Capítulo 10

Isabella

Meus olhos pesavam, mas minha vontade de abri-los era mais forte. Eu tinha que sair do banheiro e me vestir.

Uma mão gelada passou pela minha testa e eu me arrepiei com o contato. Abri meus olhos rapidamente e me surpreendi de já estar vestida com um pijama quente, em cima da minha cama, que possuía lençóis novos, ao lado de Jasper.

Um raio riscou o céu. Eu me mexi um pouco e senti meu corpo dolorido. Eu não fui a única a sentir.

- Você desmaiou.

Os olhos dourados me fitavam com cuidado. Engoli em seco e fechei os olhos, virando-me para o lado oposto da cama e encolhendo-me, para tentar dormir, mesmo tendo consciência de que tal gesto seria inútil.

- Isabella?

Eu não respondi. O vampiro contornou a cama e me olhou intensamente.

- Temos que conversar sobre o que acabou de acontecer.

Não consegui responder de imediato. Eu sabia perfeitamente o que tinha acontecido. Eu havia transado com meu cunhado, e gostado disso. Meu namorado confiou plenamente em mim, e em Jasper. Mas parecia que sua preocupação era outra. Decidi não responder e esperar as instruções do vampiro. Jasper se remexeu na cama.

- Edward estará aqui amanhã depois do almoço. Eu preciso estar aqui também. Por sorte, ele não escuta seus pensamentos. Troquei seus lençóis e seu pijama.

Eu escutava cada palavra de Jasper, tentando raciocinar sobre o que o vampiro queria de mim. O que o vampiro queria mais de mim.

- Eu vou queimar isso aqui.

Jasper mostrou uma trouxa de roupa e eu apenas assenti, voltando a me encolher e puxando o cobertor para o corpo. Até o cobertor Jasper havia trocado. Esse era um preto que estava na minha cama, antes de me mudar para Forks.

Fechei meus olhos quando imagens da minha vinda assaltaram minha mente. Como eu tinha conhecido Edward, como ele havia me salvado do acidente no estacionamento da escola. A primeira visita na casa dos Cullen. Alice...

Deus! Alice! Como eu ia olhar para a vampira novamente? Eu nunca mais iria voltar para aquela casa. Uma idéia tola de ligar para minha mãe e pedir para voltar a morar com ela surgiu na minha cabeça, mas foi cortada quando senti uma mão pegar meu queixo e forçar meu rosto a se levantar.

- Isabella, você me ouviu?

Assenti para o vampiro. Por sorte Edward não conseguia ler meus pensamentos. Mas e Jasper?

- Como vai fazer para esconder isso?

Perguntei curiosa e Jasper olhou para a janela. Um raio riscou o céu e eu vi seus olhos pensativos, mas não consegui identificar nenhum vislumbre de arrependimento do que ele havia feito. Jasper estava apenas de calça jeans, sua blusa ainda estava jogada no chão, junto com seus tênis.

- Eu treino isso há anos, Isabella. Edward só consegue escutar o que eu quero. Creio que será fácil esquecer o que se passou aqui.

Senti-me ofendida. Eu realmente era uma humana tola, Jasper tinha acabado de tirar minha virgindade e eu me preocupava com o que eu ia fazer no futuro, enquanto o vampiro jogava na minha cara que aquilo seria uma coisa fácil de esquecer. Surpreendi-me quando lágrimas grossas correram pelas minhas bochechas. Eu estava chorando e até então não tinha percebido isso. Funguei e voltei a me deitar na cama, ficando de costas para Jasper. Fechei os olhos.

Uma mão gelada passou pelo meu ombro e eu enrijeci. Jasper fez um pouco de força para eu me virar, mas eu apenas me desvencilhei do seu toque.

- Me deixa em paz, Jasper. Não me machuque mais.

Ondas de remorso passaram pelo quarto. Ondas que eu sabia que não era eu que projetava. Mas na mesma rapidez que as ondas surgiram, elas foram embora. Eu fechei os olhos e continuei esperando o sono vir. Meu corpo estava cansado e eu sabia que teria Jasper ao meu lado até no dia seguinte.

O colchão se afundou e eu abri os olhos, franzindo o cenho. Jasper se deitava ao meu lado, seus olhos agora dourados me fitando com intensidade. Eu não quebrei o contato do olhar. Seus dedos passaram pelo meu rosto, limpando minhas lágrimas.

