Cap. 11 : Baile Com Altos e Baixos
Disclaimer: Nada deste mundo da fic, é meu! Só da J.K. Rowling!! (Lua à parte )
Na hora em que isto aconteceu, As Esquisitonas estavam mudando de uma música para a outra, então coincidentemente, o silêncio delas, fez com que o falatório se avolumasse. Remo que continuava falando para eu soltar o copo, virou-se e também deixou o queixo cair livremente. Eu realmente pensei na possibilidade do firewhisky já estar fazendo efeito em mim, mas a reação de todos fez com que eu descartasse essa possibilidade. Pisquei várias vezes. Não era miragem. Era isso mesmo.
Lua McMoony era NO MÍNIMO a mulher mais linda daquele baile e se aproximava calmamente em minha direção, com seu sorriso avoado no rosto.
Eu me lembro de ter ouvido o Remo balbuciar algo do meu lado do tipo: "Ahá! Te peguei mocinha, solte isso agora porque... que? Como?... McMoony...bonita...nossa...quê?Lílian...não beba porque...como..." e mais um montão de coisas incompreensíveis. Eu também piscava muito, e engoli em seco umas quinhentas vezes.
Lua se aproximava com seu vestido azul-marinho, que se ajustava muito bem às curvas de seu corpo, seus olhos estavam muito destacados e brilhavam mais que qualquer pingente de gelo presente, e seu cabelo tinha algumas mechas presas numa presilha, mas a maioria deste estava solto, muito liso porem com algumas ondulações nas pontas. Seus brincos eram prateados e pequenos pareciam ter sido feitos com diamantes e ela tinha alguns anéis(também prateados) nos dedos. As pessoas aos poucos foram aumentando os comentários, só que agora era mais abafado pela música das Esquisitonas.
A medida que elas arrastavam os olhos para Lua, arrastavam para mim e Remo também pois ela vinha em nossa direção. Assim que ficou bem próxima de nós, sorriu sonhadoramente, olhou ao redor na decoração do local e disse:
- Pingentes dançantes da Noruega...eletrizante!...
Sim, haveria uma chance de eu ir dormir sem essa. Eu balancei a cabeça fortemente e quando eu ia virar meu copo de firewhisky (olhem bem, eu tinha MAIS um motivo para me embebedar), Remo acordou do devaneio provocado pela Lua, e tomou meu copo no ar, me impedindo de beber.
- Não senhorita, você não está louca de beber isso!- acrescentou ele, enquanto colocava o copo na bandeja de um garçom que ia passando.
Eu bufei e na mesma hora Alice apareceu com Frank agarrado à ela.
- Luaaaaaaaaaaaaaaaa, você ta lindaaaaaaaaaaaaaaa!!! – quase gritou ela, abraçando Lua que parecia não entender bem a situação.
- Er... obrigada... você já reparou nos pingentes dançantes da Noruega?!- perguntou, como se fosse algo muito mais interessante que a sua transformação.
Alice me encarou e eu dei de ombros. Frank encarava a loira boquiaberto. Com aquela atitude eu notei que o olhar de cobiça não vinha só dele. Todos os homens presentes naquele local a olhavam de forma admirada. Alguns (sem-vergonhas) olhavam com suas taradices estampadas nas caras. E outros (mais decentes) encaravam como se esperassem uma brecha para se aproximar da loira.
- Você nem me deixou arruma-la Lua e eu devo admitir que fiquei um pouco triste,mas veja só!!- tagarelava Alice girando a amiga pela mão.- Você está melhor que a Lilly!!!
- Ei!!!!- acrescentei na mesma hora. Não que eu me importasse com aquilo, mas comparação, também já era humilhar demais.
Alice não deu importância para minha chamada e continuou a tagarelar com Lua. Frank agora comentava baixinho com Remo a recente transformação da loira. Eu vi que não me davam atenção e procurei com o olhar meu alvo. Achei. Me abaixei aos poucos para que os outros não percebessem e comecei a andar vagarosamente em direção a ele.
Fui chegando perto e cada vez mais perto e então, quando eu estava para pegar meu lindo copinho de firewhisky, uma mão quente apertou a minha e eu tomei um susto me virando rapidamente. Era quem?
Tá, dessa vez vocês adivinham certo.
- Eu não quero sair com uma alcoólica, obrigado.- disse Potter, me encarando firmemente nos olhos, com seu sorriso Maroto nos lábios.
Eu senti meu coração pulsar mais forte. Quero dizer, ele tinha todas as horas do mundo para chegar e resolveu chegar justamente no momento em que eu estava agachada atrás do garçom, preparando para atacar, como o Baltazar espiava sua presa!! Fiquei com raiva do Potter por causa disso (não que isso fosse um motivo muito bom), e me ergui, apanhei o copo decidida e virei de um vez só.
Não pude evitar a careta do ardor. Senti minha língua implorar por perdão e minha garganta gritar de ódio, mas eu não pude evitar. Aquela cara do Potter como se nada tivesse acontecido estava me irritando mais que tudo. Depois que devolvi o copo vazio na bandeja do garçom que ainda estava de costas, o encarei fundo nos olhos e pela primeira vez na noite senti o salão inteiro rodar.
Mas fora rapidamente, então logo me recompus, quase não demonstrando sinal de nada.
- Eu acho que eu não tenho que me preocupar com o que você quer ou não, não é?- perguntei, vendo Potter cruzar os braços, porém ainda divertido.
Descrição rápida do Potter:
Ele estava divino naquele smoking e não era efeito da bebida! Pela primeira vez na vida o vi com um traje completo e realmente estava perfeito. Sapatos lustrados, calça social, camisa branca, smoking e tudo certinho. Mas chegava no rosto eu identifiquei duas coisas. Primeira: o cabelo deve continuava o mesmo bagunçado de sempre e eu rosnei por isso. Segundo: Potter estava usando óculos. Eu não agüentei e ri abertamente depois dessa.
Nesta hora, ele me encarou com os olhos estreitos e continuou assim por um bom tempo. As pessoas que estavam perto olharam e começaram a reparar nisso também. Algumas riam (garotos), outras davam risadinhas e suspiravam (garotas). Ele rolou os olhos e me puxou pelo cotovelo até um canto mais afastado. Eu ainda ria freneticamente.
- Tá bom, pode ir parando Evans, eu coloquei óculos mesmo, e daí?- indagou ele, parecendo realmente irritado.
Aquilo me divertiu mais ainda.
Gargalhei segurando fortemente minha barriga e aí percebi que havia algo errado. Eu ria e respirava com força mas o ar não vinha. Eu ria novamente e respirava e o ar não vinha. Comecei a me desesperar e meu sorriso sumiu do rosto. Segurei minha barriga com força e comecei a sentir minha cabeça doer, minhas mãos suarem e minhas pernas tremerem. Eu tentava a todo custo respirar mas não conseguia.
- Lílian... você está bem?...- perguntava Tiago, se aproximando hesitante de mim.
Eu o olhei nos olhos e vi que ele tinha um semblante muito preocupado.
- Eu... eu... – tentei responder, porém, na mesma hora, tudo ficou escuro.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Senti que eu estava deitada em cima de algo muito confortável e cheiroso demais para eu sair de cima. Não quis abrir os olhos então fiquei muito tempo ainda, deitada apenas me ajeitando um pouco por cima desse "algo" e suspirando fortemente.
Até que comecei a ouvir um barulho um pouco estranho. Era algo como tambores. Eu franzi o cenho, ainda com os olhos fechados tentando desvendar que barulho seria aquele. Finalmente eu percebi que era baixo demais para ser tambor. Prestei mais atenção e vi que o barulho vinha apenas de um dos meus ouvidos (o que estava encostado na tal coisa) e não do outro. Com mais um pouquinho de atenção vi que era o barulho de um coração, não de tambores. E com mais um pouquinho de escândalo, eu arregalei os olhos, pulei e berrei de susto.
Eu estava deitada em nada mais nada menos que Tiago Potter.
Quando ele me viu levantar e berrar de susto, apenas girou os olhos e tomou mais um gole de sua cerveja amanteigada.
Deixe-me explicar a situação.
Ele estava sentado no chão de algum corredor que iria dar no Salão Principal (dava pra saber pelo barulho da festa que estava próximo), que estava vazio e escuro (exceto pela luz da lua que vinha pelas janelas de vidro), o smoking estava jogado a um canto, estava apenas com a camisa branca e a calça preta, os cabelos mais bagunçados impossíveis e os óculos tortos.
Meus pensamentos voavam no que poderia ter acontecido e eu estaquei em um horroroso.
E se tivesse acontecido... algo?
Quero dizer, a pose dele era bem sugestiva.
Eu entrei em pânico, e arregalei os olhos começando a andar para trás até encostar na parede, em desespero.
- Posso saber pra quê esse pânico todo?- perguntou ele displicentemente, colocando a mão no bolso e tirando aquele pomo chato deste e começando a brincar com ele.
Eu olhei de um lado para o outro, depois olhei para baixo.
Oh Meu Merlin, meu vestido estava frouxo!!!!
Eu gritei na mesma hora.
- AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!- eu gritava com força e o barulho saía fino e eu não sei como não furou os tímpanos do Potter.
Ele arregalou os olhos e se levantou.
- Aconteceu alguma coisa?! Você ta sentindo algo?! – perguntava gritando, já que meus gritos abafavam sua voz.
Eu me afastei dele ainda gritando. Potter parecia que a qualquer momento ia entrar em pânico, passou a mão pelos cabelos nervosamente e falava com o pomo irritante ainda querendo brincar com ele, batendo em sua cabeça:
- Pelo amor de Merlin, pare de gritar e me diga o que está acontecendo!!!
Mas eu não cedia. Eu estava determinada a gritar até meu pânico se esvair da minha mente por tal pensamento horroroso. Continuei a gritar, até que Tiago não agüentou mais, e berrou com força:
- PARA DE GRITAR!!!!!!!
O que eu posso dizer desse grito?! Bem interessante... podemos dizer que eu encontrei alguém que tem o dom de gritar e que ainda se equipara comigo.
Chocante...
Eu arregalei os olhos, com medo, e me afastei novamente. Tiago tinha uma cara cansada, e arfava com força se recuperando do mega berro que acabara de dar. Tinha as mãos nos joelhos e ofegava olhando para o chão. O pomo cansou de insistir para brincar com ele e agora veio determinado na minha direção começando a bater de leve na minha cabeça depois dava uma volta pelo corredor, e em seguida voltava para bater de novo.
- O... que... aconteceu...?- perguntou ele entre sorvos de ar.
E depois ergueu os olhos para mim.
Eu ainda não tinha coragem de falar. O pomo, nesta hora, voltara e começara a bater na minha cabeça de novo. Ele se recuperou, se ergueu e voltou para seu smoking que estava no chão. Apanhou-o, pegou sua garrafa de cerveja amanteigada, colocou o smoking por cima do ombro e já ia saindo tranquilamente.
