"Deixe-me abraçá-lo pela última vez

É a última chance de sentir de novo..."

Broken Strings

James Morrison feat. Nelly Furtado

Capítulo 11.

Estranhou vê-lo ali, principalmente naquela hora da manhã. A mãe vivia reclamando que Sasuke não saia do feudo e muito menos ia até á igreja, porém agora seu caçula estava bem ali:

– Irmão. –disse após se curvar ao altar então se virando para ele.

– Sasuke, fico satisfeito que tenha vindo até aqui.

– Na verdade, a oração e você não são minha única motivação para tal. Soube que Sakura esteve aqui ontem, Daisuke me disse. –contou diretamente.

Itachi lhe avaliou com seu olhar negro, tentando decifrar que emoção era aquela que rondava o irmão quando pronunciou aquele nome, enquanto isso respondeu:

– Esteve sim, nós conversamos brevemente na verdade.

– Por acaso ela disse onde está vivendo?

– Sasuke... Sinceramente não entendo aonde quer chegar com tudo isso, não mostrou interesse algum por ela esses anos todos.

– Não és tu mesmo que diz que devemos perdoar? Pois é isso que estou fazendo, atravessando meu orgulho e me dispondo á dá-la um voto de confiança, uma nova chance. –explicou, a voz apressada deixava exposta alguma emoção, Sasuke ainda a amava? Como confessara á Haruno, gostaria muito de vê-los juntos novamente e naquele momento, o caçula parecia querer o mesmo.

– Se está dizendo... Sakura vive numa aldeia não muito distante de Paris, deve ser a primeira daquela área rural ao leste. –informou-lhe dando-se por vencido.

– Sabe se... Ela vive com alguém? –indagou sem jeito, queria saber se rosada era sozinha como ele.

– Não tenho essa certeza, mas é bem provável que não tenha constituído uma família, se é isso o que deseja saber. –preferiu não contar á ele sobre o que a Haruno dissera, sobre achar que o que tiveram no passado não poderia voltar á ser o mesmo no presente.

O moreno de cabelos arrepiados assentiu, em seguida ajoelhou-se atrás de um dos bancos e começou sua prece silenciosa. Cerca de uma hora depois se levantou e antes que pudesse ir embora, foi chamado pelo irmão:

– Sasuke. –girou. – Se é isso mesmo o que quer, vá em frente. Ela e Daisuke se deram muito bem. –o que ele queria dizer realmente é que Sakura seria uma boa mãe para o filho dele.

Só então Sasuke deixou o lugar, decidido á reencontrar a rosada.

...

Na aldeia estava tudo tranquilo e os camponeses seguiam sua rotina convencional. Naruto arava a terra de uma das plantações quando viu um homem de cabelos negros montado em um belo cavalo escuro. Por suas vestes, soube logo que se tratava de alguém da nobreza. Ele desceu de sua montaria e não o amarrou, o animal devia ser treinado ou então o dono simplesmente não se importava.

Caminhou em sua direção, seu olhar assim como seu modo de andar demonstrava superioridade, Naruto sempre reprovou aquele tipo de comportamento:

– Com licença, poderia me dizer se Sakura Haruno vive aqui? –a voz era tão indiferente quanto à postura.

– Sim, ela vive. –respondeu sem conter o mau humor, o que aquele metido podia querer com sua amiga?

– Sabe-me dizer onde posso encontrá-la agora?

– Posso saber quem eres tu? Não direi á qualquer um sobre Sakura. –protestou sem paciência.

– Não sou qualquer um. –rebateu do seu jeito controlado, embora por dentro estivesse se segurando.

Foi quando faíscas saltavam dos olhares de um para o outro que a voz feminina gritou não muito distante deles:

– Naruto! Venha cá, preciso da sua ajuda. –Sakura chamou-o e quando o loiro virou-se para si, pôde ver quem estava atrás do mesmo: Sasuke.

Ele não havia mudado nada, os mesmos cabelos arrepiados agora lhe caiam na testa numa franja, o cenho franzido, os olhos ônix como uma barreira intransponível e os lábios finos em linha reta. O colete e sobretudo que usava eram azuis marinhos e a calça negra assim como as botas que calçava.