- Vai dar tudo certo, Isabella. Apenas siga a vida como se nada tivesse acontecido.

No momento que suas palavras atingiram minha consciência. O choro se intensificou. Eu não conseguia conter as lágrimas que caíam dos meus olhos, ensopando o travesseiro. Jasper me olhava como se não entendesse o motivo da tristeza. Eu travei meu maxilar.

- Jasper, você tira minha virgindade, transa com a namorada do seu irmão, trai sua esposa e pede para eu esquecer? Se você é um ser que consegue esquecer fácil o que faz, eu não sou.

Ele sentiu o tom irônico nas minhas palavras. Os olhos de Jasper passaram de dourados para negros em dois segundos. Ele pegou meu rosto com as mãos fortemente. Mas minha raiva era compatível com a raiva dele, eu não tive medo, e tinha certeza de que o vampiro poderia sentir isso.

- Não meta meu passado no meio do presente, Isabella, ou vai se arrepender.

Eu travei ainda mais meu maxilar e aproximei meu rosto do dele, fazendo-o se sobressaltar milimetricamente.

- Há coisas que já me arrependo de ter feito, uma a mais não vai acabar com minha vida.

O aperto diminuiu. Jasper olhava para mim, seus olhos passavam raiva, mas depois o sentimento foi diminuindo e ele apenas me olhava com olhos vazios. Eu não quebrava o contato, minhas lágrimas já tinham secado. De repente o vampiro se aproximou milimetricamente do meu rosto, seus lábios separados e sua respiração gelada e com cheiro de hortelã batendo na minha pele. Minha boca se encheu de água e meu corpo foi atraído automaticamente. Eu fechei os olhos, apertando-os e tentando me concentrar.

Ao julgar pelo frio, eu sabia que Jasper não tinha se afastado. Meu corpo pedia por mais dele, como se fosse projetado para sentir isso toda vez que o vampiro se aproximasse de mim, e eu quase voltei a chorar. Abri meus olhos lentamente e cuidadosamente. Jasper me olhava com olhos cúmplices. Ele estava passando pelo mesmo momento que eu, só que sua reação era outra.

Eu estava arrependida e queria morrer.

Ele estava arrependido e queria fazer de novo.

No momento que a conclusão entrou na minha mente, Jasper acabou com o espaço entre nós e me beijou com ternura. Os lábios eram gelados, mas passavam um fogo incomparável para meu corpo. Eu fiquei estática, repreendendo-me e me odiando por não conseguir quebrar o contato.

Ele passou a língua pelo meu lábio inferior e eu gemi. Minhas mãos agarraram seu cabelo sedoso e loiro, puxando-o para mim. Sua língua entrou na minha boca e nós dois começamos novamente um beijo que eu sabia onde iria parar.

Mas eu não queria fazer de novo. Eu não podia fazer de novo.

- Jasper...

Ele agora passava suas mãos fortes pela minha cintura, levantando meu pijama e subindo para onde era seu objetivo. O dedo de Jasper acariciou meu mamilo, que respondeu ao toque no mesmo momento. Eu mordi meu lábio, causando-me dor, e olhei para o vampiro, que sorria maliciosamente, fazendo aparecer as covinhas que eu descobri que apreciava muito.

- Você não quer que eu pare... Isabella.

Meu nome saiu de forma lasciva da boca dele. Eu não queria que ele parasse, e queria ao mesmo tempo. Peguei os pulsos frios de Jasper e fiz força para ele parar. O vampiro me olhou e entendeu o recado no mesmo momento. Tirando as mãos de dentro do meu pijama e afastando seu rosto do meu. Parte do meu corpo protestou.

- Jasper, você é casado, e eu namoro seu irmão. Não piore e desgrace ainda mais a situação.

Ele sorriu, se aproximou e chupou meu lábio inferior. Meu corpo inteiro se arrepiou e eu senti minha calcinha úmida.

- Você é um desperdício.

Engoli em seco e continuei a fitar meu cunhado. Se Jasper não se afastasse de mim, eu não resistiria e desistiria da idéia de não piorar as coisas. Ele podia sentir isso, mas finalmente e pela primeira vez na noite, Jasper não me contrariou. Ele passou as mãos nos meus cabelos, me dando um beijo rápido. Eu lambi os lábios e senti o gosto de hortelã.

- Boa noite, Isabella.

