SORRY AMORES...... NÃO IRIA MAIS POSTAR ESSA FIC...... MAIS RECEBI REVIWES LINDAS..... ENTOSSES VOU POSTAR 2 CAPITULOS PRA VCS...... BJUXX^^
Capítulo 9
Seu pai os alcançou então, e se colocou ao lado de Bella.
— Quem é você? —demandou ele, ainda nesse tom brusco.
Edward examinou com frieza o homem que seria seu sogro.
— Edward Cullen — replicou ele finalmente, quando terminou sua avaliação. Seu rosto era impassível, mas havia uma qualidade penetrante em seus olhos claros que fez que Bella se desse conta de forma repentina de quão perigoso podia ser este homem. Não a assustava; sob as circunstâncias, esta qualidade era exatamente o que necessitava.
Charlie Swan se alarmou, mas agora sua tez empalideceu e sua expressão se congelou. Ele disse com dureza:
— Estou seguro que se dá conta que não é bom para Bella vê-lo de novo. Ela está tratando de deixar atrás esse episódio...
Edward olhou além do velho, onde Bella estava, visivelmente tremendo quando o olhou com suplicantes olhos chocolates. Não tinha dado conta de quão expressivos eram seus olhos, de um profundo tom castanho. Teve a impressão de que não lhe estava suplicando que fora agradável com seu pai, mas sim que estava pedindo ajuda de algum modo, com alguma coisa. Despertaram seus instintos de batalha e seus sentidos se elevaram ao seguinte nível de percepção. Não sabia exatamente o que estava pedindo, mas o averiguaria, logo que tratasse a presente situação. Era tempo de que o ex-embaixador soubesse com exatidão onde estava parado.
— Vamos nos casar —disse ele, sem afastar o olhar de Bella, quando interrompeu o embaixador que seguia explicando ele por que seria melhor que se fosse imediatamente.
Sua voz acerada, que de forma instantânea tinha chamado a atenção dos guerrilheiros mais letais do mundo, cortou a explicação pomposa e condescendente do Swan.
O embaixador se calou, e um olhar de pânico se vislumbrou em seu rosto.
— Não seja ridículo —disse ele, em tom tenso. — Bella não vai se casar com um marinheiro que pensa que é algo especial só porque é um assassino treinado.
O frio olhar de Edward foi de Bella a seu pai e se voltou glacial, o verde se desvaneceu a um cinza que brilhava como fragmentos de gelo. Swan deu um passo involuntário para trás, sua tez foi de pálida a branca.
— Bella, quer casar comigo? —perguntou Edward, mantendo deliberadamente seu olhar enfocado em Swan.
Ela olhou para ele e logo para seu pai, que estava tenso enquanto esperava sua resposta.
— Sim —disse ela, com sua mente ocupada.
Edward. Não questionaria o milagre que havia o trazido aqui, mas estava tão desesperada que se casaria com ele, inclusive se não o amasse. Edward era um SEAL; se alguém podia mantê-la a salvo do inimigo desconhecido que tinha seu pai tão preso, era ele. Levava a seu filho, e ficou claro que essa possibilidade foi a que o trouxe para a Virginia em sua busca. Era um homem que tomava suas responsabilidades com seriedade. Teria preferido que a quisesse tão profundamente como o queria, mas tomaria o que pudesse conseguir. Sabia que se sentia atraído por ela; do contrário, não estaria grávida.
Casaria-se com ele, e provavelmente com o tempo ele se apaixonaria por ela.
Seu pai estremeceu com a resposta. Voltou-se para ela, e lhe disse suplicantemente:
— Querida você não quer se casar com alguém como ele. Sempre tive o melhor, e ele não lhe pode dar isso.
Sacudindo seus ombros, lhe disse:
— Vou me casar com ele... Logo que seja possível.
Ao ver a obstinação de sua expressão, seu pai olhou para Edward.
— Não conseguirá nem um centavo de sua herança —disse ele com real veneno.
— Papai! —gritou ela, assustada.
Tinha seu próprio dinheiro, herdado de sua mãe e avós, assim não estava preocupada em ser deserdada, inclusive se seu pai levasse a cabo sua ameaça; era o fato de que fizesse a ameaça, que tratasse de sabotar seu futuro com Edward dessa maneira tão descarada e ferina, o que machucava.
