República
Por: Faniicat
Capítulo onze: Três palavras
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" Nunca acredite que aquelas três palavrinhas mágicas são únicas,
Pois elas geralmente vem acompanhada de mais três:
Eu, tenho e medo. Ao menos pra mim foi assim. "
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Não soube dizer que horas eram quando eu abri os olhos, mas de algum jeito eu tinha certeza de que ainda estava de noite e que eu deveria estar dormindo. Eu já havia ficado acordada até tarde demais para poder me dar ao luxo de acordar durante as poucas horas de sono que me restavam.
Dessa vez eu não tinha a menor dúvida de onde estava, minhas memórias estavam todas no lugar. Aliás, eu acho que foi exatamente por causa disso que eu acordei na metade da madrugada. Quero dizer, não é todo dia que você se toca que tiraram o seu BV. Mais ainda, não é todo dia que você se toca que o cara que tirou seu BV é seu melhor amigo, por quem você está apaixonada ( Soa tão estranho para mais alguém além de mim o fato de eu estar afirmando que estou apaixonada? E por Inuyasha Taisho, caramba! ), num lugar incrível e em um gesto que você nunca iria esperar. Principalmente de um grosso temperamental como ele.
E definitivamente não é todo dia que você acorda com essa sensação tão pura e límpida de medo.
Eu sei, eu sei! Eu deveria estar querendo dar pulinhos de felicidade e não se engane, eu estou... Muito na verdade, a excitação e a alegria estão tão agitadas dentro de mim que eu devo estar vermelha só pela agitação delas. Mas ainda assim, eu tenho medo.
Não tenho como ser hipócrita e dizer que eu não espero que depois dessa noite eu e o Inuyasha tenhamos alguma coisa. Porque eu espero sim e quero mais ainda. E, sinceramente? Não, meu medo não é que o Inuyasha fuja de qualquer compromisso, não posso dizer que tenha certeza que ele não vá, mas não acredito que isso vá acontecer. Eu o conheço.
O meu medo de verdade é que ele perceba como ele merece alguém muito... Bom, muito mais. Esse é o maior problema, Kagome Higurashi nunca foi, e provavelmente nunca vai ser, a garota certa para Inuyasha Taisho. Ele, sei lá, parece um modelo de revista, só que real, que quando quer sabe ser a pessoa mais doce e cuidadosa do mundo ( é uma pena que ele aja grande parte do tempo como um bobo resmungão, mas ainda assim um bobo resmungão que encanta as pessoas. ).
E eu... Bom, eu acabei de descobrir que eu no fundo ainda sou a mesma menina assustada que chegou aqui. Meu guarda-roupa mudou, meu cabelo mudou, meus amigos, meus hábitos, até meu jeito mudou um pouco. Mas o essencial do que eu sinto continua o mesmo, acho que eu vou ser para sempre a menina tímida que é o patinho feio, principalmente perto das pessoas com quem eu ando andando.
Eu queria desesperadamente sair da cama. E ao mesmo tempo eu não queria sair de lá de jeito nenhum, nunca, sob nenhuma circunstância.
Inuyasha estava deitado grudado às minhas costas, todo o corpo quente e grande dele me envolvia, aquele abraço protetor e reconfortante que só ele tinha, o braço me segurando pela cintura mesmo enquanto dorme. Era um lugar que eu não me importaria de morrer ou viver pra sempre. Meus dedos correram levemente a pele do braço dele, sentindo a pele morna e a pelugem rala contra os meus dedos um pouco frios. Eu suspirei.
Então ele me puxou um pouco e eu acabei virando de frente para ele, deitada a poucos milímetros de seu rosto e ainda mais embaixo de seu corpo. Até dormindo parecia que ele sabia o que eu ia fazer, que uma parte de mim desejava desesperadamente sair correndo dali.
A respiração dele bateu no meu rosto, e mesmo na sombra eu podia ver claramente o contorno perfeito de cada linha dele. Eu estava perdida no meio de uma guerra a qual eu era o campo de batalha.
Minhas duas metades brigavam e eu não sabia qual lado escolher, ou nem mesmo qual lado era maior. Eu devia ser mesmo muito idiota.
Acho que a insegurança começou a ganhar a guerra, porque foi ficando cada vez mais difícil ficar ali. Eu de certa forma invejava a tranqüilidade com a qual ele dormia, mas me alegrava com ela também.
Tirei o mais cuidadosamente possível seu braço de cima de mim e me afastei devagar até conseguir me levantar. Saí do quarto pé ante pé, sem fazer ruídos, e fui me sentar no sofá da sala.
Mas não tardou para que eu ouvisse o barulho da porta se fechando do mesmo quarto que eu tinha acabado de sair.
" O que que você tem, morena? " Miroku perguntou em voz sussurrada. Eu fiquei feliz de vê-lo ali.
" Ai, não sei dizer, também. "
" Kah, eu imagino que esteja confusa. " Bom, ele estava certo, eu estava, mas Miroku só me confundiu mais, do que exatamente ele estava falando? Mas ele mesmo explicou. " Ficou bem claro quando vocês dois sumiram até quase três da manhã. Mas o que eu estou falando é que eu imagino que deve ser um pouquinho difícil ter tanta mudança de uma vez só. "
" Não é bem isso é que... " Eu estava hesitante, não sabia porque mas estava. Então, de repente, tudo aquilo que estava preso na minha cabeça simplesmente explodiu. Foi metralhado de uma vez só. " Miroku eu não sou o tipo certo de garota pro Inuyasha, isso é a coisa mais óbvia do mundo! Quero dizer, é só olhar para e ele e olhar pra mim. E... Eu não quero que ele se arrependa. Vai doer mais do que qualquer outra coisa se ele descobrir que preferia ter deixado do jeito que estava. E isso é o que provavelmente vai acabar acontecendo. O Inuyasha pode ter a pessoa que ele escolher, por quanto tempo acha que ele vai se contentar ficando só com Kagome Higurashi? Eu gosto dele, muito, muito mais do que deveria. "
" Kagome... " A voz dele estava séria. Acho que foi isso que me fez ficar calada, caso contrário acho que eu teria continuado a falar e falar. Talvez eternamente. " Eu acho que está errada. " É, simples assim.
" Como assim? "
" Que você tem medo, eu já sabia. Eu não quero ofender, mas vou ser bem sincero ok? É claro que você tem medo, é visível. É por isso que toda vez que o Inuyasha tentava se aproximar de você, você fugia, se ele te abraçava, você se desvencilhava, se ele chegasse um pouquinho mais perto do que você estava acostumada, você se afastava. Acho que até aquele cego já percebeu isso. " Eu ri um pouco com essa. " Mas acho que está errada. Eu acho que você é exatamente o tipo certo de garota para o Inuyasha, Kagome. Você gosta dele, de verdade, mesmo ele sendo um babaca arrogante, mas você gosta dele por quem ele é e do jeito que ele merece, e não porque ele é bonito, rico, popular ou qualquer outro motivo idiota que muita garota leva em consideração. Além do mais, o Inuyasha precisa de alguém que ele possa confiar, e que consiga ficar do lado dele mesmo quando ele está intratável, porque no fundo, por debaixo de toda aquela pose de forte, o Inuyasha também é frágil. E irresponsável. E você está mudando isso nele, melhorando, apoiando. É claro que você já devia saber disso. "
Eu o encarei atônita. Não, é sério, eu entendia o que ele estava dizendo, na verdade fazia bastante sentido, mas não era bem esse o ângulo pelo qual eu estava vendo as coisas.
Como eu não disse nada, Miroku continuou.
" E de qualquer forma, vamos supor que o Inuyasha se arrependesse. Não teria sido melhor deixar do jeito que estava. Encare, Kagome, você e o Inuyasha não eram só amigos há muito tempo. A relação de vocês já tinha passado disso, e não dava pra continuar daquele modo, ou vocês iam admitir que na verdade são um casal, ou iam ter que se afastar. " Até a suposição de me afastar dele era dolorosa.
