Oi! Estou de volta. Peço desculpa por ter demorado a actualizar, mas não estava com muita inspiração e também não tenho tido muito tempo. Aqui está o próximo capítulo, espero que gostem!
A Luz e a Escuridão
Capitulo 11
Passaram-se três dias desde que Sakura resolvera sair da cama, para ir treinar. Estava quase completamente curada da sua constipação, só tossia de vez em quando e já não tinha febre. O seu braço doía um pouco e ainda estava um pouco fraco devido á perda de sangue, mas não era nada demais. Era de manhã. A luz entrava cinzenta pelo quarto. Como o dia estava escuro havia algumas velas acesas no quarto. Naquele dia, Sakura ia tirar os pontos do braço. Como sempre, Shaoran estava no quarto com ela. Esperavam pelo monge, que lhe iria tirar os pontos. Pouco depois, este bate á porta e entra.
- Bom dia, jovens. – cumprimentou com a sua voz alegre e simpática.
- Bom dia. – eles retribuíram.
- Como se sente, menina Sakura? – perguntou.
- Muito bem. Já me recuperei, só falta mesmo tirar os pontos e voltar a treinar. – respondeu Sakura, contente.
O monge sorriu-lhe.
- Sabe que tirar os pontos, vai doer um pouco. Está pronta? – disse.
Sakura assentiu. Estava sentada na cama, com as costas apoiadas no estrado. Shaoran estava sentado numa cadeira ao seu lado. O monge sentou-se ao lado de Sakura e desenrolou-lhe a ligadura. A ferida estava completamente fechada e não estava infectada. O monge sorriu á rapariga e pegou numa pequena pinça para começar a tirar os pontos. Os pontos estavam cozidos um pouco apertados, porque o corte era profundo por isso doía um pouco a medida que eram puxados. Sakura sentia os pequenos fios serem puxados através da ferida. Doía-lhe e fazia-lhe um pouco de comichão, mas nada que não aguentasse. O monge puxava as linhas devagar e cuidadosamente. Por fim terminou. Observou o corte. Estava fechado, mas tinha deixado uma cicatriz no braço de Sakura. Shaoran olhou para a cicatriz sentindo-se culpado. Sakura reparou. O monge disse que Sakura já podia ir treinar e retirou-se.
- Não precisas de te sentir culpado. – disse Sakura, passando os dedos pela cicatriz.
Shaoran olhou para ela confuso, mas depois percebeu que ela tinha percebido o seu olhar.
- Mas se não fosse eu, não ficavas com uma marca para toda a vida. – disse.
- Não é nada de mais, mas se nota. Além disso eu sabia que estava doente e eu é que quis ir treinar. – respondeu Sakura.
- Mesmo assim… - murmurou Shaoran.
- Não te sintas culpado, Shaoran. Assim nunca me irei esquecer de ti quando o treino acabar! – disse Sakura, sorrindo.
Shaoran corou com a afirmação dela. Sakura só depois é que se apercebeu do que tinha dito e não percebeu porque tinha dito aquilo. Continuou a sorrir, levantou-se da cama e saiu do quarto. Shaoran ficou ainda corado e surpreendido com as palavras dela.
Sakura caminhava pelo corredor fresco, perdida em pensamentos. "Porque eu disse aquilo? Saiu sem querer, não sei porquê. Nem pensei nas minhas palavras, saíram da boca para fora. Mas é verdade, mesmo que eu quisesse esquecer-me do Shaoran, a cicatriz não ia deixar e além disso eu não me ia esquecer dele." Interrompeu os seus pensamentos ao ouvir a voz do Mestre Lei vinda da sala á sua direita. Sakura reconheceu a sala como sendo a biblioteca, onde tinham encontrado Jin Wei pela primeira vez. A porta estava entreaberta. Conseguia ver as estantes com livros pela pequena abertura, não via o Mestre nem Wei, apenas consegui ouvi-los. Sabia que não devia ouvir a conversa dos outros, mas algo lhe dizia que devia ouvir o que eles diziam.
- Então não te vais mais preocupar com a Ordem? – perguntou a voz de Jin Wei.
- Não. Sabes que eu não concordo que eles se metam na vida das pessoas. – respondeu a voz de Mestre Lei.