Edward encolheu os ombros.
— Bem —disse ele com enganosa suavidade. Bella escutou o ferro puro que subjazia sob o tom calmo e sereno. — O que faz com seu dinheiro não me importa nem um pouco. Mas é um tolo se pensar que pode mantê-la com você pelo resto de sua vida. Pode atuar como um burro e esquecer-se de seus netos se quiser, mas nada do que diga vai trocar uma maldita coisa.
Swan ficou aí, sua cara marcada pela dor. Com os olhos obscurecidos pela angústia olhou a sua filha.
— Não o faça —suplicou ele com voz tremente.
Agora foi a vez dela fazer uma careta de dor, porque apesar de tudo, odiava feri-lo.
— Estou grávida —sussurrou ela, preparando-se contra algo ferino que pudesse dizer. — E vamos nos casar.
Ele se balançou em seus pés, atônito por seu anúncio. Ela não acreditava que era possível que seu pai empalidecesse mais, mas o fez.
— O que? —grasnou ele. — Mas... mas me disse que não foi violada!
— Não foi —disse Edward.
Havia um tom suave, sulino e muito masculino em sua voz.
Seus olhos se encontraram. Bella deu um suave e irônico sorriso.
— Não fui —confirmou ela, e apesar de tudo, um brilho repentino e delicado iluminou seu rosto.
Seu pai não pôde pensar em algo mais que dizer. Olhou-os boquiaberto por um momento, incapaz de dirigir esta virada dos acontecimentos. Logo, seu rosto avermelhou com uma onda de fúria, fazendo desaparecer a palidez.
— Bastardo! —exclamou ele. — Tirou vantagem dela quando estava vulnerável...
Bella agarrou o braço dele.
— Basta! —gritou ela, com seu esbelto corpo tenso pela fúria. Seus nervos pendiam de um fio desde essa manhã, e esta confrontação só piorava. A repentina aparição de Edward, apesar de que quase a enjoou de felicidade, era outra comoção para seu sistema, e já tinha tido bastante. — Se alguém tomou vantagem, fui eu. — Se quiser os detalhes lhe darei isso, mas não acredito que realmente os queira conhecer!
Esteve a ponto de perguntar se pensava que podia mantê-la virgem para sempre, mas engoliu as amargas palavras para não dizer. Seria muito doloroso, e uma vez soltas, nunca poderia retratar-se delas. Ele a amava, possivelmente muito; seu medo de perdê-la era a razão de seu estalo de fúria. E, apesar de tudo, ela o amava também. A dor congelou seu interior quando o olhou com dureza, todas as pretensões lidas.
— Eu sei —sussurrou ela. — Entende? Sei. Sei por que está tão paranóico cada vez que saio da casa. Tenho que partir.
Ele inalou com força, a comoção rasgou seu último vestígio de controle. Não pôde sustentar seu olhar ardente, e afastou o olhar.
— Mantenha-a a salvo —disse a Edward com voz sufocada, logo caminhou com dificuldade para seu escritório.
— Isso é o que penso fazer.
Com esse problema resolvido, permitiu-se não mais que um olhar para a saída de seu adversário. Logo olhou Bella, e um lento e arrebatador sorriso curvou seus lábios.
— Vá fazer suas malas —disse ele.
Cont.
Partiram em uma
hora.
Ela correu para seu quarto e encheu suas malas, passando por
cima dos vestidos de noite e os trajes de desenhista a favor de roupa
mais prática. A saia de algodão que chegava aos tornozelos que
tinha posta era o bastante confortável para a viagem; vestiu uma
blusa de seda sobre a blusa sem mangas que tinha colocado e foi com
isso. Todos seus instintos gritavam que fosse embora logo.
Arrastou
as malas até a parte superior das escadas. Não requereu muito
esforço, todas tinham rodinhas, mas quando Edward a viu, deixou seu
posto na porta e subiu as escadas de dois em dois.
— Não as
levantes — ordenou, tirando as malas das mãos. — Devia ter me
chamado.
