousou pronunciar uma palavra sobre o que quer que fosse. Alessandro olhava para Perla, que não sabia qual a atitude que havia de tomar depois da conversa de ontem á noite. Aliás, a noite anterior não tinha ficado só marcada por aquela conversa, mas sim pelas aliciações maldosas do capitão Barbossa, que não ousou poupar suas directas tão bem argumentadassobre as verdadeiras intenções de Jack nesta aventura. Contudo, isso era algo que Perla queria esquecer, pelo menos por enquanto. O que ela queria, era prosseguir o resto da viagem serenamente, e não deixar-se influenciar por aqueles acontecimentos, tendo raiva de Jack.

Mais há frente, o bote ia se aproximando dos longos penhascos da ilha, através da enseada rochosa. Um deles, bem comprido, salientava-se de encontro ao horizonte, banhado pelo pôr-do-sol dourado que acabava por se misturar com tons avermelhados. Quando finalmente chegaram á praia, Perla e Jack saíram do bote, tocando com as botas na água cristalina, que ondulou continuamente ao acompanhar os passos deles até á areia seca. Perla olhou de relance para Alex e viu-o, juntamente com os outros dois, trazerem o bote até á areia fina, onde viraram cuidadosamente de quilha para cima. Suspirando, Perla chegou perto de Alex e encarou-o com um rosto terno, tentando achar jeito de o abordar sem que ele fosse frio com ela.

-Alex, eu não sei se volto hoje, mas se quiser vá dar uma volta por aí…

-É, eu preciso mesmo esfriar as ideias. – Perla ficou sentida com o olhar duro de Alessandro.

-Você vem, ou vai ficar ai falando com o seu querido mais que tudo noivo? – perguntou Jack, despertando a atenção de Perla.

Apenas os dois tomaram o caminho pela extensa praia, passando pelo grandioso penhasco, que logo deu lugar a uma cidade bem composta. Caminharam durante um bom bocado, descendo por uma rua larga e barulhenta, onde as crianças brincavam livremente e os adultos trabalhavam sem parar, tanto nas tabernas ali presentes ou no pequeno mercado que estava logo á frente deles. Eles atravessaram-no com a menor das dificuldades e andaram por algum tempo, enquanto Perla pensava que, dentro de alguns instantes, estaria frente a Elizabeth. A mulher que durante um bom tempo permaneceu nos pensamentos do capitão. Com um rosto curioso, ela desviou o seu olhar para Jack, tentando observar a sua expressão. Ele caminhava tranquilamente, agitando os braços a cada passo, envolvido numa feição serena e tranquila, até chegar a uma casa de dois andares. "Muito vulgar para uma rainha pirata", pensou Jack coçando o queixo. Ao chegar perto da casa, ele tratou de entrar sem mesmo bater á porta. O que fez confusão a Perla, que parou em frente á entrada, ao vê-lo avançar tão á vontade.

-Perla, amor, algum problema? – Indagou Jack, fazendo uma pequena careta ao vê-la parar.

-Nunca lhe ensinaram boas maneiras?

-Para que boas maneiras, se podemos viver sem elas? Eu, por exemplo, vivo lindamente sem elas - Jack deu ombros e continuou entrando.

-Sua falta de educação é mais do que compensada pela sua intensa, e extensa, falência moral. – Ele parou elevando sua sobrancelha. – Você já viu bem? Parece mais que estamos assaltando a casa.

-Porta aberta para mim, é como um convite para entrar. Agora venha, antes que alguém a resolva fechar -Perla seguiu-o contrariada, revirando vivamente seus olhos.

Jack conduziu-a até a uma grandiosa sala, bem mobilada por sinal, onde se encontrava uma mulher de costas, abanando carinhosamente um berço de madeira enquanto cantava uma canção de ninar para fazer o bebé dormir. Ao ouvir atentamente os passos se aproximarem cada vez mais, a mulher continuou imóvel e, num gesto discreto, fechou os dedos sobre a coronha da sua pistola, continuando a cantar, mas despercebidamente a mulher perguntou:

-Cho é você?