" É... tudo bem, você tem razão. "
" Eu sei que eu tenho. " Miroku sorriu acolhedor. " Mas você não pode se deixar entrar em uma relação com ele se você não tiver certeza. O medo também pode ser um veneno, Kagome. Não estou dizendo que é possível que você suma com eles de um dia para o outro, o que eu quero dizer é que você precisa confiar no Inuyasha quando ele demonstra o que sente por você. Você tem que pensar no que você sente por ele, com clareza, e ver se vale a pena. Porque vendo de fora, eu acho que vale, acho que vale muito a pena. Ele escolheu você Kagome, você mesma acabou de dizer que Inuyasha pode ter a garota que escolher e mesmo assim ele estava com você hoje até de madrugada, em um dia no qual geralmente ele fica tão mal que não quer saber de absolutamente ninguém. Vale a pena desistir do que você quer... Não, desistir do que você ama porque você está com medo? Você nunca vai saber se não tentar. "
Dessa vez eu realmente estava muda. Toda e qualquer voz que eu tivesse tinha se escondido em um canto remoto da minha garganta, desaparecido completamente e me deixando ali, só eu, o Miroku e a guerra que ia se acabando dentro de mim.
Vamos encarar, eu não tinha nenhuma escolha. Dês do momento em que eu abri espaço para o Inuyasha na minha vida ao invés de afastá-lo como eu costumava fazer com as pessoas, eu tinha assinado a minha sentença; e eu o amava. Não tinha um caminho de volta e seria o que teria que ser.
Claro que eu ainda estava morrendo de medo do que esse 'teria que ser' podia significar, mas me afastar dele agora conseguia doer ainda mais.
Nem sei direito quando foi que eu me joguei em cima do Miroku e o apertei num abraço asfixiante. Não, é sério, ele era... incrível.
" Obrigada, Miroku. " Eu me afastei o suficiente para olhá-lo nos olhos, azul com azul. " Você é incrível, é sério, eu não podia ter dado mais sorte do que encontrando um amigo como você. E sabe, não se aplica só a mim. Você e a Sango, alguma hora vão ter que desempatar desse ponto e seguir a diante. Porque vendo de fora, eu acho que vai dar tudo, tudo certo. " Fiz paródia do que ele me disse. Miroku riu e me puxou para o colo dele.
" Acho que foi a gente que deu sorte de você ter vindo para cá. " Ele piscou. " E não tem que me agradecer nada, eu estava te devendo uma madrugada há muito tempo. " Eu ri e me levantei.
" Então nós estamos quites. Mas sinta-se à vontade para ficar me devendo mais uma quando quiser. " Eu o puxei pela mão para que se levantasse do sofá. " A gente não tem mais muito tempo, acho, mas vamos dormir, amanhã ainda tem teste. "
" Eu sei. Hum, Kagome? " Eu virei em resposta ao chamado, o encarando de novo. " E você vai para o seu quarto agora? "
" De jeito nenhum, Miroku. " De jeito nenhum...
Ele riu baixinho e me acompanhou até o quarto, eu não tinha notado até aquele momento que eu estava com frio só com a camisa gigante do Inuyasha, a cama quentinha e acolhedora parecia tão convidativa.
Miroku foi para a própria cama, se escondendo debaixo das cobertas e eu fui o mais silenciosamente possível até a cama do Inuyasha, que estava de costas para mim, me esgueirando por debaixo do cobertor.
Ele se virou, ficando de frente para mim, e eu vi os olhos dourados mágicos completamente abertos.
" Não vou perguntar porque você saiu, mas não faça isso de novo. Está frio, mulher! " Eu ri e Inuyasha me puxou para perto, sua pele tão agradável enquanto a minha estava gelada. E ele ainda estava sem blusa. Inuyasha sorriu. " Você está gelada. "
" Eu sei, quer que eu me afast— "
" Nem pensar. " O abraço em minha cintura se tornou mais presente. " Bruxa. "
Ele ainda murmurou antes de juntar os lábios nos meus, um pouco demorado demais para um selinho normal.
" Boa noite para você também, Inuyasha. " Resmunguei me aninhando melhor no peito dele enquanto Inuyasha puxava o edredom até meus ombros.
OoO
O carro do Inuyasha estacionou na frente do CSMC e eu suspirei. Eu estava cansada, com olheiras e não tinha muita certeza se conseguia me lembrar direito da matéria, mas eu estava tão absurdamente de bom humor, que eu nem liguei.
" Vamos? " Eu perguntei ajeitando a saia e tirando o cinto de segurança da trava para poder saltar do carro. Mas o Inuyasha não me deu uma resposta nem verbalizada, nem física ( Pegar e se mexer ), ele simplesmente não se moveu. Virei pra ele e acabei o encontrando com os olhos âmbares bem fixos. Bem fixos em mim. Eu até ia perguntar qual era o problema com aquela hanyou, mas o olhar dele congelou minhas palavras na minha garganta. Inuyasha sorriu e ergueu a mão até tocar uma das várias mechas da minha franja. O que é totalmente injusto, se você quer saber, porque bastou isso pra que a lembrança da mão dele inteira acariciando meu cabelo me atingisse. E isso não vai acontecer, até porque meu cabelo está preso numa trança de lado agora.
Enfim, aí eu sorri, - de novo, aparentemente eu estou mais sorridente que o normal hoje. -, para o Inuyasha sentindo os dedos passeando pela minha testa. A julgar pela situação e por eu ser Kagome Higurashi e pela temperatura da minha pele, imagine você o quanto eu estou corada.
" Sabe que é divertido ver você vermelhinha? " Sabe que é mais divertido ver você calado? Eu quis matar o Inuyasha. Mas só consegui crispar os olhos. Se eu me mexesse muito mais que isso eu perderia o toque dos dedos dele. E ele riu da minha cara ameaçadora e dos meus olhos estreitados ferozmente. Isso me irritou um pouquinho mais. Então o Inuyasha desceu a mão pelo meu rosto até segurar meu queixo e acariciar meus lábios com o polegar. Bom, aí minha irritação correu para outro lugar. Abafei com muito custo um suspiro e me preparei ( muito infeliz ) para me afastar dele. Até teria feito se o maldito ( Hum... Maldito? Ok, eu queria, eu estava prestes a implorar que ele me beijasse. A culpa não é totalmente dele então. ) Inuyasha não tivesse me puxando com delicadeza e juntado a boca com a minha.
Te odeio hanyou. Ok, não odeio. Mas porque ele tinha que ser tão viciante? A língua dele invadiu o espaço entre meus lábios sem resistência e alcançou a minha e começou a explorar com calma cada canto da minha própria língua entrelaçada a dele, a mão forte que me segurou pela cintura subiu pelos meus braços e se infiltrou pela gola da blusa, alcançando a minha nuca. Tsc, tsc, tsc, quem diria, Kagome Higurashi. Socorro, eu sou quase uma pervertida e não sabia! Mas eu não quero saber disso, só do meu coração acelerado, minhas mãos que agarraram as melenas prateadas dele, da pressão daquele abraço e de como meu subconsciente fica me dizendo que eu vou ser feliz se puder viver pra sempre perdida naqueles lábios que me mandavam arrepios frios a cada segundo.
Depois de algum tempo não-contabilizado por eu estar obviamente ocupada com coisas melhores, a gente se afastou e o Inuyasha deixou a testa apoiada na minha. Deixei os cabelos dele e me apoiei nos ombros largos. A respiração quente dele lutando por espaço com a minha entrecortada. É nesses momentos que eu pego e falo: O que que eu faço? Beijo ele de novo, digo que o amo, saio correndo, me mato me morro e me suicido...? Respirei bem fundo tentando normalizar o ritmo e senti a mão dele nas minhas bochechas. " Você mentiu né? "
" Hein? " Abri os olhos confusa, do que diabos essa criatura ta falando agora?
" Ninguém que nunca beijou pode ser... assim. " Depois dessa eu calo a boca, pode acreditar. O que eu, logo eu, posso responder depois disso? Se a intenção do Inuyasha era me deixar sem graça pra que eu ficasse vermelha, ele conseguiu. Isso é tipo, uma cantada? Mordi o canto do meu lábio inferior e abaixei os olhos. Desse jeito ele me leva à loucura e aí eu vou virar uma neurótica de câmara de hospital psiquiátrico que só pensa no cara por quem é obsessiva. " Se você não ficasse corada pelas coisas mais simples, eu realmente ia achar que você mentiu. " Inuyasha riu e me deu um selinho um pouco lento antes de virar.
" V-vamos? " Eu odeio gaguejar. Odeio mesmo, do fundo da alma. Me faz parecer mais idiota, mais confusa e mais rendida do que eu já pareço sem que isso me ajude. Acho que já comentei sobre isso antes não é? Estou ficando repetitiva.