Seu tom era o mesmo que usava para mandar a seus homens,
mas Bella estava muito nervosa para discutir com ele nesse momento.
Ele levantou as três malas com uma facilidade que a fez piscar e
começou a descer as escadas. Ela correu atrás dele.
— Onde
vamos? Iremos em avião ou em automóvel?
— Las Vegas. Em
avião.
— Já tem as passagens? —perguntou ela
surpreendida.
Ele se deteve e a olhou sobre seu ombro, suas
escuras sobrancelhas se levantaram uma fração.
— É obvio
—disse ele e continuou sua descida pelas escadas.
Tal certeza e
autoconfiança eram desalentadoras. Brevemente se perguntou no que
estava se metendo. Cada vez mais estava vendo o quão controlador era
Edward Cullen, de si mesmo e de tudo o que lhe rodeava. Nunca poderia
ser capaz de atravessar essa barreira. Exceto na cama. A lembrança a
golpeou, levando um rubor a suas bochechas que não foi causado pela
pressa. Ele tinha perdido o controle aí, e tinha sido...
espetacular.
— A que horas é o
vôo? —uma vez mais correu para alcançá-lo—Teremos tempo para
ir a meu banco? Preciso fechar minhas contas...
— Pode as
transferir a um banco local quando chegarmos a casa.
Enquanto ele
colocava as malas no carro que tinha alugado, Bella foi ao escritório
e bateu brandamente a porta. Não houve resposta; depois de um
momento, abriu a porta mesmo assim. Seu pai estava sentado, com os
cotovelos apoiados na mesa e seu rosto enterrado em suas mãos.
—
Adeus, papai —disse ela brandamente.
Ele não respondeu, mas
Bella viu sua maçã mover-se quando ele tragou.
— Depois direi
onde estou.
— Não —disse ele com voz estrangulada. — Não o
faça —levantou sua cabeça. Seus olhos estavam angustiados. —
Não ainda. Espera... espera um tempo.
— De acordo —respondeu
ela, quando compreendeu o que queria dizer. Era mais seguro para ela
dessa forma. Ele devia suspeitar que a linha telefônica estava
grampeada.
— Querida, eu... —ele se quebrou e tragou de novo.
— Só quero que seja feliz... e que esteja a salvo.
— Eu sei
—ela sentiu a umidade em suas bochechas e secou as lágrimas que as
estavam molhando.
— Ele não é o tipo de homem que queria para
ti. Os SEALs são... bom, não importa —ele suspirou. —
Possivelmente ele possa te manter a salvo. Isso espero. Te amo,
querida. É o centro de minha vida. Sabe que nunca tive a intenção...
—deteve-se, incapaz de continuar.
— Eu sei —disse ela de
novo. — Eu também te amo.
Silenciosamente fechou a porta e
ficou com a cabeça inclinada. Não o escutou aproximar-se, mas de
repente Edward estava ali, rodeando o quadril com seu duro braço
quando a levou para o carro. Não fez nenhuma pergunta, simplesmente
abriu a porta e a ajudou a subir, logo fechou a porta com uma
intenção que era inconfundível.
Manteve-se tensa durante a
viagem para o aeroporto, vendo o intenso tráfico ao redor deles. —
Esta é a maior privacidade que teremos por um tempo —disse Edward
enquanto conduzia com habilidade o automóvel pela loucura da hora
ponta. — Por que não me conta o que é o que esta acontecendo?
—ele colocou os óculos de sol, e seus olhos ficaram ocultos, mas
ela não tinha que vê-los para saber quão fria e remota era a
expressão neles.
Levantou seu queixo e olhou para frente,
considerando que a forma de suas sugestões soavam mais a ordens.
Isto não ia ser fácil, mas ele tinha que saber de tudo. Precisava
de seu amparo, ao menos enquanto ainda carregasse seu filho. Ele não
estaria em guarda salvo que soubesse que havia uma ameaça. Tinha que
ser honesta com ele.
— Quero que saiba que... uma das razões
pela qual aceitei me casar contigo é que preciso de proteção, e
você é um SEAL. Se algo... perigoso... acontecesse, saberá como
dirigi-lo.