-Não Lizzie, sou eu! Esqueceu-se dos velhos amigos! – Ao ouvir aquilo, ela retirou a mão da coronha, virando-se de relance para a frente, encontrando Jack ali parado, junto a uma larga poltrona. Surpresa, ela levou a mão a boca e foi em direcção a ele, não escondendo o sorriso de espanto.

-Minha nossa, Jack, é você! – Docemente Jack beijou-lhe a mão – Pensei que numa altura destas, você andasse por esse mundo afora procurando novas aventuras, e que nunca mais se lembrasse da gente. Mas a que devo honrosa visita?

-Forças maiores me trazem aqui, nada pessoal – murmurou ele, soltando um sorriso sarcástico.

-Como sempre…

Perla mirou bem Elizabeth. Agora sabia o porquê do capitão ter caído de encantos pela jovem mulher. De facto Elizabeth era uma mulher bastante atraente e elegante, já para não falar nas belas e joviais feições da garota, que sorria de alegria ao ver Jack. Chegou a sentir inveja, ao ouvir Gibbs falando dela e do modo de vida que ela levava pois, apesar de tudo, Elizabeth estava casada com o homem que amava. Embora só o fosse ver daqui a nove anos, era uma pirata e capitã de um navio, tendo a sua própria tripulação, e acima de tudo era livre e estava isenta de qualquer obrigação a que a pudessem submeter.

-Não sei porquê, mas o meu tremendo instinto para criaturas femininas estava-me dizendo que você está precisando de algo excitante na sua vida monótona… – Os olhos de Jack caíram sobre o berço onde estava o bebé deitado. Ele ergueu as mãos e aproximou-se do menino, que abanava as mãos para que Jack o pegasse ao colo. – Quem é o menino do titio, quem é? – Ele olhou de esguelha para Elizabeth. - Não sabia que, nos seus tempos livres, tomava conta de criança…

-Jack, ele é meu filho e do Will.

-Aôh, não sabia que eunuco fazia filho … – Perla abanou a cabeça impaciente.

-Tenha um pouco mais de respeito Jack. – retrucou Perla, dando-lhe um tapa no ombro.

Elizabeth soltou um sorriso agradável ao ver aquela garota, possivelmente era um novo membro da tripulação ou então…

-Qual foi a confusão que você se meteu, desta vez?

-Eu nunca me meto em confusões, as confusões é que teimam em perseguir-me…

-E quem é a moça? – perguntou por fim, não aguentando mais a sua pequena curiosidade.

-É a Alteza Perla Neblon, princesa de Siracusa – Elizabeth observou bem aquela garota com aspecto maltrapilha e pensou que Jack só podia estar brincando, mas deixou-o prosseguir: – É uma longa história e uma nova aventura…

-O que você anda aprontando agora, Jack Sparrow? Não me diga que sequestrou a princesa, e que está pedindo um resgate por ela? Oh, se for isso eu nem quero ouvir…

-Não é que não me tenha passado isso pela cabeça quando a vi no meu navio…-Jack pensava sozinho, até ver as duas olharem para ele de uma forma incrédula. – Detalhes… – respondeu ele, abanando as mãos.

-Senhorita Turner, eu vim de livre e espontânea vontade… – intercedeu Perla.

-O que realmente se passa aqui é o seguinte… – Jack interrompeu grosseiramente Perla ao caminhar no seu passo característico – Essa garota aí… – ele apontou o dedo indicador para Perla. - Designada por Princesa de Siracusa, invadiu o MEU navio em busca de uma suposta ajuda. Segundo ela, parece que o seu reino maravilha foi invadido por alguém que tão bem você conhece… – Elizabeth soltou um olhar apreensivo, temendo a resposta – Black Dog…

-O amaldiçoado! – Perla viu Elizabeth ficar alterada quando ouviu o nome do homem. – O que esse maldito fez desta vez?

