Gina acordara sem nenhum ânimo. Seria hoje que Harry a convidaria para ir com ele ao Baile, como dissera Kat.
Olhou as cortinas em volta de sua cama.
"Se isso fosse há apenas um ano atrás, eu estaria tão feliz que pularia de felicidade e nem teria pregado o olho... Que merda!"
Ouviu a porta do dormitório ser aberta e rapidamente fechada. Os passos de Hermione ecoaram impacientes pelo dormitório feminino. E quando chegaram ao lado de sua cama, cessaram.
Hermione, nada delicadamente, abrira de súbito as cortinas, fazendo com que Gina levasse às mãos à frente de seu rosto.
— Hora de levantar. Vamos...
— Ok... – Gina levanta, ainda fazendo sombra para o rosto com a mão esquerda. Vira que ela fizera do mesmo jeito com a Kat, que, como sempre, odiava o jeito meio bruto que ela vinha acordá-las.
Quando Hermione saíra, com as duas já em pé e arrumando as coisas para o banho, Kat não esperou mais nem um segundo:
— Hoje ela está mais agressiva que o normal. O que houve com a Granger?
— Hoje é sexta-feira. Ela sempre fica de mal-humor nesses dias...
— Credo, ela deveria estar pulando de felicidade... Pelo menos, seria o que uma pessoa normal faria...
— Katleen... – Gina fala num tom de repreensão.
— Ok, pardon. Vamos indo.
As duas vão em direção ao banheiro. Despem-se e ligam os chuveiros.
— Então, já tem alguém para ir no Baile com você?
— Claro. Me convidaram ontem.
— E posso saber quem?? – Pergunta Gina, curiosa.
—Davies.
Gina faz uma cara de extremo nojo.
— Cara, não tinha coisa melhor não? Logo ele...
— Hey, ele é bonito...
— Você só escolhe pela aparência das pessoas? Fala sério, ele parece ser metido, arrogante, presunçoso...
— Calma, vá com calma, garota. Você já conversou com ele? Ou ele lhe fez algo?
Gina emudeceu.
— Não... Na verdade, não.
— Então. Quem está se baseando apenas pela aparência agora? Ele até é um dos garotos mais bem-educados que eu conheço nesse castelo. E tem alguma coisa parecida com uma massa cefálica, ao contrário de muitos aqui.
Gina riu. O pior é que a amiga tinha razão nisso.
As duas se arrumaram como de costume. Chegaram ao Grande Salão e se serviram normalmente.
Gina tinha vontade de sair correndo e voltar a dormir. Melhor dizendo, queria ter um Vira-Tempo, para que o dia de hoje e amanhã passassem voando.
"Maldito baile! Dumbledore podia ter feito esse baile depois do Baile de Máscaras... Merda!!"
Quando fez questão de se levantar, Harry a chamou:
— Gina?
— Sim? – Gina pergunta, virando-se para Harry.
— Poderia conversar com você... Você sabe, sozinho?
Gina começa a sentir como se seu estômago estivesse dentro de liquidificador. O sorriso de Kat não amenizava nada a situação.
— Então, vou na frente, Ginny. Guardo um lugar para você na estufa.
— Hum, ok. Até mais, Kat.
Via sua amiga ir em direção à aula com passos largos e apressados. Não sabia quantas vezes amaldiçoara a amiga mentalmente, mas sabia que era mais de dez.
— Bom, você sabe, o baile vai ser amanhã... – Começou Harry, timidamente.
— Sei.
— Bom... Estava pensando... Isso é, se você ainda não tiver... Quer dizer...
Bom... Gina não era de rir da desgraça alheia... Mas ver o Harry, naquele estado de nervosismo, para convidá-la ao baile era realmente cômico. Até porque, agora as situações eram inversas. Não era ela quem estava nervosa.
Gina teve que controlar dentro de si mesma a vontade louca de rir.
— Queriasabersevocênãoqueriraobailecomigo!
Gina franze a face.
