Título: Crawling
Ficwriter: Felton Blackthorn
Classificação: N-17
Casal: Harry e Draco
Disclaimer: Essa história é baseada nos personagens e situações criadas e pertencidas a J.K. Rowling, várias editoras e Warner Bros. Não há nenhum lucro, nem violação de direitos autorais ou marca registrada.
Resumo: Nem todas as prisões são feitas de grades, todos sabem disso, ou pelo menos deveriam. Porém, o que talvez nem todos saibam, é que o amor é, de longe, a mais cruel de todas elas...

Crawling

Capítulo 11
"If it sets me free"

Swing the heartache
Feel it inside out
When the wind cries
I'll say goodbye
Tried to learn tried to find
To reach out for eternity
Where's the answer
Is this forever

Mergulhando nas mágoas
Sentir isso pelo avesso
Quando o vento chorar
Eu irei dizer adeus
Tentei aprender tentei encontrar
Para alcançar a eternidade
Onde estará a resposta
Isso é para sempre

– Harry?

Hermione saiu da lareira olhando para todos os lados. Logo viu seu amigo sentado sobre o sofá, com uma aparência terrível. Ele ergueu os olhos, mas desviou as íris esmeralda, incapaz de encarar a bruxa por mais tempo.

– Seu Patrono, – ela foi dizendo – parecia urgente. Ron está no Ministério, não tive tempo de avisá-lo. Creio que depois ele vá ao Beco Diagonal. Talvez Seamus tenha deixado alguma pista.

Foi se aproximando até estar perto o bastante para sentar-se no sofá. Estranhava a urgência do chamado de Harry. E a forma como ele parecia arrasado não ajudava a diminuir sua preocupação.

Cortando a divagação da bruxa, Harry pronunciou as terríveis palavras com esforço:

– Seamus está morto. – a voz rouca arrepiou Hermione.

– Morto? – ela ficou chocada.

– Sim. Estive na casa dele ontem, vi o sinal. – Harry respirou pesado – Seamus escolheu morrer sozinho, longe de todos que conhecia.

– Não... – Mione começou a chorar baixinho.

Desde que aceitara ajudar O Garoto Que Venceu naquele caso tinha esperanças de realmente poder salvar Dean. E agora não apenas ele, mas seu marido Seamus havia partido. Era tão triste e trágico.

– Eu... – Potter começou e calou-se, incapaz de continuar. Sentiu o olhar da castanha cair sobre si.

– Harry?

– Eu... perdi a cabeça.

– Como assim? – Ela realmente não entendeu a revelação.

– Sucumbi ao vínculo. Usei o poder do Bem de Direito e do Único Dever. – confessou a um fôlego só.

A medida que compreendia a força daquelas palavras Hermione Weasley ia arregalando os olhos:

– Grande Merlin. O que você fez?

Ainda mantendo os olhos verdes fixos num ponto qualquer da parede, Harry contou superficialmente como tudo se precipitara na noite anterior. A culpa e arrependimento cresciam de modo sufocante. O peso em seus ombros era tão esmagador que se sentia pequeno. Podre.

Desejava morrer. Mas não podia fazer isso sem tentar salvar Malfoy. Sem pedir perdão antes.

– Harry. – Hermione não soube o que dizer. Desde o princípio avisara o moreno sobre a loucura dessa empreitada, sobretudo porque ela sabia dos sentimentos dele pelo Auror. Somando-se a personalidade impulsiva e inconseqüente, nada bom podia resultar. Apesar de seu forte senso de justiça, a bruxa não recriminou o amigo de longa data. Harry parecia estar a um ponto de partir-se. Deixaria as repreensões para quando o perigo tivesse passado.

– Começou Mione. – a voz do Inominável era um fio, mas foi suficiente para ganhar a atenção da outra. – Será tarde demais?

O coração da garota disparou:

– O que começou?

– A Marca Rósea. Quando acordei essa manhã percebi que já estava alcançando o braço de Malfoy.

– O braço? Impossível, Harry! Com Dean não foi tão rápido assim! Quer dizer, foi uma evolução rápida, mas isso... Como pode?

