Capítulo XI - De Volta ao Começo
O corpo de Greyback foi velado pelos demais durante dois dias, conforme mandavam os rituais funerais de um líder. Lupin ficou com Mia durante todo esse tempo no esconderijo de Greyback. Não era mais que uma caverna bem ampla, onde ele e uma grande parte da matilha se refugiava. E com toda sua opulência, Fenrir mantinha, por assim dizer um quarto restrito para ele. Apesar das paredes ásperas de pedra, o ambiente era extremamente aconchegante, não havia móveis, apenas uma cama de gravetos coberta com várias camadas de peles das caças, onde Mia e Lupin estava deitados, abraçados.
Os olhos de Lupin vagaram pelo rosto de Mia, adormecida ao seu lado. Depois desceu suavemente pelas curvas do pescoço, costelas e quadris. A pele clara dela em contraste com a pelúcia escura que cobria a cama a fazia parecer tão frágil. Frágil – pensou e sorriu, ao fitar o ventre dela. Com cuidado, levou sua mão até tocar aquela região, gentilmente. Os dedos deslizaram suaves sobre a superfície macia da pele, e Mia se aconchegou ao toque dele. Lupin viu seu desejo ser despertado quando os olhos dela encontraram os seus, fazendo um sorriso malicioso brincar nos lábios a sua frente.
Ele inclinou-se sobre ela, deixando as mãos fortes deslizarem para as costas, trazendo-a num abraço para seus lábios. A língua explorava cada parte daquele recanto quente e doce oferecido a ele. Lupin deitou-se sobre ela, enquanto Mia retirava-lhe a camisa. Escorregou as mãos carinhosas sobre as coxas dela fazendo-as se entreabrir, e dar-lhe passagem. Os dedos subiram ávidos em direção a entrada úmida. Os corpos arfavam, Mia mordiscava-lhe o pescoço e tórax, incitando-o a prosseguir. Remus sorriu ao vê-la entregue, ao encontrar os olhos castanhos tão sedentos quanto os dele. Livrou-se de suas calças num gesto rápido, deitando-se novamente sobre ela.
Recomeçou a beijá-la com paixão, enquanto os dedos se tornavam implacáveis sobre seu sexo. Sentiu Mia se desmanchar em suas mãos, e a tomou definitivamente, cadenciando seus movimentos com os dela, derramando-se dentro de seu cálice. As bocas ainda estavam entreabertas pelo gozo, quando se entregaram com carinho uma a outra, colando seus corpos num abraço quente e aconchegante.
Ficaram assim durante algum tempo, apenas sentindo o calor emanar de seus corpos saciados. Lupin se pôs de pé, vestiu sua veste, precisava estar presente nas últimas horas do funeral. Havia uma coisa que teria que fazer se quisesse protegê-la realmente até que Voldemort fosse derrotado, e deixasse de existir.
Como vencedor do combate, ele, Lupin, tinha o direito de se tornar o líder da alcatéia. Essa posição o faria manter qualquer um longe de Mary, e ainda teria a oportunidade de tentar impedir que os planos de Greyback fossem adiante. Iriam ter que enfrentar a fúria de Voldemort, que certamente se viraria contra eles, mas ainda restava a chance de lutar ao lado da Ordem, junto com seus amigos, pelo que Dumbledore, e ele próprio, acreditavam ser o certo.
Foi assim que após o crematório de Fenrir, Lupin se viu no centro do círculo, assumindo a sua posição de líder. Ninguém lhe negou, ou contestou, seu direito. Todos os olhos estavam atentos sobre sua figura. Lupin se dirigiu à matilha, explicando como iria ser a guerra, a quem e o que iria realmente beneficiar, fazendo-se ouvir e respeitar até mesmo pelos mais novos.
As expressões em seus rostos não eram de medo, como acontecia quando Greyback se dirigia a eles. Era de observação e entendimento, e quando acabou de falar, não houve uivos em assentimento, ao invés disso, muitas perguntas surgiram de todos os cantos do círculo. Lupin respondia uma a uma com paciência e perseverança.
Quando já não havia mais nada a ser dito, pelo seu senso de justiça, pediu que cada um refletisse sobre a posição a ser adotada pelo grupo. Não seria ele a tomar essa decisão, nem podia oferecer-lhes um futuro seguro e livre de preconceitos. No entanto, naquela noite quando saiu deixando Mia na caverna, não havia peso ou apreensão em seu coração, havia a certeza que tinha feito o que era certo. Quando tomou seu lugar entre seus amigos da Ordem, o fez não só como um bruxo, um correligionário, mas como um representante de seu povo. Lupin agora se sentia seguro.
O confronto final se aproximou como um raio, jogando a escuridão sobre os dias que se seguiram à destruição da penúltima Horcruxe. No dia em que o menino-que-sobreviveu enfrentou Aquele-que-não-deve-ser-nomeado, lobos se juntaram aos homens, e muitos, de ambos os lados, não voltaram para casa. A única certeza que se tinha quando a poeira baixou no cemitério, era que o corpo de Voldemort jazia entre os demais. Mais uma vez o mal fora debelado. Novos dias se seguiriam a esses, mas dias de luz, de paz.