O Uchiha também fez questão de observá-la: os inconfundíveis cabelos cor de rosa e aqueles brilhantes olhos verdes eram os mesmos, embora agora Sakura transmitisse um ar mais... Adulto. O vestido simples, marcado por um corpete de couro marrom.

– Sakura. –pronunciou como um suspiro de alívio ao encontrá-la. – Vim até aqui para falar contigo, será que podemos conversar? –foi educado, ignorando o loiro que ainda lhe encarava de mau jeito.

– Você não devia falar com estranhos Sakura. –Naruto advertiu.

– Ele não é um estranho... –respondeu-lhe ainda alheia, não esperava aquela gentileza toda com que Sasuke falava consigo e sim rancor e mágoa. – Vim pedir sua ajuda para que me ajudasse á levar Hiruzen para dentro, será que pode ajudá-lo?

– Mas –

– Por favor, Naruto. Já que Sasuke veio até aqui, irei ouvi-lo. –falou decidida. O Uzumaki deu uma última olhada no moreno, então aquele era Sasuke? Que a expulsara sem nem ao menos ouvi-la e agora aparecia como um cão de rabinho entre as pernas? Definitivamente não gostou nada daquilo, mas atendeu ao pedido da amiga, provavelmente ela própria perceberia que aquele era um visitante indesejado.

Após se virem sozinhos, Sakura se aproximou. O silêncio jazia entre os dois, apenas o vento batia ao encontro deles e a rosada foi a primeira a intervir:

– Então, o que deseja? –foi direta e Sasuke estranhou a abordagem, esperava algo mais... Receptivo de sua parte.

– Sei que pode ser tarde para isso, mas... Vim lhe pedir perdão. –falou simplesmente, os olhos não desviaram dos dela por nenhum minuto.

– Perdão por não ter me escutado? Não lhe tiro a razão por isso, foi pego de surpresa, aparentemente traído por aquela que lhe jurava amor, mas acredite: eu não o traí... Nunca.

– Não quero discutir sobre isso, queres saber? Não me importo, deixemos o passado para trás. –ainda era o jeito firme e seco de Sasuke dizer, porém Sakura não pôde ignorar o peso daquelas palavras.

– O que quer dizer com isso, afinal? –ficou intrigada para saber onde ele queria chegar de fato.

– Você até hoje é a única que mexe com meu coração. –confessou pegando uma das mãos dela e colocando sobre seu peito.

– Sasuke. –começou.

– Será que já não sente mais o mesmo?

– Escute. –interveio firme. – As coisas não são como antes Sasuke, isso tudo é tão inesperado, jamais esperava ouvir isso de ti.

O Uchiha ficou em silêncio contatando que Sakura talvez não o amasse mais como antes. Ainda assim, ele tornou á dizer, dessa vez propondo algo:

– Entendo que esteja confusa. Por favor, lhe convido para um jantar no feudo amanhã. Daisuke irá adorar revê-la. –continuou com sua pose firme.

Sakura imaginava o porquê não conseguia sentir paixão em suas palavras? Não era a mesma intensidade de quando ambos eram mais jovens, talvez porque naquele tempo, a única certeza que tinha era a de que o amava mais do que á qualquer coisa nesse mundo.

– Não sei se posso, sua mãe –

– Minha mãe? Sakura, estamos bem grandinhos para nos preocupar com o que minha mãe irá pensar. Ela não tem mais nenhum poder de decisão na minha vida. Estou a convidando para jantar á minha presença e a de meu filho, na minha casa.

– Eu não sei se devo. –respondeu sincera. – Não quero me iludir, quanto menos fazer isso contigo. –só então notara que ele ainda segurava uma de suas mãos entre as dele.

– Uma chance é tudo o que quero para fazê-la se lembrar de como é ser amada de verdade. –prometeu e um sorriso de canto iluminou sua face. – Te espero. –liberou-a andando normalmente até sua montaria que não havia saído do lugar, então foi embora.

Embora não tivesse certeza sobre seus sentimentos e o que poderia acontecer nesse jantar, Sakura não deixou de se sentir abalada por tais palavras, Sasuke sempre foi um conquistador nato, mesmo quando essa não era sua intenção.

...