- Segundo eu sei, acho que eles tentam ajudar. – opinou Wei.
- Mas se conseguem ajudar ou não fazem nada, já é outra questão. – ripostou Lei.
Houve alguns momentos de silêncio, em que Sakura não conseguiu perceber o que faziam. Pouco depois voltou a ouvir a voz de Jin Wei.
- Nunca percebi mesmo muito bem o que era a Ordem. – disse, num tom resignado.
Sakura ouviu Mestre Lei suspirar.
- Ai rapaz… nem pareces um monge… Já te expliquei não sei quantas vezes que a Ordem é uma organização de digamos, feiticeiros. Conhecem praticamente, se não, todos os feiticeiros do mundo, que hoje em dia não são tantos como isso. Existem alguns Clãs de feiticeiros na China, o Clã Li claro, o mais poderoso e rico de todos, existem também em Inglaterra, na França, Rússia… enfim um pouco por todo o mundo, mas mesmo assim não são muitos e há casos raros de uma pessoa possuir poderes mágicos sem descender de uma família de feiticeiros…
- Como a tua aluna, a Sakura. – interrompeu Jin Wei.
Sakura sobressaltou-se ao ouvir o seu nome.
- Sim. – confirmou Lei. – Voltando ao assunto… Bem, a Ordem "conhece", mas claro que não os conhece pessoalmente. Investiga-os, vigia alguns… enfim… Devias ver os arquivos deles, são enormes.
- O que foste fazer aos arquivos deles se não és feiticeiro? Além disso para quem não gosta de magia, sabes muito sobre o assunto. – interrompeu novamente Wei.
- Eu não disse que não gostava de magia, apenas prefiro lutar pelos meios tradicionais. Quanto ao que eu fui lá fazer, é exactamente o que disseste, chamaram-me lá para resolver algumas coisas á alguns anos, visto que eu sei muito sobre magia e tenho contacto com eles há muito tempo. – respondeu Lei.
- Mas resumindo, afinal o que é exactamente a Ordem? – perguntou Wei.
Sakura estava curiosa, finalmente iria descobrir o que é a Ordem.
- Não sei bem como te responder a isso… – disse Mestre Lei. – Não sei explicar bem. Vou tentar, mas tu devias saber, muitos dos monges deste mosteiro possuem magia e alguns devem ter contacto com a Ordem. Bem, a Ordem foi fundada em… – Mestre Lei pareceu pensar. – Ora, estamos em 1932… Acho que foi fundada por volta de 1870, mais coisa, menos coisa… por quem, não sei. Acho que ao princípio, a ideia era boa. Consistia em reunir alguns feiticeiros sábios, da China apenas, alguns feiticeiros por Clã e digamos "administrar" a magia na China, distribuir algumas funções pelos Clãs, estabelecer algumas regras para o uso da magia, coisas assim… Mas depois com o tempo, a Ordem foi descoberta por feiticeiros de outros países, pois não tinha discrição suficiente… Esses feiticeiros entraram também na Ordem e depois do fundador que era uma espécie de líder morrer, foi eleito outro líder. Esse líder fez com que a Ordem se tornasse numa organização o mais secreta possível. Hoje em dia mal se sabe da existência da Ordem, pois não deixa muitas pistas para alguém suspeitar da sua existência, mesmo a maior parte dos feiticeiros e Clãs nem sabem que existe e muitos daqueles que já ouviram falar acham que já não existe… Alguns Clãs também cortaram a ligação com a Ordem, como é o caso do Clã Li, abandonando a Ordem sobre uma espécie de juramento sobre nunca revelarem nada a outros Clãs sobre a Ordem…
- Eu disse: "resumindo"… - comentou Wei. – Além disso não perguntei nada sobre a história da Ordem…
Houve mais alguns segundos de silêncio, nos quais Sakura não pode ver Mestre Lei lançar um olhar ameaçador a Wei para poder continuar.
- Bem, prosseguindo… A Ordem passou por muitas situações e mudanças ao longo dos anos… Bem, á quatros anos atrás a líder da Ordem era Assimyria Kate… - tentou o Mestre prosseguir.