" Nós não temos lá muita opção, não é?" Ele disse dando de ombros. Então nós finalmente saltamos do carro. Faltavam quase dez minutos pro inicio das aulas, por incrível que pareça. Eu sinceramente achava que nós estávamos mais atrasados! O dia correu, mas correu mesmo. Sério, foi muito rápido. O teste foi fácil, e o resto do dia foi normal. Quero dizer, normal tirando a parte de ter ido muito rápido, você entendeu. Eu ganhei tipo umas cinco broncas de professores por não estar prestando atenção na aula. Eu juro que eu estava tentando, mas toda vez que eu olhava pro quadro eu começava a pensar sobre ontem, a imaginar o que vai acontecer mais tarde, ou qualquer outra coisa assim. O Inuyasha fazendo carinho no meu cabelo, me olhando ou pegando na minha mão não estava ajudando muito, diga-se de passagem.
Então, de repente, a aula tinha acabado. E eu também só me toquei disso porque o Inuyasha me cutucou rindo e dizendo 'Psiu, você tá pior do que chapada, viu? As aulas já acabaram, vamos embora.', então eu olhei pra ele meio demente até entender o que ele estava dizendo e comecei a arrumar minhas coisas. Quando a gente chegou lá embaixo fomos eu, o Inuyasha, Sango, Miroku, Kikyou, Yuki, Rin, Sesshoumaru e Kouga, porque hoje vai todo mundo lá pra casa, vai virar um formigueiro aquele negócio, mas ok não é?
" Geente! " Sango gritou, com um sorriso animado. " Olha só, vamos almoçar num restaurante, depois a gente vai pra República se arrumar, vamos pro Shopping, depois a gente volta pra fazer sessão de filme, pode ser? "
" Fechado. " Miroku concordou, depois dele todo mundo concordou. Ebaaa, COMIDA! Gente, eu to esfomeada hoje, eu não to com o estômago roncando, ele tá praticamente dando uma de barítono dentro da minha barriga!
Fui toda saltitando pro carro ( Tudo bem, não era só por causa do almoço que eu estava toda contentinha de ir pro carro. Se lembram de hoje de manhã? MEU DEEEUS, o que tá acontecendo comigo? Eu juro que eu não era assim. Jesus perdoa, não me manda pro inferno. ) Mas de qualquer forma eu nem tive chance de fazer o que quer que eu estava pensando. Quero dizer, os outros também iam precisar de carona. Então o Kouga e a Kikyou foram com a Sango e o Miroku, a Rin com o Sesshoumaru e o Yuki comigo e com o Inuyasha - Porque Deus e todos nós sabemos que colocar o Kouga e o Inuyasha juntos dentro de um carro não é das idéias mais seguras. Considerando que você queira o carro, e eles, inteiros no fim do caminho. Então eu liguei o rádio do carro do Inuyasha e no stereo começou a tocar os sons do piano. OMG, eu amo essa música. " Making my way downtown, walking fast, faces passed, I'm home bound. " Eu comecei a cantar animada, me endireitando no banco de couro e ajeitando meu cabelo recém-solto da trança.
" Staring blankly ahead, just making my way, making my way through the cro-o-owd " O Yuki cantou numa voz super-fina e eu comecei a rir muito, sem noção! O Inuyasha escondeu um sorriso meio de graça meio reprovador e arrumou o Ray-ban aviador preto que tava no rosto dele. Já disse como ele fica extremamente sexy e perfeito de óculos aviador? Porque fica, fica MESMO! " And I need you, and I miss, and now I won--der... If I could fall into the sky, do you think time would pass me by? 'Cause you know I'd walk a thousand miles if I could just see you... Tonight! " Eu e ele cantamos juntos, com vozezinhas de coro muito toscas. Não conseguia parar de rir, ele é uma figura cara! O Yuki tava todo caras e bocas sentado no banco de trás, mas todo inclinado pra frente entre os dois bancos. " Vaamos, Inuyasha, canta também! " Eu juro que eu quase engasguei quando o Yuki disse isso.
" O QUE? Eu cantando musiquinha de bicha? Vai nessa Yuki! " Ele reclamou todo irônico, eu quase podia VER como estava o olhar dele por debaixo dos óculos negros, eu sei muito bem que olhar de descrença ele deve estar fazendo. " Eu nem conheço essa música! "
" Deixa de ser mentiroso, Inuyasha! Na sétima série a gente cantava essa música escondidos no seu quarto usando escovas de cabelo como microfones, não tente fugir do seu passado. " Yuki disse empurrando de leve o braço do Inuyasha. AI MEU DEUS! Eu não agüentei, eu quase rolei pela janela a fora do conversível de tanto rir, não, essa era uma cena que eu daria TUDO pra ver. O Inu com uma escova de cabelos em cima de uma cama cantando ' A thousand miles ', nossa senhora!
" O que? YUKI! " O Inuyasha deu UM BERRO DAQUELES cara, o que só me fez rir mais. " Kagome, você quer parar de rir, POR FAVOR? " O rosnado/ameaça do Inuyasha só fez com que eu risse mais - Eu achava que isso nem era possível! -, eu agora meio que entendo porque a Sango riu TANTO da minha cara quando eu caí de cara no chão naquele dia que ela tentou me ensinar a dançar. Certas coisas a gente não controla! " Viu o que você fez, Yuki? A garota nunca mais vai parar de rir da minha cara agora. Bruxa, PARA! " Acho que vou morrer por asfixia.
" Inuyasha, vai, canta com a gente! " O Yuki insistiu também rindo. " Ou eu posso contar pra ela sobre um certo evento envolvendo o clipe de 'Like a Prayer' e seu urso de pelúcia. Garanto que ela vai adorar saber... "
" CALA A SUA MALDITA BOCA! " Aquilo fez com que eu parasse de rir. " Era Verdade ou Desafio e eu já tinha bebido muita vódka! "
" O que é que tem...? "
" Nada, não é, porque a gente não canta logo essa droga de música? " O Inuyasha disse, todo coradinho. O que foi que ele fez, meu Deus, que medo. Nota mental: Obrigar o Yuki a me contar quando o Inuyasha não estiver olhando ( Ou ouvindo ). " And I, I... Don't wanna let you know I, I... Drown in your memorie. I, I... Don't wanna let this go. I, I... Don't. " Cara, quando o Inuyasha cantou, com o Yuki fazendo um corinho atrás, eu acho que só não me torci até ficar parecida com uma cadeia de DNA porque o cinto de segurança não deixava! É o tipo de coisa que seria TRÁGICA se não fosse CÔMICA! Eu não conseguia parar de rir, eu até tava tentando cantar mas saía alguma coisa como ' Making my hahahahway down tohahahahahwn '. E foi muito engraçado, até o fim da música eu e o Inuyasha fazendo um dueto mágico e o Yuki sendo o coro. O melhor coro que alguém já teve, pode acreditar.
Mas alguma hora a música ia ter que acabar e eu fui me acalmando depois disso. Eu olhei para o Inuyasha sorrindo, ele tinha que admitir que pelo menos tinha sido muito engraçado! Ele não estava lá com uma cara muito boa, mas desamarrou a expressão o suficiente pra sorrir para mim também, então ele pegou minha mão e ficou segurando entre os dois bancos.
" Eu acho que eu perdi alguma coisa nessa história... " O Yuki estava lá atrás com o sorrisinho malicioso mais deslavado o possível, olhando pra gente com aquela cara de... De Yuki! Na verdade nem ninguém comentou nada depois que o Yuki abriu a boca. Só depois que nós mudamos de assunto e ficamos tagarelando sobre que filmes alugar. Chegamos no restaurante, que na verdade era pertinho do loft, os outros chegaram uns cinco minutinhos depois. Então juntamos todo mundo e entramos no restaurante. Ficou meio que todo mundo olhando, e eu como ainda não me acostumei, é, eu sou patética, fui me sentindo corar. Quero dizer, acompanha comigo: Agora eu uso roupas chamativas, agora eu ando com pessoas chamativas, e agora eu ando com pessoas em números grandes. Isso é igual a barulho. Barulho faz as pessoas olharem, é lógico.
Bom, um ponto a mais, um a menos pro meu desconforto, quem se importa? Só que não foi UM ponto a mais e sim dois. Porque o Inuyasha, e é sempre o estúpido do Inuyasha, resolveu que me puxar e colocar o braço na minha cintura, caminhando comigo abraçada, não teria nada demais. E até não teria, já que o povo meio que já acostumou com a gente. Mas não com ele enfiando o nariz perfeito dele no meu pescoço e falando baixinho só comigo. Ha-há, surpresa. Mas ninguém parecia exatamente surpreso. Bom, com exceção do Kouga. O resto dos nossos amigos só sorria meio malicioso meio divertido. O Kouga... Bom, ele não estava com aquele sorriso dele animado de sempre. Huum, ok. Desculpa.