Ino foi á cidade entregar uma cesta de flores que havia sido encomendada. Na volta andava calmamente, sorrindo e cumprimentando os conhecidos, quando trombou com alguém. O impacto fez com que caísse no chão:

– Por acaso és cego? Pois pelo que sei sou bem visível! –exclamou irritada esfregando o cotovelo que havia sido levemente esfolado.

Pardon mademoiselle. –a voz masculina pronunciou e a loira se surpreendeu com a suavidade daquele som.

Só então pôde olhar para cima e ver um ruivo de olhos verde água lhe encarando com um sorriso tímido, uma mão lhe estendida para ajudá-la á se levantar. Involuntariamente aceitou a ajuda, ainda hipnotizada por seu olhar.

– Está se sentindo bem? –perguntou com uma ponta de preocupação.

– Eu... Sim, estou. Monsieur devia prestar mais atenção por onde anda. –repreendeu-o recuperando-se do seu estado de distração.

– Na verdade foi a senhorita quem não prestava atenção no caminho...

– Como é? Está me culpando?

– Não. –apressou-se em cortá-la antes que aquilo fosse mais adiante. – Começamos da maneira errada. Veja: meu nome é Gaara no Sabaku e é um prazer conhecê-la. –só então a loira notou que ele ainda segurava sua mão desde que a ajudara á se levantar, então o ruivo curvou-se e plantou um beijo terno bem ali, sem nunca quebrar o contato de seus olhos.

– Sou Ino Yamanaka, igualmente. –fez o que pôde para manter-se com uma postura normal.

Como alguém podia ser capaz de fazer a temperatura subir com apenas um olhar? Era o que Ino se perguntava naquele momento, parecia que o tempo tinha paralisado para os dois no mesmo instante e ele continuava lhe olhando daquela forma tão... Sedutora.

– Espero que não tenha a atrapalhado. Infelizmente tenho de ir agora, espero vê-la novamente senhorita Yamanaka. –aquelas palavras que trouxeram uma intensão escondida. Um último aperto em sua mão e ele estava a soltando, fazendo com que a loira se sentisse puxada de volta para a realidade.

– Digo o mesmo, já que estava tão apressado. Até mais ver monsieur Sabaku. –agradeceu á mãe mentalmente por tê-la desde sempre lhe educado tão bem e assistiu enquanto o ruivo passava por ela e seguia seu rumo, Ino não sabia como nem porque, apenas gostaria realmente de revê-lo algum dia.

De volta á aldeia, a loira continuava tão distraída que nem notou as presenças de Saya e Sakura bem na entrada:

– Ei Yamanaka, por acaso não está nos vendo aqui? –Sakura perguntou.

– Ah são vocês...

– Me parece tão distraída, aconteceu algo na cidade? –a outra loira a questionou intrigada com suas expressões.

– Não seja intrometida Saya, não sei do que está falando.

– Sou apenas uma pessoa bem sensitiva. –rebateu rindo da reação de Ino.

– Nem precisa ser sensitiva para saber que aconteceu algo nessa ida dela á Paris, está no rosto dela. –Sakura concordou.

– Está bem, vocês venceram! Conheci um rapaz muito belo, educado e charmoso. -contou sem conter o sorriso nos lábios.

– Sabia que era algo do tipo. –Sakura acrescentou.

– Tem experiência nessa área não é Haruno? Não é atoa que fisgou o Naruto. –provocou-a.

– Fisgar o Naruto? Do que está falando Ino?

– Você sabe Sakura... Meu irmão é apaixonado por ti, quando estamos á sós ele não para de falar de você por nenhum momento. –Saya acrescentou timidamente sobre os sentimentos do irmão, sabendo que provavelmente ele a mataria se soubesse que contara isso.

– Apesar daquela carinha de idiota, me perdoe pela sinceridade Saya, mas ele não é nada bobinho. –a Yamanaka prosseguiu.

– Parem de falar essas coisas, Naruto é meu melhor amigo e nada mais. Acredito que jamais poderia sentir por ele algo além disso.

– Aparentemente ele não vê assim. –Saya acrescentou com um pouco de desaponto.

– Não falemos mais do Naruto! Tenho que contar como era o ruivo com o qual me esbarrei essa tarde. –para alívio de Sakura, Ino interferiu que a conversa seguisse aquele rumo, sua cabeça já estava confusa demais com Sasuke para que se preocupasse com os reais sentimentos de Naruto.

...