– Não sei. E não estamos mais perto de descobrir como libertá-lo.

– Grande Merlin. – repetiu – O que você vai fazer?

O Inominável balançou a cabeça. Sentia-se de mãos atadas:

- Monroe não tem aparecido no Libertinus. E sua residência é desconhecida pelos clientes.

Hermione levantou-se e começou a andar de um lado para o outro. Aquela letargia de Potter a incomodava. Ele parecia ter se dado por vencido:

– Harry, você tem que fazer alguma coisa!

– Me sinto tão culpado... – afirmou como se não ouvisse a amiga. A única coisa boa que podia tirar disso tudo fora o desaparecimento do Laço Negro. Harry não o vira mais prendendo o dedo de Draco. Mas era um fato inexplicável, incompreensível e, talvez, tardio. O que adiantaria o fim de uma maldição se Malfoy nunca mais acordasse daquele sono?

A ex-Gryffindor estacou, perguntou cortando a reflexão pessimista do outro:

– Será que isso pode ter algo a ver com a Maldição?

Harry voltou os olhos e encarou a garota pela primeira vez desde que ela tinha vindo a sua casa aquela manhã:

– Que quer dizer?

– Culpa. Seamus sentia-se culpado igual a você. Talvez seja um fator e... – deixou os ombros caírem – Nem sei mais o que estou falando.

– Entendo Seamus agora. Mas no meu caso é muito pior, Mione. Eu sou um monstro, um lixo.

– Não diga isso, Harry!

O moreno sorriu amargo:

– Como me classificaria? Eu estuprei a pessoa que amo e por minha culpa Draco vai morrer.

A afirmação inflamou Hermione:

– ELE NÃO VAI MORRER, HARRY! Só se você deixar!

– Como deixei Dean? Seamus? – Harry sentia-se derrotado e isso era bem visível em sua face – O que quer que eu faça?

A ex-Gryffindor estreitou os olhos de forma ameaçadora:

– Invada o Libertinus, descubra onde Monroe mora. Vá ao Ministério, investigue. – ao contrário do bruxo Hermione parecia inflamar-se com a urgência da situação – Alguém tem que saber. Só não fique aqui sentado esperando o pior acontecer!

– Mas...

– Vá, Harry. Eu fico com Malfoy para você.

O Inominável pareceu vacilar, mas subitamente algo dentro de si se iluminou novamente. Não entendia aquele conformismo que o deixara prostrado no sofá. Talvez fosse fruto da culpa, do remorso, do rancor contra si mesmo como a própria Hermione mencionara mais cedo.

Sentia-se parte da pior escória, bem a exemplo dos Comensais que enfrentara durante a Guerra, forçando as pessoas a agirem contra a vontade. Forçando Malfoy a agir contra a vontade.

– Tenho que conseguir. – o rapaz falou com vigor – Tenho que salvar Draco e pedir o seu perdão.

Hermione sorriu suave e balançou a cabeça:

– Ainda não é tarde demais, Harry. Acredite nisso.

O moreno conferiu que a varinha estava no bolso de sua calça e desaparatou.

HPDM

Harry nunca tinha ido ao Libertinus durante o dia. A aparência do Pub tinha pouco de atraente e misteriosa. A luz do sol parecia diminuir seus encantos, fazendo-a parecer uma residência meio destruída qualquer.

Sondou o terreno olhando de um lado para o outro, esperando que Torrance ou algum novo vigia se aproximasse. Ninguém parecia tomar conta. O que era estranho: a porta do Pub estava entreaberta.

Cheio de cautela Harry entrou, mantendo a varinha firme em sua mão.

Qual não foi sua surpresa ao adentrar o Libertinus e encontrar a pessoa que mais desejava ver sentada ao balcão, tomando vinho em uma fina taça de cristal:

– Monroe...

Ao ouvir seu nome o bruxo ergueu a cabeça e fitou o recém chegado:

– Harry Potter. Chegou bem a tempo do show...