-Raptou minha irmã, e está querendo a Mão de Midas em troca. Meu pai nunca desconfiou dele, muito pelo contrário, sempre confiou demais em Silver… – Elizabeth baixou o olhar em sinal de pesar. – Eu ouvi uma conversa entre ele e o Pewal, onde explicava o seu plano para possuir esse objecto e o reino de Siracusa…

Enquanto Perla explicava, com detalhes, toda a história para situar Elizabeth, Jack analisava a sala, como quem tentava descobrir algo de grande valor para roubar. Seus olhos passeavam discretamente por entre as mobílias, que estavam repletas de porcelanas, até algo lhe chamar atenção…um cálice de prata que estava pousado sobre um armário velho. Aproveitando que as duas continuavam falando, ele aproximou-se do cálice e disfarçadamente o pegou, soprando o pó que tinha sobre ele. Vendo que as duas não estavam a olhar para ele, Jack sorrateiramente escondeu o cálice no seu bolso, e olhando para cima, saindo descaradamente de perto daquele armário, antes de Elizabeth perceber.

-Aquele maldito voltou e está querendo mais poder! – disse Elizabeth cruzando os braços – Você tem alguma informação sobre essa Mão Jack? – Jack elevou o olhar perplexo ao encontro das duas.

-Não, por isso lembrei-me de você, como é tão culta nesse aspecto…

-Então nunca ouviram falar na lenda do Rei Midas? – perguntou Elizabeth, vendo Perla discordar.

-Mais ao menos, mas não muito detalhada. – informou Jack, colocando a mão no queixo.

-Midas foi um lendário rei grego, ganancioso por sinal, quanto mais ele tinha, mais ele queria. Um certo dia, seus camponeses encontraram o pai de Dionísio, o mestre Sileno, bêbedo e levaram-no até ao rei. Este tomou conta dele, e passados onze dias, levou-o de volta ao seu filho. Grato pelo rei ter tratado do seu pai, Dionísio ofereceu então a Midas, o direito de escolher a recompensa que desejasse. Qualquer que fosse ela. Com o sentido de ganância, e querendo sempre mais, Midas pediu que tudo que tocasse imediatamente fosse transformado em ouro. Dionísio consentiu, então, esse poder, e a partir dai, tudo o que o rei tocou praticamente virou ouro sólido.

-Interessante. – enfatizou Jack, começando a fazer luz em sua cabeça. – Muito interessante.

-Segundo a lenda, tudo o que a mão tocasse, se transformaria radicalmente em ouro. – concluiu Perla segura de si. - Eu sabia que existia um tesouro nestes mares que todos os homens pensam colocar-lhe a mão. O tesouro mais antigo da história, mas nunca pensei que fosse esse.

-A Mão de Midas é uma lendária preciosidade. Quem a possuir terá nas suas mãos, não só a chaves para o sucesso, como a sorte de ter a maior das riquezas: o tesouro supremo. – explicou Elizabeth, num tom que fez Jack lembrar-se de Tia Dalma.

-Aôh. – Jack rodou a mão. – Muito mais do que aquilo que um pirata pode imaginar...

-Por isso ele anda atrás dessa Mão, e por isso usou minha irmã. Queria que alguém fizesse o trabalho por ele, e nós fomos a presa ideal. – murmurou Perla ao ver Elizabeth sentar-se numa poltrona, fazendo um gesto para que eles se sentassem também. Os dois seguiram o exemplo dela e sentaram-se.

-Quando o rei Dionísio morreu, os Deuses fizeram uma estatueta do tamanho dele em sua homenagem e colocaram nessa estátua uma mão igual á que Midas possuía. Ela encontra-se numa ilha, chamada a Ilha Desaparecida, que só aparece para quem mais a desejar encontrar, mas só poderá aceder a ela quem for o portador de uma chave…

-Que chaves é essa? – contrapôs Perla preocupada, pensando que não havia tempo para procurar a chave.

-A última aventura que envolveu chaves, não correu muito bem... – lembrou Jack, cruzando os braços, pensativo.

