Observação: Brainstorm é um projeto da seção Draco/Hermione no fórum 6V. As regras são simples e claras: inicia-se a rodada com a indicação de uma imagem/citação/trecho de música/whatever para alguém escrever uma fanfic. Pode ser qualquer pessoa. Quando a fanfic for postada, a pessoa passa a bola para a frente com outra imagem/citação/musica/etc.

Aqui estão todas as fanfics que escrevi no projeto. Espero que gostem, gatinhos.


CONFISSÃO EM CORES


"that the nights were mainly made for saying
things that you can't say tomorrow day"

Do I Wanna Know? - Arctic Monkeys


Três foram o número de vezes em que toquei Granger com algo mais do que repulsa. E três foram o número de vezes em que ela me tocou.

A primeira ocorreu no meu quarto ano, mais precisamente no baile de inverno durante os jogos. Ela estava acompanhada de Victor Krum, em um lindo vestido azul claro cujo meu único desejo era rasgar em pedaços. Ela estava especialmente pálida naquela noite, a pele brilhando com as luzes do salão principal e um pouco de cor em suas bochechas. Antes daquele momento eu nunca havia notado que Granger havia amadurecido, e até mesmo que o seu sorriso havia mudado. Os olhos, que apresentavam uma maquiagem clara, estavam de um castanho que eu nunca tinha percebido antes. Sempre achei que fossem chocolates, mas no breve momento em que nossos olhos se encontraram e as luzes foram concentradas na dança dos campeões, vi que na verdade eles eram mel.

A festa se passou com um borrão depois disso. Cada vez que eu via algum relance de seu vestido azul ou de seus cachos castanhos presos cuidadosamente em um penteado bonito, algo prendia meu pomo de adão e ficava difícil respirar estando imerso em toda aquela raiva silenciosa. Fiquei remoendo Hermione Granger por boa parte da noite, enquanto dançava com Parkinson, enquanto bebia, enquanto respirava o mesmo ar que aquela imunda. Como ela conseguiu se tornar o par de Krum, como ela conseguiu ficar bonita, como ela conseguiu invadir meus pensamentos desse jeito. Em meio a tudo isso, a vi escapando do salão com Weasley, seu rosto tão vermelho quanto possível, e Potter um pouco mais atrás.

Movido por uma força que até hoje desconheço a origem, os segui. Ao longe observei uma discussão entre Weasley e Granger, observei a mágoa nos olhos castanhos e sua voz alcançando notas mais altas à medida que as lágrimas escorriam por suas bochechas. Weasley e Potter deram as costas, voltando ao salão, enquanto Granger se apressou até o corrimão da escada, tirando os saltos, e logo em seguida caminhou para a escuridão acolhedora que encontrou embaixo da mesma.

Com passos lentos e calculados fui até o seu encontro, sem formar qualquer tipo de plano ou discussão para o que eu encontraria. Apoiei-me casualmente em uma pilastra, cruzando os braços enquanto a encarava. Demorou alguns segundos para ela sentir a minha presença, tentando controlar as lágrimas. Assim que me viu, uma careta de ódio se formou em seu rosto.

"O que você quer, Malfoy?", ela perguntou, a voz trêmula e novamente alcançando notas altas. Não era que eu não quisesse respondê-la. Acredite, eu queria, mas simplesmente não conseguia. Sentia-me petrificado diante da minha própria confusão. Optei por permanecer em silêncio quando me dei conta que nada sairia de minha boca.

Granger não gostou muito disso, e, enxugando as lágrimas com brusquidão, ela se ergueu e me encarou de volta.

"Então você vai ficar me encarando, é isso? Pra guardar a imagem nos seus sonhozinhos de–"

"Cala a boca, Granger."

