Capítulo 10 – Um longo ano

Nota: eu fiz uma pequena antecipação de um evento que acontece no filme Dragon Ball Super, Broly, a destruição parcial do palácio de Vegetasei, que acontece pelo menos um ano depois do que é mostrado aqui.

Mensagem de Bardock, nave sayajin número 156, a caminho do cinturão de Zyon, terceiro quadrante, galáxia do Norte.

Gine, meu amor...

O espaço é frio, escuro e silencioso. Tão silencioso que às vezes tenho a impressão que posso ouvir meu próprio coração batendo. Tão escuro que faz que eu me sinta minúsculo e insignificante, por maior que tenha sido o meu esforço para obter meu poder de luta. Tão frio que me faz sentir falta do teu calor todos os dias.

Tivemos muito pouco tempo juntos... queria mais um dia, mais uma hora, mais um momento contigo, mas fico feliz que o vínculo entre nós é forte o suficiente, quando me concentro o suficiente e penso em você, percebo que está tudo bem e me tranquilizo.

Apenas eu e Toma, o capitão e o piloto, estamos acordados. O resto da nossa tropa está em sono hiperbárico profundo desde que deixamos Vegetasei, há quase cinco meses, nos revezando nas tarefas de manutenção e cuidando para que tudo corra dentro da normalidade. Na volta, teremos direito ao merecido descanso, embora eu não consiga acreditar que conseguirei passar tanto tempo dormindo. Espero passa-los sonhando contigo.

Estamos nos aproximando a cada dia do Cinturão de Zyon, onde os planos são conquistar 5 dos 7 planetas. Dois deles são desabitados, um tem apenas feras mas os dois que restam sabemos que tem povos guerreiros, embora primitivos, com força para oferecer resistência.

Quando essa mensagem chegar a você, estarei próximo ao desembarque em Zyon 4 ou 7. O oozaru dentro de mim anseia pelo combate, para medir minha real força e provar o meu valor. Se tudo der certo, voltarei para você com um bom crédito de saque e poderemos passar o próximo verão inteiro juntos. Quero fazer planos com você, ouvir a tua voz, sentir o teu calor.

Não se preocupe comigo. Voltarei inteiro para você como te disse na minha promessa.

Sempre teu,

Bardock.

Mensagem de Gine, Capital do Planeta Vegetasei

Bardock, meu amor.

Trabalhando todos os dias até mais tarde e depois me exercitando por duas horas no parque, chego em casa tão cansada que apenas deito e durmo como uma pedra. Mas nem assim me esqueço que sinto sua falta. Ainda assim, a cama parece enorme, fria e triste como jamais foi.

Às vezes eu sinto teu pensamento em mim. Você sente o mesmo? Quando nos vinculamos, eu não imaginava que seria tão profundo, mas nem assim me arrependo. Se você estivesse no espaço e não tivéssemos feito, eu estaria aqui morta de ansiedade pela sua volta. Agora, apenas sei que você vai voltar para mim. Quando essa mensagem chegar, pode ser que você já esteja em combate, mas quando lê-la, por favor, responda. Não quero que os seus cinco meses de sono hiperbárico da volta sejam cinco meses de silencio.

O herdeiro do Rei finalmente foi colocado na câmara de incubação, e um novo festival nos fez ganhar muitos créditos, e eu trabalhei como louca nos dias anteriores, dessa vez em paz porque meu ridículo primo não esteve envolvido em etapa nenhuma dos festejos, graças ao Grande Oozaru Dourado!

Em compensação eu estive na cerimônia e mais uma vez, morri de pena da pobre rainha Okra, retirada de sua cama após o parto à força e exibida para a população com a sua pele pálida e seu rosto cansado, onde transparecia a tristeza de ter seu primeiro filho arrancado à força do útero um mês antes do termo para que seja alvo da superalimentação que o fará um sayajin mais poderoso.

Meu avô Kakarotto dizia que antes de trabalharmos para o império Cold, as mulheres tinham seus filhos por meios naturais e amamentavam as crianças por meses a fio, carregando-as junto ao seio o tempo todo. Foi assim que nossa raça se tornou forte, não com as câmaras de incubação, e, se não fosse obrigatório, eu optaria por não por os filhos que um dia teremos numa câmara como essas.

Tenho pensado muito em filhos... se você concordar, gostaria de peticionar uma suspensão de contracepção para nós quando completarmos 19 anos. Somos Sayajins já independentes e produtivos, e com seu poder de luta duvido que nos neguem esse direito...

E quando você voltar ao espaço eu terei um pequeno para me consolar, mesmo que eu só possa vê-lo crescendo através do vidro de uma câmara de incubação.

Te espero, mesmo sabendo que demoras...

Sempre tua

Gine.