— Perigoso, como? —ele soava muito fleumático,
quase desinteressado. Bella supôs que, dado seu trabalho, o perigo
era tão comum para ele que era mais uma regra que uma exceção.
—
Acredito que os seqüestradores podem tentar de novo. E agora tenho
que me preocupar, com algo alem de mim.
Em forma breve e
inconsciente, sua mão se moveu à parte inferior de seu ventre, da
forma instintiva que uma grávida toca seu filho que se desenvolve em
seu interior, como se certificasse de sua segurança.
Ele olhou o
espelho retrovisor, estudando com calma o tráfico detrás e ao redor
deles. Depois de um momento de consideração, ele foi direto ao
centro do problema.
— Notificou o FBI? À polícia?
— Não
—
Por que não?
— Porque acredito que meu papai pode estar
envolvido —disse ela, quase estrangulando-se com as palavras.
Uma
vez mais ele olhou o espelho retrovisor.
— De que maneira?
Ele soava tão
condenadamente distante. Ela apertou os punhos, determinada a manter
o controle. Se ele podia se conter, ela também podia . Obrigou a sua
voz a ser uniforme.
— A razão dos seqüestradores não foi um
resgate, assim devem querer informação dele. Não posso pensar em
outra coisa mais que pudesse ser.
Ele permaneceu em silencio por
um momento, ziguezagueando com habilidade por entre a grande
quantidade de veículos. Bella quase pôde ouvir esse frio e lógico
cérebro classificando através das ramificações. Finalmente
disse:
— Seu pai deve estar metido até o pescoço, ou já teria
ido ao FBI ele mesmo. Deveriam ter te levado a um lugar seguro e
rodeada por uma parede de agentes.
Ele tinha chegado a mesma
conclusão que ela. O que não a fez sentir melhor.
— Desde que
voltamos para cá, esta impossível. Não quer que saia sozinha da
casa, e está vigiando todas as chamadas telefônicas. Sempre foi
protetor, mas não desta forma. Ao princípio pensei que estava
reagindo de modo exagerado pelo acontecido em Atenas, mas quando
pensei melhor, me dei conta que ainda existia a ameaça —ela
tragou. — Tinha tomado a decisão de fugir esta noite e desaparecer
por um tempo.
Se Edward tivesse esperado outro dia, ela teria
partido. Não teria tido a menor idéia de onde encontrá-la, e ela
não tinha forma de contatar-se com ele. As lágrimas arderam nos
olhos ante o pensamento. Deus Santo! Estiveram tão perto.
— Se segure —disse ele, logo girou bruscamente o volante para a direita, fazendo que o carro desse um giro súbito à outra rua. Os pneus chiaram, e as buzinas soaram muito forte. Apesar de sua advertência, logo que teve tempo de preparar-se, e o cinto de segurança se esticou com um puxão.
— O que esta fazendo? —gritou ela, movendo-se com dificuldade à direita e afrouxando cinto de segurança.
— Há uma possibilidade de que tenhamos companhia. Não quero arriscar.
Alarmada, Bella girou ao redor do assento, olhando os automóveis que passavam pela intercessão detrás deles, tratando em vão de ver alguém que lhe parecesse familiar ou algum veículo que estivesse fazendo um esforço evidente de tomar um atalho pelo tráfico e segui-los. O padrão do tráfego parecia normal.
— Dois homens caucásicos, entre os trinta e quarenta, usando óculos de sol —disse Edward, sem maior ênfase, como se estivesse observando as nuvens do céu.
Ela recordou esta calma quase sobrenatural de antes. No Benghazi, quanto mais tensa era a situação, mais frio se voltava, desprovido totalmente de emoção. Sentiu um mal-estar no estômago e lutou contra a repentina onda de náuseas. Suspeitar que estava em perigo era uma coisa, confirmá-lo era outra totalmente distinta.
Logo, seu cérebro registrou o que havia dito.
— Caucásico? —repetiu ela. — Mas... —deteve-se, porque naturalmente tinha sentido. Enquanto tinha estado procurando em forma inconsciente libaneses, tinha que recordar que este nó de intriga envolvia aos libaneses e aos sócios de Mack Prewett; dado seus recursos, tinha que suspeitar de todos, não só os do Meio Oriente. Negro, branco ou oriental, não podia confiar em ninguém... salvo em Edward.