-A chave é uma espécie de cruz ancorada, que só a guardiã transportava… A famosa pirata Deanne Bonny! – Jack olhou de relance para Perla, que rapidamente puxou a sua cruz para fora.

-Então, é esta a cruz que minha mãe sempre disse que levaria ao tesouro supremo...

-Muitos foram os corajosos, que no passado tentaram desembarcar nessa ilha. Tantos gritos perdidos foram silenciados debaixo de água, tantos cadáveres insepultos jazem lá... Tudo graças á Eris, a deusa da Discórdia e do Caos, que guarda o objecto até á verdadeira guardiã chegar para recuperar a Mão de Midas.

-Como podemos comprovar que isso não passa de uma lenda?

-Os corajosos nunca voltaram, por isso, nunca ninguém soube do paradeiro da ilha. O que torna esta história praticamente uma lenda. Apenas uma única pessoa ainda a procura…Black Dog, acreditando que um dia a achará, e o seu desespero levou-o a fazer o que fez. Ele sabia que você era a guardiã, aquela a quem Deanne Bonny deixaria a chave, visto ser a filha mais velha, ele fez tudo de caso pensado.

-Ele é louco. – murmurou Perla, sentindo-se uma peça nesse jogo sujo que Silver estava fazendo.

-Mas nós, somos mais loucos que ele. – interviu Jack, levantando-se num salto, vendo Perla olhando para o chão. – E nós vamos atrás dessa Mão de Midas.

-Capitão, espero que não esteja esquecendo que esse objecto irá libertar minha irmã. – retrucou Perla, frisando bem aquela frase e pondo-se também de pé.

-Claro que não me esqueci. Além do mais, ninguém pôs isso em causa amor. Palavra de pirata que cumprirei o meu dever. – Ela queria acreditar naquilo, por isso sorriu como aprovação.

-Estou confiando em você Jack, não me decepcione. – Perla passou a mão pelo rosto dele – Com licença – e logo saiu daquela espaçosa sala, ouvindo-se as passadas de Perla até á porta da saída.

-Bugger…-murmurou ele, os lábios crispados num falso sorriso.

-Não a faça sofrer mais do que ela já está sofrendo. Não está sendo fácil carregar o fardo que ela está carregando.

-Você tirou algum curso com Tia Dalma? E que está parecendo ela… – zombou Jack com seus trejeitos.

-Não é preciso ser a Tia Dalma para ver o que está certo e errado. E eu mesma já tive o fardo da sua suposta morte nas minhas costas, sei muito bem o que ela está sentindo… – Jack levantou o olhar manhoso para ela, erguendo a sobrancelha. – Faça o que seu bom coração apela e não sua cabeça. Tome mais uma de suas atitudes honestas, e ajude-a. Não a decepcione! – Quando Jack ia se aproximar de Elizabeth, o pequeno William começou a chorar, e ela logo correu até ao berço.

-Sabe que eu nunca fui muito de promessas, mas posso dar minha palavra de pirata que vou me esforçar para tal – disse Jack num tom de desdém – Agora, darling, que tal pensarmos noutros assuntos mais graves…

-Como assim? – rebateu ela, pegando no menino e olhando para Jack surpresa.

-Lizzie, precisaremos reunir novamente a Corte da Irmandade. Necessitamos fazer algo contra o Black Dog, antes que ele cumpra a promessa e acabe com todos nós.

-Como se fosse fácil! Já tomamos essa medida há bem pouco tempo, e de nada nos serviu. – Ela acariciou a face do menino para lhe limpar as lágrimas. – E agora creio não poder fazer nada contra isso. Eu tenho um filho para criar e não o posso meter-me em perigo…

-E você prefere que ele cresça sem mãe e num futuro negro, dominado por Black Dog, o único Lord pirata que sobreviverá, visto que é o único imortal. – adiantou Jack, num tou ríspido - Ele é pior que Cutler Beckett, pois em comparação, Cutler ainda era um mero e incapacitado mortal. – Elizabeth segurou bem fortemente seu filho nos braços, sentindo um pequeno afogo dentro de seu peito inquieto – Silver pode muito bem invadir esta casa, e não haverá ninguém para defender você e o pequeno William.