Ela ainda arfava um pouco, e meu olhar se desviou rapidamente para o movimento de seu colo, erguendo um pouco até encontrar seus lábios entreabertos. Engoli em seco, voltando a encontrar seus olhos que brilhavam de raiva. Ela ainda estava um pouco surpresa com a minha resposta, já que não era do meu feitio ser tão direto e sucinto em nossos breves encontros nos corredores, e percebendo que aquela discussão não iria levar a lugar algum, ela tentou voltar para o Hall, talvez subir as escadas e se reconfortar no seu dormitório. Antes que Granger pudesse passar por mim, segurei seu braço, fazendo com que seu corpo se chocasse de leve com o meu. Sua respiração quente soprou em meu rosto, e surpreso percebi que repulsa foi o último pensamento que passou pela minha mente. Olhei em seus olhos, arregalados de surpresa, e pela milésima vez naquela noite eu me perguntei o que eu estava fazendo.

Como se lesse os meus pensamentos, Hermione perguntou em um sussurro controlado: "O que você pensa que está fazendo?". Como já era previsto, eu não tinha a resposta, e minha única reação foi soltá-la. Ela demorou um pouco para fazer isso, andando de costas sem tirar os olhos dos meus, até subir as escadas como se o próprio demônio estivesse atrás dela. E talvez estivesse.

Depois disso, foram poucos os momentos em que eu não pensei em Hermione Granger. O que aconteceu na noite do baile nunca fora comentado pela minha parte, e, como o comportamento dos dois imbecis que a acompanhavam não se alterou em nada, suponho que ela também não mencionou para ninguém. Era quase como se não tivesse existido. Mas às vezes, no momento em que os nossos olhares casualmente se encontravam no salão principal, eu me forçava a acreditar que talvez aquela noite não fora uma loucura criada pela minha mente cansada.

Um dia, no entanto, ela me confrontou. Duas semanas depois, para ser mais exato. Eu secretamente havia esperado por isso. Estava caminhando para uma aula de Snape quando a percebi me encarando, dirigindo o olhar até um corredor vazio e seguindo sozinha. Granger tinha a face ruborizada, a capa cobrindo todo o corpo, os olhos nervosos circulando o local. Completamente alerta.

"Calma, Granger, eu também não quero que ninguém me veja com –"

"O que foi que aconteceu naquele dia, exatamente?", ela ignorou meu desdém e perguntou antes que eu pudesse completar a frase.

Foi então que eu realmente reparei nela. Nas unhas roídas e a postura defensiva. A curiosidade a estava matando.

"Você não consegue entender, não é?", sorri quando a vi me encarar com raiva. Na mosca. "Se te alegra, eu também não sei o que aconteceu. Devia estar enfeitiçado pra tocar em você."

"Me poupe da sua ladainha, Malfoy. Você não pode simplesmente agarrar o braço das pessoas e se achar o príncipe –"

Ao longe ouvi passos e minha primeira reação foi cobrir sua boca tagarela e puxá-la para longe de olhos curiosos. Ela me encarava com muito mais raiva agora, se é que isso era possível, e sua respiração contra a minha palma fazia cócegas. Afrouxei um pouco o meu aperto, pedindo que ela fizesse silêncio. Nesse momento eu percebi o quão perto ela estava de mim. Quando o corredor estava silencioso novamente, fui verbalmente atacado e então me lembrei com quem eu estava falando.

Maldita Hermione Granger que não consegue manter a boca fechada.

"Quem você pensa que é pra me mandar calar a boca? Nunca mais toque em mim, Malfoy, ouviu bem? Eu não preciso de Harry ou Ron pra me defender! Que Dumbledore não escute isso, mas eu poderia te transformar numa criancinha com um simples floreio –"

Tive que calá-la de algum jeito. Foi um pouco estranho, já que ela não me correspondia – e nem me correspondeu. Nossos dentes se chocavam aqui e ali, e eu ainda podia senti-la resmungando em meio ao beijo. Uma mão minha foi parar em seu pescoço, aplicando uma certa pressão até que ela relaxasse sob o meu toque. Então a maldita mordeu o meu lábio. Com força.

"O que você fez, sua maldita?!", perguntei enquanto estancava o pouco sangue que molhava meu lábio inferior.

"Eu que pergunto o que você está fazendo, seu-seu desgraçado!", ela respondeu com a voz trêmula de raiva.

"Só tirando proveito de uma sangue ruim estúpida!"

