N/A: Feliz dia das bruxas, gente!!! (realmente muito atrasado!!!) Bem, como prometido, eu estou atualizando, (meio atrasadinha como sempre, mas tudo bem!), e já tenho o próximo capítulo inteiro pronto na minha cabeça!!! Apesar de não ser um dos capítulos mais importantes, espero que vocês gostem deste aqui também. Só me desculpem pelo atraso (pelos Dragões da água, quantas vezes eu já disse isso O .o) mas deu um bloqueio geral, isso mais o stress da escola... Credo, ninguém agüenta!!! E imaginem só que, no feriado de 15 de Novembro, eu levei o laptop da minha mãe para o sítio da minha avó, onde eu passei o feriado, para poder escrever. Pois bem, eu consegui terminar o capítulo, e salvei tudo bonitinho no disquete... MAS ELE NÃO ABRIA!!! Eu fiquei desesperada, mas aí meu pai se ofereceu pra poder recuperar no trabalho dele... E ele conseguiu!!! VIVA O MEU PAI!!!! Bem, mas continuando...

Nicki: Escrevendo às sete da manhã? Credo, como você é madrugadora!!!

Autora: Sai, Gus, é minha vez de usar o computador, e eu estou escrevend... O.O Nicki Newman?!?!?!? O que você está fazendo aqui???

N: Vim falar com você, oras...

A: Isso aqui já ta virando rotina... ¬¬' E você diz isso como se fosse normal que os meus personagens simplesmente invadam o escritório para conversar com a autora...

N: Aham Mais alguma reclamação quanto à minha presença ou eu posso continuar agora?

A &pede para Nicki se sentar no sof& Bem, pelo menos você não veio gritar no meu ouvido (a dona Lily já está pagando o preço por ter feito isso...), mas afinal, o que você veio falar?

N: Bem, antes de tudo, eu vim aqui para fazer uma reclamação.

A: Mas reclamar do que, garota??? O.o Você é linda, arranja um namorado que te ama, é ótima em feitiços e desenho, tem uma melhor amiga que, apesar de esquentadinha, é uma boa pessoa, tem outros amigos legais, tem...

N: Mas, se você ainda não percebeu, você está expondo demais a minha vida pessoal...

A: Credo, eu nunca imaginei que estaria discutindo isso com alguém, muito menos com você...

N: Mas você sabe que é verdade...

A: Mas, como assim?

N: Para começar, eu arranjei um namorado, mas por que Hogwarts inteira precisa ficar sabendo disso???

A: Mas não fui eu que entrei lá pra expor você! Foi o Potter!!

N: Ah, e você não controla todos os nossos atos, incluindo os do Tiago?

A: Não.

N: ¬¬ Como assim?

A: Eu simplesmente não controlo os meus personagens!!!

N: Até parece...

A: Tome você como exemplo...

N: O.o Eu?!?

A; Sim, você. Se eu te controlasse totalmente, como você poderia estar no MEU escritório, ME censurando por uma coisa que não é culpa minha!?!

N: Você está falando como a Lily agora...

A: Bem, não é de se espantar.. Ela é uma de meus alter-egos...

N: O.o Alter-egos???

A: Sim, eu tenho dois, dependendo do meu humor...

N: Um deles é a Lily...

A: E o outro é a Bellatrix.

N: Bellatrix Black, aquela sonserina prima do Sirius???

A: Sim, por quê???

N: Mas... O que você tem a ver com ela???

A: Uma certa dose de crueldade... Principalmente para com os meus personagens! (sorriso malvado)

N: (tremendo) Mas... Você não tinha dito que não tinha controle sobre os seus personagens???

A: Sim, mas... Eu não posso controlar suas personalidades e jeito de ser, mas quanto ao resto...

N: Glupt! Bem, então... Eu já vou voltando para a história &pensando: essa aí é louca mesmo!!!!& Ah, mas espere aí! A Lily me pediu para te dar um recado...

A: Desembucha!

N: Ela veio perguntar o que você vai fazer com ela agora, e que ela está implorando por misericórdia...

A: Bem, diga a ela para implorar o quanto quiser... Pois ela me chamou de incompetente, e isso eu não deixo barato... E que ela não perde por esperar, pois a coisa que ela mais teme vai acontecer... MUAHUAHAUHAUHAUHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHAUHAUHAUHA

N: Por Merlin, estou ficando com medo de você...

A: (sorriso malvado) Entendeu por que Bellatrix Black é o meu segundo alger-ego???

N: Bem... Certo... Eu tenho que ir... heheh...

A: bem, agora que ela já foi, posso finalmente parar de enrolar e começar logo a responder...

Rewiews:

Pandora: Bem, eu não posso fazer nada quanto ao seu Siriuzinho... Mas o que você pode fazer é aproveitar ele por aqui... (e eu acho que alguém vai poder fazer isso por você... Assim como a Nicki e eu, você pode ter o seu alter-ego por aqui...Heheh... (ah, e só pra não perder o costume, SHE SURVIVES!!!!!!!!)

Nicki: Hehe.... Eu te disse que ia segurar o capítulo até você comentar??

Gaby: Hum.... Ok, desta vez eu te perdôo. (ow, como eu sou má!) E agora, para o seu desespero, mais um capítulo!!!

G-Lily P (Gaby 2): Pois é... já que não temos nenhum Tiago Potter por aqui, temos que nos contentar com o que resta...

Lilli Evans: Yeah, que bom que você gostou!!! E a Nicki, convivendo com o Potter desde que ela era pequenininha, já deve ter se acostumado com os apelidos... Agora, se a paciência da Nicki um dia acabar... Aí sim vai acontecer o que você sugeriu...

MileEvans: Eu também morri de pena dele... Apesar de ele ter sido o maior pentelhão pra Nicki, o Angus (ou a própria Lily) exagerou... Espero que você goste deste capítulo também!!!

Tainah: Eu também adoro o Alex, ele é muito lindo (pelo menos como eu o imagino...). Mas às vezes, eu fico com um pouquinho de raiva dele... (você já notou que eu não tenho lá muito controle sobre os meus personagens) E com certeza o Tiago não morre de amores por ele... huhauhauahuhaauhhu

Isabelle Potter: Huahuahuahuaha... Você não imagina como eu vou me aproveitar desta cena no futuro...

Lady Suriel: Oie... Não, o Tiago ainda não desistiu... Mas você está certa, esta história realmente vai render para a Lily neste capítulo (crise de consciência é uma das piores coisas para se sentir por uma pessoa que se odeia...)

COMOÉQUEÉ?: (tudo bem que foi do último capítulo, mas eu estou respondendo aqui mesmo): Pois é... Eu também fiquei morrendo de ódio pelo que ele fez... Mas no capítulo anterior, ele pagou pelo que fez (e até mais...)

Fernando Miaise: Obrigada... (também sem saber o que mais dizer...) Espero que Você também goste deste capítulo...

Pikena: Oi!!! Amei muito a sua rewiew... Espero que você goste deste capítulo também... Não se preocupe com rewiews grandes, é o que eu mais amo!!! (com exceção, é claro, do meu cachorr"inho" Dolfi, entre outras coisas) FELIZ ANIVERSÁRIO ATRASADO!!!!!! PARABÉNS!

Juliana Montez: Descobrir, ela vai descobrir logo... Mas para admitir que gosta do "maldito Potter"... Aí sim que pode demorar um pouquinho...

PatyAnjinha Malfoy: Que bom que você gostou!!! E agora, com o atraso habitual, aqui vai o próximo capítulo!!! ( eu espero me emendar no futuro, eu juro!!!

Luiza Potter: Olá, xará!!! Bem, eu posso dizer que não vai demorar TANTO para a Lily descobrir que gosta dele... Mas agora, para admitir isto... É a famosa batalha: coração X razão...

Giulinha Black: Credo, não se mate!!!! Senão você não vai poder ler o resto da fic! (só se existir computador no Além...) Mas chorar pode... Tadinho do Ti... Mas ele vai aproveitar neste capítulo, ah se vai...

Nina Potter: Que bom que você gostou... Espero que você goste deste aqui...

Silverghost: (puxa, que honra!) Eu simplesmente AMO o Angus. Ele é inspirado no meu cachorrinho lindo e indefeso, o meu Dolfi (ok, ok, ele é um golden retriever gigantesco e com dentes enormes, que não simpatiza com homens estranhos e derruba todo mundo no chão, mas ele é um docinho de pessoa, digo, cachorro...) Mas ele tem o seu lado cruel de ave de rapina (e, realmente, não hesita em liberar isto em cima do Tiago, ainda mais sob o comando de sua estimada dona...)