-Eu sei Jack, pensa que eu não tenho medo? Até agora tive sorte dele não me achar, mas sei perfeitamente que essa sorte não durará para sempre…

-Então, minha cara, você pode fazer algo contra isso. – incentivou Jack elevando suas mãos.

-O Will pode sempre nos ajudar…

-E o que espera? Dois imortais lutando até as trombetas do juízo final tocarem? – contrapôs firme, adoptando uma expressão séria. Algo que Elizabeth nunca viu, apoderava-se do rosto de Jack. - Precisamos reunir a Corte da Irmandade antes que a situação seja irreversível para todos nós. Você ainda é o Rei da Corte… – O silêncio intenso apoderou-se daquela sala, ao tempo que ambos lançavam tensos olhares.

-Está certo. – murmurou ela, quebrando aquele gélido silêncio. - Vamos improvisar isso! – Ela encurtou a distância entre eles. - Será que me pode dar uma boleia no seu navio? Em memória dos velhos tempos…

-As coisas já não são o que eram Elizabeth…

-Infelizmente não! O Will já não está entre nós, para nos acompanhar. – Jack observou o menino que sorria ao olhar para ele, e tomando a iniciativa, ele pegou numa das mãos de William – Mas isso não quer dizer que ele não nos possa ajudar…

-Aye, ele vai ser útil. – Jack olhou Elizabeth, que estava tão próximo dele. Ela balançava cuidadosamente o menino, tentando desencontrar-se do olhar concentrado de Jack.

Fazia um ano que não a via, e esse ano, pareceria que tinha sido uma eternidade. Como ela estava mudada…já não trazia aquele ar inocente de quando a tinha conhecido lá em Port Royal, estava mais madura e senhora de si. Ele teve vontade de lhe fazer uma carícia, mas seu orgulho falava mais alto, além do mais, ela era agora a senhora Turner, e tinha um filho…que ansiava ver um dia seu pai voltar!

-Então, logo ao amanhecer partiremos. – O silêncio foi quebrado por ela, fazendo-o levantar o olhar.

-Está certo, desde que você não resolva me matar novamente… – Ele levantou os dois dedos indicadores até ao peito, gesticulando-os. – Por falar nisso, introduzi uma nova regra no meu navio… – Elizabeth esperou ele dizer. - Nada de tentar matar o capitão, seja por qual motivo foi, Savvy?

-Entendido, Capitão. Eu prometo não infringir essa regra, só se for mesmo em ultimo recurso. – Jack soltou um sorriso irónico e voltou-se, indo em direcção á porta de saída.

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-Yo, ho, haul together/ hoist the colors high. / Heave ho, thieves and beggars/ never say we die. – cantava Perla, passeando á beira-mar, pela areia fofa e molhada com as suas botas na mão.

Ela olhava para o maravilhoso mar, ouvindo as ondas quebrarem contra as rochas mais próximas, e sentia aquela brisa gostosa, misturada com os salpicos que o vento direccionava para o seu rosto.

-Perla! – Ela olhou para trás e viu Alessandro correr até ela. - O que a tal moça vos disse?

-Disse que a Mão de Midas é um objecto muito valioso, talvez o tesouro supremo. Ao lado dele, a fortuna do meu pai não passa de uma ninharia. A ilha encontra-se perto daqui, por isso, iremos achá-la sem a menor das dificuldades. – mentiu Perla, tentando esconder o que tinha de facto ouvido.

-Tem certeza? Não me está escondendo nada?

-Não! Estou sendo sincera com você! – Ela olhou-o com remorsos por lhe esconder o que sabia. – Alessandro, por favor, deixe-me sozinha. Eu preciso pensar...