— Já sabem o que estou dirigindo, vamos nos desfazer do carro —Edward deu outro giro, esta vez sem surpresa, mas também sem sinalizar nem reduzir a velocidade mais que o necessário. — Chamarei por telefone para que se encarreguem do carro. Conseguiremos que alguém nos leve a aeroporto.
Ela não perguntou a quem chamaria; a área estava cheia do pessoal militar de todos os ramos de serviço. Alguém vestido de uniforme recolheria o veículo e o devolveria à companhia de aluguel, e isso seria tudo. Então, ela e Edward estariam a caminho de Las Vegas.
— Eles poderão me encontrar de todos os modos —disse ela de repente, pensando na passagem de avião em seu nome.
— Eventualmente. Entretanto, levará algum tempo. Temos um tempo considerável.
— Possivelmente não - mordeu o lábio. — Ouvi por acaso a meu pai falando com o Mack Prewett esta manhã. Mack é o segundo no mando da CIA em Atenas. Papai disse que queria que isto terminasse, que nunca teve a intenção de que eu estivesse envolvida.
Edward levantou suas sobrancelhas.
— Sei.
Ela supôs que o fez. Se seu pai estava trabalhando com a CIA em algo legal, teria conseguido protegê-la através dos canais legais. A participação de Mack Prewett trocava as regras. Ele teria acesso a informe que as pessoas comuns não teriam. Apesar de que a CIA não operava dentro dos Estados Unidos, os tentáculos de influência eram de comprido alcance. Se Mack queria saber se ela tinha tomado um vôo em qualquer um dos principais aeroportos da área, teria essa informação em minutos.
— Se foram bons o bastante para conseguir o número da placa do carro, terão meu nome dentro de muito pouco —disse ele. — Se não conseguiram, então não terão idéia da minha identidade. De todos os modos, é muito tarde para nos preocupar agora. O que quer que tenham em mãos, não há necessidade de trocar nossos planos imediatamente. Voaremos a Las Vegas e os perderemos aí, ao menos por um tempo.
— Como os perderemos? Se Mack pode conseguir acessar a seus registros...
— Renunciei ao serviço. Já não sou mais um SEAL.
— Oh! —disse ela sem expressão.
Lutou para ajustar-se a outra mudança adicional. Já tinha imaginado e se preparado mentalmente para sua vida como a esposa de um oficial militar, com as freqüentes mudanças, a política da fila. Não teria sido muito diferente da vida na embaixada, só a um nível diferente. Agora se deu conta que não tinha idéia da vida que teriam.
— O que faremos então? —perguntou ela.
— Aceitei o trabalho de xerife em um condado ao sul do Arizona. O xerife morreu no escritório, assim o governador me designou para terminar seu mandato. Serão dois anos até as novas eleições, assim estaremos no Arizona pelo menos dois anos, possivelmente mais.
Um xerife! Isso era uma surpresa, e a forma brusca com a que ele o anunciou só aprofundou seu sentido de irrealidade. Ela lutou para enfocar-se nas coisas importantes.
— Não importa qual seja seu trabalho —disse ela tão calmamente como pôde. — É seu treinamento o que conta.
Ele encolheu os ombros e fez girar o carro na entrada de um estacionamento.
— Compreendo —sua voz era plaina e sem emoção. — Aceitou se casar comigo porque pensa que poderei te proteger — baixou a janela e estendeu a mão para conseguir o ingresso da cancela automática.
Levantou-se a barreira vermelha e conduziu através dela.
Bella retorcia os dedos. Sua sensação inicial de felicidade tinha dado um passo à preocupação. Edward foi atrás dela, sim, e tinha pedido que se casasse com ele, mas possivelmente se equivocou sobre a atração entre eles. Sentia-se fora de equilíbrio. Edward não parecia particularmente feliz de vê-la, mas por outro lado, certamente tinha conseguido um enorme problema, ele se converteria em marido e pai dentro de muito pouco tempo, e ainda por cima disso, tinha que protege-los de um inimigo desconhecido. Nem sequer a tinha beijado, pensou ela, sentindo-se próxima às lágrimas, e se surpreendeu um pouco por sequer pensar nisso justo agora. Se ele estava certo e alguém os tinha seguido, então o perigo era mais iminente do que tinha temido. Como podia preocupar-se com as razões pelas quais iria se casava com ela? Depois de tudo, a segurança do bebê era uma das razões pelas quais iria se casar com ele.