Quero agradecer a todos e a cada um em especial (credo, eu pareço até o tio Dumbie falando assim XD... ) pelas rewiews, são elas que me mantém vivas e devidamente grudada no computador!!! Não sei onde eu estaria sem vocês!!! (provavelmente, fazendo qualquer outra coisa, como estudando para a prova de português...) Mas continuem mandando, ou eu choooooooooooooro!!!!! (snifs)

Agora, parando com essa enrolação monstra, vamos começar de uma vez por todas com este capítulo...

10- Remorsos & Desculpas

Não. Isso não pode ser verdade. Eu não acredito no que eu acabo de presenciar. Simplesmente não acredito. Como ele OUSOU fazer isso comigo?!?! Como eu pude ser tão tola a ponto de acreditar que ia ser possível??? Como eu pude me iludir a tal ponto? Em que utopia desenfreada eu penetrara quando decidi fazer aquilo??? Resumindo: ONDE EU ESTAVA COM A CABEÇA QUANDO FUI FAZER AQUILO?!?!?!?! (borrão de tinta simplesmente gigantesco)

Ok, Lily, você precisa se controlar, ou provavelmente você não vai durar mais nenhuma semana neste caos desenfreado no qual se transformou a minha vida nestas últimas semanas...

Ah me desculpe, diário, mas eu realmente estou com a minha sanidade mental profundamente abalada nesta semana... Simplesmente por que eu fiz (ou melhor, pretendia fazer) algo que eu jamais, nem que me torturassem ou me submetessem a maldição Imperius, faria:

Pedir desculpas a Tiago Potter.

Sim, Diário, eu não estou mentindo (afinal, quem, neste mundo doido, mentiria para o próprio diário???). Eu realmente estava prestes a cometer este ato humilhantemente hediondo, quase criminoso. Mas, como eu já devo ter repetido várias vezes, acho que eu estava com um parafuso a menos quando decidi fazer aquilo. Ou talvez fosse só mais um sentimento traidor que me abalou... O insuportável, onipresente, irritante, cego, horroroso, poderoso e infalível REMORSO. Mas eu devo estar sendo uma péssima escritora agora... Com certeza você deve estar se perguntando: Afinal, o que esta doida aprontou desta vez? Bem, aqui vai:

Eu fiquei realmente muito abalada depois que eu saí de minha festa de aniversário, que, aliás, tinha chegado ao fim por causa daquele maldito Potter. E, ao contrário do que qualquer pessoa com cérebro em Hogwarts (infelizmente, muito poucas) pensaria, eu estava me corroendo de pena pelo que Angus tinha feito. Eu sabia que ele merecia isto por ter brigado com o Alex, que não tinha feito absolutamente nada de mal para ele, a não ser ferir o enorme, homericamente gigantesco ego e orgulho dele, mas... Aquele sentimento de culpa não me abandonava. Angus já tinha atacado o Potter algumas vezes, (uma vez no quinto ano, quando ele tentou me agarrar a força, e outra vez no sexto ano, quando nós estávamos tendo uma discussão feia, e eu, em um momento de descontrole, aticei Angus pra cima dele, mas isso não interessa agora) mas o que mais me incomodava foi o jeito que ele me olhou. Não era um olhar de raiva ou frustração que eu esperaria... Mas sim um olhar magoado, melancólico, cansado e derrotado... Havia alguma coisa naquele olhar que me tocou profundamente. Naqueles olhos castanhos que eu me acostumara a ver sempre sorrindo marotamente e me observando tolamente, eu descobri uma nova pessoa, um novo Potter. Naquele singelo momento, naqueles três segundos em que nos encaramos, eu percebi que ele não estava simplesmente aborrecido ou enraivecido pelo que tinha acontecido. Ele estava realmente magoado. Mais do que ferir sua testa com as garras de Angus, eu tinha ferido os seus sentimentos! E aquele olhar me perseguiu por toda a noite. Aqueles olhos castanhos tomaram conta do meu subconsciente também, pelos sonhos, e eu definitivamente não dormi bem naquela noite. Pela manhã, quando acordei de um sonho perturbador povoado de pares de olhos castanhos me censurando, eu estava me sentindo péssima. As cobertas da minha cama estavam todas reviradas, e meus cabelos estavam horríveis, cheios de nós. Eu me sentia mais cansada do que quando eu tinha ido dormir, e eu estava pálida e com olheiras. Quando me olhei no espelho, pela primeira vez um lapso de sanidade povoou a minha mente, e eu pensei Céus, Lily, você deve estar ficando maluca... Como você pode ficar tão perturbada por causa de um simples olhar??? E ainda por cima – eu fiz uma cara de nojo - por um olhar do Potter!!!

Depois de lavar vigorosamente o meu rosto e vestir o meu uniforme, eu pretendia descer sozinha para o Salão Comunal. Normalmente Nicki estaria me acompanhando, mas, pressentindo seu mau humor pela vergonha que a fizemos passar na noite anterior, eu preferi deixa-la sozinha. Mas, assim que eu coloquei o primeiro pé nas escadas e olhei para fora, eu me deparei com os conhecidos cabelos revoltos que eu tanto odiava. Não. A minha sorte não podia estar pior hoje..., pensei, e dei a volta, retornando novamente para a segurança de meu dormitório. Nicki já tinha acordado, e já estava quase pronta. Sem dizer palavra, ela prendeu seus cabelos loiros em seu costumeiro rabo-trança rebelde, e nos pusemos a caminho. Rezando para que Potter não estivesse mais lá, eu desci as escadas em silêncio, e nós duas chegamos ao Salão Principal sem maiores incidentes. Tomando o cuidado de me sentar o mais longe o possível dos Marotos, eu me sentei na ponta da mesa, e, ainda sem dizer nada, eu comecei a comer.

Após alguns minutos sem nenhuma palavra ser proferida, eu comecei a me impacientar. Eu preferia que Nicki gritasse comigo, atirasse coisas em minha direção e até derrubasse suco de abóbora em minhas vestes do que o seu silêncio reprovador. Eu estava começando a achar tudo aquilo insuportável. Temendo o pior, eu respirei fundo, e, finalmente perguntei:

-Você não está braba comigo, não é, Nicki?- eu tentei imitar o melhor possível um olhar de cachorrinho pidão, até que eu me lembrei que Potter costumava olhar assim para mim de vez em quando, e me lembrei novamente daquele olhar. A minha expressão deve ter sido realmente engraçada naquela hora, pois Nicki começou abruptamente a rir, fazendo todos os presentes se virarem em nossa direção. Mas logo ela ficou séria novamente.

-Você não tem idéia da vergonha que eu passei ontem, Lily... – começou ela, lançando um olhar disfarçado à mesa da Corvinal.

-Mas você sabe que não foi culpa minha...

-Mas você também não me ajudou...

Ah não, eu pensei, angustiada. Eu não agüentaria MAIS ALGUÉM magoado comigo naquele dia...

-... Mas eu simplesmente não consigo ficar braba com você, Lily... - disse ela, me abraçando, para meu profundo alívio – Mas quanto aquele ali... - continuou ela, estreitando os olhos para o outro canto da mesa, onde os Marotos faziam sua algazarra de todos os dias, rindo alto e falando de boca cheia. Sirius Black parecia excepcionalmente barulhento hoje, quase subindo em cima da mesa, em uma discussão acalorada com o garoto gordinho, o Pettigrew. Remo apenas observava os amigos, com um pequeno sorriso no rosto. Só havia uma coisa fora do normal naquele dia: Potter. Ao contrário do que era de se esperar, ele não estava acompanhando Black em suas brincadeiras, tampouco comendo como quem não comia há três dias. Ele estava quieto, apático, e parecia fitar melancolicamente o vazio. E, só para piorar a situação, a ferida que Angus fizera na testa de Potter era um tanto quanto profunda, e cortava sua testa de ponta a ponta. Um nó subiu pela minha garganta quando eu vi esta cena, e minhas entranhas se corroeram novamente com uma onda de remorsos. Por mais que eu não quisesse admitir, eu estava realmente preocupada com Potter. Nicki pareceu notar que havia algo de diferente, e me perguntou o que estava acontecendo. Com um suspiro, eu contei para ela o que eu estava sentindo, e que eu simplesmente não sabia o que fazer. Ela ouviu tudo pacientemente e, ao contrário do que eu esperava, não começou a rir. Parecendo realmente aliviada, ela disse simplesmente:

-Então vá lá e peça desculpas, Lily!!! Todos erram de vez em quando. Se você acha que agiu mal, você pode consertar isso!

-Mas ele é o Potter!!!- disse eu, batendo o pé. – Aquele que sempre correu atrás de mim feito um maníaco, me pedindo para sair, que sempre me deu apelidos idiotas, e atormenta a minha vida desde que eu pisei neste castelo!!