- Ei!!!- eu o chamei, e ele virou-se devagar.
- Diga.- respondeu, calmamente, porém, rouco.
Senti o pomo ainda batendo na minha cabeça e dei um tapão com força, começando a me irritar. Depois me aproximei, hesitante.
- Er... você pode me dizer se... se...- eu engoli em seco e parei a poucos metros de distância dele. – Se... se... aconteceu algo aqui... sabe? Comigo e... e... com... er... você...
Ele franziu a testa e deu de ombros, respondendo:
- Aconteceu, oras.
Eu arregalei os olhos de novo, meu coração voltando a disparar.
- Que... que... que tipo...de ... de coisa?- perguntei, esfregando uma mão na outra, nervosa.
Ele estranhou a pergunta e cruzou os braços, virando-se para mim. Ele ficou com um tempo pensando, enquanto o pomo ia até ele e batia na sua cabeça depois voltava e batia na minha. E ficou nessa brincadeira irritante.
- Um tipo de coisa meio... normal... que acontece quando uma pessoa está sufocada pelo espartilho.- respondeu, simplesmente, dando de ombros novamente, e tomando sua cerveja amanteigada novamente.
Olhei para meu vestido novamente e um alívio repentino veio. Mas não tomou conta de mim porque depois de um milésimo de segundo raciocinando isso não queria dizer nada.
- Sim, mas...- eu comecei a ficar estressada e meu rosto começou a ficar vermelho. Potter percebeu e ficou mais reto.- Que coisa normal aconteceu? Me explique Potter.
E cruzei os braços, esperando uma satisfação. Ele ergueu uma sobrancelha e falou, enquanto ao mesmo tempo procurava algo de errado no que havia acontecido.
- Bem... digamos que você começou a sufocar por causa do espartilho... e digamos que você desmaiou...- falou, e não achando nada de errado, continuou.- Depois você caiu por cima de mim e eu entrei em pânico... – eu senti um embrulho no estomago.- Aí eu ia te levando pra Ala Hospitalar até que você balbuciou que não queria ir pra Ala Hospitalar e que já estava bem... mas você não estava bem porque você ainda respirava com força... aí eu te trouxe pra cá e comecei a procurar qual seria o problema...
- Peraê, peraê,peraê!!!- eu falei, erguendo as mãos pedindo para ele parar. Respirei fundo. – Como assim você... procurou o problema?!- e estreitei os olhos, desconfiada.
Ele olhou ao redor e então arregalou-os parecendo que percebera qual era o motivo da minha desconfiança.
- Aaaaahhhhhh Evans...agora eu entendi...- falou, sorrindo, e depois começando a rir.
Eu continuei com os olhos estreitos e os braços cruzados. O pomo bateu com força na minha cabeça e eu rosnei dando um safanão nele e ele voou para longe.
- Bom, legal, eu sei que rir faz parte do seu espetáculo, mas será que dá pra me explicar o que aconteceu e com detalhes...por favor?!- eu "pedi" ainda muito desconfiada da resposta.
Ele respirou fundo e me encarou ainda sorrindo. Eu não sei o que deu no Potter mas vocês sabem que ele é um pouco... débil né? Só sei que ele ficou me encarando assim... com essa cara de leprechaun tapado por vários minutos. Eu já estava começando a ficar incomodada e comecei a olhar ao redor procurando no que fixar minha atenção, porque ele realmente estava me deixando sem graça. Até que ele acordou do tal "devaneio" e disse:
- Bem, para que fique tudo bem claro, eu não fiz esse...- e procurou a palavra que eu havia dito, no fundo da sua mente. – algo que você imagina que eu fiz...
Eu pigarreei mostrando que isso não havia me convencido. Ele tirou definitivamente o sorriso do rosto e falou de uma só vez:
- Ok, eu procurei o problema sim, mas procurei com você vestida, claro!- acrescentou, exasperando-se. – Vi se tinha algo sangrando ou coisa assim, aí vi que não tinha nada de errado, e percebi que tinha um nó muito forte no seu espartilho, daí o afrouxei com um toque de varinha e pronto, foi só isso!!!- terminou, já nervoso por estar tentando explicar algo realmente embaraçoso.
Eu fiquei um tempo pensando se eu deveria acreditar ou não. Mas pensando bem eu vi que parecia verdade já que o nó que Alice havia dado estava tão apertado quanto mão de duende de Gringotes. Observando meu silêncio, Tiago acrescentou:
- Bom, depois disso você desmaiou novamente em cima de mim e aí eu caí e ficamos uns vinte minutos aqui, eu estava morrendo de calor por isso tirei meu smoking!- e apontou para o smoking que estava em cima de seu ombro.
Corei extremamente nessa hora.
Quero dizer, eu não quero NEM imaginar a cena em que eu CAIO em cima do Potter e nele fico sem sair de cima. Corei mais ainda.
Limpei a garganta enquanto sentia o pomo voltando a bater na minha cabeça. Para nos distrair desse momento de embaraço, eu parei e comecei a encarar o pomo que batia alegremente ao meu lado. Ergui as sobrancelhas intrigada.
- Esse... esse... negócio... tem vida?- perguntei, apontando para ele como se estivesse com nojo.
Potter, que estava olhando para o chão, ergueu os olhos e viu que eu falava do seu pomo querido. Sorriu orgulhoso como um pai sorria para um filho e falou:
- Tem. Eu que dei vida à ele... – e ficou encarando seu pomo voar alegremente ao redor da minha cabeça (detalhe: esvoaçando meu cabelo e acabando com meu penteado que já estava acabado), com um sorriso bobo no rosto.
Eu bufei e rolei os olhos.
- Isso é magia complexa, como você conseguiu?- perguntei, realmente interessada, enquanto sentia alguns dos meus fios ruivos brincarem com a "bolinha voadora".
(Engraçado eu estar citando essa expressão. Foi a primeira que usei quando vi pela primeira vez um jogo de quadribol... me lembro que Alice estava com conjuntivite e eu tive que ficar narrando o jogo para ela... era algo mais ou menos assim : "Pronto, agora o de pernas bonitas tá passando a bolona vermelha pro de peitoral definido.. ah! O que foram esses gritos? Foi só a bolinha de metal que bateu na costela do dentuço... Eita, parece que o cabelo arrepiado achou a bolinha voadora!!" E é, o do cabelo arrepiado, era Tiago.)
- Você sabe doce Lilly...- dizia ele, enquanto se aproximava. Não sei porque eu engoli em seco.- Isso só levanta meu ego, e eu devo admitir...- parou a poucos centímetros de distância do meu rosto.- Que ele já é um pouquinho elevado demais...
- Pouquinho?- perguntei , dando um passo para trás, hesitante. Ele notou e abafou uma risadinha. – Seu ego é elevado até demais, Potter...
- Tiago. Por favor...- pediu ele daquele modo "tentando ser educado" sem sucesso, ficando mais próximo ainda. (Se possível).
Eu perdi o ar naquela hora e me perguntei seriamente se ele não havia apertado novamente meu espartilho sem eu perceber. Minha garganta ficou seca e Tiago parecia se divertir com a situação, pois seu olhar Maroto tomava conta do seu rosto. Tentei argumentar, tentei falar, tentei reclamar para ele se afastar de mim e que ele não tinha o direito de ficar numa proximidade tão grande assim e ia mandar ele tirar aquele pomo ridículo que voava agora com toda força ao redor das nossas cabeças. Por falar nesse objeto irritante, Tiago fez o favor de ainda olhando nos meus olhos, sem mover um fio de cabelo, apenas erguendo rapidamente a mão, apanhou o pomo com o reflexo mais veloz que eu já vira em toda minha vida. Por mais susto do que qualquer outra coisa, arregalei um pouco meus olhos e ele ergueu uma sobrancelha. Eu posso dizer que esse momento foi um dos mais críticos da noite já que estávamos tão próximos, nossos movimentos pareciam que imploravam por um atitude mais objetiva de ambas as partes. Eu até cheguei a sentir a mão dele na minha cintura, até cheguei a sentir sua respiração no meu pescoço... cheguei até a sentir os beijos que ele depositou por lá enquanto eu tive que me segurar com força na sua nuca para não cair porque minhas pernas tremiam demais para eu conseguir me sustentar... senti seus lábios percorrem o caminho lentamente que o levou até o lóbulo da minha orelha e o fez suspirar e senti também um arrepio que me fez fechar os olhos e esquecer qualquer coisa Dramblemática demais para estar presente na minha cabeça naquele momento...
Mas como nem tudo são meus lírios campestres...
Ouvimos um estrondo do nada que nos fez separar rapidamente e eu cheguei até a pular de susto. Ele também parecia atordoado com o barulho. Até que começamos a ouvir vários estrondos seguidos. Eu olhei para ele preocupada. Tiago apenas deu de ombros mas em seguida...
- Putz, eu disse para não começar sem mim!!!- exclamou passando a mão nervosamente pelos cabelos.
Eu estranhei franzindo o cenho. Ele notou minha cara e acrescentou, sem jeito:
- Então.. er... eu vou lá ver o que... esta acontecendo.. e você fica aqui... certo?...
Mas é claro que ele sabia a resposta... TANTO sabia que saiu correndo.
É, saiu. E me deixou depois de uma situação daquelas, sozinha, sem ninguém para me explicar o que diabos estava acontecendo. Fiquei estática por uns momentos mas depois, pernas pra que te quero e saí correndo atrás do infeliz.
Os estrondos vinham do Salão Principal e parecia que algo não estava certo. A música não era mais aquele rock animadinho das Esquisitonas, na realidade era algo estranho parecendo com bombos de algum tipo de seita. Meu coração disparou na segunda virada do corredor. E se fossem os tais comensais??
Notei também que um certo calor insuportável emanava da direção do Salão. Na mesma hora, pensei: "Meu Merlin, o Salão está em chamas!!!" e corri mais depressa. Era incrível como uma distância tão curta se transformou numa eternidade naquela situação. Meu coração palpitava cada vez mais com mais força e minha respiração já se tornava ofegante a medida que as mexas dos meus cabelos presos no coque, iam caindo sobre minha face. Claro que tive que correr com a barra do vestido levantada já que infelizmente este, insistia em me atrapalhar na minha corrida e eu havia derrapado três vezes nele.
Quando cheguei na frente do Salão, um choque.
O local, que antes tinha pendurado na frente alguns estalactites de gelo e decorações natalinas, agora tinha alguns enfeites de palha e sombrinhas coloridas penduradas. Meu coração que antes disparava, parecia ter congelado. Arregalei os olhos. O calor que emanava não era porque o salão estava em chamas. Ouvi gargalhadas de lá de dentro e é óbvio que eu vou explicar pra vocês o que aconteceu...