— Quero que proteja a nosso bebê —disse ela com calma. — Há outras razões, mas essa é a principal.
O que sentia por Edward era algo que poderia ser dirigido por sua conta; mas não podia arriscar-se com a segurança de seu bebê.
— Uma muito importante. Está correto, também — deu um breve olhar enquanto dirigia o carro para um estacionamento vazio no terceiro nível. — Não permitirei que nada te machuque ou ao bebê.
Ele tirou os óculos e saiu do carro com um breve:
— Espera aqui —e caminhou a grandes passos para um telefone público. Quando chegou, apertou uma série de números, e logo deu a volta para poder vê-la e ao carro enquanto falava.
Bella sentia os músculos de seu estômago se esticar enquanto o via no estacionamento. Na realidade, ia se casar com este homem. Via-o mais alto do que recordava, um pouco mais magro, embora seus ombros seguiam sendo tão largos que forçava as costuras de sua camisa de algodão branco. Seu cabelo acobreado estava um pouco mais longo, pensou, mas sua pele estava igual. Salvo pela leve perda de peso, não mostrava nenhum sinal de que tivessem disparado faz um pouco mais de dois meses atrás. Sua resistência física era intimidante: ele era intimidante. Como pôde esquecê-lo? Só tinha recordado sua consideração, sua paixão, os tenros cuidados que tinha dado, mas ele não usou nenhuma arma mais que suas mãos para matar a um guarda. Enquanto que tinha recordado sua habilidade letal e planejado usá-la em seu próprio benefício, tinha esquecido de alguma forma que era uma parte importante dele, não só uma qualidade que pudesse chamar quando o necessitasse e guardá-la em uma esquina quando a necessidade tivesse terminado. Teria que tratar com esta parte dele de forma habitual e aceitar o homem que era. Não era, e nunca seria, um gato doméstico da casa.
Gostava de gatos, mas se deu conta que não queria que ele fosse um.
Sentiu outra sacudida, esta vez de seu auto descobrimento. Precisava estar segura agora, pelo bebê, mas não queria ser mimada e protegida em forma permanente. O penoso incidente em Benghazi tinha ensinado que era mais forte e mais competente do que nunca tinha imaginado, em formas que não tinha dado conta. Seu pai teria dado seu consentimento se tivesse se casado com algum promissor futuro embaixador, mas isso não era o que ela queria. Queria um pouco de selvageria em sua vida, e Edward Cullen era isso. Apesar desse exasperante controle dele, ele era feroz e indomável. Não tinha uma pequena parte de selvageria; tinha todo um núcleo.
A tensão entre eles a colocava nervosa. Tinha sonhado que ele a encontrava e a envolvia em seus braços, de cair neles, e quando tinha aberto a porta tinha esperado, como uma idiota, que o sonho fora representado. A realidade era muito mais complicada que os sonhos.
A verdade era que conheceram um ao outro por quase um total de vinte e quatro horas, e a maior parte dessas horas tinham transcorrido faz dois meses atrás. Nessas horas fizeram amor com uma paixão aberta e avassaladora, e a tinha deixado grávida, mas a quantidade de tempo permaneceu igual.
Possivelmente ele se envolveu com alguém mais, mas um sentido de responsabilidade o tinha impelido a localizá-la e averiguar se seus atos tinham tido conseqüências. Ele faria isso, pensou ela; daria as costas a uma namorada, possivelmente inclusive a uma noiva, para assumir a responsabilidade por seu filho.
De novo, estava chocando-se com uma muralha de tijolos da ignorância; não sabia nada sobre sua vida pessoal. Se tivesse sabido algo de sua família, de onde era, teria podido encontrá-lo. Em vez disso, ele devia pensar que não teria preocupado-se o bastante para perguntar sequer sobre sua condição, para averiguar se tinha sobrevivido ou estava morto.