-Então por que você está tão angustiada? Se você o odeia tanto, por que você fica com pena e se preocupa com ele?

Para Nicki, tudo parecia mais simples. Afinal, ela conhece Potter desde que nasceu, e já devia estar acostumada ao seu jeito de ser, ou seja lá o que isso for...

Mas, em meio à confusão mental que tomava conta de mim, eu consegui me agarrar desesperadamente a um pensamento, como um náufrago se agarra a uma bóia: Afinal, eu estava falando do chato, prepotente, arrogante, orgulhoso, rude, galinha, mimado, descortês, metido, retardado, estúpido, imbecil, energúmeno, insuportável Potter. Uma criatura assim não é digna de pena, muito menos de desculpas. Levando o comentário de Nicki realmente a sério, eu respirei fundo e disse a mim mesma que não pensaria mais no assunto. Esqueça isso, Lílian Evans!!! Você não deve desculpas a ele, afinal, ele é o Potter arrogante, grosso, prepotente, etc. etc. Não há por que pedir desculpas, se você o odeia!!! Aliviada pelo lampejo de consciência que tinha me iluminado a mente, eu continuei com o meu café da manhã e, assim que nós duas terminamos, pegamos nossas mochilas e fomos correndo para a primeira aula do dia, Transfiguração.

Normalmente, as aulas de Transfiguração com a profa. Mc Gonagall são realmente interessantes, mas naquele dia eu estava demasiadamente ocupada com a batalha sangrenta que parecia estar ocorrendo em meu interior para conseguir prestar atenção ao que ela nos dizia sobre transformações definitivas. Eu parecia definitivamente dividia em duas metades que competiam brutalmente entre si pelo controle da minha mente. Um dos meus lados, com certeza a minha consciência normal e salvadora, berrava estridentemente que eu estava ocupando a minha mente com besteiras, que Potter não merecia a mínima consideração, e que fora ele quem provocara toda aquela confusão. Eu tentava acreditar piamente no que a minha consciência dizia, mas havia ainda a outra parte. Como se fosse um veneno infiltrando-se lentamente no meu sangue, aquela outra metade de mim, que eu não sei de onde surgiu, murmurava que eu tinha exagerado com ele, que ele tinha se magoado comigo, que eu não fora justa quando aticei minha coruja contra ele, que eu estava sendo um monstro... E, que, no final das contas, ele também era um ser humano como qualquer outro, que sentia, que se magoava... Que amava! Mas, francamente, eu nunca tinha ouvido tamanha baboseira na minha vida, berrava o primeiro lado. Você sabe que isso não é baboseira, eu só estou sendo realista..., Manifestava-se o meu segundo lado, sussurrando, mas ainda sim se sobrepondo aos gritos da primeira voz. Eu apoiava fervorosamente a primeira voz, que era a única que condizia com tudo que eu sabia a respeito de todas as coisas, mas, mesmo que involuntariamente, a segunda voz se fazia ouvir no fundo do meu subconsciente, e eu não conseguia deixar de sentir certa dose de pena dele. A sineta tocou, mas eu ainda continuava absorta em meus pensamentos, como se assistindo às duas vozes que discutiam em minha mente. A próxima aula foi exatamente igual à primeira... E a outra aula também... E a próxima... E a outra... E assim, batalhando contra mim mesma, eu passei aquele dia maluco, praticamente presa em minha própria cabeça e desligada de todas as coisas que aconteciam a minha volta. No início, Nicki se mostrou realmente preocupada comigo, e me perguntava periodicamente se eu estava realmente me sentindo bem. Mas, depois da segunda aula ela parou de me importunar, e apenas ostentava o seu sorriso misterioso de quem sabe de alguma coisa, o que, francamente, me deixou assustada. Afinal, por que ela estava me olhando assim??? Mas, alguns segundos depois, as duas vozes voltavam à minha cabeça, e eu acabei esquecendo de todo o resto.

Quando caiu a noite, as duas vozes ainda não haviam terminado a sua "guerra", e tudo que eu consegui foi uma enorme de uma dor de cabeça e um estado de estremo mau-humor. Depois das aulas, elas não pararam de discutir; apenas o faziam em um tom mais baixo, deixando-me pensar normalmente, isso é, o mais normal possível para um dia maluco como aquele. Mas, infelizmente, o mundo não parou para ver o resultado do conflito entre as duas metades do meu ser, e eu, como toda aluna aplicada, deveria estar fazendo meus deveres, que se haviam se acumulado espantosamente. Com um enorme suspiro de resignação, eu me debrucei sobre os meus livros, ao lado de Nicki, e comecei a por as minhas tarefas de casa em dia, tentando ao máximo ignorar as duas vozes que ainda entravam em conflito dentro de minha mente. Eu tentei me distrair um pouco, observando Nicki acariciar calmamente Aquiles, seu gato magro, amarelo e medroso, mas que no momento ronronava satisfeito no colo da dona. Com a outra mão, ela terminava sua redação de Feitiços, em uma mostra de extrema destreza e estranha coordenação motora. Mas, assim que ela notou que eu a observava, ela sorriu misteriosamente para mim novamente, para depois logo desviar o olhar, aumentando mais ainda o meu estado de irritação. Eu me forcei a olhar para o meu trabalho de poções pela metade, e escrevi mais algumas linhas, até a minha frágil atenção ser desviada novamente, mas desta vez, meu olhar vagou até o outro lado do Salão Comunal. Para ser mais exata, onde os Marotos sempre se sentam. Meus olhos deslizaram rapidamente por Pettigrew, que mordiscava um sapo de chocolate enquanto ouvia Sirius Black descrever, em sórdidos detalhes, como fora seu último encontro com uma Corvinal do quinto ano. Logo ao lado, parei o meu olhar em no terceiro Maroto. Afundado em sua poltrona e parecendo mais doente do que nunca, estava Remo, que já sofria com a aproximação da lua cheia. E, ao lado de Remo, na outra ponta, estava Ele. A Criatura causadora de todos os meus problemas, o Desordeiro de meus sentimentos, o Culpado por todo que estava acontecendo. Assim como Remo, Potter estava afundado em sua poltrona, e parecia prestar uma vaga atenção no que Black dizia, enquanto brincava com seu pomo-de-ouro roubado da escola, com um ar desanimado. As minhas duas vozes, que haviam momentaneamente parado de discutir, voltaram com força total, enchendo minha cabeça de pensamentos insanos sobre me levantar agora mesmo e pedir desculpas... Ou me levantar agora mesmo e lhe dar um tapa na cara. Começando a ficar com medo de mim mesma, eu rapidamente desviei o meu olhar dos marotos e tentei novamente me concentrar em minhas tarefas. Mas, infelizmente, minha tentativa foi em vão. Alguns poucos minutos depois, minha atenção foi novamente fisgada para o local onde os Marotos se encontravam. Mas, desta vez, minha atenção não foi atraída pelos Marotos em si, mas sim pela garota que se dirigiu às poltronas onde eles estavam sentados. Megarah Blane tinha acabado de sair de seu dormitório junto com as meninas, mas, ao contrário das outras, que saíram pelo retrato da Mulher Gorda, ela ficou no Salão Comunal, e não perdeu tempo em se dirigir para as poltronas onde os Marotos se sentavam. E, pelo modo como ela havia claramente exagerado na maquiagem e trocado de roupa, suas intenções estavam claras: Sem dúvida, ela estava dando em cima de Potter.

Desde o terceiro ano, Megarah tem uma quedinha pelo maldito Potter... Céus, eu disse uma quedinha??? Oh, engano meu... Ela é simplesmente OBCECADA pelo Potter, só faltando ela construir um altar com sua imagem e começar a adorá-lo e lhe trazer oferendas!!! Ela vivia observando seu "alvo", anotando cada hábito bobo dele, descobrindo o que ele gostava e não gostava de comer... Eu não duvido que ela saiba até a marca de cuecas que ele usa!!! Desde o terceiro ano eu a ouço suspirar no dormitório feminino, contando para Ludmilla e as outras sobre o último olhar que ele lhe dirigira, ou sobre o modo como ele bagunçava sensualmente seus cabelos... Enquanto eu me segurava para não vomitar diante de tanta adoração por um ser tão abominável.