Então a gente se sentou na mesa, o Miroku com a Sango, o Sesshoumaru com a Rin, o Kouga com a Kikyou e o Inuyasha comigo. E o Yuki com uma garota que ele conheceu lá mesmo no restaurante - Você sabe o que é um garoto MUITO rápido? -. Estava tudo correndo bem, estávamos rindo, tirando fotos, falando besteiras, deixando suco de uva cair no colo da Rin, impedindo o Sesshoumaru de quebrar o Miroku depois que a blusa da Rin ficou roxa - E transparente - , tentando impedir a Sango de quebrar o Miroku pelo mesmo motivo, até aquilo. Quero dizer, sim eu sabia que isso ia acontecer. Algum dia. Mas pruma garota como eu, e você já deve saber o que isso significa, foi muito... anormal.
Enquanto a gente esperava os pedidos estava todo mundo conversando. Mas as conversinhas estavam meio paralelas, já que éramos todos pares e ninguém ia ficar de fora. A Rin e o Sesshoumaru estavam de mãos dadas por cima da mesa, e ela com aquele sorriso bonitinho dela, juro que eu quase vi o Sesshoumaru SORRIR. Ok, talvez tenha sido só impressão. O Kouga e a Kikyou só conversavam e ela estava, claramente, se esforçando pra consolá-lo. Miroku e Sango discutindo/se abraçando. Não tente entender, consciência. Eu também não entendi. Yuki e a menina trocando telefones, e eu e o Inuyasha conversando. Eu estava sentada com a cadeira colada à dele e encostada no peito dele, que tava fazendo carinho na minha mão por debaixo da mesa. Meu braço estava arrepiado, mas quem liga? Além do mais, nem dava pra ver por causa do casaquinho de cashmere azul clarinho que, pra variar, foi a Sango que deu. Sango me compra mais roupas que a minha mãe. Nota mental: Recompensar a Sango algum dia desses.
Então ele... fez. O desgraçado, orelhudo, estupido, perfeito, sexy... Acho que mudei de direção o que eu queria dizer. Bom, enfim, o hanyou me puxou mais pro colo dele, até eu estar praticamente deitada! E com o sorriso mais pervertido do século, ele me beijou. Mas nem foi um selinho, uma coisa discreta, ou sei lá. O Inuyasha me prendeu no colo, o que não foi lá um grande esforço, diga-se de passagem. Depois me deu um beijo no nariz. É, no nariz, e fez uma cosquinha muito gostosa. Tanto que eu até esqueci onde estávamos, que tinha mais gente - muita gente - em volta e todos os detalhes que em são consciência seriam importantes. Inuyasha colou muito de levinho a boca na minha, e contornou meu lábio superior com a língua. Eu me estremeci toda. Ele realmente tinha feito isso ontem à noite, mas sei lá, por mais que ele tenha feito tudo ser perfeito, eu estava bem mais tímida que hoje. E eu não resisti. Pela primeira vez, quem o beijou fui eu.
Hum... Melhor deixar pra lá. Então, acontece que o almoço foi bem tranqüilo depois disso. Eu meio que evitei ficar colada demais no Inuyasha por tipo uns vinte minutos até que eu me dei conta de uma coisa: Eu estou com ele, oficialmente ou não ( Eu também não sei. ). Então qual é o problema, afinal? Bem simples: Nenhum. Talvez o Miroku apenas estivesse certo demais e eu estivesse fugindo de novo.
E o resto do dia, tal como o início, foi uma corrida muito rápido. Passamos na república, me enfiaram em uma Juice Couture jeans azul bem escura e um suéter de cashmere azul e rosa de gola alta e botas de camourça cinza-militar, então todos pro shopping. E foi inacreditavelmente divertido. Quero dizer, a gente foi pra lá, compramos tickets pras maquininhas da área de recreação, então dançamos Pump it up, o que eu, aliás, sou um desastre imenso! Sem brincadeira, o menininho de uns onze anos que estava lá me deu uma SURRA naquele negócio depois ainda ficou apontando e dizendo que eu parecia uma mula de quatro patas esquerdas desajeitada. Ele feriu meus sentimentos, ok? Só não foi um ferimento profundo porque o Inuyasha enfiou a porrada no garoto, e, bom, por mais que eu tenha feito ele parar e brigado com ele, não posso dizer que eu não gostei. E que aquele pirralho não merecia! E depois saímos de lá. Normal para Kagome Higurashi: Pegar e ir pra casa, assistir os filmes que nós alugamos e ir pra naninha. O que aconteceu: Pegamos e fomos um Lounge Bar.
É, me imaginem em um lounge bar. O negócio era enorme, eu nunca tinha entrado em um bar daqueles antes. Tinha um balcão enorme, com muita gente sentada e umas mesas de madeira escura espalhados. E tinha um palco com música ao vivo. Uma banda que eu nunca ouvi falar, mas ok. Então juntou aquele povo todo - no qual eu estou incluída -, colocamos um monte de mesas uma do lado da outra e sentamos. MAS, como eu deveria saber, mas na minha inocência, pra não dizer idiotice, não tinha reparado era: CLARO que todo mundo ia encher a cara. Eu só reparei isso quando tava todo mundo com um copo de alguma coisa na mão. Não reconheci muita coisa, mas a Sango tava com um Blue Lagoon, o Inuyasha com um Blood Mary, a Kikyou com um Dry-Martini e, por sugestão do Inuyasha que por acaso só me leva pro mau caminho, e ele disse que era bom eu ir conhecendo as bebidas - olha ISSO! -, eu estava com um copo de Ketel One com tônica na mão. É, pois é, vódka. E praticamente pura! O Sesshy e a Rin pegaram pesado: Direto pro Jack Daniels, quem precisa de juízo quando se tem whisky não é?
Então, aqui estou. Num bar, vendo um show de underground folk pseudo alternative, bebendo Ketel. Uau, palmas pra mim, eu mudei de vida. O Inuyasha me puxou pra mais perto dele e mordeu minha orelha de leve. Ok, ainda vou conseguir me vingar, um por um, de todos esses malditos arrepios. Pra encobrir a maldição do rubor que ficou na minha cara toda eu me afundei no copo, até que tinha acabado. O Inuyasha me puxou e me deu o último golinho do Blood Mary dele, não faço nem idéia do que seja feito, mas é muito gostoso, de verdade.
É, eu entendo porque tem tantos alcóolatras no mundo. Acontece que eu não sei bem como, umas duas horas depois, o Kouga e a Kikyou tinham sumido, tal qual o Yuki, o Sesshy e a Rin estavam se amassando na parede, a Sango e o Miroku no bar, mas como eu tava de costas pra eles, não sei como estavam e eu, mais bêbada do que nunca estive na vida ( Se lembram do porre da festa? Cara, brincadeirinha de criança. ), no COLO do Inuyasha. Sério mesmo! Com uma perna de cada lado do corpo dele, agarrada com tanta força naquele pescoço firme que eu achei que fosse começar a machucar a pele dele com as unhas, no beijo mais... Quente, por assim dizer, de todos. Ok, agora ele vai pensar que eu sou uma vagabunda.
Mas eu não estava pensando. Acho que a mistura de álcool e Inuyasha fez mesmo muito mal aos meu sentidos. Tudo no que eu conseguia me concentrar era nas mãos do Inuyasha me segurando com força pelos quadris, em como era bom estar tão... perto, digamos assim. Eu mordi o lábio superior dele com cuidado – ao menos canibal eu não tinha virado ainda. -, e fiquei brincando de provocá-lo. Beijando de leve o canto de sua boca e correndo minhas mãos pelo pescoço dele.
Claro que isso deu certo por muito pouco tempo, até ele tirar uma das mãos do meu quadril e me puxar pelo cabelo pra muito perto, respirar forte uma última vez contra minha pele antes de me beijar de novo. A outra mão desceu do meu quadril para a minha coxa e continuou me segurando.
Eu podia sentir o gosto da minha boca na boca dele, eu podia sentir o gosto perfeito que ele mesmo tem e uma mistura um tanto violenta de álcool que vinha dos dois. Na verdade, acho que ele nem estava tão bêbado assim, quero dizer, o sangue youkai dá uma boa resistência a ele.
