Quando Harry terminou sua história Hermione tinha algumas lágrimas no rosto.

-Oh Harry, eu sinto muito! – foi o que ela disse ao se sentar ao seu lado e o abraçar com força.

-Está tudo bem, Hermione. Já passou mesmo. – o moreno disse enquanto a abraçava de volta e afagava seu cabelo.

-Eu sei que já passou mas ainda assim é horrível! – ela se afastou para olhá-lo nos olhos – gostaria de estar ao seu lado quando tudo isso aconteceu. Gostaria de ter ajudado.

Era a primeira vez que alguém reagia assim a sua história. Normalmente as pessoas ficavam aterrorizadas com o que acontecera e ficavam agradecidas de já ter acabado tudo. No máximo agradeciam Harry ou desejavam que ele não tivesse passado por isso. Nunca ninguém desejara estar lá com ele.

-Acho que gostaria de ter você ao meu lado. – Harry respondeu com sinceridade enquanto limpava as lágrimas dos olhos da moça. Ela sorriu e o abraçou novamente.

-Agora entendo a reação dos meninos na escola ou daquela senhora. Você é o herói deles. – ela falou contra sua blusa.

-Não sei se isso é bom ou ruim mas sim, sou o herói deles. Por isso tento ter paciência quando as pessoas vem atrás de mim querendo autógrafos. Isso até é aceitável, o que não gosto é de receber tratamentos especiais, restaurantes que não querem que eu pague a conta, pessoas que tentam se aproximar de mim buscando algum proveito...Isso tudo é muito frustrante.

-Imagino que não deve ser fácil. Você não me parece o tipo de pessoa que quer tirar vantagens da fama. Acho que nem gostaria de ser famoso, certo? – ela perguntou olhando nos olhos dele novamente. E ele percebeu que por causa do choro seus olhos agora tinham riscos dourados misturados aos castanhos.

-Está certa. Não gosto dessa fama, o que mais desejo é ser um cara normal, passear por aí sem ter meu retrato em todos os jornais no dia seguinte.

-Bem, veja pelo lado positivo. Graças a essa fama você pode ver quem é seu amigo mesmo ou quem está com você por interesse. Seus amigos me pareceram um verdadeiro tesouro na sua vida.

-Tem razão. Eu sei que com eles posso sempre contar. Nem sempre é fácil distinguir quem se aproxima por interesse mas mais cedo ou mais tarde as máscaras sempre caem.

-E você pode ter certeza de que quem está com você é porque realmente gosta de você.

Harry sorriu para ela e segurou seu rosto. Estava se sentindo melhor agora que ela sabia de tudo e não se transformara em uma deslumbrada com a fama dele. Muito pelo contrário, ela o entendia e ainda achou algum aspecto positivo em toda essa loucura.

Deixou seus dedos percorrerem a pele macia da morena enquanto matinha seus olhos fixos nos dela. Sem nem perceber o dedo sobre seus lábios e sentiu uma onda de desejo o invadir quando sentiu a pele delicada de sua boca, que se entreabriu quando afagada. Seu hálito quente cobriu a sua mão atrevida e ele não conseguia pensar em mais nada a não ser o gosto que ela teria.

-A conta, senhor. – o garçom chegou e eles se afastaram como se atingidos por um raio.

-Certo, aqui está. Pode ficar com o troco. – Harry respondeu meio zonzo. Há anos não sentia nada parecido. Levantou-se da cadeira e quase tropeçou nos próprios pés. Hermione nem reparou pois também estava igualmente agitada.

-E agora – Harry limpou a garganta, estava até rouco – agora para onde vamos? – ele estava realmente desnorteado.

-Pensei em continuarmos ligando para essas pessoas. – Hermione respondeu vermelha como um pimentão.

-Certo, vamos.

Passaram o resto da tarde ligando para os diversos Grangers que encontraram na lista. O resultado foi igual ao da manhã: mais gente maluca que nunca ouvira falar de Hermione Granger.

-Vamos ficar com essa página e visitar esses endereços que marcamos. Quem sabe pessoalmente eles são um pouco melhores. – Harry disse quando saíram finalmente da cabine. Graças ao celular, ninguém os interrompeu. Ninguém usava muito as cabines publicas ultimamente.

-Harry, e se eu não for de Londres? – Hermione perguntou preocupada.