Mas, de qualquer maneira, Potter nunca deu lá muita bola para ela, pois parecia sempre muito ocupado me chamando para sair, e azarando inocentes quando não conseguia (ou seja, sempre), ou aproveitando-se de outras garotas, em namoros que duravam, no máximo, uma semana. Ele podia perder para Sirius em matéria de galinhagem, mas, estranhamente, algumas garotas extremamente descerebradas pareciam achar os seus cabelos horrorosos e sua pose arrogante extremamente atraentes, e viviam suspirando por ele nos corredores. Bem, ok, eu tenho que admitir que ele não seja de se jogar fora. Anos e anos de quadribol deram músculos ao seu corpo outrora magro e mirrado, e seu rosto é agradavelmente proporcional, com seus olhos castanho-esverdeados escondidos parcialmente por um par de óculos, mas que ainda sim não ocultava seu brilho no olhar quando tramava alguma coisa... Mas nada disso compensa o que tem por dentro: um poço de orgulho e arrogância, juntamente com uma mente extremamente poluída, e uma capacidade gigantesca de irritar profundamente as pessoas... Mas, voltando aos acontecimentos daquela noite, Meggie, como as garotas a chamam, se dirigiu às cadeiras onde os Marotos estavam sentados, e, com um rápido aceno para Sirius e ignorando Remo totalmente, ela puxou uma cadeira para perto do Potter, curvando-se sobre ele. Eu assistia a cena, enojada, ao pensar como ela conseguia ficar perto daquela criatura sem se cansar de tanta arrogância e prepotência... Mas ela não parecia se importar. Na verdade, ela parecia extremamente feliz em ter encontrado uma oportunidade para paparicar seu amado Potter. Sem falar nada, ela se sentou ao seu lado, encostando-se descaradamente no braço de sua poltrona, e observava-o atentamente enquanto ele pegava seu pomo-de-ouro, soltava-o e voltava a apanhá-lo.

Nossa, você é realmente bom nisso - disse ela, em sua voz enjoada e melosa.

-É por isso que eu sou o apanhador da Grifinória, não é?- rebateu ele, ainda sem muito interesse.- eu não pude deixar de rir por dentro ao ver a cara de decepção que ela tinha feito. Mas, como toda boa bobinha apaixonada, ela insistiu:

Mas você sem dúvida deve ser o melhor apanhador que Hogwarts já viu... - ela se aproximou um pouquinho mais, sorrindo sonsamente.

Não sei por que, alguma coisa naquela cena estava me incomodando profundamente. Ele já tinha um ego suficientemente grande, e não precisava ser massageado por uma garota fútil e bobinha, que era incapaz de qualquer coisa senão suspirar e sorrir sonsamente diante daquele traste. E, ainda mais, os dois estavam tão perto...

-Pois é... - disse ele simplesmente, passando a mão pelos cabelos distraidamente enquanto seu olhar passeava pela sala. Mas, de repente, seus olhos encontraram os meus, e, em uma fração de segundo, ele percebeu que eu o estava espionando. Sua expressão entediada mudou em tempo recorde, e ele me deu um daqueles sorrisos marotos, e se operou uma mudança gigantesca em seu comportamento. Dois segundos depois, ele estava virado em direção à garota, e parecia beber todas as palavras fúteis que ela proferia, prestando uma atenção exagerada a ela. Recuperando novamente seu velho espírito maroto, ele começou a falar alto e fazer graças, também sorrindo sonsamente. Eu levei alguns segundos para descobrir exatamente o que ele estava tentando fazer, mas, quando descobrir, eu fiquei extremamente vermelha: Ele estava tentando me deixar com ciúmes! Como se isso fosse possível...

Decidida a frustrar seu plano de chamar a atenção, eu voltei a olhar para o meu dever, mas ainda sim mantive meus ouvidos atentos ao que acontecia onde eles estavam sentados. Por alguns bons minutos, eu continuei assim, dividindo a minha atenção entre o trabalho e a conversa dos dois, mas logo eu parei, estacada, ao ouvir o que Meg dizia:

-Por Merlin, o que é esse corte horroroso na sua testa?- imediatamente eu olhei para os dois, a tempo de vê-la com as mãos na cabeça do Potter, olhando preocupada a cicatriz que Angus havia deixado.

-Foi um "presentinho" que a coruja da Lily me deixou... - disse ele, olhando na minha direção, ao que eu baixei meu olhar imediatamente.

-Aquela criatura psicopata que a Evans chama de bichinho de estimação??- disse ela, horrorizada – não sei como Dumbledore deixa uma coisa dessas entrar nesta escola!

Ao que Potter apenas riu, ela continuou:

-Aliás, não foi ela quem mandou a coruja atacar você?? Pobrezinho... Ela é um monstro também! Eu não entendo o que se passa pela cabeça daquela desequilibrada... Como ela foi capaz de fazer isso com você?

Eu não consegui acreditar nas palavras dela. A pesar de ela ser chata, bobinha e crédula, ela estava horrivelmente certa. Eu tinha sido um monstro horroroso, e nem sequer tinha pedido desculpas!!!

Sem poder agüentar mais, eu fechei meus livros com estrondo, assustando o gato profundamente e saí quase correndo para o dormitório, sem falar nada para Nicki.

Com mais remorsos do que nunca, eu me joguei na cama e fiquei alguns minutos ali, as palavras de Meg ressonando na minha cabeça. Eu afundei a minha cabeça no meu travesseiro, e, de repente, vi alguma coisa brilhante embaixo dele. Curiosa, eu coloquei as mãos embaixo do meu travesseiro e peguei o objeto, mas ele só me fez sentir pior ainda. Aquele era o lírio que ele tinha me dado, o qual eu havia esquecido embaixo de meu travesseiro. Um gigantesco nó subiu pela minha garganta ao ver a bela flor que brilhava fracamente em minhas mãos. Novamente eu me lembrei daquele olhar magoado que ele me lançara, e de como eu fora injusta com ele... Alguns segundos depois, eu já lutava contras as minhas lágrimas, me sentindo a última das criaturas. Ainda me sentindo um lixo completo, eu fui tomar um banho, esperando que a água quente novamente me acalmasse e me aconselhasse.E, realmente, eu saí de lá decidida: No dia seguinte,eu pediria desculpas ao Potter, nem que para isso eu tivesse que ir contra todos os meus instintos de auto preservação e minha própria consciência. Afinal, Lily, sua vida já está ficando insuportável, e fazer isso é o único meio de poder viver em paz novamente, eu pensei enquanto vestia minha camisola azul e me enrolava nas cobertas. Senão, você vai acabar se sentindo em dívida com aquela criatura... Para todo o sempre. Aquela idéia me assustou tanto que eu estremeci.

Alguns segundos depois, Nicki adentrou o dormitório, carregando os livros em um braço e Aquiles no outro, mas, pela ausência de seu sorriso sonhador, ela não estaria saindo para um encontro com Michael hoje. Eu fechei os olhos e fingi dormir, mas, percebendo o que eu fazia, ela colocou o gato no chão e disse:

-OK, não precisa fingir que está dormindo, Lily, basta me dizer que você não quer ser incomodada que eu entendo. Mas, de qualquer jeito, acho que você se interessaria em saber que o Tiago inventou uma desculpa qualquer para se livrar dela assim que você foi embora. - ela deu outro de seus sorrisos misteriosos, e começou a desfazer seu rabo-trança, soltando seus lindos cabelos loiros que ela tanto fazia questão de esconder.

-Estou me sentindo um monstro!- disse eu com um suspiro, pondo para fora o que tinha me atormentado durante o dia inteiro.

-Então pegue a varinha e se transfigure permanentemente, como nos exemplos que a prof. Mc Gonagall nos deu na aula de hoje...- gracejou ela, enquanto vestia o pijama, tomando o cuidado de não tirar as suas preciosas luvas pretas.

-Não dá pra conversar com você deste jeito...

Ok, ok, eu paro. Mas eu acho que, para uma pessoa que você odeia, você está se preocupando demais com o que aconteceu...

Eu já disse que eu odeio o seu vizinho com todas as minhas forças, Nicki, e não importa o que você diga, eu sempre vou odiar ele!

-Sei, sei...- ela me olhava como se eu estivesse mentindo descaradamente para ela.- estou até acreditando...

-Viu como não dá pra falar com você?!- disse eu, irritada, me virando para o outro lado para não encará-la.

Se você o odeia tanto, Lily, então não vai fazer diferença se você pedir desculpas para ele ou não...

-Mas é justamente esse o problema... - disse eu, me virando para ela novamente - eu o odeio, mas eu agi mal daquela vez, e estou em dívida com ele. Se eu não pedir desculpas, isso vai me atormentar para todo o sempre!!! E eu quero simplesmente odiá-lo em paz. Será que isso é impossível???

-Então peça desculpas e volte a ser a Lílian Evans normal, Lily. Por que você complica tanto coisas tão simples?

Eu dei outro grande suspiro.

-Mas eu o odeio, e este é o problema. Como eu vou admitir que estava errada, me mostrar frágil e vulnerável, para alguém que eu sei que vai usar isto contra mim?

Foi a vez de Nicki suspirar profundamente.