Não tive tempo de responder. Uma onda de sono e letargia tomou conta do meu corpo e eu fechei os olhos, entrando na inconsciência no mesmo momento.


Jasper

Olhava para a janela. A claridade penetrava pelas cortinas, fazendo o quarto ficar mais visível. Meus pensamentos vagavam por todos os cantos do mundo. O que eu havia feito com a garota que agora dormia pesadamente na cama diante de mim não tinha sido algo simples. Eu havia tirado a virgindade da namorada do meu irmão, e traído Alice. O monstro dentro de mim, que eu havia enterrado há anos, tinha voltado de uma vez só, e feito um estrago que eu nunca poderia consertar.

E pensando seriamente no assunto, me peguei surpreso quando percebi que não havia me arrependido de ter feito nada.

Por mais que eu pensasse no assunto, a experiência de ter transado com Isabella, uma humana, foi surreal demais para não ter gostado. E se a garota não tivesse me parado de madrugada, eu ainda estaria dentro dela, fazendo-a gemer meu nome alto para toda Forks escutar.

Minha calça me incomodou e eu me levantei, passando as mãos pelos cabelos e pensando no que eu deveria fazer depois de tudo. Edward nunca saberia disso, os pensamentos de Isabella eram protegidos e eu tinha certeza de que a humana não iria contar para ele. Alice veria?

Foi algo automático e de momento. Algo repentino. Ela não deve ter conseguido ver. As visões da minha esposa felizmente eram limitadas. Claro que se eu pensasse em transar com Isabella de novo ela iria saber.

Esse era o problema.

Eu havia falado com a garota que o que tinha acontecido nesse quarto seria algo fácil de esquecer. Eu estava errado. Minha mente só era preenchida com os gemidos de prazer de Isabella e de imagens do seu corpo se contorcendo em cima do meu, seus mamilos endurecidos...

Eu teria que ter cuidado demais quando encontrasse Edward, e cuidado demais para não pensar em fazer isso com a humana novamente, se eu quisesse que Alice continuasse cega de tudo.

Era isso. Meu plano estava traçado quando escutei a porta do quarto do pai de Isabella ranger. Eu ficaria em Forks e de qualquer jeito, apagaria essa noite da minha vida.

Passos saíram para o corredor e eu rapidamente pulei pela janela, para empoleirar na árvore e sair da visão do chefe Swan. Isabella ainda dormia tranquilamente, seu pai abriu a porta e olhou a imagem da filha descansando. Para ele foi o suficiente. Fechou a porta e eu deslizei para dentro do quarto novamente.

Esperei pacientemente o barulho da viatura sumir e olhei novamente para a garota que agora ressonava na cama. Isabella estava encolhida, puxava os cobertores para os seios, tampando uma visão que eu agradeceria se ela não tampasse. Uma perna sua estava para fora dos cobertores, por cima. Os cabelos espalhados pelo travesseiro branco e a boca parcialmente aberta.

Meu corpo parecia ser puxado por uma energia que estava envolta da garota. Aproximei-me de Isabella e ela não acordou. Meus olhos correram por seu corpo e minha mão passou pela perna, sentindo a maciez da pele, e o calor que eu havia gostado tanto.

Tirei as mechas de cabelo do rosto da menina e meus dedos agora passaram pela sua bochecha, fazendo-a se arrepiar. Isabella gemeu e se remexeu. Minha boca se encheu de veneno e eu engoli, pensando seriamente em deixar a garota por uma hora e ir caçar. Mas era arriscado demais deixar ela ali. E se Edward chegasse?

Isabella estava de férias e poderia dormir até a hora que quisesse. Mas eu estava com tédio. Então me aproximei da garota e comecei a passar meu nariz pelo seu rosto, depositando beijos e soprando na sua orelha.

Ela começou a se mexer. Eu continuei a fazer meu trabalho e Isabella agora despertava aos poucos, xingando baixinho. Seus olhos castanhos e intensos se abriram e pararam no meu rosto. Ela se sobressaltou e se sentou na cama rapidamente, colocando a mão na cabeça e fechando os olhos. Parecia tonta.

- Jasper, mas que merda! Por que fez isso?

Uma pergunta inteligente e que eu não responderia.

- Não sei. Você dorme demais, é tedioso ficar te olhando.

Ela fez uma careta.

- Não era esse o objetivo? Você me fazer dormir?