A festa de Inverno havia se transformado na festa de Verão.
Eu fui entrando no salão e percebi que o calor era de uma praia portátil que... (adivinha quem?!) os Marotos haviam colocado no salão. Um sol ofuscante e escaldante estava muito mal pendurado no meio do salão (mal pendurado mas fazia o efeito que queriam porque ô calor desgraçado que tava!) e na frente da sala um mar falsificado que não molhava (você entrava e saía porém seco como havia entrado) mas que haviam ondas que quebravam antes de atingir o meio do salão e alguns garotos surfavam nelas.
Olhando para os lados vi que o balcão de bebidas que eu conhecia havia sumido. Ao invés daquelas bebidas apareceram outras e eu me aproximei com os olhos estreitos para ler o que cada papelzinho pendurado num palito em frente a cada bebida, dizia:
- Guaraná... – fui lendo e entortando a cara por estranhar totalmente aquilo.- Suco de goiaba... Suco de maracujá... Príncipe... Cape.. Capeta?!!- exclamei, me sobressaltando com o nome da bebida.
Imediatamente alguém, ou melhor, um SENHOR alguém apareceu na minha frente. O barman que antes tinha um smoking comportado com uma gola que faltava atingir a altura da testa, agora usava uma camisa florida, aberta ao peito, e uma bermuda, com um sorriso enorme. Eu deixei meu queixo cair, surpresa. Sabe que eu nunca havia reparado nos barmans que Dumbledore contratava?! Só agora com aquele peitoral aberto na minha frente que eu havia reparado... (sorriso-banana).
Enfim.. ele pigarreou e falou com uma voz hiper grossa:
- Boa noite senhorita, por acaso você tem alguma dúvida ou curiosidade em relação ao "capeta"?- e apontou a bebida que estava a nossa frente.
Eu sorri banana e falei:
- Dúvida?!...er... – na verdade o "capeta" parecia bem atraente naquela hora.
Mas outro alguém, ou melhor, outro SENHOR alguém apareceu do lado do primeiro senhor alguém.
Meninas... vocês já imaginaram Sirius Black de smoking... mas de camiseta florida aberta?!!! Já?!! Se não... podem imaginar porque era como ele estava!!! O cabelo preso num rabo-de-cavalo frouxo deixando alguns fios caírem no seu rosto, uma bermuda azul, e chinelos nos pés. Só naquele dia que eu percebi que ele tinha algumas tatuagens ao peito... meu Merlin... sem comentários posteriores.
- Olá doce Lilly...- se eu já me irritava com o Potter falando isso, com o Black não era diferente.- Algum problema? Já provou nossos "capetas"?
Eu que ainda estava com os olhos arregalados e o queixo caído, balbuciei:
- Na, na, na, na verdade... não, não, Black...- dupliquei as palavras. Pisquei várias vezes e continuei, dessa vez, a voz mais firme:- Não quero, obrigada...
Ele muxoxou e falou:
- Ora, vamos, mas primeiro, deixe-me apresenta-la nosso vasto banquete brasileiro...
- Brasileiro?!!!- exclamei, espantada.
- É, porquê?!- perguntou ele, saindo detrás da mesa e apoiando sua mão no meu ombro, me conduzindo para ver a mesa extensa se comidas e bebidas diferentes. Dei uma olhada significativa na mão dele mas ele fingiu não notar, e continuou:- Aliás, se você pensa que nosso diretor desaprova e está com a língua coçando para denunciar os "garotinhos malvados dos Marotos" – e fez sinal de aspas com as mãos.- Veja você mesma...
Não que eu estivesse me perguntando isso, mas já que ele havia lembrado... Olhei. E fiquei estupefata ao ver que Dumbledore estava rindo com a situação, tomava um picolé de limão mais satisfeito que qualquer outra pessoa ali dentro, apenas não usava os trajes de verão que todos usavam (até porque se usasse eu iria ter um ataque cardíaco ali mesmo). Conversava animadamente com a profª. McGonagall que já ela não parecia tão alegre e eu só aumentei minha afeição por ela, e com o prof. Slughorn que parecia também se divertir e ao contrário de Dumbledore, usava trajes de banho (e isso só aumentou minha desafeição por ele).
- Vê? Até os professores estão curtindo, Lilly...então...- falava Black, e sem eu perceber colocou um colar florido em volta do meu pescoço.- Relaxe que o VERÃO apenas começou!!! Vamos, siga-me...
Eu não tive forças para reclamar. Minha única esperança de acabar com aquela brincadeira, estava tomando sorvete de limão a poucos metros de mim. Meu queixo continuava caído enquanto Black falava:
- Temos aqui feijoada...uma delícia se quer saber... temos brigadeiro... não recomendo a prova dessas duas comidas ao mesmo tempo já que Elifas fez isso e não saiu do banheiro ainda... temos acarajé... tapioca... salsichão...
Eu não estava prestando atenção no que ele dizia mas o tal "salsichão" me despertou interesse... Ah, não me levem a mal! Mas olha o nome... "Salsichão"... Isso não te chama atenção?!
Me virei na mesma hora. Um monte de salsichas gigantes estavam presas num espeto e potes de algum tipo de farinha amarelada estava ao lado. De início, fiz cara de nojo. Mas depois de curiosidade. Era uma comidinha engraçada de se ver... Me aproximei ainda mais ficando a alguns centímetros de distância...
- Sentiu atração pelo salsichão, Lílian?- ouvi a voz petulante de Sirius, atrás de mim.
Arregalei os olhos...
Meu Merlin, aquilo fazia uma ambigüidade de significados assustadora!!!! "Salsichão..."
- Não senti nada, obrigada, Black!- falei, meio que desesperada, me afastando bruscamente de tal alimento.
Ele começou a gargalhar freneticamente, e pegou um, colocando-o a poucos centímetros da minha face. Eu fiquei rubra instantaneamente. Aquilo tinha ambigüidade até no formato...
- Vamos, experimente... é bom!!- incentivava ele.- Vamos, esse eu deixo de graça!!- e praticamente encaixou na minha mão de forma que eu não tive como deixar cair.
- Como assim, de graça?!- perguntei, voltando minha atenção para outra coisa, a não ser o salsichão. Olhei para cara de pau do Black. – Você está cobrando por... por... capetas, salsichões e etc.?- me indignei, já que a comida do baile era pra ser livre.
Ele apenas deu de ombros, com seu olhar fixo em alguma coisa atrás de mim. Me virei para ver o que era. Não consegui enxergar já que o infeliz (Black) é um pouco (muito) mais alto que eu, e muitas pessoas se encontravam na minha frente. Apenas bufei e bati com o salsichão no ombro dele, para ele voltar a atenção pra mim.
- Black!! Eu to falando com você!!- chamei.
Sirius sobressaltou-se e voltou-se para mim. Percebeu que era eu que continuava lá, e rolou os olhos.
- Apenas coma e se divirta Evans...- e saiu.
"Prepotente" pensei, bufando e dando uma mordida no tal... no tal... no... ( eu realmente não quero escrever mais aquele nome no meu diário, então será que dá pra eu mudar pra... deixe-me pensar... hum... "carne redonda" tá legal? Foi o melhor que consegui...). Até que era bom.. Tinha um gosto meio apimentado, mas era legal...
- Já provou a feijão-ada Lilly?- perguntou uma voz atrás de mim, por sinal muito animada.
Me virei. Alice e Frank me encaravam, ambos com roupas de banho. Frank com uma bermuda e o mesmo colar de flores que eu tinha no pescoço, e Alice de maiô com uma canga pendurada na cintura. Fitei os dois. Não era possível que só eu achasse aquilo um absurdo e não uma diversão...
- Ainda não Alice.- falei, demonstrando que realmente não fazia questão de saber o sabor da tal feijão-ada. Mas sem notar que o... "carne redonda" ainda estava na minha mão.
- Desses daí, ainda não experimentei...- falou ela, interessada, olhando para a minha mão.
Tentei esconder rapidamente, o colocando para trás, mas percebi que era tarde demais. Sorri amarelo.
- Er... na verdade... não são muito bons... er... eu... – de repente, com um estalo, algo veio a minha cabeça. Claro que eu tava procurando algo para me livrar daquela situação, mas o "assunto" que achei foi realmente intrigante. Abri e fechei a boca várias vezes e finalmente indaguei, curiosa:- Vocês por acaso viram o Tiago?
Isso não foi legal.
Tipo, não sei se você notou o problema, mas releia que você vai entender.
Alice franziu o cenho rapidamente, e Frank deixou o queixo cair automaticamente. Foram reações bem espontâneas da parte deles, e eu recomecei a corar (bem que eu havia avisado a Alice que ia ficar vermelha demais pra uma noite só...) até percebi que meu rosto estava tão quente que eu parecia que ardia em febre. Tentei consertar, para minha infelicidade...
- Que-que-quero dizer... er... – gaguejei, engolindo em seco. – Vo-vo-vo-vocês vi-viram o.. o... o... Po-Potter?
Isso só piorou a situação porque 1º: Se havia alguma dúvida dos dois em relação ao que eu havia dito, agora não havia mais... 2º: Frank começou a tossir muito e eu não sei porque... 3º: Eu finalmente percebi que o tal "Potter" que eu gaguejei, estava atrás de mim, com um sorriso ridículo, parecendo que havia ouvido tudo. 4º: Alice piscou pra mim. 5º: Eu acho que ainda sei o feitiço de esquartejamento para usar com ela mais tarde...
- Olá doce Lilly... se divertindo?- perguntou ele, que graças a sua altura e a minha, falou isso na altura do meu ouvido e meu corpo não pareceu achar isso legal tanto que se arrepiou.
Fechei os olhos rapidamente, e depois me virei, mais rubra que o normal, de raiva. (Era o que ele pensava porque eu estava em dúvida se eu estava vermelha de raiva ou de vergonha...).
- Não, Potter. Aliás, de quem foi essa idéia de girico?!- perguntei, com os olhos estreitos para ele.
Ow-ow.
Sinal vermelho.
Eu não estava falando com o Potter versão Baile de Inverno. Eu estava falando com o Potter versão Baile de Verão Brasileiro e isso me deixou MAIS vermelha ainda SE possível...
Ok, voltando...
Arregalei de leve os olhos, mas continuei séria, o fitando. Ele, com sua prepotência-mor, me desafiou no olhar, erguendo uma sobrancelha.
- Minha, mas não sabia que era de girico sabe? Na verdade, achei bem interessante... e acho que todos estão gostando também Lilly...- falou ele, simplesmente, e adivinhem o que o energúmeno fez?
Me abraçou pelos ombros como Black fizera a pouco e começou a me conduzir para algum lugar que eu não sabia onde era. Pra piorar, só me lembro de ter visto Frank e Alice se entreolharem maliciosamente, como se soubessem o que ia acontecer.. ah! Mas eles não tinham noção do que ia acontecer.. não tinham MESMO..