-Então fique em dívida eterna com ele, Lily. Olha, pode ser difícil, mas que escolha você tem? Só lhe restam estas duas alternativas, e você vai ter que escolher uma, e sofrer as conseqüências. Se você pedir desculpas a ele, está ferindo o seu orgulho. – eu a olhei indignada. Afinal, eu não sou uma pessoa orgulhosa!- Sim, Lily, o seu orgulho que está em jogo. Mas, se você não pedir desculpas ao Tiago, você vai ficar se corroendo de remorsos cada vez que olhar para ele, ficará em dívida com ele. – ela deitou-se em sua cama.

- OH, eu não sei o que eu seria sem você, Nicki- disse eu, sarcástica, mas mesmo assim falando a verdade.

-Nem o que eu seria sem você... Quem me faria passar tanta vergonha?- nós duas rimos, desejamos boa noite uma para a outra e fomos dormir. Graças aos dragões dos sonhos, eu não sonhei novamente com qualquer coisa perturbadora, pois tinha a certeza de que eu logo estaria livre de toda aquela preocupação.

No dia seguinte, eu acordei me sentindo mais revigorada do que nunca, e com um pensamento fixo na minha cabeça: Hoje eu estaria livre daquela confusão! Finalmente eu poderia pôr um fim a tudo aquilo, e poderia ficar em paz novamente. Eu queria escrever aquele maldito bilhete naquela hora mesmo, mas de repente eu me dei conta de um "pequeno detalhe": Eu tinha me esquecido completamente do fato de eu ter aulas naquele dia. E eu estava realmente perdendo muita matéria, levando em conta as perturbações que me afligiam no dia anterior. E, com os NIEMs pairando sobre os estudantes do sétimo ano, eu não poderia me dar ao luxo de deixar de prestar atenção a mais um dia de aulas.

Foi bem menos difícil me concentrar nas aulas naquele dia, e fui para o Salão Comunal naquela noite pronta para começar a minha difícil missão: escrever um bilhete pedindo desculpas a Potter. Com minha pena preferida, um tinteiro e um rolo de pergaminho na minha frente, eu comecei a pensar no que escrever.

Caro Potter – eu comecei a escrever. Mas estava soando muito formal, então eu risquei as palavras e tentei começar de novo: Odiado Potter. - Não, não, eu já estava exagerando nas hostilidades. Eu fiquei assim mais uns cinco minutos, até eu desistir e colocar somente Potter; nem formal, nem informal, nem ofensivo nem amigável. Simplesmente... Neutro. "timo - eu pensei, molhando novamente a pena no tinteiro- agora é só escrever o resto do texto

Seria bom se isso fosse tão fácil de fazer quando de se dizer...

Eu passei pelo menos uma meia hora adicional trabalhando naquele maldito texto, que, no final, acabou ficando assim:

Potter,

Desculpe-me pelo que eu mandei Angus fazer no meu aniversário, eu realmente estava fora de controle quando fiz aquilo. Eu não estou dizendo que você tenha razão sobre qualquer coisa, mas apenas estou querendo dizer que eu agi mal naquele dia.

Bem, é isso.

Lílian Evans

Satisfeita comigo mesma, eu assoprei o meu apito em formato de coruja, e, alguns segundos depois, Angus entrava por uma janela aberta no Salão Comunal e pousava no meu ombro, contente por ser chamado. Depois de acariciar brevemente suas penas negras, eu amarrei o bilhete em sua perna, e sussurrei em seu ouvido:

-Entregue isso ao Potter, está bem, meu fofo?- e, com um movimento largo do meu braço, eu o deixei voar.

Só então que eu percebi o que eu acabara de fazer. Eu tinha mandado Angus enviar o bilhete de desculpas para Potter. Angus. Mas já era tarde de mais, e eu não podia chamá-lo de volta. Afinal, a inimizade entre Angus e Potter era evidente. Potter já havia sido atacado nada menos do que três vezes pela minha coruja, e Angus tinha um profundo ódio de Potter, que já tinha tentado me agarrar a força, e, se ele percebia que eu odiava alguém, esta pessoa se tornava automaticamente alguém odiado para Angus..

Mas, depois do ocorrido eu percebi que poderia ter sido pior. Quando eu o enviei, Angus obedientemente voou até o lugar onde Potter estava sentado, pronto para lhe entregar o bilhete. Mas, apesar de não atacá-lo, minha coruja não deixou de fulminá-lo com o olhar. A chegada de Angus causou muita comoção nos Marotos, apesar de todos terem reações diferentes: Remo sorriu amigavelmente para o recém-chegado, Black abaixou a cabeça para deixar Angus passar, Pettigrew se encolheu na cadeira, amedrontado... e Potter não teve dúvidas: Levantou-se da cadeira e começou a andar para o outro lado do Salão Comunal. Frustrado por não fazer sua entrega logo, Angus pousou brevemente na poltrona onde Potter estivera sentado, para depois sair novamente voando em sua direção. Olhando por cima do ombro, Potter começou a andar mais rápido, mas isso não adiantou. Voando cada vez mais rápido, Angus se aproximava cada vez mais de Potter, que começou a correr, fugindo de minha coruja, já começando a ficar desesperado. Se antes Angus estava frustrado, agora ele estava começando a se zangar. Ele nunca deixara de fazer uma entrega, nem mesmo sob tempestades de neve, e não era por causa de um destinatário fujão que ele desistiria agora. Piando raivosamente, ele foi atrás de Potter, as garras com a carta amarrada estendidas em sua direção.

Se eu não estivesse com um problema grave de peso na consciência, eu teria me matado de rir ao ver a cena que se seguiu: Angus piava freneticamente, batendo furiosamente as enormes asas e tentando a todo custo chegar até Potter, que corria o mais rápido que podia, e começou a gritar:

-SOCORRO! TIREM ESSA CORUJA PSICOPATA DAQUI!!! LILY, EU IMPLORO, POR FAVOR, CONTROLE ESTE ANIMAL!!!- Alguns meninos do sexto ano tentaram ajudar, mas Angus era escorregadio como uma cobra quando queria. Black também tentou detê-lo, mas teve que largar quando o enorme corujão bicou seus dedos com força. Não agüentando mais, eu tornei a assoprar o apito, e, como se nada tivesse acontecido, Angus simplesmente voou para meu braço estendido, ainda piando com força e olhando Potter ameaçadoramente.

-Calma, calma, Angus...- eu murmurava em seu ouvido, acariciando sua cabeçorra com uma mão enquanto ele se apoiava no meu outro braço.

Ainda ofegante da corrida, Potter parou na minha frente, tomando o cuidado de ficar a alguns metros de distancia, e, com a voz transbordando de desgosto, disse:

-O que eu fiz agora para mandar você mandar a sua coruja me atacar de novo?- e, sem esperar nenhuma resposta, ele se virou e foi em direção ao dormitório masculino, batendo os pés.

Mais arrasada do que nunca, eu fui arrastando os pés até o meu próprio dormitório, que se encontrava vazio no momento, pois Nicki já tinha saído para se encontrar com Michael. Aliviada por não ter que falar com ninguém, eu me joguei em minha cama, tentando absorver tudo o que havia acontecido. Você não conseguiu pedir desculpas. Agora ele está ainda mais chateado com voc - eu pensei, ainda mais angustiada. Mas minha linha de pensamentos foi bruscamente interrompida por uma barulheira infernal atrás da porta do dormitório. No momento seguinte, as quatro meninas com quem eu dividia o quarto entraram, todas falando ao mesmo tempo.Mas, ao invés de irem para suas camas, Ludmilla, Jane, Nathalie e Megarah foram direto para a minha cama, onde eu estava deitada, e me metralharam com perguntas.

-O que aconteceu lá embaixo? – Os olhos amendoados e castanhos de Jane Olivier me encaravam, confusos.

-Foi de propósito, não foi?- cuspiu Meg Blane, venenosamente.

-Por que você fez isso?- Nathalie Ryan me olhava como se eu fosse um alienígena roxo e deformado que tinha acabado de cair em seu dormitório.

-O que ele aprontou desta vez?- Ludmilla, minha melhor amiga entre as quatro,sentou-se na minha cama, tentando ficar séria, mas não podendo conter um pequeno sorriso. Contrariada por ter sido tão bruscamente interrompida e mais bruscamente interrogada, eu demorei um pouco, mas, por fim, medindo muito bem as minhas palavras (afinal de contas, eu estava diante da maior fofoqueira de toda Hogwarts, então tinha que tomar cuidado), eu disse:

-Ele não fez nada desta vez, Ludi... Eu só queria entregar a ele... Um... Um pergaminho que ele havia esquecido na sala e não estava com a mínima vontade de vir falar com ele.- inventei, cruzando os dedos para que elas não percebessem que eu estava mentindo. – Mas, quando viu Angus, Potter se apavorou e fugiu, e a minha coruja foi ensinada a sempre fazer as suas entregas, não importa o que aconteça... Então, deu no que deu... - eu terminei, torcendo para que elas logo me deixassem em paz.

