Capítulo 10 - A Batalha final

Depois de muitas explicações, muitos berros, lágrimas, negações, expressões de descrença e desagrado, Dumbledore conseguiu acalmar Arthur e convencê-lo de batalhar ao lado de Slytherin no Ragnarok, e Luna conseguiu convencer Blaise do mesmo.

Não fora tão complicado convencer Blaise, todavia. Se Lucius ainda estivesse vivo, então eles teriam problemas. Ademais, todos os homens em Midgard estavam vendo seu mundo entrar em colapso.

Terremotos e maremotos aconteciam a cada minuto. Chovia, e com freqüência raios violentos tocavam a terra e queimavam a paisagem. Criaturas que até mesmo Dumbledore já esquecera saíam das sombras para atormentar o mundo dos vivos.

Eles não poderiam ficar parados. Então marchavam, em direção à planície de Vigrid, onde estava marcada a batalha do final dos tempos. Dumbledore se separara do grupo. Iria até Hafflepuffe, buscar os exércitos dos outros dois reinos e guiá-los. Lá, se reuniriam com o exército de Odin, contra as forças do mal, lideradas por Vesta.

Um pouco antes de alcançarem a planície de Vigrid, o batalhão acampou escondido por trás de uma cadeia de montanhas próximas. Era preciso manter a guarda constantemente, pois monstros poderiam sair por de trás das rochas. Antes que Dumbledore os deixasse, espectros apareceram o caminho, apavorando os homens. O feiticeiro os afastara com uma luz branca saída de seu cajado, Mas agora Dumbledore não estava mais com eles, e os homens sentiam medo.

"Você não deveria estar aqui." Reclamou Blaise, entrando sem cerimônias na pequena cabana que Luna montara para passar a noite. Ela insistira em participar da batalha. O mundo estava em ruínas; nenhum lugar era seguro. Não ficaria esperando a morte como uma inútil, iria lutar. Colocar em prático aquilo que Ron weasley ensinara a ela e Gina anos atrás.

"Você já disse isso milhares de vezes." Ela reclamou, sentada sobre um lençol velho, polindo e afiando uma espada. Blaise passou uma mão pelo cabelo, nervoso.

"Está arriscando sua vida à toa. Não precisamos de uma garota indefesa para nos preocuparmos durante a batalha." Ele disse, áspero, tentando esconder sua preocupação. Por Thor, ela era delicada demais sequer para segurar aquela espada que afiava com tanta suavidade. Luna continuou seu trabalho, sem se afetar com as palavras dele. Depois de alguns segundos de silêncio, no qual Blaise desejou arrancar a arma das mãos dela, ela falou, calma e imperturbável.

"Você ficaria preocupado onde quer que eu estivesse. Não me importo de morrer nessa batalha. Se falharmos, tudo o que conhecemos será destruído, se isso acontecer, ao menos quero morrer com a certeza de que fiz alguma coisa para impedir." Parou o que fazia e olhou para Blaise, buscando compreensão em seu olhar. "Você conseguiria ficar parado, sabendo que todos aqueles com quem você se importa estão em perigo?"

Blaise suspirou, olhando para a garota. Ela parecia tão sábia falando daquele jeito suave, como se discutissem o tempo. Sentou-se ao lado dela e pegou-lhe as mãos.

"Não vamos falhar." Garantiu, com mais otimismo do que realmente sentia. Luna sorriu com ternura.
"Obrigada por estar fazendo isso. Sei que deve ser difícil lutar ao lado do inimigo." Falou, admirando as orbes castanhas muito escuras de Blaise. Um vento forte açoitou a barraca, e Luna tremeu de frio. Midgard tornava-se a cada instante mais gelada.

"Estou lutando ao seu lado, isso me basta." Ele falou, colocando os dedos entre os cabelos loiros cheios de Luna. Ele a segurou por um momento, sem desviar o olhar. Lentamente, começou a aproximar o rosto. Luna não sabia se estava preparada para aquilo. A dor da perda de Derfel ainda ardia em seu peito. Mas então pensou que, em algumas horas, nada mais existiria. Não existiria mais Gryffindor ou Slytherin. Nem Luna e Blaise. Ou Dumbledore e os elfos. Era sua última chance de viver algo maior que o medo que sentia, maior que o desespero que assombrava os soldados lá fora, maior que ela mesma.

Fechou os olhos e entreabriu os lábios e recebeu com prazer o beijo de Blaise. Começou com um roçar de lábios, mas logo ele exigiu mais de sua boca, procurando sua língua com uma urgência que definia aquilo que sentiam.

Luna segurou o rosto de Blaise e puxou-o para mais perto. Ele envolveu-a com seus braços fortes. Blaise a deitou, ainda a beijando com sofreguidão, como se sua vida dependesse disso. Luna gemeu quando ele apertou-lhe as curvas do corpo, tentando livrá-la da blusa que usava.

"Luna..." Ele murmurou, impedindo-se de rasgar toda a roupa que o separava dela. "Se você quer parar, me diga agora." Ele pediu, pois não saberia se conseguiria depois. Ajoelhou-se em frente a ela e respirou fundo, vendo-a deitada, com a respiração acelerada, os cabelos loiros espalhados e embaraçados.