- Posso saber por acaso para onde o senhor... – fiz questão de frisar essa palavra para que ele percebesse minha informalidade. – está me conduzindo??
Ele soltou uma risadinha pelo nariz e apontou para um canto do salão que eu ainda não havia reparado. Uma pequena multidão fazia uma fila indiana, e eu comecei a me perguntar porque. Mas não precisei me perguntar muito... em questão de segundos deixe cair meu... minha.. "carne redonda"... no chão, surpreendida.
Havia uma espécie de cabine no canto do salão, em que as pessoas entravam com os trajes do Baile de Inverno e em menos de um minuto saíam com trajes do atual baile. Eu estaquei, com os olhos arregalados.
- Você tava comendo isso...?- perguntou Potter, olhando para o chão.
Eu já estava preocupada demais com a cabine do que com a "carne redonda". Falei, na mesma hora:
- Eu não vou entrar naquela cabine...
Deixem-me só explicar meu trauma por praia. É simples, rápido, quase indolor e menos trágico do que essa pausa dramática minha, parece...
Eu simplesmente odeio praia. Odeio sol. Odeio areia. Odeio mar. Odeio crianças felizes fazendo castelinho de areia. Odeio quando eu ponho os pés na areia, entro no mar, ponha os pés na areia de novo pra voltar pra choupana e meus pés ficam grudentos. Odeio a insolação que me dá todas as vezes que eu vou pra praia e me deixa com febre e diarréias. Odeio ficar mais vermelha do que eu já sou, com a vermelhidão da praia, e fazendo contraste com minhas sardas fico parecendo com um morango murcho. Odeio, simplesmente, odeio...
E odeio, ACIMA de tudo isso, ficar de maiô.
É algo constrangedor, que me deixa totalmente sem graça e é algo realmente sem noção. Pensem comigo...
O cara que inventou o maiô (só pode ter sido presepada de homem porque de mulher não foi... vejam, quem é que ia inventar uma roupa que estica seu corpo inteiro, se coça alguma parte de seu corpo pra coçar é sacrifício e ainda por cima deixa suas coxas num estado deplorável? As mulheres sabem como é...), ele não pensou nestes probleminhas citados em parênteses, só pensou na sua masculinidade egoísta para ver as pernas das dondocas exibidas na sua frente. Foi um infeliz!!!
A parte boa da minha vida em relação a isso, é o fato de que eu só fui na praia acho que duas vezes. Uma ainda bebê então não me lembro bem como era.. e outra, quando eu tinha onze anos, nas férias de natal para comemorar o fato de eu ser bruxa. Meu pai não deixou eu sair debaixo do nariz dele e eu agradeço IMENSAMENTE por isso.
- Você pretende ficar a noite toda com esse vestido?- perguntou Potter, desviando sua atenção do... do... da "carne redonda" e voltando-se para mim.
Eu rolei os olhos.
- É né? Só não pretendo usar esses maiôs ridículos!- respondi, sincera e rusticamente.
Ele pareceu desapontado. Dei um tapa no seu ombro.
- Pervertido!!!- xinguei-o, estreitando os olhos e me armando para uma briga.
- O quê?!- exclamou ele, bestificado, também virando-se para mim, procurando me entender (como sempre) mas sem obter sucesso (como sempre) e ficando com uma cara confusa (como sempre).
- Você. É. Um. Pervertido!- falei pausadamente.- Eu não vou vestir esses maiôs, está ouvindo, Potter?!
Ele tentou falar algo, mas não conseguiu. Percebi que realmente era a intenção dele, e bufei, saindo e batendo os pés pelo salão. Claro, que ele me perseguiu, porém sem proferir uma palavra. Quando já estávamos na porta do salão, uma bandeja de prata enorme apareceu bem na minha cara e o garçom quase jogava todo seu conteúdo no meu vestido (Potter ficaria feliz porque pelo menos assim eu colocaria o maiô... argh! Pateta...).
- Cuidado senhorita!!- exclamou o garçom (por sinal muito atraente assim como o barman). – Não vai querer que essas caipirinhas caiam em você!
Eu bufei pela segunda vez, mas outra vez o nome de alguma coisa brasileira me chamou atenção. Meu coração disparava com o susto, porém, a curiosidade era mais forte. Copos parecidos com os de firewhisky, estavam na bandeja, só que o líquido que tinha dentro deles, era transparente. Uma sombrinha amarela estava mergulhada na bebida como se fosse um drink, e uma rodela de limão estava pendurada na boca do copo. Ergui uma sobrancelha... aquilo era realmente intrigante...
- Essa bebida...- perguntei, tentando não parecer muito interessada, mas já parecendo. Ignorei totalmente Potter que bufava atrás de mim como se estivesse incomodado pelo fato de eu estar ignorando-o. – Ela é... boa...?
O garçom ergueu as duas sobrancelhas. Parecia refletir sobre algo. Depois de alguns segundos, ele concluiu:
- Acho que sim. Depende muito do seu gosto, senhorita.- respondeu ele, o que pareceu pra mim, sinceramente.
- E... qual seria exatamente... o gosto que seria agradado com esta bebida...?- indaguei, agora sem receio de parecer interessada.
Parecia que estava tudo bom demais para ser verdade. Potter interveio:
- O gosto de uma pessoa irresponsável, sabe, Evans...- ele tava com raiva. Ótimo. Esbocei um sorriso na hora.
Minha vontade era de responder: "Não sei Potter, o irresponsável daqui é você!" mas essa brincadeira de deixa-lo com raiva estava me agradando. Me virei lentamente como se tivesse percebido que ele estava ali só naquela hora.
- Ó Potter, ainda estás aqui? – falei, colocando a mão sobre o peito como se estivesse surpresa. – Meu Merlin, nem percebi...
- Como eu disse...- enfatizou ele, ignorando meu teatrinho. – Essa bebida é para quem tem gosto de irresponsável!!
Eu o observei tremer e dei uma risadinha abafada. Ainda olhando fixamente para ele, apanhei um copo, e disse:
- Que bom, acho que é exatamente isso que eu gosto!- e virei o copo de uma vez só.
Pergunto-me agora uma coisinha. Qual era a intenção verdadeira de quem inventou aquilo? E se foi descoberto sem querer, qual era a sua intenção de deixar essa coisa vazar por aí? Deve ter sido algum antecessor do Malfoy ou da Sketch, alguém que realmente quer o mal das pessoas... Porque, vejam bem, aquela "coisa" era TOTALMENTE alucinógena. Eu tomei apenas um copo e vi meu mundo girar completamente, vi três Potter's e cinco garçons. Vi treze bandejas e sete portões do Salão Principal. Vi cinco fundos de tela e dez enfeites brasileiros. Das quinze pessoas que deveriam ter atrás de nós, vi trezentas. Isso soma no total trezentos e quarenta e três imagens no meu campo de visão de uma vez só. Era demais...
Tropecei nos meus próprios pés e quase caí. Potter e o garçom fizeram menção de me ajudar, mas eu logo exclamei:
- Não! Me deixem... me deixem... me deixem... me deixem... me deixem... me deixem... me deixem... – repeti, lentamente.
Primeiro indício de que não estou sã: Eu repito quinhentas vezes a mesma coisa.
Potter franziu o cenho e me perguntou:
- Você está bem, Lilly?- parecia realmente preocupado.
Mas se lembrem, eu não estava bem. Ri escandalosamente na hora e falei:
- To ótima Pottinho...- eu sei que ele odeia esse apelido dado pelo Pirraça. Percebi que ele fez cara de nojo na hora. Ri mais ainda. – Você que é fraquinho e não ia agüentar um gole desses...hahahahahaha!
O Potter, é MUITO influenciável e fácil de deixar com raiva e o induzir a fazer algo. Foi incrível a rapidez com que tudo aconteceu. Ele me olhou raivoso, fechou os punhos, ainda me olhando, pegou um copo da tal "caspirinha" ou sei lá que nome aquele diacho tinha, e também bebeu de uma vez só.
Não sei se Potter havia tomado uns firewhiskys antes assim como eu, ou se ele era fraco para bebida alcoólica, porque na mesma hora, igualzinho a mim, ele parecia que via mais de trezentas imagens à sua frente, e seus olhos começaram a dançar pelo salão, embora ele tentasse parar de cambalear e ficar estático como uma pessoa sóbria.
Eu também não tenho idéia se você já imaginou algum dia ver eu e o Potter, bêbados, juntos, abraçados, cantando músicas brasileiras do tipo: "Garçom.. aqui nessa mesa de bar..." e vocês não querem saber o resto. Enfim, só sei que em um segundo estávamos tontos, de frente pro outro, ao lado do garçom que estava nos encarando totalmente confuso, e no outro segundo estávamos rindo, gargalhando, soluçando, e caminhando pelo salão, rindo das roupas das pessoas, jogando confetes que caíam do teto em cima delas, cantando músicas bregas (como o triste exemplo acima citado) e falando besteiras o tempo todo (como se já não falássemos).
- Potter... – praticamente cuspi, quando estávamos sentados em uma das mesas, olhando com nossos olhos inquietos, o público que dançava e passava por nós, rindo de nossas caras abestalhadas por causa do álcool. – Potter... você... você... – eu tentava de alguma forma me manter sóbria para fazer aquela pergunta, mas eu não conseguia, toda vez que eu me concentrava na tarefa de parecer sóbria, me batia um sono e aí eu esquecia do que eu tava fazendo. Resolvi esquecer essa tarefa e assumir minha bebedeira. – Você... sabe... o efeito disso... depois... da... – e não consegui concluir, rindo fortemente de um casal que passava, ambos, com os trajes de banho da mesma cor.
Ora, se isso já é engraçado para quem está normal, imagine para quem está bêbado?!
Potter, que estava sentado, porém apoiado totalmente sobre a mesa, com um braço molemente pendurado nesta apoiando a cabeça, apenas balbuciou algo incompreensível e quando eu perguntei o que ele havia falado, ele respondeu:
- Shhhhhh!!! Ouça!!- e apontou para cima, como se quisesse que eu ouvisse o que se passava.
Parei, estreitei os olhos, e procurei me concentrar novamente no que exatamente era pra ouvir, mas novamente, o sono bateu e eu revirei os olhos quase voltando a dormir novamente, até que ouvi Potter cantar:
- Brasil... meu Brasil brasileiro... terra de bamça e danpeiro...
Rosnei.
O que diabos era aquilo?! Potter estava cantando?! Isso era um absurdo para minha cabeça insana! Dei um tapão no seu cocuruto, para ele calar a boca. (Eu estava bêbada, lembrem-se). Ele não parecia ter sentido dor, apenas algo que o incomodara como uma mosca. Ergueu a cabeça e falou:
- Que é?