-Ah, certo... – disse Nathalie, visivelmente desapontada. Aposto que ela estava esperando uma história bem mais emocionante do que a que eu havia acabado de contar. As meninas logo se dispersaram, e eu não demorei muito a cair no sono.

Eu não consegui dormir muito bem naquela noite, pois fui perseguida por Megs e corujas gigantes a noite inteira em meus sonhos, e acordei mais cansada do que havia dormido. Por um milagre, Nicki acordara antes de mim, e me observava atentamente enquanto eu me levantava vagarosamente. Quando por fim eu me levantei, ela disse:

-Bem, acho que o seu plano não deu muito certo... - eu conhecia minha amiga bem o suficiente para saber que ela estava se segurando ao máximo para não cair na risada.

-Bem, você só se esqueceu de um pequeno detalhe - disse eu, minha voz transbordando de sarcasmo: - o plano era idéia SUA Nicki...

-Ora, ele teria dado certo, se não fossem uns pequenos detalhes... – disse ela, na defensiva.

-Oh, claro, que pequenos detalhes... Como o fato de Angus e Potter simplesmente se odiarem!!!

-Mas eu disse mandar uma coruja, e não mandar Angus, Lily... Você não pode me culpar por tudo que acontece de desastroso na sua vida...

Sem resposta, eu não pude fazer nada senão concordar:

-Tudo bem, me desculpe... Eu só estou meio estressada com isso tudo, e simplesmente não sei mais o que fazer...

-Sim, Lílian Evans, você sabe o que fazer, só não está com vontade!- Nicki me interrompeu, enquanto prendia seu cabelo. – você vai ter que ir até ele e pedir desculpas...

E, novamente, ela estava infalivelmente certa. Em silêncio nós descemos as escadas e passamos pelo retrato da Mulher Gorda, e tampouco falamos qualquer coisa quando chegamos ao Salão Principal.

Aquele dia poderia ser considerado um dia como qualquer outro em Hogwarts, a não ser por um pequeno detalhe, aliás, dois: Para começar, estávamos em um sábado, e, graças aos dragões, não teríamos nenhuma aula naquele dia. Mas o segundo motivo não era algo que pudéssemos comemorar: Naquele sábado começava a lua cheia, e Remo iria se transformar naquela noite. Quando nos dirigimos à mesa da Grifinória, lá estava ele, triste e abatido, mal tocando na comida à sua frente. Imediatamente eu me esqueci de todos os meus problemas, ao ver o estado lamentável em que se encontrava meu amigo. Os Marotos já se encontravam sentados ao lado de Remo, mas nós tratamos de sentar a sua frente.

-Bom dia, Remo!- disse Nicki, baixinho - está se sentindo bem?

-Estou bem, na medida do possível - disse ele, tentando sorrir, mas sem sucesso.

-Ah, Remo... Nós ficamos sempre tão preocupadas com você – disse eu, abraçando meu amigo com força, sem poder me conter.

-Puxa, queria até ser Lobisomem para poder ser tão paparicado – Sirius tentou quebrar o clima tenso, mas sem sucesso.

-Não diga isso – Remo enrijeceu na cadeira- você não sente dores horríveis quando se transforma, não tem que mentir para todos os que ama, não é rejeitado por todos que conhecem a verdade... – embora sua voz não passasse de um sussurro, o tom era grave e ameaçador.

-Será que lobisomem também tem TPM?- sussurrou Nicki para mim. Eu não pude deixar de dar uma risadinha.

De repente, Potter se levantou e se posicionou atrás de Remo, massageando suas costas

-Calma, Aluado, não tem por que ficar tão raivoso... – e ele sussurrou alguma coisa no ouvido de Remo, e isso pareceu animá-lo um pouquinho.

Eu queria tirar o dia para passar com Remo, pois eu não o veria por alguns dias, mas, infelizmente, as tarefas de casa não esperam, e eu tive que ficar quase o dia inteiro mergulhada nos livros, pesquisando na biblioteca sobre um ingrediente peculiar para a aula de poções. No meio da tarde, quando eu estava saindo da biblioteca com um punhado de livros na mão, eu encontrei Potter sozinho no corredor, olhando para os jardins, pensativo, e de repente eu me lembrei do meu aniversário, do que Angus tinha feito, e das tentativas fracassadas de pedir desculpas. Em um ímpeto de coragem ou de insanidade, eu realmente não saberia dizer, eu me aproximei dele, julgando aquele momento simplesmente perfeito para eu finalmente me desculpar: No corredor vazio, sem nenhum curioso para interferir. Respirando fundo, eu fui andando lentamente até ele, até encará-lo de frente. Ele me encarou de volta, surpreso.

-Lily, o que você está fazendo aqui? – sua mão imediatamente foi aos seus cabelos, bagunçando-os mais do que eles já estavam. E aquele era uma das coisas que eu odiava em Potter, além do fato dele ter nascido tão arrogante e cheio de si.

-É Evans pra você, Potter, eu já disse mil vezes para você não me chamar pelo primeiro nome... – ok, tudo bem, eu sei que eu só estava enrolando o máximo possível, mas eu realmente me irrito quando ele me chama de Lily. Eu normalmente prefiro que as pessoas me chamem assim, mas quando eu ouço meu apelido pronunciado pelos lábios de Potter, ele parece tão diferente do que o "Lily" que eu sempre ouço de todos... E é isso o que mais me irrita.

- Mas o que você veio fazer aqui?- ele insistiu, aparentemente ignorando meu comentário.

-E-eu... Não te devo satisfação do que eu faço ou deixo de fazer, Potter - na verdade, eu não queria falar aquilo, mas me parece um mecanismo de auto defesa que vem junto comigo. Eu estou tão acostumada a humilhá-lo e repudiá-lo sempre que possível que as respostas prontas saem sem que eu possa sequer pensar. Talvez assim seja melhor – eu pensei, quase que para justificar meu comportamento para mim mesma- se você der confiança a ele, Potter vai ficar confiante de mais, e aí eu não quero nem pensar no que aconteceria...

-Mas eu preciso falar com você, Potter.- emendei, para não perder a oportunidade.

-Me chame de Tiago, ok? – disse ele, caminhando até mim e segurando a minha mão. Eu tirei minha mão imediatamente, e rapidamente rebati:

-Não encosta em mim! E, não importa o que você diga, para mim, você sempre será o Potter!!! O chato, maldito e arrogante Potter – eu pensei, mas achei que seria demais até para uma criatura como ele ter isso esfregado na própria cara.

-Mas o que você queria me falar?- ele se empertigou todo, dando seu sorriso conquistador que ele sempre usava quando me pedia para sair. Ele bagunçou novamente os cabelos e ajeitou os óculos, como se estivesse prestes a receber um pedido para assumir a presidência do Universo, ou coisa parecida.

-E-eu queria dizer que... Bem... - eu estava tentando me concentrar para pedir desculpas, mas sua pose arrogante me irritava cada vez mais. As palavras simplesmente não saíam da minha boca, e, para não balbuciar, eu fechei novamente a minha boca.

-Por que você não fala?- seu sorriso se intensificou - está com vergonha?

Agora sim ele tinha passado dos limites, e eu não agüentei mais. Sem ao menos me lembrar do que eu viera fazer ali, quando eu me dei conta, já estava berrando a plenos pulmões:

-SE VOCÊ QUER SABER, EU VIM AQUI É PARA DIZER QUE VOCÊ É A CRIATURA MAIS CRETINA, ARROGANTE, PREPOTENTE, CHEIA DE SÍ, TIRANO, INSUPORTÁVEL QUE JÁ CRUZOU O MEU CAMINHO POR TODA A MINHA VIDA!!! QUE VOCÊ VIVE IMPORTUNANDO A TODOS N"S, QUE NÃO TEM A MENOR CONSIDERAÇÃO PELOS OUTROS, E QUE NÃO SABE FAZER NADA A NÃO SER IMPORTUNAR A MINHA VIDA!!!- e, com um ímpeto, eu me virei e fui embora. Eu sabia que eu não deveria ter dito isto, e que eu deveria ter pedido desculpas a ele... Mas ele simplesmente me tira do sério!!!