Eu ri das palavras de Isabella e ela se levantou da cama. A pele arrepiada e os seios sentindo as conseqüências da falta do cobertor. Tentei desvencilhar meus olhos do seu corpo, olhei para seu rosto.

- Acho que não fizemos muita coisa do que combinamos com Edward.

Eu atingi a humana no seu ponto fraco. Ondas de vergonha e arrependimento chegaram aos meus sentidos e ela agora pegava uma bolsinha e saía do quarto, caminhando em direção ao banheiro.

Eu esperei Isabella saciar suas necessidades humanas pacientemente. A menina voltou poucos minutos depois e olhou para mim.

- Que horas são?

Eu me levantei da poltrona e caminhei em direção à humana.

- Nove da manhã.

Ela correu seus olhos pelo meu corpo, que ainda estava nu e procurou pela minha blusa, que estava no mesmo lugar da noite anterior. Pegou a peça de roupa e jogou para mim. Já estava seca.

- Se vista, Jasper.

Eu sorri e coloquei a blusa, calçando meu tênis. Isabella saiu do quarto e eu revirei os olhos, saindo do cômodo também e seguindo o rastro de cheiro que ela havia deixado.


Isabella

Desci as escadas rapidamente. Meu estômago roncava e daqui algumas horas, Edward estaria na minha casa. Eu precisava preparar meu corpo e minha mente para encarar meu namorado novamente depois do que eu havia feito.

Consegui sentir a presença de Jasper na entrada da cozinha. Ignorei-o. Peguei alguns pães e coloquei na torradeira enquanto fazia o café. Olhei para a janela da cozinha e percebi que a viatura de Charlie não estava mais na garagem. Eu gostava de férias, mas depois do que eu havia passado na minha, já estava mudando de idéia e rezando para que minhas aulas começassem logo.

O barulho da torradeira me tirou dos meus pensamentos e eu olhei para os pães, pegando-os e passando um pouco de geléia por cima. Coloquei no prato e enchi uma caneca de café. Caminhei até a mesa e me sentei, comendo de olhos baixos.

Jasper se sentou ao meu lado. Eu olhei para o vampiro e ele fazia uma careta.

- O que foi?

Jasper olhava para o pão. Deu de ombros e começou a tamborilar na mesa.

- Sua comida fede.

Eu nem tentei responder. Comida por comida, eu preferia a minha. Apenas o cheiro de sangue me deixava enojada, não queria nem pensar no gosto. A cozinha estava silenciosa. Eu não queria conversar com Jasper. Se pudesse decidir, eu nunca mais o encontraria. Eu faria de tudo para nunca mais visitar a casa dos Cullen.

Eu sabia que quando as aulas começassem Jasper não estaria mais na escola. Mas eu teria que lidar com Alice todos os dias. Minha sorte era que eu nunca pensaria em nada relacionado ao seu marido para ela ter alguma visão de nós dois. Eu contava que Jasper fizesse o mesmo.

De repente o vampiro saiu da cadeira e se postou perto da pia, de braços cruzados, ele estava rígido e ereto. Eu engoli o pão e me engasguei quando o som da campainha preencheu a casa. Era ele. Eu tinha certeza disso.

Dei um rápido olhar para Jasper e o vampiro mexeu milimetricamente a cabeça, dando o aval de que seus pensamentos estavam seguros. Eu saí da cadeira e me dirigi para a porta. A abri e Edward me fitou com olhos totalmente dourados, um sorriso torto no rosto. De felicidade, e alívio. Sua namorada enfim estava viva. E ele alimentado.

Agora tudo voltaria ao normal.

Em parte.

Jasper pigarreou para nós dois e Edward mexeu a cabeça.

- Obrigado, Jasper.

Ele sorriu para o irmão e acenou com a cabeça.

- Às ordens.

Edward pegou minha mão e eu me lembrei de controlar meus nervos. Mãos tremendo não seriam algo normal e agradável aos olhos dele. Jasper olhou para mim e acenou com a cabeça.

- Vejo vocês depois.

E saiu, rapidamente, deixando um rastro de cheiro de hortelã no ar e fazendo minha boca se encher de água. Agradeci mentalmente meu escudo particular contra o dom de Edward. O vampiro olhou para mim e sorriu.

- Sentiu minha falta?

Eu sorri amarelo para ele, fazendo força para não chorar ao pensar na noite anterior. Engoli em seco e decidi que tentaria viver minha vida normalmente.

- Você não sabe o quanto.

Assim, subimos para o quarto.