Eu rosnei novamente. Quero dizer, não há muito o que se falar nessas horas não é?
Até que ouvimos alguns murmúrios vindos do centro do salão e algumas pessoas se aproximando para ver algo. Eu parecia estar mais interessada naquilo do que o Potter que apenas agora brincava com suas próprias mãos, fazendo bichinhos com elas (ex. forma de ganso, forma de coelho e forma de cachorro). Rosnei pela terceira vez para ele, que ergueu o polegar no ar como se tivesse me entendido, e me levantei.
Ok, cambaleei bastante para conseguir me firmar no chão. Fui andando (dançando seria melhor) até o local onde todos faziam o furdunço. Eu prendi a respiração quando vi. Estaquei logo atrás de Alice que arregalou os olhos apesar de já ter visto a cena. Mas eu não a culpo, por mais vezes que eu me virasse e visse aquela cena novamente, meus olhos iriam arregalar-se de qualquer forma. Era algo realmente chocante...
Humhum (limpando a garganta para contar o trágico episódio).
Lua estava... estava... beijando... o Black.
Pronto. Eu gelei nessa hora exatamente como você agora.
"COMO ASSIIIIIM? ELA NÃO CANSA DE LEVAR PÉ NA BUNDA NÃO?!" foi o que eu pensei na hora, embora minha cara estivesse muito ocupada em ficar branca, para ficar vermelha de raiva. Uma roda imensa estava ao redor deles e como havia muito espaço entre as pessoas e ao "casal", eu pude notar no canto esquerdo, Marlene McKinnon com a cara mais fula da vida que eu poderia imaginar. Parecia que ela estava tendo um colapso nervoso na decisão de bater em Lua ou em Sirius. Já no outro canto podíamos ver uma pessoa que parecia mais doente do que assustado ou surpreso com a cena.
Edward Lovegood estava aos cacos e dava para ver mesmo quem não o conhecesse e não conhecesse o relacionamento dele com Lua. Ele tinha as mãos nos bolsos, o olhar perdido em algum lugar atrás dos dois, o maxilar endurecido, engolia em seco constantemente e parecia até que estava com vontade de chorar se eu não estou sendo muito Dramblemática.
As pessoas pareciam não querer dançar ou fazer outra coisa a não ser observar até onde aquilo iria. Alice e Amanda (que eu percebi estava ao meu lado com Henry) olhavam para mim como se esperassem minha atitude para alguma coisa. Percebendo isso, arregalei os olhos mais do que já estavam e sibilei, quase sem voz:
- O que vocês querem que eu faça?! Me fantasiar e dançar ahula?! (Sim, é uma fala do Rei Leão... vejam a que ponto eu chego quando estou nervosa e/ou bêbada...).
Alice (que ainda não reparara que eu não estava normal) girou os olhos e voltou sua atenção para a cena como se procurasse algo para fazer em relação aos dois. Frank de repente apareceu ao nosso lado e eu quase pulei de susto pela chegada brusca dele.
- O Remo não sabe explicar como isso aconteceu...- explicou ele, aos sussurros para Alice.
Parecia que ela havia pedido ao namorado para ir procurar Remo para achar algum motivo plausível para aquele acontecimento. E pelo visto o lupino não tinha uma justificativa. Olhei para o meu lado esquerdo e vi Tiago com o cenho franzido. Ele estava muito sério encarando a cena para quem há alguns segundos estava brincando com as mãos. Bem, aí eu realizei que ele era o melhor amigo de Sirius...
- Você sabe algo que explique isso?- perguntei, apontando para os dois, meu dedo trêmulo por causa da minha falta de equilíbrio.
Tiago me olhou parecendo que percebera só naquele momento que eu estava lá. Depois balançou a cabeça e disse, voltando seu semblante sério para os dois:
- O Sirius tá dizendo faz um tempo que ia pegar a Lunática...- eu não sei porque eu o belisquei com força no braço. Ele gemeu um pouco e começou a esfregar o local enquanto falava, dessa vez com um tom mais nervoso.- Bem, parece que ele conseguiu... mas eu não to achando que isso vá dá certo...
- Ah, é?! E porque?!- perguntei, com um pouco de raiva pelo jeito displicente que ele falara de Lua como se eu nem estivesse lá.
Ele parou de massagear o braço e falou, dando de ombros:
- Não sei... só sei que não foi ele que a puxou...
Eu enruguei a testa o máximo que eu pude. Como poderia Lua puxar o Black quando ela morre de raiva até hoje do mesmo?! E como ele sabia que não fora Black que a puxara?! O olhei indagadora. Ele entendeu.
- Como eu sei? Bem... é simples... ele teria me dito, sabe?- respondeu, de modo convencido e arrogante para mim e depois voltando a encarar os dois com uma cara débil mental.
Eu estreitei os olhos mas eu tinha mais com que me preocupar. Voltei meus olhos para a cena. Eles continuavam a se beijar. Não sei porque me veio um suco que eu desconfiei que fosse o gástrico, bem na minha doce garganta que ficou automaticamente amarga na hora. Resumindo: vontade de vomitar. Não é escândalo meu isso... é a mais pura verdade.
Mas, instantes depois de muita concentração na cena, sabe aquela coisa que eu descobri há alguns minutos que acontecia comigo quando eu me focava em algo? Pois é... Me bateu um sono infeliz, e eu quase que desmaio no meio de todos... Porém, assim que eu abri os olhos e vi aquela cena, parecia que era a primeira vez que eu a via. Foi algo muito estranho e eu vi dois Black's e duas Luas. Os dois, por causa da minha visão turva, pareciam dançar enquanto se beijavam. Talvez fosse por isso... ou talvez fosse por outro motivo...
Que eu abri passagem entre as pessoas... (Alice não me impediu já que ainda não percebera que eu não estava sã e também porque pensara que eu ia resolver o negócio)... cambaleei até o centro do local, esperei ficar a centímetros deles, e aí...
Comecei a gargalhar o mais fortemente que pude.
Tente arquitetar isso na sua mente.
Uma cena dessas. Um público desses. Um silêncio absurdo (exceto por uma musica que parece tocar a quilômetros de distância). Um suspense daqueles. Vem uma doida varrida, com um vestido todo frouxo, os cabelos mais assanhados do que os de um gato quando vê água, e o olhar dançante, para na frente do casal e começa DO NADA à gargalhar.
E a pressão ainda aumenta pelo fato de que tal doida, é nada mais nada menos, que a monitora-chefe da escola. Um escândalo. Um fato. Um absurdo duplo de uma vez só. Confesso que para redigir essa parte em meu diário, tive ajuda de algumas pessoas já que não me lembro exatamente de tudo. Mas o fato de que minha dor no estômago de tanto rir persistiu até depois do álcool passar, é realmente inevitável.
Estava eu lá, gargalhando do casal, e de tanta força que eu fazia pra rir, eu fechava os olhos. Mas em um dos intervalos entre risada e outra percebi que todos riam. Abri os olhos, e vi.
Lua olhava para Black de forma lunática como se nunca o tivesse visto na vida. Já Black parecia estar em algum lugar que não deveria estar, e ainda por cima de trajes de praia. Ele tinha a boca escancarada como se tentasse entender o que se passava e Lua segurava o olhar de quem nunca o vira na vida. Minha risada estrondosa (sim, eu não parei de rir enquanto reparava em tudo isso) dava outro ar hilário para a situação e as pessoas começaram aos poucos, a rir. Todas.
Não sei porque (realmente não sei), eu comecei a apontar para Black, como se ele fosse a graça do "espetáculo" e ri ao mesmo tempo. As pessoas também pareciam rir dele. Lua, apesar de seu olhar avoado, também ria. E aí eu finalmente realizei...
Aquilo estava sendo mais ou menos o revide dela (só não sei se minhas risadas escandalosas estavam nos planos da minha querida amiga). Black tinha a cara de trasgo mais tosca que eu já vi... E isso não ajudou muito. Rimos com mais força.
Aos poucos, Sirius foi vendo que aquilo era demais para ele, e foi dando passos para trás, ainda encarando todos com certa raiva. Depois, virou-se de uma vez só, e ao som de gargalhadas, foi embora à passos firmes.
Eu só me lembro que depois disso, uma chuva de balas ocorreu no local. Não, não é o que você esta pensando...
As balas são pessoas, que praticamente correram em direção à algo.
McKinnon correu em direção a Black, Pettigrew correu também em direção a Black, Emelina correu em direção a Marlene, Lupin correu em direção a Emelina, Lua correu em direção à algum lugar, Lovegood correu para outro lugar, Alice correu em minha direção, Frank correu na direção dela, e eu sem ter escolha, que fiz? Corri, e Potter correu (cambaleou) em minha direção.
Mas como eu estava um pouco... fora do normal.. não consegui correr por muito tempo. Quando eu estava atrás de uma mesa num canto escuro do salão, Alice pulou em cima de mim e caímos as duas no chão. Ela se ergueu novamente, e me puxou pelo braço com força, parecendo com raiva de mim por causa de algo. Eu fiquei sem entender... quero dizer, que foi que eu tinha feito?!
- Lílian Evans, não me diga que você está...- mas ela não conseguiu concluir.
- Quê?!- perguntei, com os cabelos mais assanhados ainda, e os olhos revirando.
Ela bateu o pé no chão e ficou me encarando com raiva. (Na verdade é o que eu imagino, porque eu não lembro exatamente do que aconteceu nessa hora e Alice insiste em até hoje não me contar pelo fato de que não gosta de lembrar, porque logo em seguida eu... bem... vomitei nela.)
Não sei bem como foi isso, mas foi mais que eu, sabe? Sabe quando sobe aquela coisa e você não consegue coisar a coisa? (Olha meu amigo "coisa" de novo!). Pois é, foi o que coisou... Eu não segurei a coisa e a coisa saiu, boca à fora, ganhando liberdade e encontrado como seu chão o maiô de Alice.
Será que o inventor dos maiôs pensou que poderia servir como guarda-vômitos? Não? Pois é... serviu...
Só me lembro do "Argh!" que ela gritou na hora. Mas foi nesse momento que Alice mais provou ser minha amiga... (ela precisa provar mais?). Ela não gritou que me odiava e saiu batendo pé para fora do salão... pelo contrário, ela gritou que me odiava, me deu um tapa no braço e me forçou a me erguer para ir para a Ala Hospitalar dizendo que eu ia perder meu cargo de monitora-chefe.
Gente, aquilo surtiu um efeito em mim que me deixou em desespero instantaneamente. Enquanto Alice pedia ajuda a Frank para me carregar e este a negava porque já estava segurando Potter, eu comecei, involuntariamente, a chorar. Mas não foi aquele chorinho não sabe? Foi com direito a soluço e tudo...