Lá por umas sete da noite, a enfermeira levou Remo para o Salgueiro Lutador, onde, eu sabia, ele se transformava. Mas ele não fazia isso nos terrenos de Hogwarts. Embaixo do salgueiro havia uma passagem, que levava diretamente à casa dos gritos. Como não havia ninguém lá, ele podia passar a noite em segurança, sem por vidas em risco. As pessoas ouviam seus gritos e uivos, e todos achavam ser espíritos malignos. Dumbledore estimulava boatos, e ninguém, a não ser ele, Nicki, eu e talvez os outros Marotos saibam do segredo de Remo. Eu fui dormir cedo naquela noite, realmente preocupada com o bem-estar de meu amigo, e momentaneamente me esqueci de meus problemas de consciência. Nicki, pra variar, estava fora com Michael, e não pretendia voltar tão cedo. As outras meninas conversavam sobre como os professores estavam enchendo-nos de trabalhos e lições, e, embalada pelo som de suas vozes, eu logo adormeci. Eu sei que você deve estar meio chateado por eu não ter sequer me dignado a escrever em você, já que eu dispunha de tanto tempo, mas eu tinha tantas coisas na minha cabeça que eu simplesmente me esqueci de você...

O dia seguinte, aquele domingo foi um dia chuvoso e cinzento, e, como eu já havia terminado quase todas as minhas tarefas e cumprido minhas obrigações, eu resolvi ir até a enfermaria para visitar Remo, que deveria estar precisando de alguém para conversar naquela hora. Assim que eu cheguei, a enfermaria parecia vazia. A enfermeira deveria estar em sua sala, e a única coisa que se via de diferente era uma cama coberta por cortinas. Remo ficava lá durante o dia, curando os ferimentos que ele mesmo se provocava. Abri as cortinas com cuidado, supondo que ele estivesse dormindo, e eu estava certa: Ele estava só com a calça do pijama, e seu peito nu estava inteiro recoberto por cortes e arranhões feios, que me causavam arrepios. Seus braços pareciam um tanto quanto mordidos, e nem seu rosto escapara daquela cruel e involuntária auto-mutilação: ataduras e esparadrapos cobriam uma parte de seu rosto, na região das bochechas e sobrancelhas. Eu já ia fechando as cortinas para ir embora quando ele repentinamente abriu os olhos. Quando me avistou, ele deu um meio sorriso.

-Lily, que bom que você veio aqui para me ver. – ele tentou se sentar, mas ele estava tão ferido que isso foi impossível.

-Não, Remo, pare com isso, não precisa se levantar... - disse eu, aflita, ao ver as caretas que ele fazia enquanto tentava se apoiar na cabeceira da cama.

-Tiago veio aqui há algum tempinho - disse Remo, me lançando um olhar penetrante. – E ele me contou o que você lhe disse ontem. – ele começou a rir, mas isso deve ter doído muito, pois ele parou repentinamente, - você explodiu bonito, heim...

-" Brutus, até tu, filho meu!!! – disse eu, fazendo uma pose dramática. – Mas, falando sério, você está falando como a Nicki agora...

-Mas você exagerou com ele ontem, Lily... Assim como você exagerou com ele no dia do seu aniversário. – Remo ergueu as sobrancelhas machucadas para mim, esperando uma resposta.

-Eu sei Remo, eu sei... - eu me sentei em sua cama, mas ao ver a careta de dor que ele fazia, eu me levantei imediatamente.

-Ai... Você sentou em cima da minha perna...

-Mil desculpas...

-Mas você deveria ter pedido desculpas a ele... - Remo me repreendia veementemente.

-Mas era exatamente isso o que eu estava tentando fazer quando vim falar com ele ontem! Mas ele simplesmente me irritou ao extremo, e eu não consegui me conter...

Meu amigo esboçou outro sorriso.

-Mas eu ainda acho que você deve continuar tentando, Lily... E você deve parar de ser tão dura com ele. Tiago disse que você anda realmente passando dos limites com ele... E, embora isso pareça meio impossível para você, o Tiago também é um ser humano como qualquer outro, que também têm sentimentos, que chora, que se magoa... E que se apaixona de vez em quando. Você sabe que ele nunca reclamou de você, mas ele anda te achando muito agressiva ultimamente... Até mais do que o normal. - agora até eu não pude deixar de rir.

-Você tem razão... Eu tenho que pedir desculpas a ele... E, desta vez, não há nada que possa me impedir de simplesmente pedir desculpas, nem que eu tenha que berrar isto na cara dele! – eu não sei como meu amigo, preso a uma cama e incapaz até de se sentar podia me influenciar tanto nas minhas decisões... Do seu jeito calmo, mas repreensivo, ele conseguia, eu creio que ele possa até mover montanhas. Mas, de qualquer jeito, as palavras dele pareciam ter sido tiradas da boca da minha "segunda voz", que vivia a me importunar... Eu ando até desconfiando que foi ele quem a implantou em minha mente...

-Então pode ir... Logo, logo, vai anoitecer... - Remo abriu uma frestinha nas cortinas e espiou melancolicamente pela janela.

Depois de me despedir de meu amigo, eu fui andando pelos corredores, com o humor realmente elevado, mas ainda sim temendo o momento em que eu teria que fazer isso... Afinal, pedir desculpas para a pessoa que você mais odeia não é nada fácil.

Eu estava andando absorta pelos corredores, quando, de repente, eu ouvi o som de feitiços serem proferidos e alguma coisa que caía pesadamente no chão.

-Ranhooooooooooooooooooooooooooooooso, que bom te ver de novo - aquilo era inconfundivelmente a voz de Sirius Black, e a coisa que tinha caído no chão deveria ser Severo Snape, que os Marotos insistiam em chamar de Ranhoso por causa do seu nariz adunco... Alguns outros apelidos eram Seboso, por causa de seus cabelos e ainda outras coisa, mas, por serem de teor altamente ofensivo, não vale nem a pena transcrevê-los para cá... Mas, de qualquer jeito, Ranhoso é o apelido mais usado.

-Já estávamos ficando com saudades de você...-

Não. Eu não podia acreditar. A outra pessoa que estava azarando Snape era justamente o Potter. Aquele maldito Potter. Bem quando eu ia pedir desculpas a ele, ele me vinha com essas...

-Seus amantes de trouxas desgraçados, vocês ainda vão pagar por isso... - Snape dizia entre dentes, como se a sua cara estivesse contra o chão, o que eu não duvidava que fosse verdade.

-UUUUUUUuuiiiii, que medo!!! O ranhosinho malvado vai nos machucar, Pontas, o que podemos fazer agora???- debochou Black, com uma vozinha aguda de falsete.

-Então, para não deixá-lo mais zangadinho ainda, vamos fazer um joguinho com ele!- Potter interviu, entre risadas. – Por que não brincamos de dar chazão nele???

-O que vem a ser chazão, Pontas???- como Black tinha tido muito pouco contato com trouxas, até menos do que Potter, ele não sabia o que era aquele pesadelo acadêmico chamado chazão.

-Chazão é quando você levanta uma pessoa pelas cuecas ou pela calça... O Prewett, o nosso ex- goleiro que se formou no ano retrasado, que me contou. Ele tem um primo trouxa que contava que levava muitos desses na escola...

-Puxa, os trouxas têm idéias tão brilhantes que até me assustam... E então, ranhoso, o que você acha???

-Vão para o inferno, seus sujos desclassificados, um dia vocês vão pagar pelo que fizeram!!!- ouviu-se novamente um feitiço e o barulho de uma cabeça se chocando contra uma pedra.

Eu corria pelos corredores, tentando achar o lugar de onde vinham as vozes, mas todos os corredores estavam vazios. Eles devem estar em uma passagem secreta, eu pensei, começando a olhar em volta, procurando algum sinal de entrada. Enquanto isso, as vozes continuavam:

-Ih, o disco quebrou... Parece que ele não sabe dizer outra coisa... Silêncio!- com um feitiço, a voz de Snape se calou. - mas eu acho que ele adorou a idéia. - Sirius parecia mais empolgado que nunca.

- Bem, então vamos começar agora!! O único problema é que eu não sei que feitiço nós podemos usar para fazer isso... Só me contaram dos métodos trouxas de dar chazão...- disse Potter, ignorando completamente o garoto que deveria estar jogado em algum canto da sala.

-Vamos ver... Que tal o Accio?

-Não, não. Hum... talvez... Já sei!!! O Vingardium Leviosa...

-Ou é só dar um Locomotor Cuecas... – os dois Marotos caíram na risada.

-Gostei da sua idéia... Quando eu contar até três! Um... Dois... Três!!!

-Locomotor Cuecas!- os dois bradaram ao mesmo tempo, e logo o feitiço do silêncio foi quebrado, e os berros de Snape puderam ser ouvidos com uma nitidez espantosa. Finalmente eu estava chegando perto.

-Ooooooooooooooooooh, que meigo!O ranhosinho está gritando de alegria! – cínico como sempre, Black continuava a gracejar.