- A Kate! – perguntou Wei, surpreendido. – Ela era a líder da Ordem á quatro anos? Quando…?
- Sim. – respondeu rapidamente Lei. – Não fales nisso. As paredes podem ter ouvidos, jovem Wei.
Sakura envergonhou-se ao ouvir aquilo e temeu por momentos que o Mestre a tivesse descoberto, ficando muito quieta e respirando devagar e silenciosamente.
- Agora o líder é felizmente, o jovem Takeshi Oyama. Acho que não o conheces. – continuou Lei.
- Ele não foi seu aluno? – perguntou Wei.
- Precisamente por isso digo felizmente, é um jovem sensato e penso que pode fazer alguma coisa para tentar melhorar a Ordem. Agora finalmente, respondendo á tua pergunta sobre o que é a Ordem… como já disse não sei explicar bem. É aquilo que eu disse: uma organização secreta de feiticeiros. Através da história da Ordem, maus lideres ficaram com o lugar e más decisões foram tomadas. A Ordem chegou quase ao ponto de ser uma organização para tentar dominar o "mundo da magia" e ter todos os feiticeiros a seu serviço, mas claro, isso não era possível e quando isso aconteceu um novo líder tomou o lugar e tentou fixar a Ordem noutros assuntos. Actualmente a Ordem investiga todos os feiticeiros de que tem conhecimento, já chegou ao ponto de matar aqueles que atrapalham os seus planos e obscuramente domina o "mundo da magia", os velhos feiticeiros sábios da Ordem sabem tudo o que é possível saber sobre magia e têm uma biblioteca e arquivos gigantescos. É basicamente isso. – finalizou Lei.
- Que mal lhe pergunte, se bem me lembro nos tempos em que ensinavas Oyama já começavas a ter problemas com a Ordem, principalmente quando contactou o teu aluno para entrar nela, tu não deixaste. Agora ele é o líder e se bem me lembro Oyama também não gostava da Ordem, não terá ele resolvido entrar porque tu pediste? – perguntou Wei.
- Em parte sim, em parte não. Ele veio propor-me um plano para acabar com a Ordem ou tentar transformá-la naquilo que sempre deveria ter sido, eu disse-lhe que fizesse o que entendesse e ele resolveu entrar, a partir daí é com ele. – respondeu o Mestre.
- Compreendo… Mais duas perguntas: Ordem não é exactamente o nome dessa organização, pois não?
- Não, mas é o nome que lhe podemos chamar. Qual é a outra pergunta?
- Estás preocupado porque a Ordem quer qualquer coisa da tua aluna Sakura, não é?
Sakura sobressaltou-se novamente, pensando que a tinham descoberto a ouvir a conversa ás escondidas, mas depois percebeu o que fora dito e acalmou-se.
- Bem, sim. Takeshi avisou-me que planeavam algo para ou contra ela, mas como agora é o líder, vai conseguir contê-los, além disso não nos podemos esquecer que Keroberus também entrou na Ordem á seis anos para proteger a sua Mestre. – respondeu Wei.
"Ah! Finalmente descobri o que o Kero vem fazer á China!", pensou Sakura. Seguiram-se mais alguns momentos de silêncio. Sakura achando que já tinha ouvido demais e que eles poderiam sair a qualquer momento, resolveu ir embora. Quando se virou para o lado, bateu na prateleira de madeira ao seu lado, fazendo com que a jarra com flores, que lá se encontrava, caísse ao chão e se partisse. Água, flores e pedaços de porcelana espalharam-se no chão. "Ai! Eu sou uma desastrada mesmo!", pensou Sakura. Ouviu a porta abrir-se atrás de si e não se atreveu a olhar para trás.
- Como te disse, jovem Wei. As paredes têm ouvidos. – Sakura ouviu a voz de Mestre Lei dizer.