O tapa veio logo em seguida, seu som preenchendo todo o corredor. Ela estava toda vermelha, os olhos castanhos brilhando em fúria. E eu não deveria estar em um melhor estado, porque logo que a encarei de volta, ela recuou alguns passos, ainda olhando nos meus olhos com aquela determinação e raiva que chegava a ser viciante de observar.

"Essa foi a segunda vez, Granger", falei, meu tom sério respingando ódio, enquanto deixava a palma fria encostar na bochecha quente.

"Vai se foder, Malfoy."

Foi tudo o que ela disse. Granger me deu as costas, andando a passos apressados para a aula de Snape. Demorei ainda mais de aparecer, tentando fazer os feitiços necessários para retirar a vermelhidão no rosto e o inchaço nos lábios. Snape perdoou o meu atraso. Granger perdeu 10 pontos para a Grifinória.

Anos se passaram depois do nosso último encontro. Hermione Granger se tornou um dos demônios que me perseguia à noite. Às vezes me pegava pensando no seu beijo não correspondido, na sua raiva quase tangível, nos seus olhos cheios de dor, no seu sangue sujo. Ao acordar de algum pesadelo, era fácil me ver refletindo sobre onde ela estaria no momento, se era atormentada pelos seus próprios fantasmas da guerra. Mas Hermione Granger não passava disso – uma lembrança que tentamos esquecer.

Até que ela não era mais. Nós já devíamos ter vinte ou vinte um anos, e eu estava cumprindo minha pena com relação a minha participação na guerra. O perdão nos foi dado e a fortuna de minha família foi mantida, mas de qualquer jeito meus pais e eu fomos forçados a viver como trouxas por cinco anos. Fomos liberados de Azkaban por conta do depoimento de Potter, que testemunhou a nosso favor. Não havia ministro na Terra que fosse capaz de contrariar a vontade do salvador do mundo bruxo. Heróis de guerra e os seus privilégios.

Foi em um pub trouxa. Eu havia pegado o costume de passar as noites de sábado bebendo o meu infortúnio. Alguns copos de cerveja, quem sabe uísque quando as coisas realmente estivessem ruins. E aquele dia estava especialmente terrível.

Logo que entrei e passeei os olhos pelo local, eu a vi. Estava cheio, mas a maldita, mesmo após tantos anos, era reconhecível em qualquer lugar. Fui para o lado oposto do pup, decidido que seria uma noite daquelas. Encostei próximo ao balcão. Duas doses de uísque e contando.

"Não acha que já é o suficiente, Malfoy?", disse uma voz suave ao meu lado.

Não sei dizer se suave é o adjetivo certo. Na verdade era forte, com um quê de decisão, como a voz de uma professora dando uma aula difícil para um aluno débil. Mas era bonita e estranha ao mesmo tempo, como a voz bonita de alguém que não sabe cantar e desafina rápido. Meio grave, mas aguda no final e início das palavras. Estou me fazendo entender?

"Malfoy?", ela perguntou, tocando o meu braço quando demorei demais para responder.

"Acho que já é o suficiente, Granger", não sei se era uma resposta à pergunta ou ao contato. De qualquer jeito, ela se afastou.

"O que você está fazendo aqui?", perguntou enquanto apoiava o corpo no balcão. Estava com os cabelos soltos, presos na parte de cima para controlar os cachos. Estavam mais longos que nos tempos de Hogwarts, mais abaixo dos ombros. Eram os mesmos cachos castanhos indomáveis, mas agora havia algo de bonito neles. Isso me deixou com vontade de rir e correr os dedos por eles e puxá-los e rir novamente.

"O que te dá o direito de perguntar qualquer coisa, Granger?", eu esperava que o sorriso em minha voz não ficasse tão perceptível. "O que você está fazendo aqui?"

Ela virou o rosto em minha direção e riu. A maldita riu. Era um riso mais aberto do que eu poderia esperar, e durou mais do que imaginaria. No final, mais séria, ela apenas disse: "Ninguém me reconhece aqui".

Fez-se silêncio. Passei uma mão por entre os cabelos e me virei para pedir mais uma dose de uísque. Granger enrugou as sobrancelhas pra mim, em uma clara demonstração de reprovação. Tinha a intenção de beber olhando para os olhos dela, até perceber que ela já tinha sua própria dose em mãos, e me provocava da mesma maneira. Karma imediato.