Finalmente, eu consegui achar uma saliência na pedra e, quando a pressionei, a parede se abriu como uma cortina, e revelou uma cena muito bizarra: Potter e Black estavam se matando de rir enquanto apontavam as varinhas para cima e, com a cabeça roçando no teto e berrando de dor, estava Snape, cujas cuecas eram levantadas até a altura de sua cintura.

-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI ME LARGUEM SEUS DESGRAÇADOS!!!

Entre as risadas desenfreadas, Potter de repente olhou para o lado, e me viu parada na frente da entrada, vermelha como um pimentão, e quase explodindo de raiva. Ele também estava vermelho, só que de tanto rir. Mas pior do que ele estava Black. Se não tivesse que segurar a varinha, ele estaria rolando de tanto rir. Sua cara estava totalmente púrpura, e grossas lágrimas rolavam de seu rosto.

-Muito bem, vocês dois. Vocês vão largar ele AGORA MESMO e nem pensem que isso vai sair barato...- eu sibilei, me segurando para não começar a gritar naquela hora mesmo.

De tão espantados, Black e Potter baixaram as varinhas, fazendo Snape cair no chão com um estrondo.

-Lily, que surpresa agradável... - tentou emendar Potter, sorrindo e fazendo uma mesura.

-É EVANS PRA VOCÊ, E EU NÃO ACREDITO NO QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO!!!

-Lily, calminha aí, não foi minha culpa, foi ele quem...

-NÃO IMPORTA QUEM COMEÇOU, EU SIMPLESMENTE NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FOI CAPAZ DE FAZER UMA COISA TÃO INFANTIL E PRIMITIVA E VOCÊ NÃO TEM... - mas eu simplesmente não consegui terminar a minha frase, pois, de tão distraídos que os dois marotos estavam com a minha chegada, mal tinham notado que Snape tinha se levantado, apanhado sua varinha, e agora fazia Potter se contorcer no chão de dor, enquanto ele pegava fogo. Mais rápido do que eu podia pensar, eu apaguei o fogo com água tirada de minha varinha, e depois me voltei para Snape. Se antes eu estava furiosa, agora eu estava uma fera. Ninguém, mas ninguém mesmo, tinha o direito de azarar Potter enquanto ele estivesse levando uma bronca minha. Como aquele ranhoso OUSAVA fazer isso bem na minha frente? Realmente irada, eu me virei para ele, e, em um só fôlego, eu disse:

-COMO VOCÊ OUSA ME INTERROMPER ENQUANTO EU ESTOU DANDO UMA BRONCA EM POTTER?!?!?!?! COMO VOCÊ SE ACHA NO DIREITO DE AZARAR ELE??? ORA SEU...

-Não venha me dizer o que fazer sua sangue ruinzinha sabe-tudo! Pare de defender o seu namoradinho!!! – Se antes ele já estava encrencado, agora sim ele já era um aluno morto. Chamar-me de sabe-tudo eu já me acostumei. Sangue ruim já era uma ofensa mais pesada que não deveria ser dita, mas dizer que eu era namoradinha de Potter... Isso sim era a pior coisa que poderia ser dita para mim, a pior ofensa possível. Eu fui ficando cada vez mais vermelha, e, antes que ele pudesse dizer mais qualquer coisa, eu comecei a berrar descontroladamente:

-CALE A BOCA SEU RANHOSO NOJENTO!!! COMO VOCE OUSA ME CHAMAR DE NAMORADINHA DESTA COISA AÍ!?!?!?! VOCÊ NÃO MERECE NEM O PAPEL HIGIÊNICO COM O QUAL VOCÊ SE LIMPA, SEU NOJENTINHO MENTIROSO!!!! ESTUPEFAÇA!!!!!!- só alguns segundos depois é que eu me dei conta do que eu tinha acabado de fazer. Eu, Lílian Evans, a monitora-chefe de Hogwarts, boa aluna e exemplo de pessoa, tinha acabado de azarar um outro aluno, que estava nocauteado no chão a minha frente. Eu fitava estarrecida Snape caído no chão, inconsciente, até que uma enorme gargalhada me despertou de meus devaneios.

-AUHAUHAUHUAHUAHUA EU NÃO ACREDITO NISSO, LILY, VOCÊ ACABOU COM ELE!!!! – Black estava rolando no chão de tanto rir. Potter ainda estava no chão, com uma expressão mais surpresa ainda, e me olhava como se eu fosse uma ave rara. Mas, assim que o meu olhar se encontrou com o dele, eu me lembrei do que ele tinha feito, e uma incontrolável onda de raiva.

-Bem, agora vamos cuidar de voc... – disse eu venenosamente, caminhando até o garoto que estava deitado no chão, e imediatamente ficando vermelha novamente.

-COMO VOCÊ OUSA FAZER ISSO COM ELE? COMO VOCÊ OUSA SER CRUEL A ESTE PONTO??? EU SIMPLESMENTE NÃO CONSIGO ACREDITAR QUE VOCE ESTAVA FAZENDO ISSO!!!

Ele se sentou no chão, ouvindo pacientemente os meus gritos, sem dizer palavra.

-LOGO AGORA QUE EU VINHA ME DESCULPAR PELO QUE EU TINHA FEITO PARA VOCÊ, QUE EU TINHA EXAGERADO, BEM AGORA QUE EU VINHA PEDIR PERDÃO, EU TE FLAGRO FAZENDO LOGO ISSO!!!

-O quê???- Potter me interrompeu de repente, se levantando rapidamente. – Você tinha vindo para pedir desculpas... Para mim?

-SIM, EU VINHA, MAS VOCÊ...

-Você veio aqui ME pedir desculpas??? Você???- Potter tinha arregalado os olhos, incrédulo.

-PARE DE ME INTERROMPER!!!!

-Por Merlin, eu estou no céu!!!- disse ele, e de repente fez uma coisa que eu realmente não esperava: Ele simplesmente me abraçou, me rodando pelos ares. Céus, como ele é forte!!! Mas isso não vem ao caso, já que eu estava sendo rodada pelo Potter, e eu ainda estava sendo interrompida no meio de um discurso de represálias...

-Me larga, Potter, ME LARGA AGORA!!! SEU CRETINO HORROROSO E ARROGANTE, ME LARGA AGORA!!! COMO VOCÊ OUSA FAZER ISSO SEU MONSTRO!!!! – eu lutei com todas as minhas forças contra seus braços fortes, e, sem olhar para trás, me virei e saí correndo pelos corredores, sem parar até chegar ao Retrato da Mulher Gorda. Eu falei a senha apressadamente, e logo estava entrando no meu dormitório. Nicki estava sentada em sua cama e me olhava com uma expressão que ia de riso à preocupação.

-O que acon...

-Agora não, Nicki, por favor, eu não estou com humor para falar qualquer coisa... - Eu vesti minha camisola apressadamente, me enfiei embaixo das cobertas e tratei de pegar você, meu diário, e colocar tudo em dia. E, por incrível que pareça, eu estou extremamente aliviada. Afinal, eu estava fora de mim, gritando, mas ainda sim pedi desculpas a ele, e agora posso ficar tranqüila. Afinal, aquilo foi meio que um pedido de desculpas, e eu não estou mais em dívida com ele agora. Pronto.

Não é?

Mas, de qualquer jeito, eu só espero poder finalmente dormir em paz, sem remorsos, sem preocupações... E sem as loucuras que andaram acontecendo com uma freqüência realmente grande nestas últimas semanas...

Lily Evans.

N/A: HAUHAUUAHAUHAUHUAHUAHUH..... O Snape levou chazão, eu não consigo acreditar!!!! Eu me matei de rir quando escrevi esta cena... Meus pais acharam até que eu estava louca. Bem, este capítulo eu nem mandei pra betar (sorry, Isa...), mas eu estava sendo ameaçada de morte pelas minhas amigas... Bem, de qualquer jeito, eu preciso perguntar uma coisa:

O que vocês preferem: um capítulo longo, contando toda uma cadeia de acontecimentos, ou capítulos menores, se resumindo somente a um dia, no máximo dois???

Os capítulos longos demorariam um pouquinho mais (como, vocês estão vendo, né...), enquanto os curtinhos talvez matem todas de curiosidade... E talvez demorem um pouquinho também, até eu elaborar a trama na minha cabeça...

Bem, agora é com vocês... Digam o que vocês preferem nas rewiews!!!!

Muitos beijos, e eu prometo que não vou demorar tanto para atualizar da próxima vez (apesar das últimas semanas estarem chegando, e com eles, dúzias de provas...) Mas eu dou a minha palavra, e, como as meninas sabem , eu nõa volto atrás!!!!

Lily Dragon