Li Yun saíra do seu quarto para dar uma volta pela mansão. Vestia umas calças e camisas pretas, usando o seu habitual manto vermelho. Era jovem e era um homem atraente, mas as senhoras que se derretiam com os seus sorrisos não conheciam o verdadeiro eu escondido atrás da mascara sorridente. Caminhava já a algum tempo pelos luxuosos corredores da mansão, mantendo sempre o seu olhar frio e impassível. Encontrava ao acaso um serviçal ou outro que paravam para lhe mostrar respeito devido á sua elevada posição no Clã. Encontrou um grupo de jovens raparigas, não com muito mais de dezassete ou dezoito anos. Quando o viram aproximar-se começaram a cochichar e soltar risinhos. Yun aproveitou para dar um dos seus sorrisos irresistíveis o que as fez corar e desmancharem-se em gritinhos, mas entre os rostos das raparigas encontrou um olhar duro e frio, que não parecia nada alegre por vê-lo. Por momentos assustou-se. Parecia o olhar de alguém que conhecia, alguém que não devia estar ali, mas reconheceu a rapariga a quem pertencia o olhar e tranquilizou-se. Olhou directamente nos olhos da rapariga. Era Feimei, uma das quatro irmãs de Xiao Lang. Ela enfrentou o seu olhar.
- Menina Feimei, o que faz por estes lados da mansão? – perguntou Yun.
Feimei deu alguns passos em frente, ficando em frente a ele.
- Não tem nada com isso, Senhor Yun. – respondeu ironicamente.
- Fria como sempre… - comentou Yun. – Já lhe pedi, menina Feimei, que deixasse de me tratar por senhor, trate-me apenas pelo meu nome.
- Não seria adequado…senhor. – respondeu Feimei, acentuando a última palavra.
- E porque não? – indagou Yun.
- Porque não tenho confianças com o senhor para tal. – respondeu Feimei, veementemente.
Yun observou a rapariga. Os seus longos cabelos castanhos caíam pelas suas costas, os seus olhos castanhos frios e os seus traços, tão parecidos com os do irmão mais novo. Vestia um vestido chinês cor-de-rosa com uma faixa de seda amarela a envolver-lhe a cintura.
- Mas podias ter. – respondeu Yun, sorrindo.
- Não devia fazer comentários indecentes a uma jovem, senhor. – disse Feimei.
- Ninguém disse nada indecente, menina Feimei. – ripostou Yun, fazendo cara de inocente.
- Mas deve ter pensado. – continuou Feimei. – Agora se me der licença vou ter com as minhas amigas.
Feimei deu meia volta e voltou para o grupo de raparigas. Elas começaram a bombardeá-la com perguntas sobre o que falara com Yun. Feimei deu respostas vagas a todas as perguntas e lançou um último olhar de lado a Yun que também retribuiu.
Yun virou as costas ás raparigas histéricas e continuou a andar. "Essa rapariga faz-se de muito dura, mas um dia quando eu cumprir os meus objectivos, vai tratar-me de outra maneira. Mas também ela não me importa…", pensou Yun. Enquanto pensava, caminhou propositadamente até á ala da enorme mansão onde Yelan morava com as suas filhas e filho, quando este estava cá. Yelan acabava de sair do seu quarto. O seu longo cabelo negro brilhante estava solto e caia pelas costas, usava um vestido rosa-pálido com uma faixa vermelha na cintura. "Aí está alguém que importa…", pensou Yun.
- Senhora Yelan, agrada-me vê-la. – cumprimentou Yun, aproximando-se dela.
Yelan que estava de costas virou-se para ele. Os seus olhos negros brilhavam. Definitivamente os seus filhos tinham herdado o olhar frio da mãe.
- Lamento não poder dizer o mesmo de ti, rapaz. – ripostou Yelan.
Yun ficou irritado por Yelan lhe chamar rapaz. Ele era mais novo que ela. Tinha 22 anos e Yelan tinha 31. Não deixou a irritação transparecer e sorriu.
- Tanta hostilidade, senhora. Creio que não era necessária. – disse.
- Crê no que quiseres, rapaz. – respondeu Yelan.
- Com todo o respeito que lhe devo, senhora, não precisa de me tratar tão friamente. – insistiu Yun.
- Se já acabaste, eu tenho mais que fazer…rapaz. – disse Yelan.
Yelan virou-lhe as costas e começou a andar. Yun fervilhou de irritação quando Yelan disse pela terceira vez "rapaz". A magia fervilhou dentro de si e teve de se controlar para não a atacar. Yelan sentiu e virou-se para ele.