-Perla, só queria que soubesse, que eu não estou magoado com você. Eu serei paciente e lutarei pelo seu amor…eu ainda tenho esperanças de o conseguir! – Perla apenas ficou em silêncio, vendo ele beijar sua testa delicadamente e logo de seguida virar costas.

Perla sentou-se na areia com as pernas cruzados e viu Alessandro ir na direcção oposta de Jack. Ela olhou para o mar e sentiu pena de Alex, principalmente por ele estar se esforçando para ajudá-la, enquanto ela o tratava daquela maneira insignificante, ainda para mais, mentindo sobre o verdadeiro propósito da ilha desaparecida. Perla voltou a olhar para o lado, vendo se Alessandro e Jack já se tinham cruzado no caminho.

-Jack Sparrow, você sabe o que Perla está me escondendo? – interpelou-o, vendo Jack parar á sua frente com um olhar de desprezo mal disfarçado.

-Primeiro, é Capitão. Capitão Jack Sparrow. Depois, a noiva não é sua? Então, por que haveria eu de saber dos vossos segredinhos? – resmungou Jack, tentando desembaraçar-se dele de uma forma rápida.

-Eu e ela não estamos mais juntos…

-Não? – Jack soltou um sorriso cínico. - Ohhh... Que pena! Sabe, faziam um belo casal! De facto, sinto realmente uma imensa pena, acredite que eu torcia por vocês...

-Não seja cínico, senhor Sparrow. Sei muito bem que deve estar contente pela notícia, mas isso não me interessa, eu quero saber o que se passou lá dentro e o porquê de Perla me esconder o que se passa.

-Nada de mais, tivemos a falar, tomar um chá e descobrimos onde fica a ilha…

-Você está mentindo. – afirmou Alessandro, vendo Jack empinar sua sobrancelha.

-Não estou nada…

-Está sim…

-Não estou!

-Está sim senhor…

-Ora, porquê eu estaria mentindo? – indagou Jack, cruzando os braços, contrafeito.

-Primeiro: porque você é pirata, segundo: vocês dois estão bem misteriosos, e terceiro, desde quando o famoso Capitão Jack Sparrow bebe chá? – Com aquela afirmação, Alex afastou-se, deixando Jack pensativo:

-Desde nunca, eu ainda sou fiel á minha garrafa de rum…

-The bell has been raised/ from it's watery grave... / Do you hear it's sepulchral tone/ We are a call to all/ pay head the squall / and turn your sail toward home…/ Yo, ho, haul men/ hoist the colors high. / Heave ho, thieves and beggars…

-…never say we die. – completou Jack, sentando-se ao seu lado – Uma canção apropriada para o momento!

-Vocês estão pensando em reunir a Corte da Irmandade novamente, não é?

-Digamos que sim, darling… – Jack olhou ligeiramente de lado para ela.

-Você não lhe contou sobre a deusa Éris – disse Perla, continuando fixada no mar, brincando com a areia.

-Reparei que você também não, e pela mesma razão, calculo eu…

-Alex nunca me deixaria arriscar se soubesse que há muito mais do que uma Mão de Midas. Arranjaria logo um meio para fazer tudo á maneira dele, e colocar-me-ia de lado.

-Você sempre podia embebedá-lo! – Perla olhou incrédula, fazendo uma expressão séria para Jack. – Não me interprete mal, amor, eu admiro uma pessoa que está disposta a fazer todos os possíveis.

-Você é um homem inteligente, Jack, mas eu não sei se posso confiar em você… – Ela levantou-se, agarrando as botas. Jack seguiu o exemplo dela, aproximando-se de Perla com o dedo indicador e o dedo médio erguidos em sua direcção.

-Como duas gotas de água, darling.

"Jack nunca ligou a grandes amizades, muito menos a amores sinceros, por isso, não custará nada despachar você depois de obter a famosa Mão."

"É difícil saber o que vai na cabeça do capitão, Perla. Eu vou ser o mais franco possível com você. No inicio, quando você apareceu, lá em Siracusa, pedindo desesperadamente por ajuda, Jack só pensava no quanto esse objecto valia e no quanto iria lucrar te ajudando."