Luna ergueu-se e, no lugar de responder, livrou Blaise do colete de prata que usava e depois da camisa. deslizou as mãos pelo tórax definido dele, subindo até o rosto; contornou o maxilar forte e olhou fundo nos olhos dele.

"Eu não sei se isso é o certo; mas é o certo para mim agora. Eu quero estar com você antes da batalha." Ela falou. Nunca estivera assim com um homem antes, mas ainda assim, sentia-se estranhamente calma e segura de sua decisão. Não tremia. Não hesitava.

Blaise a deitou novamente, esmagando seus lábios, mas cuidando para ser delicado. Ele só poderia admitir para si mesmo, por enquanto, mas estava apaixonado por Luna. Esperava conseguir dizer isso a ela, antes que chegassem a Vigrid.


Em Asgard, em um quarto no castelo de Valhalla, dois jovens acordavam, por alguns momentos esquecidos da confusão que se instalava longe dali. Gina não queria acordar e descobrir que estava na hora de sair dos braços de Draco e terminar o que eles precisavam fazer.

Não iria admitir, mas temia que Derfel não a perdoasse. O que faria então?

Ao abrir os olhos, já incomodados com a claridade que entrava no quarto, a primeira coisa que viu foi a pele pálido do tórax de Draco. Estava deitada parcialmente sobre ele, abraçando-o. Um braço dele rodeava sua cintura, descansando frouxamente sobre ela.

Gina ergueu o rosto e observou as feições adormecidas do homem. Ia contra todas as regras de comportamento as quais fora doutrinada a vida inteira, mas ela não conseguia achar errado o que eles compartilharam naquela cama. Não precisava ser casada para se entregar a ele.

Já sabia que o amava, desde o episódio na praia. A questão era: ele a amava também?

'Ele veio até aqui por mim. Deve significar alguma coisa.' Ela pensou, esticando o braço e passando a mão pelos fios loiros e macios dele.

Ele abriu os olhos e mais uma vez as orbes cinzentas encontraram-se com as castanhas. Gina estava muito ciente de que eles ainda estavam nus, cobertos somente até a cintura por um lençol de seda escorregadio, e corou levemente.

"Hei." Ele chamou, com a voz ainda sonolenta. Gina sentiu a mão dele deslizar por suas costas, espalhando um calor agradável por elas.

"Eu acho melhor nos apressarmos. Todos já devem estar descendo para Midgard." Ela falou, sentindo-se estúpida em seguida por ter acabado com aquele momento tão rápido. Sentia-se nervosa e constrangida.

Draco abriu e fechou a boca algumas vezes. Também não queria sair dali tão cedo. Na verdade, poderia pensar em algo para fazerem por mais uma meia hora. Acima de tudo, queria dizer – por mais que não fosse sua especialidade – alguma coisa romântica para Gina. Fora a primeira vez dela, e ela confiara plenamente nele e não hesitara por um segundo sequer, mesmo sabendo o quanto aquilo era condenável para uma jovem mulher segundo a cultura e educação da época.

Contudo, expressar sentimentos realmente não estava entre suas especialidades.

"Está bem." Disse apenas. Ela tentou disfarçar sua decepção, mas Draco puxou-a pela um beijo. Pressionou os lábios contra os dela, e então levantou da cama, procurando algo para vestir. Com o canto do olho, viu que ela fitava o colchão, desconfortável com a sua nudez. Também observou os contornos do corpo dela, pouco protegidos pelo lençol. Podia ver agora as sardas espalhadas pelos ombros delicados.

'Preciso de um banho frio.' Pensou, juntando sua roupa e indo para o quarto de banho.

Quando alcançaram o pátio do castelo, todos já estavam em formação, prontos para o combate. Draco e Gina procuraram por algum rosto conhecido, até que Draco segurou o braço de Gina e apontou para uma mulher.

Ela segurava uma grande foice com cabo de madeira meio torto. Tinha cabelos castanhos, presos em um coque, com alguns fios caindo displicentes em torno do rosto. Usava um colete verde escuro, colado ao corpo. Na cintura, um cinto grosso segurava um tecido cinzento que ondulava até o chão, deixando, porém, parte das pernas expostas, pernas que causaram ânsia à Gina, pois metade do corpo era de uma linda mulher, e a outra metade encontrava-se em decomposição.

"Hell." Murmurou Gina, e Draco assentiu.

"Ela pode nos levar até Nilfheim, agora que temos a permissão de Odin." Disse Draco, tentando não olhar para a parte em decomposição do corpo da mulher.

"Ela me causa arrepios." Admitiu Gina, em tom confidente e baixo.

"Bem, você sabe o que falam sobre ela: não é boa e nem má, simplesmente justa." Ele deu de ombros e começou a caminhar em direção à deusa.

Gina o seguiu a contragosto.

"Nem dá para acreditar que ela é filha de Loki. E tem Fenris e Jormungand como irmãos." Resmungou Gina, torcendo o nariz.

"Nem me fale, todo esse negócio de parentescos entre deuses me enoja." Disse Draco, soando como um nobre afetado. Gina riu ao perceber que ele falara aquilo para relaxá-la.

Hell olhou-os com desinteresse quando a alcançaram. Tinha profundos e hipnotizantes olhos verdes escuros.

"E vocês são...?" Ela perguntou, e sua voz era fria e forte.