Ignorando as palavras misteriosas o Inominável avançou e grudou o dono do local pela frente da blusa, puxando-o com força. Era hora de colocar as cartas na mesa:

– Qual é a contra-maldição para o Único Dever?

O homem observou atentamente a expressão de Harry antes de responder:

– Vejo culpa em seus olhos, Potter.

– Resposta errada! – Harry irritou-se.

Analisando a situação rapidamente, o bruxo mais velho deu de ombros:

– De qualquer forma não existe contra-maldição.

A afirmativa fez o ex-Gryffindor trincar os dentes:

– Tem que haver. – ele precisava achar um jeito de libertar e despertar Malfoy.

Monroe soltou-se do aperto do Inominável, ajeitou as roupas meio amarrotadas e pegou sua taça sorvendo um novo gole:

– Ah, você sabe o que dizem Potter? Que a indiferença é o contrário do amor, não o ódio. – começou pensativamente– Pode até ser... Pode até ser... Mas a indiferença não é tão poderosa quanto o ódio, não concorda?

– Monroe, não tenho tempo para brincar de filosofia!

– Não estamos brincando, Potter. Sua pressa é por causa de Malfoy, não é? A Mancha Rósea apareceu? Onde ela está? Perto da coleira? Pelo seu desespero creio que sim.

Harry ameaçou dar um passo:

– Você sabe de tudo isso!

– Claro. – Monroe desdenhou – Meu avô construiu esse lugar. Ele fez tudo por vingança, Potter. Como eu disse o amor é capaz de criar coisas incríveis, mas o ódio também.

Cansado do jogo de palavras, Harry respirou fundo:

– Porque?

– O ódio pode criar coisas complexas. Poderosas. O ódio de vovô nunca amainou. Não é fácil perder a mulher que você ama para outra mulher, não acha?

A frase meio rancorosa fez Harry piscar:

– Outra mulher? Por isso o vínculo atinge apenas casais homossexuais?

Monroe sorriu. Observou sua taça ser novamente completada com vinho da melhor qualidade:

– Não tenho nada contra. – sorveu o líquido – Pouco me importa como o amor se manifesta. Mas vovô nunca aceitou. Ele construiu o Libertinus e aprisionou a mulher que amava. Manteve-a cativa até que perdesse a vontade de viver.

Harry escutou a revelação com um aperto no coração. Então os submissos eram acometidos pela depressão e perdiam o ânimo, o desejo de viver. Por isso adormeciam e assim ficavam até a morte definitiva.

– Tem que existir um contra-feitiço...

– O Bem de Direito está vinculado direto ao seu coração, Potter. Ele só deixará de existir quando o seu coração parar de bater. E se trata apenas de uma teoria: nunca vi um Dominador morrer antes de seu submisso.

Perdendo as forças Harry sentou-se na banqueta ao lado da de Warren:

– Então não há nada que eu possa fazer? Além de tirar a minha vida?

Warren deu de ombros:

– Você pode deixá-lo partir antes. E ir em seguida. É uma forma de se redimir.

Harry mordeu os lábios:

– Porque pessoas que se conheciam antes? E... a culpa? É ela que faz a Mancha Rósea avançar mais rapidamente?

Monroe analisou sua taça de vinho calmamente:

– Eu diria que tem mais a ver com o amor. Veja bem, Potter. Um Dominador que conhece seu Submisso geralmente usa o vínculo para as facilidades, talvez o amor não tenha sido declarado por medo ou fraqueza. E então o Bem de Direito vem para salvar. Não foi assim que se sentiu? – Monroe provocou – Quando viu a chance de dominar Malfoy, o homem que você deseja? Você ama Malfoy e usou a maldição por um motivo. O motivo de todos os Dominadores vítimas do Bem de Direito. E o motivo é apenas um: esse Dominador ama seu submisso. Mas o amor tem que ser correspondido para a Maldição se ativar.

O Inominável refletiu naquilo por um breve instante. Seu rosto ficou extremamente pálido, ele parecia a ponto de sucumbir:

– Malfoy não me ama!