Mensagem de Bardock, órbita do Planeta Zyon 4, terceiro quadrante, galáxia do Norte.

Gine, meu amor,

Conquistamos o planeta em menos de 1 semana, mas o último combate foi sério e sangrento. Um homem veio na minha direção, no meio do combate, com um enorme machado de batalha. Eu o matei com uma descarga de energia e descobri depois que era o rei de uma das nações. Esse povo era muito primitivo e não tinha nenhuma tecnologia avançada, e nem um comando global, como nós. Havia dois continentes separados por um oceano, e eles não sabiam sequer da existência um do outro... Foi quase decepcionante deparar-se com um povo tão primitivo.

Mas seus habitantes eram fortes e corajosos, então, o combate valeu a pena. Os sobreviventes trabalharão para nós, agora, na extração dos minérios que aqui são tão abundantes e que eles não sabiam sequer como usar direito... com a nossa tecnologia, o planeta será muito mais produtivo. Logo depois que os conquistamos, as naves do império Cold chegaram, e nos preparávamos para invadir o outro planeta habitado do cinturão, Zyon 7, quando Freeza, aquele pirralho mimado e asqueroso, suspendeu a invasão e pulverizou o planeta.

Assim, como quem apenas muda de ideia, ele simplesmente matou um planeta com aproximadamente 1 bilhão de habitantes. Tudo porque era um planeta muito mais avançado que Zyon 4, e havia tecnologia de fuga espacial. Uma fuga em massa começou e Freeza decidiu acabar com ela explodindo o planeta.

Alguém tem que dizer para esse moleque que muito de nada, é nada do mesmo jeito. Ainda que os habitantes tivessem fugido, era um planeta rico em todos os minérios raros e fontes de energia que o império do pai dele explora. E o ignorante decidiu simplesmente que não aceitava a fuga dos habitantes.

Há um boato de que, quando voltar dessa missão, Freeza vai ser declarado novo imperador, no lugar do Rei Cold. Para o bem da galáxia espero que isso não seja verdade.

Sobre tua proposta... eu pensava nisso durante a viagem, várias vezes, e vejo agora porque: estamos compartilhando sentimentos e ideias, meu amor, e assim que chegar irei pessoalmente a um escritório de saúde e reprodução com as nossas petições.

E então, com a desculpa de que estamos tentando procriar, poderemos ficar sozinhos, dia e noite fazendo amor como se nada mais no mundo importasse... porque quando estamos juntos, de fato não importa.

Droga... só de pensar nisso fiquei excitado e, infelizmente, nessa maldita nave não há sequer um cantinho onde eu possa cuidar disso sozinho com alguma privacidade... não ruborize e nem fique tímida porque eu sei que muitas vezes, no silêncio da noite, você faz a mesma coisa pensando em mim... eu sinto.

Ainda ficaremos aqui algumas semanas, para conquistar os planetas desabitados e com feras... mas não será um combate, mas apenas uma tarefa tediosa.

Espero sua mensagem antes de partir e passar cinco meses num sono hiperbárico, sonhando que já estamos na nossa cama fazendo nosso filho... que bom que o isolamento acústico da câmara é bom e o sistema de limpeza é eficiente e que pena que você não vai estar ali, apertada naquela câmara estreita comigo.

Te amo

Bardock.

Mensagem de Gine, Capital do Planeta Vegetasei

Senhor Bardock Naaranje...

Acabei de descobrir que estou vinculada a um pervertido sexual, um verdadeiro tarado.

E isso me fez pensar nas suas pernas roçando nas minhas, na sua cauda enroscada em mim, nos seus longos beijos que me tiram o fôlego, no som da sua voz rouca no meu ouvido quando está por cima de mim, dentro de mim... pensei nas nossas respirações e no nosso suor se misturando quando não conseguimos parar de nos amar.

Imagina, pensar nisso por dias e noites a fio trancado num sono de hibernação. Não gostaria de estar no seu lugar agora. Mas gostaria que você estivesse aqui comigo. Estou deitada na nossa cama, e como a noite está muito quente, decidi dormir nua.

Boa noite,

Gine.

Mensagem de Bardock, órbita do Planeta Zyon 3, terceiro quadrante, galáxia do Norte.

Senhora Gine Neela

Eu já lutei com todo tipo de oponente, mas nunca vi um golpe tão baixo como o da sua última mensagem...

Eu sei que falta ainda muito para começar o verão em Vegetasei, então, se sente calor é porque está ardendo de desejo e de saudades de mim, e se eu dominasse a técnica do teletransporte (que muitos dizem que os Adaratseijins dominam) fique certa que teria me materializado na sua cama assim que li a mensagem e então a senhora veria o que acontece quando se provoca um verdadeiro guerreiro sayajin.