Agora, ele retornava ao Carro, com seu caminhar tão suave e naturalmente capitalista como recordava, o andar silencioso de um predador. Seu rosto era tão impassível como antes, desafiando seus esforços para ler a expressão.
Abriu a porta e se deslizou atrás do volante.
— O transporte estará aqui em uns poucos minutos.
Ela assentiu com a cabeça, mas sua mente ainda estava ocupada com seu enredo pessoal, antes que perdesse os nervos, ela disse com calma:
— Tentei te encontrar, levaram-me de volta a Atenas imediatamente, enquanto ainda estava na sala de cirurgia. Tentei me pôr em contato contigo, averiguar se ainda estava com vida, como estava passando, em que hospital estava... algo. Meu pai pediu ao almirante Lindley que bloqueasse todas as pesquisas que eu fizesse. Ele me disse que estava se recuperando, mas isso foi tudo o que pude averiguar.
— Tampouco obtive muito. Tentei te chamar na embaixada umas semanas depois da missão. A chamada foi enviada a seu pai.
— Não me contou que tinha chamado —disse ela, sentindo a familiar ira e dor em seu interior. Desde que a tinham forçado a sair de Montgomery, estas tinham sido suas duas principais emoções. Assim tinha tratado de contatá-la. Seu coração se elevou um pouco. — Depois de que retornei a casa, tratei de te encontrar, mas a Armada não me pôde dizer nada.
— A unidade de anti-terrorismo é classificada —seu tom era ausente; estava olhando pelos espelhos como outro carro conduzia com lentidão e os passava, procurando uma vaga vazia.
Ela ficou sentada em silêncio, com os nervos tremendo, até que o carro desapareceu pela rampa do seguinte nível.
— Sinto muito —disse ela, depois de vários minutos de silêncio. — Sei que isto é muito para cair assim em cima de você de uma vez só.
Ele deu um olhar impossível de ler, com seus olhos muito claros e verdes.
— Não estaria aqui se não quisesse estar.
— Tem namorada?
Desta vez o olhar que lhe deu foi tão longo que ela ruborizou e concentrou sua atenção em suas mãos, que estavam retorcendo sobre sua saia.
— Se tivesse, não teríamos feito amor —disse ele finalmente.
OH, céus. Ela mordeu o lábio. Isto esta indo de mal a pior. Ele estava ficando mais e mais distante, como se o fugaz momento da silenciosa comunicação entre eles quando a pediu em casamento nunca tivesse existido. Seu estômago se apertou, e de repente a familiar sensação de estar muito quente a envolveu.
Tragou com dificuldade, rogando para que a náusea que se confinou às manhãs não fosse fazer uma inesperada aparição. Um segundo mais tarde, estava saindo do automóvel e procurando freneticamente nos arredores um banheiro. Deus tinham banheiros nos edifícios, certo?
— Bella! —Edward saiu do carro, caminhando para ela, com seu rosto alerta. Ela teve a impressão de que ele tinha a intenção de detê-la, entretanto, ela não tinha escolhido uma direção a qual correr.
As escadas? O elevador? Ela pensou nas pessoas que os usaria e descartou ambas as opções. O lugar mais sensato era justo aí, no concreto, e todo o meticuloso nela se rebelou ante a idéia. Entretanto, seu estômago tinha outras idéias, e apertou a boca com uma mão já desesperada justo quando Edward a alcançou.
Aqueles agudos e claros olhos se suavizaram com a compreensão.
— Aqui —disse ele, rodeando-a com um braço para lhe dar apoio.
As barreiras externas do estacionamento eram muros de concreto na altura do quadril, e aí foi onde a guiou rapidamente. Ela resistiu por um momento, horrorizada pela possibilidade de vomitar sobre um crédulo pedestre mais abaixo, mas ele a sujeitou de forma inexorável, e seu estômago não pôde resistir mais. Sustentou-a enquanto se inclinava sobre o muro e indefesa se rendia ao espasmo da nauseia.