- Eu dão quero perder beu posdo de bonidora-chefe...!!!- (Falei desta forma, por causa do efeito do choro, sabem? Caso não entendam... caso não consigam entender... procurem entender.. porque eu não sei como explicar isso aqui...) choramingava eu, ainda pendurada pelo ombro de Alice e esta lançava em si própria um feitiço para remover o vomito, sem dar atenção às minha chorumelas.
- É, você devia ter pensado nisso antes de tomar às caipirinhas...- respondeu ela, ainda sem me dar a devida atenção, cansando de me carregar e me tirando de perto dela e lançando um feitiço que fez com que eu sentisse uma mão de gigante invisível me segurando e me conduzindo à Ala Hospitalar.
- Eu sssseiiiii...- respondi, ainda chorando. – Bas eu dão denho culpa Aliceeee... foi o Potterrrr...!!!
Alice estacou nessa hora, com os olhos arregalados. Depois virou-se para trás onde Frank ainda tentava ajudar o Tiago a se levantar. Em seguida, voltou-se para mim de novo.
- Você tá falando sério, Lílian? Foi o Tiago que te induziu a isso?- perguntou me olhando nos olhos, tentando ver a verdade.
Mas era um pouco difícil quando os olhos se encontram um pouco bêbados demais para transmitir alguma verdade.
- Foi sim, absoludamende sim...- concordei avidamente, e tenho que admitir, eu já nem lembrava com o que eu concordava absolutamente.
Ela pareceu estar em dúvida se devia acreditar em mim ou não, então decidiu que iria descobrir isso depois, e voltou a erguer a varinha induzindo a mão invisível a me conduzir para a Ala Hospitalar. Fui o caminho inteiro me contorcendo e eu não sabia porque eu estava me contorcendo. Eu só sabia que era legius ficar me contorcendo na mão gigante invisível. Me fazia estralar os ossos e era divertido. Enquanto isso, eu ouvia a cantoria do Potter lá de trás enquanto Frank o conduzia com o mesmo feitiço.
Quando chegamos na Ala Hospitalar e Alice bateu na porta desta, Madame Pomfrey atendeu de imediato. Parecia estar acordada já havia tempos. Quando entramos eu vi porque...
Alguns alunos estavam pálidos de tanto vomitar e eu deduzi que fosse porque os intestinos ingleses não estavam acostumados com as comidas brasileiras que eram pesadas demais. Outros, por sua vez, estavam deitados nas camas, com termômetros nas bocas e panos molhados na testa, e estes, deduzi que não estavam acostumados com um calor infernal que estava no salão. Resumindo... a maioria dos leitos estava ocupado. Rosnei.
- Com licença Madame... – pediu Alice, do meu lado, esperando Frank chegar com Tiago.- Mas será que.. a senhora não teria alguma poção pra curar... er...
- Já percebi o problema mocinha.- falou a enfermeira que me olhava de cima a baixo e eu rosnava para ela como um cachorro que estava pronto pra atacar.- Não é a primeira que me aparece dessa forma.. vou dizer ao diretor Dumbledore que não deixe mais isso acontecer.. esses meninos não têm limites...- e aí foi abrindo a porta para nós entrarmos. – Quero dizer, acho que nem o próprio Dumbledore sabia que aquelas bebidas eram alcoólicas... ah! Um deles!!- e apontou para trás de nós duas.
Frank tinha sérios problemas para conduzir Tiago. Ele não conseguia erguer a varinha direito porque Potter fazia questão de tentar abraça-lo pois eles não tinham uma distância um do outro. Tiago parecia estar choramingando por alguma coisa e eu não entendi o que ele balbuciava. Só quando eles chegaram perto que eu pude ouvir:
- Não Frank, não deixa ela me injetar uma agulha! Por favor, eu imploro! Eu odeio agulhas!! Eu me ajoelho aos seus pés!!
Tentei rir, mas não sei porque não consegui.
Quero dizer, eu sei. Eu tava enjoada demais. Sem agüentar, me virei rapidamente e vomitei no chão. Quero dizer, quase.. já que Madame Pomfrey parecera ter tido reflexos rápidos e pegou um balde próximo e colocou bem abaixo de mim em cima da hora. O barulho do vomito batendo no fundo do objeto só me deixou mais enjoada. Vomitei novamente. O barulho dos pacientes lá dentro, meu vômito e o choramingado de Tiago, perturbou mais ainda a enfermeira que desabafou:
- Eu sinceramente estou odiando essa situação...- falava ela, enquanto nos levava para camas que ficavam lá trás da Ala. – Dumbledore vai me ouvir.. ah, vai! Eu não sossego enquanto esses garotos não pagarem uma boa de uma detenção, inclusive esse aí!- e apontou para Tiago que agora era levado também pela mão invisível com ajuda de Alice. – Eu vi ele aprontando no início do baile... ele que conjurou aquele sol enorme e a praia portátil!! E eu tenho testemunhas!!
Aquilo deu um "clique" em mim e eu finalmente realizei o que atrasara Potter no início do baile. Ora.. ele havia me trocado por uma decoração de festa brasileira?! Quero dizer, o garoto se sacrifica anos pra me levar pra sair e no nosso primeiro encontro ele atrasa pra decorar uma festa?!! Isso era uma audácia!!! Eu até reclamaria... se eu não estivesse muita ocupada.. er... dormindo.
Isso.
Eu dormi profundamente e eu não me lembro de mais nada depois daquela fala da Madame Pomfrey. Lição tirada: não beber "caspirinha" ou sei lá que nome aquele diacho tinha, principalmente quando já tiver ingerido firewhisky...
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Acordei com umas pontadas na cabeça. Me ergui bruscamente de susto, e me arrependi. A pontada piorou e eu gemi alto. Abri os olhos devagar e graças a Merlin não havia muita iluminação, e ainda parecia ser de noite. As pontadas não pararam e vieram até lagrimas nos meu olhos, tamanha dor. Mordi meu lábio inferior tentando reprimir outro gemido. Reparando ao redor, vi que todos os pacientes dormiam e todas as camas já tinham as cortinas fechadas e Madame Pomfrey descansava numa cadeira de balanço no início da Ala, bem longe de mim.
Então senti como se meus ouvidos estivessem se tapando, e como se um radio começasse a ligar dentro da minha cabeça, ouvi:
"Lilly, está aí?"
Era o Potter, me chamando novamente. Tentei ignorar e deitei novamente, agora mais tranqüila, e aliviada por saber que a dor não era nada de doença... na verdade, era. Potter é uma doença. Maligna, por sinal.
"Liiiillyyyyyy..." chamava cavernosamente, a voz dele, e eu me virei para o outro lado, me enrolando ainda mais nos cobertores, tentando ignorar sua chamada.
Quando eu já estava quase caindo no sono novamente, pensando que ele havia desistido, o desgraçado falou (por mente se fala? Realmente, não sei dizer..):
"Se eu disser que fui eu quem comprou o seu vestido, você fala comigo? Pode falar com raiva, eu deixo..."
Me sobressaltei, e quase pulei da cama, encarando o nada raivosamente. Bem que eu havia desconfiado que eu nunca tinha comprado aquele vestido branco...
"Filho da..."
"Boquinha suja, boquinha suja, vou comprar sabão e vou limpa-la com uma bucha!" cantarolou ele, parecendo feliz com algo.
Quando Potter está feliz, eu estou triste e/ou com raiva. Foi uma conclusão que tirei.
"Bem que eu desconfiei seu desgraçado, eu nunca tinha comprado um vestido branco sem detalhe nenhum!!" exclamei, me sentando ereta na cama, e cruzando os braços, parecendo uma criança insatisfeita.
"Na verdade verdadeira, não comprou mesmo, mas... mas... mas..."
"Mas o que?!" vociferei, já com ódio.
"Nada. Eu ia falar algo com mas, mas esqueci..."
"Ta aí porque eu detesto conversar com você Potter..."
"Porque?!"
"Porque você não tem calibre pra conversar comigo. Você não tem assunto, não tem vocabulário, não tem..."
"A questão é.."
"NÃO ME INTERROMPA!!!"
"Você viu o que eu fiz com seu vestido azul-turquesa? Que, bem, deixou de ser azul-turquesa..."
"O que você fez com meu vestido azul-turquesa Potter?!!" eu ia ralhar com ele por ter continuado a me interromper, mas aquilo me interessou mais.
Foi mesmo, eu não tinha visto meu vestido azul-turquesa, que por sinal era lindo... ele havia sumido. Se eu tivesse visto provavelmente teria ido com ele...
"Bom, digamos que aquele era o vestido mais bonito que você tinha..."
"Siiiim??" eu realmente queria ver aonde aquilo iria dar.
"E digamos que eu queria que você vestisse o que eu estava te dando..."
"Desde quando eu faço o que você quer?"
"Desde que eu enfeiticei o seu vestido azul-turquesa para ficar verde cana com babados, que aliás me lembra muito as roupas da Sketch..."
"Ahhhhhhhh, foi você!!! Eu bem que estava duvidando que algum dia eu iria comprar um vestido daqueles em sã consciência!"
"Na verdade verdadeira, eu tive uma certa ajuda da Alice.."
"A ALICE FOI SUA COMPARSA NESSA HISTÓRIA?!" minha boca no momento estava totalmente escancarada.
"Não fale assim, a Alice é uma boa menina!"
"Boa menina?! Boa menina?! Aposto como ela já sabia do vestido branco!!"
"Sim, claro que sabia.. ela que me ajudou a por dentro do seu guarda-roupa... (espero que eu não esteja a encrencando)."
"POIS ESTÁ SIM!! A ALICE ESTÁ FERRADA NA MINHA MÃO, ELA VAI VER SÓ..."
"Você já pensou em poupar suas cordas vocais?"
"Quem é você pra me dizer o que eu devo ou não fazer? Aliás, não estou gastando cordas vocais... estamos falando por pensamentos, anta!! Ou devo dizer... quadrúpede?"
"Voltando ao assunto, a Alice só quis ME ajudar e TE ajudar Lilly... até porque aquele azul-turquesa já tava manjado..."
"Potter, eu realmente não tenho palavras pra sua prepotência..."
"Er... que tal... "prepotência"?"
"Er... que tal.. "cala a boca e termina a história"?"
"Legal... enfim, aí ela colocou o vestido branco e você usou! Pronto, cabou a história!!"
"Não, eu não usei vestido branco nenhum! Usei vermelho!"
"Pois é, a Alice me avisou que modificou o branco..."
"Você despertou uma curiosidade Potter... você realmente achava que eu ia usar aquele vestido branco?"
"Tanto achei que você usou doce Lilly..."
"Usei ele vermelho!"
"Enfim. Se bem que o branco cairia perfeitamente..."
"Pra uma noiva!"
"Ué, você é minha noiva..."