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O rosto de Mia se iluminou quando pegou o pequeno embrulho em seus braços. As mãos branquinhas seguidas por bracinhos rechonchudos que esticavam para fora das cobertas. Um brilho cruzou o olhar de Lupin, ao ver sua cria ali, tão perto e tão linda. Era como se sua vida se renovasse, e com ela suas esperanças. Ele tomou a pequena em seus braços, beijando-lhe suavemente o rosto, sentindo o calor daquela pequena alma em contato com a sua. Eram um só.
Inês não levava em seu sangue a licantropia, mas levava nos genes a mistura das duas raças. Um orgulho que ela teria pelo resto de sua vida, mas isso não era o suficiente para assegurar-lhe a estadia entre os lobos. Nem ela, nem Mary poderiam ficar na alcatéia, mesmo Lupin sendo o líder, mesmo que todos os receios que pesavam sobre sua pessoa tivessem sido reduzidos a pó. Elas precisavam partir.
As noites se tornaram solitárias tanto para Mia, quanto para Lupin. Não era sempre que se viam, que se tocavam, que se amavam. Ele era líder e funcionário do Ministério, ela professora em Hogwarts depois que a escola reabrira. Havia uma barreira invisível margeando suas vidas, e durante onze anos ela resistiu bravamente. Durante onze anos abriram mão de parte de suas vidas pelo bem de Inês. Para vê-la crescer numa família cercada de carinho e atenção.
A bonita garota de onze anos se despediu dos pais na plataforma 9 ¾, com um sorriso iluminando o rosto claro e os olhos cor de mel brilhantes. As mãos acenavam avidamente para eles de dentro do expresso, enquanto o rosto de um menino de cabelos pretos e lisos se juntava ao dela num sorriso ardente. Lupin olhou para Mia, vendo a esposa sorrir-lhe divertida, mas seu coração de pai se inquietou ao ver sua pequena ao lado de Pedro. Não por causa dele ser filho do Snape, mas por ele ser um menino. As velhas rusgas haviam acabado com a guerra e Snape fora uma peça decisiva para a derrota de Voldemort, não havia dúvidas sobre isso. Snape provara a todos que Dumbledore estava certo ao confiar nele. Deu um longo suspiro envolvendo os ombros de Mia, e deixaram a plataforma.
A noite caiu como um véu sobre a escola. Inês fitava a escuridão das janelas de seu quarto na torre da Grifinória. Ela sabia que em algum lugar, num ponto distante da floresta havia um homem e uma mulher prontos para começar uma nova etapa em suas vidas, assim como ela, ali em Hogwarts. Um sorriso leve crispou seus lábios, ao menos ela tinha alguém para pensar... Um lindo menino de olhos e cabelos lisos pretos que havia sido escolhido para a Sonserina. Sonserina... Seu sorriso se alargou, fechou os olhos e pensou – Quem se importa qual a casa dele? Isso é coisa do passado (risos), eu me importo apenas com o sorriso lindo que ele tem ! Adormeceu com seus pensamentos envoltos em uma névoa rosa.
Perto dali, dentro da Floresta Proibida, um homem e uma mulher se amavam loucamente em meio a terra salpicada de folhas desprendidas das árvores. Quando ele a tomou nos braços, seus olhos escureceram e a pele cobriu-se de pêlos. Ela o trouxe próximo a si, sem medo, tocando de leve seu corpo, o lobo não desviou do toque. As garras finas arranharam de leve a pele clara enquanto as presas se enterraram em sua carne, saboreando-a. Lupin se pôs de lado, voltando ao seu estado normal, como homem e abrigando sua fêmea nos braços. Estariam juntos para sempre, como humanos ou como lobos... A alcatéia os esperava e uma nova vida também, sem medo, repleta de esperanças.
Você me protegeu das coisas ruins,
Me manteve aquecido, me manteve aquecido.
Você entregou minha vida para mim,
Me libertou, me libertou.
Os melhores anos que eu conheci,
Foram todos os anos que tive com você.
Coro:
Eu daria qualquer coisa que eu possuo,
Desistiria da minha vida, do meu coração, da minha casa.
Eu daria tudo que eu possuo,
Apenas para ter você de volta outra vez.
Você me ensinou como amar,
O que é isso? O que é isso?
Você nunca disse muito,
Porém apesar disso, mostrou o caminho
E eu aprendi ao observar você.
Ninguém mais poderia conhecer
A parte de mim que não consegue desistir.
Coro
Existe alguém que você conhece,
Você está gostando muito deles
Mas considera-os acima de qualquer coisa
Você pode perdê-los algum dia,
Alguém levá-los embora
E eles não ouvem as palavras que você deseja dizer.
Coro
Apenas para tocar você uma vez mais...
( Everthing I own – Bread )
FIM
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N/A: Infelizmente esse eh o fim, mas eu gostei muito de ter feito essa fic, foi muito especial, assim como foi especial ter vcs aqui! Obrigada de coração por todas as reviews, pelo carinho e pela amizade! Amo vcs demais!!!!