- Podes tentar atacar-me, mas sabes que eu sou muito mais forte que tu, rapaz, por isso é melhor conteres-te. – disse.
Virou-lhe novamente as costas e prosseguiu o seu caminho. Yun não conteve mais a irritação, pegou numa jarra de porcelana e atirou-a á parede, estilhaçando a jarra em pedaços. Sabia que o que ela tinha dito era verdade e isso irritava-o mais. Yelan era provavelmente a mais poderosa do Clã e Yun sabia que seria muito difícil chegar ao mesmo nível de poder dela. "Um dia Yelan e as suas filhas ainda vão rastejar aos meus pés, um dia quando Yelan perder os seus poderes e Xiao Lang não puder fazer nada, eu vou liderar este Clã!", pensou irritado.
Sakura virou-se lentamente para o Mestre completamente vermelha. Pensou que iria encontrar o seu rosto zangado, mas não, o Mestre não parecia zangado com ela. Jin Wei olhava sem nenhuma reacção aparente.
- Entra. – pediu o Mestre, indicando-lhe o caminho para dentro da sala.
Sakura entrou de cabeça baixa. Lei e Jin Wei seguiram-na, tendo agora o cuidado de fechar bem a porta. Sakura sentou-se numa cadeira e os outros dois fizeram o mesmo.
- Desculpe, Mestre, eu… eu não queria ouvir a conversa… mas… a porta estava aberta e alguma coisa parecia que me dizia que devia ouvir… e eu… pronto é isso… - desculpou-se Sakura, muito depressa e envergonhada.
- Agora já ouviste, não vale a pena pedir desculpas. – disse Lei, não num tom zangado ou repreensivo, mas calmo e simpático.
Sakura baixou a cabeça.
- Podes olhar em frente Sakura. Ninguém vai discutir contigo. – disse o Mestre, divertido.
Sakura levantou a cabeça e Wei e o Mestre puderam ver a cara dela completamente corada.
- Acho que algumas coisas te dizem respeito. Se quiseres fazer algumas perguntas sobre o que ouviste, podes fazer. – disse o Mestre.
- …Não é preciso Mestre… por agora sei tudo o que quero saber… quando precisar de perguntar, eu pergunto. – respondeu Sakura, que tudo o que queria naquele momento era sair dali.
Jin Wei percebendo o desconforto da rapariga e vendo que Lei ia insistir, resolveu intervir:
- Deixa-a ir, Lei. Não vês que a Sakura não se está a sentir á vontade? – disse, sorrindo a Sakura.
Ela retribui com um rápido sorriso de agradecimento. Mestre Lei olhou de um para outro de lado.
- Está bem. Podes ir, Sakura. – acedeu.
Sakura levantou-se imediatamente e dirigiu-se á porta.
- Mas da próxima vez, não fiques a ouvir atrás da porta, quando quiseres saber alguma coisa, pergunta. – disse Lei.
Sakura ficou ainda mais vermelha e saiu da sala. Dirigiu-se num passo apressado ao quarto. Entrou e bateu com a porta. Shaoran encontrava-se deitado na cama, a ler. Este reparou que Sakura estava muito corada.
- O que aconteceu? – perguntou.
Sakura sentou-se na cama ao lado dele e contou-lhe aquilo que se passara e que ouvira.
- E por favor, sem piadas sobre o assunto, pelo menos por agora. – pediu no fim.
Shaoran assentiu e pensou "Por agora… mas quando tiver a oportunidade…".
- Acho que tens dois grandes problemas agora. – disse Shaoran.
- Quais? – perguntou Sakura, sem perceber.
- O meu clã e essa tal de Ordem… - respondeu Shaoran. – Acho que querem ambos as tuas cartas… ou a ti… não sei.
- Pois, mas eu não vou deixá-los ficar com as minhas cartas. – disse Sakura.
- Já sabes que podes contar comigo. – disse Shaoran, num tom desinteressado, voltando a atenção para o livro.
Sakura sorriu "É mesmo cabeça-dura, este não vai mudar nunca.", pensou. Sakura começou então a preparar-se para ir treinar, mas pouco depois a chuva começou a cair intensamente.