-Bem, vai dar um pouco mais de trabalho encontrar sua família mas nós não vamos desistir. – ele tinha o olhar determinado e a voz firme. Não pararia até encontrar a família dela. Não gostava de pensar no momento em que isso finalmente acontecesse. Gostava de tê-la na sua vida, na sua casa...estava acostumando-se com a sua companhia e só de pensar em perdê-la sentia náuseas.

-Talvez dê tempo de ir em algum desses lugares hoje, você quer ir? – ele perguntou.

-Estou exausta Harry, queria mesmo i para casa. – ela respondeu realmente cansada. Criava expectativas cada vez que ligava para um casa nova e se decepcionava mais e mais. Isso era realmente cansativo.

-Certo, vamos para casa. – Harry disse secretamente feliz pois ela disse que queria ir para casa, não para a casa dele. Isso definitivamente era um bom sinal.

Ao chegarem de volta ao apartamento Hermione foi tomar um banho e Harry foi ver o que dava para fazer de jantar.

-Harry, você está em casa? – ouviu a voz de Rony perguntando da sala.

-Na cozinha, Rony! – gritou e logo o amigo apareceu.

-Onde está Hermione?

-Está tomando banho.

-E aí, algum progresso na busca? – o ruivo perguntou se sentando no banco.

-Ontem fomos a Hogwarts mas não conseguimos nada. Ela não tem registro em nenhuma escola bruxa. Hoje passamos o dia ligando para trouxas com sobrenome Granger mas também sem sucesso.

-Poxa, que chato. Ela deve estar bem triste.

-Um pouco mas ainda tem esperanças. Não vamos desistir até encontrar sua família.

-E se ela não tiver família? – Rony quis saber.

-Como uma pessoa pode não ter família?

-De várias maneiras! Ela pode ser uma renegada por ser bruxa, seus pais podem tê-la expulsado de casa, podem ser vítimas de um terrível acidente e ela foi a única sobrevivente...

-São possibilidades com as quais não podemos trabalhar, Rony. Temos que acreditar que ela tem uma família.

-E o que vai fazer se ela não tiver? Aposto que quer pegá-la para você. – o ruivo falou matreiro.

-Rony! – o moreno respondeu bravo.

-Qual é Harry! A mina é maior gatinha, tá sozinha no mundo...Não vejo qual o problema.

-Ela não está sozinha no mundo! Você não sabe disso!

-Mas pode estar. E você pode resolver isso.

-E estou, estou ajudando a procurar sua família!

-Ou vocês podem formar uma família!

Harry ficou extremamente vermelho. Já havia pensado nisso mas era embaraçoso ouvir Rony falando assim abertamente. A discussão foi interrompida quando Hermione entrou na cozinha.

-Oi Hermione! – Rony falou já abraçando a moça como se fossem velhos amigos.

-Oi Ronald! – ela respondeu assustada mas ao mesmo tempo agradecida pela atitude do rapaz. Não a fazia se sentir uma estranha.

-Pode me chamar de Rony, só minha mãe me chama de Ronald e quando está brava.

-Luna também te chama assim. – Harry lembrou.

-Mas a Luna é a Luna né...

-Hermione, temos um problema. A geladeira não tem nada promissor. – Harry falou enquanto vasculhava as gavetas sem encontrar realmente nada que pudesse virar uma boa janta.

-Por que não pedimos pizza? – Rony sugeriu. E já deixou claro que ficaria para a comida.

-Até que é uma boa ideia. Gosta de pizza Hermione?

-Não sei, Harry. Não consigo me lembrar de já ter comido isso.

-Céus, seu caso é grave! Uma pessoa pode esquecer de tudo, menos do sabor de uma boa pizza! – Rony exclamou e todos riram.

-Vai ser pizza então. – Harry afirmou e ligou para a pizzaria onde sempre comia.

Passaram uma meia hora esperando e conversando. O bom de ter Rony ali é que ele sempre tinha alguma besteira para falar e todos acabavam rindo. Era bom ver Hermione rindo um pouco e esquecendo dos seus problemas. O ruim de ter Rony ali é que Harry queria ficar sozinho com ela, gostava da sua companhia e, mesmo soando egoísta, queria tê-la só para si mais um pouco.

Capítulo curto né? Peço desculpas, tive uma semana muito agitada, era isso ou nada!

Mas faço questão de agradecer especialmente:

Magnolia grandiflora

Gabibocardi

Jade Andrade

Mi Potter

Vocês são demais! Mil beijos!