— Harry, não entendi nada que você falou.
Harry respirou fundo. Ela estava ali, disposta a escutá-lo. Mas o nervosismo não passava. E se ela lhe respondesse um sonoro não? E se ela risse da sua proposta? E se ele tivesse chegado muito tarde?
Harry simplesmente tinha que tentar. Mas sentia a cabelça explodindo. Não tinha pregado o olho a noite inteira.
— Você viria ao baile comigo?
Harry a encarava, esperando uma resposta. Gina sustentava o olhar.
— Tenho condições. Se você as aceitar, então irei ao baile com você.
— Quais? – Harry pergunta, colocando as mãos nos bolsos.
— Primeira, nada de romance. Não quero que isso se transforme num encontro.
Harry entortou a boca, mas confirmou com a cabeça que aceitara a condição.
— Segunda, quero salvo-conduto esta noite, o que significa que você não poderá me esperar no Salão Comunal e muito menos espiar no Mapa do Maroto onde eu estarei.
— Mas, Ginny... – Harry tentou argumentar, mas foi atropelado por Gina:
— E o que eu disse à você sobre o meu apelido ainda é válido.
"Caralho..." – Pensou Harry.
— Ok. E o que eu ganho com isso?
— A minha companhia por toda a noite do baile não é o suficiente?
Harry sabia que era mais que ela estava disposta a fazer.
— Ok, condições aceitas. Só espero que não se meta em confusão, Gina.
— Bem, então estou indo. Até amanhã, Harry.
— Até, Gina.
Gina andou calmamente até conseguir notar que Harry não estava mais em seu campo de visão, e fora correndo até a estufa.
Ao entrara na mesma, só deu tempo para que se posicionasse ao lado da amiga: o sinal tocara, dando início as aulas.
— Bom dia, alunos! Hojhe vamos fazer a extração do pus de Bobotúberas. Mas antes disso, coloquem as suas luvas e máscaras. O pus delas, em contato direto com a pele, causa bolhas. Cada um tem que colher exatos quatros frascos. Podem começar.
Gina e Kat colocam cada uma suas máscaras. Kat faz uma cara de quem não gostava nem um pouco daquilo. Já Gina, só faltava pular de entusiasmo.
— E aí, como foi a conversa?
— Eu ainda odeio quando você tem razão em algo, mas ele me convidou para ir ao baile com ele.
— Ótimo. Então é só pegar o Mapa durante o almoço.
— E se a Mione perguntar, o que digo pra ela?
— Ei, vocês duas! Porque não tiraram nem sequer uma gota? Vamos, prometi a Papoula que teríamos bastante pus para ela ainda no final dessa manhã.
As duas ficam quietas por um momento, até a professora se dirigir a uma aluna da Lufa-Lufa, que também não estava fazendo. Enquanto a professora demonstrava mais uma vez para a aluna da Lufa-Lufa como era o processo, ambas continuaram:
— E como você pretende fazer isso, com a Mione em seu enlaço?
— Simples. Acidentalmente noto que esqueci o Livro para a próxima aula, peço para que você guarde um lugar pra mim e vou. Rápido e fácil.
Gina sorri com o canto da boca.
— Realmente Kat, você me dá calafrios... Têm certeza que caiu na casa certa no Ritual de Seleção? Acho que você está mais pra Sonserina do que pra essa casa...
— Os sonserinos também não são tão maus quanto a fama deles pregam. Também não entendi porque sou a primeira Rosier a cair na Grifinória. Mas não importa.
— Qual casa normalmente vão os membros da sua família?
— Sonserina.
— Bom, ainda bem que o Chapéu te colocou aqui. Duvido que tivéssemos nos conhecido se você tivesse ficado na Sonserina.
— Também acho isso. – Responde Kat, sorrindo.
Gina termina de colher as suas amostras e, vendo que a professora ainda está ajudando outros alunos, faz os de sua amiga.