- Ainda bem que chove. Não me apetecia ir treinar hoje. – comentou Shaoran.
- Ainda bem nada! Logo hoje que eu podia treinar! – disse Sakura num tom desanimado.
- Temos pena. – comentou Shaoran, ironicamente.
Sakura voltou a sentar-se ao lado de Shaoran, amuada. Cruzou os braços e não se mexeu durante muito tempo. Shaoran continuava deitada, a ler, parecendo indiferente. De repente, Sakura pegou numa almofada e acertou Shaoran na barriga com ela. Este largou o livro e olhou para Sakura.
- Que ideia foi essa? – perguntou.
Mas a sua fala foi abafada com uma almofadada que Sakura lhe deu na cara. Ela começou a rir. Shaoran também entrou na brincadeira e pegou na sua almofada, atacando Sakura com ela. Acertou-lhe também na cara. Começaram então ás almofadadas um ao outro. Sakura, que estava sentada na beira da cama, acabou por cair. Shaoran parou de rir por momentos para ver se ela se tinha magoado, mas Sakura começou novamente a rir. Shaoran acertou-lhe então com a almofada na cabeça. Ela levantou-se e fez o mesmo. Agora, Shaoran estava em posição de desvantagem, estava deitado e Sakura conseguia bater-lhe com a almofada facilmente. Shaoran sentou-se, tentando levantar-se entre as almofadadas. Sakura, não deixou, atirando-se para cima dele. Shaoran ficou novamente deitado, com Sakura em cima de si. Conseguiu mover-se e caíram os dois no chão. Riam como duas crianças. Shaoran continuava em desvantagem, pois Sakura continuava em cima de si. Tentava defender-se com os braços, como podia, das almofadadas dela.
Do lado de fora, Mestre Lei, ouvia os risos dos dois ao aproximar-se da porta, ás vez ouvia os risos serem abafados. "Mas que estão eles a fazer?", pensou. Bateu á porta, como ninguém respondeu, entrou no quarto. O que viu foi Sakura sentada em cima de Shaoran, que estava deitado no chão, a dar-lhe com uma almofada na cabeça. Lei sorriu.
- Vejo que se estão a divertir, meus jovens. – pronunciou-se o Mestre.
Ao ouvirem a voz do Mestre, pararam e só então se aperceberam da posição em que estavam. Coraram os dois. Sakura levantou-se e ajudou Shaoran a erguer-se também.
- Não tencionava interromper a vossa brincadeira. – disse Lei.
- Não faz mal, Mestre. – disse Sakura, ofegante.
- Bem, eu vim aqui dizer que mesmo com chuva podemos ir treinar. – anunciou o Mestre.
Shaoran e mesmo Sakura ficaram desanimados com a ideia de ir treinar na chuva fria e intensa. O Mestre observou as expressões deles.
- Mas como parece que vocês são demasiado preguiçosos… - comentou.
- Mestre, a Sakura acabou de sair da cama. Se for treinar na chuva pode voltar para lá ou até mesmo eu. – disse Shaoran.
- É verdade. – reforçou Sakura.
- Se tomarem um banho quente depois, é pouco provável que fiquem doentes. Pensei que fossem mais corajosos e não se deixassem intimidar por uma chuvinha. – provocou o Mestre.
Shaoran e Sakura entreolharam-se.
- Está bem, Mestre. Nós vamos treinar. – acederam.
- Muito bem. – disse o Mestre. – Espero-vos lá fora.
Saiu do quarto. Os jovens prepararam-se para irem treinar, pegaram nos bastões e saíram do quarto. Quando foram para o exterior, a chuva era tanta que mal conseguiam distinguir a figura do Mestre.
- Ponham-se em posição e comecem. – ouviram a voz dele, ordenar.
Puseram-se em posição de combate. Não sentiram nenhuma pancada da espada de bambu do Mestre na cabeça, deduziram que ou era porque tinham a posição correcta ou porque o Mestre mal os conseguia ver. Shaoran e Sakura começaram a lutar. Era difícil desviarem-se dos golpes do adversário. O chão escorregava devido á lama e não tinham boa visão. Shaoran e Sakura apanharam muitos golpes sem conseguirem defender-se pois mal viam o adversário. O Mestre parecia ver a dificuldade deles, pois disse:
- Tentem ouvir o vosso adversário.