Draco abriu a boca para responder, mas a deusa fez um movimento com a foice, e a lâmina passou rasante entre Draco e Gina, sobressaltando-os.

"Eu sei quem vocês são. As duas almas que querem descer até Nilfheim. Que seja." Ela revirou os olhos, entediada. "Mandá-los-ei para Helheim, nas profundezas de Nilfheim. Lá poderão procurar a tal alma que procuraram."

Gina sorriu largamente.

"Oh, obrigada por isso."

"Não agradeça ainda. Eu não faço favores." Disse a deusa, apoiando a foice em seu ombro. O sorriso de Gina esmoreceu. "Não é nada de mais. Estou tendo alguns problemas lá embaixo, no Tártaro. Quero que descubram o que é e resolvam o problema."

Draco arregalou os olhos.

"Não vamos descer até o Tártaro, seria suicídio, nunca conseguiríamos sair." Falou ácido, estreitando os olhos. Hell estava pensando que eles eram idiotas, por acaso?

Hell sorriu de lado.

"Isso é com vocês, ou fazem isso, ou não descem." Ela se virou, pronta para descer para Midgard, como muitos já estavam fazendo.

"Nós faremos!" Exclamou Gina, e Draco olhou atônito para ela. Hell virou-se.

"Muito bem... sejam bem vindos ao inferno." Ela falou e, sem aviso, passou a foice por eles, cortando-os ao meio.

Antes que Gina sequer pensasse em gritar, estavam em Helheim, nas profundezas de Nilfheim, às margens do rio Nastronol.


Quando os quatro exércitos de Hogwarts encontraram-se na planície de Vigrid, unindo-se também aos elfos, a terra tremia, o céu estava escuro e uma chuva fria e cortante caía do céu.

Os deuses começaram a surgir na planície em seguida. Ao longe, as formas monstruosas de Fenris e Jormungand – a serpente gigante dos mares - quase alcançavam os céus. O veneno da serpente misturava-se com a chuva, tornando os pingos esverdeados. A grama queimava com o veneno.

Os Einherjar apareciam às centenas, dando mais coragem aos homens. Havia gigantes e demônios e sombras e lobos do outro lado. E outras criaturas que muitos dos homens jamais viram antes.

Dumbledore divisou Grindelwald parado no centro da planície – esperando-o. Desceu do cavalo e caminhou até o homem, enquanto os dois lados – bem e mal – se encaravam.

"Encontramos-nos novamente, Albus." Disse Grindelwald, e sua voz retumbou junto com um trovão. Dumbledore manteve a postura calma e confiante de sempre.

"Seria nossa última chance, Gellert, é a batalha final."Dumbledore observou melhor seu antigo amigo. "Você está melhor do que da última vez em que o vi." Disse o feiticeiro.

Grindelwald segurou com força seu cajado negro.

"Você quer dizer, desde a vez em que me transformou naquela criatura asquerosa e sem forças." Replicou Grindelwald, áspero e rancoroso. "Vim devolver o favor, Albus."

"Você escolheu as trevas, Gellert. Já eu estarei sempre ao lado da luz, era minha obrigação acabar com os seus planos." Disse Dumbledore, num tom cansado.

E pensar que ele e Gellert já haviam sido grandes amigos. Cúmplices em suas descobertas mágicas por tantos anos.

Grindelwald soltou uma risada fria e sarcástica.

"Você me impede e depois ensina Riddle tudo que ele precisa saber para trazer as trevas. Você se contradiz, Albus. Você sempre se contradiz." Disse o feiticeiro.

Mas não havia mais espaço para discussões. Grindelwald atacou, e os dois poderosos feiticeiros começaram a duelar, ao mesmo tempo em que a batalha do Ragnarok começava.

Distraídos, ninguém percebeu a forma branca de um cavalo alado atravessando a planície pelos céus.


Enquanto Riddle olhava com deleite para toda a destruição que estava acontecendo logo a sua frente, Vesta mantinha uma pose indiferente e distante. Era como se nada daquilo estivesse acontecendo.

Ela poderia fechar os olhos e estar de volta ao templo, passando os dedos pela água, observando o fogo sagrado, enquanto buscava por calma, paz e equilíbrio. Só faltava realizar a última parte de sua vingança, então por que se sentia ainda tão apática, morta, fria?

Um relance branco no céu chamou-lhe a atenção. Pressentira-o minutos antes, e agora o via novamente, descendo em sua direção em seu cavalo alado. Como doía ver aquela imagem novamente, quando tudo estava mudado. Quando nada era mais o mesmo. Quando depois de todas as suas juras de amor, ele a traíra. Em seu templo. Em sua casa. Com sua mais fiel Vestal.

Ele pousou há alguns metros de onde ela e Riddle estavam, às margens da planície, apenas observando a batalha. A expressão dele era de aflição e culpa. O transtorno do semideus fez com que Vesta o observasse com mais atenção do que gostaria.

A aparência era distinta, assim como a dela. Mas era inegavelmente ele. O brilho no olhar, a aparente sinceridade em cada traço. Seu andar felino e determinado.

"Vesta..." Ele soava tão emocionado em vê-la, exatamente como ela se sentia ao vê-lo. Diferente dele, entretanto, Vesta mantinha-se indiferente; o rosto apagado para emoções. Ele tentou se aproximar mais, mas Riddle pôs-se em frente, erguendo uma espada.