Warren sorriu:

– Tolos. Estúpidos. Por isso são presas fáceis para o Único Dever e o Bem de Direito. Se não houvesse amor de ambas as partes a maldição não faria nada. E a Mancha Rósea se move de acordo com a intensidade desse sentimento. Quanto maior o amor, mais rápida a morte ocorre. Meu avô era um homem rancoroso, Potter. – o dono do Pub fez um gesto amplo com as mãos – Veja a complexidade e maravilha desse lugar. Você nem se aproximou de todos os mistérios da sala ébano. Um ódio tão forte e incontrolável que fez meu avô criar a mais terrível de todas as maldições.

– Matar a pessoa que nós amamos... – Harry sussurrou.

– Exatamente como ele fez. Quando prendeu a mulher que amava e ela preferiu morrer a ficar ao lado dele. Vovô quis que todos os fracos que recorressem ao Libertinus experimentassem o sofrimento desse lugar maldito. O peso da culpa e do arrependimento. Sem que pudessem fazer nada.

– Que pessoa cruel...

– Eu concordo. Por isso tudo vai acabar.

O ex-Gryffindor olhou longamente para Warren:

– Como assim?

Pra surpresa de Potter o rosto de Monroe se contorceu, como se ele sentisse uma dor violenta:

– A maldição evoluiu, Potter. Não precisa mais se conhecer antes para que a Morte Misteriosa possa acontecer. Céus... – o bruxo mais velho apertou a barriga e gemeu antes de continuar – Eu nunca imaginei que um dia... Morgan corresponderia o meu amor.

– Morgan...? – Harry arregalou os olhos.

– E agora tudo se foi. – a voz rouca soou trespassada de dor e pesar.

Com o coração aos saltos o ex-Gryffindor indagou:

– Mas ela é uma mulher! O vínculo que ativa a maldição não tem que ser homossexual?

O dono do Pub sorriu com certa indulgência, da forma que apenas detentores de grandes verdades se podem dar ao luxo de sorrir, mas ao mesmo tempo com uma tristeza tão profunda que toldou grande parte do ato:

– A mente limitada de vocês é sempre um peso a ser carregado. Morgan se parece uma mulher, age como uma porque é o que eu quero. Sempre tive medo da opinião alheia. O que não significa que realmente seja uma mulher.

Harry entreabriu os lábios. Warren estava dizendo que Morgan, aquela garota tão doce e pacata era, na verdade, um rapaz?

– Monroe... você usava Glamour?

– Eu... registrei tudo em um diário. Meu... diário. Está junto com... a... Penseira do meu avô... – a fronte do bruxo estava permeada de gotículas de suor – Encontre-o e saberá tudo a respeito do Libertinus. Saberá que não existe contra-maldição... não existe... saída...

Monroe gemeu outra vez. O corpo doeu tanto que teve que envergar-se, quase apoiando o rosto sobre o balcão. A expressão de sua face mostrou-se apática, pálida numa forma doentia:

– Esse é o fim... o fim do Libertinus e todos os seus segredos não desvendados, sua misticidade... Morgan.

O homem parecia entrar em um delírio, os olhos começaram a perder o brilho, desfocando-se. Era como se nem visse mais o Inominável. Assustado, Harry segurou Monroe pelos ombros e sacudiu de leve:

– Que você fez...? – sacudiu novamente.

– Oh, Morgan... me perdoe... – respirou fundo – Logo estarei com você. Logo tudo isso terá um fim...

O Garoto Que Venceu olhou de Warren para a garrafa de vinho, diminuída pela metade. Compreendeu tudo: aquela bebida devia conter algum tipo de veneno. Monroe estava tirando sua própria vida!

– Warren! Se você morrer o que acontece com o Libertinus? E o vínculo entre Dominadores e Submissos? Irá acabar? Porque? Porque? – Harry não entendia por que as coisas aconteciam daquela forma. Ele não acreditava em coincidências.

Mas as perguntas do ex-Gryffindor nunca tiveram uma resposta. Warren Monroe tombou de uma vez para frente e deslizou de forma estabanada. Caiu ao solo e ficou imóvel, com os olhos abertos e fixos no teto alto, como se ainda desejasse assistir o que estava por vir.