Mas alguém já se perguntou como eu consigo fazer tanta besteira junta? Até tipo uns, quatro? É, uns quatro meses atrás pelo menos eram besteiras inocentes, tipo esbarrar num garçom e fazer ele sujar a cliente mais rica e bem vestida do restaurante, não dar uma de garota fácil no dia seguinte em que eu fiquei com um garoto, que por acaso eu amo e que mais por acaso ainda tinha tirado meu BV na noite anterior! Mas eu não estava pensando em nada disso. Huum, estou sentindo falta das minhas listas, é capaz de eu estar tão confusa e perdida assim na vida porque estou sem elas, sinceramente.
Lista de cinco motivos pelos quais Kagome Higurashi não foi feita para beber
Por Kagome Higurashi.
1 - Eu consigo fazer mais besteiras bêbadas, como todas as pessoas, mas... EU SOU EU! E se eu já sou total e completamente um imã pra fazer a coisa errada na hora errada sóbria, imagina alterada por substâncias alucinógenas a base de álcool?! Quero dizer, outro dia eu finalmente fiz o Inuyasha me contar o que que eu disse pra ele quando fiquei bêbada pela primeira vez e hahá, não foi legal descobrir. E agora, bem, agora isso! O que vai ser da próxima vez? Um strip em cima do balcão junto com duas lésbicas semi-nuas? To quase lá...
2 - Fala sério, eu sou mongol. Todo mundo sabe, eu já me divirto o suficiente sozinha, pra que vou precisar de bebida?
3 - A RESSACA! Pelo amor de Deus, na última eu achei que fosse morrer. Sabe o que é MORRER? Eu achei que eu ia. Minha cabeça estava quase expelindo meu cérebro - se é que eu de fato possuo um, diga-se de passagem - pelas orelhas! Como eu não aprendi a lição? Só Deus sabe...
4 - Não sou muito fã, ok, nada fã, da fama que as garotas bêbadas levam. Mesmo que a Sango, ou a Rin ou a Kikyou não levem. Eu sou Kagome Higurashi, a corda sempre arrebenta pro meu lado.
5 - Talvez por ser uma substância incomum no meu corpo eu fico fedendo a bebida. O cheiro fica saindo pelos meus poros e isso é... nojento. Mesmo que meu perfume ( Meu? Ok, da Sango. ) da Gucci estivesse fazendo um bom trabalho escondendo-o. Já entenderam não é? Ok, menos um problema.
Ou não. De qualquer forma, nós estávamos nos agarrando muito absurdamente até que a Sango apareceu muito, MUITO bêbada, rindo e cambaleando, apoiada num Miroku tão trôpego quanto ela, apareceu falando que era hora de ir se não a gente ia dormir no chão do bar e acordar fedendo a cervejaria de quinta. Apesar de ter quase doído sair do colo do Inuyasha, agradeço à Deus de ter obedecido à ela. Então, todos nós entramos nos carros ( Com o Inuyasha e o Sesshoumaru dirigindo já que, por serem youkais, eles tem uma resistência enorme pra bebidas que nenhum de nós tem. Como, por exemplo, eu e o Yuki no banco de trás, minhas pernas em cima das dele, rindo de piadas como 'O que é um ponto azul no meio dum jardim?', 'Uma BLUEboleta. ' ) e fomos pro Loft.
E todo mundo meio que desabou no sofá e no chão da sala. E rindo, eu via o mundo todo meio bambo, mas foi engraçado. Aí o Inuyasha perguntou, o único mais sóbrio ali, junto com o Sesshy que nem chegou a beber de verdade, digo, de verdade para um youkai completo, o que a gente ia fazer e a Rin sacudiu a sacolinha com os DVD's da locadora. Seção cinema de um bando de bêbados, que feliz. Seja como for, foi muito divertido. Os filmes eram dois de comédia e um de terror. O primeiro que a gente ia assistir era o de terror, mas o negócio era TÃO ridículo que a gente tirou em tipo, cinco minutos. Tá que pra mim não era ridículo e estava sim me dando medo, então eu meio que agradeci demais quando resolveram tirar aquela porcaria do DVD, e colocaram uma comédia. Agora, raciocinando bem, se eu já rio muito de, tipo, TUDO, é bem normal que eu tenha tido tantos ataques histéricos de gargalhadas assistindo uma comédia completamente bêbada!
Só sei que no final do segundo filme o efeito de todo aquele álcool já tinha passado mais ou menos pela metade ( Culpa também do café com leite que o Sesshoumaru fez a gente tomar. ) e a dor-de-cabeça estava marchando em minha direção com passos de pernalonga a cada minuto. É, eu não estava lá muito bem, esparramada no sofá, as pessoas dormindo nos colchões no chão, com exceção do Sesshoumaru que carregou a Rin pro quarto e do Inuyasha que estava sentado em baixo da minha cabeça. E fazendo um carinho muito bom no meu cabelo, mas eu nem estava com sono. Então eu senti a boca dele sobre a minha, de levinho e fechei os olhos com suavidade.
" Está com sono? "
" Não. "
" Vamos sair, então. " Eu quase disse que eram mais de onze e meia da noite, eu quase disse que não estar com sono não queria dizer que eu não estava cansada e quase, quase disse que estava prevendo uma dor-de-cabeça daquelas, mas não disse nada disso, só concordei com um aceno de cabeça e um sorriso.
Dane-se o resto!
" Para onde você quer ir agora, Inuyasha? " Isso sim era uma pergunta importante.
" Sei lá, a gente pode ir para praia. "
" Parece uma boa idéia. "
" Eu só vou pegar uma coisa no quarto. " Ele me avisou.
" Tudo bem, eu vou tomar um remédio pra não acabar ficando com dor-de-cabeça. Aliás, você se importa se eu tomar uma ducha? " Eu não queria sair com ele correndo o risco de estar com cheiro de álcool e cigarro de bar. Eu não sei se um banho podia me livrar disso, mas eu definitivamente queria tentar.
" Não, bruxa, eu sempre acabo te esperando pra tudo mesmo. " Eu sorri com o duplo sentido da frase.
" Bobo. " Inuyasha me ajudou a me levantar e ficar em pé sem cair, eu ainda estava um pouquinho zonza. Tomei o analgésico e Inuyasha ficou brincando perguntando se eu precisava de escolta até o meu quarto para não cair.
Reclamei antes de virar e ir para o quarto. O Sesshoumaru estava meio sentado na cama da Rin, apoiado sobre os travesseiros e fazendo carinho nos cabelos dela que dormia sobre seu peito. Eu sorri e disse por mímica labial que só ia tomar uma ducha e o Sesshoumaru concordou com a cabeça. Fui até a gaveta, tentando não fazer barulho e tirei uma roupa antes de me trancar no banheiro.
Tomei um banho meio frio, tentando clarear o foco e a sobriedade na minha cabeça, lavei os cabelos o mais rápido que pude e saí enrolada na toalha. Penteei meus cabelos e me enxuguei para colocar a lingerie. Em seguida pus o jeans preto que para variar não era nada solto, descobri com muito espanto que eu já estava até acostumada, e uma bata vermelha de mangas compridas e um decote quadrado. Na verdade eu tinha escolhido vermelho justamente porque era a cor que ele gostava, e eu ficava cada segundo mais impressionada comigo mesma. Fala sério, o alién me dominou de vez agora.
Ignorei isso e passei o Touch Of Pink em cima da prateleira sem exageros e recoloquei os mesmos brincos de argola que eu já estava usando antes. Por fim calcei a sapatilha vermelha de bolinhas brancas que estava me esperando e saí do banheiro.
Fui até aporta do quarto e acenei com um sorriso para o Sesshoumaru, depois fechei e dei de cara com Inuyasha ali, já parado e com outra roupa também. Uma calça frouxa azul escura e uma blusa social preta dobrada até os cotovelos. Porque tão sexy? Alguém pode me responder?
Mas não pude negar que eu fiquei mais do que satisfeita com o sorriso que ele deu me analisando, em especial a blusa. Inuyasha riu um pouquinho e se aproximou o suficiente para cheirar o meu pescoço e depois mordê-lo. Ele gostava de me ver fraca, é claro.
Eu dei um tapa fraco em seu braço e o puxei comigo para a porta do apartamento. Não pude deixar de notar, quando nós passamos na sala, que nem a Sango nem o Miroku estavam mais no colchão. Troquei um olhar cúmplice com Inuyasha antes de deixarmos o apartamento.