A espada era simbólica, Riddle poderia atirar Belerofonte para longe com um simples movimento de mão. Estava muito mais poderoso agora que as trevas desciam sobre Midgard.

"Vesta, precisamos conversar," Ele disse, fazendo a deusa rir do absurdo daquilo. "Isso tudo está errado. Um mal entendido, você tem que parar com toda essa destruição!" Ele exclamou, erguendo um braço em direção à planície, onde uma carnificina acontecia.

Vesta olhou para Vigrid e ergueu uma sobrancelha ao ver Odin ser mordido por Fenris. Talvez acabasse mesmo devorado pelo lobo.

"Não há nada a ser discutido." Ela falou, terrivelmente calma para uma situação como aquela. "Riddle, acabe com ele." Ela fez um movimento de mão.

Belerofonte tirou Dyrnwyn da cintura e ergueu contra Riddle. O flash de luz verde que o feiticeiro lançou foi desviado pela lâmina da espada. Vesta estava surpresa. Esquecera-se da espada.

Dyrnwyn sumira do mapa há séculos atrás, escondida por Merlin. Como Belerofonte a conseguira de volta? A lâmina da espada era fatal a um deus, mas ela manteve-se parada, observando com curiosidade o duelo entre os dois.

Riddle não era nenhum mestre na arte da guerra e desesperou-se ao ver todos os seus feitiços sendo desviados pela espada de cristal do semideus, enquanto este avançava em sua direção. Já em cima deles, o duelo de espadas começou. Riddle não tinha tempo de lançar mais feitiços, devido aos ataques precisos e rápidos de Belerofonte.

A espada de Riddle voou de sua mão, e ele sentiu a lâmina do inimigo entrando em seu estômago, atravessando-o. Cuspiu sangue primeiro, e depois olhou para a terrível batalha que acontecia. A cena de escuridão, destruição e desespero. Fixou essa imagem em sua mente para que fosse a última, e sorriu, sentindo o gosto metálico da morte, que tanto apreciava, em sua boca.

Vesta permitiu-se morder o lábio inferior ao ver Riddle morto. Fora ele que a libertara de sua prisão em Asgard, afinal de contas. Mas não sentia nada mais do que uma leve gratidão, misturada a uma forte apatia pelo feiticeiro. Compreendia o desejo de vingança dele, e isso os aproximava. Nada mais.

Os olhares se encontraram, e o coração mortal da deusa acelerou algumas batidas. Belerofonte deu alguns passos em sua direção.

"Agora, vamos conversar." E ela adorou o tom rude e autoritário da voz dele.


Gina andava agarrada ao braço de Draco, conforme avançavam, acompanhando o leito de Nastronol. O local era gelado e obscuro. O caminho todo era de chão imerso em gelo e neve, e ela nunca encostaria-se àquela água corrente para verificar a temperatura.

Algumas almas flutuavam pelos campos gelados, aparentemente indiferentes ao frio. Elas misturavam-se aos nevoeiros que assolavam toda a região. Ao longe, os dois jovens viram o palácio de Hell.

Chama-se Elvidner - sua mesa era a Fome; sua faca, a Inanição; o Atraso, seu criado; a Vagareza, sua criada; o Precipício, sua porta; a Preocupação, sua cama; e os Sofrimentos formavam as paredes de seus aposentos.

Gina não sentia a menor vontade de ir até lá.

"Isso é ridículo, esse lugar é enorme, nunca o encontraremos." Disse Draco, olhando com desgosto para todo aquele gelo. "Seria mais fácil se ele tivesse ido para Valhalla, o inútil."

Gina olhou feio para o loiro.

"Se ele tivesse ido para Valhalla, eu não seria a culpada da morte dele, e não precisaríamos do perdão dele, para começar." Falou, passando as mãos pelos braços, tentando esquentá-los.

"Em primeiro lugar, eu não preciso do perdão dele, você precisa. Em segundo lugar, você poderia tê-lo matado em batalha." Draco sorriu debochado, em implicância.

Gina revirou os olhos.

"Claro, porque um guardador de cavalos e uma princesa acabariam em um combate mortal." Ela ironizou.

"Isso não te impediu de matá-lo." Draco apontou maldoso. Talvez fosse o frio cortante, mas ele estava mal-humorado.

"Ok, isso foi cruel da sua parte." Disse Gina, desviando o olhar para o chão, com uma expressão magoada. O assunto era delicado, Draco não precisava ficar brincando com aquilo daquela maneira insensível.

O loiro não respondeu, e eles continuaram avançando. As chances eram realmente pequenas. Para começar que as almas eram muito parecidas. Como ela identificaria Derfel se o visse?

O que eles não contavam, é que almas também podem ser muito curiosas e fofoqueiras. A notícia de duas jovens almas de formas distintas e sólidas passeando por Helheim logo se espalhou por toda a gelada região.

"Gina?"

Gina pulou e agarrou o braço de Draco ao ouvir a voz. Uma das almas parou perto dos dois. Estreitando os olhos, ela reconheceu Derfel.

"Oh, Derfel, eu não acredito! O encontramos! Ou melhor, você nos encontrou." Ela falou, constrangida ao final.

"Você está morta?" Derfel perguntou, e Gina sentiu-se aliviada ao perceber que não havia rancor ou raiva no tom dele. "Luna está bem?"