"Considere-se chutado, beliscado, estapeado, e tire alguns fios do seu cabelo fora." Ordenei.
"Mas o vermelho até que ficou sexy..."
"Considere-se morto." Ordenei novamente.
"Já reparou que nós quase nunca concluímos o que dizemos?"
"Já reparou que você foge muito do assunto?"
"Já reparou que estamos sem responder a pergunta do outro?"
"Já reparou que eu cansei disso e quero dormir?"
"Ei Lilly, você sabia que os hipogrifos são animais da mitologia grega?"
"Potter... o que é que isso tem a ver com o assunto, pelo amor de Merlin?!"
"Nada. Só que como algo pode ser considerado mitologia se é de verdade?"
"Eu DEFINITIVAMENTE vou dormir..."
"Não vai não, por três motivos."
"Quais são?"
"Curiosinha você hein?"
"Bufei BEM alto agora."
"Primeiro: eu adoro conversar com você mentalmente, é engraçado..."
"Primeiro?"
"Já disse!"
"Não considerei isso um motivo..."
"Segundo: você não vai conseguir voltar a dormir nem que queira, senão eu volto a te acordar e você sabe que é doloroso.."
"Como eu faço pra te bloquear hein?"
"Não te digooooo..." cantarolou novamente. Potter gosta mesmo de cantar.
"Idiota!"
"Terceiro: já que você é bem curiosinha, tenho algo pra te mostrar hoje..."
"Eu achei isso bem estranho sabia?"
"Não vai achar, vem, me segue..."
"Como? Onde você tá?"
- Bem aqui, doce Lilly...
Ok, eu me arrepiei nessa hora.
Ouvi sua voz atrás de mim e me virei. Potter estava pendurado na minha janela e a luz da lua iluminava seu rosto o tornando até ameaçador. Quase gritei de susto. Depois de um tempo acostumado com a visão dele lá, eu percebi que eu estava deitada na cama da Ala Hospitalar, de camisola e o lençol havia caído totalmente no chão. Automaticamente eu apanhei-o e me cobri.
- Fora, Potter! – ordenei, apontando para fora.
- Eu já estou fora, Lilly! A não ser que você me mande pra dentro..- respondeu ele, e eu ficou bem claro seu tom malicioso na voz.
Ele ergueu uma sobrancelha e eu quis esmurra-lo até aquele novo óculos dele quebrar na sua cara.
- Que óculos é esse, afinal? – perguntei, a voz da curiosidade falando mais alto do que minha raiva.
Ele deu de ombros.
- Um óculos, oras bolas... – respondeu, até que eu percebi que ele estava flutuando.
Tomei outro susto.
- Você está flutuando?!- perguntei, idiotamente.
Ora, porque idiotamente?! Porque a resposta me fez sentir idiota...
- Se você considerar, ficar em cima de uma vassoura, flutuar, tudo bem, é, estou flutuando!- disse, dando um largo sorriso.
Bufei, pra esconder minha vergonha.
- Voltando, você nunca usou óculos, pra que esses agora?- eu realmente parecia interessada nos tais óculos, mas no momento não sei dizer porque daquele interesse todo.
- Eu já usava. – respondeu ele, suspirando.
Parecia que era a milésima vez que explicava aquilo pra alguém. Ah mas pra mim, ele ia ter que explicar mesmo... "Ora, porque, pra você mesmo?" pergunta você. "Ora, porque sim!" respondo, corada.
- Usava? – indaguei.
- Usava, lentes de condado... – respondeu ele, dando de ombros novamente.
Eu abafei uma risadinha.
- Contato Potter, contato!- consertei-o, ainda rindo.
- Que contato? – perguntou ele, confuso, franzindo o cenho.
- Lentes de contato, antinha!- exclamei, como fazia com Lua.
- Ah, tá! É, sabe, eu não nasci trouxa!- defendeu-se ele, parecendo ofendido por eu conserta-lo.
- Esses óculos ficaram bem em você, está parecendo um nerd...- ri, me descontraindo, e deixando sem querer o lençol cair novamente.
- Essa camisola também lhe cai bem. – falou ele, também me provocando.
Parei de rir instantaneamente e me cobri mais alto ainda, o lençol cobrindo meu nariz, ficando a altura dos olhos, do jeitinho que meu pai gostaria de me ver saindo por aí.
- Vou processa-lo por assédio Potter. Agora, vamos ao que interessa, o que diabos você quer me mostrar que por acaso despertaria meu interesse? – perguntei, rapidamente, meus olhos estreitos, sendo a única parte do meu corpo que ele via.
Tiago pareceu ter acordado de um devaneio, e disse:
- Ah, é mesmo! Vem, sobe aqui na vassoura...- seu tom era natural, como se fizéssemos isso todos os dias de preferência depois de assistir uma partida de Snap Explosivo na Sala comunal, juntos. (Coisa que eu faria questão de que nunca acontecesse!).
Eu ergui as sobrancelhas.
- Não?- falei, como se dissesse que era óbvio que eu não subiria.
Você pergunta porque.
Primeiro que subir na mesma vassoura que o Potter, é suicídio. Não que eu tenha voado antes, mas ele voa muito rápido e faz manobras de um em um segundo. Segundo que eu prezo pela minha vida. E terceiro que eu não queria ir pra qualquer lugar que fosse com o Potter, e pior ainda, em cima de sua vassoura.
- Ora vamos, Lílian... – falou ele, impaciente. Me arrepiei. Não gosto quando ele me chama de "Lílian". – Não temos a madrugada inteira, eu realmente tenho que te mostrar isso!!
Ergui agora somente uma sobrancelha.
Ora o que diabos Potter queria tanto me mostrar?! Devia ser algo realmente importante... "Ou não, né?" insistia minha mente. Mas sei lá, por alguma razão, fiquei em silêncio alguns segundos em que Potter me encarava quase caindo da vassoura de tanta impaciência, e então, fechei as cortinhas da janela, me levantei, e olhei
ao redor procurando algo para me vestir. Vi que Alice havia deixado um jeans e uma blusa branca para eu vestir assim que saísse da Ala (o que significava que ela
não ia me buscar o que significava que ela estava ocupada demais naquela noite, mas isso podemos ignorar e voltar pra minha história), e não sei se vocês repararam, mas blusa branca e jeans são meus pares favoritos. (Comentário inútil).
Abri as cortinas de novo, e em seguida, abri as janelas.
- Espero que realmente valha a pena, Potter. - falei, sentando no parapeito.
Ele sorriu brevemente e isso me deu um alívio. Se ele risse muito, isso queria dizer que boa coisa não era. Mas ele riu pouco, então queria dizer que ele estava mais preocupado com o que ia acontecer pra ficar me dando gracinhas. Fiquei um pouco receosa quando ele se aproximou, com a vassoura.
- Vamos, suba. - disse ele, me estendendo a mão, para me ajudar a subir.
Eu olhei dele para a vassoura, da vassoura para baixo e de baixo para a vassoura novamente. Tiago percebeu meu receio, e riu de lado.
- Não precisa ter medo Lilly, eu seguro você.
Seu tom de voz não era de provocação nem era de quem queria me ver com raiva. Era sério e estranhamente normal. Olhei para ele, engolindo em seco.
- Se eu disser para você que eu nunca voei antes, você acredita? - perguntei, com medo que ele risse.
Ah, se ele risse, ele ia ver!!
Mas ele não ia ver, já que ele não riu. Na verdade, ele riu de leve, mas balançou a cabeça, e continuou com a mão estendida, e com as sobrancelhas erguidas, e mandou:
- É interessante saber que eu vou ser a primeira pessoa que te levou às nuvens.- falou ele, intencionalmente brega.
Percebi que ele falou intecionalmente, porque em seguida ele riu e me fez rir também. Ele só queria me descontrair, para que a tensão sumisse um pouco. E conseguiu... com aquilo, eu ri, e vagarosamente sentei na vassoura, de lado, Potter atrás de mim segurando o cabo desta, bem na minha frente. Ok, o lugar em que eu sentei não era confortável, mas o lugar onde eu estava apoiada, era. Ponto.
Estando totalmente apoiada (e confortável), percebi que minhas mãos estavam geladas, e ao invés de ficar com elas soltas, segurei com força a vassoura para que as descongelasse. Não sei se me arrependi ou não, porque vendo isso, Potter deslizou suas mãos do cabo de vassoura e segurou as minhas. Engoli em seco pela segunda vez no dia e vi que ele sussurrou no meu ouvido:
- Bem, vamos ver se você sabe guiar...- e inclinou a vassoura para baixo.
Eu admito que eu dei um gritinho ridículo naquela hora. Ora, você também gritaria se o Potter tivesse sussurrado no seu ouvido e em seguida guinasse a vassoura para baixo!!!
O que posso dizer da sensação de voar? Bem... era algo realmente... assustador. Mas sabe aquele assustador interessante? Pois é. Eu até que gostei digamos assim, porque o Potter não foi rápido como eu imaginei que faria, pelo contrário, foi numa velocidade calma, porém não devagar, o que tornou o voô agradável. Não sabia dizer exatamente pra onde estávamos indo, mas era algo além da floresta, e disso eu não gostei. Mas não tive muito tempo para não gostar porquê senti algo apoiado no meu ombro. Percebi que era o Potter que tinha seu queixo apoiado em mim e meu estômago deu mil voltas. Me movi involuntariamente e minha cabeça recostou-se nele, e não sei dizer por quanto tempo ficamos daquela forma..
- Vai demorar tanto assim, pra chegar? - perguntei, minha voz baixa demais para o vento que assobiava em nossos ouvidos.
Mas de alguma forma, Tiago ouviu, e disse:
- Só mais um pouco.. decidiram fazer longe do colégio...
Eu não sabia o que é que decidiram fazer longe do colégio e quem eram essas pessoas ou seres ou sei lá o que fosse. Eu estava em um estado muito crítico para reclamar ou indagar algo. Porém, eu não precisaria indagar nada para estender assunto. Algo de mais sério aconteceu. Foi tudo muito rápido e muito devagar ao mesmo tempo. Num minuto, ele estava com o queixo no meu ombro e no outro seus lábios repousavam sobre os meus e eu realmente me pergunto como eu não caí da vassoura naquele dia. Começou como um beijo sutil, quase infantil, e em seguida parecia que nós nos beijávamos há anos, como se conhecessemos um ao outro intimamente. Se eu já estava nervosa com o beijo calmo, as "borboletas do meu estômago" quase que saiam pela boca, quando nossas línguas se tocaram e o beijo aprofundou-se... Nós estávamos no mesmo ritmo sem esforço, era algo mais que um simples ato. Era algo profundamente bom, como se fosse um desejo que carregávamos a seculos dentro de nós, e isso tornou-o sôfrego a medida que nos beijavamos mais. Não sei descrever ao certo o que senti, mas eu JURO por TUDO que eu ouvi os famosos sininhos que tocam... (He). Não sei quanto tempo passamos nos beijando e o jeito que paramos não foi legal.