Assim que as portas do elevador se fecharam, aquele hanyou me puxou pela cintura, mas desta vez sem malícia. Não foi nada parecido com os beijos avassaladores que nós trocamos no bar, foi meigo. Claro que de deixar sem fôlego, mas foi um beijo mais carinhoso. Como o primeiro. Era difícil saber o que era melhor.
O elevador parou na garagem e nós saímos, correndo como crianças até o carro.
Ele abriu a porta para mim – quem viu até pode ter pensado que o Inuyasha era gentil e educado. É sério. -, e depois se jogou no banco ao meu lado.
Assim que ligou a chave na ignição, apertou um daqueles botões moderninhos que a Ferrari dele tinha que ter, é claro, e a capota levantou, deixando o conversível, conversível mesmo. Ele sorriu para mim e eu respondi.
" Porque a praia? " Eu perguntei. Tudo bem que eu não tinha nenhuma idéia melhor, mas sei lá.
" É uma surpresa. Lembre-se de que nós não jantamos. "
" E você pretende o que? Pegar os peixes com as mãos e nós comermos uma espécie de sushi adaptado? " Ele riu balançando a cabeça em negação.
" Esquece, Kagome, você não vai adivinhar. É só uma coisa minha que tem lá que eu quero mostrar pra você. " Eu me contentei com a explicação e liguei o rádio mais uma vez. " Pega um CD, tem um monte no porta-luvas. " Eu segui as instruções e comecei a passar os CDs até encontrar um.
Nós fomos ouvindo música. O trânsito não estava insuportável, mas ainda era uma sexta à noite em NY, a cidade que nunca dorme, eu não esperava que estivesse muito melhor.
Até que nós paramos em frente à um mercado. Eu ergui a sobrancelha para ele.
" Jantar, Kagome, jantar. Eu não sei se você queria mesmo comer peixes recém-mortos, mas eu não. " Inuyasha disse rindo. Eu o ignorei, sem ter como responder.
Nós saltamos do carro e pegamos um carrinho na porta, o Wall Mart estava cheio e bem iluminado, e eu fui guiando o carrinho.
" Você nem sabe o que nós viemos comprar, pretende levar o carrinho para onde? " Inuyasha pergunto ao pé do meu ouvido, colocando as duas mãos por fora das minhas e juntando seu corpo atrás do meu. Eu ri.
" Eu sou médium, ia adivinhar tudo, mas você estragou meus planos. "
" Não tente me enganar, Bruxa, eu sei que sua bola de cristal quebrou na semana passada! " Ele retrucou e eu ri. Inuyasha beijou a base do meu pescoço e começou a empurrar – o carrinho e a mim que estava entre os dois -, para onde queria. Nós pegamos catchup ( pois é, pois é, mas ele jurou que tinha um porque. ), filé mignom, mostarda, creme de leite, champignon, alho, cebola, um saco de arroz, um pote de sorvete e então estávamos no corredor de bebidas em frente aos vinhos.
" Inuyasha! Eu mal saí de um porre e você quer me botar em outro? " Ele riu, é claro que riu, da minha cara e plantou um beijo calmante na minha bochecha.
" É só para acompanhar, ninguém está pedindo que você fique bêbada. Vou levar só uma garrafa, está bem? "
" Ai, ok, ok! " Ele escolheu o vinho – tinto – que queria e colocou no carrinho. Então nos empurrou para o caixa e pagou tudo no cartão de crédito, assim como fez com o almoço, assim como fez com o bar, enfim. Ele está ficando mal acostumado de me mal acostumar, mas quando eu reclamei, ele disse que era um preço a não se pagar por estar com ele. Só o chamei de babaca, e sorri depois, com a carinha de filhote que ele faz.
O atendente guardou as coisas no porta mala do carro, aliás preciso dizer que ele estava babando no carro do Inuyasha, e então nós voltamos a ir para a praia. Inuyasha parou no atracadouro particular e uma leve luz começou a iluminar a minha cabeça confusa.
A gente saltou do carro e eu o ajudei com as compras, Inuyasha murmurou um 'vem comigo' e saiu andando, estava tudo iluminado pelos postes então eu não fiquei preocupada em cair mais do que o normal. Chegamos numa cancela que tinha um guarda sentado na cabine.
" Oi, Mike! " Inuyasha saldou com um sorriso. O guarda levantou o rosto da pequena TV em cima da mesa e olhou para Inuyasha antes de sorrir também.
" Senhor Inuyasha, tem um tempo que o senhor não vem aqui. "
" Pois é, abre o portão por favor. "
" Claro, pois não. " Mike se levantou com pressa e veio abrir o portão, ele era alto, um pouco grandalhão e devia ter uns trinta e tantos anos, eu estava parada mais atrás. " O que o senhor veio fazer a essa --, ah, está acompanhado. Perdão. "
Ele destrancou o portão alto e o abriu para nós, Inuyasha olhou para mim, e fez um gesto que o acompanhasse.
" Boa noite, senhorita. Tenha uma boa noite, senhor Inuyasha. "
Inuyasha sorriu e passou o braço por meus ombros assim que eu o alcancei.
" Não se preocupe, eu vou ter. " Ele disse alto o suficiente para Mike ouvir e eu corei de vergonha. Claro que eu sabia pelo tom de voz da piada maliciosa, mas não estava preocupada. Inuyasha me conhecia bem demais para ter esperanças. Mesmo depois do episódio de hoje... Espero.
" O que exatamente é seu aqui? " Eu perguntei. No atracadouro tinham vários tipos de barco, mas em especial veleiros. Um ou outro iate gigante, mas em sua grande maioria veleiros.
" Um veleiro. " Ok, eu já imaginava isso. Não sabia que esse hanyou sabia velejar, mas não devia me surpreender, Inuyasha é assustadoramente bom em tantas coisas que eu nem imagino, que eu já devia saber. " Aliás, aquele veleiro. "
Meus olhos seguiram para a direção que ele estava me apontando, era um veleiro grande, bem grande, o casco feito de madeira, alto, a vela se projetava em direção a escuridão do céu, no todo, era lindo.
" Ele era do meu pai. " Inuyasha continuou. " Se chama Tessaiga, nunca entendi porque ele deu esse nome, e eu precisei fazer uma grande reforma nele para que estivesse bom o suficiente para sair do porto. "
" Mas isso não foi caro? " Claro que por um momento eu esqueci que o Inuyasha é endinheirado.
" Não. Eu fiz a reforma, meu pai construiu esse veleiro e enquanto era vivo ele me ensinou algumas coisas, claro que depois que ele morreu eu tive que aprender em um curso normal, mas eu não podia deixar outra pessoa encostar nesse barco. Sesshoumaru nunca se interessou por velejar então ele ficou todo para mim, eu reformei há uns dois anos atrás, claro que com quatorze eu não era tão bom quanto sou hoje, então ainda tem coisas que eu pretendo mudar. "
Eu estava genuinamente surpresa. E de novo, não devia estar, era o Inuyasha afinal.
" De qualquer forma, é lindo. " Eu comentei e Inuyasha sorriu. Ele tirou as compras de minhas mãos e me ajudou a subir.
" Olha, nós estamos na parte de trás do barco, a popa. Lá na frente é a proa, a esquerda é chamada de bombordo e a direita de estibordo. " Eu prestei atenção. Sei lá, Inuyasha parecia ainda mais sexy me explicando sobre barcos. " E descendo essas escadas, tem a cabine. "
Eu assenti e sorri para ele, ali estava mais escuro, então deixei que Inuyasha me guiasse enquanto descíamos as escadas. A cabine era quase um apartamento pequeno, tinha o quarto, a cozinha, banheiro, luz elétrica. Era realmente linda.
" Você fez tudo isso sozinho? " Eu perguntei, em choque.
" Não, não sozinho, mas ainda assim levou mais de nove meses para terminar a reforma. O que nem é grande coisa, meu pai construiu sozinho, em três anos. " Eu o olhei, é claro que ele admirava isso. " Esse barco, foi construído em homenagem a minha mãe. "
Eu assenti com a cabeça. Inuyasha me puxou para a cozinha e nós deixamos as coisas lá. Ele guardou o sorvete no freezer e nós subimos as escadas de novo.