Alguém testou um microfone, e logo uma bandinha qualquer começou a tocar em um palco improvisado. Era uma dessas bandas alternativas indie alguma coisa que os trouxas adoravam. Depois dos primeiros acordes, percebi Hermione movimentando o corpo com o ritmo, bem de leve. Sem perceber, eu imitava os seus movimentos e observava seu pescoço exposto, seus lábios tentando acompanhar a música, a percebia por inteiro. Com esse pensamento em mente, terminei minha dose, deixei algumas notas sobre o balcão e com uma voz engrolada disse para ela: "Eu preciso de um pouco de ar".

É claro que ela me seguiu. Antes de fechar a porta e receber a garoa fina que caía naquela noite, consegui sentir sua presença atrás de mim. Era uma sensação estranha. O corpo se arrepiava pela proximidade e tremia de frio, mas não era de frio. Dava vontade de abraçar o próprio corpo e se aquecer, mas você só consegue se manter ali, de olhos fechados e braços abertos esperando o que vier.

"Você vai acabar pegando um resfriado desse jeito", ela disse ao meu lado, o rosto coberto por um capuz fofinho que a deixava parecendo uma criança com aquelas sardinhas ao redor do nariz. Fechei os olhos, tentando aplacar a tontura fingindo estar aproveitando a chuva.

"Que seja, Granger"

"Você não que ir... para outro lugar?"

A voz dela era tão suave agora, e esse era o momento perfeito para usar esse adjetivo. Era amedrontada e duvidosa e ela estava mordendo o lábio e completamente vulnerável. Granger estava bonitinha. É claro que eu não perderia essa oportunidade.

"Hermione Granger, integrante do trio de ouro, me chamando para o seu apartamento à noite, estando eu completamente bêbado e suscetível ao seu charme."

Meu rosto estava um pouco dormente, mas eu só esperava que o sorriso no meu rosto fosse o mais maldoso possível. Pelos tons de vermelho que Granger ficou, acho que estava certo. E essa foi a minha vez de rir, e me dei conta que era a primeira vez que eu ria de verdade há um bom tempo. Eu estava um pouco bêbado, minha língua enrolava um pouco em certas palavras, talvez eu estivesse com a cabeça um pouco mais leve que o normal e eu estava rindo de um convite feito por Hermione Granger para o seu apartamento. O universo e suas piadas particulares.

"Você não está completamente bêbado", ela respondeu na defensiva.

"Então você quer me levar para o seu apartamento."

"Então você confessa que eu tenho charme", rebateu com aquele sorriso que usava em Hogwarts sempre que encurralava alguém em um debate.

Fechei a boca algumas vezes, procurando a resposta, mas antes mesmo de proferi-la ela me interrompeu: "Não adianta negar e dizer que está completamente bêbado como desculpa, não foi eu quem agarrou você estando completamente sóbria".

A encarei com um olhar afetado antes de rir abertamente. Eu iria me arrepender tanto amanhã.

"Você não calava a boca de jeito nenhum, o que você acha que eu devia fazer? Pedir por favor?"

Ela rolou os olhos para mim antes de me dar um sorriso. Já estávamos familiarizados com isso. Com sorrisos e risos abertos.

"É sério, Malfoy, você vem ou não? Não é tão longe, e eu não quero ficar na chuva o tempo todo."

Dei de ombros e a segui. De qualquer jeito a chuva já havia terminado, mas andamos a passos apressados até um prédio cinza. Hermione cumprimentou o porteiro e foi direto para o elevador, apertando o botão do nono andar. Esse foi um dos momentos mais estranhos. Não tinha nem mesmo a música ambiente para suavizar o momento constrangedor. O enjoo estava mais forte e pressenti uma dor de cabeça chegando. Suspirei quando as portas se abriram e Hermione me levou até o apartamento 919.

"Pode se sentar ali, eu volto já", ela disse antes de sumir no corredor.

Tirei o casaco molhado, colocando-o ao lado da porta, e fui até o sofá em frente à lareira. Antes que pudesse piscar os olhos, a lenha ficou em chamas e calor se espalhou por todo o apartamento. Hermione apareceu com a varinha em uma mão e um copo com um líquido azul celeste na outra.