— Obrigada, Ginny. Não queria mesmo ter que tocar naquelas coisas horrendas...
— Por favor, Kat, são só plantas... Não lhe fazem mal algum...
— Não, só estragariam minha pele se entrassem em contato com o pus delas...
— Por isso que servemn as luvas e as máscaras de proteção...
— Sério, Ginny, agora entendo porquê você namorou o Neville... Mas sério, falou em risco para minha beleza, mantenho distância.
— Muito bem, quem já terminou estão dispensadas. Daqui a cinco minutos o sinal vai tocar, portanto, quem não terminou, apressem-se.
Amas as meninas seguem para as suas aulas, acompanhadas de alguns outros alunos.
Draco acorda.
"Graças à Merlin, hoje é sexta..."
Desligara o despertador. Seis horas. Se dirigiu ao Banheiro dos Monitores como sempre fazia.
Despiu-se e mergulhara naquela enorme banheira. Bolhas e jatos de hidromassagem começaram a sair, relaxando-o. A sereia lhe cumprimenta, como sempre o fazia. Ele responde, educadamente, ao mesmo, com um aceno de cabeça.
Afinal, Malfoy só dirigiam a palavra quando era estritamente necessário. E tudo que queria agora era aproveitar um pouco o silêncio.
Ainda podia sentir seu peso sobre seu corpo, o perfume dos seus cabelos em suas narinas. Pendeu a cabeça para trás. Deixou-se viajar em seus pensamentos pelo restante de tempo que o tinha.
"Caramba... Eu estou ferrado... E quando eu matar o velhote, com que cara a Gina vai olhar pra mim? Ou quando ela descobrir que sou eu com quem ela se encontra todas as noites? Que a beijei daquele jeito?"
Draco mergulha a cabeça na banheira. Ao imergir, passa os dedos da mão direita em seus cabelos, colocando-os para trás.
"Se bem que... Beijo é uma coisa que não se dá sem receber... Ela correspondeu ao beijo. Isso quer dizer que ela gostou também."
Enxugou-se e colou o seu roupão. A Sereia lhe acenou com a mão, despedindo-se. Ele volta a acenar com a cabeça e se dirige ao seu dormitório.
Veste seu uniforme e ajeita o cabelo. Com um feitiço, o faz ficar impecavelmente no lugar, como se fosse um "gel mágico". Sorri.
"Como o esperado de um Malfoy... Perfeito."
Chegando ao Grande Salão, senta entre Crabbe e Goyle e se serve de uma xícara de chá. Nota Gina e a amiga tomando café, conversando sobre alguma coisa.
— Viu, Draco? Adiaram a festinha... – Diz Pansy, se enroscando em seu pescoço.
— Que pena para você. – Diz ele, tirando os braços da colega em volta de si.
Quando olha e vê Gina e a amiga levantando-se, mas com o Potter puxando Gina pela manga, falando com ela.
Os olhos de Draco se estreitam. Larga a xícara na mesa, antes que ele a quebre por um acidente de auto-controle.
"Potter, solte ela... Juro pelo sangue do mais ancestral Malfoy que um dia vou triturar cada osso do seu maldito corpo por tocar na MINHA garota..."
Draco vê ambos parados conversando. Potter parecia não gostar muito. Gina estava séria.
"Nessas horas, chega a dar raiva não saber ler lábios... Merda! Se bem que a essa distância, seria algo realmente impossível."
— Draco, você está bem? – Pergunta Pansy, colocando a mão em cima da testa dele.
Draco retira de maneira rude a mão dela do lugar.
— Estou perfeitamente bem, porquê a pergunta?
— Malfoy, seu rosto... Está vermelho... – Aponta Dolohov.
— Estou bem, deve ser somente um resfriado. Vamos, já terminei meu café.
E segue com passos largos e impacientes em direção à aula.
Mas de uma coisa, Draco tinha certeza: Perdera todo o apetite e estava morrendo de vontade de amaldiçoar até o último fio de cabelo de um certo alguém.