Estava tremendo quando terminou. O único consolo que pôde encontrar foi que, quando abriu os olhos, viu que não haviam três pisos mais abaixo, a não ser um beco. Edward a sustentou, inclinando-a contra seu corpo enquanto secava o suor de sua testa com um lenço, logo o passou para que ela pudesse limpá-la boca. Sentia-se quente pela humilhação. Os estritos ensinos de sua escola na Suíça não haviam ensinado o que tinha que fazer uma dama depois de vomitar em público.
E então se deu conta que estava cantarolando, sua profunda voz era quase um murmúrio inaudível enquanto roçava os lábios contra suas têmporas e seu cabelo. Uma forte mão se estendeu sobre seu ventre, percorrendo a de quadril a quadril, que guardava seu filho. Seus joelhos pareciam de gelatina, assim continuou apoiando-se contra ele, deixando que sua cabeça caísse na curva de seu ombro.
— Fique tranqüila, querida —sussurrou ele, pressionado de novo seus lábios em suas têmporas. — Pode retornar ao carro ou prefere que te leve?
Não pôde pôr seus pensamentos em ordem o suficiente para dar uma resposta coerente. Depois de não mais que um segundo, ele pensou evidentemente que tinha dado bastante tempo para decidir, assim tomou a decisão por ela ao levantá-la em seus braços. Com umas rápidas passadas chegaram ao carro. Ele se inclinou e a pôs com cuidado no assento, levantando suas pernas no carro e arrumando a saia sobre elas.
— Quer algo de beber? Um refrigerante?
Algo frio e ácido soava maravilhoso.
— Sem cafeína — ela as arrumou para dizer.
— Não estará fora de minha vista por mais de vinte segundos, mas fique alerta com os carros que passam, e toca a buzina se algo te assustar.
Ela assentiu com a cabeça e ele fechou a porta com segurança, deixando-a encerrada dentro de um casulo de silêncio. Preferia o ar fresco, mas compreendeu ele por que não devia estar parada fora do carro, exposta para que a vissem... e ser um objetivo fácil. Inclinou a cabeça contra o respaldo e fechou os olhos. A nauseia se foi tão rapidamente como tinha chegado, embora seu interior ainda se sentia como gelatina. Estava débil, e sonolenta, e um pouco perplexa pela repentina ternura de Edward.
Embora não deveria estar surpreendida, pensou ela. Estava grávida de seu filho, e a possibilidade do que tinha levado a procurá-la. Logo que ele se deu conta de que estava com nauseia, uma condição diretamente relacionada a seu estado, por assim dizê-lo, tinha mostrado nada mais que uma tenra preocupação e demonstrando uma vez mais sua habilidade para tomar rápidas decisões em situações urgentes.
Assustou-se quando ele deu uns golpezinhos na janela, porque em seu sonolento estado não pensou que fosse demorar tão pouco tempo em cumprir sua missão. Mas uma lata verde, fria com um sonho, estava em sua mão, e de repente quis beber ferozmente essa bebida. Tirou a trava da porta e arrebatou a lata de suas mãos antes que pudesse deslizar-se no assento. Ela já a tinha aberto e estava bebendo com avidez quando ele fechou a porta.
Quando a lata estava vazia, ela se inclinou para trás com um suspiro de satisfação. Escutou uma risada baixa e tensa e girou a cabeça para encontrar Edward olhando-a com diversão e com uma mescla de algo quente e indômito em seu olhar.
— É a primeira vez que vejo uma mulher beber um refrigerante de um jeito que me deixou ereto. Quer outra? Tratarei de me controlar, mas uma segunda poderia ser mais do que posso suportar.
Bella abriu os olhos. Um rubor esquentou suas bochechas, mas não a deteve de olhar o colo de Edward. Ele estava dizendo a verdade. Por Deus, estava dizendo a verdade! Apertou sua mão com a repentina necessidade de estendê-la e alcançá-lo.
— Não tenho sede agora —disse ela, sua voz era mais rouca do normal. — Mas estou disposta a ir por uma segunda se você o estiver.
A diversão desapareceu de seus olhos, deixando só o calor detrás. Ele estava estendendo sua mão para ela quando sua cabeça se moveu de repente, com a atenção posta em um veículo que se aproximava.
— Aqui está nosso transporte —disse ele, e uma vez mais sua voz era fria e sem emoção.
