Álbum de família
Capítulo 10-- Meu grão de amor
Agosto, Sheffield de 1945
Narrado por Isabella
Eu nunca me senti tão ansiosa quanto agora. Não consigo imaginar quantas vezes já havia olhado se tudo estava arrumado. Alisei a coxa da cama. Olhei se a sala estava arrumada e se no piano realmente não tinha pó. Eu sabia que ele não ligaria para esses detalhes, mas eu tinha que ocupar a minha mente.
-Bella se acalme – Mandou Jasper e eu sabia que ele estava prendendo o riso. O que não era nada delicado da sua parte – O Edward só está feliz em finalmente voltar para casa e ver você e a Nessie.
-Eu sei disso – Falei me sentando no sofá da sala tentando mesmo controlar a minha respiração tentando me acalmar. Há como eu queria que ele chegasse logo.
-Mamãe, mamãe! To bonita? - Perguntou Reneesme rodando em volta de si para me mostrar seu belo vestidinho azul.
-Mais linda impossível – Respondi sorrindo e ela pareceu relaxar. Se tinha alguém que quase se igualava comigo em níveis de ansiedade essa era a minha pequena Nessie – Já podemos ir?
-Claro – Disse Jasper tentando muito controlar o riso. Era incrível como ele não tinha sensibilidade.
Eu sabia que não seria fácil esse reencontro, mas tudo que eu precisava era saber que ele estava bem. Poder tocar nele, sentir seu cheiro sem qualquer dúvida que ele ficaria e dessa vez para sempre. Fui até a estação com o coração na mão e quando chegamos descobrimos que o trem estava atrasado e que eu iria demorar mais alguns minutos com ele.
-É só mais alguns minutos, Bella – Falou Jasper parecendo impaciente e eu sorri. Minha ansiedade estava me deixando à beira da histeria e isso realmente não acontecia sempre. Mas, só de pensar que seus olhos verdes iriam voltar a me encarar... – O Trem!
-Oh meu Deus! – Exclamei exaltada sabendo que eu estava me comportando como uma criança, e sabia também que o Jasper não me deixaria esquecer esse momento constrangedor.
O trem parou e as pessoas começaram a descer e as fardas me davam até certo medo. Admito que criei uma certa aversão a fardas desde que essa guerra começou. É algo que acho que não vou conseguir mudar.
Eu já estava cansando de esperar quando finalmente vi seus cabelos ruivos e seu sorriso torto no rosto. E para que compostura?
Fui correndo tentando mundo não derrubar ninguém, principalmente nos trilhos. Eu só queria chegar mais rápido até ele. E quando finalmente cheguei me joguei em seus braços pedindo consolo, pedindo apoio, pedindo carinho. Eu só o queria. E ele estava ali, realmente estava ali.
Apoiei-me em seu pescoço sentindo o seu cheiro de sabão simples de coco. E ele largou sua bagagem para abraçar a minha cintura. E eu me senti completa de novo. Ele estava ali e bem. Claro que não era o mesmo de 1939. Mas, ainda era o meu Edward.
-Você não tem idéia de quanto eu sonhei com isso – Sussurrou Edward e sua voz estava fraca ou embargada pela emoção. Não saberia dizer já que estava chorando compulsivamente. Estava chorando de alivio, de medo.
-Você ta bem não ta? Você está realmente bem não é? – Perguntei passando as mãos pelo seu rosto pálido querendo redecorar os seus traços.
-Alguns arranhões e queimaduras, mas vou sobreviver – Falou Edward com um pequeno sorriso segurando meu rosto com suas mãos – Minha imaginação nunca faria jus a sua beleza, minha Bella.
-Papai! – Gritou Nessie se jogando nos braços do pai e eu sorri. Era bom lembrar que não era apenas eu que sentia uma saudade avassaladora. Edward rodou Nessie em volta de si mesmo a fazendo gargalhar e quando a colocou no chão sorrindo abertamente.
-Vamos para casa? – Perguntou Edward e eu abri um largo sorriso. Esperamos mais alguns minutos até o segundo trem chegar e quando Seth já estava conosco fomos para casa.
A chegada em casa foi barulhenta e cheia de abraços. Edward e Seth se encantaram com o pequeno Eric Hale e a riram da encenação de Nessie como chapeuzinho vermelho. Foram conversas animadas e divertidas. Foram conversar que exaltaram o belo prazer de apenas estar vivo. Sobreviver.
Haveria tempo para falar dos medos e das perdas. Haveria tempo para reaver conceitos por mais assustadores que eles pareçam. Sempre haveria tempo para isso. Mas, nada seria igual aquela alegria sem antecedentes que estávamos sentindo. Não se repetiriam os sorrisos, os abraços, as vozes animadas e os risos.
Edward relatou com uma animação crescente o reencontro de cinema de Rose e Emmett que prometeram vim nos visitar e só viajar para os Estados Unidos quando se casassem na presença de todos.
Alice ria dando conselhos nada convencionais para o seu primeiro encontro com uma tal de Linda que o mesmo conheceu por um programa de correspondência. Sue estava mais nervosa do que nunca com medo dessa garota roubar seu bebezinho.
Falando em bebezinho a Nessie não saia do colo do pai querendo a todo momento sua atenção. E era engraçado ver a maneira que o Edward ficava quando ela falava sobre o seu futuro casamento com o James. E o podre rapaz conseguia ficar mais corado do que eu quando envergonhada.