"Ela está." Os olhos de Gina lacrimejaram. Mesmo depois de morto, Derfel ainda se preocupava com Luna. "Eu vim até aqui... pelo seu perdão."

Um silêncio pesado se abateu entre os três. Draco não falaria nada. Aquele era um assunto de Gina. A ruiva olhou para a forma tremulante de Derfel, que se tornou mais nítida a seus olhos. As lembranças a esmagaram, e Gina sentiu-se ainda mais culpada.

"Meu perdão? Não entendo." Ele falou enfim, e sua voz soou distante.

"Derfel... você não se lembra do que aconteceu...? De como acabou aqui?" Perguntou Gina, incerta.

Derfel pensou por mais alguns segundos. As lembranças escapavam-lhe.

"Eu não tenho certeza. A última coisa que eu lembro, é o rosto de Luna." Ele suspirou. "As lembranças se perdem na neve."

Gina se virou para Draco, alarmada.

"Como posso ter o perdão dele, se ele não se lembra do que aconteceu?" Exclamou, exaltada. Draco fechou os olhos e respirou fundo. Mais essa agora.

Gina viu que Draco não estava muito a fim de ajudar na situação, então se virou para Derfel.

"Eu matei você, ok? Fui eu. A culpa foi minha." Ela falou num tom alto e desesperado. "Eu vou ficar por aqui. Eu mereço isso." Completou, deitando-se na neve.

Draco olhou para cima e pediu por algum tipo de calma.

"Ela estava sendo controlada. Não foi a intenção dela. Foi mais forte do que ela. Ela nunca o mataria se não fosse por culpa de estúpido ritual que acontecia bem quando você resolveu aparecer como um carneiro burro ao lado de um lobo faminto. Agora, perdoe-a logo de uma vez, porque eu não estou agüentando mais esse frio!" Draco praticamente gritou a última frase.

A expressão de Derfel era de surpresa. Ele se aproximou de Gina, ainda estirada no gelo, ignorando o pequeno discurso de defesa de Draco.

"Gina, eu perdôo você. Conheço você desde que éramos pequenos, ajudei você e Luna a escaparem do castelo incontáveis vezes. Ensinei-as a andar a cavalo, com a ajuda de seu irmão. Eu sei que você não teria me matado... voluntariamente." Ele terminou.

Gina tinha lágrimas nos olhos. Levantou-se relutante, forçando-se a engolir os soluços.

"Obrigada, Derfel. Significa muito para mim." Ela falou. Queria poder abraçá-lo, mas suas mãos passariam por ele.

Derfel apenas sorriu e sumiu junto com uma brisa gelada, misturando-se com o nevoeiro. Draco envolveu Gina em um abraço quente e reconfortante.

"E agora?" Disse, com a cabeça encostada no peito do loiro.

"Agora descemos até o Tártaro." Ele falou, sem qualquer animação, encostando o queixo no topo da cabeça de Gina.


Enquanto lutavam, Grindelwald e Dumbledore discutiam, lançando magia para todos os lados. Albus continuava a justificar seus atos devido ao uso de magia das trevas que Gellert realizara no passado, e dizia que ainda via bondade nele.

Gellert queria negar. Queria dizer que nada do que estava acontecendo à sua volta importava, mas ao ver a pequena garota loira – Luna – ser atacada pela serpente gigante dos mares, ele abandonou o duelo com Dumbledore e protegeu a garota.

Sacrificou a sua vida pela garota, pois o veneno letal da serpente queimou sua pele tão profundamente, que nenhum feitiço o salvaria. Ao menos, Jormungand também jazia morta na planície de Vigrid.

Uma vida por outra, ele pensou, caindo na grama, agonizante. Albus ajoelhou-se ao seu lado. Havia tristeza em seus olhos.

"Eu sabia que ainda havia algo de bom em você, Gellert." Falou o feiticeiro, pegando as mãos do outro, segurando-as com força. "Eu queria que tudo tivesse sido diferente, mas eu nunca poderia mudar o que eu fiz, nunca poderia aceitar o lado das trevas." Disse Dumbledore, daquele jeito sereno e envolvente, que fazia qualquer um relaxar e acreditar em suas palavras.

Grindelwald fechou os olhos, soltando um suspiro baixo. Ele também queria poder mudar o passado.

"Você se contradiz, Albus. Você sempre se contradiz." Foram suas últimas palavras.


Vesta manteve-se imóvel enquanto Belerofonte tentava se explicar. Ela não conseguia conceber a idéia de que Loki tivesse feito aquilo com ela. Mesmo sendo o deus da trapaça, ele sempre fora um bom amigo. Ficara ao lado dela até mesmo depois que ela fora aprisionada.

"Por favor, Vesta, acredite." Belerofonte falou, muito próximo dela. "Eu te amei, Vesta. E fui enganado. Fomos enganados."

Doeu ouvir que ele a amava, no passado. Não 'Eu te amo'. Ou 'eu ainda te amo'.

Seu coração ainda estava cheio de ódio, mas mesmo assim ela conseguiu ver a sinceridade nos olhos cinzentos. Ele não mentia.

Ele nunca mentiria para ela.

Vesta sentiu-se perdida. A única verdade na qual ela se apoiara durante todos aqueles anos. A motivação de seus atos. Era falsa. Ela não queria acreditar. Era mais fácil negar.