Na proa ( Proa? A parte dianteira, acho que ele disse proa. ) tinha um lugar para sentar e o leme. Inuyasha levantou a âncora, içou as velas e, bom sei lá mais o que ele fez, mas quando eu vi, nós estávamos desatracando do porto e virando em direção ao mar, as ondas eram baixas e o balanço tranqüilo, o vento que soprava era favorável a navegação e eu sentei perto dele, olhando enquanto ele ia de um lado para o outro ajeitar as cordas, o mastro, o leme e etc para o barco ficar estável, nós adentramos na escuridão da noite, eu só conseguia ver ao longe o brilho da cidade, dourado e o horizonte infinito imerso na penumbra a frente.
Até que Inuyasha finalmente parou.
" Aqui está bom. " Ele declarou e olhou para mim, um pouco ofegante. Eu ri, era tão raro ver Inuyasha ofegar por qualquer coisa. " Eu estou com fome. " Ele comentou enquanto soltava a corrente e ancorava o Tessaiga.
" Eu também. " Admiti. Meu estomago estava se retorcendo, mas eu não queria atrapalhar a concentração dele antes.
" Vamos descer que eu faço o jantar. " Inuyasha me ajudou a levantar.
Nós rodeamos o barco e ele abriu a porta para a cabine, estava um pouco mal iluminada sem os postes em volta e parecia meio perigosa.
" Inuyasha, eu vou cair! "
" Você sempre cai mesmo, nenhuma novidade. " O hanyou disse rindo. Eu dei a língua a ele e cruzei os braços. Então ele revirou os olhos e me puxou para suas costas.
" Mala sem alça a gente carrega nas costas. " Inuyasha recitou, ainda rindo e desceu as escadas, nos levando até a cozinha, onde me colocou no chão de novo e me roubou mais um beijo rápido.
" Você pode ficar no quarto enquanto eu cozinho se quiser. " Ele se ofereceu. Então eu reparei que não tinha sido só a porta do carro, as escadas, ou agora, Inuyasha estava sendo gentil comigo, o tempo inteiro.
" Prefiro ficar e te observar cozinhar. " Inuyasha sorriu e começou a separar as coisas das sacolas, pegou as panelas, eu observava cada movimento, mais atenta ao formato e ao movimento dos músculos das costas e do antebraço, um pouco hipnotizada, e era bom saber que ele estava cozinhando. Para a gente. Parecia especial.
Nós ficamos conversando sobre coisas inúteis enquanto ele preparava o strogonoff, o cheiro estava muito bom.
" Kagome, arruma a mesa para mim? " Eu assenti com a cabeça e fui pegar a toalha na gaveta que ele indicou. " Tente não quebrar nada, sim? A mesa é lá fora." Eu sorri para ele com inocência. " Na base da escada tem um interruptor, assim você vai ver por onde está andando. "
" Você fala como se eu mal conseguisse andar em linha reta sem cair. " Resmunguei, mesmo sabendo que era verdade. Inuyasha olhou pra mim descrente e depois recomeçou da onde tinha parado. Peguei além das toalhas dois pratos do escorredor e subi, lembrando de ligar a luz da escada, na popa tinha uma mesa, não muito grande, embutida na amurada e duas cadeiras, cobri a mesa com o pano e posicionei os pratos em cima. O balanço do mar não era suficiente para agitar um barco daquela estatura, então achei que as coisas ficariam seguras em cima da mesa. Voltei a descer, Inuyasha estava servindo o strogonoff na travessa, do lado uma travessa semelhante abrigava o arroz, e em cima da pia tinham algumas coisas que eu achei que tivesse que levar.
Peguei os descansos de travessa, as duas taças e os talheres prateados e voltei a subir, disponibilizei os talheres em volta do prato e as taças à direita. Então Inuyasha apareceu, subindo da escada, com luvas pra não se queimar, segurando as travessas, eu saí do caminho e ele colocou na mesa e desceu para buscar o resto.
E quando eu sentei à mesa, sentindo o cheiro bom da comida se misturando com o cheiro forte de sal e maresia, eu reparei que, tecnicamente, é o nosso primeiro encontro. Quero dizer, pra mim pareceu bem mais que isso, mas tecnicamente é o que é. Não consegui deixar de sorrir. Miroku tem razão, de todas as pessoas que poderiam estar com ele ontem, de todas as pessoas que ele poderia trazer para cá, quem está com ele aqui sou eu.
Só percebi que Inuyasha já tinha voltado quando ele abriu a garrafa de vinho e o barulho me trouxe de volta à realidade. Ele tinha acendido as luzes do lado de fora, então eu podia ver tudo com clareza, Inuyasha serviu as duas taças e acomodou a garrafa entre as travessas.
" Aproveite seu jantar, madame. " Esse hanyou tinha que parar de sorrir dessa forma, com os olhos felinos olhando debaixo para mim e esse sorriso travesso brincando nos lábios. É moralmente incapacitante. Eu correspondi ao sorriso da melhor forma que pude, eu estava sem ar. Hanyou maldito. " Me dá seu prato, por favor. "
Inuyasha pegou meu prato quando eu estendi e me serviu do quanto eu queria enquanto eu bebericava o vinho, eu sentia como se não fosse eu ali. Quero dizer, claro que eu sentia como fosse eu, porque ERA eu, mas era tão... Improvável, quero dizer, se fosse há alguns meses, na verdade acho que mesmo se fosse agora, mas com outra pessoa, eu estaria surtando. Quero dizer, estamos em um barco, a sei lá quanto mil metros de terra firme e segura, completamente sós e, a parte mais inusitada, é que em frente à uma mesa arrumada com um jantar recém-preparado por ele, parecia o tipo de romance que se vê em filme.
Mas eu estava ali. E não era nenhum filme. Era muito, muito melhor.
Nós comemos e, pela primeira vez no dia inteiro, ficamos em silêncio. Preciso admitir que estava uma delícia, e também que eu não conseguia desviar os olhos dos dele. Como imãs, como se a carga do Inuyasha fosse oposta a minha e eu me sentisse o tempo inteiro atraída para ele. O vinho não me abalou muito, talvez porque depois de um porre com vodka, amaroula, e coisas mais pesadas, o vinho parecesse leve.
Quando eu terminei meu prato – Inuyasha terminou bem antes, ele come MUITO rápido, eu estava acabando o primeiro quando ele tinha acabado de terminar o segundo! – eu reparei que ainda não tínhamos dito nada; e isso não me incomodava. Tomei o último gole remanescente e olhei para o céu, não estava completamente aberto, algumas nuvens entravam no caminho, mas dava para ver faixas estreladas, e um pouco afastada da cidade, parecia que o brilho das estrelas estava mais forte.
Entretanto estava frio. Frio o suficiente para que mesmo com uma blusa de mangas compridas eu estivesse arrepiada e quisesse um casaco.
Mas eu não queria comentar isso. Eu não queria comentar nada, eu não queria ir embora. Tipo, eu tinha a sensação de que no momento em que ele virasse o leme e voltássemos pra ilha de Manhattam tudo não passaria de um sonho esfumaçado. E eu não queria pensar nisso agora. Pelo menos desta vez eu não estava querendo fugir, eu queria tudo menos isso!
Sorri com o pensamento.
Inuyasha levantou-se da cadeira e me estendeu a mão.
" Vem, a gente se preocupa com isso aí depois. " Ele disse se referindo à louça e às travessas, eu assenti e peguei sua mão, minha pele agradeceu pelo contato quente e eu levantei também. Inuyasha apagou as luzes externas e nós descemos as escadas, o hanyou fechou a porta e isso impediu a brisa gelada do mar de entrar na cabine, minha pele agradeceu mais uma vez. " Você está fria. "
Ele riu, deslizando a mão sobre o meu rosto. Inuyasha me guiou até o quarto e lá embaixo estava abafado, graças à Deus. Inuyasha subiu as mãos pelos meus braços por cima da roupa, colocou meus cabelos para trás e continuou subindo pelo meu pescoço e rosto. Eu fechei os olhos, era tão bom, tão certo.
Suas mãos desceram para minha cintura e me puxaram até que eu estivesse grudada nele, os braços se fecharam como correntes inquebráveis ao redor de mim e eu senti sua respiração mais próxima, e então ele estava me beijando novamente.
O mesmo beijo doce do elevador. Beija-lo era incrível e, de certa forma, era familiar e novo. Era novo demais para mim o calor, as sensações, principalmente porque parecia que eu me rendia mais a cada um que trocávamos, então cada novo beijo vinha com uma reserva a menos, mais intenso, mesmo quando era apenas carinhoso. E ao mesmo tempo parecia familiar, e era isso só me fazia ter cada hora menos reservas.