"Ouvir?", pensaram os jovens "Como vamos ouvir com esta chuva toda?". O Mestre pareceu dar-se conta do que pensavam.
- Esqueçam o ouvir, então. Tente perceber os movimentos do vosso adversário através da magia – disse.
Sakura e Shaoran assim fizeram. Melhoraram um pouco, mas era difícil concentrarem-se enquanto lutavam. Passado algum tempo já estavam ensopados até aos ossos.
Yelan estava no seu quarto com uma das suas filhas, Feimei. Estava sentada na sua grande cama de dossel e observava a chuva a cair pela janela.
- Mãe? – chamou Feimei.
- Sim?
- Acho que Li Yun está a tramar alguma coisa.
- O que achas? – indagou Yelan curiosa.
- Não sei o que poderá ser. Alguns criados dizem que ele tem andado a encontrar-se muitas vezes com o Feng e ficam a conversar durante muito tempo. – respondeu Feimei. – O que pode o Yun querer com alguém como o Feng?
- Não sei. – admitiu Yelan. – Também são os dois da mesma índole por isso talvez seja normal que se dêem, mas eu também pressinto qualquer coisa.
- Espero que não seja nada contra nós. – disse Feimei.
- Mesmo que seja, não te preocupes, minha filha. Nós somos fortes mais do que o suficiente para Yun e Feng. – tranquilizou-a Yelan. – Só espero que o teu irmão, Shaoran, esteja bem.
- Acha que ele não é perigoso, mãe? – perguntou Feimei.
- Claro que não, minha filha. É apenas uma criança com sede de poder. – respondeu Yelan.
Kate ouvia o barulho da chuva cair sobre o edifício. Passara-se cerca de uma semana desde que fora fechada naquela sala.
Flashback
Kate encontrou as cinzas da fogueira onde Keroberus e Yue tinham estado com um homem. Sabia para onde tinham ido. Seguiu o caminho pelo vasto arvoredo, até encontrar o edifício de pedra que era onde a Ordem se reunia. Era grande e majestoso, não muito alto, ficava pela altura das copas das árvores. A sair da porta de madeira do edifício encontravam-se Keroberus, Yue e … Takeshi Oyama, o homem da fogueira. Kate desmontou imediatamente do cavalo. Os três estacaram ao vê-la.
- Kate? O que fazes aqui? – perguntou Keroberus.
- Não sejas hipócrita, Keroberus! Sabes bem porque estou aqui! – respondeu ela.
Kero ia responder, mas depois reparou no brilho dos olhos de Kate e não disse nada, ficando muito sério. Yue observava sem perceber nada.
- A sério, Kate! Não fazemos ideia de porque estás aqui. – disse Takeshi.
- Por favor… poupem-me…- disse Kate ironicamente.
Takeshi ficou confuso.
- Não adianta dizer nada, Takeshi. – disse Kero. – Olha para os olhos dela, aconteceu outra vez.
Takeshi olhou então e viu o brilho. Pediu a Yue que fosse buscar alguém lá dentro, ele foi e voltou com muita gente atrás.
- Ah! Agora vão tentar atacar-me. – disse Kate.
- Sê sensata, Kate. Sabemos que és forte, mas nós juntos somos mais, entrega-te sem resistência. – pediu Takeshi.
Kate tentou atacá-los, mas foi impedida por alguma força invisível. Em poucos segundos, os feiticeiros imobilizaram-na e fecharam-na numa sala, protegida por magia.
Fim do Flashback
Desde então, ninguém falara com ela. Apenas lhe traziam comida de vez em quando. Doía-lhe a cabeça. " Aquele maldito, Takeshi! Quando eu sair daqui, vai arrepender-se por me ter prendido!". Sentou-se no chão da sala escura e encostou-se á parede. Por momentos, o estranho brilho desapareceu dos seus olhos.
- Tu queres o poder… - Kate ouviu uma voz sussurrar perto de si.
Olhou em volta e não viu ninguém.
- Não adianta olhares, não me vais encontrar…. – sussurrou a voz, era fraca e gélida, parecia quase um sopro.