"Está mentindo!" Acusou. Antes que pudesse fazer alguma coisa, uma menina apareceu, saindo das árvores perto de onde eles estavam.

Estava suja, seus cabelos loiros cacheados empapados de suor, colados contra a testa, o rosto inchado pelas lágrimas. Ela correu até Vesta e a abraçou, chorando. O terrível monstro que matara sua mãe ainda a perseguia.

"Por favor, me ajude!" Ela pediu, chorosa, sem largar a cintura da deusa. Vesta não soube o que fazer. Pegou a criança no colo ao ver o monstro que saia das árvores, em seguida.

Olhou para a quimera, que soltava fogo pela sua cabeça de dragão, e rugia com a cabeça de leão, e então para o semideus. Belerofonte entendeu que a deusa estava mandando a criatura atacá-lo, o que não tardou a acontecer.

A garotinha chorava copiosamente no colo da deusa, enquanto Belerofonte subia em Pégasus e alcança os céus, seguido pela quimera. Era mais fácil enfrentar o monstro nas alturas.

"Vai ficar tudo bem. Shhh, qual o seu nome?" Perguntou Vesta, estranhando a própria atitude. Sentia algo diferente de ódio dentro de si, e a sensação era... libertadora.

"Maryan..." A garotinha falou baixinho, parando aos poucos de chorar. Vesta afagou o cabelo sujo da menina e olhou para a batalha. Sentiu-se mal por ser a causadora de tudo aquilo.

Remorso.

Ela olhou para Belerofonte e viu que uma águia ia em direção ao semideus, pronto para atacá-lo.

"Loki..." Ela murmurou. Sem pensar no que estava fazendo, lançou uma rajada invisível de energia e fez o deus voltar ao chão.

Loki mudou para sua aparência humana e olhou acusador para Vesta.

"O que você... Você está do lado dele agora, Vesta? Ele te traiu!" Exclamou Loki, aproximando-se de Vesta, cheio de rancor, mágoa e ódio. O coração quebrado. Mesmo depois de novecentos anos remoendo aquela traição, ela ainda o defendia.

Vesta colocou Maryan no chão, ajoelhando-se na frente da menina e afagando-lhe os cabelos, para depois se levantar e olhar com frieza para o deus.

"Estou cansada de mentiras, Loki." Ela avançou. Uma espada de fogo formando-se em sua mão direita. Loki recuou um passo.

"Vesta..." Ele chamou, encurralado. Estava prestes a sair dali, mas correntes de fogo prenderam seus pés.

"Eu quero a verdade, Loki. Apenas a verdade! Você armou aquilo? Fez com que Anteia fosse eu, aos olhos de Belerofonte?" Ela perguntou, apontando a espada flamejante para o pescoço de Loki.

"Tente entender..." Ele tentou, denunciando-se. Vesta abaixou a espada, sentindo-se sufocada. "Eu te amava tanto, Vesta. E você só tinha olhos para aquele semideus infeliz! Ele não te merecia!"

O fogo desapareceu. Também dos olhos de Vesta. Uma dor inexplicável apoderou-se dela. Ela olhou para Maryan. Era a culpada pela dor e sofrimento daquela menina. De tanta gente.

O amor começou a voltar ao coração da deusa. Estivera dentro dela aquele tempo todo, tímido, escondido. E agora resolvera voltar. E a volta doía, porque ela percebia o que fazia.

Belerofonte matou a quimera e desceu de volta para a terra. Olhou para Loki, e então para Vesta. Pela expressão dela. A expressão da qual ele se lembrava. A expressão que ele amava. Sabia que ela ouvira a verdade da boca do deus.

Ele se aproximou de Vesta e, sem sequer pensar, segurou seu rosto e colou seus lábios. Vesta se rendeu àquilo por um segundo, mas afastou-se muito antes do que o semideus desejaria.

Ela olhou para ele com ternura. Ela queria poder enfim retribuir aquele amor. Ele não mentira. Como o fogo sagrado, o que ele sentia por ela nunca se extinguira. Mas agora, ela já não merecia nada daquilo. Perdera seu equilíbrio, causara mortes e destruições inigualáveis. Ela não era mais uma deusa estável, capaz de controlar os dois sentimentos mais fortes do universo. Ela não era mais digna de carregá-los.

Belerofonte abriu a boca para falar alguma coisa, mas se atrapalhou ao ver Dyrnwyn, a única arma capaz de matar um deus, sair de sua cintura e mirar a deusa.

"Vesta, não!" Ele gritou, e correu até ela. Abraçou-a no exato instante em que a espada os alcançava. A lâmina atravessou os dois, arrancando lágrimas de seus olhos. "Eu te amo." Disse o semideus, mirando Vesta nos olhos.

Ela acariciou a bochecha dele e sorriu tristemente.

"Seu tolo." Ela o repreendeu por ter entrado na frente da espada. "Eu sempre te amei." Ela o beijou antes que a vida lhes escapasse.

Loki observou toda a cena, paralisado. Os dois corpos caíram. Não havia mais vida em nenhum deles.


Os dois jovens caminharam às margens do rio, até que chegaram a um abismo, no qual o rio desembocava. A entrada do Tártaro.