-Eu pensei que nunca ficaríamos sozinhos – Comentou Edward sorrindo quando entramos no nosso quarto. Eu sorri para ele enquanto me sentava em minha penteadeira e começava a passar lentamente a escova em minhas mechas sabendo que essa seria a hora de conversar tudo que devíamos conversar.
-É muito bom te ter aqui novamente – Falei com calma observando com carinho seu rosto refletido no espelho da penteadeira – Eu pensei que isso nunca aconteceria.
-Se eu disser "eu também" vou ficar repetitivo? – Perguntou Edward e eu sorri me levantando e sentando no seu colo e seu sorriso ficou relativamente menos ao que era antes – Eu não sou mais o mesmo de 1939.
-Eu também não sou mais a mesma mulher que você foi obrigado a deixar para trás em 39 – Falei com calma passando minhas mãos pelos seus cabelos sedosos apreciando o contato que fui privada em tanto tempo.
-Quando eu digo que não sou mais o mesmo não é apenas psicologicamente – Disse Edward em tom quase sofrido e isso me doeu – Eu não sou mais o mesmo fisicamente.
-Você tem cicatrizes? – Perguntei com calma.
-E queimaduras – Admitiu Edward sem me encarar.
-Sabe o que eu quero, Edward? – Perguntei com calma ficando em pé na sua frente e dando uma de Alice muito pirada e um tanto desesperada tirei meu vestido ficando apenas de camisola e meia.
-O que você quer, Bella? – Quis saber Edward e eu sorri me sentando no seu colo.
-Quero beijar uma por uma de suas novas cicatrizes e mostrar o quanto eu estou orgulhosa de você – Falei desabotoando sua camisa com muita calma.
-Orgulhosa por eu ter matado crianças? – Perguntou Edward sem me olhar e eu segurei seu rosto com minhas mãos para que seus olhos verdes se focassem nos meus castanhos.
-Não por ter salvado não apenas sua vida como muitas outras – Falei aproximando seus lábios dos meus com carinho e desejo. Ele havia voltado para mim.
***
Eu falei que não esperassem um conto de fada, já que a minha história não o poderia ser. Em uma guerra não há especo para maças envenenadas ou princesas presas em torres. Não, realmente não há tempo para isso. Mas, há tempo para doces ilusões.
Não ilusões tolas sobre amor para vida toda, e sim ilusão que seu leito estará esquentado durante quase seis anos de tristeza e dor.
Quando se pensa em Segunda Guerra Mundial logo se lembra de dados, números, tudo muito impessoal. Lembra-se que quase 60 milhões de pessoas morreram, das atrocidades dos campos de concentração, das duas bombas atômicas e que de lá se iniciaria a Guerra Fria e tantas outras guerras que levariam um sofrimento quase físico aos que esperam noticia.
No começo falei que construí um amor com o meu Edward e de fato eu o fiz. Nosso amor que deveria ser apenas uma gélida frieza tão costumeira em casamentos arranjados se tornou mais do que um dia me atrevi a sonhar. Era carinho, desejo, companheirismo, amizade e amor. Um amor tão simples e tão solido.
Um amor que me fez sentir tantas alegrias após a guerra. Como ele deixou bem claro, ele não era mais o mesmo de 1939. Não falo isso pelas cicatrizes ou pelas queimaduras resultado de sua heróica participação na batalha da Normandia que lhe concedeu algumas medalhas. Era mais do que isso.
Ele não era o mesmo homem que sentava no chão para brincar com o pequeno Antony. Mas, deve a paciência de ensinar a nossa Reneesme a tocas piano, e mais. Tocava horas seguidas para ela ensaiar suas coreografias até a perfeição. E hoje ela é a primeira bailarina do Theatre Royal de Londres.
A guerra lhe deixou marcas. Não tão visíveis quanto as do Jasper. Mas, marcas internas. Ele passava horas olhando pela janela buscando respostas para suas perguntas nunca faladas. Eu o chamava e ele demora tanto para responder. Uma parte dele ficou naqueles campos de batalha. Uma parte que uma parte de mim sente falta. Só que ele ainda era o Edward. O meu Edward. O Edward com um sorriso torto que ainda faz o meu coração bater mais forte. O Edward que tem um corpo que faz o meu tremer de antecipação. O Edward que possuía aqueles olhos verdes.
Não tinham mais aquele brilho ofuscante, mas o jeito melancólico que às vezes adquiria me dava vontade de abraçá-lo e cuidar dele.
Não, essa história não é um conto de fada. Mas, é a minha história. Uma história não tão bonita ou não tão perfeita. Mas, com certeza uma história de amor.
Isabella Marie Swan Cullen.
Fim
N/a: Acabou!
Ah!
Eu não consigo acreditar que mais uma história minha tenha chegado ao fim. Isso é tão deprimente. Vou sentir tanta falta dessa história, mas espero mesmo que vocês gostem desse fim que eu pensei. Espero mesmo.
Luiiza-- Ola querida!
Nossa fico muito feliz que tenha gostado do capítulo
Quero muito agradecer por ter acompanhado a fic até o final e espero mesmo que goste do final que planejei.
Rêh-- Ola amoré!
Não, não o Edward não chegou a ler a carta dela, mas para não deixar na curiosidade a coloquei como "plano de fundo" do capítulo anterior.
Quero muito agradecer por ter acompanhado a fic até o final e espero mesmo que goste do último capítulo
Bom...não tenho como agradecer ao apoio de vocês. Muito obrigada mesmo por cada review que vocês enviaram
Espero mesmo que gostem do final e não deixem de mandar reviews apesar de ser o último capítulo.
Novamente obrigada.
=****