O olhar dela elevou-se lentamente até aos olhos de Jack, e mirou firmemente dentro eles, o que fez Jack perceber que algo estava errado naquele olhar tão expressivo…tão cheio de raiva. Perla não conseguiu esquecer o pequeno encontro com Barbossa, nem a conversa que tinha tido com Gibbs, e agora que estava tão perto de Jack e ambos sozinhos ali, ela não conseguiu esconder a sua fúria.

-E quando partiremos para essa tal ilha desaparecida? Quando seu lucro se tornar bem maior? – rosnou Perla, dando com os punhos no peito de Jack.

-Eu já lhe dei razões para você desconfiar da minha humilde pessoa? – Jack segurou nos punhos dela, tentando pará-la.

-Só quero que você sabia que eu não sou nenhuma idiota, muito menos serei seu trunfo contra o Black Dog! – Ela soltou-se das mãos dele e deu as costas para Jack, que a agarrou pelo braço, fazendo-a virar-se de frente para ele e encará-lo.

-O que deu em você…

-Vida de pirata ensina muita coisa, e eu estou aprendendo a não confiar em ninguém.

-Há algum problema entre nós, senhorita Neblon? – perguntou ele, erguendo a sobrancelha.

"Não deixe que esse pensamento estrague tudo o que até agora você conseguiu conquistar! Você adquiriu o que muitas mulheres tentaram, e possivelmente algum dia almejaram, e isso em si é um grande mérito seu."

-Eu estou com medo, Jack... – desabafou ela por fim, abraçando-o, enquanto ele acariciava de leve os cabelos encaracolados de Perla. – Medo que você me traia e me roube a Mão de Midas…

-Definitivamente, você continua doente. Uma boa noite de sono e todos esses seus pensamentos parvos desapareceram por completo... Também tem outra solução…RUM. Nada melhor que o rum para esse tipo de pensamento insanos. Por falar em rum, já não o bebo desde muito cedo. – disse ele numa voz descontraída, enquanto rodopiava seus braços no ar. Perla sorriu desajeitadamente, até sentir a mão quente dele tocar no seu rosto gelado.

Naquele momento, começou por cair pequenos pingos de chuva, o que fez os dois olharem para o céu. A lua tinha sido apagada por nuvens cinzentas, cobrindo-o como um manto negro. De volta, os dois permaneceram ali calados, a ver a chuva cair cautelosamente. Nos segundos seguintes, a camisa branca de Perla ficou totalmente transparente, o que fez Jack sorrir maliciosamente.

-É, digamos que a chuva veio mesmo a calhar… – Ao perceber que Jack estava olhando para onde não devia, Perla colocou as mãos sobre o peito…

-Seu sem vergonha! – murmurou ela timidamente, virando-se de costas para ele.

-Calma amor, eu já vi muita coisa por esse mundo, mas nada se compara ao belo formato do corpo feminino. – Jack virou-a lentamente para si e colocou uma mão na cintura dela, roçando o seu bigode no pescoço de Perla, que estremeceu com tamanho avanço.

-É melhor ficarmos por…aqui. – gaguejou ela, ao sentir o toque de Jack no seu pescoço, fechando literalmente os olhos com aquela agradável sensação.

-É isso mesmo que você quer? – Ao vê-lo parar, Perla abriu os olhos, percebendo a proximidade de suas bocas. Ela abanou sua cabeça negativamente e Jack voltou a soltar um sorriso pervertido. – Bom para você. – sussurrou ele no ouvido dela, ao puxá-la mais contra ele.