Mas agora você vai passar os próximos cinco meses esperando por um guerreiro que vai desembarcar cheio de fome... espere então para ser devorada por mim.

Ansioso para que esse tempo voe, me despeço.

Sempre seu,

Bardock.

P.S. – Fiz uma pesquisa e descobri que poderia encaminhar antecipadamente nossa petição através do comando, talvez um agente de saúde te convoque para retirar a contracepção. A minha injeção já terá vencido quando eu desembarcar e já estou liberado de tomar a seguinte.

Mensagem de Bardock, espaço indeterminado na Galáxia Norte.

Gine,

Tive um sonho muito ruim e despertei do sono hiperbárico. Pensei em você na mesma hora. Por favor, faça o que te peço: se alguma nave do império Cold se aproximar da capital, não se aproxime do palácio de Vegetasei.

Por favor, me prometa isso.

Tentarei dormir novamente depois que você me responder e espero, sinceramente, que meu pressentimento não se concretize.

Sempre seu,

Bardock.

Na tela do meu rastreador, a mensagem de Bardock piscava incessantemente, exigindo uma resposta. Diferente do tom ameno e brincalhão da anterior, eu podia sentia a angústia em cada palavra que ele escrevera. E fechando os olhos, senti a urgência dele, acordado do sono hiperbárico, exigindo uma resposta.

Calculei que se ele estava no espaço indeterminado, a mensagem devia ter sido mandada há menos de uma hora. Digitei então rapidamente:

Volte a dormir, meu amor. Prometo o que quiser para que você se sinta melhor. Se eu ver alguma nave Cold no céu, prometo correr para casa.

Retirei o rastreador depois de receber a mensagem, intrigada. Eu estava no armazém, finalizando meu dia de trabalho e guardando minhas facas, tranquilamente. Quando terminei, como fazia todos os dias, eu me dirigi ao parque, de onde podia ver o palácio, e comecei a fazer o alongamento que antecedia meus exercícios diários.

Eu estava de olhos fechados, respirando e expirando para por meu corpo no ritmo do aquecimento quando ouvi o som ao longe. Eu estava de costas para o palácio e me virei para tomar o maior choque que eu senti em toda minha vida.

Uma gigantesca nave, que eu sabia que era da frota particular do imperador Cold, descia do espaço e pousaria em minutos diante do palácio de Vegetasei. Imediatamente, eu recolhi minhas coisas, pus meu rastreador e enviei mensagem a todos os que eu rastreei na vizinhança, dizendo "Saiam do parque. Perigo."

Levantei vôo e, pela primeira vez na vida ignorei a proibição de vôo individual em perímetro urbano, descendo só em frente à minha unidade habitacional, onde eu entrei correndo, apavorada. Quando estava dentro de casa, protegida pela distância e pelas paredes reforçadas, passei a olhar na direção do palácio, sem conseguir tirar os olhos da gigantesca espaçonave, que depois de um tempo eu não vi mais, porque da minha casa eu via apenas o fundo do palácio.

Um tempo que pareceu mais longo do que foi realmente se passou e eu imaginei que nada de mal aconteceria, mas, de repente, eu vi três torres do palácio explodindo e levei as duas mãos à boca. Se eu estivesse no parque, certamente, poderia ter sido atingida por um daqueles escombros. Fiquei segurando o choro enquanto parte do palácio real ruía e caía. Meu coração se apertou e eu me lembrei das terríveis palavras do meu tio-avô Kakarotto: "Sabe quem também são feras estúpidas, na avaliação do Império Coola? Os sayajins, filha. Nós seguimos o velho Cold como tsurus, fazemos todo serviço para ele... e um dia ele vai nos mandar para o matadouro sem hesitação."

Eu liguei a tela de entretenimento e me sentei, abraçando as pernas, de frente para ela. Em todos os canais havia apenas uma notícia: Freeza era o nosso novo comandante em chefe e o Rei Vegeta havia sido punido por desconfiar do império Coola, com o ataque a cada atirador de elite postado estrategicamente no palácio para prevenir um ataque supresa.

A rainha Okra e o herdeiro, assim como o Rei Vegeta, estavam bem. Os Challengins haviam se retirado logo após o anúncio, como se não tivessem praticamente destruído metade da sede do governo de Vegetasei e tudo permanecesse inalterado na relação entre is Chalengins e os Sayajins.

E quando a lista de mortos foi divulgada, eu tive mais um choque: Koriander, que havia sido meu primeiro namorado, chefe da guarda real, havia sido um dos mortos no ataque. Ele estava procriando com três guerreiras sayajins diferentes e, em breve, três bebês seriam retirados das suas câmaras de incubação sem saber que jamais conheceriam o pai.

Por mais que eu não tivesse mais nenhuma relação com ele, lamentei a morte de Koriander, porque era um sayajin forte, orgulhoso e que servia à coroa de Vegetasei com dedicação. E porque seus três filhos nasceriam sem pai.