"Ainda não entendi o que Hell quer que façamos aqui." Reclamou Draco, olhando com desgosto para a neblina que encobria a entrada do abismo.

A frase de Draco acendeu uma luz na mente de Gina, e ela segurou o loiro pelos ombros, quase o chacoalhando.

"É isso Draco! 'você sabe o que falam sobre ela: não é boa e nem má, simplesmente justa'" Gina recitou o que Draco lhe falara quando estavam em Asgard. Draco ergueu uma sobrancelha ainda sem entender. "A ruiva! Que Riddle jogou no Tártaro! Ela é inocente, não merece estar aqui!"

"O quê? E por que demônios Hell precisa de nós para tirá-la de lá?" Draco apontou para o abismo sombrio.

"Não sei. E agora, o que fazemos?"

Como se ouvisse a conversa dos dois, um barco saiu das brumas, parando às margens do rio. Uma mulher o guiava. Era Modgud, a guardiã do poço. Usava vestes escuras, um manto negro. Era mais alta do que um humano normal.

"Nunca vi duas almas tão ansiosas para descer ao Tártaro," Ela disse, sua voz era grossa e seca, mas ela parecia divertida com a constatação. "Na verdade, nunca vi duas almas querendo descer ao Tártaro."

"Por que será que isso não me surpreende?" Perguntou Draco, debochado, olhando acusador para Gina. Ela ignorou o olhar dele e se concentrou na guardiã.

"Procuramos por alguém. Uma mulher, ruiva, jovem, que foi mandada há pouco tempo para cá! Injustamente!" Gina frisou a última palavra. Modgud continuou com sua expressão divertida.

"Eu sou inocente – é o que todos dizem." Reclamou Modgud, apoiando-se em seu remo.

"Estou falando sério! Ela é! Você precisa acreditar em mim!" Disse Gina, aproximando-se mais da borda do rio. Draco manteve-se perto de Gina, não queria que ela caísse no rio tentando convencer a coisa feia de que o sistema dos mortos estava se tornando incompetente nos últimos dias.

"Ok, ok, tanto faz." Modgud deu de ombros. "Mesmo ela sendo inocente, não posso simplesmente libertá-la. Em Nilfheim, sempre há um preço."

"É, é, aprendemos isso com Hell." Disse Draco, sarcástico, franzindo o lábio superior.

"Diga seu preço." Falou Gina, respirando fundo. Modgud sorriu maldosa.

"Uma alma por outra. É assim que as coisas funcionam." Ela disse. Draco já estava prestes a negar e puxar Gina consigo para longe dali, mas a ruiva foi mais rápida.

"Feito."

"Gina, você ficou louca?" O loiro exclamou, virando-a para si. Gina manteve o queixo erguido.

"Ela não merece estar lá embaixo." Disse a ruiva, determinada. E Draco odiava a teimosia que via nos olhos castanhos.

"Pensei que tivesse parado com essa história de se achar culpada pela morte de seu amigo. Gina, eu não vou deixar você fazer isso." Disse Draco, taxativo, segurando os ombros da ruiva tão forte, que eles já começavam a latejar.

"Eu não me sinto mais culpada. Draco..." Gina respirou fundo. "Se Hell é realmente justa, não vai deixar duas almas inocentes apodrecendo no Tártaro." Falou, mordendo o lábio inferior.

Draco arregalou os olhos.

"Duas almas inocentes? Onde foi parar aquele negócio de uma alma por outra?" Ele perguntou, estreitando os olhos para a ruiva.

"Draco, por favor... eu sinto que vai dar certo. Acredite, vamos conseguir sair depois!" Eles ouviram uma risadinha debochada de Modgud. Gina a ignorou e continuou olhando diretamente nos olhos do loiro, em um pedido mudo. Colocou as mãos no rosto dele. "Se você não for, eu desço sozinha."

Por que ela tinha que ter esse olhar e esse tom de voz que sempre o convencia? Amaldiçoou a ruiva por um momento, antes de assentir silenciosamente. Ela soltou um gritinho feliz e o abraçou, colocando seus lábios. Draco teria aprofundado o beijo, mas Gina se largou em seguida, indo até Modgud.

"Já entendi. Vou buscar a garota. Isabella o nome dela, chegou a pouco, não para de dizer que é inocente, que não deveria estar aqui e blá blá blá." Modgud começou a remar de volta para as brumas. "Quem diria que os negócios seriam bons a essa época do ano." Ela resmungou ainda.

Uma vez fora do Tártaro, a alma de Isabella estaria livre para renascer, ou escolher viver em Nilfheim pelo tempo que desejasse.

Momentos depois, a barca apareceu novamente. A alma de Isabella flutuou até os dois. Ela tinha uma aparência cinzenta e cansada.

"Você... Eu não acredito que veio até aqui por mim!" Falou Isabella, verdadeiramente surpresa. "Obrigada."

"Ótimo, agora flutue para longe, antes que mudemos de idéia." Disse Draco, arrastando Gina para dentro da barca. Gina olhou para Isabella e assentiu, em um gesto que valia por mil palavras, assim como a expressão de gratidão da alma de Isabella.

Ela flutuou para longe, apressada.