Poção tranquilizante.

"Obrigado, Granger", disse com verdadeira gratidão na voz. O efeito imediato foi tão bem vindo para mim não apenas pelo alívio da dor, mas sim pela presença de magia. Ela havia me dado um presente que há tanto tempo queria receber.

Granger sorriu para mim e foi até a cozinha, voltando com um copo de água e outra poção tranquilizante. Sentou no tapete próximo à lareira, me convidando para fazer o mesmo com os olhos.

"Então é verdade que você quer mesmo tirar proveito de mim", quebrei o silêncio constrangedor sem tirar os olhos do fogo, mas eu sentia o olhar dela em mim.

"A poção e a lareira deixaram isso tão óbvio?!"

Eu havia perdido o humor para rir. Apesar de cessar o enjoo e dor de cabeça, a poção estava me deixando um tanto sonolento e confuso. Estalei o pescoço, apoiando-me no sofá e ficando de frente para a lareira. Não conseguia encarar os olhos de Hermione Granger.

"Eu não sei se eu peço desculpas ou agradeço."

Saiu de repente. Voltei a encará-la com seus olhos de corça e seu nariz com sardas e sua boca entreaberta e sua pele brilhando a luz do fogo.

"Digo, obrigado pela poção e pela magia e as chamas. Tem tanto tempo que eu não sinto qualquer sinal de magia que é desolador. Eu me sinto completamente sozinho sem a minha varinha, é como se tivessem tirado uma parte do meu corpo."

Granger sorriu para mim e antes que pudesse falar mais alguma coisa, a interrompi. Não sabia qual outra oportunidade teria para fazer isso. Fica mais fácil confessar seus medos à noite, sob o efeito de uma poção tranquilizante e sentindo-se completamente vulnerável e exposto.

"E desculpa por tudo que lhe fiz. Tudo. Desde a te atormentar a não mover um dedo enquanto te via ser torturada. Com o fim da guerra... caralho, foi horrível ter que pensar em tudo o que fiz. Os julgamentos e os meus pais e viver como trouxa... acordar todos os dias e pensar que não havia mais como enfrentar as consequências... e tinha os seus gritos que eram um dos meus pesadelos mais frequentes..."

Ela me encarava complacente, seu olhar me encorajando a continuar. Ela também havia tomado a sua poção, e estava encostada no sofá, os joelhos pressionados contra o corpo, o pescoço apoiado e os olhos dormentes, porém atentos. Segurei seu antebraço direito, onde mudblood ainda era visível na pele clara. Deixei a ponta dos dedos roçarem a cicatriz, ainda muito vermelha e quente. Bellatrix sabia como marcar alguém.

"Você continua sendo uma sangue ruim pra mim, Granger. Mas isso não faz diferença alguma."

Havia lágrimas presas nos cílios dela e um sorriso triste em seus lábios. Ela me encarava, e como se preso a um feitiço não conseguia desviar-me dela. Seus olhos castanhos – não, uma voz ecoou na minha mente, é mel – agora me revelavam tanta dor que podia sentir em meus ossos. Havia algo mais em meio ao brilho de suas lágrimas, no arrepio de sua pele ao meu contato, na proximidade delicada. Meu perdão veio em forma de um beijo, casto, apenas um pressionar de lábios. Minha mão tocou sua bochecha e limpou sua lágrimas. Pude ver de perto suas sardas ao redor do nariz e seus olhos cor de mel e fogo. Poderia ficar assim por um bom tempo, mas ela fechou os olhos e entreabriu os lábios, e esse foi o único convite que eu precisei.

Não havia mais nada a ser dito.


N/A: Escrevi essa fanfic em algumas madrugadas, algumas super tranquilas e outras depois de beber um pouquinho. Eu perdi a mão com histórias em primeira pessoa, então eu estou achando o meu Draco muito estranho e a escrita mais serelepe lá na frente é porque o Draco está bêbado. Uma dose só de uísque muda as pessoas. Tá estranho e só to postando porque deu trabalho de escrever e porque o projeto precisa de movimento. Sem betagem, sem sentido, é isso aí.