Imediatamente as garrafas do bar foram estourando uma após a outra, fazendo Harry se encolher pra não ser atingido. O fogo surgiu do meio dessas explosões, se alastrando pela parede logo atrás do balcão.

– Um contrato... – o moreno tinha experiência o suficiente para perceber a verdade: o Libertinus estava ligado a vida de seu dono. No momento em que o veneno destruíra a vida do Monroe destruíra a própria essência do Pub. Tudo seria consumido pelas chamas e talvez nem mesmo as cinzas restassem.

Sentindo o calor aumentar perigosamente enquanto as chamas se espalhavam, Harry Potter lançou um último olhar para o corpo de Monroe. Um homem detentor de um fantástico segredo, uma criação magnífica da magia incrivelmente baseada no ódio e no rancor, mas que poderia ser considerada uma obra-de-arte, tamanha sua complexidade e riqueza de detalhes. Um homem incapaz de conseguir proteger o que amava.

Assim como Seamus. Assim como o próprio Harry.

E o Garoto Que Viveu compreendeu tudo. Realmente não havia coincidências. Não pudera salvar Seamus e Dean. Presenciara a morte de Warren. Era a mensagem que o destino lhe enviava: devia seguir aquele caminho. Era assim que sua vida terminaria, sendo o culpado pela morte do homem que amava. E seguindo-o sem hesitar quando fosse a hora certa.

As chamas tornaram-se quentes demais para que pudesse suportar mais um minuto dentro do Libertinus. O oásis dos prazeres proibidos estava se consumindo para sempre. Nunca mais poderia fazer vítimas da cruel maldição.

Certo de que compreendera tudo, Potter desaparatou.

HPDM

Hermione Weasley estava em pânico. Vigiava o sono de Draco Malfoy atentamente. Não havia sinal de que o loiro sofrera algum tipo de violência. Mas nem seria diferente. Mesmo que Harry não desse os detalhes, ela sabia que o vínculo impedira qualquer luta por parte de Draco. Qualquer defesa.

– Oh, Harry.

Fazia horas que ele fora atrás de pistas e não voltara ainda. Ela não podia enxergar a Marca Rósea nem a Coleira. Então era impossível dizer se as coisas estavam piores, se a Doença Misteriosa progredira... Harry tinha que voltar logo!

A porta do quarto foi aberta e ela assustou-se. Relaxou ao ver o dono da casa avançando a passos vagaroso, cautelosos.

– Descobriu alguma coisa?

O moreno fitou a cama com a angústia dominando seu rosto pelos longos segundos em que manteve silêncio, até ser doloroso demais observar o sono de Draco Malfoy. Então mirou a jovem mulher ao responder:

– Warren estava no Libertinus. Tudo acabou.

Por instantes ela sorriu:

– Ele desfez o vínculo? Malfoy está livre?

Ao ver Harry meneando a cabeça, a alegria de Mione desapareceu por completo:

– Warren morreu. Morgan, o submisso dele, foi vítima da Morte Misteriosa. Então Monroe bebeu veneno e tirou a própria vida. Vi o Pub sendo consumido em chamas até o fim. – Harry passou a mão pelo cabelo – Ele disse que escreveu tudo em um diário e uma Penseira, mas não deu dica alguma de onde possam estar.

– Oh. – foi tudo que ela conseguiu dizer.

– O Bem de Direito continua aqui. – Harry apontou o bracelete que Hermione não podia enxergar – Você entende, Hermione: novos vínculos nunca mais serão lançados. Mas... não se pode destruir o que já está firmado com magia.

– Grande Godric! Não há salvação?

Os olhos verdes se desviaram:

– Teoricamente se eu morrer. O Bem de Direito está vinculado ao meu coração. Enquanto ele pulsar, a magia existirá.

– Ao seu... coração? HARRY! Você vê que... – a bruxa prendeu a respiração. Os olhos se arregalaram revelando estupefação. Ao meu coração.