Tiago sentiu algo roçar em seu pé, e interrompeu na hora. Eu senti um ódio profundo de qualquer que fosse essa coisa, mas depois vi que eram pinheiros altos demais e que alcançavam-nos, tamanha altura. Parece que tais pinheiros indicavam onde era para parar e ele parou. Ele inclinou-nos para baixo e no momento em que meus pés tocaram o chão, era como se estivéssemos voltando a realidade e eu me segurei para não pedir para subir novamente. Havia sido tão rápido que eu não admitia essa volta brusca a realidade. Com raiva, perguntei, enquanto desmontávamos da vassoura:
- O que você quer que eu veja afinal?
- Shhhhhhhh!!- fez ele na mesma hora.
Estávamos num lugar muito escuro e só agora eu havia percebido. Parecia que estávamos no topo de algum tipo de colina e não haviam árvores por perto, com exceção dos pinheiros que estavam um pouco atrás de nós. Tiago olhou para mim e parecia sério demais para algo que seria divertido como eu desconfiava. Parei de desconfiar na mesma hora. Não ia ser divertido. Ele correu para perto de um pinheiro e com um toque de varinha amarrou sua vassoura no tronco deste. Em seguida deu outro toque e murmurou algo como um feitiço e automaticamente a vassoura ficou invisível. Depois marcou um pequeno "xis" na árvore que eu deduzi que fosse para não nos confundirmos com as outras ao seu redor. Percebi que o que ele queria mostrar não estava ali, e teríamos que andar para achar. Deixei meus ombros caírem como se estivesse cansada (e estava mesmo) e esperei ele voltar.
- Vamos.- falou ele, assim que chegou perto de mim, estendendo a mão.
No começo eu estranhei, me perguntando para que ele tinha a mão estendida se a vassoura estava agora presa à arvore. Depois me toquei e ainda estranhando a situação, peguei sua mão e ele começou a me conduzir a algum lugar à esquerda. Começamos uma caminhada que devo dizer, durou mais ou menos uns dez minutos contados no relógio. Dez minutos contado numa história parecem rápidos. Mas contados no relógio, não são os mesmos. Parecia uma eternidade, principalmente porque fomos num ritmo rápido, e quando chegamos, parecia que tínhamos corrido uma maratona. Paramos atrás de uma árvore grande e grossa que escondia algo que parecia uma clareira.
- O que...- comecei a perguntar, mas Tiago fez sinal para que eu me calasse novamente.
Estiquei meu pescoço para frente para ver o que acontecia nessa tal clareira.
Só não gritei, porque percebi na mesma hora, que seria algo como declarar minha morte.
Havia um grupo de bruxos encapuzados, ao redor de uma fogueira, fazendo um círculo com as mãos e pronunciando coisas que pareciam votos. Olhei para Tiago e este tinha o maxilar endurecido e um dos olhares de mais profundo ódio que eu já vi ele fazendo. Olhei novamente para o grupo. Não parecia algo sadio a se fazer. Os votos ficavam cada vez mais altos e mais assustadores. Depois de um tempo, eles pararam de fazer os votos e se calaram abruptamente. Um outro bruxo encapuzado chegou no local e eu senti um arrepio profundo na hora. Tiago tremia de ódio ao meu lado e eu segurei seu braço como se o acalmasse. Os outros reverenciaram-no e no mesmo instante eu percebi que estava olhando para o que se denominava de "Lord das Trevas". Apertei mais o braço de Tiago e não foi de medo. Reparei em nós mesmos para me certificar de que estávamos bem escondidos. Estávamos, já que a claridade da fogueira era praticamente toda tapada pelos "comensais" e a árvore era realmente muito grossa.
O tal "Lord" parecia esperar algo. Os bruxos começaram a se ajoelhar, um por um, e então o tal "Lord" começou a falar uma língua estranha.
- Ofidioglota.- sibilou Tiago, com sua voz trêmula de ódio.
Engoli em seco observando-o. Em seguida, o vi se aproximar de um primeiro bruxo que tinha o braço estendido. Olhou para cima e falou mais alto algo na língua das cobras, e instantaneamente um fio saiu de sua varinha que amarrou-se na mão do bruxo ajoelhado. Depois, enfiou a ponta da varinha no pulso do braço estendido e gritou algo ainda em língua das cobras. Tal grito fez Tiago dar um murro na árvore e eu estreitei meus olhos. Um urro de dor do bruxo que estava sendo marcado, dominou o local e eu agarrei o braço de Tiago com força. Pela iluminação da fogueira,vi que lentamente, algo ia sendo tatuado no braço do comensal. Depois que terminou com aquele, seguiu para o próximo. Vi então, que estávamos presenciando o ritual de iniciação de alguns comensais.
Passados uns vinte minutos em que a cena se repetia só que com diferentes comensais (e eu particularmente não agüentava mais ver e também não suportava mais segurar o braço de Tiago que parecia querer sair dali pra estapear o grupo a nossa frente), o tal "Lord" se distanciou ( reparem meu nojo ao falar deste ser infeliz.. eu realmente o detesto), e falou numa voz calma e fria, que parecia ser capaz de esquartejar ou queimar vivo qualquer recém nascido indefeso tamanha sua maldade:
- Podem ir. Nott, Avery, Rookwood, Bellatriz Black, Régulo Black, Crabbe, Goyle, Malfoy e... Snape.
Senti um arrepio na espinha enquanto ouvia Tiago esmurrar o tronco grosso da árvore a ponto de sangue escorrer de suas mãos.
N/A: Geeeeeeeeeeeeeeeeeeeeente podem me matar, me trucidar e me esquartejar que eu deixo!!!
"Como assim, você demorou quase um mês pra postar!!!"
É, eu sei e admito!
Mas foi porque eu to participando de um teatro no meu colégio, to hiper ocupada com os ensaios e também porque to em época de prova.. aí vocês já sabem né?? É fogo...
Mas enfim, aqui está postado, e eu realmente vou tentar AO MÁXIMO pro próximo ser mais rápido, ok??
Vamos as reviews:
Thaty: Brigada pela review moça, continua a ler tá, por favor! Beijos!!
Flavinha Felton: Eu também já teria agarrado ele há séculos, hehehehe... Tiago é perfeito!!! Brigada pelo comentário linda, beijos!!!
July: Heheheheh, quantas perguntas hein July?? Bem, primeira pergunta... a fic está prevista.. repito, PREVISTA, pra ter mais ou menos uns vinte capítulos... desde o início eu venho dizendo que eu não pretendo fazer uma fic enoooorme nem mesmo uma pequeninha... mas como eu vi que você começou a ler agora, tudo bem !
Segunda: fotos dos marotos... bem, depende.. você quer fotos dos atores ou fan Art, tipo desenho?? Eu tenho apenas uma dos atores q vao fazer o quinto filme...
De nada, pra mim é uma diversão fazer essa fic, ok? D
Beijos e não pare de ler!!!
fla Marley: Hahahahhahaha, foi?? Você lia fics onde, antes?? Que bom, é uma honra ser a primeira q te traz ao fanfiction! (HAUSHUAHS, usando as palavras bregas de Tiago!), Desculpa pela demora tá fla?? Beijos!!!
Franci Flom: Haushuahsuashuash, gostou?? Sirius é gato mesmo, e ele agora de estilo surfistinha?? HÁ! Detalhe, eu pus as tatuagens porque no filme o Sirius (o Gary Oldman) tem umas tattoos e tal, ai eu achei legal por aqui também... E as conversas por Legilimência de Tiago e Lilly vão perdurar a fic inteira, então pode relaxar que vem muito mais!!! Beijooooes!!!
Eliza Evans Potter: Ihhh, demorei, ó/ Desculpaaa, vou tentar não demorar mais, tá?? Brigada pelo comentário e pelo elogio Eliza, isso vale MUITO pra mim, tá?? É praticamente o que me empolga pra fazer os outros capítulos!! Beijos!!
Vanessa Zabini Lupin: Hahahhahaha, ó leitora antiga é boa hein?? Enfim, gostou do 11 Vanessa?? Beijoooos!!!
Xanda: Pensou? E aí, foi como você imaginou?? Só não incrementei mais porque eu já tava achando o cap. Muito grande saca??? Mas enfim.. valeu a intenção! Beijos!!
Perfect-Doll: Hhahahahahaha, brigada jow! Valeu, yo! AHUSHASUH xD fêa demais!! Beijos!
Mayara Evans: Hhaushaush... Você já me adicionou?? Nem vi... acho q te passei errado porque o underline não apareceu aqui.. bem, veja as considerações finais que eu vou por aqui q eu vou colocar meu msn certinho...e qual é o nome da sua fic? Que aí eu leio lá na floreios!! Beijos!!
Diana: Tá aqui.. calma! O Edward ainda vai aparecer mais.. tenha calma ok? Heheheheh, beijos Diana!
Luisa: Ita Luisa não faz greve não!!! Desculpa a demora mulher, mas é como eu disse no início da Nota, não tive muito tempo e a inspiração foi dar uma passeada lá pela China.. / mas de qualquer jeito brigada pelos elogios e beijos!! Por favor não para de ler, tá??
Wilson: Ahhh Will, gostasse? Huushaushuahsuahs, demora da bexiga, mas vc viu meu sacrifício e minhas noites em claro esperando a criatividade né? Beijoooos e não esqueça de comentar !! ¬¬
Então, considerações finais:
Eu particularmente não gostei muito desse cap porque:
Eu esperava fazer mais do baile assim como eu sei que voces também esperavam SÓ QUE... eu não tive tempo, achei q vocês já estavam esperando muito e também pelo fato de que coisas mais interessantes estão por vir e eu não queria ficar presa numa coisa tão clichê como o baile.. esse cap foi mais voltado mesmo pro beijo deles, ok?
Outra, sobre o beijo:
Eu queria incrementar mais o beijo mas não consegui! Eu admito não consegui! Tive vergonha e outras frescuras, maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaasssss, esse problema será solucionado... vocês me perguntam "como?" e eu respondo: tenho uma amiga que já fez fics comigo (aliás continua fazendo) que irá participar dessa fic, e irá fazer as actions juntamente à mim... então não se preocupem leitores de action de plantão, minha fic sim, terá cenas ... er... profundas.. mas nem tanto, até pq Lilly e James são sagrados! Heheheheheh...
Outra:
Meu msn é : maluh(underline)91(arroba)hotmail(ponto)com, ok?Podem adicionar a vontade pra tirar duvidas, dá sugestões e etc...
E também meu orkut já está aqui no meu perfil do fanfiction, podem adicionar também, ok??
Beijos gente e eu já to começando o 12º, blz??
TCHAU! D