Naquela noite, antes de dormir, eu pensei em Bardock e enviei uma mensagem curta que ele só receberia dali a dois meses, quando acordasse do sono hiperbárico, já no sistema solar de Vegetasei: "Aconteceu o que você temia, mas eu estava bem longe. Você salvou minha vida, meu amor".

No dia do meu 19º aniversário eu soube que a nave de Bardock se aproximava de nossa órbita. Havia praticamente um ano desde a tarde em que ele se despedira de mim e eu ansiava por vê-lo, por cair nos braços do meu guerreiro sayajin, que voltava de sua primeira missão e que passaria o próximo verão inteiro comigo. Eu havia trabalhado como louca ao longo daquele ano para poder passar pelo menos um mês afastada. O clã sobreviveria perfeitamente sem mim.

O terminal de desembarque estava lotado, porque quatro naves daquela missão chegavam naquele mesmo dia. Eu olhava agoniada para o portão de onde ele sairia quando braços fortes me envolveram de repente e eu fui jogada para o alto, levando um susto.

- Mas ora se não é a nossa garota da carne!

- Ben! – eu gritei. Também não via meu amigo há um ano, e ele estava impressionante com sua armadura de piloto sayajin e uma recém-conquistada insígnia de bravura no ombro direito, que ele me mostrou, dizendo:

- Manobra de evasão! Salvei nossa nave da retaliação de um caça-cruzador dos terríveis Isufeijins. Conquistamos o planeta deles no sistema de Adrula. Bardock estava na missão do cinturão de Zyon, não?

- Sim, estava. Eu estou esperando por ele.

Ben levou as duas mãos ao rosto fingindo espanto e disse:

- Vou embora, não nasci pra atrapalhar casais felizes! Pelo sagrado Oozaru Dourado, corram para um quarto – E como ele havia aparecido, Ben se afastou, se encontrando com outro rapaz, que eu não sabia quem era, na saída. Ele tinha essa mania de não nos apresentar seus namorados.

Eu me virei novamente para o portão, e, de repente, o vi. Bardock estava lá, no portão, tão ansioso por mim quanto eu estava por ele, porque sua cauda se soltou da cintura quando ele começou a correr para mim. Quando ele me ergueu do chão e me beijou, eu mesma desejei ter o tal poder de teletransporte para nos levar para o nosso quarto.

Quando nos separamos ele segurou meu rosto entre suas mãos e o cobriu de beijos, enquanto eu ria, então me disse:

- Vamos para casa antes que eu perca o controle aqui mesmo.

Eu havia comprado uma voadora motorizada no último ano, e, mesmo sendo um piloto prudente, corri feito louca para nossa casa, onde já entramos nos despindo e caímos na cama rindo loucamente e creio que aquele foi o amor mais alegre que fizemos na nossa vida. Depois tomamos um banho e nos deixamos ficar, preguiçosamente nos braços um do outro, apenas sentindo o prazer de estar juntos.

Horas depois, Bardock passou a mão por sobre meu corpo e sussurrou no meu ouvido:

- Eu disse que te devoraria, não disse? – ele provocou e eu ri.

- Pois eu achei que você não tinha nem começado.

- Está certa. Foi só o aperitivo – ele riu e debruçou-se sobre mim, me amando mais uma vez.

Quando nos levantamos para comer a refeição que eu havia deixado pronta ele me disse:

- Então... pode ser que nosso pequeno sayajin já esteja a caminho...

- Não sei – eu disse, enquanto mexia a refeição que eu esquentava – acho que o contraceptivo ainda circula algum tempo pelo organismo... pode ser que demore um pouco.

- Como vamos chamá-lo?

- Se for um menino? Raditz! – eu disse, sem pensar.

- Quem te deu o direito de escolher? – ele perguntou, segurando minha cintura por trás e encaixando-se em mim, incapaz de ficar longe muito tempo.

- A ideia foi minha – eu brinquei – então eu escolho o nome do primeiro. Se for menina se chamará Zuch.

- Ok. O próximo eu escolho – ele riu e eu levei a refeição para mesa. Estávamos realmente mortos de fome.

Nos dias seguintes, viajamos para as praias do sul do continente e passamos longos dias e lindas noites preguiçosamente juntos, vivendo como se não houvesse nada no mundo entre nós dois. Dois meses depois, minha menstruação atrasou. Quando fui ao posto médico, confirmei que estava grávida, e celebramos por dias, já com o coração apertado porque metade do tempo de folga de Bardock já havia acabado.

E quando ele foi embora, já sabíamos que Raditz estava a caminho, e que seu poder de luta latente não era nada desprezível. E meu coração apertou-se em pânico justamente por isso.