– Tudo bem. Eu sei o que devo fazer. – dessa vez o tom de voz soou mais decidido – Quando a Doença Misteriosa levar Malfoy não me restará outra opção.

– Não, Harry... – Mione levantou-se da cadeira quase derrubando-a, tamanho seu desespero – Você não compreendeu...

– É a única forma de pagar os meus pecados.

– Não é a única forma, Harry Potter! Não seja cego! Pense e faça as coisas direito!

O tom de voz raivoso atraiu a atenção do Inominável. Ele voltou-se para Hermione e surpreendeu-se ao ver a amiga com a varinha na mão e um olhar pesaroso. Apesar disso havia decisão irredutível no rosto tencionado.

– Mione!

– Você não compreendeu nada, Harry. – lágrimas fizeram a visão da jovem bruxa se desfocar – Sinto muito, meu querido amigo. Por favor me perdoe...

O ex-Gryffindor deu um passo pra trás engolindo em seco. O coração disparou desenfreado, mas ao mesmo tempo aliviado. Talvez aquilo fosse mesmo o certo. Se ele morresse antes, Draco podia ficar livre.

No entanto por outro lado... Eu queria tanto te pedir perdão.

O Inominável fitou Draco por breves segundos numa silenciosa despedida, então fechou os olhos suavemente, aceitando a decisão da amiga de longa data. De sua confidente e apoio em muitas horas de desespero e enrascada. "Obrigado, Hermione".

Não sentiu nem mesmo medo quando o feitiço foi lançado e o atingiu em cheio:

– SECTUSEMPRA!

Continua...

Harry & Draco

Dessa vez abri o capitulo com "Crucify my Love" da banda X-Japan. O nome do capítulo também saiu dessa música, muito linda por sinal.

Saiyuri por favor, me diga qual o seu e-mail para que eu possa agradecer ao review!

Bom, acho que não fui muito bem na explicação da maldição do Laço Negro, então vou tentar sanar as duvidas que ficaram:

Vejam bem, o Draco está preso por duas maldições: a do Laço Negro, lançada por Voldemort e a do Único Dever, lançada por Harry. A primeira o fez perder a coisa que considerava mais importante para si (o amor que ele sentia por Harry e foi obrigado a esquecer). A segunda o faz obedecer todas as ordens de seu Dominador, mesmo contra a vontade.

Mas a segunda maldição tem um porém, trata-se de um castigo que se ativa caso o Dominador ame seu Submisso e esse Submisso corresponda.

O Draco ama Harry e a Doença Misteriosa atingiu esse amor. Mas a maldição de Voldemort impedia que ele se manifestasse. Logo as duas Maldições entraram em contradição, uma querendo manter o amor escondido e a outra tentando liberá-lo para que a Doença Misteriosa se manifestasse.

Nada disso foi detalhado, eu tentei deixar subentendido.

Lembrando que a Maldição de Voldemort foi lançada há anos atrás e, portanto, estava mais fraca que a do Único Dever. Venceu a maldição mais forte.

O Laço Negro foi destruído e Draco ficou livre, assim como seu amor. Mas era uma amor tão forte que fez a Mancha Rosea surgir e ele caiu no sono amaldiçoado.

Mais ou menos isso que ficou esquematizado na minha cabeça. Mas eu não podia detalhar todas as explicações, porque quem poderia dizer (Voldemort) como o Laço Negro funciona, estava morto. Sobraram apenas as vitimas e Harry, que tenta desvendar a verdade.

Então tentei deixar subentendido da melhor forma possível, sem parecer absurdo.

No caso da Narcissa, ela sempre amou a família, a vida, coisas simples como cuidar do marido e do filho, observar a paisagem pela janela... esse tipo de coisa.

Voldemort não usou uma maldição para matar seus Comensais, foi para privá-los de algo importante. Eles morrerem em razão disso é uma conseqüência. Narcissa tem praticamente tudo o que ama (exceto seu marido) ao alcance de suas mãos, mas não pode vê-los, tocá-los. Esse foi o castigo dela.