Acariciou de novo o seu rosto com as costas da mão, passando os dedos molhados pelos lábios dela, até finalmente tocá-los com os seus. Perla correspondeu sem hesitar ao beijo, deixando de lado toda a sua inocência, e aproveitou o momento agradável que Jack lhe estava oferecendo. Para ela, o mundo podia acabar e os mares engolirem toda a porção de terra restante, que Perla nem estava aí para tais factos. O único pensamento que predominava na sua cabeça, era o de querer se afogar naqueles lábios e de sua boca pedir cada vez mais pelo toque deles. Perla chegava a ter medo das consequências que isso podia proporcionar. Ambos olharam-se por breves instantes, e Perla atirou o chapéu de Jack ao chão, reparando nos cabelos molhados dele que pingavam insistentemente contra o peito dela. Já Jack sentia a respiração dela acelerar á medida que a conduzia para uma rocha ali perto, beijando-a novamente envolvendo suas línguas de uma maneira intensa, encostando-a por fim á rocha. Jack colocou a mão nos quadris da garota, e discretamente, começou a deslizá-la para dentro da camisa ensopada de Perla, mas em sua cabeça, algo o fez parar imediatamente, fazendo Perla estranhar seu comportamento.

-O que se passa Jack?

Ele pousou um olhar sério em Perla, o que a levou a pensar que tinha feito algo de errado, ao mesmo tempo que ele pensava que não podia fazer isso com ela, não agora. Perla era diferente de todas as mulheres que tinha conhecido até então, inclusive de Elizabeth, que há muito já tinha desocupado seus pensamentos.

Jack não a deixava de fitar cuidadosamente, tentando não ser previsível mediante a sua atitude, e nos olhos inocentes da jovem moça, Jack reparou que seus mundos eram totalmente diferentes. Ele era um pirata que vivia para pilhagens, e ela, uma princesa, que tinha um reino para cuidar depois da morte do Rei, e nada a faria abdicar daquilo, quer ela quisesse ou não. Ela teria de casar com alguém de boas posses, não com um pirata que toda sua vida tinha vivido para o mar. E nem ele estava disposto a largar o mar para ocupar um lugar numa sociedade de hipócritas. No meio de tudo, ele lembrou-se que tinha prometido a si mesmo não voltar a confiar em nenhuma mulher, muito menos avançar tanto como estava avançando com Perla, o que o fez recuar também na sua decisão. O único avanço que Jack tinha tido nestes últimos meses tinha sido com as mulheres de Tortuga, e mesmo assim, era raro estar com elas. Ele continuou a fitá-la atentamente, atordoado com a explosão de pensamentos em sua cabeça, ao tempo que Perla procurava por uma resposta no olhar pouco expressivo de Jack. Algo que explicasse o motivo dele estar daquele jeito, até chegar á conclusão, que só podia ter algo haver com o que Gibbs lhe tinha contado.

-Eu também acho melhor parar por aqui. – disse ela por fim, pegando nas suas botas. Observou-o mais uma vez, seguindo o seu caminho no meio daquela chuva cerrada, enquanto Jack continuava a olhar para o rochedo.

-Bugger. – praguejou ele baixinho, apanhando o seu chapéu do chão e indo atrás dela.

Oiii

Pela primeira vez, demorei apenas uma semana para postar, o que é um verdadeiro milagre ehehe, visto que fico semanas sem postar…o que vale é que não tenho tido muito trabalho da escola (finalmente acalmou um pouco) e tenho aproveitado esse tempo para pôr a escrita e leitura em dia.

Neste capítulo desenvolvi mais o assunto da Mão de Midas, e das suas possíveis lendas e histórias (para o desenrolar da fic).

Espero que tenham gostado do capitulo e, mais uma vez, agradeço á minha Beta Rô (sim, porque você se pode considerar uma Beta, e das boas rs).

Quando ás reviews, quero agradecer novamente a vocês…Roxane Norris, Fini Felton, Dorinha Pamela, Likha Sparrow, Ieda, Jane, Bruno Teixeira, pelo carinho de cada palavra…essa é a minha energia para escrever com tanto entusiasmo. Obrigada mesmo ).

Bom, próximo capítulo está começando a ser feito, e possivelmente vou falar mais um pouco sobre a irmã de Perla, Estella, e do próprio Silver (espero mesmo cumprir isso)

Bjokas Grandes meninas e menino rs e fiquem bem

Taty Black