- Quando ele irá acordar Madame Pomfrey? – Escutou Hermione perguntar – Faz tempo que ele está aqui.

- Calma senhorita, ele bateu a cabeça, esse tipo de trauma pode fazê-lo ficar desacordado por muito tempo.

- Mas duas semanas? Ele está em coma por um acaso?

- Para todos os efeitos sim, senhorita Granger

- Queria tanto que ele acordasse logo

- A mente dele está descansando.

- Não está mais – Disse a voz rouca de Harry

- Harry! – Exclamou Hermione sentando ao seu lado com um sorriso enorme – Como você está?

- Bem – Respondeu enquanto Madame Pomfrey o examinava – Como vim parar aqui?

Hermione o olhou sem saber o que falar. Na verdade nem ela sabia ao certo por que o amigo estava ali.

Abriu a boca para falar, mas Madame Pomfrey deu-lhe um olhar severo e ordens de sair para que Harry pudesse ser examinado

Harry não voltou a questionar o motivo de estar ali, estava tão acostumado a acordar naquele lugar que já não fazia diferença, mas o estranho era não se lembrar de nada que pudesse ter causado aquilo.

Nada

Forçou sua mente a pensar, deveria haver algo, mas não havia nada.

Ainda tentava achar um motivo quando o diretor entrou.

Vinha, como sempre, calmo e sorrindo. Isso irritava Harry de uma forma que não conseguia explicar, nem sabia o porquê, mas odiava. Algo estranho estava acontecendo, ele sabia disso, mas ao mesmo tempo não sabia.

Era revoltante e frustrante.

- Bom dia meu menino – Cumprimentou Dumbledore

Ele não respondeu

Não conseguia desviar o olhar do vulto negro parado a dois metros de onde estava.

Por algum motivo incompreensivo seu olhar se deteve nos negros olhos dele.

O que havia ali?

Magoa, tristeza?

"É só o ódio" Pensou Harry desviando o olhar.

Dumbledore ignorou o olhar de Harry para Snape e começou a falar algo que sabia que o grifinório não estava ouvindo. Depois de um tempo ainda pensando no porque daquele olhar estranho, Harry fez a pergunta que ninguém lhe respondia.

- O que houve comigo?

- Nada demais meu caro – Respondeu ainda sorrindo – Você escorregou no banheiro e bateu a cabeça. Mas já esta melhor.

- Hummm

Harry suspirou e se deixou ser levado para o inconsciente novamente. Ele queria sumir dali,queria fugir, algo faltava para ele.

Madame Pomfrey lhe disse que não poderia sair de lá por mais três dias, então se conformou e apenas esperou o tempo passar.

Seus olhos memorizaram cada rachadura das paredes nuas e cruas daquele lugar. Deitou-se seminu no chão depois que Madame Pomfrey foi se deitar e deixou seu corpo sentir cada mudança de temperatura. Sentir o piso cortar sua pele de tão gelado.

Ele via cada sombra nas paredes iluminadas pela lua. Ele queria tocá-la, senti-la, experimentá-la.

Deixou seus dedos vagarem pelo vazio do ar e pousarem suavemente em seu abdômen, arrepiando-o com seu gelo.

Os tremores corriam pelo seu corpo da cabeça aos pés, mas ele não ligava, ainda faltava alguma coisa para ele.

Alguma coisa importante

Alguma coisa lhe matava a alma

Alguma coisa que ele não sabia o que era.

Falta daquilo que jamais conheceu.

Falta de algo que não sabia o que era

Falta

Vazio

Seus olhos abriram lentamente quando os primeiros raios de sol atingiram sua cama.Não se lembrava de ter ido parar lá, mas estava vestido e embaixo de várias cobertas.

- Acho que já pode ir Potter. O diretor disse que você está liberado e eu também acho que não tem perigo você ir embora.

- Obrigado.

Rapidamente Harry se arrumou e rumou para o salão comunal. Rony e Hermione estavam em um canto aproveitando o momento que tinham para ficar sozinhos. Os beijos e caricias deixaram Harry enjoado e invejado.

Ele jamais teria aquilo. Só teria o que tem nas férias. Ele era sujo e indecente para ter um amor de verdade.

"Deixa pra lá" Disse a si mesmo como se estivesse se encorajando a não olhar mais para aquele lado. Foi para seu quarto, sentia saudades de sua cama. Deitou-se deixando a cortina fechada, se cobrindo de todo o mundo exterior. Forçou o sono a vir, mas ele não veio

- Droga

Levantou-se sem vontade e enterrou-se nos livros estudando o que não havia estudado nos dias em que ficou parado na ala hospitalar.

Encontrou seus amigos abraçados no salão comunal quando desceu no horário do jantar.

- Oi

- Harry! – Hermione se jogou em seus braços – Meu Deus, fiquei tão preocupada, tanta coisa aconteceu com você esse semestre.

- Estou bem

- E ai cara – Disse Rony.

- Oi Ron

Hermione abraçou o amigo novamente, mas Harry não sentiu o mesmo calor da amizade que sempre inflamou em suas veias ao vê-los.

Ele queria apenas ficar sozinho, pois se sentia vazio, faltando algo.

- Vamos comer? – Perguntou Rony – Estou morrendo de fome

- Você só pensa em comer? – Perguntou Hermione

- Na maioria das vezes.

Harry forçou um sorriso quando os amigos o abraçaram de novo. Foram pára o salão principal e sentaram-se em seus devidos lugares ao lado de Neville, Dino e Simas.

- E ai Harry, tudo bem?

- Sim Dino, estou bem.

- Que bom cara

- É, que bom.

A comida apareceu e todos começaram a devorar o que tinha em seus pratos enquanto conversavam animadamente e contavam novidades que aconteceram em suas vidas. Harry bufou por um momento sentindo o quanto era bom fazer aquilo sabendo que ninguém escutaria sobre a barulheira do salão.

Olhou cada rosto. Seus risos altos, seus sorrisos grandes, seus olhares apaixonados.

Foi quando o viu

Ele o olhava assim como fez quando estava na ala hospitalar. O olhava de uma maneira que não entendia, não conseguia decifrar. Sabia que ele não estava lendo sua mente, não precisaria, era praticamente a pessoa que mais sabia sobre sua vida, por mais que a descoberta fosse feita da pior maneira. Balançou a cabeça tentando esquecer aqueles dias de tortura com o professor em sua masmorra.

Não percebeu que ele já tinha ido embora.

Snape saiu por uma porta atrás da mesa dos professores sem olhar para os lados, ele não viu quando Harry abriu um sorriso grande sentindo-se animado por Gina Weasley se sentar junto de seu grupo.

- Oi Harry – Disse timidamente

- Oi Gina – Respondeu sem conseguir tirar os olhos do leve tom de vermelho que coloria as maças do rosto dela.

Passaram o restante do jantar se falar muito, mas se olhando de vez em quando.

Era estranho

Nunca tivera tanto medo de ficar perto da irmã mais nova de Rony, mas agora sentia medo pelo fato dela poder ir embora. Eles seguiram juntos até a porta de seus dormitórios, onde ficaram em silêncio por um momento apenas olhando nos olhos.

- Que bom que está bem Harry

- Obrigado

Ela sorriu e deu as costas sorrindo por cima do ombro Nantes de entrar em seu dormitório e fechar a porta.

Depois de um dia de vazio e frio, a sombra de um sorriso dançou nos lábios rosados do menino

Ele dormiu e não sentiu a presença do vulto negro que velava seu sono com uma lágrima escapando de seus olhos.