- Quem és tu? – perguntou Kate.
- Quem ou o que sou não interessa. Tu conheces-me…. Tu sabes… - sussurrou a voz.
- Não, não sei. – respondeu Kate nervosa.
A voz pareceu rir.
- Sabes sim. Tens a alma corrompida… - sussurrou.
- Não! – interrompeu Kate, com um grito. – Vai-te embora!
A voz riu outra vez.
- Tu não queres que eu vá embora… Tu queres o poder….
- Não! Não quero nada de ti! Vai-te embora.
Kate abanava a cabeça e tapava os ouvidos, mas a voz parecia estar dentro da sua cabeça.
- Não adianta fugires…. Eu sei que tu queres o poder… Tu queres o poder…
Kate fechou os olhos por longos momentos. Quando os abriu tinham um brilho vermelho e cruel.
- Sim! Eu quero o poder! – disse.
Sakura e Shaoran voltaram ensopados e cheios de lama para o quarto, além de estarem muito cansados. Cada um tomou um longo banho quente e livrou-se das roupas sujas. Já estava a anoitecer. Tinham passado o dia todo a treinar na chuva e na lama e a chuva nunca parou, apenas suavizou um pouco. Agora, enquanto estava sentada numa cadeira, balançando-se para trás e para a frente, Sakura observava a água escorrer pelo vidro da janela. Shaoran estava sentado na cama, apoiando as costas contra a parede, a ler um livro novamente. Observou o braço onde Sakura tinha a cicatriz, ainda com alguns remorsos. Não podia ver a cicatriz, pois estava tapada pela manga da camisa dela.
- Sakura? – chamou ele, sem deixar de olhar para o livro.
- Sim? – perguntou ela, desviando o olhar para ele.
- Queres continuar a brincadeira? – perguntou Shaoran.
Sakura franziu as sobrancelhas sem perceber, mas depois percebeu aquilo a que ele se referia e pegou numa almofada e atirou-a ao livro. Fez o livro bater na cara de Shaoran. Sakura começou a rir. Shaoran deixou o livro de lado, pegou noutra almofada e atirou-a a Sakura. Assim passaram o resto do dia noutra luta de almofadas, ignorando os acontecimentos longe dali.
Bem, custou mas saiu. Sei que demorei um pouco, mas não pude fazer nada, como já disse, para além da falta de ideias não tive tempo. Eu queria ter dado um fim melhor para o capítulo, mas quando cheguei a essa parte tive um bloqueio e não tive mais ideias… Bem, talvez tenha ficado um pouco chato toda a conversa do mestre com Jin Wei, mas pronto… A razão porque eu mudei algumas vezes de digamos, "local" é para não estarmos sempre nos treinos e mostrar o que estava a acontecer noutros sítios… pronto, não sei se o capítulo ficou bom, depois vocês dão a vossa opinião. Este capítulo tb não tem titulo, pk eu ando um bocado sem ideias, desculpem. Eu to a pensar em postar uma nova fic, acham k devo fazê-lo? É k depois não sei se vou ter tempo para as duas (se resolver postar lá me arranjo depois), se quiserem saber o sumário ou resumo e isso, procurem no meu profile, na parte de projectos futuros e depois digam se acham k devo postá-la ou não, é de CCS. Bem, vamos aos reviews, acho k não tenho muito para dizer hoje. Daniela, oi, espero k a dor de cabeça já te tenha passado e k postes a tua fic o mais rápido possível, brigado pelo review! Cleo, oi, eu sei k gostas de capítulos grandes, mas a minha cabeça não dá para mais loool, brigado pelo review! Magataxinha, oi, brigado pelos elogios (tb to a gostar mt da tua fic!) eehehe, eu sei k sou má e k vocês querem ver (ler neste caso) o beijo, mas já não vão ter de esperar muito para isso, sei k demorei mais k o habitual para postar, mas é a vida, mts bjs pa ti! Bem, para além de reviews, queria pedir aos meus leitores, para quando mandarem review dizerem qual foi o vosso capítulo preferido (não é por nada, é mesmo só para eu saber) até agora. Até á próxima!
Beijos,
DeadLady