A barca começou a andar, em direção a neblina. Gina abraçou-se a Draco, que a apertou com força em seus braços. Estava tão nervoso e amedrontado quanto ela por descer para o pior lugar que poderia existir em todos os mundos. As brumas os envolveram, o ar tornava-se ainda mais frio e pesado, estavam descendo.

Antes que alcançassem o fundo, porém, ambos começaram a se sentir enjoados, como se uma força invisível os puxasse de volta, para cima.

"Draco..." Gina chamou, alarmada, perdendo o foco da visão.

"Estou aqui." Ele disse, no ouvido dela.


A claridade atingiu as pálpebras de Gina, e ela lentamente abriu os olhos. A visão não era o que ela esperava. Viu o dossel de sua cama em Gryffindor. Um ponto em seu abdômen latejou quando tentou sentar-se. Suspirou, cansada. Como acabara ali? A última coisa que se lembrava era de ter pegado a barca para o Tártaro. Fora tudo um sonho?

Imaginou por um momento se aquela não seria a manhã em que ela acordara para ir encontrar, junto com Luna, os dois rapazes de Slytherin.

'Foi real demais para um sonho.' Ela disse a si mesma, erguendo-se um pouco com ajuda dos cotovelos.

Para desfazer suas dúvidas, o deus Loki estava em pé, perto da janela, observando-a.

"Finalmente acordou." Ele disse, caminhando até a cama.

"O quê? Mas..." Gina soltou, confusa, tentando se afastar enquanto ele sentava na beira da cama. Ele sorriu tristemente.

"Não vou fazer nada, não fiquei tão assustada. Eu só... precisava conferir... ela se foi de verdade." Ele desviou o olhar. A expressão desolada dele fez com que Gina se acalmasse.

"Quem se foi?"

Ele demorou a responder.

"Vesta... Ela... se matou." Ele soltou uma risada sem humor em seguida. "Eu nunca imaginaria... é tudo minha culpa." Gina não soube o que falar. "E o mais irônico, é que agora que ela não está mais em seu caminho, Freya se descobre verdadeiramente apaixonada por Odin. Nunca a vi chorar tanto como quando viu o marido quase morto, depois da batalha."

"Batalha? O Ragnarok? Ele..." Gina se remexeu inquieta na cama.

"Foi interrompido." Loki se levantou e andou alguns passos. "Como eu disse, eu vim apenas verificar."

"Loki..." Chamou Gina, e o deus virou-se para ela. "Você tem a eternidade toda pela frente. Não se culpe para sempre."

O sorriso malicioso de Loki voltou.

"Não se preocupe. Quando a culpa passar, prometo vir visitá-la." Falou, zombeteiro, antes de desaparecer. Gina assoprou uma mecha que caía em seu rosto. Era melhor ter ficado quieta.

Logo depois que o deus saiu, alguém entrou no quarto.

"Draco!" Gina exclamou, pulando na cama e sentindo uma dor horrível onde antes latejava. "Droga, o que é isso?"

Não havia machucado algum.

"Dumbledore curou o ferimento causado por Drynwyn, mas como é uma espada mágica, ainda sentiremos dor por algum tempo." Ele caminhou lentamente até a ruiva.

Gina se surpreendeu quando tudo que ele fez foi abraçá-la com força, colando seus corpos. Retribuiu o abraço, sentindo-se quente e protegida.

Ele aproximou os lábios do ouvido dela.

"Eu te amo." Sussurrou, causando arrepios na ruiva.

O coração de Gina acelerou, e ela segurou-se com mais força a ele. Ergueu a cabeça e seus olhares se encontraram. Sorriu abertamente, enquanto o rosto dele continuava sério e imperturbável como sempre.

"Você vai me contar o que aconteceu desde que acordou?" Ela desconversou, apenas por implicância. Ele ergueu uma sobrancelha e sorriu de lado.

"Eu tenho uma idéia melhor do que fazer, enquanto ninguém mais aparece no quarto." Ele falou, colocando uma mão na nuca dela e inclinando-se para um beijo.

Gina afundou as mãos nos cabelos loiros dele e sorriu, fechando os olhos.

O Ragnarok fora impedido, e ela poderia, enfim, viver seu conto de fadas.


Nota da autora: Gente, to pasma. Esse foi o último capítulo da história! Agora só falta o epílogo, que será curtinho, para fechar os pontos em aberto. :D

Vou deixar os agradecimentos para depois. Hihi!

Obrigada a quem comentou no cap. passado: fermalaquias, lelezuda, Kimberly Anne Evans Potter, Nathy Zevzik, Vira-tempo. Amei todos os comentários, até as ameaças de morte! Auhauhauahua!

Então é isso, nos vemos no epílogo! Beijão!

Algumas explicações: Deu para ver que eu misturei Tártato (Mitologia grega) com Nilfhiem e Helheim (Mitologia Nórdica). Modgud é guardiã da versão nórdica do Tártaro. Eu realmente não sei como seria a entrada para o Tártaro, então, inventei. Nastronol era algo como o Rio Aqueronte, da mitologia grega. Tudo que falei sobre Hell e seu castelo, é como contavam. A espada Drynwyn era um dos tesouros de Merlin, mas isso de matar deuses, eu inventei, hehe. Tentei achar mais informações de como o Nilfheim era, e como as almas ficavam por lá, mas não encontrei, então coloquei que elas ficavam vagando por ali, enquanto queriam. Bem, acho que é isso. :D