Não valia a pena deixar isso passar por medo. Eu tinha medo, era verdade, mas o que eu sentia e que crescia a cada instante, era muito mais forte, abrangente.
" Kagome... " Inuyasha murmurou meu nome e meu coração, já sem ritmo, deu um salto, eu suspirei mais uma vez. Seus lábios tocaram atrás de minha orelha, e desceram percorrendo cada centímetro, eu apertei seus ombros. Então um dos braços soltou minha cintura e começou a tatear o jeans, poucos segundos depois eu ouvi alguma coisa cair, mas antes que eu pudesse olhar ele me beijou de novo.
Dessa vez quando nossas bocas se separaram, Inuyasha nos afastou e pegou minha mão, segurando-a entre a dele, muito maior.
" Eu nunca me senti assim. " Inuyasha era direto, não se importou com rodeios, mas eu podia ver pelo vermelho leve que invadiu suas bochechas que ele estava sem graça. Isso me fez sorrir. " Eu nunca encontrei ninguém como você, Kagome, é sério. Também nunca deixei alguém ver tanto... Tanto de mim como deixei você ver e não me arrependo disso, eu gosto de ter você perto. Em todos os sentido. " É, eu não podia esperar que o Inuyasha passasse sem dar nem um único sorrisinho malicioso. De qualquer forma, eu não estava ligando para piadinhas, meu coração estava em ritmo crescente, como se quisesse fugir, meu rosto já estava pelando e eu apertava a mão dele. " Você é perfeita. Tenho que admitir que quando eu te vi pela primeira vez nunca pensei que algum dia estaria te dizendo isso, a bruxa atrapalhada e desarrumada que apareceu na minha república. "
" Babaca. " Murmurei, mas ainda sorrindo. Talvez a babaca fosse eu.
" Quem diria que você ia mostrar que é linda. " Ele colocou uma mecha do meu cabelo para trás da minha orelha. " Que sabe ser doce, quem diria que você ia se mostrar a pessoa que mais me compreendeu? A que conseguiu furar os meus muros como se não fossem nada e me prender? Você não pode negar, você é uma bruxa, Kagome. " Inuyasha riu. " Mas é a minha bruxa teimosa, desastrada e certinha. "
Passei longe de reclamar. Não sei porque também, eu devia, mas eu estava achando lindo. Ele me xingando e eu achando lindo, eu tenho problemas.
" Eu escolhi por causa da cor. " Por essa eu realmente não esperava, Inuyasha ergueu a mão que estava segurando a minha, deixando-a repousando em sua palma e com a outra mão me mostrou um anel. A haste era de ouro branco e tinha uma pedra disposta no centro – não sou de entender muito de jóias, mas me parecia uma SAFIRA! – azul intensa. " É da mesma cor dos seus olhos. " Inuyasha murmurou colocando o anel com delicadeza no dedo anular, eu estava chocada. Mais que isso, uma mistura de chocada com emocionada. " Aceita namorar comigo? "
Eu fiquei parada por alguns segundos, me perguntando se eu tinha ficado louca de vez. Mas eu sentia o metal frio na minha pele, sentia o toque dele na minha mão, eu sabia que aquilo era real, de algum modo. Meus olhos oscilavam entre olhar o anel e os olhos de Inuyasha, que parecia estar se divertindo bastante com a minha reação. E nem eu mesma esperava que eu fosse pular em cima dele, agarrando o pescoço e as mechas prateadas. Inuyasha riu e cobriu meus lábios com os seus, me segurando mais forte pela cintura.
" Eu te amo. " Eu murmurei assim que nós nos afastamos. Permanecemos por alguns minutos nos encarando e ele ainda parecia esperar por alguma coisa. " Isso responde, não responde? "
" Responder, responde, mas eu queria ouvir você falar. " Inuyasha disse, rindo de leve e descendo os beijos pelo meu pescoço.
" Hanyou chato. " Eu resmunguei e puxei o rosto dele entre as mãos, segurando-o para que eu pudesse, mais uma vez, tentar decorar cada cova e linha que Inuyasha tinha nos contornos do rosto. " É claro que eu aceito, mesmo você me chamando de bruxa, teimosa e destrambelhada. "
" Te chamei de desastrada, não de destrambelhada. Mas você é isso também. "
Eu ri.
" Contanto que você seja o meu hanyou chato e babaca, acho que posso agüentar isso. " Inuyasha juntou a testa na minha e eu me perdi no dourado, o brilho dos olhos dele parecia com o sol.
Inuyasha me beijou de novo, e de novo, e de novo, até que nós dois já estávamos deitados, meu rosto deitado no peito dele, que fazia carinho no meu cabelo com as garras gigantes, mais uma vez ele estava sem camisa e eu usava uma antiga blusa ( mas ainda assim gigante ) dele, a estampa da frente já estava desgastada e o cobertor estava nos cobrindo até a cintura.
Não sei bem em que momento eu dormi, sendo embalada pelo carinho gostoso na minha cabeça e o som da respiração dele ao meu lado.
Miroku tinha toda razão, valia muito, muito a pena.
OoO
Huum, oi?
Eu já disse isso na nota da última oneshot que eu postei no 30 Cookies, não vou me explicar – de novo -, acho que as pessoas já entenderam, e tudo que eu posso pedir é desculpa por demorar tanto. Quase um ano, eu sei! Eu nem comemorei o aniversário de um ano de república, em novembro!
Não posso prometer que o 12 virá em breve, não posso prometer nada na verdade! Estou cansada de prometer coisas que não sei se vou poder cumprir, então o máximo que eu posso fazer é dizer que eu vou me esforçar.
Em compensação esse capítulo ficou gigante, foram quase vinte páginas, 19 e um pouquinho, ok? E além do mais, se espremer jorra açúcar para todos os lados, então é recomendável que nenhum diabético leia este capítulo exageradamente doce. Não foi só uma compensação, é claro, o rumo da fanfic está se definindo e meus planos se tornando mais objetivos. A FANFIC NÃO ESTÁ NO FINAL! Por favor tirem essa idéia da cabeça, não é porque eles finalmente ficaram juntos que isso quer dizer que vá acabar. NÃO! Não vou conseguir terminar nem até o vigésimo capítulo, até o trigésimo talvez, mas o vigésimo não. Hahaha, então relaxem, pingüins, temos tempo de sobra.
De qualquer forma eu espero que tenham gostado, só eu e alguns acompanhantes ( Daniela, Juliana Assis, Anneke-chan, e etc. ) sabem a DIFICULDADE para finalmente chegar com ele aqui, pronto!
Eu gostei, para falar a verdade. Claro que não teve metade da graça, das cenas de humor, que teve nos outros, a história está ficando um pouquinho mais séria ( a Kagome também está. ), claro que isso não quer dizer que eu vou abdicar das loucuras no qual esses dois conseguem se meter, mas agora a fanfic vai abordar outro lado dos sentimentos da Kagome.
Até agora eu fiz questão de detalhar a aproximação deles, eu DETESTO essa coisa de 'olhou-viu-apaixonou-sabe-tudo-sobre-a-pessoa', tenho lá minhas dúvidas sobre a existência de amor à primeira vista, e seja como for muito poucos autores conseguem abordar isso de forma decente, plausível e tudo e tal. Então eu fiz eles começarem devagar, principalmente porque a nossa tímida Kagome com aversão a cromossomo Y implorava por esse tipo de abordagem.
O que eu estou querendo dizer é que é como se a fic tivesse mudado de fase. CASO FIQUE RUIM, por favor, AVISEM! Eu preciso saber se as mudanças que eu estou fazendo/vou fazer agradam vocês. Afinal de contas, a fanfic é escrita não só porque eu amo escrever, mas porque eu adoraria entreter vocês.
Falando em entreter vocês, eu tenho que agradecer MUITO, muito mesmo pelas reviews! E pela compreensão. Até o capítulo nove eram 185 reviews, um número bastante significativo, mas o apoio ao capítulo dez foi tão grande, que o número agora chega a 256! Eu preciso dizer que vocês são uns amores. Muito, muito obrigada. E quanto mais review melhor! o/
Hahahahaha.
Às reviews eu deixei para responder a parte, porque se não eu demoraria ainda mais com o capítulo ( vai que eu perco ele de novo? Prefiro não arriscar, obrigada. ), mas é CLARO que eu vou responder uma a uma como sempre fiz.
Bom, é isso. Eu os amo muito, de verdade.
Mil beijos meus pingüins lindos, titia Fanii.
